SALVE O MORRO
6 Meu eu real
A aula do professor passou voando, ele explicava sobre leis trabalhistas e como elas funcionavam no mundo de hoje. A aula já estava quase acabando quando dois policiais fardados entra na sala, sem pedir licença e encara o professor.
— Desculpe interromper professor, precisamos falar com um dos seus alunos.
Prendi a respiração, e só pedi a Deus que não dissessem meu sobrenome naquela sala.
— Claro.
Eles se viraram de frente pra turma, os olhos deles percorreram a sala, até parar em mim. Eu imediatamente me levantei antes que eles dissessem qualquer coisa.
Todos os alunos imediatamente me encararam, os meninos que estava do meu lado fizeram careta. E Maxuel perguntou.
— Precisa de um advogado?
Olhei para ele, levantei a sobrancelha e sorri.
— Não, já tenho um.
Desci as escadas da sala.
— Charlie?
O policial perguntou.
Balancei a cabeça positivamente.
Os alunos que estavam naquela não sabia que eu era, mas algo me diziam que não iriam demorar saber.
Acompanhei os policiais que me levaram até uma sala vazia da faculdade. Entrei na sala, um investigador e o delegado da cidade estavam sentados em cadeiras, eles imediatamente me encaram.
— Charlie, onde estava ontem?
— Aqui.
O delegado apontou para cadeira para me sentar na frente dele.
— Não precisamos de formalidade, já passei por isso antes.
Eles se entreolharam e voltaram a me encarar.
— Sabe porque está aqui?
Balancei a cabeça positivamente.
— Por causa do incêndio.
— Incêndio?
— Sim, está em todos os canais do Rio de Janeiro.
O delegado se ajeitou na cadeira.
— Você teve envolvimento com isso?
— Não.
— Claro.
— Desculpa, mas porque tudo que acontece vocês me procuram?
— Porque foi um incêndio em um lugar que nem os investigadores tinham noção da existência. Você tinha.
— Sim. Mas nunca entrei lá. Era um lugar proibido. Vocês devem ter perdido muitas provas contra meu pai.
Eles franziram a sobrancelha e me encararam.
— Sim.
— É mesmo uma pena. Mas tente investigar as pessoas que trabalhavam junto com meu pai. Eles devem saber mais do que eu. Se puderem me dar licença eu tenho uma aula agora.
Sorri gentilmente e me virei para sair.
— Charlie?
— Sim?
Me virei novamente os encarando.
— Voltaremos.
— Só tentem não entrar na minha sala de aula novamente. Obrigado.
Me virei e sai. As aulas já tinham acabado e boa parte das pessoas estavam nos corredores guardando suas coisas no armário.
Maria estava aproximadamente uns 10 passos da sala em que eu tinha acabado de sair. Ela me encarou, enquanto eu saía da sala e ia em direção a ela.
— Cometeu algum crime?
Ela perguntou enquanto eu passava por ela. Essa garota me dava ódio, respirei fundo e me virei para encara-la.
— Cometi! Nasci no lugar errado.
Ela balançou a cabeça positivamente.
— Acho que a pena pra isso não é muito grande.
Ela respondeu e eu sorri.
— É sim.
Respondi e me virei saindo.
— Charlie?
Júlio me gritou no corredor.
Ele veio correndo e deu um tapinha nas minhas costas.
— Se meteu em problemas?
Encarei ele e depois Maria.
— Ele disse que nasceu no lugar errado.
Ele franziu a testa e riu.
— Acho que isso não é problema não.
— É sim, ele está amarelo, não está vendo?
Maria disse rindo.
Fiz careta e sorri.
Os policiais saíram da sala naquele mesmo momento e o delegado me encarou.
Júlio e Maria acompanhou me olhar e perceberam que eu olhava os policiais que se aproximavam. O delegado parou na minha frente e estendeu a mão.
— Foi um prazer falar com você novamente Charlie Seth Clair.
Eu respirei fundo, tentando me acalmar. Os meninos que estavam na minha frente me encararam. Tentei me controlar e voltei a encarar o delegado.
— Estarei aqui se precisar.
— Só quero que saiba que está sendo investigado por incendiar sua própria casa, estou te avisando porque você me parece ser um bom garoto.
— Boa sorte com as investigações.
Balancei a cabeça positivamente. Ele me deu um tapinha no ombro e saiu.
Os meninos ainda me encaravam.
Fale com o autor