SAGA

1 Saga


Era noite, das mais escuras pois a lua não se fazia presente.

Um grupo de garotos bêbados riam da vida a beira mar. Estes foram surpreendidos, quase ao chegar da aurora, pela singular presença de uma mulher loira levando na mão direita um par de saltos pontiagudos.
Sua roupa ainda era bela, porém estava se acabando pelo desleixo da dona do vestido. O tecido relutava em desaparecer, mas se desfiava aos poucos.

A garota, de seus possíveis 1,65 metros, caminhava confiante por entre os rapazes sem se importar com as gracinhas dos mesmos. Ia depressa, sem nunca olhar para trás.

Sentia-se agonizar, a pobre moça. Percebi isso ao olhar seus olhos e ler seus pensamentos.
Ela agonizava.

Agonizava de amor.
Ou seria melhor dizer: Dor de amor.

Muitos acham que ele se acaba quando a dor começa.
A garota ali expressava em suas frustrações sentimentais, teoria diferente.

Tentava recordar como caíra nesse poço sem fim.
Não conseguia, só restavam devaneios de quando ela ainda regia sua estória.

A vida foi cruel com a menina, não lhe contara sobre os sofrimentos do amor.
Sobre esse sentimento agudo que percorre o inicio, o meio... e agora, o fim.
Corrompendo a alma, inebriando a garganta, cortando fundo na espinha e ferindo.

As poesias gritaram sua beleza, escondendo assim as imperfeições.
Não era a toa sua revolta e alguns poucos xingamentos soltos contra essa.

Depois de muito o silencio imperar na noite, vi nossa personagem esbravejar sua raiva. Gritava toda a sua dor, seus olhos marejavam e deixavam transpassar suas confusões mentais.

O sol deu enfim o ar da graça, brilhando nas lágrimas.

E quando pensei que ela se levantaria novamente para a vida, um novo tropeço.

Era verdade, as lembranças não vão embora quando queremos e só existia um remédio, já recomendado pelos antigos: o tempo.

Nossa personagem não se animava com a ideia de deixar o tempo curar suas feridas, queria algo mais rápido e concreto.

Eu gritei! E fui ignorado.

Ela se jogou, seu coração ardente como pedra em brasa. Com força, por nunca se esquecer de que era fácil se perder por entre sonhos e deixar o coração sangrando até enlouquecer.

Sentiu seu peito se inflamar com a descoberta do futuro "fim", o gozo de saber que tivera coragem de fazer o que fizera.
E foi gostando do sabor daquela coisa, viciando em cada verso que o amor, a vida, a melodia, a poesia e a herezia veio trovar.

Se jogou, batendo em pedras e quase chegando a água.
Porém não morreu.

Sua mão se afundava no liquido cristalino, enquanto o corpo sentia as dores de mais uma mentira.
A de que a morte vem fácil.

Ao perceber que sua tão querida solução só lhe trouxera maior sofrimento, desesperou.

Desejou viver.

Jurou que nunca mais ia se embebedar de amor, o tal culpado por todo seu mal.

Infelizmente, a existência sabendo a verdade desacreditou em sua recente promessa, e como uma farpa meio intrusa cegou aos poucos sua emoção de suspirar.

Demorou.

Mas uma melodia saia de seus lábios brincalhões, ria de como deixava a vida.

O brilho da manhã tocando aquele corpo foi fazendo seu peito sossegar.

Era linda a cena.

Seus olhos brilhavam, e pela primeira vez na noite estonteante, vi paz.

Notas finais
Aceito comentários :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!