Notas iniciais
Dicionário Curitibanês- Cozida= Bêbada Sei que demorei aproximadamente 1 ano para postar novamente, mas acabei me focando mais em meu estudo.

Acordei com a minha gata, Nadine, esfregando o rabo grosso e peludo, que realmente me parecia mais um espanador do que um rabo, na minha cara. Meus olhos encararam o breu do meu quarto. Parecia ser de madrugada, e eu estava aborrecida com minha gata que acabara de me acordar. Fiquei um tempo deitada em minha cama de casal, até me cansar de ficar naquela posição.

Me levantei para procurar algo mais interessante para se fazer do que ficar deitada à toa. Acendi a luz do meu quarto e peguei meu caderninho. Comecei a desenhar uma moça ruiva, com olhos verdes e lábios carnudos. Ela me parecia familiar, parecia que já a conhecia a anos, porém não conseguia reconhecer de onde.

Eu parei de desenhar por puro sono e voltei para minha cama. Ali fiquei deitada por mais ou menos 2 horas, até o momento em que ouvi alguém arrombando a porta.

A pessoa hesitou por alguns segundos antes de se aproximar e jogar água em minha cara, me fazendo abrir meus olhos e encarar com raiva a face risonha de Christian.

Chris era nada mais nada menos que o meu melhor amigo desde que tinha 3 anos. Ele era mulato, olhos azuis e corpo incrivelmente musculoso. Sua beleza atraia todo e qualquer tipo de mulher, menos a mim. Ouvi dizer que ele tem uma quedinha por mim desde sempre, o que não afetava em nada a nossa amizade.

— Vamos, levante-se logo. Nós temos que nos inscrever no S de Signos.

— Se inscrever no quê? – perguntei em um grunhido.

— No S de Signos, sua surda.

— Surda seu cu, vai se foder seu arrombado do caralho. – Xinguei.

— Ui, desculpa então, docinho.

— Já me comeu pra saber?

— Uma vez quando você estava cozida.

Dei um soco em seu saco, o que fez com que ele se — contorcesse de dor.

— Pra que isso? – Ele gemia de dor.

— Para você deixar de ser besta. – Respondi. – Vaza do meu quarto para eu me vestir.

Assim, ele rastejou até a porta, dando uma última olhada para mim antes de deixar o quarto. Me levantei de minha cama, andando para o meu guarda roupa. Resolvi usar um shorts jeans de cintura alta, uma bata branca e uma sapatilha vermelha. Me olhei no espelho. Naquela manhã meu cabelo loiro estava estranhamente arrumado, meus olhos azuis brilhavam anormalmente, e, felizmente, a espinha do dia anterior desaparecera.

Depois de conferir minha aparência uma última vez, deixei meu quarto e fui atrás de Chris, que estava na cozinha, junto com meu pai, que cozinhava uma omelete para nós comermos de café da manhã.

Sentei-me ao lado dele nas cadeiras, e comi de forma lenta apenas parra irritar Christian. Depois de 5 minutos, ele deu um chute de leve em minha perna, provavelmente para me apressar. Mas, como eu queria irritá-lo, continuei a comer no mesmo ritmo. Mais 2 minutos e ele me chuta de novo, só que dessa vez com o dobro da força.

-Au! – Não consegui evitar que escapasse.

-O que foi, Alice? – Perguntou gentilmente meu pai.

-Nada não. – Lancei um olhar para Chris que significava “Na próxima, você não sairá impune”.

Depois disso, meu amigo desistiu de me apressar. Ele tem bastante medo de meu pai. Mais 5 minutos se passaram e já estávamos no batente da porta nos despedindo do Sr. Riddle.

-Boa sorte, minha filha.

Essa declaração intrigou-me tanto, ao ponto de que Christian percebeu.

-Aconteceu alguma coisa? – Indagou.

-Aquilo que meu pai me disse.

-Quando?

-Quando a gente estava saindo ele me desejou boa sorte. Fico pensando sorte no quê.

— Como assim “sorte no quê”?! Ele só pode estar falando do S de Signos.

— Sim, eu sei disso. Não sou tão burra assim. Eu só não sei se ele quis dizer “Boa sorte, espero que você entre” ou “Boa sorte, espero que você não entre”.

Então, Chris fez o que sempre faz quando não sabe como responder a algo.

— Argh! Por que eu deveria saber?

Continuamos nossa longa caminhada até o cartório mais próximo, onde ambos teríamos que nos inscrever para o S de Signos. Enquanto andávamos, eu olhava para o céu e pensava na minha família.

Minha mãe era uma artista e ela morrera de câncer quando eu ainda tinha 5 anos. Dela, eu só me lembro da voz. Era aveludada e acolhedora. Todos sempre me diziam que ela era uma pessoa maravilhosa, que ajudava a todos.

Meu pai é um escritor famoso, com mais de 60 livros publicados. No auge da meia idade, tinha cabelos grisalhos e olhos castanhos como terra. Ele adorava tanto a literatura, que me deu o nome de Alice em homenagem à uma personagem de uma história escrita há mais de 3 séculos atrás.

Sai de meus devaneios quando finalmente chegamos ao cartório. Uma mulher mal-humorada nos atendeu, dizendo para preenchermos algumas fichas e depois irmos tirar uma foto.

Após cerca de meia hora, finalmente conseguimos sair do cartório, indo direto para o parque da cidade. Nos deitamos na grama e ficamos lá conversando.

— O que acontece se algum de nos for selecionado para o S de Signos? – Perguntei, olhando para o céu.

— Provavelmente não iremos ser selecionados. – Ele disse com muita calma.

— Mas e se formos?

— Bom, então teremos que fazer o máximo possível para sobrevivermos. – Ele se virou para mim. – Quer um sorvete?

— Sempre.

Nos sentamos e Christian assobiou para o carrinho de sorvete mais próximo.

-Que sabor?

-Cereja.

-E a senhorita?

-Creme.

-Creme? Aff, mas que coisa de velho. – Opinou meu delicado amigo.

-Cereja? Aff, mas que coisa de marica. – Retruquei gentilmente.

Depois dessa ele só revirou os olhos e pagou o sorveteiro. Cansada, olhei para cima e identifiquei uma nuvem com um belo formato.

-Olha, uma lhama! – Disse apontando para a nuvem.

-Que lhama, o quê! Aquilo é uma alpaca. – Pronunciou meu amigo, tentando ser mais esperto.

-Lhama.

-Alpaca.

-Cabeça! – Um homem avisou, alguns segundos antes de um galho que acertou em cheio Chris, seguido de um gigante Golden Retriever.

-Ah, me desculpe. – O dono do cachorro tentava conter as risadas.

-‘Tá tudo bem. – Respondi.

Assim que o cachorro e seu dono foram embora, dei uma longa gargalhada.

-Vaca.

14 dias depois...

Hoje, dia 15 de janeiro, anunciarão os participantes da 19º edição do S de Signos. Como qualquer outra pessoa, estava ansiosa pelos resultados. Me sentei com meu pai no sofá da sala, ligando a televisão e comendo pastel enquanto aguardava para ver quais seriam os selecionados.

Não prestei atenção aos nomes que passavam pela tela, porém, aguardava ansiosamente pelo momento em que os sorteados da Província de Gêmeos fossem sorteados. O primeiro foi Trevor Witham, e ao ler o nome da garota, o apresentador franziu o cenho. Logo depois, olhou para a câmera e pronunciou o meu nome.

Naquele momento, parecia que o meu mundo havia caído. Meu pai se virou para mim, me abraçando. Tudo o que consegui fazer naquele momento foi abraça-lo de volta, mantendo meus olhos fixos na tv.

Quando o programa acabou, dei boa noite ao meu pai e subi até o meu quarto. Peguei minha mala e arrumei minhas coisas, já que no dia seguinte eu teria que partir. Liguei para Chris e me despedi dele, já que não sabia se poderia vê-lo amanhã. Me deitei na cama e tive um pesadelo horrível em que eu via uma flecha atravessar o corpo de uma mulher.

***

O sol entrava pela janela, o que me acordou. Olhei para o relógio em minha cabeceira e vi que eram 7 horas da manhã, o que me daria no máximo 3 horas para me despedir de meus amigos e família.

Meu pai me aguardava pensativo no sofá da sala.

— Querida? – Ele perguntou. – Você está bem?

— Não... – Disse, chorosa. Ele me abraçou.

— Eu só queria te dizer que eu te amo muito, e eu sei que você é forte e que vai sobreviver, ok?

Carinhosamente, ele limpou as lagrimas que escorriam pelo meu rosto e me abraçou novamente. Eu avisei que iria atrás de Christian, e ele assentiu com a cabeça. Na rua, chorei discretamente até chegar à casa de meu melhor amigo. Ele estava sentado na calçada, com as mãos na cabeça. Quando percebeu a minha presença, me deu um abraço forte.

Percebi que ele também chorava muito naquele momento. Ele implorava para que eu não fosse, que eu fugisse com ele, mas eu não poderia fazer isso, a menos que desejasse ter uma terrível morte pública.

Ficamos ali por um longo tempo, os dois chorando copiosamente, já imaginando o quanto iriamos sentir falta um do outro.

— Eu tenho que ir. Logo logo os guardas irão me buscar em minha casa.

— Certo... – Ele parecia lutar para conseguir falar algo sem soluçar. – E-espero que você sobreviva, se não eu te mato!

Eu dei um risinho e beijei sua bochecha, voltando para casa. Lá, um homem engravatado conversava com meu pai, mas a conversa se interrompeu quando adentrei o ambiente.

— Alice! – Ele exclamou. – Eu sou Oliver Morton, e eu gostaria de te fazer uma proposta em relação ao S de Signos.

Oliver olhou brevemente para o meu pai, o que fez com que ele se retirasse da sala de jantar. Me sentei na cadeira, aguardando ele começar a falar.

— Bom, nós sabemos que você vem de uma família mais rica, e que realmente tem um futuro, portanto, caso deseje, você poderá não ir ao S de Signos, porém, terá que se casar como ganhador.

— Como assim “o ganhador”?

— Provavelmente o ganhador será um homem, já que eles são fisicamente mais fortes e psicologicamente mais espertos.

— Que? – Naquele ponto, eu estava completamente puta da cara com ele. Eu ia xingá-lo, mas me lembrei que, com seu cargo de poder, ele provavelmente poderia ordenar sua prisão em um piscar de olhos. – Acho que eu prefiro participar do S de Signos.

Eu iria mostrar a aqueles filhos da puta que uma garota consegue ganhar.

Notas finais
Comentem e mandem as fichas! A próxima personagem que aparecerá será Phoebe.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.