Só o teu beijo
1 Capítulo 1
Mudanças
Era dia primeiro de Dezembro, e o ano tinha acabado de começar. Eu estava de mudanças, da para acreditar que com 16 anos eu fui morar sozinha no Japão?! Não sozinha literalmente, eu fui acompanhada da minha governanta, a Jeniffer, que para mim é mais do que uma mãe, ela que cuido de mim quando minha mãe morreu, ela ta comigo desde dos meus 3 anos de idade e é impossível para mim desgrudar dela. Mas enfim, o motivo dessa mudança, era que meu pai estava enfrentando um processo no Brasil, por desviar dinheiro de hospitais particulares aos quais ele era sócio, para sua conta bancária.
Ele me mandou para o Japão com a intenção de preservar sua fortuna através de mim, ele passou tudo para o meu nome, pois se caso ele for preso, o governo não poderá tirar todos os seus bens, ainda mais se eu não estiver no país, mas eu só poderei administrar todo o dinheiro quando for maior de idade, então por enquanto a pessoa responsável pelo gasto do dinheiro é minha governanta, que obteve minha tutela após meu pai ser processado.
Eu fui morar em Tóquio, em um apartamento no centro da cidade e comecei a estudar num colégio público daqueles que não precisa usar uniformes . No começo eu não estava muito ansiosa de ter que ir para escola, pois eu não achei que conseguiria fazer amigos, como no meu antigo colégio no Brasil, mas eu não tinha escolha só tinha 16 anos e infelizmente eu era obrigada a estudar, eu poderia ter estudado em casa com professores particulares, se já não tivesse sido matriculada na Universidade estadual de Tóquio, pelo menos eu tinha um pretexto para usar um ano de aulas de língua japonesa. Essas aulas me custaram muitos fins de senana, e seria um desperdício não usá-las numa ocasião como esta.
Me lembro do caminhão de mudanças chegando, e do carro esperando do lado de fora, me recordo também de dar uma última olhada no meu quarto antes de sair, nessa hora eu pensei no que estava deixando para trás, não muita coisa, mas é uma vida e o meu pai, a única família que eu tinha. Naquele dia desci as escadas com minhas malas e logo veio um dos empregados para pega-lás e leva-lás até o carro, na porta da frente estava meu pai parado me olhando, eu caminhei até ele e o abracei, nossa despedida foi breve, pois não havia muito o que dizer naquela situação.
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem. — disse meu pai com um olhar triste.
E a única coisa que eu consegui dizer foi:
— Eu te amo. — me lembro de ter dito num tom carinhoso mas ao mesmo tempo triste.
Me despedi dele com um beijo e entrei no carro, da janela pude ver seu semblante triste me olhando ir embora, eu sabia quanta falta faria a ele...
24 horas depois eu cheguei no Japão, saindo do avião no aeroporto meu pai me ligou, para seber se eu havia chegado bem, conversamos alguns minutos, após conversar com meu pai entrei no carro, e da janela observei a paisagem, vi os prédios, as pessoas passando na rua...tudo me encantou, e eu tive a certeza de que não me arrependeria de ir morar lá.
Chegado no apartamento desfiz as malas e organizei meu quarto como o anterior, arrumei as coisas nas prateleiras, organizei meus livros em ordem alfabetica,coloquei meus bichinhos de pelúcia encima da cama, etc. Após a arrumação sai com minha governanta, a Jeniffer, nós fomos jantar num restaurante próximo ao hotel, lá nós conversamos um pouco sobre a mudança.
— Não vai ser fácil nos adaptar, mas juntas vamos conseguir. — disse a Jennifer me confortando.
Não consegui responder ao que ela havia me falado, somente sorri demonstrando que concordava com ela. Algumas semanas se passaram e as aulas estavam chegando, e eu cada vez mais curiosa para saber como seria, mas ao mesmo tempo insegura quanto a fazer amigos.
Faltado alguns dias para começar as aulas, eu sai novamente com a Jennifer para comprar meus materiais. Nós fomos em vários lugares e compramos muita coisa, além dos materiais escolares comprei também muitas roupas, só para dar uma renovada no meu visual. Depois das compras nos fomos no parque de diversões, andamos na montanha russa, comemos algodão doce. Foi incrível a cara que a Jennifer fez na montanha russa, ela conseguiu me fazer rir em meio todo esse problema.
Naquele dia voltamos para casa bem tarde, eu estava muito cansada, mas antes de dormir liguei para meu pai, e perguntei do andamento do processo, ele me disse que ia demorar para saber como o processo estava indo, mas eu tive a impressão de que ele estava mentindo. Depois da conversa eu fui dormir com uma pulga atrás da orelha, será que meu pai estava mentindo para não me preocupar? Eu pensei. Não sabia, mas meu coração apertava só de pensar nele sendo preso, eu sabia que o que ele tinha feito era errado, mas ainda sim ele é meu pai, e eu não suportaria vê-lo sendo preso.
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