Só o tempo talvez possa curar
20 Um reencontro por acaso
Notas iniciais
“Pronto Kurosaki-san!” disse o loiro entregando uma caixa para Isshin.
“Demorou mais dias que o combinado” resmungou enquanto abria a caixa.
“O que você queria? não é um simples gigai, ele irá selar todo o reiatsu, deixando a alma que ele abriga sem emanar nem 1% do poder espiritual, ou seja, 100% segura de ataques de hollows” disse abrindo seu leque “sem falar que ele vai se ajustar ao desenvolvimento e forma do portador, sendo extremamente confortável”
“Vai funcionar perfeitamente, foi um milagre que aquele reiatsu não tenha atraído hollows ainda” Urahara fica serio, e olha para o homem a sua frente.
“A chance de isso acontecer é de uma em um bilhão, você não acha estranho que essa criança tenha nascido com todo esse reiatsu?” Isshin estreita os olhos pensativo.
“Eu realmente fiquei surpreso quando percebi esse poder espiritual, são umas quatro vezes mais do que deveria ser. É perigoso para ela estar no mundo humano assim, tenho que coloca-la no gigai logo” Disse preocupado, começando a colocar o pequeno gigai na caixa, de repente a porta é aberta, os dois olham para a mulher que acaba de chegar. Yoruichi olha desconfiada para a caixa, e se aproxima de Isshin.
“Oh, oque é isso?” disse olhando dentro da caixa. Logo estreita os olhos olhando para Urahara “Ela estava aqui o tempo todo, e você não me avisou?”
“Eu estava mantendo segredo, perdoe-me Yoruichi-san” disse com um sorrisinho “e você também não estava aqui” a mulher olhou mais uma vez para o gigai.
“A criança do Byakuya nasceu então...” disse para si mesma. “Como está o bebê, a Kuchiki?”
“Agora ela está bem” Isshin disse melancolicamente “bebê é saudável, uma menina”
“Quem bom que elas estão bem” falou um pouco aliviada.
“Eu tenho que ir, nos vemos em breve” disse Isshin saindo.
“Porque um gigai para uma criança que acaba de nascer?” disse pensativa.
“Yoruichi-san, a herdeira Kuchiki tem um reiatsu acima da media, o gigai é para protegê-la de futuros ataques de hollows” a mulher estreita os olhos de novo. “principalmente agora que a ocorrência de hollows aumentou drasticamente na cidade” completou o loiro.
“Isso é estranho” Yoruichi e Urahara se olharam sérios por um período.
“Como foi a investigação?” perguntou ainda serio.
“Nossas suspeitas se confirmaram” disse estreitando os olhos “mas nada que não possamos resolver”
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“Pode entrar” uma voz autoritária mencionou. O homem de cabelos negros entrou na sala olhando desinteressadamente para o soutaichou.
“Mandou me chamar?” disse em tom profundo.
“Kuchiki Byakuya, você é atualmente responsável pelo extermínio dos hollows que estão surgindo em massa na soul society” olhou para o jovem capitão “você já deve ter percebido que tem algo estranho nisso”
“Sim, certamente isso não é normal” disse ainda desinteressado.
“A situação está se estendendo até o mundo humano também” o velho homem fecha os olhos, esperando alguma reação do homem a sua frente. Conhecendo o taichou da sexta divisão, ele sabia que esperar por algum questionamento era inútil.
“você foi designando para fazer uma pequena investigação, talvez não leve muitos dias, a investigação ira permanecer apenas se necessário. O escolhi porque você está lidando com esse tipo de situação, ninguém melhor que você pra nos dizer se estes casos tem ligação”
Olhou para o jovem a sua frente, deixando um suspiro frustrado escapar “Eu sei que você não queria assumir essa missão, esse deve ser um momento delicado de sua vida, mas você é o mais qualificado. Não me decepcione”
“Entendido” disse indiferente.
“Já que está tudo resolvido você já pode partir ao mundo humano” virou-se de costas “ainda hoje se desejar. Só mais uma coisa, você estará livre do selo. Caso precise usar seu poder ao máximo.”
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“Não aguento mais esse lugar! Aqueles malditos shinigamis estão exterminando todos hollows que mandamos para coletar as almas! Nunca teremos o reiatsu suficiente para ativar esse seu dispositivo” disse irritado. O arrancar de cabelos rosados, ainda estava de costas mexendo em seus experimentos. Aporro se virou para o novena espada, com olhar triunfante enquanto apertava um botão.
“Não se preocupe, em breve iremos sair daqui” uma porta se abriu mostrando um ser com forma humanoide que estava dentro de um tubo, envolto por um liquido azul. “Ele vai despertar logo. E vai fazer uma festinha no mundo humano em breve”
“Isso é realmente seguro?”
“Em breve você vera”
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Três jovens passeavam pelo bosque sossegadamente, um rapaz empurrava um carrinho, enquanto as duas garotas ao seu lado conversavam animadamente tomando sorvetes.
“É tão bom poder voltar meu gigai! Passear ao ar livre” Rukia disse aliviada, já não aguentava mais ficar dentro de casa.
“Ah estava com saudades disso, nem acredito que passamos no vestibular! Ainda bem que podemos sair para relaxar, depois de tantos dias sem nem dormir direito” Inoue disse feliz tomando seu sorvete.
“É bom vocês descansarem um pouco” ela ri “Ichigo parece até um zumbi, parece que não dorme há meses” o rapaz franze a testa.
“Você não está com cara de quem dorme direito também!” provocou “E eu não pareço um zumbi!” gritou irritado.
“Baka” o rapaz olha para o carrinho levantando a cobertura, mas a pequena shinigami abaixa de novo. “o que está fazendo? Vai pegar sol na minha filha!” falou irritada.
“Essa é a ideia, afinal esse é o primeiro passeio ao ar livre! Banho de sol, quer dizer tomar sol!” disse bufando “você é uma mãe superprotetora” afirmou.
“Claro que não sou! Ela é muito pequena ainda, requer cuidados” disse emburrada. O rapaz suspira se escorando sobre o carrinho. Inoue tentava controlar o riso, enquanto observava os amigos discutindo.
“Sei...” disse olhado para as pessoas passeando pelo parque.
“O que foi? Você parece no mundo da lua” falou desinteressada.
”Nem acredito que passei. Vocês estão olhando para o futuro doutor Kurosaki” diz sorridente.
“Eu também, estava tão nervosa” disse Inoue “não sei oque faria se não tivesse passado. Não vejo a hora de começar a fazer nutrição!” Rukia fica pensativa.
“Bom teria sido mais fácil, se vocês tivessem me deixado passar as respostas pra vocês. Vocês não teriam que se matar de tanto estudar” disse entediada, os dois olham incrédulos para ela.
“Isso era trapaça! O que você pensa que nos somos?” disse o garoto bravo.
“É foi melhor assim Kuchiki-san, nos tínhamos que passar pelos nossos próprios esforços” disse a garota. Inoue não pode negar que a ideia foi tentadora, mas não pode ceder a isso.
“Inoue, você vai viajar com a família de Tatsuki. Não é?” perguntou seria.
“Eu não sei, você vai ficar sozinha em casa” disse brincado com os dedos como distração. “e se alguma coisa acontecer...”
“Já disse que sou capaz de me proteger, principalmente agora que posso usar meus poderes sem restrições” Ichigo olha para as meninas, que conversavam tão distraidamente que não notaram que estavam todas sujas de sorvete.
“Ok eu vou...” disse derrotada “Mais vou ficar preocupada”
“Vocês estão todas lambuzadas de sorvete” disse apontando para jovens.
“Arg! Me sujei toda” disse a ruiva desanimada.
“Droga” a pequena falou irritada.
“Logo que vocês estarão cobertas de formigas” disse zombando. A jovem ruiva jogou o resto de seu sorvete derretido no lixo, e olhou para uma torneira do parque.
“Uma torneira! Vamos lavar as nossas mãos, venha Kuchiki-san!” disse arrastando a amiga.
“Vou esperar vocês aqui” disse se escorando sobre o carrinho, vendo as duas se afastarem.
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Mundo humano era um lugar ‘estranho’ na opinião de Byakuya. Aparentemente nada estava errado com o lugar, pelo menos na ultima meia hora. Caminhava calmamente, estava usando um gigai feito pelo departamento de pesquisa, gigai que não permitia que os holows sentissem sua aproximação, porém também extremamente desconfortável, pois restringia praticamente todas suas habilidades, o transformando em um simples humano.
O local se resumia a árvores e pessoas barulhentas, algumas com crianças, outras passeando com cães, e alguns casais de namorados, ele ainda achava imoral que essas pessoas trocassem caricias em publico.
Apesar de não demostrar já estava ficando irritado. Todos que passavam por ele o observavam. Ele tinha certeza que estava usando trajes humanos normais, camisa social preta os dois primeiros botões estavam abertos, e mangas levemente enroladas até a altura do cotovelo, e uma simples calça jeans azul e uma bolsa discreta nas costas. Vários homens estavam vestidos praticamente iguais a ele, mas mesmo assim as pessoas o encaravam indiscretamente, principalmente as mulheres.
Continuou sua caminhada monótona, pelo bosque até que avistou um ser familiar, mas que ele preferia não encontrar. Parou de longe observando o rapaz que estava escorado sobre um objeto azul escuro... estranho, manteve a distancia não queria que o pirralho o visse ali. No momento que ele ia se virar e seguir seu caminho ouviu uma voz familiar. Seus olhos se moveram imediatamente para a pequena figura que se aproximava do rapaz.
Seu corpo gelou, podia ouvir seu coração bater descompassado “Rukia” sussurrou. Ficou paralizando, ficou assistindo a garota se aproximar do ryoka alegremente.
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“Pronto!” disse feliz chegando perto do rapaz. Ichigo se aproximou da jovem, olhando em seu rosto.
“Pronto nada” disse dando um peteleco de leve, na cabeça da menina. Rukia já ia revidar o golpe, só que com força. “Desastrada, vai ter que usar um babador também?” disse sarcástico.
“Hum?” ficou confusa se esquecendo de acerta um golpe no rapaz.
“Você ainda está suja de sorvete” a jovem olhou confusa para as mãos, verificando se tinham sobrado algum vestígio do sorvete. ”aqui” Esticou a mão pousando-a sobre a face da pequena mulher, passando o polegar sobre o canto de sua boca, a menina corou fortemente, e se afastou.
“Você praticamente mergulhou no sorvete” disse debochando da amiga enquanto retirava a mão do rosto da pequena, lhe dando um empurrão de leve com a ponta dos dedos, sobre a testa da garota. Rukia franziu o cenho, enquanto uma veia pulsava em sua cabeça. Ichigo olhou satisfeito, adorava irritar a amiga. Amiga, sim aparentemente eles não passariam de melhores amigos, mas ele não se importava. Amava ter essa amizade, Rukia era especial, ser seu amigo já era um presente.
“Baka” disse irritada.
“Onde está Inoue?” perguntou sentindo falta da amiga ruiva.
“Ela foi até a barraca de pipocas” falou. “Olha ela vindo” disse olhando para a jovem que vinha longe.
“Por que você não foi com ela?” perguntou olhando a jovem voltando sozinha com um pacote de pipoca na mão.
“Não gosto de perder vocês de vista” disse olhando para o carrinho “Ultimamente tem aparecido muitos hollows por aqui, é perigoso" disse com preocupação.
“Não confia em mim? Eu sou capaz de proteger Hikari de simples hollows” falou emburrado.
“Claro que confio, mas é só coisa de mãe. Talvez eu seja um pouco superprotetora” admitiu. Uma brisa leve soprou em seu rosto, e um cheio familiar foi trazido com ela. A menina se virou surpresa à procura do dono do perfume, mas não havia ninguém.
“Oe, aconteceu alguma coisa? Você está estranha” perguntou preocupado.
“Nada” disse voltando a olhar o rapaz “eu só estava imaginado coisas” disse desanimada.
“Voltei! Vocês querem pipoca?” disse a jovem ruiva que se aproximou do casal.
“Não obrigado, Inoue” disse o rapaz, a pequena shinigami se aproxima do carrinho destravando as rodas para sair.
“Oh você já vai Kuchiki-san?” perguntou a ruiva triste.
“Acho que pra um primeiro passeio já está bom” disse sorrindo fracamente para amiga, aquele cheiro... Sua imaginação estava lhe traindo. Era obvio que ele não estava lá, mas só o fato de se lembrar dele já fazia seu coração doer. Porque tinha sentir tanto a falta dele?
Olhou para os amigos antes de seguir seu caminho.
“E também queria descansar para treinar amanhã, faz meses que eu não uso sode no shirayuki” não era mentira que ela queria descansar para treinar, fazia tanto tempo que ela não se comunicava com sua zanpakutou.
“Tome cuidado com o treinamento, e Yuzu vai adorar ficar com a Hikari enquanto você treina” disse o ruivo.
“Bom, aproveitem esse tempo para relaxar, Inoue se prepare para a viagem. Até mais!” disse indo embora.
“Oh eu estarei de volta logo” disse acenado “Até mais”
“Até mais Rukia...” disse Ichigo.
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Um homem estava parado, olhando para a casa a sua frente. Todo seu autocontrole foi usado para não correr em direção a Rukia quando a viu, porém segundos depois tudo que ele queria era desaparecer.
Seu coração ainda doía ao se lembrar da cena que viu, o garoto humano tocando-a. Ele não pode esperar e ver oque vinha depois, se afastou e ficou de longe rastreando a mínima reiatsu que ela emanava. Apesar de querer voltar imediatamente para soul society e sair desse mundo o mais rápido possível, ele ainda tinha que falar com ela.
Ela tinha o direito de estar com o Kurosaki, e por mais que seu sangue fervesse e seu peito doesse, ele não podia fazer nada se ela estivesse mesmo com o garoto.
Ele tinha que comunica-la que os anciões não vão interferir em mais nada, a mansão era sua casa. A soul society seu mundo, ela não pertencia a esse lugar.
Atravessou a rua andando até a casa onde viu a jovem entrando, já fazia uns 15 minutos que ela tinha entrado ali. Byakuya ficou mortificado olhando para a casa, foi tão doloroso saber que a mulher que ama, talvez esteja com outro. Ele não sabia se iria conseguir sequer falar, quando a visse.
Será que Rukia iria permitir que ele ao menos chegasse perto do seu filho? Olhou mais uma vez para a porta, se perguntando se deveria bater ou não.
‘Não’ Suprimiu um suspiro, e se virou para ir embora, quando escutou um barulho. Virou-se para olhar a casa mais uma vez, era o som de um choro de bebê? Virou-se de costas de novo deixando um suspiro de desgosto escapar. E seguiu o caminho, para ir embora.
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“Oh que pena que a Kuchiki-san foi embora, olha todos esses balões... aquele ali de coelho! Ela iria adorar vir ao parque. Tínhamos que traze-la aqui um dias desses, de preferencia a noite. Sempre tem queima de fogos de artificio, ela iria adorar” o rapaz olhou para a imensa roda gigante.
“Ela deve estar cansada ainda, não faz muito tempo desde que Hikari nasceu, ela deve querer descansar o máximo possível” disse olhando para o chão emburrado “especialmente agora que ela vai voltar a treinar”
“Ah, sim ela não tem dormido muito ultimamente. O bebê acorda muito durante a noite, eu queria ajudar ela com a Kari-chan, mas estava muito ocupada ultimamente, sem falar que eu não sei cuidar de bebês também... e agora que estou de férias, vou viajar” a ruiva olha para o ombro do rapaz ”Kurosaki-kun, essa não é a toalhinha da Hikari?” perguntou apontando para a toalha cheia de coelhos estampados.
“Não acredito que estava andando com essa coisa cheia de chappys no ombro” disse desgostoso “vou levar isso pra ela, até mais Inoue” disse se afastando.
“Ele não poderia dar pra eu levar?” perguntou rindo. Vendo o garoto indo embora.
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“Foi só um banho, já passou” disse com um olhar amável, terminando de vestir a criança, pegando-a no colo para acalma-la. A campainha tocou, Rukia balança a cabeça rindo. “Aposto que o baka do Ichigo veio aqui só pra trazer a seu lencinho chappy.” Disse sorrindo para a filha que agora tinha parado de chorar. ”Só eu trancando a porta, pra ele tocar a campainha” disse ainda rindo. Descendo a escada para atender.
“Já vou indo” disse enquanto colocava a filha no carrinho de perto do sofá. Destrancou a porta, abrindo-a ainda com um sorriso no rosto. Porém seu sorriso desapareceu, para dar lugar à surpresa.
Não era Ichigo. Do outro lado da porta, estava parado um homem de cabelos negros na altura dos ombros, seu olhar indiferente e sem vida de sempre, sem nenhuma emoção estampada em sua face.
“Bya... kuya” disse com surpresa. Ela não imaginou coisas, ele esteve no bosque... Ele estava na sua frente, seu coração queria pular em alegria por vê-lo, mas sua mente começou a se questionar ‘o que ele está fazendo aqui? Como me achou? Será que ele veio para levar minha filha?’ o medo começou se estampar em sua face.
Ela parecia estar mais linda que antes, sentiu tanta saudade de olhar para esses olhos violetas tão intensos. Ele queria tanto poder abraça-la dizer que a amava, pedir para ela voltar com ele para casa... Sentiu a amargura da saudade em sua garganta. Ele tinha decidido voltar outro dia, mas não resistiu depois de ouvir o som do choro seu filho ou filha.
Percebendo que a jovem estava ficando com medo de sua presença, tratou de tranquiliza-la.
“Eu só vim conversar” disse com sua voz profunda, vendo a menina se acalmar. Em seguida olhou para dentro de casa, avistando o mesmo objeto que Rukia veio empurrando até chegar a casa. “Dou minha palavra” finalizou.
A jovem saiu do transe, abrindo caminho para o homem passar. Se Byakuya deu sua palavra ela não duvidaria, mas ainda estava nervosa em estar na sua presença. Eram muitos sentimentos pulsando dentro de si.
“Entre” disse. Byakuya deu alguns passos e esperou a jovem fechar a porta. Rukia passou por ele apontando o sofá, para ele se sentar. O homem se aproximou do sofá, mas não se sentou.
Ela se virou para olha-lo, e viu o Kuchiki parado ao lado do carrinho, sua expressão fria e dura tinha suavizado, podia se notar um pouco de ternura em sua face, enquanto via a filha pela primeira vez.
“Eu...” tentou falar, mas ainda estava confusa. Ele voltou a olha-la.
“Eu te procurei todos os dias, desde que você foi embora” disse em seu tom normal.
“C-como você me achou aqui?” perguntou ainda nervosa, seu olhar era o mesmo de sempre. Ilegível, ela não conseguia ver se ele estava com raiva ou não. Seus olhos cinzentos quase nunca expressavam emoções, poucas vezes ele viu sentimentos refletidos nesses orbes profundos e indecifráveis.
“Foi por acaso” disse fechando os olhos ainda mantendo sua postura de ferro, esse era o único jeito de que ele teria certeza, que não ia se deixar dominar por suas malditas emoções, ele não queria assustara-la outra vez “estou em missão, te vi passeando com o bebê” olhou mais uma vez para a criança, que estava com um macacão branco e uma chupeta em um tom lilás, a criança estava envolta em uma manta branca com bordas rosa. Uma menina, concluiu. “Ela é linda, queria ter estado aqui no dia que ela nasceu” disse com amargura.
“Eu também queria que você estivesse aqui” sussurrou baixo, mas ele foi capaz de ouvir. ”mas você sabe que não era possível, eu tinha que fugir. Desculpe... o clã...” disse triste.
“Eu enfrentei os anciões, ninguém vai se intrometer mais na criação da criança” a jovem olhou surpresa pra ele “Volte para casa, eu gostaria de fazer parte da vida da nossa filha, sei que não tenho esse direito.”
Rukia olhava ainda um pouco nervosa para ele, a face de Byakuya ainda era ilegível. Ele fechou os olhos franzindo o cenho levemente, Rukia ainda não podia decifrar que emoção estava o dominando naquele momento.
”A mansão não é a mesma sem você lá, e esse ao é o se lugar” deu um suspiro inaudível, voltando a olhar diretamente para ela “Eu sei que te machuquei, e foi mais de uma vez” disse fechando o punho, ele tinha quase certeza que tinha se forçado sobre ela aquele dia. Nesse momento sua mascara indiferente estava começando a desmoronar, mais uma vez.
Rukia pode perceber o sentimento de culpa começando a escapar em sua voz “Eu sinto muito se me forcei sobre você, de novo ” disse fechando os olhos. Ao ouvi-lo a jovem falou rápido, sem pensar muito nas palavras.
“Você não me forçou” se assustou com suas próprias palavras, Byakuya alargou os olhos em surpresa a olhando. Antes que alguém dissesse uma palavra um alarme veio da cozinha. Quebrando o clima tenso.
“É o alarme do forno” disse nervosa “j-já volto!” disse saindo para a cozinha, se dando tapas mentais. Oque ele iria pensar dela? Que ela era um pervertido... Iria descobrir seus sentimentos insanos e proibidos. Agora ela estava se dando socos mentalmente ‘Você é uma estupida Rukia! Estupida’
Remoeu as palavras da jovem por um instante, ele não a tinha forçado... Será que ele ainda tinha uma chance? Uma chance de que ela corresponda seus sentimentos?
Voltou a olhar para o bebê. Uma menina, ele podia ver a cara dos anciões, quando a vissem. Nunca poderiam duvidar da paternidade da criança. Kazumi iria engolir suas palavras asquerosas, assim que visse a menina. Como alguém poderia duvidar de um ser tão puro como Rukia? Era quase um crime questionarem sobre a isso, ainda mais da maneira tão cruel que isso ocorreu. Ele ainda não sabia como se controlou para não matar aquele velho insolente.
A pequena tinha seus olhos cinzentos, ela se parecia muito com ele. Qualquer um que olhasse para ela saberia que ele era o pai. ‘Minha filha’. Os cantos de seus lábios se inclinaram levemente, no que se parecia com uma sombra de um sorriso. Mas essa rara demonstração não durou muito, ele sentiu um reiatsu se aproximando. O desagrado cresceu em seu rosto.
A porta foi aberta sem aviso prévio, Byakuya permaneceu de costas.
“Oe, Rukia a toal...” parou quando viu o homem de frente para o carinho de Hikari. Estreitou os olhos no mesmo instante. Em sua mente só passou uma coisa, ele estava ali para levar a menina embora.
“Maldito! O que você está fazendo aqui?!” Byakuya sentiu Ichigo se aproximando, mas não moveu um musculo. Apenas fechou os olhos, tentando manter a calma. O rapaz cerrou o punho e acertou com toda força possível à face do homem.
O impacto veio duro, mas era como se o rapaz tivesse atingido uma parede. Ele ficou imóvel não se mexeu um centímetro. Ichigo o agarrou pelo colarinho e o pressionou contra a parede. Byakuya virou o rosto de lado se recusando a olhar para o homem a sua frente, seu rival. Tentando reunir todo seu autocontrole para não usar seu bankai sem o selo de restrição, encima do moleque humano.
“Desgraçado, eu vou matar você antes que a leve” disse fechando o punho, partindo para cima do homem mais uma vez. Em um movimento rápido Byakuya parou a mão do rapaz centímetros antes de acertar seu rosto novamente. Ao inferno com autocontrole.
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