Só o tempo talvez possa curar
9 O que nos une nos separa
“Aquele desgraçado! Eu... eu vou matar ele! Como ele ousa fazer isso? Maldito!” Rukia olha para Ichigo quando percebe sua explosão de ódio.
“Não Ichigo!” ele olha assustado para ela. “ele não teve culpa, estava sob o efeito das drogas... ele não se lembra de quase nada daquela noite... ele sentiu tanta culpa.” Disse ela olhando para baixo. Puxando o folego. “sabe eu decidi não contar isso pra ninguém... eu realmente não ia contar, mas agora vai ser impossível que pelo menos alguém não saiba da verdade.”
“Por quê?” ele pergunta com voz tremula. Rukia olha triste pra ele deixando uma lagrima escapar de seu olho direito.
”Eu estou gravida” sua voz saiu em um sussurro. Ichigo congelou seus olhos estavam arregalados.
“O que... você disse? Gra- vida” disse em choque. A menina pequena limpando a lagrima prossegue.
“Eu me sentia mal ultimamente... ontem quando eu cheguei em casa eu acabei desmaiando, seu pai me examinou” ela levanta o olhar para encara-lo “eu não acreditei quando ele disse, isso era impossível... não podia acontecer.” Ichigo não sabia oque dizer.
“Eu vou matar o Byakuya! Eu o odeio! Desgraçado!” disse bufando segurando a cabeça desnorteado com desespero. Rukia tocou seu ombro para trazê-lo a si.
“Eu já disse que ele não teve culpa...” disse com o olhar triste.
“Eu sei... desculpe pelo descontrole, mas eu não consigo não odiá-lo.” Disse segurando as mãos dela. “você contou pra ele hoje, por isso que saiu às pressas do piquenique? Oque aquele maldito disse?” ela desvia o olhar.
“Não falei nada, e não posso... na verdade eu só vejo uma saída pra isso” Ichigo olha com confusão para ela. “Eu não posso continuar no clã Kuchiki” mais uma lagrima insistente escorre de seu olho. “Byakuya... Nii-sama nem o clã podem saber que eu estou carregando essa criança, pelo menos enquanto eu for uma Kuchiki” Ichigo fica nervoso.
“Como? Sair do clã! Se a culpa disso estar acontecendo é dele! mesmo que inconscientemente foi ele que empurrou esse filho em você! Contra sua vontade! Por que você tem que agir como se isso fosse culpa sua? Mais do que nunca você precisa do apoio desse maldito clã!” disse irritado. Rukia o olha com dor.
“Você já pensou o escândalo que seria a caçula dos Kuchiki estar gravida, fora de um casamento? E o pior... gravida de seu irmão!” ela faz uma pausa “não importa como aconteceu, não importa se eu não tive culpa, ele também não teve... eles não me deixariam ter essa criança, Nii-sama também não.” Diz em um sussurro.
“Rukia...” ele estava chocado. Isso era cruel demais, o clã não tinha escrúpulos.
“Sabe, eu não consigo me imaginar como mãe, acho que eu nunca quis ser... e do jeito que aconteceu muito menos.” Ichigo só a olha com tristeza “mas eu não acho certo tira-lo, é uma vida inocente não tem culpa de como foi gerado, e é uma parte de mim também”
“O que você vai fazer então? Uma hora ou outra ele vai descobrir”
“Vou pedir para sair do clã, acho que ele não ira se opor, depois... depois não importa se ele descobrir, já não ira afetar a honra do clã, ele nem ninguém poderá fazer nada” ela abaixa a cabeça colocando as mãos sobre os joelhos.
“Não é sobre isso que eu perguntei... onde você vai viver? Como você cuidar de um bebê e trabalhar normalmente?”
“Isso é o de menos agora” O garoto fica pensativo.
“Você sempre vai ter minha casa aqui, eu... acho que talvez você não precise sair do clã” ela olha confusa. “você disse que foi uma noite antes” diz com amargura “então eu poderia dizer que o bebê é meu, e que estávamos namorando antes, ele não vai te expulsar do clã ou te obrigar a tirar a criança, se ele pensar que é minha... no máximo ele vai ficar bravo, e fazer eu me casar e assumir o filho...” Rukia fica supressa com a proposta.
“Ele não iria acreditar, que tipo de pessoa vai pra cama com alguém, um dia depois de passar por aquilo” disse olhando pela janela.
“Então dizemos que foi antes...”
“Ia funcionar menos ainda,... foi a minha primeira vez... ele sabe” disse com os olhos cheios de lagrimas prestes a se derramar. Ichigo sente outra pontada de dor no peito, isso era muito cruel.
“Ele não precisa acreditar então! Eu assumo esse filho e pronto. Ele nem os malditos anciões vão me desmentir, só pra te obrigar se livrar da criança! Eu me caso com você e restauro a maldita honra Kuchiki, eu sei que sou jovem mais posso fazer isso”
“Ichigo você esta se ouvindo? Casar, ter um filho? Você sabe o peso disso? Você é humano, só tem 17 anos... Assumir uma responsabilidade que não é sua é burrice! Se casar com alguém que você não ama e assumir um filho que não é seu! Arruinaria sua vida, não repita isso!” disse ela irritada “não quero estragar a vida de ninguém com isso, já basta a minha!”
O jovem queria argumentar, porém desistiu ao ver a amiga irritada. Não, esse não era o momento para ele falar isso.
”Minha casa vai estar aberta pra você, quando você não tiver onde ficar. E quando você não for um Kuchiki, e descobrirem sobre a gravidez?...”.
“Ichigo... por enquanto só tenho que pensar em sair do clã...” disse distante.
“Tudo bem se você não quer que eu assuma responsabilidade, mas eu prometo que vou fazer tudo que puder pra te ajudar ”
Rukia se encolhe abraçando os joelhos, deixando as lagrimas fluírem. Ichigo se aproxima e a abraça.
“Eu não sei oque vai ser daqui pra frente” disse em meio a soluços, o menino a abraça forte. E suspira.
“Por enquanto sair do clã, vai ser o melhor pra você, o resto nos vemos depois... você tem a mim o pessoal aqui... Ukitake-san e Renji” ela encosta a cabeça em seu ombro.
“Sim, mas ainda é muito surreal, eu tenho medo disso...” ela olha pra Ichigo “eu tenho que ir agora, não se preocupe eu vou dar um jeito em tudo.” Ichigo limpa suas lagrimas.
“Se cuida” ela se levanta.
“Obrigada por me escutar, acho que eu ia explodir se não contasse isso a alguém...” ela coloca a pequena mochila nas costas “de um abraço em todos por mim... e, por favor, não conte a ninguém ainda sobre isso”
“Não vou contar, qualquer coisa é só avisar que eu corro lá” ela da um sorriso fraco e sai pela janela. Ichigo fica paralisado olhando ela sumir.
“Boa sorte Rukia, se o desgraçado do Byakuya fizer mais alguma coisa pra você, eu juro que vou mata-lo”
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Byakuya estava sentado de frente para seu jardim particular, seu olhar estava vago e triste. No final foi uma má ideia ir até o piquenique... Rukia correu dele praticamente. Ela estava nervosa e tinha certeza que ele era à razão disso, ele estava angustiado. Queria conversar, ver se tinha algo que podia fazer pra ela ficar bem. A noite estava nublada nem sinal de estrelas e da lua. Ele estava a horas esperando por ela, mas ela definitivamente estava o evitando.
Ele então percebeu a reiatsu de Rukia, sem pensar muito foi ate o jardim de encontro a ela. Mesmo no escuro ele pode perceber que ela estava pálida e com a expressão triste...
“Rukia?” a pequena olha pra ele nos olhos, seus olhos profundos olhos cinza ela podia se sentir nadando neles, ao mesmo tempo em que ela o temia por medo de ele descobrir seu segredo, ela se sentia calma por sua presença.
“Nii-sama...” ele estava olhando interrogativo.
“Onde você estava? Já é tarde.” Ela abaixa o olhar.
“E-eu fui na quarta divisão para os exames de praxe.”
"Vamos para casa" eles seguem andando para a mansão, quando Rukia sentiu tontura ‘oh agora não’ suas pernas fraquejaram fazendo- a perder o equilíbrio. Fechou os olhos a espera de cair de cara no chão, porém a queda nunca veio. No lugar do chão ela se sentiu contra uma parede quente e macia com um perfume realmente tranquilizador, abriu os olhos ainda zonza, e viu que Byakuya estava a abraçando impedindo a de cair.
“Rukia? Você esta bem?” perguntou preocupado. Ela não parecia ter medo dele agora, ele estava um pouco confuso sobre isso. Ele a soltou do abraço vendo que ela agora estava se sentindo melhor.
“Desculpe... Acho que não comi quase nada hoje, deve ser isso” apesar de não ter comido muito hoje, esse não era o motivo.
“Vamos entrar então, você precisa comer algo” ele parou ao lado dela preocupado. “você consegue ir até a casa andando sozinha?” ela corou um pouco, ele estava pretendendo carrega-la?
“Hai Nii-sama” ele estranhamente começou a andar ao seu lado como se estivesse zelando por seus passos e pronto para segura-la quando ela se sentisse mal. Ele era tão protetor.
Seu cheiro natural a acalmava. Ele era tão belo, forte e impossível de se alcançar... Ela se sentiu triste por saber que logo provavelmente nunca mais o veria. Talvez isso fosse bom para ela, na sua atual situação. Mas com certeza ela sentiria falta de andar ao seu lado, treinar com ele, viver na mesma casa, quase 50 anos debaixo do mesmo teto, era difícil dizer adeus.
Como ela vai ter coragem de pedir pra ser expulsa da família? Talvez ela precisasse de mais uns dias para reunir coragem e tentar encontrar um lugar pra viver... Acertar as coisas com seu taichou... e se despedir de Byakuya, ela precisava de uma semana, só uma semana ele não iria perceber, afinal nos primeiros meses a gravidez ainda não e visível. A ideia de sair de perto dele doía, estava pensativa quando se deu conta. Ela estava carregando um filho de Byakuya nii-sama, um filho de Kuchiki Byakuya... E ironicamente o único laço que eles teriam em comum e o motivo dela se afastar dele. ‘oque nos une nos afasta’ ela pensou amargamente.
Ele observava a pequena figura ao seu lado ela parecia bem mais calma agora, porém pensativa, Byakuya já não sabia se ela estava com medo dele. Essa duvida fez seu coração aquecer de novo, ele queria acreditar que o problema não era ele. Ele só queria vê-la feliz, porque ele amava seu sorriso. Ele sentiu algo mexendo dentro dele, esses sentimentos impróprios de novo.
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Eles comeram em silencio, ‘amanhã será um longo dia’ Rukia pensou. Se tiver alguém que ela deve contar seu segredo, essa pessoa era Ukitake taichou, ela não sabia muito sobre gestações e crianças, mas não parecia saudável sair por ai atacando Hollows. Ela teria que trabalhar apenas com papeladas. Terminando sua refeição ela ficou observando Byakuya, ele comia tranquilamente parecia tão sereno, algumas mechas de seus cabelo caiam sobre seu olho esquerdo.
O chefe do clã Kuchiki percebe o olhar de Rukia encima dele, levantando um pouco o olhar para fita-la ele vê seus olhos violetas o olhando com melancolia.
“Algum problema Rukia?” ele pergunta em seu tom habitual, fazendo a garota acordar de seus devaneios. Rukia cora ao perceber que estava encarando Byakuya, e o pior ele percebeu.
“Er... eu só estava pensando, nos meus primeiros anos nesta casa... é... nos, nunca jantávamos assim” disse em um impulso ’oh você não disse isso, disse? Rukia sua estupida!’. Ele olhou para ela com seu olhar ainda inexpressivo.
“Você gostava mais de antes?” perguntou. Rukia se assustou, ‘bem é isso que se ganha por falar sem pensar’.
“Não! Eu não quis dizer isso, é bem melhor agora... antes a casa era tão solitária e fria. Agora não parece mais fria como antes” ele olhou no fundo dos seus olhos. Ela paralisou, ’droga esse olhar tem um efeito hipnotizante, será que ele não sabe o efeito que esses orbes cinzentos tem nos outros?’
“Por que a casa parece estar menos fria?” ‘oh céus porque ele tirou esse dia pra ser tão falante e questionador?’
“Er... você mudou... esta mais... Comunicativo, assim e-eu me sinto menos sozinha que antes” ele não sabia se ficava feliz com ela dizendo que sua pequena mudança de comportamento para ela a fez mais feliz, ou se sentia culpado por não ser mais presente nos últimos anos.
“É bom saber disso, a casa ficou menos fria também” ele pegou o chá e tomou um gole “com sua presença” Rukia ficou surpresar com suas palavras. “se sente melhor agora que comeu?”
“Oh sim Nii-sama!” ela seguiu o seu exemplo e foi tomar chá.
“Vou tomar meu chá na varanda” ele segurou seu copo se preparando para levantar ”Se você quiser pode vir também, isso se você não estiver muito cansada” ela olha mais surpresa.
“H-hai!” ela o segue até a varanda, sentando ao lado dele mantendo um distancia respeitosa. Começou tomar seu chá em silencio, a noite estava escura provavelmente choveria logo. Uma brisa fria a atingiu fazendo sua pele se arrepiar. A menina toma mais um gole de seu chá quente para espantar o frio. O liquido quente descendo por sua garganta, lhe trouxe um pouco de calor.
“Como vai seu treino da bankai? Ouvi Ukitake dizer que está bem avançado.“ disse com os olhos fechados e em seguida tomou mais de seu chá.
“Já consigo materializar Sode no Shirayuki, mas ela ainda se recusa a me permitir o bankai, enquanto eu não me mostrar superior a ela” ela olha para o céu nublado “eu ia começar confronta-la quando fui enviada ao mundo humano”
“Entendo”
Ela fecha os olhos ao sentir outra brisa fria passando por ela. De repente ela sente algo pousar sobre seus ombros, abre os olhos para ver oque é, e percebe que era um haori preto. Ela se vira para olhar Byakuya, que estava usando só seu kimono cinza. Antes que ela dissesse qualquer coisa ele falou.
“Está frio aqui fora” disse olhando de soslaio.
“Mas... e você? vai ficar com frio...” ela cora um pouco pelo seu ato. Ele fecha olhos voltando a apreciar seu chá. ’menina boba fica envergonhada por nada, se bem que ela fica tão amável com esse rubor em seu rosto... tão linda’
“Eu estou bem assim, quanto ao seu treino, eu posso te ajudar essa semana. Ao que parece logo você vai obter seu bankai” o rosto de Rukia se iluminou treino bankai com Byakuya, trabalhando o shinkai no seu real poder... Sode no shirayuki no seu verdadeiro poder diminui a temperatura de seu portador a baixo de zero... Ela não podia seguir com seu treino bankai.
“Nii-sama podemos treinar semana que vem?” perguntou em voz baixa, ela sabia que na próxima não estaria mais nessa casa. Ele olha interrogativo pra ela. “eu tenho papeladas da 13° para por em ordem essa semana, então semana que vem seria... melhor”
“Hum” e fez um gesto de aprovação, ele estava ansioso para fazer trabalhar o potencial máximo de sua shinkai, e ajuda-la chegar ao bankai e também poder ficar um pouco mais perto dela. Não sabia por que, mas sentia necessidade de estar mais próximo a ela.
O vento soprou mais forte anunciando a chegada da chuva, as primeiras gotas tocaram o chão e logo se tornaram abundantes fazendo com que respingos caíssem conta eles.
“Devemos entrar, ou vamos nos molhar” disse se levantando, Rukia seguiu seu exemplo. Byakuya virou em direção ao seu quarto para ir embora.
“Nii-sama, seu haori...” ele olhou pra traz.
“Pode ficar com ele” disse se virando de costas pra ela “boa noite, Rukia”
“Boa noite... Nii-sama” ele continuou andando rumo ao seu quarto e Rukia foi o mais rápido possível para o seu.
Sentou-se em seu futon olhando a chuva cair, ela se enrola mais ainda no haori. Estava impregnado com o reiatsu e cheiro de Byakuya. Não sabia por que, mas isso era realmente reconfortante. Inalando o aroma do haori ela sente uma pontada no coração, por que era tão difícil estar longe dele? Porque ela pensava tanto nele ultimamente? Devia ser por tudo que aconteceu... ela se sentia bobamente feliz perto dele.
“Durma Rukia” ela se ordenou. Pensar nos motivos pelos quais ela estava tão confusa, com seu afastamento definitivo de seu ‘irmão’, não iria tornar sua vida mais fácil... Ela tinha muito mais a se preocupar, muito mais preocupações a carregar.
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