Só mais um clichê

5 Capítulo 4 – A partir de fevereiro nasce uma amizade


Notas iniciais
Oii gente, tudo bem? fiquei sem postar um tempo porque estava muito ocupada. Prometo que essa semana compenso vocês ♥ Ps: minha intenção é postar pelo menos um capítulo por semana, mas como fiquei sem postar por um tempo essa semana vai ser uma exceção

Capítulo 4

A partir de fevereiro nasce uma amizade

Esse capítulo tem um título aleatório porque eu não lembro exatamente como e quando o resto das coisas relevantes começaram a acontecer. De uma forma estranha, Alex estava começando a falar com Rich e de uma forma mais estranha e ingênua ainda eu não estava NADA preocupado com isso.

Quando Rich voltou de Londres fez uma festa para os amigos em seu novo apartamento na Metrópole, mais uma vez admito que nessa tal comemoração não aconteceu nada de super relevante. Mas, como episódios muito importantes da nossa história acontecerão no apartamento de Rich me vejo no dever de descrevê-lo. Era pequeno, tinha só um quarto, uma sala e uma mini cozinha. Super bem decorado com quadros da cultura pop, skates como prateleiras e grandes puffs fofos, a descrição prefeita que posso fazer desse apartamento é: um quarto gigante de adolescente. Havia também uma tv de 90 polegadas, instrumentos musicais e praticamente um modesto estúdio de gravação. Sem contar na localização, o apartamento de Rich dava de frente para um dos principais pontos turísticos da Metrópole, a praia e ao mesmo tempo estava no centro da cidade. Pra um garoto daquela idade, estava mais que excelente. Já que toquei no assunto da praia, preciso contar pra vocês uma coisa antes que criem ilusões erradas a respeito da “praia particular de Rich”, como ele costumava falar. A praia da Metrópole não é uma praia de águas límpidas, areia branca e paisagem paradisíaca. É uma praia poluída, imprópria para banho e bem no meio do centro de uma cidade grande. Já viram né?

Agora que ambientei vocês sobre um dos nossos principais cenários, vamos voltar para festa. Como eu já tinha dito antes, não lembro de muita coisa, mas nessa festa teve um diálogo que está na lista de coisas que nunca vou esquecer. Após algumas doses a mais (nessa época bebíamos muito mais destilados do que cerveja) me joguei bêbado no sofá de couro de Rich. Vendo minha situação e tão louco quanto eu, Rich se sentou ao meu lado. Nessas alturas eu sabia que ele falava com Alex, mas não tinha noção da frequência que isso acontecia. Até agora.

— Alex é a garota mais legal que eu já conheci – exclamou Rich.

— Tá falando com ela?? – eu disse abismado.

— Sim, quase todos os dias, tô fazendo a sua parte nem se preocupa

— Sério?? Mas e o namorado dela?

—Eu não devia te contar isso, ela é minha amiga, mas... SEGURA A ONDA QUE ELA VAI TERMINAR

—Sério???

—Sim cara! Assim que ela terminar, vou fazer uma festa aqui e vou chamar ela... já viu dai né?

Rich me cutucou.

—Cara! Você é o melhor amigo do mundo, eu te amo!

Gritei e abracei Rich.

—Eu sei, eu sou demais!

Depois dessa conversa, bebemos mais algumas doses de tequila pra comemorar (motivo que explica porque pouco me lembro daquela noite). Como eu podia ser tão ingênuo? Ele já havia roubado a Natalie, era óbvio que com a Alex não ia ser diferente. Naquela época, eu realmente acreditava que ele estava fazendo algo por mim, que era meu amigo e que se preocupava. Um coração partido por um amor dói, mas um coração partido por um amigo fica despedaçado e eu, bem, tive os dois.

Bom, não vou ficar me lamentando, vamos seguir. Saindo um pouco desse universo Alex, vocês lembram da Jordana né? depois longos 3 anos de muita conversa ela finalmente aceitou sair com Rich.

Como de costume, saímos para comemorar o fato de que Rich ia finalmente se encontrar com Jordana — Nessa idade só sabemos beber. Achei que seríamos só eu, Rich e os rapazes, mas me enganei profundamente. Passei na casa de Leo pra irmos juntos ao apartamento de Rich, os dois moravam relativamente perto. Até aí, tudo estava normal, conversamos as mesmas babaquices de sempre até chegar na portaria do pequeno prédio antigo. Ah, lembro que estava frio naquele dia, então já devíamos estar em maio, no começo do outono. Rich desceu até a portaria e abriu a portar para nós, não seguindo até o seu apartamento. Estranhamos.

—O que foi Rich? – perguntei curioso.

—Teremos uma dama entre nós hoje, então peço que se comportem — respondeu Rich.

—O QUE? – disse Leo.

— Ela tá aqui – Rich respondeu lançando um olhar que só amigos entendem para mim.

—QUEM? A LOIRA? – Leo perguntou achando que ele estava se referindo a Jordana.

—Não... – fiquei mudo, parecia que minha voz não saía – a Alex.

A partir daí, gelei. Não lembro mais das conversas do garotos, só a imagem de Alex estava na minha cabeça. O jeito como me lembrava dela, a sensação que até hoje só tive com ela. Meus passos pareciam estar em câmera lenta e a porta de madeira parecia que nunca ia chegar. Só lembro da mão de Rich abrindo a porta e de ver ela sentada no sofá, mexendo no celular. Ela estava linda nesse dia, usava uma saia preta de couro, uma blusa soltinha e uma jaqueta de couro cor de caramelo. Seu cabelo estava mais escuro e mais curto, um pouco mais abaixo dos ombros. Ela usava uma espécie de “mini-bota” (sei lá como vocês meninas chamam isso). Eu lembro que me senti um lixo perto de tanta de beleza. Ela sorriu pra mim, e na minha cabeça ficou me olhando por tempo até se levantar e vir me cumprimentar. Eu senti seu perfume mais uma vez e podia ficar sentindo para sempre. Meu coração se encheu de esperança.

— Oi né – disse ela.

—Oi – eu disse com a voz um pouco tremendo.

—Vamos abrir os trabalhos! – disse Rich pegando uma garrafa de tequila na cozinha – Hoje é pra comemorar!

Ele deu um gole direto no bico. Alex puxou seu braço e deu um gole ainda maior que o de Rich.

—MAIS HOMEM QUE VOCÊS! — disse ele epalmas.

Alex sorriu. Ainda acho esse sorriso de bêbada o mais lindo que já vi. Peguei a garrafa e mal consegui dar um gole sem engasgar. Todos riram. Rich passou mão em volta dos ombros de Alex e pediu pra que eu tirasse uma foto dos dois.

—Eu e a minha mina – disse ele rindo e dando um beijo na testa de Alex.

Nesse momento saí um pouco do meu êxtase abobalhado e caí um pouco na real. Por que ele estava dizendo isso? Ela estava com ele o tempo todo no apartamento sozinha? Que amizade estranha, porque ela estava aqui?

Bebi mais um pouco. A partir daí comecei a ficar cego de ciúmes dessa suposta amizade. Rich não era amigo de nenhuma menina desde o colégio, não gostava de ser amigo de meninas, mas com Alex ele parecia diferente. No fim, ficamos tão loucos que acabamos não saindo para lugar algum e permanecemos no apartamento. Lembro que bebi bastante nessa noite e passei a observa-los. Os dois completavam as frases um do outro, Alex tinha o mesmo senso de humos estranho que Rich. Ela tocava baixo e fez alguns solos durante a noite, gostava das mesmas bandas esquisitas que ele, tinham as mesmas opiniões. Parecia que haviam sido feitos um para o outro. Agora lembrando, consigo ver o olhar de Alex para Rich, sabe criança quando ganha videogame de natal? Sabe aquele olhar de imensa alegria e surpresa boa? Sabe quando você acorda no meio da madrugada e descobre que tem mais horas pra dormir? Ou quando está super nervoso pra uma prova e ela é adiada? Era esse jeito de olhar. Um olhar doce, inocente e encantador. Acho que nessa época ela nem sabia que olhava pra ele desse jeito, mas eu notei desde o começo. Não havia nem saído faíscas ainda nessa época, mas inconscientemente o fogo dos dois estava ali. Sabe Sid e Nancy? Kurt e Courtney? Era isso que eles pareciam. Me sinto um bobo. Sabe qual é o maior problema de tudo isso? Ele não olhava do mesmo jeito pra ela, na verdade mal olhava pra ela. Isso foi me consumindo por dentro.

—OLHA O QUE EU TENHO AQUI! –exclamou Rich trazendo maconha do armário.

Eu sempre fui contra drogas, não uso, nunca usei e jamais usaria. Apenas observei os dois ficando chapados e rindo um do outro. Eles são os protagonistas e eu coadjuvante ou um mero figurante na cena do casal. Foi assim que me senti naquela noite e em muitas outras. A partir dali vi o poder que ele tinha sobre ela. E que manteria essa dominação por muito tempo.

—Vamos embora? – disse Leo me cutucando.

—Que? – eu disse perdido em pensamentos e um pouco chapado por tabela.

—São cinco da manhã, pra mim deu – disse Leo.

Eu não queria embora. Queria ficar ali vigiando os dois, não queria que ele tocasse em um fio de cabelo dela. Traidor.

—Posso dormir aqui Rich? – disse Alex – Tá muito tarde pra eu ir pra casa

—Claro mozão – disse Rich em tom de zombaria.

—QUE!? – eu disse sem controlar o tom da minha voz.

—Vamos embora Luccas, você já bebeu demais.

Leo me carregou contra a vontade pra fora do apartamento e quando dei por mim já estava em um táxi vendo Alex e Rich na porta do apartamento acenando e rindo. Cada vez que lembro dessa cena sinto um ódio que sou incapaz de controlar. E esse foi oficialmente o ponto que as coisas começaram a desandar.

Notas finais
Gostaram? estou muito feliz com o retorno de vocês, espero que continuem. Uso várias músicas pra escrever os capítulos, vou começar a postar aqui. Se tiverem interesse, claro hahah. Nesse capítulo usei três músicas: Stitches - Shawn Mendes (Boyce Avenue feat. Jacob Whitesides acoustic cover) Stay ft. Mikky Ekko - Rihanna Higher - Rihanna
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.