Só mais um clichê
4 Capítulo 3 - Janeiro de 2012
Notas iniciais
Capítulo 3
Janeiro de 2012
Ok, vocês estão loucos pra saber o que aconteceu depois, não é? Acham que foi logo depois disso que nosso romance começou e que partir dai a história finalmente andou né? Não, não é. Alexa é uma menina estranha, que eu nunca vou entender o que acontece naquela cabeça de vento. Mas enfim, sem mais delongas, vou contar o que aconteceu depois. Fui dormir anestesiado depois da festa, parecia que tinha voltado pra casa flutuando. Minhas bochechas doíam de tanto que sorria. Fiquei repetindo aquele momento na minha cabeça por várias vezes, lembrando de cada detalhe. Do cheiro, do hálito, do jeito que a mão dela se encaixou em minha nuca, do nosso rápido beijo. Pensei que uma garota como Alex nunca ia olhar pra um cara normal como eu, que demoraria meses pra chegar em um momento daquele. Que eu teria que convencê-la da minha personalidade maravilhosa, que seríamos amigos até o dia que ela percebesse que na verdade éramos muito mais. Eu tinha tudo planejado na minha cabeça, mas ela quebrou todos os protocolos. Essa era Alex, e naquele momento comecei a descobrir que quando se trata dela planos não adiantam nada. Alex é puro improviso, vive de instantes, faz o que tem vontade. Ela pode desfazer o projeto de uma vida em troca de um minuto de felicidade. Ela não pensa, ela age.
Vamos voltar pra onde eu estava. Acordei no outro dia com uma felicidade imensa. Ela era a mulher da minha vida, eu sabia que me sentiria exatamente assim quando isso acontecesse. A primeira coisa que fiz a tarde foi olhar as redes sociais e tentar puxar assunto com ela. Lembro de abrir a janela com o nome dela e escrever e apagar várias vezes. Quando notei já haviam se passado uma hora e acabei não enviando nada. Atualizei a página e me deparei com uma surpresa “Alex Veiga está em um relacionamento sério”. Aquilo foi uma facada, daquelas que machucam de verdade. Só podia ser uma pegadinha, não podia estar acontecendo. Ela ficou comigo ontem, como podia estar namorando?? Se eu fosse esperto fugiria nesse primeiro sinal, eu estava lidando com uma heartbreaker, era óbvio. Uma garota que devia estar ficando sério com um cara e foi a uma festa no Push e beijou outro. Como não percebi o tamanho dessa cilada?
Essa é a minha patética história e já aviso que assim ela vai seguir, eu sendo otário, acreditando na Alex e ficando cada vez mais confuso. Desculpe, fico raiva cada vez que me lembro disso. Voltando pra minha vida, vou dar uma leve resumida do que aconteceu depois. Rich conseguiu me convencer a montar uma banda com ele e passamos o terceiro ano inteiro tocando em festivais e ficando com várias garotas (quer dizer, ele ficou com várias garotas eu sempre fui travado e só observava). Lembram o que eu disse sobre a minha família querer decidir meu futuro? Eles conseguiram, passei na faculdade de direito no ano de 2012. Rich também, por mais incrível que pareça ele dizia que queria ser um juiz rico ou um desembargador. Nesse mesmo ano, começamos nos afastar.
Não sei se já mencionei (se já falei me desculpem) a família de Rich é muito rica. E ele era do tipo clichê que tinha tudo que o dinheiro pode comprar, mas não ganhava amor, atenção e blá blá blá. Como todo garoto bem de vida, Rich foi pra Europa depois que o colégio acabou, ficaria mais ou menos um mês. E se não bastasse, teria um apartamento só pra ele na Metrópole. Ah, outra coisa, eu passei na faculdade de Nova Esperança, nem cogitei a faculdade da Metrópole, era longe e gastaríamos muito. Enquanto Rich iria pra melhor faculdade de direito da região, a Universidade de Metrópole. A vida é injusta não é?
Em janeiro de 2012 estava vivendo minhas últimas férias antes da faculdade. Rich estava em Londres e eu passava meus dias tocando violão e tentando aprender músicas novas. Só pra passar o tempo mesmo, nunca acreditei nessa coisa de banda. Minha vida estava um tédio. E sobre a Alex: fiquei com tanta raiva que nem o seu perfil eu olhava mais, mesmo sem nunca ter esquecido ela a tratei como uma causa perdida. Bom, eu sei que eu disse que em 2010 as coisas começaram a andar, porém, pensando melhor, acho que foi muito mais em 2012 que tudo tomou um rumo bizarro. Como eu disse antes, eu passei minhas férias inteiras tocando violão e naquele começo de noite no meio de janeiro era o que eu estava fazendo quando Rich me chamou na internet.
[conversa do Facebook]
Rich: Dae cara
Luccas: Fala gringo! Como tão as coisas aí?
Rich: Tudo bem, tudo cinza, tudo frio
Luccas: Que blz
Rich: Nem sabe quem me chamou hoje, não sei se tu vai acredita
Luccas: A Jojo? Ashash
(Só uma coisa, Jordana seguiu o mesmo lengalenga que descrevi antes com Rich durante todo o ensino médio)
Rich: Errado
Luccas: Quem chamou então?
Rich: Conhece alguma Alex Veiga?
Naquele momento reprisei o beijo que não reprisava há anos. Uma chama de esperança ascendeu novamente. Ela teria perguntado de mim? Estava com vergonha de falar comigo? . De uma forma aleatória que eu nunca vou entender, ela chamou Rich. Em breve ele voltaria pra Metrópole e casualmente, eles frequentariam a mesma faculdade. Alex estava voltando pra minha vida e mal eu sabia nessa época que ela demoraria anos pra ela sair. Com 17 anos você não pensa nos desastres que uma garota pode causar. Só consegue pensar que ela está voltando e que a chance daquele beijo que você se viciou se repetir se torna cada vez maior. E sabem de uma coisa?(ALERTA SPOILER HAHA) Aquele beijo se repetiu, várias vezes, o problema é que eu não fui único a ficar viciado.
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