Só Que Não

16 Quem é você?


Notas iniciais
Oi, guris!!! Pois é, eu não morri, não, estou aqui!! E... bem, é isso. Ah! Carla ariel, o seu comentário foi respondido pelo telefone, o que acabou resultando em alguns pontos de interrogação. Mas espero que gostem!! Boa Leitura!

Eu continuava chorando perto de uma árvore, agachada, o rosto entre as mãos. Foi quando senti uma mão no meu ombro e me virei, assustada, para ver quem era. Era Kioko. Ela me olhou com pena e se sentou do meu lado, me abraçando.

– O que foi que aconteceu que você está sumida a tarde inteira? — falou mansa.

Solucei em seu peito e disse, com a voz abafada:

– E-eu quebrei o nariz — ouvi ela ofegar, mas continuei — numa árvore enquanto passeava com Leandro, e ele estava falando que-que me... amava. Aí ele me le-levou para a enfermaria por causa do-do nariz, e ficou muito bravo comigo. — desabei em choro outra vez.

Kioko afagou os meus cabelos. Deve ter percebido o xarope, pois exclamou:

– Branca, você anda se medicando?!

Fiz que não com a cabeça. Uma pausa se seguiu, mas foi interrompida por Kioko.

– Por que você está chorando tanto? — perguntou Kioko.

Me separei dela e olhei em seus olhos, as lágrimas ainda caindo.

– Por tudo, Kioko, tudo! Eu... aparento sempre estar feliz, mas não é assim que eu sou! Quer dizer... ah, eu nem sei quem eu sou. Leandro falou que me ama, mas eu lhe dei o fora, e eu gosto dele, Kioko! Juro que gosto! Mas eu fiquei confusa, droga! E esse passeio infernal não tem nem três dias e olha como eu estou! Um caos, tanto por dentro quanto por fora!

Kioko me olhava apenas.

– Eu só quero férias... — sussurrei.

Kioko se levantou, pegou meu xarope e disse, com uma voz atípica e mandona:

– Vamos pro quarto. Eu vou ter uma conversinha com você.

Levantei e a segui, como um zumbi. Chegamos no quarto bem rápido e quando abrimos a porta vimos Pedro e Larissa se agarrando. Baixei a cabeça enquanto Kioko os mandava trocar saliva em outro lugar.

Larissa foi-se embora com o namorado ou sei lá o que eles são, mas não antes de me olhar e afagar meus cabelos. Pedro viu meu rosto e pareceu que ia falar alguma coisa, mas Larissa o puxou e eles se foram.

Me joguei em minha cama e Kioko se deitou do meu lado.

– Sei como é que você se sente. Tudo é tão confuso, parece que você vai explodir de tantos sentimentos dentro de você. Mas você não deve ficar assim, chorando pelos cantos, fraquejando por aí. — começou Kioko. — Branca, você tem que ser forte.

– Você devia estar aproveitando a piscina lá fora. — falei.

Kioko me olhou, severa.

– Não me ignore.

Suspirei.

– Desculpa. Mas você tem razão. Meu Deus, eu não estou me aguentando dentro de mim. — uma lágrima escorreu, mas eu a limpei rapidamente.

Kioko suspirou.

– O melhor que podemos fazer é assistir filmes e comer pipoca.

A olhei.

– Você ficaria aqui comigo, nessa depressão?

Kioko fez que sim com a cabeça e sorriu.

– Amiga é para essas coisas.

Dei um sorriso meio fraco.

– Vou buscar uns filmes e pegar pipoca. Gosto de Harry Potter, e você? Sei que não tem nada a ver, mas... — disse Kioko, se levantando.

– Qualquer um. Vou arrumar os troços por aqui.

Ela sorriu e foi embora. Suspirei e me levantei da cama.

Peguei o dvd e o liguei a televisão. Juntei o controle do dvd e peguei umas almofadas para mim e Kioko. O chão era coberto por um tapete do tamanho do quarto, então dava para assistir os filmes no chão mesmo. Peguei o cobertor, porque estava frio e então Kioko abriu a porta.

Ela trouxe bem uns cinco filmes. Três eram do Harry Potter, o outro era "O Diabo Veste Prada" e também "Garota Mimada".

Ela colocou o primeiro filme e se sentou no chão, colocando a pipoca no meio de nós.

Incrivelmente, gostei muito de assistir Harry Potter. Assistimos Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Ordem da Fênix e Cálice de Fogo.

Todos são muito legais! E identifiquei um personagem de Crepúsculo, o Edward, no terceiro filme que assistimos, que foi Harry Potter e o Cálice de Fogo.

Todos os filmes eram legais, na verdade. Enquanto eu os assistia, me esqueci totalmente da minha fase deprê.

Depois da sessão de filmes, já eram umas 19hrs. Tomei um banho e me arrumei como as garotas, mas escondi minha tristeza numa maquiagem ótima, que me deixou um pouco animada. Vesti uma camiseta de mangas branca, um moletom preto com capuz, uma calça jeans e meu tênis, porque foi o primeiro sapato que vi pela frente. Arrumei meu cabelo em uma trança que ficou bonita.

Larissa voltou para o quarto quando terminamos de assistir os filmes. Ela tomou um banho, vestiu uma calça jeans, uma blusa legal e fez um rabo de cavalo.

Kioko vestiu uma camisa preta, uma calça jeans e tênis, fazendo o mesmo penteado que Larissa.

Confesso que eu não estava nada parecida comigo mesma, mas essa roupa era confortável e quentinha.

Ah, e eu tinha tirado o band-aid.

Meu nariz estava normal, embora estivesse roxo e dolorido. Passei uns produtos nele e ele ficou apresentável, embora ainda estivesse meio arroxeado, nada demais.

Saímos do quarto para jantar. O corredor me pareceu curto demais, porque logo estávamos no salão e meu coração batia freneticamente.

Por um lado eu estava nervosa e não queria vê-lo. Mas por outro eu estava ansiosa porque queria vê-lo.

Vai entender!

Me sentia à mesa e me servi, nem vendo o que tinha pego. Meus olhos varriam o salão, a procura dele.

Quando o encontrei, meu coração deu um solavanco.

Ele não me viu. Conversava com aquele Pedro enquanto pegava comida, distraído.

Ele estava tão lindo, embora parecesse triste.

Estava com uma camisa de mangas preta, uma calça jeans preta e tênis. Os olhos pareciam estar com o brilho meio apagado.

COMO EU ME ODEIO!!!!

Mas vai ver ele não está triste comigo, né.

ENTÃO EU ODEIO A PESSOA QUE O FEZ TRISTE, DROGA!

Então eu me odeio. Mas isso eu já sabia mesmo.

Desviei meu olhar e me concentrei em pegar a comida.

– E aí, Larissa? Como anda você e o Pedro? — perguntei.

– Com as pernas! — disse ela.

Revirei os olhos.

– Por favor, né, Larissa. — resmunguei.

– Ok, ok. Estamos bem! Muito bem. Eu nunca podia imaginar que Pedro fosse um garoto tão bondoso, genial, lin...

– Tá, Larissa. — cortei. — Vocês estão namorando?

Larissa corou furiosamente, e eu fiz força para não rir.

– Sabe que eu não sei? Estamos ficando a apenas três dias, Branca. Acho que ainda é muito cedo.

Kioko revirou os olhos.

– Pelo amor, né, Larissa! Se Pedro é tudo isso, por que ele não te pede logo em namoro? Isso é o que um garoto sério e de compromisso faria!

Essa foi demais tanto para mim quanto para Larissa.

Larissa corou muito, dizendo mil coisas, e eu mergulhei para debaixo da mesa para que não me vissem rindo.

Depois eu retomei minha posição.

– Pois é, Kioko, mas você não sabe como as coisas funcionam hoje em dia! — disse Larissa.

– Pior que não sabe mesmo — comentei.

Kioko deu de ombros.

– Tanto faz.

Depois de comer, Larissa correu atrás de seu genial, bondoso e lindo Pedro.

Eu me levantei da mesa pronta para ir ao meu habitat natural, digo, jardim.

– Vê se não arruma confusão. — disse Kioko.

Não falei nada e me dirigi ao jardim. De noite tudo ficava diferente e bonito.

Mais bonito.

Me sentei num banco que tinha por ali e tomei um susto quando ouvi uma voz.

– O que uma moça tão bonita faz por aqui?

Me virei para trás e vi um garoto alto, branco, louro e olhos de um tom azul muito vivo. Ele era muito bonito.

– O que você quer? — falei cautelosa, levantando do banco devagarinho.

Ele riu.

– Pode ficar tranquila, eu não vou te fazer nada.

Me sentei, muito deliberadamente, na pontinha do banco, pronta pra fugir na primeira oportunidade.

– Isso, eu não vou te fazer nada. Quer jogar cartas?

– Tudo bem.

Ele tirou as cartas do bolso e jogamos.

Ele era muito bom. De 10 rodadas, ganhei apenas 2.

Fiquei sabendo mais sobre ele.

Seu nome era Charlie, ele tinha 16 anos, tocava piano, era bem eclético em relação a gosto de música (ele gostava de jazz, rock, clássica, eletrônica e ópera), também tocava violão e era muito talentoso em cantar músicas.

Ele cantou uma pra mim depois de eu insistir bastante.

– All the crazy shit I did tonight, those would be the best memories... I just wanna let it go for the night. That would be the best therapy for me. Hey Hey. Yeah Yeah.

Bati palmas quando ele terminou. Ele fez uma reverência.

– Tem piano nesta casa? — perguntei.

– Tem sim. Já experimentei-o várias vezes.

– Ah, ótimo! Toca pra mim, por favor, por favor?

– Hm... ok, mas fica lá no último andar.

Ele guardou as cartas e saímos em direção ao último andar.

O piano ficava numa sala com uma janela enorme. Ele era preto.

Charlie sentou-se no banquinho e eu me sentei ao seu lado. Ele tocou uma música chamada "Für Elise". Ele tocava muito, muito bem. Foi incrível assistir.

– Me ensina? — perguntei.

No final, consegui tocar as primeiras notas da música.

– Temos de ir. Aliás, você não me disse seu nome. — disse Charlie.

– Branca. — falei.

Ele sorriu e se levantou. Eu o segui.

Quando chegamos no salão não tinha mais ninguém.

– É, parece que ficou bem tarde. — ele olhou no relógio e exclamou: — Nossa, são dez horas da noite! Tchau, Branca. — ele acenou. — Hm... acho que amanhã nós nos vemos no café.

– Pois é. Tchau.

Segui meu caminho.

Notas finais
Então, gostaram ou não?? Espero que sim. Quero comentários!