Só Que Não
21 É, acho que nos acertamos
Notas iniciais
Estávamos de volta ao quarto, eu já estava com uma roupa confortável, e estava deitada na cama, de ponta-cabeça, mexendo no celular e conversando com Alejandra pelo WhatsApp. Contei para ela toda a minha deprê, e adivinha o que ela disse? Que aquela Branca não era a que ela conhecia, que eu estava enlouquecendo, e que ela estava melhor sem mim.
Eu fiquei: Como assim?
Alejandra mudou, disso eu tenho certeza.
Levantei-me da cama e disse:
– Vou dar uma volta por aí.
Kioko e Larissa assentiram, sem prestar atenção em mim, então joguei meu celular na cama e calcei minhas sapatilhas, caminhando para fora do quarto.
Rodeei toda a escola, mas parei numa sala de aula vazia ao ver uma cena. Isso mesmo que você está imaginando: Leandro e Clara se engolindo. Estavam meio que deitados na mesa do professor, se beijando ferozmente.
Respirei fundo, sentindo meu choro prender na garganta, e continuei meu caminho. O tempo continuava ruim, já estava chovendo, na verdade.
Eu me sentei num banco refletindo tudo o que passei desde que cheguei no Internato Fox.
Minhas aventuras foram realmente muito boas – risos – desde que cheguei aqui. Respirei fundo outra vez e continuei minha jornada por aquela escola que eu estava tentando conhecer.
Quando ouvi passos apressados atrás de mim.
Virei-me e vi Leandro correndo até me alcançar. Meu coração disparou, minha boca secou, e eu senti minhas bochechas corarem.
– Vamos para o jardim – disse ele.
– O quê? – perguntei. – Como assim, está chovendo e você...
– Vamos logo!
Contra minha vontade, corri atrás dele.
Ao chegarmos, meus cabelos começaram a grudar no rosto. Ele se virou para mim, os olhos apertados, o cabelo molhado, e disse:
– Desculpa.
Franzi o cenho.
– Pelo quê?
– Por tudo. Eu... fiquei com ciúmes de você, eu... fui idiota.
– Foi mesmo.
Ele ergueu a sobrancelha esquerda, mas não reclamou.
– Eu sempre fiquei com todas as garotas desse colégio. Mas quando você chegou... foi diferente. Você não era como as outras. E... ah, meu Deus... – ele passou as mãos pelo rosto.
– Eu vi você engolindo a Clara numa sala de aula vazia. – falei amarga.
– Sim, eu não vou negar. Mas eu me toquei que eu preciso de você. Eu terminei com a Clara. E eu te amo.
Meus olhos se arregalaram e meu coração batia freneticamente.
– O-o quê?
– Isso. Eu já te falei antes, mas agora tenho certeza, Branca. Esses dias que eu estava brigado com você... eu fiquei com a Clara, para tentar te esquecer, mas não deu certo. Piorou tudo.
– Eu não acredito em você. Sabe, você me fez chorar muitas vezes, eu me magoei, me machuquei. Não tenho certeza.
– Eu sabia que você iria dizer isso.
Ele me olhou triste. Aquilo me desesperou. Lágrimas começaram a cair e eu comecei a berrar:
– Quer saber?! Eu amo você, mas isso parece não fazer diferença, não é mesmo, você...
Ele me calou com um beijo. Beijávamos-nos com intensidade, e aquele foi o melhor beijo que já recebi na minha vida.
Um frio percorreu minha barriga e meu coração batia veloz. Eu sentia o coração dele bater veloz contra o meu, e suas mãos enlaçarem minha cintura, apertando-me contra ele. A chuva nos molhava, e ele sussurrou dentre o beijo:
– Eu acho que ficamos melhor assim.
Ri e passei meus braços pelo seu pescoço.
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