Notas iniciais
Obrigada à Thatha por mais um review e aqui vai, capítulo novo. Bjs!
Apenas minutos depois, quando Carlisle a despertou colocando amônia embaixo de seu nariz, foi que Diana começou a sentir a cabeça latejando.

Lion Doré? Quantos Lion Doré poderiam existir na França? Era alguma piada de péssimo gosto, ou seu passado estava lhe cobrando alguma coisa? Ela precisava de respostas, e ao olhar confusa para o filho, viu que não seria ele a lhes dar. O pobre homem sabia ainda menos de toda a confusão de sua vida. Deus, ele não sabia que tivera uma irmã mais velha, já falecida! E que tinha uma sobrinha!

- Mamãe, por Deus, a senhora está bem? – Carlisle segurava sua mão, preocupado.

- Deixe de bobagem, rapaz... Estou ótima. – Ela abriu um sorriso, se sentindo fisicamente melhor. Sentou-se em uma das cadeiras e forçou um sorriso.

- A senhora comeu alguma coisa hoje? Seria melhor ir à enfermaria...

- Carlisle! Eu estou gozando saúde, não precisa me tratar como um cristal.

- Mas a senhora... Ela o cortou.

- Eu só preciso tomar um ar fresco.

Fazendo um gesto de descaso com a mão, ela recusou a ajuda do filho para se levantar, e saiu da sala.

POV EMMETT

Emmett e Rose estavam no laboratório de química, e ele tentava dar aulas a ela, mas Rose estava mais disposta a provocá-lo do que a prestar atenção. Talvez pq, como ela mesma havia dito, ele precisava descontrair toda aquela tensão com o sumiço de Alice.

E não podia negar que adorava quando ela ficava jogando charminho pra ele. Mas aquele preparado cataplasmático para ferimentos era ítem que sempre caía nas provas, e ela precisava aprende-la corretamente.

- Tio... vê se esses ingredientes estão picados estão picados corretamente, por favor...

Emmett suspirou e foi verificar. Balançou a cabeça de um lado para o outro.

- Sua tontinha! A fórmula pede "picados" e não "em pasta"!

Ela fez beicinho.

- Então vou ter de fazer tudo de novo?

- Vai sim. E vamos ter de ficar aqui até que vc acerte. Antes disso eu não te libero.

- Promete? Aí é que eu erro mesmo! — disse ela, batendo as pestanas. Nisso, ouviram o barulho da porta se abrindo e trataram de recuperar as posturas distantes.

- Olá... — ouviram da porta.

- Vovó! O que a senhora está fazendo aqui? — disse Rose, se empertigando, a coluna tão esticada que, se a garota estivesse deitada no chão, poderia até ser confundida com o mesmo.

- Vim fazer uma visita ao seu pai e aproveitei pra ver como vocês estavam. Estudando?

- É. — ela fez cara de enfado — Papai disse que preciso melhorar em química.

- Não sei pq ele insiste tanto nisso... Um "suficiente" já estava bom. Sua vida futura com certeza não vai incluir o preparo de fórmulas. Aliás, nem isso, nem nenhuma das outras matérias.

- Tem algumas que eu até gosto.

- Querida. Uma mulher como vc não precisa disso tudo. Essa aparência e suas habilidades de etiqueta e sociais já são suficientes

Emmett sentiu o sangue ferver. Então a própria família achava que Rose não era capaz para nada mais que ser uma dondoca da sociedade? Ah, não ia conseguir ficar calado, ainda mais quando percebia um laivo de tristeza nos olhos da namorada.

- Me desculpe, senhora. Mas me parece que uma mulher inteligente também pode ser bonita, e vice-versa. Cada um tem habilidades diversas, e apesar de a srta. Cullen não ser uma sumidade em química, ela está longe de ser somente "suficiente" em outras matérias.

- Sr...

- Swan, Emmett McCarty Swan, a seu dispor.

- Ah, o neto de Arthur Swan... e baseado em que, o sr. se julga capaz de avaliar o desempenho da minha neta nos estudos?

- Bom, eu já estou convivendo com a srta. Cullen há mais de um mês, dando aulas de reforço. E nesse espaço de tempo, já deu pra perceber algumas aptidões para outras matérias.

- É bom, claro que uma mulher seja inteligente, a fim de saber os melhores caminhos a serem seguidos. E a minha Rosalie sabe quais são eles, não sabe? — Rose abaixou a cabeça.

Emmett não precisou de muita inteligência para sacar que Diana Cullen desconfiava de algo entre eles. — Acho que inteligência tem mais a ver com liberdade para escolher os caminhos que quer seguir, independentemente de serem os melhores ou não.

- A riqueza e o poder não tornam possíveis escolhas. Vc faz o que é melhor para a família. Mas é lógico que o sr. não pode entender isso. — A sra. pode ter razão quanto a isso. Minha família não pode ser chamada de rica, e somente agora meu avô conseguiu alguma voz na política. Mas temos uma coisa que é imprescindível pra nós, Swan: Amor. Cada escolha que fazemos é incentivada, mesmo que nem todos concordem. E quando escolhemos alguém pra compartilhar nossas vidas, essa pessoa pode ter a certeza que é muito, mas muito amada, pq quando um de nós escolhe, escolhe com o coração, e pra vida inteira. Não porque a pessoa é rica, porque tem nome e posição social. Pra nós, o que importa é o que a pessoa é por dentro.

- Muito bonita essa sua explicação, jovem Swan. Mas ela não é nem um pouco prática. Bem, minha querida. Já vou. Ainda tenho de falar com o seu irmão. Quando for pra casa, nos feriados, vamos bater perna em alguns shoppings, ouviu? — disse Diana, dando um abraço na neta — Passar bem, aspirante a político...

POV BELLA

Bella estava na biblioteca, tentando se concentrar em um livro sobre a perseguição às bruxas na Idade Média, mas não estava conseguindo. Estava muito preocupada com o sumiço de Alice. Não conseguira nem ficar feliz com o anúncio de que o seu texto havia sido escolhido como um dos melhores e ela fazia parte do novo jornal da escola. Isso porque o de Alice também fora escolhido, e a amiga não estava lá para comemorarem juntas.

Ela, o irmão e Jasper já haviam vasculhado cada canto daquela escola, e nada dela. Até o Cullen estava empenhado na busca, o que fez com que ela realmente acreditasse que ele gostava da garota, que era amigo dela. Isso abria um novo olhar sobre ele, contrariando uma das imagens que ela tinha do rapaz, de uma pessoa que só se preocupava com ele mesmo... Angie a tinha chamado pra estudar em grupo com as outras meninas, mas sabia que ia ser de pouca ajuda para as demais, então declinara do convite e, agora, tentava estudar sozinha mesmo.

Mas as coisas se misturavam na sua cabeça, e ela foi ficando zonza.

De repente, seus olhos ficaram pesados, ela apoiou a cabeça nos braços, sobre a mesa, e sonhou com Alice, cheia de medo, em um local escuro. Falava durante o sonho, murmurando coisas esquisitas, como se ela própria estivesse vivendo aquela cena, e ouviu um grito, sem reconhecer que o mesmo havia sido proferido na sua própria voz.

Sentiu duas mãos em seus ombros, sacudindo-a levemente.

Ela acordou totalmente daquele sonho, no meio de um choro convulsivo e lançou-se nos braços da pessoa que interrompera aquele terror. — Calma, calma... o que houve?

Ela levantou os olhos marejados e encarou o olhar de Edward Cullen, assustado.

- Nada. Não é nada, não. Mas... obrigada, viu. Até mais...

E, recolhendo seu material, saiu da biblioteca quase correndo.

POV DIANA

Diana passou os olhos da neta para Emmett Swan, contendo um sorriso maroto. Não era difícil perceber que ali tinha alguma coisa, afinal, já fora jovem e passara por situações semelhantes. E além de tudo, ela se divertia com os dois adolescentes na sua frente, tão sem jeito.

Eram bonitas as palavras do rapaz, profundas e pareciam ser sinceras. Mas esperava que Rose tivesse o juízo perfeito de se divertir o quanto quisesse, mas no final, tomasse a posição correta para a família, assim como ela fizera.

Deixando o casal a sós, ela voltou para sua caminhada pela escola, esperando agora encontrar o neto. Pouco depois de passar pelas estufas de plantas carnívoras, ela o avistou. Estava estendido na grama, tomando o sol da tarde. O casaco com emblema da escola jogado ao seu lado, junto com a mochila e alguns livros. Observando o neto, ela reparou que estava cada dia mais parecido com Carlisle, apesar dos cabelos cor de cobre. Tinha traços aristocráticos, mas ainda lembrava o que aprontava nas reuniões da família.

Quando parou ao lado do jovem, sua sombra a anunciou, e ele abriu os olhos para encontrar a senhora loira sorrindo.

- Vovó?! – exclamou, se colocando de pé em um pulo. – Não sabia que estava na escola. Aconteceu alguma coisa?

- É preciso acontecer algo para eu decidir visitar minha família? Parece que todos os Cullen resolveram se mudar para cá! Nem mesmo sua mãe me faz companhia.

Edward a abraçou, depositando um beijo respeitoso em sua testa.

- Mas me diga, o que um jovem lindo, saudável e rico como você, faz em uma tarde livre, que não está com nenhum rabo de saia?

Ele sorriu, e com o braço sobre os ombros da avó, os dois começaram a andar com passos calmos, quem via de longe, reparando no quanto o neto era muito mais alto que a avó.

- Eu ando preocupado demais com o sumiço de uma amiga, estou sem cabeça para outras coisas.

O coração de Diana falhou uma batida.

- Lion Doré?

- A senhora conhece a Alice? – ele levantou as sobrancelhas.

- Não, mas seu pai comentou algo. – os olhos azuis e cansados da senhora fugiam dos de Edward, enquanto alguns pensamentos a preocupavam.

- Ah, o professor Cullen. – Ed torceu o nariz, e em outra ocasião, a Sra. Cullen começaria outra conversa sobre o relacionamento do filho e do neto. Mas outro problema era prioridade agora.

- Ed, você e essa... essa Doré... Vocês são namorados?

O rapaz estranhou a pergunta, mas sorriu ao responder.

- Claro que não, vovó. Nós somos apenas amigos.

- Vocês nunca tiveram nenhum envolvimento desse tipo? – Agora Diana encarava o neto, profundamente.

- Não, vovó... – ele estava surpreso com a pergunta, afinal, ao contrário de Rose, a família Cullen não se preocupava com quem ele ficava ou deixava de ficar, desde que, no final das contas, escolhesse uma mulher digna de carregar seu sobrenome. — Ed, prometa pra mim... – ela segurava as mãos do rapaz. – Prometa para sua avó que você nunca vai ter nada com a Doré!

Ainda sem entender o fundamento da promessa, ele o fez. Nunca vira a avó daquele jeito, e queria muito entender o que estava acontecendo.

Com as mãos geladas, Diana tentava se acalmar, fingindo que nada havia acontecido. Forçou um sorriso e voltou a caminhar.

- Então, com seu pai como professor de ciências, devo supor que Willian finalmente se aposentou. Estou certa?

- Não. O professor Black é o diretor do departamento agora. Atua nas pesquisas.

Ao escutar aquilo, o coração de Diana bateu rápido, provocando um zunido em seu ouvido. Eram muitas emoções para um só dia.

- Ah, claro... Bem meu querido, eu preciso ir agora. Nos vemos em breve, eu espero.

Beijando a testa do neto, voltou para o colégio, agora para encontrar Billy Black. Talvez eles precisassem conversar sobre assuntos pendentes do passado...

POV EDWARD

Sozinho nos jardins, Ed se limitou a recolher o casaco e o material, rumando para a biblioteca, ainda bastante cismado com a avó.

Para sua sorte, a biblioteca não estava cheia. Provavelmente estavam todos empolgados demais em fofocar sobre o desaparecimento de Alice que a bibliotecária havia expulsado todos de lá.

Ele parou no balcão de entrada, onde se costumava assinar os livros que saíam e entravam. Colocou sobre o móvel de madeira escura, o livro que viera entregar. Era grosso, pesado, com a capa verde, e o título relacionado a futebol, que ele usara para seu artigo no concurso. Agora que conseguira entrar para o jornal da escola, aquilo ali não lhe tinha mais utilidade. Só precisava acompanhar os próximos jogos e fazer comentários, além de previsões racionais sobre as partidas seguintes.

Enquanto esperava a velha bibliotecária com óculos fundos de garrafa procurar o registro de entrada em um grande caderno empoeirado de folha suja, observou os alunos que estavam perdendo a tarde de sol ali. Dentre eles, uma imagem se destacou o fazendo sorrir. Bella dormia sobre os braços e, por um momento, ele só conseguiu admira-la. Era linda, tinha que admitir. E tentava ignorar um calorzinho bom que crescia no peito toda vez que olhava para ela. A garota era bem pavio curto, mas ele só conseguia achar graça daquilo.

De modo preguiçoso, se aproximou dela, pronto para mais uma implicância, quando percebeu que ela tinha o sono agitado. Chorava, enquanto dizia coisas sem sentido. Ele precisava fazer alguma coisa. E fez.

Com uma leve sacudida, ele a acordou e, sem pensar, Bella o agarrou, chorando em seu ombro, as lágrimas atravessando o tecido de sua camisa.

Mesmo pego de surpresa, ele só se preocupava com a pequena chorando em seus braços, parecendo um bichinho assustado, ignorando os poucos olhares que atraíam.

Com a mão, acariciou os cabelos castanhos, procurando de alguma forma a acalmar, enquanto sentia o coração dela batendo rápido, óbvio que ela estava assustada.

- Calma, calma... O que houve?

Ela levantou os olhos, até encontrar os dele. Edward queria, de alguma forma, fazer com que aquelas lágrimas fossem embora. Seu rosto era tão delicado, e seus olhos tão lindos, que não mereciam toda aquela tristeza, preocupação...

- Nada. Não é nada, não. Mas... obrigada, viu. Até mais... Rapidamente ela recolheu o material e saiu da biblioteca quase que correndo, deixando para trás um Edward Cullen confuso, preocupado, e incrivelmente protetor.

Notas finais
E aí? Ficou legal? Comentem, por favor! Bjs!