Só Mais Uma História

11 Finalmente um beijo... - Biel


Notas iniciais
Gente desculpassss!! Eu tive um mês de merda. Fui pro Guaru, comecei a ficar com um menino, fui péssima nas provas, briguei com muitos amigos meus. — Uma coisa boa: Fui pro Lolla e foi tipo F-O-D-A— e hoje descobri que fui trocada por uma loira. Mediante de tantas merda do meu dia-a-dia decidi postar um capítulo. Boa leitura

Havia gastado 20 dólares subornando a gerente para que me falasse o número do quarto da Jessica, já que ela tinha desaparecido sem me contar qual seria. Agora estou aqui, batendo em sua porta, até que uma voz familiar responde em um péssimo espanhol.

A porta é aberta e me deparo com uma figura bem... única — Não sei se penso que ela está sexy ou se está cômica — de roupão branco, amarrado à cintura. Seus cabelos estão molhados, descendo de forma desordeira pela suas costas. O seu rosto vai subindo o tom de vermelho a cada segundo.

— O que você quer? E como descobriu meu quarto? — ela diz rápido e suas feições começam a se transformar de envergonhada para nervosa.

— Lembra que disse que ia sair comigo? E eu subornei a gerente. Se arrume logo, te dou cinco minutos. — Eu passo por ela e me deito em sua cama olhando para cima e depois para o notebook dela ao meu lado.

— Você pode esperar lá fora, e isso não é um pedido e outra, não avisei a Linda que iria sair. — Ela vem em minha direção com intenção de me tirar

Começo a rir com a força que Jesse não tem, ela está ficando cada vez mais brava. Não conseguiu me mover um pouco se quer longe da cama. Inesperadamente ela pula em cima da cama e começa a puxar o meu braço. Tudo fica em câmera lenta, Jessica escorrega com o lençol, ela começa a cair para trás, fora da cama. Então eu a puxo pelo braço e ela cai em cima de mim. Dessa vez, não como na primeira vez que a gente se viu, seus seios acabam na minha cara. Depois tudo acontece em câmera muito rápida. Eu levo um tapa. A porta se abre. E Linda aparece. Jesse fica paralisada, ainda com suas pernas em volta da minha cintura.

—MEU DEUS, eu não sabia que vocês já estavam nesse nível! Jesse você não me disse que era virgem? — Ela grita toda espalhafatosa, atraindo alguns olhares de quem passava.

A garota em cima de mim se contorce sem saber o que fazer, ou nesse caso o que dizer. Ela abre a boca e diz apressadamente:

— Não é o que você ta pensando, eu fui tirar ele do meu quarto e acabei caindo — levanta-se devagar e vai até a menina na porta, arrastando-a para fora enquanto se explica. — E não precisava contar pra Deus e o mundo que sou virgem. Juro que não houve nada. E quanto a mim, acabo ficando trancado dentro do quarto, olhando para o notebook prateado, com minha curiosidade cada vez maior. Olho uma vez, me assegurando que ela ainda está conversando e abro o computador.

Senha:

O que ela colocaria como senha? E por que tem senha?

Coloco vários nomes que me vem à mente, números, datas de aniversários. Nada. Tento invadir pelo sistema de operador. Nada novamente. Jogo o eletrônico de lado e pego a bolsa dela, de pano cinza com lantejoulas e um elefante, começo a fuçar. Um batom. Um celular — opa, isso servirá para alguma coisa — o deixo ao meu lado. Uma carteira. Um caderno, preto e branco, repleto de mosaicos. Assim que abro o caderno uma foto cai, são duas meninas juntas, fazendo caretas. Uma tinha cabelo castanhos escuros, Jessica. A outra garota era bonita com cabelos meio cobre, ou castanho, pode até ser loira, não consigo identificar bem por causa da luz. A segunda garota é muito linda, com olhos mais claros e um rosto quase de boneca. Elas pareciam bem felizes, com um ar inocente.

Estou perdidamente curioso por esta foto. Minha curiosidade se dissipa assim que vejo o rosto contorcido em medo da pessoa a minha frente, me encarando como se eu

tivesse mexido em algo perigoso e sagrado. Lentamente coloquei a foto na cama e olhei para ela.

— Desculpa, só estava procurando um chiclete. Você está bem bonita na foto — tento refazer o estrago, a cara dela não melhora nem um pouco.

— Quem te deu o direito de mexer nas minhas coisas? — Ela gritava puta da vida, seu rosto ficando vermelho a cada segundo, mas era um tom diferente do vermelho característico do seu rubor. — Você é louco?

— Desculpa, eu nã...

— Desculpa o caralho, não era pra você mexer. — Então do nada ela sai batendo a porta.

Me levanto e vou atrás dela, assim que chego ao corredor ela já tinha desaparecido. Corro em direção à piscina, restaurante, sala de massagem, nada. Volto para o quarto dela e bato na porta.

— Vai embora — Jesse diz com uma voz abafada e distorcida pelo choro.

— Desculpa, não devia ter mexido. Só fiquei curioso.

— Vai embora!

— Vamos Jesse, abra a porta e a gente conversa. E eu pago o táxi de ida e volta até a fronteira se você abrir. — Um minuto depois a porta se abre e vejo uma Jesse com a cara inchada e o nariz vermelho, de tanto chorar.

— Você tá uma droga — digo rindo de leve. — Não devia chorar, te deixa feia.

— Você é um idiota e retardado. — Ela atravessa o quarto em direção a cama deixando a porta aberta. — Não fique parado que nem um doente, feche a porta, o ar está ligado.

Eu a sigo e deito no outro lado da cama. Olho pra o lado e ela está segurando a foto com a mão direita, enquanto enxuga o olho com a esquerda:

— Ela era minha melhor amiga, desapareceu há mais ou menos um ano e meio.

Ela respira e eu a observo, seus olhos estão focados na foto, e então do nada ela me examina e continua:

— Essa foto foi há dois anos e meio. Tínhamos acabado de passar o dia inteiro no cinema, passando de um filme para o outro sem pagar — ela ri e depois continua. — Vic testava em quantos filmes poderíamos entrar antes que alguém nos pegasse ou minha mãe ligasse, mandando nós irmos embora. No terceiro filme um menino que trabalhava descobriu, ele riu e nos deu um par de óculos 3D para o filme que iria começar. Em gratidão tiramos um tanto de foto com ele — ela apontava para foto, Victoria tinha pedido que ele tirasse uma só nossa, como recordação. Depois disso viramos amiga do cara e vivíamos passando de graça no cinema. Ninguém de São Paulo sabe dela. Pelo menos que eu era amiga dela, já que seu desaparecimento estourou nos noticiários. Seu padrasto é o importante Juiz do Rio, Lenadro Olhiveira.

— Desculpe ter mexido e tocado em seu passado. Entendo sobre querer deixar o passado para trás, ou pelo menos guardá-lo

Ela me encara com gigantes olhos negros e marejados. Sua expressão é única, me dá uma vontade de abraçá-la e confortá-la.

— Já que ainda são onze horas da manhã, que tal chamarmos um táxi?

— Ok! Pode ser, contudo preciso trocar de roupa e você também. Te vejo daqui 20 minutos no hall.

Saio imediatamente antes que ela mude de ideia, vou caminhando até o meu quarto e pego meu celular e minha carteira. A tela se acende por alguns segundos e apaga novamente.

— Eai Guri, como que está ai? Não armou briga com ninguém ainda né? Carina está ficando louca porque você ainda não ligou para ela.

Sorrio com a mensagem de Toni, é bem a cara da minha tia ficar assim. E ele nem imagina quem eu encontrei. Assim que eu o respondo ele, contando sobre Jesse, ligo para a minha tia.

— GABRIEL MENZO, por que diabos você não tinha me ligado antes? — Ela grita ao telefone.

— Desculpa tia, o avião mudou de rota e veio para o Chile. Vamos esperar dois dias antes de seguimos em direção ao Peru. Eu estou bem, sabe que te amo né tia?

— Ai meu pai do céu, você tá sozinho no Chile? Quer que eu vá aí ficar com você? Precisa de mais dinheiro?

— Eu encontrei uma amiga no voo, então estou com ela. Não precisa mandar mais dinheiro. Tenho certeza que o meu dá. Tia, preciso desligar, te ligo assim que for dormir. Te amo muito Carina, tchau.

— Tchau meu amor, também te amo. Meu filhinho emprestado. — Eu desligo assim que ela pronuncia, porque se não ela iria falar até amanhã.

— Vamos, não quero me atrasar nem nada — Jesse cantarola desafinada atrás de mim.

— Claro, claro, me deixe chamar um táxi. Seus olhos vibram de excitação enquanto atravessamos a fronteira em direção a Argentina, mais especificamente o parque Nacional Lanin. O cara não queria nos levar até o parque, só aceitou quando eu ofereci cem dólares.

— É tudo tão lindo aqui, o jeito que as árvores brincam entre elas, se contorcendo em gigantes e lindos espirais. A floresta vai se fechando em forma mágica, ao mesmo tempo em que te convida a adentrá-la. Parece de mentira de tão perfeito, ah, eu amei aqui, Gabriel.

— Eu vim algumas vezes no passado com meus pais. Gostava de parar o carro um pouco de dez em dez minutos dentro do parque. O verde é contagiante e alegre, que dá esse toque místico. Eu amava fingir que era um animal que vivia livremente entre o bosque. — Minha voz foi ficando amarga com a lembrança, meu coração deu solavanco e me puxou para baixo. — Eu era uma criança boba.

— Está tudo bem? Você parece estar sofrendo, machucou em algum lugar?

— Só algumas lembranças, meus pais morreram há dois anos e meio — Tomo ar, estou quase chorando, lembrando exatamente do sorriso da minha mãe enquanto abraçava meu pai e me assistia brincar. Ela era simplesmente bela, com o seu jeito forte mas elegante. — Eu ainda não superei totalmente... Sabe, a morte deles...

Acho que não existe um limite para surpresas. Jesse me abraça fortemente, apenas isso. Não falando que sente muito, ou dizendo que já estava na hora de seguir em frente. Ela simplesmente fica lá, me abraçando com a cabeça entre meu pescoço. Abraço ela em retorno, depois de alguns segundos de surpresa.

Passamos uns dez minutos nessa posição. Jesse levanta a cabeça ainda com os braços em volta de mim. Nos olhamos com intensidade antes que, não sei se por impulso meu ou dela, percebêssemos que estávamos no beijando. Não loucamente, mas com receio de que tivéssemos feito algo errado e ao mesmo tempo com sentimentos unidos e agarrados, pois nós dois sabíamos como era perder alguém. Puxo-a mais para mim acelerando o beijo com mais urgência, ela responde perfeitamente bem enquanto me agarra pelo pescoço e acaricia minha nuca. Paramos assim que o taxista pigarreou de dentro do carro. Ela me encara timidamente com um toque de malícia. Seus belos olhos se exaltam, e em seguida se amenizam com um sorriso quando lhe dou um selinho e a puxo para dentro do veículo.

Alguns quilômetros a frente tem um pequeno gramado todo florido, que dá de vista perfeita para o vulcão. Entre a estrada e o gramado há um pequeno vácuo de terra, como uma calçada onde as pessoas colocavam pedrinhas da estrada, formando seus nomes envoltos por algum coração, para que sejam lembrados, de uma promessa maior.

O olho da Jessica falta saltar com a imagem, ela me encara com uma ideia escrita em suas pupilas. Começa a catar pedrinha por pedrinha e vem em minha direção.

— Aqui — diz depositando as pedrinhas em minha mão — Vamos escreves nossas iniciais, para que fique marcado que estivemos aqui. Não me olhe com essa cara de descrença, estou me sentindo uma idiota.

— Tudo bem, mas antes... — Não termino, estou beijando-a, aproveitando cada segundo. Não sou romântico, pelo menos agora não, sei que não passará de um caso de férias.

Assim que terminamos de escrever nossas iniciais tiro uma foto, ela decide que é melhor sem corações, acho que pensa o mesmo que eu desse relacionamento. Contudo ela pega uma pedrinha bem pequena, que apesar do tamanho excede em beleza, e me dá.

—É para se lembrar de mim.

Entramos no carro e voltamos para o Hotel. Já era uma seis horas da tarde quando adentramos o hall em direção ao quarto. Enquanto esperamos o elevador ela cantarola:

— Você não me disse em que quarto estava.

— Claro, você estava muito ocupada caindo em cima de mim e depois brigando comigo — ela sorri de maneira travessa, como uma criança que foi pega no flagra. — 506, no andar abaixo do seu.

Enquanto o elevador subia, uma garota loira ao meu lado ficou me secando da cabeça aos pés, conseguindo umas caretas super engraçadas da menina com os dedos entrelaçados aos meus. A reação de Jessica causa uma cara e desagrado da Loira. Ela me empurra e começa a me beijar — Não que eu reclame, eu entrei no clima bem rapidinho.

A porta se abre enquanto a Jessica me empurra em direção ao meu quarto sem olhar para trás. O elevador se fecha e começa a subir com uma loira infeliz dentro. E uma Jesse perversamente alegre ao meu lado.

Notas finais
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