Só Existe o Agora
7 "Vamos pra longe, hoje!"
Notas iniciais
A semana seguinte passou rápido. E não teria como ser diferente. Era a última do ano. De um ano que valia por cinco, de tantas coisas que aconteceram. Principalmente para Wagner e Maciel, que naquele momento estavam melhores que antes. E precisavam pelo menos disfarçar que estavam juntos.
Faltava pouquíssimos dias para a dispensa do motorista naquela casa. Aquela relação dos dois tinha data de validade. Por isso era melhor manter segredo para evitar qualquer inconveniente. Pois o tatuado ficaria naquela casa sozinho, e teria que lidar com tudo se isso fosse parar nos ouvidos dos outros.
A Solidão era algo que agonizava tanto Wagner naquele momento. Só de saber que aquilo tudo que viveu teria data de validade lha causava dor. Ele não perderia apenas um colega de trabalho. Perderia a companhia de um amigo, um grande parceiro, e dessa vez, alguém que o amava. Era questão de dias para que ele ficasse só naquela enorme mansão.
E isso o deixava o deixava um pouco triste. Aquele ano novo talvez não seria tão bom. Mas de qualquer forma ele tinha que erguer a cabeça e continuar trabalhando. Naquela semana não seria nada diferente, pelo contrário. O mordomo ficou encarregado de mais uma festa naquela mansão. A de Réveillon.
Era ele quem tinha que cuidar de toda a decoração, que daquela vez seria em frente a piscina da casa. Cuidava da decoração, tudo branco. Não se preocupava tanto com a comida, o importante para aquele dia eram as bebidas. Além de supervisionar a equipe encarregada em colocar os fogos de artifício em cima da casa. O espetáculo pirotécnico era uma surpresa da família Khoury.
A tarde do dia 28 corria tranquilamente. Naquele dia Wagner não tinha tanto trabalho a fazer. Apenas o seu habitual: Cozinhar e servir. Sorte dele, pois estava bem desanimado para fazer qualquer coisa muito trabalhosa.
Bernarda estava na extensa sala de estar, lendo como sempre. Wagner chegou trazendo o café que ela pediu. Estava com uma camisa preta e uma gravata cinza. Sua combinação favorita. Sóbria e elegante.
— Mais alguma coisa Dona Bernarda? — Perguntou com as mãos nas costas.
— Por enquanto nada, Wagner querido. Muito obrigado. — Deu seu sorriso terno de sempre. — A propósito. Como andam os preparativos para o ano novo?
— Tem muita coisa pra se fazer. Mas está tudo muito adiantado.
— Que bom. Eu particularmente não vejo necessidade de tanto. Mas a Pilar gosta, e o Felix ajuda. Mas também, que ano esse. Quanta coisa aconteceu.
— Foi um ano muito agitado.
— E como. Aliás, eu estou notando que você não está muito bem, Wagner.
— Não tem nada, senhora. É só um cansaço.
— Deve estar trabalhando muito ultimamente. Mas me permita dizer. Acho que não é só isso. Você parece um pouco triste.
— Assuntos pessoais. A senhora não precisa me preocupar.
— Como não vou me preocupar? Ora, querido, não é porque você trabalha aqui que eu não vou me importar. Pode dizer a verdade, tá triste por alguma coisa, ou por alguém?
— É sim. Coisas da vida.
— Ah, mas você é tão jovem e bonito. Como pode passar por isso?
— Infelizmente essas coisas não escolhem ninguém.
— É verdade. — Riu. — Mas te entendo. O clima dessa casa ficou pesado demais nesse ano. Até os empregados querem sair. O Maciel por exemplo, pediu dispensa no começo do mês. A minha filha até propôs um aumento de salário, mas ele quis ir.
— É. Eu sei de toda a história.
— Sei que vocês dois era muitos amigos, certo?
— Sim, nos éramos. — Abaixou a cabeça. — Mas, me permite desculpar, mas não tiro a razão dele.
— Nossa. Mas por que diz isso?
— Dona Bernarda, eu te juro que não é nada contra os senhores que sempre me trataram muito bem desde que eu vim trabalhar, e muito menos com a senhora que é uma pessoa maravilhosa. Mas… é tanta coisa, que eu não conseguirei de explicar.
— Não precisa se explicar, Wagner. Eu entendo o que você tá sentindo. Acho que sei como é, já passei por isso. Mas, olha. Se você não está se sentindo bem, pode ir embora sim. É seu direito.
— Poxa, obrigado. — Sorriu. — Mas se a senhora tá falando isso é porque não vai sentir falta de mim.
— Que bobagem. Lógico que eu vou sentir falta. Você é o único que faz companhia pra mim quando não tem ninguém nessa casa. E o seu cafezinho, sempre uma delícia.
— A senhora sempre gostou do meu cafezinho.
— Do café e da companhia. Você é o melhor mordomo que já passou pela casa. Mas se decidir ir embora, eu pelo menos vou entender. O que importa é você se sentir feliz.
— Nossa, Dona Bernarda. — Sorriu. — A senhora não existe mesmo. Com sua licença. — Saiu da sala.
O clima daquela casa deu uma melhorada nos últimos dias. A solidão havia amenizado. Félix voltou para a mansão, sua mãe o perdoou. E ele fez questão de fazer esse retorno com toda a pompa que ele gostava, gritando para todos que “voltou como uma Fênix”. Mas claro que Pilar impôs condições ele teria que se resolver com todos aqueles à quem ele prejudicou.
O estômago de Maciel embrulhava só de lembrar que ele foi cúmplices em muitas de suas atitudes. Desde pequeno sempre viveu com muita dificuldade. Veio do interior rumo à São Paulo e ralou muito para sobreviver. Mesmo educado a ser bom, não tinha vergonha de agir de maneira errada caso precisasse. Para ele caráter não enchia sua barriga.
Era o motorista da Família Khoury há alguns anos. Pra variar, foi Félix quem o contratou, não por acaso. O barbudo percebeu isso desde o primeiro dia, quando o patrão soltava seus olhares e investidas indiscretas. Sempre soube que ele era gay.
Mas não era só isso, o executivo do San Magno viu nele o seu caráter elástico. O aliado certo para seus planos em prejudicar qualquer um que atrapalhasse o seu caminho. Maciel não recuou, aceitou de bom grado, afinal precisava de dinheiro. Sua mãe ficava doente a cada dia.
Mas não dava pra usar a mãe para justificar erros. Pois o dinheiro fácil o atraía. Sabia que nunca teria uma vida diferente daquela que sempre teve, Futuro era uma palavra que não existia para ele. Por isso fez o que fez. Como roubar o dinheiro da Márcia e principalmente, quase assassinar Atílio e sua esposa batendo o carro deles.
Não ligava para os próprios atos até ver que não teve nenhuma compensação ao agir como um criminoso. Sua mãe faleceu pouco tempo depois, o dinheiro de nada adiantou. Viu-se sozinho, e vulnerável. Se descobrissem tudo seria preso. Felix provavelmente, mas ele tinha seu nome e sua lábia a seu favor. Conseguiria se livrar facilmente.
Já Maciel não tinha ninguém, corria o risco de mofar atrás das grades pro resto da vida. Ele tomou a decisão de parar de agir assim pelo pouco de amor que sentia à própria vida.
De certa forma, foi o amor que sentia por Pilar que fez ele mudar. Era melhor viver uma vida talvez medíocre, mas honesta. Queria mostrar para ele como ele poderia ser um homem bom. Mas isso não foi suficiente. Era humilhante mudar por alguém e esse alguém não dar a mínima.
Passaram-se os dias, já era 31 de Dezembro. Anoiteceu e o ano novo chegaria dentro de poucas horas. O jardim da casa esplendido como sempre estava toda decorada de branco. As luzes natalinas permaneciam, fazendo companhia para os adornos brancos. A decoração estava toda posta em frente a piscina. A festa havia começado, os convidados chegavam. Daquela vez eram muitos. Familiares e amigos próximos dos Khoury vieram celebrar o novo ano e assistir ao “show” que viriam na virada.
Maciel estava parado em um canto nos fundos da casa, escutava barulho da festa de longe. Ainda estava com o seu terno. Havia acabado de terminar o seu trabalho, o último naquela casa. Sentiu uma certa nostalgia ao observar aquela enorme mansão. Mesmo com o cansaço era impossível não lembrar dos tantos momentos após anos de trabalho. Principalmente sentir falta de pessoas que deixava.
Já era para ele ter saído, mas preferiu ficar. Wagner pediu isso. Queria falar algumas coisas antes da despedida, e claro, aproveitar aquele último dia. O moreno até se animou um pouco quando o viu chegando.
— Eu achei que iria criar raízes aqui. — Ironizou.
— Seu besta. — Riu.— Sabe que meu trabalho tá puxado hoje.
— Eu sei. Por isso que te esperei. Agora só não entendi por que me quis aqui.
— Hoje é seu último dia. A gente tem que comemorar, não acha?
— Meio estranho comemorar a demissão de alguém, não? — Brincou.
— Não é isso. É que eu só queria ficar com você. Poxa, é uma noite especial. Não queria ficar sozinho.
— Também não queria ficar sozinho. Não tenho nada pra fazer, e não tô nem um pouco com vontade de ir pra Paulista. Sabe que eu odeio muvuca.
— Sei. Sei sim. Então nada melhor que nós ficarmos juntos aqui. Tranquilos, só nós dois. Que tal?
— Ótima ideia. — Sorriu.
— Sabia que ia gostar. — Levantou um pote. — Olha, eu separei algumas comidas pra você. É ano novo, né? Então são só uns salgadinhos e uns docinhos. Tá tudo separado, viu?
— Poxa. — Pegou o pote. — Obrigado.
— E pode comer tudo, que eu sei que você é guloso. — Riu. — E fica mais ainda quando tá ansioso.
— Ansioso? Tá querendo dizer o que com isso:
— Escuta Maciel. Eu vou sair porque ainda tenho algumas coisas pra fazer. Quando der umas onze eu volto, e a gente acompanha junto a virada. Vai ter fogos, viu? E também, eu tenho uma coisa pra te falar.
— Uma coisa?
— É. Mas eu só te conto depois.
— Agora ,e deixou preocupado.
— Não precisa ficar preocupado. É só uma coisa antes de você ir.
— Tá bom. Por você eu fico aqui.
Os dois se despediram e Wagner foi embora. O pedido do tatuado não surtiu efeito, o motorista já estava ansioso. Mas ficou feliz por comemorar o novo ano ao lado dele. Ele se sentou num banco próximo e começou a comer o que estava no pote. Primeiro os salgados, e depois os doces. Comeu vagarosamente, pensando que o tempo passaria mais rápido.
Ledo engano, pois as horas passaram e nada dele chegar. A hora que ele disse que vinha não chegava. Já era lá pra umas onze da noite quando Wagner chegou, com uma garrafa de champanhe na mão.
— Cê demorou, hein Wagner? Já tava me coçando aqui.
— Eu tentei vir antes, né? Mas eu não tive sossego. E eu consegui trazer um champanhe, mas eu consegui trazer as taças. Pode ser?
— Pode sim. — Pegou o champanhe. — É muito melhor beber do gargalo mesmo. — Riu e depois entornou a garrafa dando um gole. — Toma. — Entregou o pote com as comidas. — Consegui deixar alguma coisa pra você.
— Não precisava, né? Mas tudo bem, eu vou comer porque no momento não posso negar nada. — Riu. E pegou o pote.
Ficaram alí alguns minutos comento e dividindo a garrafa de champanhe. Tomando do gargalo mesmo, não tinham nenhuma vergonha. Até faltando mais ou menos vinte minutos para a meia-noite.
— Uma boa maneira de brindar o ano novo, não acha? — Disse Wagner.
— Acho que eu nunca comemorei o ano novo.
— Eu nem lembro qual foi a última vez que parei pra comemorar. Mas é bom que estamos aqui juntos. Ano novo, vida nova. No seu caso faz todo o sentido.
— É mesmo. De certa forma, vou sentir falta de estar aqui. Daquelas suas cozinheiras em cima de mim. Do Felix enchendo o saco. E dos nossos papos lá no quartinho.
— Verdade, Maciel. Vai ser meio estranho isso. Eu saindo da cozinha indo lá fora e não te ver lá perto daquele carro.
— E eu digo o mesmo.
— Escuta. Já viu aonde você vai trabalhar?
— Pra falar a verdade nem pensei nisso. Época de festas, né?
— É. Mas já tem uma ideia pra aonde vai?
— Ah, com certeza o mesmo de sempre. Trabalhar com família rica. Eu só sei ser motorista. Mas também, se eu tiver que trabalhar de faxineiro pra mim tanto faz. Não vou fugir de trabalho.
— Vai ser uma pena ver você tendo que passar por isso. Merecia muito mais.
— É o que dá pra mim. Mas não vamos falar disso agora. — Deu uma pausa. — E esse champanhe aí. Como é que conseguiu pegar?
— Tava lá na adega quase estragando. Aí eu consegui ela pra nós.
— E como você conseguiu pegar sem ninguém saber? A comida até vai lá, mas a bebida?
— Bom, pra falar a verdade. Eu meio que ganhei de presente da própria Dona Pilar. — Fez uma certa manha para falar. — Pra despedida.
— Pra despedida do ano?
— Acho que você não entendeu.
— Não tô mesmo. Como assim, despedida? A minha?
— Sim. Quer dizer. Também.
— Fala logo de uma vez, Wagner. Odeio enrolação.
— Esse é seu último dia aqui nessa casa, certo? E o meu também.
— Como?
— Pedi demissão essa semana.
— Você tá de brincadeira comigo.
— É sério. Dias atrás eu falei com a Dona Pilar, expliquei tudo e pedi dispensa. Consegui ficar até hoje.
— Mas eu não entendo. Por que fez isso?
— Pelos mesmos motivos que os seus. Eu pensei muito sobre tudo. Não tem mais nada que me prenda aqui. Tô cansado de tudo isso também, cansado de me sentir cada vez mais preso nessa casa. Mas não é só por causa disso.
O tatuado se aproximou do barbudo, ficando cara a cara, olhos nos olhos.
— Maciel, eu gosto muito de você, cara. Eu amei nossos momentos juntos, e principalmente esses últimos. Tudo isso só serviu pra mostrar algo que nenhum de nós tinha percebido. A gente tem que ficar junto. Sério, eu não posso ficar nessa casa sem você, eu não consigo. Por isso que eu tomei essa atitude. Eu tô cansado das pessoas que eu amo irem embora e eu ter que ficar quieto.
— Poxa Wagner, eu não sei o que dizer. Eu também tô péssimo só de saber que a gente não vai mais poder ficar junto. Não da forma que a gente quer. Queria tanto que o que nós tivéssemos não acabasse.
— E não precisa acabar. Fica comigo.
Ficaram alguns segundos trocando olhares. Os sentimentos estavam cada vez mais expostos, era impossível esconder.
— Eu ficaria com você até o fim do mundo. Mas agora, o que vai ser da gente?
— Lembra que eu falei que eu tenho uma casinha lá no litoral? Então vamo pra lá. A gente vai poder ficar junto, livre, sem ninguém mais fazendo a gente sofrer. Eu volto a estudar, aprimoro meus conhecimentos. Sei que vai ser difícil, não vai ser nenhuma vida de luxo, mas é o que eu tenho que oferecer.
— Nunca me importei com isso. Só quero te ver bem.
— E eu vou estar bem, nós dois estaremos. Eu me esforço pra conseguir ter o meu restaurante e você também pode voltar a estudar. Sei lá, fazer algum curso.
— Curso? Não sei se isso é pra mim.
— Ah, seria ótimo se você estudasse, fizesse alguma coisa. Você tendo alguma formação consegue um emprego melhor, mais confortável. É por você mesmo.
— É. Talvez não seja uma má ideia.
— Então, topa?
Maciel não falou nada, apenas sorriu. Aproximou-se e o beijou, um beijo de língua londo e delicado. Pouco se importavam com o que estavam ao redor. Só queriam sentir os lábios, o sentimento explodindo dentro deles. E que não tinha mais volta.
Eles só pararam quando viram luzes fortes seguidas de estridentes barulhos aparecendo. Eram os fogos saíndo da casa. Um novo ano se iniciava, um novo ciclo.
— Feliz 2014? — Disse Wagner.
— É? Feliz 2014. — Respondeu e voltou a beijá-lo.
— E agora. — Disse depois de parar o beijo. — Vamos pra longe daqui?
— Com você eu vou pra qualquer lugar. — Sorriu.
Um pegou na mão do outro, saíram correndo em disparada, com a garrafa de champanhe em mãos e tudo. Como se tivessem saído de uma prisão e só naquele momento podiam ter a chance de sentir o ar fresco da liberdade. A sensação era justamente essa, e não tinha como ser diferente.
Saíram daquela mansão sem se importar com mais nada. O ano acabou, tudo aquilo que eles tinham pra fazer naquele lugar se encerrou. Correram ser rumo, qualquer lugar que eles pudessem ficar e serem livres já bastava.
Aqueles uniformes definitivamente não serviam para correr. Em poucos segundos já estavam suados. Sem cerimônia, Maciel amarrou seu paletó na cintura e abriu a camisa, deixando a gravata nos ombros. Wagner tirou sua camisa e e colocou na cintura, a gravata ficou no pescoço meio frouxa. Estavam de fato livres. Livres de sofrerem por causa dos outros, livres para amarem, livres para serem felizes.
Foi essa felicidade que eles sentiam naquele momento que fez eles correrem feito loucos, enquanto davam beijos e alguns amassos no meio da rua. Era feriado, as ruas estavam desertas, então não se importaram em se curtirem ao ar livre mesmo. E mesmo se tivesse alguém, protagonizariam momentos quentes do mesmo jeito.
Tinham se acabado no champanhe, mas aquela bebida não era o suficiente para deixá-los alterados. Estavam fazendo tudo aquilo sóbrios, ou quase. Era o amor intenso que se manifestava, que de tanto tempo contido, explodiu, e da melhor forma possível. Cada beijo era como os fogos que invadiam o céu da cidade em meio às músicas altas vindas de todas as direções.
Foram para uma boate qualquer, que eles sequer sabiam o nome. Só queriam curtir o som, a festa, o clima. O barbudo puxou o tatuado para o canto e lançou mais um beijo longo. Os torsos suados e colados. Sentir aqueles lábios era viciante, e o desejo de um pelo corpo do outro era quase inevitável.
E não era só eles que comemoravam naquele recintos. Vários casais se beijando, se amando. Moças com rapazes, homem com homem, mulher com mulher. Era ano novo, eles também queriam provar da liberdade. Talvez eles também se sentissem presos e só queriam curtir.
Uma balada que atravessou a madrugada, mas que o motorista e o mordomo não lembrariam nem a metade. Eles saíram daquela boate e voltaram a correr pelas ruas. Sem um sequer final de cansaço. As ruas completamente vazias, nem um sinal de carro. A garrafa de champanhe, por incrível que parecesse, não foi largada em nenhum momento.
Foi só quando eles chegaram em um canto que eles pararam. O moreno colocou o parceiro contra a parede, um com a mão na cintura do outro. Trocaram olhares, um curto sorriso. Sem dizer nada, se beijaram de novo, e se dependesse deles, se beijariam muito mais vezes. Não se importavam com o estado em que estavam, com as roupas amassada, parte do corpo a mostra. Na verdade, se verem daquele jeito era a melhor coisa que eles podiam ter. Pois se libertaram, estavam juntos, um fazia o outro bem de verdade. Só isso importava.
Não havia certeza nenhuma sobre o que aconteceriam dalí em diante. O futuro era uma incógnita, sempre foi. Um mistério que tanto Wagner quanto Maciel não queriam descobrir tão cedo. Pois eles só queriam saber do presente.
Só existia o agora.
Fale com o autor