Andei de um lado para o outro na sala de treinos. Fui atirar no alvo, e errei quase todos os meus alvos. Estava desconcentrada, com o pensamento longe mais uma vez.
Megan me perguntou de novo o que havia acontecido, e eu disse que tinha discutido com Scott. Mas essa não era minha verdadeira preocupação, os últimos acontecimentos estavam acabando comigo.
Me aliei e virei líder de um numeroso grupo de rebeldes passistas, isso não poderia de jeito nenhum chegar aos ouvidos de Ethan, Mike e Cristal.
Desde as novas ordens da Política, os grupos, principalmente a Caridade e Habilidade estão sofrendo com o aumento de trabalho e diminuição de descanso.
Scott entrou na sala e fingi que não o vi.
Ele me chamou e virei atirando a faca em sua direção, passou de raspão em sua barba.
– Se eu não te conhecesse e não estivesse acostumado com isso, diria que é louca. — ele sorriu.
– E criança. — completei.
Scott revirou os olhos e bufou.
– Para com isso, Natalie.
– Não. — falei e sai andando, ele segurou meu braço.
– Onde pensa que vai? — ergueu a sombrancelha.
– Dar uma volta.
Sai da sala e andei pelos corredores, ao mesmo tempo olhando para a paisagem da cidade.

Deitei no chão ao ar livre no último andar. Precisava pensar no que eu iria dizer na reunião dessa noite. Tenho que calcular os mínimos detalhes, uma grande guerra em Seattle está por vir.

***
Senti um balanço estranho, e um perfume que eu conhecia muito bem.
Despertei no colo de Scott.
– O que está fazendo? -perguntei ainda sonolenta.
– Acho que o terraço virou seu novo quarto.
– Nossa, não tinha dado conta de que dormi.
Ele sorriu.
– Já pode me colocar no chão. — falei.
Scott olhou para mim.
– Não. — e continuou andando.
Me acomodei mais nos braços dele.
– Você falou com Anna?
– Sim, ela está bem. Me disse que Philipe sempre a convida para ficar juntos.
– E isso não é bom?
– De uma certa forma sim, você sabe. Só que a "rainha" não tem tantos poderes como o rei. — ele me colocou no chão. — Então não quero que Anna se case com ele.
– Você tem razão. Precisamos dar um jeito nisso. — suspirei. — Vou fazer de tudo para as coisas ficarem em seu lugar.
Ele colocou a mão no meu rosto.
– Eu também. Sempre vou estar com você.
– Agora preciso me arrumar, estamos atrasados.
– Ei, não vai me agradecer? — fraziu a testa.
Cheguei mais perto, puxei seu rosto e nossos narizes colaram. Quando Scott ia me beijar, virei a cara e beijei sua bochecha.
Abri um sorriso.
– Isso é maldade. — sussurrou.
– Te vejo daqui a pouco. — sussurrei de volta.

Passei no meu quarto e peguei minha arma. Nada contra a guarda-la na sala de treino, mas com essa confusão, melhor estar sempre preparada.Desci e encontrei Scott com o arco na mão.
– Arqueiros são sempre os melhores. — comentei.
– É, acho que me apaixonei. — respondeu Scott.
– Fui trocada por um arco e uma porção de flechas. — ri.
Saímos pelos fundos da cede e pegamos o trem até a saída de Seattle. Meus pais não iriam conosco desta vez.Achei mais seguro e melhor deixá-los de fora. Se nos pegassem, Joseph talvez os deixassem fora disso por não saberem de nada.

Seria ótimo se os rebeldes simplesmente deixassem-nos entrar sem ter que passar pela revista. Mas isso não ocorre.Seguimos até o mesmo local da última vez. Os rebeldes já se arrumavam dentro do lugar para ouvir a mim e a Scott.
– Acha que vão apoiar a invasão?
– Não vejo porque não. Querem isso a tempos.
– Certo.
O líder deles nos levou ao nível mais elevado do local, ficar em foco.O plano era distrair com uma suposta invasão na cede dos habilidosos, para acabar com os guardas. Enquanto isso, Scott e eu entramos no palácio e procuramos a sala com os documentos da cidade, dos moradores do lugar, da família real...E aproveitar para explicar a Anna o que ela deve fazer.

***

O alarme da cidade tocou, quando a "invasão" à cede aconteceu. A maioria dos habilidosos, guardas e soldados que ficam no palácio foram ajudar a conter o ataque. (Mas é claro que ainda tinham alguns fazendo a segurança do palácio.)
Eu e Scott tentamos entrar pelos fundos, atirei dois dardos nos seguranças e eles cairam no sono iguais anjinhos.
– Scott, onde fica a sala dos arquivos?
– No andar de baixo. — ele disse mirando a arma de dardos para um outro guarda.
– Andar de baixo? Já estamos no último andar, existe...
– Sim, existe uma passagem secreta. Eles não são bobos, Natalie. — ele disse.
Continuamos a caminhar por dentro do palácio e Scott apertou um botão em uma parede comum, e uma porta se abriu revelando um lugar escuro, com uma escada para descer.
– Scott... — fiquei apavorada. — Podia ter uma vela pelo menos, não acha?
– Está com medo?
– Umm... — voltei a olhar para o lugar secreto e assenti.
Ele riu.
– Não tem graça! — falei irritada.
– Venha, antes que nos peguem. — ele me puxou tentando segurar uma risada. Revirei os olhos.
Entramos no lugar sombrio e a porta se fechou.
– Eu...Não...Estou enxergando nada. — falei dando pausa entre as palavras. — Isso não é legal.
Ouvi um barulho e gritei, não tão alto. E logo uma luz se assendeu. Scott tinha pego uma lanterna, não sei da onde ele tirou, mas agradeço por não ter que continuar andando nesse lugar sem luz.
Descemos aproximadamente quinze degraus, e tinha uma outra portinha que estava destrancada. Abrimos e entramos.
– Aqui. — ele disse segurando minha mão.
– Como você descobriu esse lugar?
– Quando eu era pequeno, brincava com Philipe e Anna de pique esconde. — sorriu. — Então sem querer, acabei apertando um botão e descobrindo esse lugar.
Sorri.
– Vamos começar a procurar esses papéis, não temos muito tempo.
– Não precisa procurar, eles estão juntinhos em um canto especial. Joseph fez questão de guardá-los atrás daqueles livros. — ele apontou e fui correndo pegar os arquivos.
Eram exatamente o que precisávamos.
Ouvimos um barulho de novo, e desta vez era de alguém descendo as escadas.
– Ai meu Deus! — sussurrei e peguei a arma.
– Não! Abaixe isso, deve ser Anna.
A pessoa se aproximou, e era Anna.
O lugar ficou mais iluminado com as outras duas lanternas que ela tinha trazido. Scott a abraçou com força e disse que estava com saudades da irmã.
– Que saudades! — disse Anna com a voz doce e me abraçando.
– Também estou com saudades. Como estão as coisas por aqui?

– Complicadas. – a soltei e acho que por puro costume, arrumou o vestido. – Sabem que estão correndo perigo no momento, não sabem? Rei Joseph colocou todos que podia atrás de vocês.Suspirei.
– Sabemos Anna. Por isso temos que sair o mais rápido possível daqui.
Scott pegou o que devíamos, levamos Anna conosco e a deixamos com as outras em um abrigo.Pegamos o corredor mais vazio que tinha, não queríamos atenção com certeza. Se nos vissem no palácio estávamos apenas fazendo a segurança, mas há um, porém; não fazemos parte da guarda oficial do rei ou do palácio. E uma razão para nos prender? Estávamos carregando informações sagradas sobre Joseph.Alguns guardas passaram por nós, assim como rebeldes também. Mas nenhum demostrou interesse em nós dois.Passamos pela entrada do palácio e nossa sorte se foi.Um dos guardas gritou:
– Vocês estão sobre o poder do rei! Obedeçam-no!
– Se pararmos, seremos presos e executados depois. – sussurramos.
– Se não pararmos, seremos mortos agora. – lhe garanti.

Notas finais
Espero que gostem e comentem para que possamos continuar :)