Só Agora - Por Esme Cullen
1 Talvez você perceba que eu nunca vou deixá-lo ir.
Notas iniciais
– Eu me lembro daquela cena com muitos detalhes. Para ser sincera, Doutor, eu jamais me esquecerei do rosto de meu pequeno filho morto. ._ Esme sorriu entre varias lágrimas que lhe caiam sobre a face. Ajeitou-se no divã, não gostava de vir ao analista, sabia que sua dor não era superável. Esme não iria esquecer.
– Sra. Cullen, você sabe que a culpa não foi sua. — dissera o Doutor, mas Esme balançou a cabeça em negação.
As lembranças do dia da morte do pequeno Harry vinham em sua mente com freqüência. Na maioria das vezes em pesadelos. Era sempre a mesma coisa. Uma floresta, o bebê de 8 meses corria em direção ao carro e na outra, ele já estava no chão, desfalecido.
Não agüentando a dor da lembrança cenas, a mulher pediu para ir embora, e o médico permitiu.
Esme então foi para o único lugar que lhe dava paz, o cemitério onde Harry fora sepultado.
Sob o céu calorento da tarde de Nova York, a mulher se sentou sob a grama de frente ao local que seu bebê dormia tranquilamente.
– Oi Harry... — Começou ela, a voz embargada pelo choro. – É a terceira vez que venho aqui desde as 3 semanas de sua morte, eu... Não consigo te esquecer meu filho. E a dor que eu senti ao vê-lo morto, nunca irá passar. Carlisle está trabalhando, por obrigação, claro. Ele esta muito mal...
Baby
Tanto a aprender
Meu colo alimenta a você e a mim
Deixa eu mimar você, adorar você
Agora, só agora
Por que um dia eu sei
Vou ter que deixá-lo ir!
– Eu estava pensando sabe, será que eu não era digna de cuidar de você? De poder te amar, te mimar, de deixá-lo se alimentar do meu colo? Oh Harry, por mais que eu soubesse que um dia eu teria que deixa-lo ir eu... Não sabia que seria tão rápido.
Sabe, serei seu lar se quiser
Sem pressa, do jeito quem tem que ser
Que mais posso fazer?
Só te olhar dormir
Agora, só agora
Correndo pelo campo
Antes de deixá-lo ir!
– Seu rostinho... Eu jamais esquecerei... Seus cabelos claros iguais ao do papai, sua pele branca e macia. Tantos momentos que eu não quero esquecer. E não vou esquecer, eu sei. Lembra quando fomos ao parque? Você estava aprendendo a andar, tão lindo, eram os seus primeiros de muitos passos...
Muda a estação
Necessário e são
Você a florecer
Calmamente, lindamente...
Esme baixou a cabeça sobre as pernas e não agüentou a dor que sentia, queria gritar, xingar a todos os céus por terem lhe tirado Harry, aquilo era injusto, cruel.
“Ele só era um bebê! 8 meses!”
Ao sentir um par de braços lhe apertarem em um abraço carinhoso, a mulher desabou mais ainda. Carlisle seu marido afagou seus cabelos, tentando trazer algum conforto a Esme.
– Porque Carl? ._perguntou ela, envolvendo-se no abraço do esposo. – O nosso bebê!
– É o que eu me pergunto diariamente, Esme... ._respondeu o homem, que estava com a expressão sofrida, não suportava ver sua amável esposa. – Vamos, nosso pequeno Harry esta descansando em paz.
Esme não queria ir. Por ela, ficava o dia inteiro ali, mas sabia que tinha que ir embora. Se ficasse mais um minuto ali, sem duvidas iria pedir pra levarem-na com o bebê.
Pegou a rosa branca que estava em sua mão e colocou por cima da sepultura de seu bebê.
Mesmo quando eu não mais estiver
Lembre que me ouviu dizer
O quanto me importei e o que eu senti
Agora, só agora
Talvez você perceba
Que eu nunca vou deixá-lo ir!
Que eu nunca vou deixá-lo ir!
Eu não vou deixá-lo ir!
“Eu não vou deixá-lo ir!” – Repetiu Esme, como se uma oração. E sobrou-lhe apenas a dor da saudade.
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