Sídhes

1 O humano.


Notas iniciais
- Capitulo betado pela Oficina Literária. Ah meu deus, finalmente postei essa historia! Não sei quem tava mais ansiosa, se eu ou a Jemima hauhsuha. Mima é a pessoa que me ajudou muito com essa historia, vcs não tem ideia o trabalho que deu. Bom, tomara que gostem, comentem, aceito criticas construtivas. Principalmente sobre minha narrativa.

Eu vi um humano.

Isso é improvável, eles foram extintos 100 anos atrás pelo Clã dos Demônios. Eram um povo tolo, pensavam que eram os únicos a viverem no universo, se achavam superiores quando na verdade estavam no menor grau da hierarquia do universo. Mas eu tenho certeza de que vi um, mal posso acreditar nos meus olhos.

Eu sou uma Sídhe, do Reino Cottingley. Somos comandados pela Rainha Aine, Senhora das Colinas, Filha do Mar, Rainha Radiante das Fadas, Deusa do Sol. Sídhes sempre existiram, mas os humanos nos chamavam de mitos e lendas, na Terra nos chamavam de Fadas.

Existem muitas dimensões, vários mundos, reinos e espécies. Eu sou uma entre milhares, tem aquelas que se sobressaem mais e as que são tão fracas que o universo não perturba seu tempo de existência, como a espécie humana. Como eles eram fracos e achavam que éramos apenas fantasia, não sabiam o que temer e começaram a destruir o lar deles. O Clã dos Demônios matou somente uma fração dos humanos, a maior parte foi morta pela própria raça. Poluição, guerras, praga... Foi o que ocasionou a destruição de 2/3 da raça humana, os Demônios queriam um lugar para eles, um planeta que os levasse a todas as dimensões, então invadiram a Terra.

Por isso eu digo que é impossível ter visto um humano, ainda mais aqui em Cottingley. No nosso reino só vivem Sídhes e nós somos um pouco diferentes. Temos asas. Ainda assim, decido ir ao lugar onde o vi.

Eu estava quase no final do bosque, caminhando lentamente. O sol estava quase para se pôr, eu teria que voltar voando. Atravessei a última árvore, abri as asas e voei até o final da clareira, onde as árvores começavam de novo e já se podia ouvir o ruído do rio. Eu desci lentamente perto de uma árvore majestosa, com o tronco vermelho e folhas azuis, me escondi, agachada, e esperei. Lá na frente, perto do rio, eu o vi. Ele estava acendendo uma fogueira sem importar-se em olhar ao redor, em uma de suas mãos havia um galho no qual ele provavelmente iria colocar o peixe que estava em uma folha no chão. Ele se agachou em frente ao fogo, colocando de um jeito o peixe para assar. Meus olhos se moviam pelo sujeito, ele era estranho, mais que qualquer criatura que já vi. Não tinha nada de extraordinário, era alto e largo, mais que eu, provavelmente, o cabelo era negro como a noite e sua pele era parda como a terra, eu ainda não havia visto seu rosto. Queria saber como ele era, se era real.

Agachei-me lentamente, sentando na grama, e fiquei assistindo o humano. Ele se levantou e foi até o rio, enchendo com água um tipo de vasilha e virando-a quase toda de uma vez ao beber. Com o restante ele molhou o rosto, se virou para voltar até a clareira e eu me assustei, quase fazendo barulho. O rosto dele era algo inesquecível, por várias razões.

A primeira era uma linha grossa, que ia de sua sobrancelha até o queixo, os seus olhos castanhos pareciam frios mesmo daquela distância e sua boca era uma linha dura que demonstrava malevolência.

Eu tinha que sair daqui, mas como? Se eu voar rapidamente ele vai ouvir minhas asas, se eu for andando posso quebrar um galho e fazer barulho. Não tem jeito, vou ter que esperar os guardiões.

Controlo minha respiração e me concentro em não fazer barulho, eu tinha que enviar o sinal aos guardiões sem ele ver, teria que ser no momento exato. Eu demoraria uns 10 segundos para falar o feitiço e eles chegariam dentro de 20. Eu teria que fazer o feitiço e voar o mais rápido possível daqui.

Muito bem, vamos começar. Por favor, venham rápido.

— Elemento do ar, eu te invoco, venha até mim e me ajude agora. Eu te invoco elemento, escute minhas palavras e leve até os Nephilins o que eles precisam saber — eu falava baixo, em um sussurro, meus olhos fechados. Eu sentia o ar ao meu redor, ele girava levando meus cabelos e fazendo cócegas na minha pele. — RUBRUM ERECTI! — Abri meus olhos e gritei, na minha frente estava o humano. O vento ao meu redor sumiu, eu consegui. Mas o humano que estava na minha frente me olhava com raiva e um sorriso mordaz. Ele me levantou pelos punhos com uma só mão, pressionando-me ao tronco da árvore, olhou para as minhas asas e sorriu. Ele sabe o que eu sou.

— Uma fadinha! Que ótima surpresa, eu estava querendo brincar um pouco mesmo. Muita sorte sua, você é a escolhida! — Ele mostrou um sorriso medonho até que uma luz o acertou e ele caiu de costas. Eu me levantei, apoiando-me na árvore; ele machucou meus punhos, estava doendo. O humano levantou e os Nephilins que estavam atrás de mim atacaram de novo; uma luz apareceu, acertando o humano no peito. Eu olhei para trás e vi dois Nephilins andando calmamente com suas armas, um deles estava com um arco e o outro, com uma espada. Entendi, a luz vinha do Nephilim com arco, que conseguia juntar magia o suficiente para se tornar uma flecha.

— Foi você quem deu o alerta? — o Nephilim com a espada perguntou e eu acenei em resposta. — Volte para casa. Voando — ele simplesmente disse. Seu cabelo branco típico de Nephilim ia até a um pouco abaixo do ombro e seus olhos violetas me olhavam com desdém.

— O que vocês vão fazer com ele? É só um humano.

— Não é da conta de um Sídhe! Isso é assunto de Nephilim. — Senti o meu rosto esquentar quando o cara da espada falou isso, mas o outro interveio.

— Calma, Gajeel, não precisa ser bruto. Minha querida, nós vamos levá-lo para a prisão e depois ao seu mundo. Agora, por favor, queira ir. É perigoso para uma linda e jovem Sídhe andar por aí sozinha. Vá e tenha cuidado. — Olhei para ele, seu cabelo era loiro e ia até abaixo da cintura preso em um rabo-de-cavalo, tão claro que quase parecia branco, seus olhos eram azuis. Ele sorria para mim.

— Tudo bem. Deixo com vocês. — Abri minhas asas e comecei a voar para casa. Não queria mesmo saber de nada dos assuntos dos Nephilins, eles me enojavam, davam uma de mocinhos, mas eram os que mais humilhavam os Sídhes, sentindo-se superiores.

Após atravessar o bosque e chegar ao limite da cidade, aterrissei na trilha que havia naquele lugar, que me levaria de volta à minha vila, uma das mais próximas a cidade real. De onde eu estava ainda dava para ver as árvores do bosque, apesar de elas começarem a ser substituídas por uma paisagem mais aberta. Eu olhava para o chão, meu cabelo, que é vermelho como fogo, caía em ondas de um mar escarlate pelo meu rosto, meu pulso estava marcado onde o homem havia me prendido, o vergão avermelhado contrastava com a minha pele parda como a terra da trilha. Olhei para o céu e já estava clareando, a luz do sol transformando o azul cobalto em tons mais claros, da cor dos meus olhos, um azul mar. Senti o ar ao meu redor começar a esquentar e percebi que estava com frio. O ar me lembra as minhas asas, que são quase translucidas, mas muito resistentes.

Eu sou feita basicamente dos elementos fogo, terra, água e ar. Controlo também o quinto elemento, apesar de não saber em que isso me influencia, se é na aparência, como os outros, ou na personalidade. Já até mesmo cogitei que o espírito se manifestava em minhas orelhas pontudas, pois elas conseguiam escutar tudo, mas deve estar relacionado ao ar. Então escutei um gemido.

Não, Eileen, da última vez que você viu algo inusitado, se deu mal. Minha intuição gritava isso, porém sou teimosa e fui na direção do gemido. Vai que é um Sídhe precisando de socorro... Eu tenho o poder da cura, graças ao elemento Ar. Aproximei-me de uma gruta, onde eu já podia ouvir mais claramente, era com certeza alguém pedindo socorro. Agachei-me e entrei no lugar, que era bem pequeno e provavelmente só cabia a mim, vi o fogo apagado e uma pessoa deitada agonizando.

Estiquei minha mão para a fogueira e reacendi as chamas com meus poderes, a gruta se inundou com a luz e a minha sombra se projetou sobre a pessoa que estava ao lado do fogo. Ele não notou minha presença, devia estar delirando, era outro humano e estava morrendo.

Agora, eis a questão: salvo ou não salvo? Chamo os Nephilins? O que eu faço, Minha Senhora? Ajude-me a ter sabedoria, Rainha Aine.

Notas finais
Bom, eu devo postar o proximo capitulo na proxima semana, deem uma passada no nyah! Se gostaram da historia, porfavor, me falem, senão vou pirar!! Obrigado por ler ♥