Notas iniciais
Boa noite!!! Até sabado. Espero que estejam gostando

Savannah

O Bar está vazio, não sei bem o que Tom que tanto falar comigo, mas com Helen doente pode ser qualquer coisa, quem sabe ele quer ficar uns dias fora? Não seria a primeira vez que viaja para ficar com o filho.

— Chegou. – Ele surge vindo de sua casa nos fundos. Tiro meus olhos das contas que precisam ser pagas, o fornecedor ligou mais cedo, ele tem até o fim do dia para fazer o pagamento.

— Me chamou, então... sim, cheguei, está bem, Tom?

—Muito, só um momento, eu volto para falarmos. – Tom me deixa no bar, sai pela porta da frente, ele está mesmo velho e começa a ficar meio doido, volto minha atenção aos papeis, leva um tempo até a sineta tocar mais uma vez anunciando sua volta.

— Tom está me deixando curiosa. – Deixo o balcão, caminho até ele ao lado de uma mesa no centro do salão, um olhar mais detalhado e percebo sua leve tensão. – Tom, o que está acontecendo?

— Savannah, sabe como a respeito, como tenho apreço por você e sua irmã. – Meu coração alerta para problemas, procuro controlar a respiração para não surtar enquanto ele da voltas e mais voltas. – Eu sempre admirei sua força de vontade e sempre torci por você, mas você sabe que Helen não está nada bem, sabe que meu filho anda exigindo que nós dois deixemos Nova York. Eu não tive escolha. Realmente não tive. Vendi o Paradise.

O choque me toma todo o corpo, abro a boca querendo dizer algo, mas não sai nenhuma palavra, é inacreditável, uma piada horrível, não pode ser verdade, o universo não vai parar nunca de me castigar? O que diabos eu fiz para tudo dar sempre errado?

—Isso é uma brincadeira?

—Infelizmente não.

—Vendeu? Vendeu quando? Como? Quem compraria um bar sem jamais vê-lo?

— Ele viu, eu mostrei o bar, na verdade, duas vezes.

—Tom... como?

—Logo pela manhã, as duas vezes pela manhã.

—Pelas minhas costas você quer dizer, escondido. – Odeio que as lágrimas corram, não é a venda, é me tirar toda chance, fazer as escondidas. Seco o rosto por pura teimosia, mais lágrimas correm.

— Um pouco, sabia que se oporia e tentaria me convencer, sabia que sofreria e eu não tinha escolha. Quis poupar você.

—Não quis, não me deu a menor chance, se eu soubesse... – Não haveria nada a ser feito, nada, não teria onde conseguir o dinheiro.

— Savannah, você sabe que não poderia levantar o dinheiro. Sinto muito. – Não, eu não poderia, mas eu devia ter a chance de tentar, se não por direito, por amizade, por todas as noites que dei meu sangue por esse lugar, por tudo que fiz para o Bar Paradise sobreviver nos últimos anos.

Deixo as lágrimas de lado, elas não servem para nada, é meu inferno astral, ou apenas a droga do fim dos meus sonhos e ele ou qualquer pessoa não tem nada com isso. Sempre soube que sonhos eram tolices, trabalho, esforço, isso nos leva a algum lugar, sonhos não.

—Sabe o que me magoa, Tom? Se tivesse me dado uma chance, se tivesse conversado comigo... no fim, quando eu me desse conta que você precisava do dinheiro e eu não poderia comprar o bar, ajudaria você, eu mesma ajudaria você a vender, mas você preferiu simplesmente me deixar de fora.

—Não pense que estou feliz, não pense que gosto de deixar o bar e minha casa, vivi aqui sessenta anos, mas esse é o meu fim, você é tão jovem, ainda vai conquistar muitas coisas.

—Não o Paradise. – Digo com toda a magoa evidente. O coração apertado, doente, sem saber o que fazer a partir de agora, com minha irmã para cuidar, com uma longa vida pela frente e nenhum novo objetivo.

— Outro, qualquer um, não importa, sei que vai conseguir. Apenas não agora.

— Quando... quando tenho que deixar o bar?

— Não tem, ele não vai demiti-la, por um ano tem estabilidade, foi algo que exigi, eu sei que está muito brava comigo agora, mas foi tudo que consegui fazer por você.

— Tom... – Não sei o que dizer, não é como se sentisse gratidão, acho que devia, o bar é dele, ele faz o que quer, eu não tinha que me chocar tanto, me magoar tanto, mas era sobre o sonho de toda uma vida.

—Sinto tanto, eu não queria de modo algum sair daqui brigado com você.

—Sair? Está saindo... agora?

— Estou, eu tenho que ir, meu filho veio me buscar, tudo está resolvido, malas prontas, Helen está agora mesmo no aeroporto, ela foi mais cedo, por que eu tinha que falar com você e não queria que ela assistisse a isso.

—Achou que eu faria uma cena? – Mais lágrimas.

—Não, sua dor, a tristeza, isso eu não queria que ela visse, sei o quanto se gostavam. Sinto muito.

— Também sinto, Tom. Diga a Helen que agradeço o carinho e a ajuda com Dakota, desejo que ela supere essa doença e que vivam bons momentos. Boa sorte. – ele parece ainda mais velho, olhos cansados, eu não sou o tipo que faz escândalos e se revolta, eu vou me erguer, eu vou voltar a ter objetivos, não hoje, mas algum dia.

Ele me estende a mão e depois de quase dez anos dividindo sonhos com Tom, não posso deixar de apertar sua mão na despedida, nem sei se um dia vamos voltar a nos ver.

— Obrigado, Savannah. Quero que conheça o Ethan. Ele está aqui, de mudança. Acho que posso apresenta-los.

Não gosto dele só de saber que já está aqui, que nem mesmo vou poder chorar sozinha no Paradise, que não posso me despedir desse lugar e do meu sonho em paz.

— Estou aqui, Tom. – O homem surge, ele é alto, rosto anguloso, olhos escuros, não consigo analisar mais do que isso, estou cheia de fúria, magoa, rancor, medo do futuro, tantas coisas.

—Estava me ouvindo conversar com o Tom? – Pergunto chocada. Ele balança a cabeça em uma afirmação. É perturbador saber que ele me conheceu em minha maior fragilidade, que não teve se quer o respeito de nos deixar realmente a sós.

—Não exatamente tudo, umas partes. Não sabia se devia entrar ou não.

—Eu tenho que ir. Meu taxi está esperando tem tempo. Boa sorte, Ethan, espero que se entendam. – Tom diz apressado, tanto tempo juntos e ele parece disposto a correr como um ladrão. Sua mão toca meu ombro, os olhos se prolongam sobre mim um segundo e então acabou. Tom me dá as costas e caminha para longe do Bar Paradise, sua vida toda vivida aqui e ele simplesmente não encontra dificuldade em partir e queria sentir raiva, mas sinto apenas magoa e eu nem sei se dele ou de mim. No fim, talvez eu tenha muito mais culpa do que ele.

Eu fracassei, eu sonhei em vão, eu me permiti ser roubada, não era muito, não era nem perto do que eu precisava, mas era parte do meu sonho que não protegi como devia.

Me sinto esgotada, quando me força a tirar os olhos da porta e encarar o homem a minha frente só sinto vontade de chorar e me esconder. Só que Savannah Jones não se comporta assim, então eu engulo minha angustia, ergo meu queixo e encaro o homem que roubou meu sonho.

—E ele... foi. – Ethan comenta como se não soubesse bem o que dizer.

— Uma pena que não foi o único. – Não sei nem porque estou atacando Ethan, mas estou furiosa com ele.

— Não tinha a menor ideia que queria comprar o bar, mas pelo que entendi, não tinha dinheiro, então eu não roubei sua vez, eu comprei porque podia, mas sinto de qualquer modo.

—Isso não muda nada. É o novo dono.

—Sou.

— Estou a suas ordens, é você quem decide. – Cruzo os braços no peito e olho para ele em um tom de desafio. Ethan fica calado um momento como se estivesse decidindo coisas, leva tempo até responder e espero paciente.

—Não posso demiti-la, mas pode ir quando quiser, a porta está aberta, se não está contente, é isso, basta pedir demissão.

— Pedir demissão? E porque eu faria algo assim? – Continuo a encara-lo e se tem uma coisa que decido, a única certeza que tenho nessa vida é que não vou sair por essa porta por minha própria conta, ele vai ter que me expulsar se quiser.

— Por que está infeliz no trabalho?

— Não, eu não estou, eu estou ótima, na verdade, estou exultante, agora que não cubro mais o Tom dia e noite, vou ter muito mais tempo livre, senhor...

—Callen, Ethan Callen, mas apenas Ethan, vamos nos aproximar, se não se importa senhorita Jones, gostaria de chama-la apenas de Savannah e tentar realizar um bom trabalho aqui.

— Me irrita pensar que leu meu nome em uma droga de contrato, que sabia que estava assinando um papel para não me demitir e nem se quer pensou na razão.

—Tom me explicou. Você é uma funcionária antiga e eu devia dar alguma estabilidade até acertar sua vida e da sua irmã. Tem uma irmã, não?

—Tenho, ela vai para faculdade em breve, nós sonhamos em comprar o bar e construir aqui nossa vida e agora está tudo acabado.

— Você é muito radical.

— Está disposto a me vender o bar? – Pergunto a ele, Ethan nega sem nem pensar muito.

— Investi tudo que tinha, não sou rico, trabalhei toda a minha vida, guardei meu dinheiro e então...

—Acha que não fiz isso? – Me sinto ofendida, eu sei que tudo que ele disser hoje vai me ofender.

— Estou respondendo sua pergunta, que diabos, qual seu problema comigo?

—Comprou meu sonho! – Aviso em um tom mais ríspido do que devia, ele suspira, passa as mãos pelos cabelos, dá uns passos pelo bar, parece cansado, eu também estou.

—Comprei minha paz, moça, não seu sonho, é como eu disse, pode ir se quiser, tudo que tenho está sob esse teto agora e não vou a lugar nenhum, pode ficar ou pode ir. – Ele aponta a porta sem imaginar que isso parte meu coração ao meio. – A decisão é sua.

—Exatamente. Minha e eu não vou a lugar nenhum. Vou ficar aqui e será um longo ano.

—Está aí algo que não duvido.

—Ótimo! – Digo erguendo o queixo.

—Perfeito. – Ele me imita e nos enfrentamos um longo momento, não me movo, não digo nada, não desvio os olhos, não perco essa por nada no mundo. Estou aqui. Ele que dê o primeiro passo. – Acho que podemos trabalhar então. – Ele diz por fim.

—O senhor é o dono, dê suas ordens.

—Ordens?

—Sim, acho que vai querer organizar as coisas a seu modo, eu preciso de uma escala de trabalho, não?

— Sim? – Ele diz indeciso.

— Quantos bares já teve antes desse? – Um leve cintilar em seus olhos responde minha pergunta e me dói pensar que tudo que quis foi erguer esse lugar e ele agora deve terminar de afundar.

—Nenhum, mas eu sou alguém que já frequentou alguns por aí.

— Puxa, deve ser mesmo igual. Volto as seis. – Dou as costas a ele, preciso de espaço e ar, pela primeira vez na vida, estar dentro do Paradise não me trás paz e sim dor.

A porta bate atrás de mim e não consigo pensar em nada além de caminhar para longe de tudo. Dakota está na escola, Serena as voltas com Andy e Dominique deve estar dormindo. Ainda é cedo para reuni-las e me sinto abatida demais até para colocar em palavras para quem quer que seja que fracassei.

Ando pelas ruas de Nova York, não vejo realmente as pessoas, apenas gasto energias caminhando e procurando não chorar, eu perdi e perder algo como o maior sonho da vida dói infernalmente.

Só consigo pensar no esforço que sempre fiz, o bar não era meu, eu trabalhava horas e horas para mantê-lo quando podia estar quem sabe estudando, me profissionalizando, ou talvez pudesse ter partido quando ele foi caindo e caindo, como todos que já estiveram nesse lugar, todos abandonaram o barco e eu fiquei, fiquei porque acreditava e o Tom esqueceu disso, esqueceu de tudo e não posso odiá-lo por que ele é um idoso com a esposa doente e eu não tinha o dinheiro e ele sabia disso.

Me sento em um banco do Central Parque, engulo a dor, encaro as pessoas em torno, tento controlar as lágrimas até me dar conta que ao menos uma vez na vida eu posso me dar ao luxo de me entregar a dor.

Cubro o rosto, uma crise de choro me toma, ninguém que vai e vem pelo Central Park parece se importar, eu não vejo nada além da minha dor por longos minutos e ninguém mais vê.

Dois golpes em dias seguidos, é difícil de suportar, os Jones são mesmo um fracasso. Domo minha dor, engulo o choro, a angustia e me refaço. Por mim, por Dakota, pelas garotas Paradise que se envergonhariam da minha atitude eu me refaço. Seco minhas lágrimas, limpo meu rosto, ganho um olhar curioso de duas moças que caminham apressadas.

Se fosse o oposto, acho que pararia para ajudar. Hora de me movimentar. Deixo o parque sem pressa, agora olhando para as belezas do lugar e buscando paz.

Devo estar péssima e o homem não vai me ver assim, sigo para casa, disse que voltava as seis, até lá, da tempo de me recompor e sei lá, pensar em uma estratégia de convivência.

Dakota está na casa do namorado e só volta às oito, acho que é bom, ela estava feliz demais com a chance de completar seus estudos. No fim, não é assim tão ruim, ao menos Dakota vai poder estudar.

Tomo banho, seco os cabelos, raramente faço isso, mas dessa vez, eu os arrumo com cuidado, faço uma maquiagem, nada forte, mas apenas o bastante para esconder toda minha dor, uso calça preta, a camisa branca preferida, botas de cano curto.

—Brincos, Savannah, Dominique sempre insiste em brincos para dar brilho e jovialidade ou sei lá, ela mistura as línguas.

Faço uma refeição, ovos, queijo e bacon, com direito a uma taça de sorvete de chocolate de sobremesa. Agora me sinto pronta para enfrentar a noite que vem a seguir.

Pego o telefone, vou contar a Dominique, amanhã conto as outras. Ela ao menos vai se indignar.

— Dominique. Tom vendeu o bar.

— O que? Como assim? Para você? – Que dor. Nego com um movimento de cabeça, me lembro que é um telefone.

— Não, para um estranho, o homem assumiu hoje, se mudou para os fundos, é dono de tudo agora, meu sonho... acabou.

— Nada acabou até que decida isso, ainda pode comprar dele, ou quem sabe... se lembre do plano da pá?

—Dominique...

—Pá é ruim, entendi. Incinerar?

— Dominique! – Ralho com ela. Escuto seu suspiro. – Estou indo trabalhar, sei lá, não tenho certeza, eu vou...enfrentar isso, ao menos os estudos da Dakota estão garantidos.

—Entendi. Está indo para o Paradise, o nosso Paradise, eu vou encontra-la mais tarde, chorou? Xingou o bastante para se acalmar? Bateu no novo dono?

—Claro que não. Tenho que ir. Só... queria colocar isso em palavras para ver como seria, dói infernalmente.

—Eu vejo você mais tarde. – Desligo, um quarteirão, faço questão de empurrar a porta as seis em ponto. O que vejo é uma pequena bagunça. O homem tentando fazer um drink, a pia toda suja e o salão ainda vazio.

—Finalmente. Escuta, o fato de não poder te demitir não quer dizer que pode fazer o que quiser. Eu acho. – Ele diz firme. Não grita, apenas reclama atrás do balcão e no fundo, gosto que ele não saiba o que fazer, me sinto de novo importante.

—Faça uma escala e dê suas ordens. É simples! – Digo olhando para ele sem medo. Ethan é um homem muito bonito, olhando agora vejo que parece o tipo de homem que eu gostaria em outras circunstancias, mas o que sei disso? Meu último namorado me roubou sem qualquer cerimônia, o fato de acha-lo atraente até o desabona ainda mais.

—As coisas não são assim, me diga como trabalhava antes e vamos ver se tudo fica igual.

— Igual? Quer que tudo fique igual? Pois antes eu trabalhava em todos os turnos praticamente, eu abria e fechava esse lugar, eu dava meu sangue, minha alma para o bar Paradise. Acho que não preciso dizer o que ganhei com isso.

— Moça, se essa sua raiva passar me avise, acho que não vamos conseguir trabalhar juntos assim, mas vamos lá, está livre para me apresentar sua nova escala e vejo como encaixo as coisas, O que quer?

— Quero o bar Paradise, quero criar drinks sem sua intromissão, quero a casa cheia e você longe e quero que aquela mesa seja sempre reservada para minhas garotas Paradise como sempre foi meu sonho! – Grito com ele e enquanto me obrigo a me controlar escuto a sineta.

— Quer uma mesa reservada para suas namoradas? – Ele diz espantado.

— Suas namoradas não! – Dominique surge apressada e eu a amo, amo todas elas. – Sua namorada. Singular porque sou ciumenta. – Ela me olha de cima a baixo, pisca sensual. – Está linda hoje, amor.

— Dominique, esse é Ethan, o novo dono do Paradise. – Digo sem ânimo e sem alcançar o que Dominique acaba de criar.

—Se eu não tivesse que odiá-lo pelo que fez diria que é bem bonito.

—Que? – Ele fica completamente constrangido.

—Vem, querida, vamos nos sentar. – Ela pega minha mão. – Está gelada. Serena está chegando. Ethan, meu champanhe.

Dominique me arrasta até nossa mesa, me sento, o homem continua parado sem saber o que fazer enquanto Dominique se senta comigo sem soltar minha mão.

— Estou bem, Dominique. É só... você sabe, tudo que tem acontecido, tudo de uma vez.

—Eu sei, estamos aqui. Vamos pedir dinheiro ao Theodor e comprar o bar.

—Dominique, ele vai pagar a faculdade, nunca pediria.

—Tá, eu peço, eu sou boa em pedir dinheiro, eu realmente já me acostumei e eu sei lidar com um não, “mama” diz isso todos os dias.

— Nem pensar. Dominique, isso está fora de cogitação, é questão definitiva. Não quero fazer algo assim. É errado.

—Seu champanhe. – Ethan deixa uma garrafa sobre a mesa, sem o balde de gelo, sem taças, apenas a garrafa. – E caso não saibam, está vazio, posso ouvir tudo e o Bar Paradise não está a venda. Então não acho boa ideia pedir dinheiro ao Theodor. Seja lá quem for.

—Ethan, taças! – Dominique diz olhando para ele. O homem encara a mesa e então da meia volta de volta para o balcão.

—Cheguei. – Serena é a próxima a entrar, logo depois dela, dois clientes. – Isso é mesmo verdade. – Ela diz ao ver Ethan atrás do balcão. Balanço a cabeça e ela se senta ao meu lado abatida.

—Como você está?

—Devia estar trabalhando. – Ethan diz deixando taças sobre a mesa. – Mas é só a opinião de um estranho.

—Savannah! – Dakota invade o bar, é mesmo uma invasão, ela vem correndo. – O que aconteceu? Dominique disse que era para largar o Eric e vir.

—Mentira. – Dominique a corrige. – Disse para largar o traste e vir. Eu nunca uso o nome dele. Sabemos disso. Ninguém usa, só você.

—Não quero ser chato, mas vocês costumam pagar a conta? Por que se sim, tudo bem, o bar parece bem vazio, mas se não...

— Quem é ele? – Dakota questiona chocada.

—Ethan Callen, novo dono do Bar Paradise. – Ele estica a mão para Dakota, ela aperta sem saber o que dizer, posso ver sua tristeza e seu olhar ir dele para mim e voltar para ele sem qualquer reação.

—Dakota.

—Irmã da Savannah e menor de idade.

—Um pouco dos dois. – Dakota diz sem saber o que fazer.

—Eu diria muito dos dois. Sou um policial, mocinha, ou era, posso enxergar uma tramoia como essa a milhas de distância. Não vou permitir que beba.

— Puxa, sério? Entra na fila. – Dakota diz a ele. Policial. Claro que a coisa tinha que ficar ainda pior. Eu conheço o tipo, sei bem como vai ser trabalhar com ele, meu sangue ferve, mas me contenho, elas estão aqui, preciso do trabalho e não vou embora apenas para deixa-lo feliz, não mesmo, muito menos agora.

— Ótimo, acho que conhece o lugar melhor que eu, então vá até lá e pegue um refrigerante para você. – Não seja legal com ela, odeio que ele está sendo paciente e gentil, quero brigar com ele e o resto da humanidade e ele está estragando tudo.

Notas finais
BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSs