Notas iniciais
Boa noite!!! Bem espero que gostem do Ethan

Ethan

A luz da geladeira aberta é a única coisa a iluminar a pequena cozinha, encaro o espaço vazio de prateleiras de um homem solteiro, duas cervejas, um resto de queijo, dois ovos e meu distintivo.

— Meu distintivo? – O que diabos ele faz aí? Pego o objeto, solto o ar com força depois de joga-los sobre a mesa de dois lugares encostada na parede. Pego uma cerveja. Empurro a porta da geladeira enquanto abro a garrafa e a escuridão domina o ambiente.

Dez anos no mesmo ambiente, entrando e saindo, usando os mesmos móveis que já estavam aqui quando cheguei de Los Angeles, não preciso de luz para chegar a sala onde a luz da televisão ilumina o ambiente.

O rosto de Spencer toma minha mente. Ele me sorri sem saber que está prestes a morrer. Eu pedi que não fosse sem mim, disse que era perigoso.

Encaro o televisor sem me concentrar em nada, a mente voltada mais uma vez para o último dia de trabalho ao lado de Spencer. Parceiros por dez anos, ele me ensinou tudo que sei, ele foi o cara que teve paciência de ensinar o garoto de vinte e um anos a ser policial e com ele eu me tornei um detetive e investigamos homicídios por sete anos juntos.

Era um dia comum, só mais um caso de assassinato entre gangues, eu podia ter ido com ele, mas o capitão queria falar comigo e Spencer não me deu ouvidos. Viro a garrafa na boca e termino a cerveja em um só gole. Troca de tiros com bandidos, sozinho, sem cobertura, porque ele não queria esperar uma hora para irmos juntos, não resistiu aos tiros, quando chegamos, eu e mais meia dúzia de policiais era tarde, Spencer estava morrendo e não conseguimos salva-lo.

Foi há seis meses e ainda me atormenta. Tomei a decisão certa por mais que o capitão Marshall tenha tentado me dissuadir, não quero mais isso, não quero mais ser um policial e tomei a decisão certa.

Quando o dia amanhecer vou encontrar com Tom Ford e fechar negócio. Comprar aquele velho bar e torna-lo um bom lugar para caras como eu relaxarem depois de um dia difícil, rir com amigos, conhecer novas pessoas. O lugar é ótimo, só precisa de algum empenho para dar certo.

Tem que dar certo, investi tudo nisso, meu carro, todas as minhas economias e minha parte na casa dos meus pais em Los Angeles que Gary comprou. Meu irmão gosta de viver em Los Angeles, meus pais estão lá, a família de Lauren está lá, eles estão começando uma vida juntos, logo terão um filho e a casa faz sentido para eles.

Vai ser muito bom deixar esse lugar, me mudar para a parte de cima do bar, conheci o lugar tem uns dias, Tom quis que eu fosse logo cedo e gostei muito do lugar, a casa é boa, tem espaço e os móveis vão ficar quando Tom partir. O bar vai me dar dinheiro para viver e investir em suas melhorias. É isso, vai dar certo. O que não posso mais é entrar no distrito policial e encarar meus velhos companheiros.

Quero ficar longe do distrito, de toda a dor que é investigar homicídios e muitas vezes acabar ouvindo da promotoria que vão oferecer um acordo.

Meu pai não está falando muito sobre isso, sei que ele tinha orgulho do único filho que seguiu sua carreira, mas não consigo mais. Minha mãe está realizada, agora que meu pai se aposentou e quando deixo o departamento de polícia, ela fica livre de preocupações.

A televisão fica ligada quando vou para cama. Ainda demoro a pegar no sono, tem uma pequena parte de mim que sente um pouco de medo de um possível arrependimento, eu sonhei em ser policial toda minha vida.

O dia amanhece frio. Uma manhã gelada e nublada, não é nada promissor, que se dane, nunca fui supersticioso e policiais adoram rituais, quando se arrisca a vida todos os dias, é preciso se apegar a algo, mas eu nunca me apeguei a nada além dos meus instintos. Por mim, é um dia perfeito para fazer o negócio da minha vida.

Caminho a pé até o Bar Paradise, até que não sinto falta do carro, Jack está na porta a minha espera, uma mão no bolso do sobretudo e a outra segurando a pasta. Ele é advogado de metade do distrito até o Capitão Marshall usa seus serviços e aceitou fazer toda a transação para mim.

— O velho está esperando lá dentro. – Ele diz tirando a mão do bolso para apertar a minha. – Pronto?

—Sim, Jack.

— Ethan, não pode voltar atrás, é uma mudança radical, como seu advogado eu preciso alerta-lo. Quer mesmo fazer isso?

—Sim, sabe que sim, falamos mil vezes, é um bom preço, já vendi tudo que tinha, é o que eu quero. Só vamos entrar e assinar o contrato, está com o cheque?

—Tudo certo comigo, daqui o Tom nos acompanha e resolvemos tudo.

Abro a porta de vidro, uma sineta toca e gosto disso, algo que vai permanecer, lembra o glamour dos anos dourados do Bar Paradise.

Tom acena, vejo o velho tremor de seus dedos, é um homem cansado, com a esposa doente e decidido a deixar a cidade grande e ir viver com o filho não sei bem onde.

Foi uma sorte conhece-lo, uma conversa tola em uma fila na farmácia e aqui estamos, fechando negócio.

—Tom, como vai?

—Estava aqui pensando se viria. – Ele diz apertando minha mão.

—Claro que sim. Helen está melhor?

— Não muito, meu filho chega amanhã pela manhã, para me apanhar. Espero que ela aguente a viagem.

—Claro que sim. – Jack vai abrindo a pasta e arrancando folhas, me estende um maço de papel e outro igual para Tom,

— Esse é o contrato. Não foi muito difícil. – Jack avisa. – Basicamente é um contrato padrão, então é só assinarem. Ah! Já ia me esquecendo. Apenas uma clausula precisa ser observada Ethan, o Tom me pediu, disse que era importante e adicionei, agora é com você.

—O que? – Pergunto a ele, depois encaro Tom. – O que colocou aqui?

—Savannah Jones. – Tom me diz um tanto ansioso. – Boa moça, amiga, até me sinto traindo um pouco seus sonhos, mas eu realmente tenho que me dedicar a Helen agora, é um pedido simples. Savannah é gerente, na verdade, ela é a alma do Paradise. Chegou aqui aos dezenove anos, conhece esse lugar como a palma da mão. Não pode demiti-la por um ano. Só isso, ela tem uma irmã adolescente, são sozinhas, precisa de alguma estabilidade até conseguir outra coisa.

— E como vou convencer a garota a ficar?

— Ela pode ir quando quiser, é direito dela, Ethan. – Jack me explica. – Apenas você não pode demiti-la por um ano, então caso ela decida partir tudo bem, mas se ela quiser ficar, você mantem o emprego da moça por doze meses. Ela fica até fevereiro de Dois mil e treze. O que acha?

Encaro a linha onde a clausula está escrita, o que pode ser demais? Uma funcionária que entende do negócio pode até ser bom, além disso, se ela não gostar vai embora, é bem simples, posso garantir seu emprego por um ano, não quero ferrar com a vida de ninguém.

— Tudo bem, parece justo com a moça. Aceito isso, Tom. – O velho sorri pega a caneta e com alguma fragilidade, assina a venda. Assino também, entregamos tudo a Jack, ele aperta nossas mãos, guarda o documento na pasta e estende o cheque a Tom.

—Obrigado por isso, Ethan. Eu realmente preciso partir e não podia esperar mais. Helen é minha única razão de viver e estar perto do nosso filho vai ajuda-la a se recuperar. Tenho fé. Dediquei toda minha vida a esse lugar, vou sentir saudades, mas é melhor assim.

— Espero que Helen se recupere logo, Tom, foi bom negociar.

Apertamos as mãos. Eu dou uma boa olhada em torno, é muito promissor. Posso fazer esse lugar brilhar. Encher de gente, de vida, de música. Bar Paradise. Sim, esse lugar vai voltar a brilhar, não sei bem como, mas vai.

Tom me estende um molho de chaves. Pego um tanto ansioso e ao mesmo tempo assustado. Eu sei que é uma grande mudança, mas talvez seja a única chance de encontrar alguma felicidade, a verdade é que muito antes da morte de Spencer eu não estava mais satisfeito com a profissão.

— Partimos amanhã e pode se mudar, eu vou contar a Savannah e apresenta-los, sei que vão se entender, ela ama esse lugar, pode confiar em sua honestidade, com toda certeza.

—Tom, eu sou policial, eu não confio em ninguém com toda certeza, mas já prometi que ela fica, então não se preocupe com isso.

—Vai mudar de ideia sobre ela, pode apostar, são quase nove anos trabalhando aqui, chegou com dezenove como eu já disse, cuida de tudo para mim. Savannah pode lavar o chão, servir mesas e preparar drinks, não importa, tudo ela faz com o máximo de esforço.

— Eu vou ter que descobrir isso sozinho, Tom, mas obrigado de qualquer modo, vou levar suas palavras em consideração. Me mudo no fim do dia, não tenho muito, são só... roupas, livros e alguns documentos.

—Claro, amanhã logo de manhã falo com Savannah, essa é a noite dela com as garotas.

Garotas? Então ela gosta de garotas? Por mim tudo bem, dia dos namorados, é uma droga, mas se ela tem suas garotas que seja, estranho essas modernidades, tudo bem gostar de alguém do mesmo sexo, mas no plural é meio moderno demais para mim.

—Melhor eu ri. Foi um bom negócio, Tom. – apertamos as mãos, e Jack toca meu ombro.

—Te acompanho até lá fora. – Jack me sorri. – Volto em um minuto Tom.

Deixamos o bar, a sineta toca mais uma vez e sorrio pensando em como deve ser interessante ouvi-la tocar de minuto a minuto.

—Então, Jack acha que fiz um bom negócio?

— Espero que sim, pagou um preço justo para um lugar que pode ser bom no futuro, mas não é agora, inclusive vai ter que trabalhar bastante para fazer valer a pena, vai levar uns meses até começar a ter lucro, talvez mais. Investiu muito.

—Investi minha vida nisso, tudo, tudo que eu tenho, tudo que economizei, não sobrou mais do que mil dólares na minha conta bancária, o bar precisa dar lucro logo.

— Boa sorte. – Apertamos as mãos.

—Obrigado. Venha tomar um drink um dia desses. – Jack sorri.

— Conte comigo e alguns amigos, vamos ver se consegue fazer esse lugar brilhar.

—Tenho que ir. A despedida com o pessoal do distrito será mais cedo, é dia dos namorados e aqueles caras estão doidos para encontrar suas mulheres.

— Sei disso. Eu também tenho um jantar romântico marcado com a minha esposa.

— Noite de muita bebida e boas brigas, aposto em pelo menos um crime passional até o dia amanhecer. É sempre assim.

—Mas não será você a investigar o caso. Está bem com isso?

— Estou. – Aceno antes de me colocar em movimento. Passo em um café, compro rosquinhas e cafés de todo tipo. Está aí algo que se vê nos filmes e é realmente verdade sobre nós policiais, realmente tomamos muito café e amamos rosquinhas. Não há como negar. Nunca se entra em um lugar desses e não encontra um policial fazendo pedido.

Quando chego ao distrito policial um leve silencio paira no ar. Passo por um homem algemado esperando para ser fichado.

— Café pessoal! – Grito deixando tudo sobre a mesa do oficial Barnes, ele sempre detestou a mim e ao Spencer, está feliz por minha partida, nada melhor do que comemorar usando sua mesa. – Vamos, eu decidi isso, está tudo bem.

Os homens se aproximam ainda um tanto indignados, ninguém acreditava que eu faria mesmo isso, por um tempo acharam que era algum tido de depressão, mas não é, essa é minha decisão e eles acabaram por aceitar, ao menos alguns deles.

— Ethan, o capitão está a sua espera. – Suspiro. Hora de entregar o distintivo e minha arma, hora de me despedir dos caras com quem enfrentei perigos de todo tipo por tempo demais.

O capitão Marshall está sentado atrás de sua mesa com seu velho terno cinza chumbo amassado e com a gravata torta, por essas e outras que os caras por aqui estão sempre rindo pelas suas costas, ele é bom, realmente bom no que faz, mas é todo desajeitado.

—Capitão. – Bato levemente na porta, ele está ao telefone, me faz sinal para entrar, deve ser o comissário pelo tom formal com que responde as perguntas, ando pela sala olhando a decoração, um porta-retratos com a foto do grupo uniformizado no dia em que ganhamos uma medalha enfeita sua estante, Spencer sorri na foto, ele estava exultante, foi mesmo incrível, condecorados por bravura em campo.

Foi há cinco anos, antes disso, eles tinham recebido medalha em dois mil e um, pelos esforços no onze de setembro, cheguei apenas um ano depois e me lembro de como todos ainda estavam traumatizados, aos poucos a vida voltou ao normal, todo mundo nessa cidade perdeu um amigo, todo mundo tinha uma história incrível para contar sobre aquela manhã.

—Ethan! – Me volto e o capitão está atrás de sua mesa me encarando sério. – Não posso acreditar que está fazendo isso. Será uma grande perda. Você é nosso melhor homem.

— Não, eu não sou, seu melhor homem morreu em campo. Spencer era seu melhor homem, eu só... o seguia.

— Pode ser, mas depois dele eu acho que você é o melhor.

—Era. – Pego o distintivo e a arma e coloco sobre a mesa. – Capitão, eu tenho muito a agradecer, mas acabou para mim, já comprei o bar, tudo está definido.

—Eu já perdi um parceiro, Ethan e superei. Também vai superar.

— Sei que sim, mas acontece que não me faz mais feliz, não quero acabar em algum centro de reabilitação para policiais traumatizados, física ou emocionalmente, eu não sirvo mais para o trabalho.

— É uma grande perda, mas não posso convence-lo. Então só desejo boa sorte nesse novo jogo.

— Obrigado, aprendi muito com o senhor. Também quero agradecer a paciência, sei que estava sempre se encrencando por conta das minhas insubordinações.

— Sempre foi temperamental e impulsivo, que dupla você e o Spencer. – Ele ri, da a volta em sua mesa e me abraça, depois segue comigo para o café com a turma na sala onde ficamos cada um em sua mesa resolvendo casos, pesquisando, usando o telefone e fichando criminosos de todo tipo.

Depois de um café, algum riso e rosquinhas, o grupo vai se dispersando, cada um que se afasta se despede com um abraço e bons conselhos. Ainda ouço pedidos para repensar e no fim, posso seguir até minha mesa e esvazia-la com a consciência tranquila.

Fiz o meu melhor e saí antes que isso mudasse, agora posso seguir meu novo destino e torcer para tudo se resolver do melhor modo possível.

Pego um taxi para casa, depois de comer qualquer coisa, começo a fazer as malas, encaixotar a vida não é nada simples, toma tempo e lembranças, é difícil se desfazer do antigo e começar a usar o novo, metade dessas coisas tem significados e me esforço para deixar o sentimentalismo de lado e seguir em frente.

As nove eu tenho tudo pronto, cinco caixas e duas mochilas é o que tenho, não, eu também tenho um bar meio falido, posso até rir disso, nunca fui bom com finanças de qualquer modo.

—Ethan, você comprou um bar sem saber nem mesmo quanto custa uma garrafa de uísque.

Meu telefone começa a tocar, leva meia dúzia de tocas para encontra-lo sob uma pequena pilha de coisa que não vão me acompanhar na mudança.

—Pensei que tinha encontrado uma garota para passar a noite do dia dos namorados.

— Não, Gary, passei a noite fazendo malas. – Meu irmão ri do outro lado da linha. – Tudo bem por aí? Não devia estar comemorando com a Lauren?

—Estou, estamos, o papai e a mamãe estão comigo. Estamos comemorando juntos uma grande notícia. – Gravida. Aposto, mas vou fingir surpresa.

—O que? O que estão comemorando?

—Lauren está grávida, irmão, meu primeiro filho chega em seis meses e meio, talvez sete, eu sei lá, estou feliz demais para acertar nas contas.

—Puxa, que grande notícia, é sério? Parabéns.

— Agora não vai poder arrumar desculpas para vir nos ver, tem que vir conhecer seu sobrinho.

—Claro, eu irei. Com toda certeza. Parabéns, de um beijo nela por mim.

— Não paro de fazer isso. A mãe quer falar com você. Venha em breve. Esperamos você.

— Irei. – Digo sem qualquer convicção.

— Ethan! – Minha mãe diz emocionada. – Querido, como é bom saber que está mais seguro agora. Deu tudo certo?

— Sim, mãe, tudo resolvido, assumo o bar amanhã, espero que venham conhecer o lugar em breve.

— Nós vamos, com seu pai aposentado temos tempo, iremos com certeza, está feliz?

— Muito, mamãe, realmente... exultante, muito... animado. – A voz não condiz com as palavras, mas minha mãe raramente percebe a diferença. Ela está contente por todos e sua alegria encobre as sutilezas de uma quase mentira.

—Aqui em Los Angeles tem tantos bares, tanto calor, gente, movimento, não entendo porque não decidiu comprar um aqui e voltar para perto da família.

— Me acostumei com Nova York, mãe, aqui é minha casa agora. São anos aqui.

—Eu sei, acho que posso entende-lo, fico triste, mas entendo. Seu pai fica aqui repetindo a mesma pergunta e acho que ele tem razão. Por que um bar?

— Por que? – Eu repito a pergunta. – Mãe eu... – Fico buscando na mente a razão, Acho que tem a ver com o começo da minha carreira na policia de Nova York, quando eu era um oficial e fazia as rondas noturnas e passava pelas ruas assistindo as luzes acesas nesses bares, assistindo homens e mulheres saindo deles sempre felizes, ouvindo música vinda desses lugares, sempre pareceu um ambiente feliz, oposto ao meu trabalho que se resumia a dor e medo. – Por eu acho que deve ser algo legal para se fazer, mãe, só isso.

Ela parece aceitar. Falamos mais algum tempo, ela conta mais sobre a gravidez, faz recomendações, dá conselhos, me faz prometer voltar para casa para um fim de semana e quando desliga são mais de dez da noite.

Finalmente posso dormir. Não é que consiga dormir bem, os últimos dias tem sido difíceis por conta das mudanças, não é fácil controlar a ansiedade.

Quando acordo decidido a reunir minhas coisas e ir me encontrar com Tom são quase onze da manhã, deve ter anos que não acordo tão tarde, até que gosto, sempre preferi a noite.

Almoço no restaurante na esquina do pequeno prédio em que vivi nos últimos dez anos, comida boa e honesta, simples, mas caseira, não é perto o bastante para meu novo endereço e acho que é a última refeição que faço aqui, mas não me sinto com vontade de avisar ao pessoal. Só pago, aceno e volto para buscar minhas coisas, colocar em um táxi e seguir para a nova vida sem olhar para trás.

Tom está diante do bar, parece bem cansado quando me vê, o homem não tem mesmo mais idade para o trabalho.

— Ethan, se não se importa, entre pela minha... sua casa, na entrada lateral, assim já deixa suas coisas, eu vou entrar agora e contar a Savannah, aí se conhecem.

Ele avisa quando tento descer do táxi, o velho me dá as costas e nem preciso avisar o taxista, ele da seta e vira a esquina. Pago a corrida e retiro minhas coisas, uso minha chave para abrir a porta, é um tipo de hall e então caio em uma sala, ajeito as caixas uma sobre a outra e fico em dúvida se saio e entro pela frente ou uso minhas chaves para entrar no bar pela porta de acesso.

— Seu bar, Ethan, não seja ridículo. – Atravesso o corredor, passo pela escada que leva ao andar de cima e entro na cozinha que liga a casa a cozinha do bar por uma porta pesada de madeira antiga e cheia de trancas.

Quando abro a cozinha do bar está vazia, é muito boa, além de drinks, é possível preparar pratos rápidos e até alguma comida mais sofisticada, quem sabe não servimos mais do que drinks?

A porta vai e vem dá uma boa visão do salão onde está o balcão longo de madeira, as prateleiras e o salão com mesas dispostas com cuidado e as grandes janelas para a rua.

Noto a loira de pé, encarando Tom, essa é Savannah? A garota é muito bonita, usa calça jeans e uma camisa branca, os cabelos dourados escorrem pelos ombros dando volume e um tom selvagem, ela tem um ar firme.

Fico pensando se podemos nos dar bem, se ela não é bonita demais para me manter concentrado no bar, tenho certeza que ela deve ouvir todo tipo de cantadas ruins dos bêbados nos fins de noite e eu não acho que possa ficar imune a isso, é possível que espante cada idiota que a desrespeitar até que o bar fique as moscas e eu seja conhecido como o cara que atira clientes porta a fora toda noite.

Eu devia ter pensado melhor antes de assinar aquele contrato, de qualquer modo, não acho que ela vá ficar, é só um trabalho, Tom não está mais aqui e a garota vai logo querer sair, sei disso, no fim ela deve ficar uns dias e partir, Tom é idoso, talvez ande muito sentimental, foi tolice dele exigir essa clausula, posso convence-la a se demitir e pagar uma boa indenização.

Não, não posso, tenho mil dólares na conta e não posso pagar nem mesmo uma indenização ruim, acho que ela vai ter que ficar enquanto quiser ficar, é isso.

Será que o velho já se abriu? Entro ou espero mais um pouco? Nenhum dos dois me viu, não sei bem o que está acontecendo, mas quando os olhos dela se enchem de lágrimas e ela abre a boca em uma incredulidade clara eu sinto que algo não vai bem. Nada bem.

Notas finais
BEIJOSSSSSSSSSSSS Até amanhã Pessoas lindas, vão conhecer meu instagram Autora Mônica Cristina.