Série Pacto - Conspiração
20 All I Need (Jacques D'Crécy)
Notas iniciais
Marc estava ao meu lado, dirigindo tranquilamente. Sempre me surpreendeu que ele fosse tão calmo em relação a muitas coisas, especialmente o trânsito, uma das coisas mais irritantes do mundo numa noite de sábado. Eu divagava, sobre Anne, e sobre Lis. Sentia um peso agourento no peito, tão pesado e frio quanto um golpe de lâmina de espada, e agudo como a ponta de flecha de uma long-bow*. Existem guerras fáceis, aquelas onde se veste armadura, e cota de malha, suas armas são preparadas e você conhece e quer arrancar as vísceras de seu inimigo. E existem as guerras que são difíceis, e onde você sabe que poder perder, porque não existem armas ou proteção e coragem suficiente. Essa guerra acontecia dentro de mim, onde minha alma sangrava partindo-se em duas. O meu eu que sempre estaria longe, em casa, na França, em 1200, com Anne, e o meu eu feito de dor, sangue e solidão, percorrendo os séculos, até voltar a ver centelha de esperança em olhos azuis, a parte que gritava por Elisabete. Eu a queria, como alguém que precisa de sangue pra viver. Mas eu a amava? Existe diferença entre desejo e amor. Meu amor estava enterrado – ou pelo menos eu achava – nos meus últimos minutos como humano. Eu pensara sobre tudo isso em todo o tempo em que a festa chegava mais perto do dia de acontecer, e a cada dia eu decidia que seria o certo, e a cada dia eu decidia que era errado. A cada minuto eu me convencia que não era correto pedir a Elisabete que me ajudasse a esquecer o passado, e em segundos me convencia de que não havia meio melhor que por ela. Acreditava estar usando-a. E acreditava que ela podia ser minha única salvação. Ouvi a pancada no volante.
- Pelos infernos, Jacques, pare de se torturar! — exclamou meu irmão, parando no sinal.
O encarei, distraído. — O que eu fiz?
- Está entre franzir e desfranzir a testa desde que saímos de casa. Assim como está entre sorrisos e caretas desde semana passada. Eu sei porque, e está me tirando do sério! — seus olhos verdes estavam cansados por trás de sua máscara de seda preta, se fosse mesmo uma máscara, aliás.
- Como você pode saber? -pergunta inútil, ele me conhecia bem, de humano a vampiro, sempre tinha sido Marc a descobrir meus segredos antes que eu sequer tivesse lhe dito.
- Quatrocentos anos de irmandade me dão certa autoridade sobre conhecimento de Jacques D'Crécy, não?
Eu sorri pra ele.
- De fato. Mas gostaria que parasse de se preocupar com minha testa, pense em Alexandra.
- É uma ótima distração mental – agora ele sorria de volta pra mim, de um jeito satisfeito – Mas vou vê-la daqui uns minutos, então tenho algum tempo pra esquentar minha mufa com você. É Elisabete versus Anne, não é? Admita.
Suspirei alto, detestando ser tão óbvio.
- Sim.
- Eu sabia – Marc entoou sua vitória, quando o sinal abriu com a luz verde – Eu nem sei qual é o motivo de refletir tanto, Jacques, siga em frente. Foi o melhor pra mim, será o melhor pra você. Então só sobrará um irmão amargurado pra família aguentar.
Eu ri, ele estava falando de Hugo e seu coração sempre cheio de culpa e arrependimento.
- Pelo menos até sermos limpos da maldição, então não haverá mais ninguém depressivo e taciturno em casa. Nossa...- ele arregalou os olhos, simulando pânico — … o que iremos fazer sem ninguém com cara de funeral?
- Não tenho ideia – encolhi os ombros, enquanto abanava a cabeça com um sorriso nos lábios – Nem com Amelie nós podemos contar mais.
- Verdade, o maldito Thomas a deixa tão feliz que é enjoativo. Mas não tente sair à francesa – ele riu do ditado – Me diga, você ainda está sofrendo com toda essa dúvida? É um pouco desnecessário, não acha?
- Eu me sinto culpado, Marc, eu não quero usar Elisabete.
- Você não estará fazendo isso, Jacques. O que estará fazendo é dar uma chance a si mesmo, finalmente, depois de tantos séculos. Pode apostar que é o que todos nós queríamos.
- Estou com medo – admiti, encarando a movimentação das ruas através do vidro da janela ao meu lado. Muita gente, e algumas com máscaras no rosto, vestidas com fantasias ou apenas com roupas formais de noite.
- Eu sei que está. É difícil deixar o passado pra trás – eu sentia sua vista em mim, mas ainda assim não o encarei – Foi pra mim.
Ao ouvir tal coisa meu pescoço girou automaticamente sobre os ombros.
- Não entendo, Marc. Como poderia ser complicado pra você? Você sempre foi o homem das armas, nunca o tolo bom rapaz. Vi seu queixo ficar contraído e seus olhos verdes endurecerem.
- É exatamente por isso, Jacques. Eu não ligava pra nada, a não ser uma espada na mão, e mais tarde um florete, e as mulheres passavam por mim como um borrão. Eu amava mais do que tudo a minha liberdade. E daí surgiu Alexandra. E eu conheci algo que talvez eu possa ter perdido em nome de uma liberdade em todos esses anos, em nome da minha sede por guerra e sangue. Por isso tentei me afastar dela, embora a resolução tenha durado apenas algumas horas – ele riu, seus olhos se fechando – Quando a vi quase morta, foi que percebi, Jacques, que nada do meu passado valia tanto quanto tê-la em minha vida. Nada paga o que tenho com Alexandra, e nada será bom o suficiente pra mim deixá-la. Nunca mais. Claro que eu também temi por eu ser vampiro, mas veja bem, eu namoro uma mulher tão inteligente e mente aberta... ela não dá a mínima pra nada disso! — seu riso ecoou com felicidade extrema, era como se meu irmão tivesse inchado e ficado maior – se é que tal coisa era possível – Eu não tive uma Anne pra me magoar Jacques, mas eu sei que às vezes deixar algumas coisas pra trás, pode nos dar em troca alegrias inimagináveis – então Marc fixou sua vista na minha, longamente – E você não é tolo, Jacques. Você tem bom coração, e não há nada de errado em ser um cara legal.
- Fui um cara legal, você quer dizer. Agora, nem tanto.
- Mas nós vamos ter nossas vidas de volta, então será o bom homem de volta — Marc arregalou os olhos de novo, fingindo horror – Meu Deus, vamos envelhecer! Vou passar dos vinte e cinco, óh Deus, o que farei com as rugas???
- Cale a boca! Eu vou fazer vinte e sete anos, o que acha disso?
- Legal! — ele comemorou, socando o volante com diversão – E Jacques, seja feliz, de que vale viver se não se pode ser feliz? Assenti em concordância, sabendo que ele tinha razão. Não que fosse mais fácil pra mim. Talvez demorasse mais um tempo pra ser completamente. Mas eu não tinha mais tempo pra pensar ou sequer voltar atrás. Bem, e de qualquer jeito eu não o faria, eu não podia machucar Elisabete no dia de sua festa de dezenove anos. Me senti repentinamente muito velho, perto de sua tão clara juventude.
- Bem, aí estamos. O Clube do Ouro – anunciou meu irmão estacionando a Mercedez na vaga perto do meio fio da calçada oposta. A fachada do lugar era simples, mas havia esplendor, como todo clube que tinha sido fundado pela elite mais antiga da cidade. As escadas das portas duplas eram de mármore, e um tapete de cor azul-escuro corria em seu centro, até chegarem no último degrau, onde homens de preto com fones de ouvido verificavam convites e vetavam os penetras.
- Não dá pra negar que minha garota sabe organizar uma festa. Não sei o que ela está fazendo cursando História. Que desperdício – comentou Marc antes de sair do carro. Atravessamos a rua apinhada de pessoas com máscaras de todos os tipos: douradas, prateadas, geométricas, de seda, de cetim, de porcelana, de pano e tantos outros. Subi as escadas, já notando o brilho de lusco-fusco das luzes dentro do clube, a música era alta e ribombava. Era uma batida rápida, mas melodiosa.
- Até a música é ótima! — gritou Marc, entregando o convite a um dos homens de preto e ergueu um pequeno pacote que retirou do bolso. O presente. Entramos, finalmente pelo chão acarpetado cinzento, dando no que parecia ser um espaço amplo entre a enorme pista de dança a alguns metros a frente, e o bar a direita, e uma gigantesca mesa de bufê a esquerda. As pessoas ali pareciam estar descansando, em cima de pufes brancos, rindo, comendo e conversando. A ação estava toda na pista.
- Vou encontrar Alexandra, ela está no andar de cima, me esperando – meu irmão disse, enquanto olhava o visor do seu celular – Nos vemos mais tarde! — ele me deu um tapa nas costas e desapareceu entre a massa de gente reunida. Onde estaria Elisabete? Andei até o portal de passagem pra pista, observando todos os cantos. Reconheci Amelie, mesmo em seu vestido do século XV, no andar aberto de cima, com um mascarado elegante que sem sombra de dúvida era Jefferson, os dois riam muito. Também vi Alienor de relance, do outro lado do salão, rodeada de garotos e dentro de um vestido preto que me fez entortar os lábios. Se ela se abaixasse um centímetro daria pra ver tudo. Mas quem conseguia controlar Alienor??? Pesquei Suzana com um olhar, a amiga doidona de Elisabete e Alexandra, ela estava conversando animada com um rapaz de máscara geométrica que me parecia muito familiar... Era Hugo. Como se me sentisse ele virou pra trás e encontrou meus olhos. Eu acenei com a cabeça pra ele, e percebi que Suzana me reconheceu e sorriu, dando um tchauzinho discreto. Devolvi o cumprimento e continuei minha busca pelo salão. Desci alguns degraus da escada que levava ao centro da pista, procurando e farejando ao mesmo tempo. Era mais fácil, apesar de muito bem poder mandar uma mensagem de texto. Mas eu não queria que fosse assim. Talvez se eu baixasse o capuz ela me reconhecesse? Alguém tocou meu ombro. Eu girei nos calcanhares.
- Jacques – ela sorriu, exultante. Provavelmente se meu coração pudesse bater mais rápido, ele já teria pulado fora do peito, ou criado asas. Quem era aquela beldade de vermelho? Por quê estava falando comigo?
- Elisabete – minha voz foi um fiapo, quase inaudível. Ela arregalou os olhos atrás da máscara de renda. E colocou a mão sobre o espartilho, que assim como todo o resto brilhava num vermelho-sangue. Seus cabelos estavam empilhados no alto da cabeça, algumas mexas caindo pelos ombros e pescoço, e o vestido a fazia parecer algo saído de um sonho. Vi alguns olhares masculinos sobre ela, ao redor. Sem surpresa.
- Exagerei? Você está me encarando demais – vi sua mão torcer um drapeado de seda do vestido.
- Elisabete, você está... — não consegui lembrar de nada, era como se as palavras tivessem fugido. Mas ela esperava, com as sobrancelhas erguidas, expectante — Desculpe, acho que o mais próximo que consigo é... incrível. Sim, você está incrível.
- Posso dizer o mesmo de você — ela sorriu, se aproximando, seu cheiro natural misturado a um perfume suave – É como olhar um personagem de livro saltar na sua frente – suas mãos baixaram meu capuz – Bela máscara. Nós dois rimos um pro outro. Apontei as pessoas.
- Não sabia que tinha tantos amigos. É a faculdade inteira ou é só impressão?
- Não, não tem impressão nenhuma, quase todos os cursos estão aqui sim, obra de Alexandra – seus olhos reviraram e ela abanou a cabeça, como se não pudesse acreditar que aquela festa era dela – Pelo menos vou ganhar pilhas e pilhas de presentes. Eu acenei meu convite no ar.
- Por acaso era “só” uma exigência trazer presente, não? — mais uma vez me diverti ao vê-la parecer exasperada – Está escrito em letras bem grandes.
- Ela disse que ninguém que estivesse sem um papel de embrulho brilhante nas mãos, colocaria os pés nesse clube. E sinceramente, acho que todo mundo levou a sério, porque ficaram com medo da Alê. Você me entende, ela pode ser bem assustadora – ela fez uma expressão de você-sabe-do-que-estou-falando, e seus olhos se alargaram de novo. Concordei com um aceno veemente.
- Eu posso dizer que concordo. A única pessoa corajosa capaz de controlá-la é Marc, e mesmo assim não completamente – Elisabete escutava, e acenava pra alguém, e quando dei por mim, surgiu Silvia Thomas à minha frente. Nós já tínhamos nos visto desde que ela chegara, mas não houvera uma conversa, ou um primeiro sinal pra isso. Eu sabia que era porque meu pai estava fora, e ela não trataria de assunto nenhum que não fosse com o chefe da família. Nem mesmo com minha mãe. Seu olhar tão azul quanto o de Elisabete me percorreu de alto a baixo, avaliativos. Ergui uma sobrancelha em resposta. Ela podia ser uma bruxa, mas eu ainda era um vampiro e tinha muito orgulho próprio.
- Muito bem, esse deve ser Jacques.
- Sim, sou – confirmei, assentindo. Elisabete olhava de um pra outro, aparentemente nervosa.
- Bem, acho que não preciso apresentar ninguém formalmente... ou preciso? — sua voz se elevou em dúvida, por cima do rock violento que começara a tocar.
- Não, não há necessidade – respondeu Silvia, antes que eu me manifestasse – Mas você poderia me dar uns segundos com Jacques? Franzi as sobrancelhas, estranhando a atitude. Tenho certeza de que se ela quisesse falar com alguém da minha família não seria eu. Elisabete também pareceu surpresa. Sua mão tocou as costas da minha e seu olhar era inquisitivo. A pergunta era “Tudo bem pra você?”. Fiz sinal positivo com a cabeça e um curto sorriso, que dizia, “Tanto faz”.
- Eu vou, hãmm, comer alguma coisa – ela disse, lançando a avó uma expressão de alerta -Seja legal – eu somente vi seus lábios formarem a frase, por causa do barulho da música, mas Silvia meneou a cabeça, não sei se concordando ou apenas em um movimento reflexo. Elisabete sorriu pra mim, e saiu na direção da sala ampla ali perto, onde estava o bufê. A visão de suas costas e as dobras do vestido se arrastando pelo chão me fez querer rasgá-lo e ver o que havia por baixo. Embora eu já tivesse visto alguma parte.
- Bem, estou surpreendida. Achava que emoções verdadeiras fossem mito entre sua espécie – a voz de Silvia penetrou meus ouvidos como tiros de revólver, fazendo-me virar o rosto rapidamente pra ela – Mas sua expressão é bastante clara. Refleti sobre isso, antes de responder, até entender que ela falava de Elisabete e minha atitude em relação à ela.
- Eu gosto de sua neta. E quanto às minhas emoções, lhe garanto que são fortes o suficiente – eu a encarei dentro das íris azuis, que não me revelavam nada, inexpressivos.
- Eu espero que sim, Jacques, caso contrário terá que prestar contas comigo. Eu não permitirei que machuque Elisabete, portanto, tome muito cuidado – agora havia dureza em seus olhos azuis, e frieza. Dei um passo atrás, instintivamente. Aquele era o aviso de uma avó protetora, e também de uma feiticeira poderosa. Já tinha visto um vislumbre da mesma força de aço nos olhos de Elisabete, o que significava que ela seria tão intimidante quanto sua avó quando chegasse no auge de sua magia. Mas ainda não era igual. E ela tinha tocado num ponto de minhas dúvidas. Eu não queria magoar Elisabete, mas não tinha garantias de que poderia ser eficiente nesse plano, afinal, eu era quebrado demais por dentro. Mas eu podia tentar, eu o faria.
- Não é minha pretensão magoar, Elisa. Farei o que for necessário pra vê-la feliz. Silvia não disse nada, somente me encarou por mais alguns segundos e depois saiu, indo atrás da neta, que voltou correndo e logo foi agarrando meu braço.
- Vocês não discutiram nem nada, não é? — por sua expressão ela poderia estar esperando mais do que uma discussão. Parecia estar com medo que quebrássemos o lugar todo. Eu dei um sorriso tranquilo.
-Não, ela só queria garantir que eu cuidaria de sua neta – dei uma palmadinha em sua mão, e finalmente toquei o rosto dela, em sua pele macia – E eu vou seguir a ordem à risca.
- Bem, você trouxe uma espada – ela tirou-a da bainha e examinou de perto – Nossa, é pesada, usou de verdade?
- Sim, usei – respondi, vendo a lâmina brilhar colorido por causa das luzes – Matou muita gente. Imagino. Mas guerras, são guerras – Elisabete embainhou-a de novo, seu tom de voz conformado – Onde estão seus irmãos? — ela colocou o braço no meu, e começou a me guiar pras escadas que levavam a pista – Só vi Marc até agora! — ela sorriu alegremente – Ele estava mesmo usando gibão?
- Sim, estava! — respondi, rindo – Ele gosta de roupas extravagantes!
- Então ele achou o par perfeito em Alexandra.
Cruzei meus dedos nos dela, que sem me olhar, os apertou. Andamos até estar no centro da pista, poderia ter sido difícil, mas as pessoas abriam caminho assim que viam Elisabete em seu traje vermelho, parecendo impressionante e linda.
- Quer dançar? — eu sabia que era a hora exata pro convite, antes que ela me pedisse. E não seria justo, ela era uma dama, era seu aniversário, e hoje ela teria servos, não teria que pedir por nada.
- Adoraria – ela se curvou de leve, como uma digna lady, e depois aceitou minha mão estendida – Eu adoro essa música. Como se chama? — indaguei, os braços em volta de sua cintura modelada pelo espartilho vermelho. Havia florzinhas pretas delicadas nas alças dele, elas cintilavam na luz baixa.
- All I Need – ela respondeu, olhando-me nos olhos, o azul suave e quente, seu rosto estava muito próximo do meu.
- Sugestivo – encostei minha testa na dela, absorvendo seu cheiro, sempre envolvente, sempre delicioso – Elisabete?
- Hum? — ela estava com as duas mãos enluvadas em meus cabelos, acariciando devagar, o toque me lançou arrepios quentes pela nuca abaixo.
- Eu trouxe seu presente – tirei o colar do bolso interno do blusão, sem soltá-la – Posso colocar em você? — eu o ergui na altura dos olhos dela, que se alargaram.
- Deus! Isso é um...
- Diamante – eu fechei a corrente fina de prata em volta de seu pescoço – E como eu imaginei, ficou perfeito. Aquele colar havia sido presente do meu pai a minha mãe, o primeiro diamante das minas, sua lapidação tinha sido triangular, de modo que ele parecia um cristal, cujas facetas piscavam, refletindo as luzes coloridas do clube. Minha mãe o tinha entregue a mim, dizendo que seria um ótimo presente de aniversário para Elisabete:
- Ninguém merece mais essa joia do que aquela garota. Ela tem fibra. E diamantes são a pedra mais dura do mundo, não é? — ela piscara, e fechara minha mão sobre o colar. Agora ele estava parado no centro do colo de Elisabete, chegando perto do decote do espartilho.
- Meu Deus, é lindo, nem vou perguntar onde arranjou, estou com medo da resposta! — eu dei uma risada, enquanto ela voltava a colocar os braços ao redor do meu pescoço – Mas eu já tenho o melhor presente que poderia ganhar, de qualquer jeito – sua testa escorregou pra minha novamente. Eu não perguntei que presente seria esse. Eu já sabia, e só isso me fazia queimar por dentro. Suas mãos aproximaram meu rosto pro seu, e eu ajudei, me inclinando pra frente. O beijo foi suave, diferente do que costumávamos trocar, o desejo ainda estava ali, latente e penetrante, mas havia algo mais. A música nos acompanhou de princípio ao fim, e nessa noite eu trancaria todas os fantasmas, me permitiria apenas pensar no presente, onde Elisabete me pertencia, e eu pertencia a ela.
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