Série Elementares - Escolhas (LivroUm)
31 Recomeço.
Notas iniciais
PS¹da autora: Vale a pena ler esse trecho com a música "holding on and letting go", do Ross Copperman.
– Aguente firme e me deixe ir. —
“Todo fim é um novo começo. Cada vez que uma história acaba é uma oportunidade que a vida te dá para começar outra. Ás vezes você segura algo tão firme em suas mãos que ela escapa de seus dedos. Como a água, você não pode guardá-la entre seus dedos fechados contra a palma, ela vai embora. Talvez esse tenha sido meu erro até agora, me prender tão próximo á tudo, e eles simplesmente se foram. Está chovendo lá fora, não faz tanto frio aqui dentro, eu estou em casa, há algumas caixas empacotadas, Lucy vai mudar-se para a casa que meu pai deixou pra mim, eu estou tendo coragem para começar de novo como ela está fazendo. Algumas portas são fechadas para outras abrirem, isso me lembra o ônibus que viajei outro dia ,o motorista só podia dar a partida se a porta estivesse fechada e eu pensei em como a vida tem um pouco disso também. É muito fácil desistir, é muito fácil apontar uma arma contra o peito e acabar com tudo, quando se é mortal existe essa vantagem, mas, isso é meio bobo, a vida é a única coisa que te dá o direito de fazer as próprias escolhas, de errar e começar de novo e até errar mais uma vez e mais outra e quando você abre mão da vida, está abrindo mão de seu poder de escolha, seu poder de agir sobre o mundo e sobre as pessoas que te rondam. Uma escolha sua – nossa – pode mudar a vida de milhares de pessoas, desencadeia uma série de novas escolhas e o mundo aça ficando um pouco mais diferente, talvez melhor. É nisso que tenho pensado. Tenho pensado em deixar Evan ir. E por mais doloroso que isso seja, talvez eu esteja fazendo a escolha mais acertada, quer dizer... Depois da Compulsão – que eu não entendi muito bem, já que eu pensava que nenhuma magia no mundo atuava sobre o livre arbítrio de alguém – que Fred lançou em mim eu tenho sonhado com a morte de Evan, faz uma semana que eu quase o matei, ele ainda está com médicos Wateaires que tem o dom da cura, a estaca que eu enfiei nele chegou a ferir o coração o que tornou tudo mais difícil, mesmo agora quando eu penso nele eu tenho vontade de matá-lo, Philip me prometeu que isso passaria, mas, nem ele mesmo sabe ao certo. Já sonhei tantas vezes que o matava que dormir tem sido assustador. Então de certa forma, deixá-lo faz todo sentido agora. Deixá-lo acaba com um monte de problemas, e mesmo agora isso não parece tão egoísta ou um sinal de fraqueza, eu estou escolhendo o melhor para Evan porque eu o amo. Qualquer um pode me condenar por isso, mas, só quem ama realmente sabe o quanto tudo dói em”.
Lyss parou de escrever porque a porta se abriu, ela estava deitada na cama, Chris enfiou a cabeça pelo vão da porta e sorriu pra ela de modo a mostrar todos os dentes, Lyss sorriu para ele.
– Posso entrar?
– Vem. – ela fechou o diário e se sentou sobre as próprias pernas.
– Então você vai mesmo em busca de respostas sobre seus pais? – ele estava no time que não estava tão empolgado com as ideias de Philip
– Vou.
– O que você espera com isso? – ele sentou-se diante dela e tentou segurar sua mão, Lyss deu de ombros e afastou uma mecha de cabelo para evitar que Chris a segurasse.
– Eu espero entender o que me faz ser Filha da Lua, os homens que foram atrás de mim estavam em busca de um feitiço e talvez esse feitiço exista e tenha algo a ver comigo. – ela sorriu pra ele – Sabe? Se a gente não sabe de onde veio, nunca saberá onde chegar, ou onde ficar.
– Então você está procurando um lugar pra ficar? Meu quarto é bem grande, sabe?
– Está tentando me levar pra cama enquanto eu tento não pensar em matar meu namorado? Você já foi mais nobre. – ela socou-o de brincadeira e Chris riu.
– Eu estava pensando em você dormindo no chão, eu nem mencionei a palavra cama. – Chris revirou os olhos e ergueu a mão para acariciá-la de leve no rosto – Eu não queria que você fosse embora.
Lyss levou a mão ao pingente que deveria estar pendurado em seu pescoço, mas, encontrou o vazio, havia perdido o colar durante a luta.
– É preciso.
– Então como será? Vocês vão rodar o mundo atrás de pistas? Como Sherlock e Agatha Cristie?
– Você sabe que ela é a escritora que criou o Sherlock, não é?
– Acho que eles formariam uma boa dupla. – ele sorri de novo e Lyss fica séria olhando os traços daquele rosto.
Chris era tão lindo, seus dentes tão certos, os olhos verdes que brilhavam cada vez que ele sorria, as marcas do lado dos olhos que franziam cada vez que ele sorria daquele jeito. Os cabelos dele estavam jogados de lado hoje, pareciam ter sido penteados displicentemente.
– O que foi? – ele riu sem graça
– Você é muito bonito. – ela desviou os olhos e suspirou
– Ah. – ele também desviou os olhos.
– Eu estava pensando que se a gente tivesse dado certo tudo seria mais simples. Se eu não fosse uma Bruxa, Filha da Lua ou o que quer que fosse.
– Se o destino do mundo não estivesse em suas mãos. – ele ecoou como se estivesse narrando um filme
– Não mais. Mas, isso não muda tudo. Eu queria ter dado certo com você, acho que devia saber disso.
– Então deixe-me dar uma dica: Quando quiser dar certo com um cara não dê um chute na bunda dele. – ele riu e ela acompanhou-o – Você sabe que a gente pode muito bem não ter acabado. É bem simples.
– Não. Não importa como minha história tivesse sido escrita, eu acabaria dando um jeito de te afastar de mim, porque eu amo você. E por isso eu não posso te prender a mim.
– Tarde demais. – ele estava olhando fixamente para os olhos azuis dela, os lábios dela estavam quase tão próximos quanto ele gostaria. – Eu já estou preso á você.
– Isso também é fácil de resolver. – ela riu nervosa
– Sentimentos não acabam quando você se afasta, Lyss. O amor não é exatamente uma escolha.
Ele segurou sua mão dessa vez e Lyss arrependeu-se de ter tocado no assunto.
– A gente nunca vai conseguir ser amigos? Como se nosso namoro nunca tivesse existido?
– Só se você der um jeito de apagar a minha e a sua memória. – ele sorriu, mas, o sorriso morreu logo em seus lábios quando ele engoliu em seco, o coração martelando em seus ouvidos. Foi quando a porta se abriu depois de duas batidas.
Chris levantou-se da cama num sobressalto e virou-se para a porta. Lyss levantou-se logo depois ao reconhecer a figura diante da porta meio aberta.
– Evan? – ela sussurrou surpresa, vê-lo ali, de pé, pessoalmente, Lyss não sabia ao certo como seu corpo reagiria.
– Estou interrompendo alguma coisa? – a voz forte reverberou no quarto que se tornou incrivelmente pequeno com ele ali diante da porta.
– Não. – Chris falou com um suspiro irritado, ele colocou a mão nos bolsos – Na verdade só um pouco, mas, tudo bem. – virou-se para Lyss e lhe deu um de seus sorrisos favoritos – A gente pode terminar essa conversa depois. Estou de saída.
– Chris eu... – ela chamou só porque tinha medo de tentar matar Evan de novo, Chris parou e esperou – Nada. – ela disse por fim.
Evan deu passagem para Chris passar, ele evitou o olhar irritado do humano e continuou fitando Lyss longamente.
– Entre. – ela falou baixinho, mas, não se mexeu, estava do outro lado da cama.
Evan afastou a porta o suficiente para passar e fechou a porta logo depois.
– Encontrei Philip lá embaixo, ele me disse que vocês estarão na estrada a partir de segunda.
– Não é nada certo. – ela adiantou, aproveitou para olhá-lo dos pés a cabeça, ele usava um sapato preto, calça escura e camisa branca, ela imaginou-se deslizando a mão por aquele corpo, arrancando sua camisa e...
– Você está me ouvindo? – Evan perguntou de repente.
Ela piscou surpresa.
– Desculpe Evan. – todo o seu corpo estava tensionado – Estou com medo de...
– Me matar? – ele caminhou para dentro do quarto e foi na direção dela, Lyss estendeu uma mão para ele
– Por favor Evan... – pediu baixinho e fechou os olhos com a mão ainda estendida na direção dele. Ela sentiu o corpo dele quente aproximando-se, até a palma de sua mão estar contra o peito dele. Não havia som de coração, apenas o movimento suave de sua respiração. Ela abriu os olhos e encarou aqueles olhos, estavam mais escuros agora, o castanho cobre dominando quase todo ele. Sua mão estava pousado no lugar onde havia enfiado a estaca, ela conteve um soluço – Mas, que droga não é? – falou com um sorriso apagado
– Interessante essa coisa, não é? O fato de só você poder me matar. – ele deu um sorriso de lado – Exatamente como o amor, quando a gente ama alguém ela adquire o poder de nos destruir em pedacinhos.
– Você me odeia?
– Não. – disse sem titubear – Mas, o fato de eu te amar não signifique que eu não esteja disposto a abrir mão de você.
– Está terminando comigo de novo. – ela assentiu recolhendo a mão. Ela mesma faria isso, mas, saber que ele não faria nada para evitar isso era estranho.
– Você é minha fraqueza. – ele lhe deu as costas e Lyss tentou não pensar em como o vaso sobre o criado mudo poderia servir para matá-lo – A única coisa que pode me ferir, por que eu ia querer você por perto?
As pessoas falam muito de coração partido, mas, na real o coração continua inteiro, então ele pode ser partido milhares de vezes por mais de uma pessoa. A dor era gigante, tão grande quanto o estrago. Ela rangeu os dentes contendo um gemido.
– Eu acho que a atitude mais inteligente é ter você longe de mim. – ele assentiu como se concordasse com aquilo, como se só agora percebesse o quanto isso fazia sentido – Na verdade não sei como não pensei nisso antes. O amor ás vezes não é o suficiente. Não foi suficiente para você vencer a Compulsão. – ele continuou a caminhar para a porta – Você é como se fosse minha Criptonita. Eu não quero você perto de mim e quanto mais rápido você viajar será melhor para mim.
– Tudo bem. – ela assentiu mantendo o rosto impenetrável.
Evan virou para ela e percebeu que nunca a tinha visto daquele jeito.
– Você vai ficar bem? – ele perguntou franzindo o cenho
– Sempre fico. – ela sorriu e cruzou os braços
– Quando você vai viajar?
– Breve. Te mando um postal. – ela riu sem humor desejando que ele fosse embora. Evan deu aquele mesmo riso.
– Certo. Vou indo, Lauren precisa de mim.
Ele abriu a porta, mas, deteve-se.
– Ah. Encontrei isso – enfiou a mão no bolso e depositou a joia no aparador ao lado da porta – É uma bela joia. – e saiu – Cuide-se Lyss. – o trinco da porta contra o batente selou aquelas palavras.
– Seria legal ter alguém pra dividir isso. Pra cuidar de mim também. – ela disse meio pra si mesma, suspirou e foi ao aparador. Era o colar que Demetree lhe dera. Ela apertou-a entre os dedos e fechou os olhos, tudo ali dentro doía de modo devastador, mas, não havia mais lágrimas para ser chorada. Não mais. – Vai ficar tudo bem. – prometeu a si mesma e depois riu. Era uma péssima mentirosa.
Aquela cena parecia ter se repetido muito nos últimos meses, Lyss abraçou Lucy com força, Philip estava colocando a mala no porta malas do conversível, Chris ajudou-o com a outra mala e a nécessaire. Lyss mordeu o lábio inferior. Não ia chorar.
– Isso tá ficando chato, sabe? – Lucy disse com voz chorosa – Você tem que parar de ir embora. – ela sorriu fungando
– Eu vou voltar logo.
– É dezembro, vocês podiam ficar até seu aniversário.
– Quanto mais rápido começarmos, mais rápido terminamos. – Philip disse vindo abraçar Lucy também.
Chris e Lyss abraçaram-se agora, ele lhe deu um beijo na testa.
– E eu estou te perdendo de novo. – ele falou entre os cabelos dela – Estou começando a duvidar de meu poder de sedução. – Lyss riu afastando-se um pouco.
– Eu sempre te disse que você não tinha nenhum. – abraçou-o de novo e foi ao carro.
Philip abriu a porta para ela. Califórnia estava ensolarada essa manhã, Lyss acenou a medida que o carro afastava-se de sua família, e foi assim até eles sumirem no horizonte.
– Novo ano, novas metas. – Philip cantarolou sintonizando uma estação no rádio
– Onde você roubou esse carro? – ela lembrou-se de perguntar.
– Em Las Vegas. Pensei até em passarmos o fim de ano lá. O que acha?
– Novo ano, novas metas, novas experiências... – ela sorriu abrindo os braços e ficando de pé no banco do carro, seus cabelos chicoteavam com o vento forte, ela deu um grito de excitação quando Philip acelerou ainda mais – Rumo á Las Vegas. – gritou para os céus.
– Las Vegas e além. – Philip disse também rindo.
Evan encheu o copo mais uma vez e fez sinal para a garçonete deixar a garrafa sobre o balcão.
– Posso te acompanhar? – era Victoria aparecendo no bar
– O que você está fazendo aqui?
– Vamos passar o fim de ano com nossa família. – ela disse sentando-se no banco já velho diante do balcão, fez sinal para a garçonete trazer mais um copo
– Quantos anos você tem? – Evan perguntou de cenho franzido
– Não importa. – ela pegou o copo e encheu-o – Menos que você, eu garanto.
Evan sorriu misturando sua bebida.
– Terminou com ela. – não era uma pergunta
– Não era isso que eu tinha que fazer? – ele olhou-a de soslaio e ergueu o próprio copo num sinal de brinde
– Eu disse que tive uma visão sobre ela morta. – deu de ombros
– Eu prefiro ela viva longe de mim do que morta. Eu sempre vou escolhê-la, mesmo que isso me machuque. – bebeu mais um gole generoso
– Você a ama mesmo não é? – ela bebericou a própria bebida
– Mais do que tudo. – ele riu da própria desgraça – Eu já vivi muita coisa em minha vida, isso me lembra meu melhor amigo, ele só conseguia se manter em pé um dia após o outro porque teve uma visão da mulher de sua vida, eu nunca tive uma visão, mas, soube a vida toda que ela chegaria em algum momento, e quanto acontece – deu mais uma risada – Se ela ficar comigo ela morre.
– É. Ainda bem que eu não sou você. – ela também riu
– Isso merece um brinde. – ele ergueu o copo contra o dela – A todas as pessoas que não são Evan. – ele disse
– Saúde!
– Eu ia terminar com ela na festa. – ele disse depois de hesitar – Depois que você me contou sobre a visão. Mas, eu tive medo, acredita? A gente tem medo de abrir mão do que nos faz bem, mesmo que isso beneficie a outra pessoa.
– É aí que entra o amor. Mas, eu acho que não estamos bêbados o suficiente. Mais um brinde.
ALGUNS DIAS ANTES...
Victoria aproveitou a distração de todos e perguntou á Cassie num sussurro onde estava Evan. Com a resposta agora ela seguiu de volta ao salão. Evan estava lá e organizava com algumas Wateaires o seu momento com Lyss.
– Onde está Lyss? – ele perguntou, os olhos brilhando e o sorriso brincando em seus lábios.
– Lá fora, mas, eu queria falar com você. – ela puxou o ar para falar de uma vez – Eu ouvi Nadine conversar com Lyss e algumas coisas passaram a fazer mais sentido pra mim, então eu vim te pedir pra deixar Lyss.
Evan levou um minuto pra entender o que ela queria dizer.
– Vamos por partes – cruzou os braços – O que Nadine tem a ver com isso?
– Ela disse á Lucy que Lyss não pode ser completa por duas metades. Não é por que vocês podem ficar juntos que devem. Lyss já tem Philip... ela vai ter que escolher entre vocês dois em algum momento. – Vick suspirou e fechou os olhos para não ver o brilho de dor que Evan não conseguiu esconder
– Certo, mas, essa tem que ser uma escolha de Lyss.
– Só que tem a outra parte – Victoria abriu os olhos e mordeu o lábio inferior, hesitando – Eu tive uma visão, diferente das visões que tenho com Lyss essa foi clara demais. Eu vi que se ela escolher você... Se ela ficar com você vai acabar morrendo. Eu a vi morta, Evan. Sempre que eu tenho visões elas não são concretas o suficientes porque o futuro pode ser modificado o tempo inteiro, mas, quando a escolha de Lyss é você – ela suspirou – Ela sempre morre. Ela não é imortal então eu acho que não existe uma segunda chance pra ela.
– Então você acha melhor eu deixá-la ir? – ele fechou os olhos – Eu vou ter que abrir mão dela... – falou para si mesmo
– Ás vezes a gente tem que deixar quem a gente ama ir embora. – ela sussurrou vendo a dor inundar os olhos dele – Eu sinto muito. – ela disse
– Vou terminar com ela.
– Então ela vai viajar com Philip. – ela afirmou – Eu vi isso acontecer. Eles vão para Las Vegas e ela vai se divertir como nunca antes de começar as buscas pelos pais. Ela fica bem. Sem você ela fica bem. – Victoria mordeu o lábio inferior – Eu sinto muito.
Evan deixou escapar um soluço.
– Eu a amo tanto. – disse num suspiro de tristeza – Ela me completa, Victoria.
– Eu sinto muito. – ela repetiu antes de deixá-lo lá. Naquela noite Evan tocou a música que havia feito para os pais porque ele achou conveniente. Terminar do modo em que tudo começou. Terminar sua dor com o começo de outra.
F I M
LIVRO II – A BUSCA
PS: Vale á pena ler esse trecho ouvindo Losing your Memory — é uma música incrível.
Lyss olhou-se no espelho de novo antes de guardar o batom na bolsa,(...) Sorriu pra si mesma e foi em direção á saída, as mulheres que estavam no banheiro saíram primeiro e ela teve que esperar, pois, a mulher uniformizada que guardava a porta do banheiro barrou-a quando chegou sua vez.
– Espere! Tem alguém que quer vê-la. – a moça sorriu pra ela, mas, algo em sua expressão deixou Lyss assustada. Ela parecia um robô.
– Quer me ver? – ela perguntou, o homem que Philip convidou para jantar com eles aquela noite simplesmente entrou no banheiro, outras mulheres que aguardavam do lado de fora não demonstraram nenhum tipo de espanto ao vê-lo ali. – O que você está fazendo aqui? – Lyss esperou que a mulher de uniforme dissesse alguma coisa, mas, ela trancou a porta quando o homem entrou.
– Eu sinto muito! – ele murmurou e estendeu a mão em sua direção.
Lyss escondeu o próprio rosto. Desde suas últimas tentativas frustradas de controlar os outros Elementos e sempre se queimar tinha simplesmente desistido. Ela esperou sentir alguma dor, mas, quando descobriu o rosto viu algo brilhar na mão do homem. Uma parte do seu cérebro reconheceu o colar que ele havia arrancado.
– Alyssa – ele chamou e Lyss teve de pregar seus olhos nos dele – Quero que me escute com atenção. – ele aproximou-se dela
Philip sentiu uma lágrima escorrer pelo canto dos olhos. Não queria fazer o que estava fazendo. Roubando as lembranças de Lyss daquela maneira, mas, não podia perdê-la.
– Você vai esquecer absolutamente tudo sobre Evan – Lyss arregalou um pouco os olhos ao ouvir aquele nome, depois sua expressão simplesmente relaxou – Você não vai ter nenhuma reação ao ouvir o nome dele. Não vai se lembrar de sua fisionomia ou da importância dele pra você – ela assentiu levemente, os olhos vidrados – Ele não significa nada pra você. – o homem arfou ao sentir o quanto aquele nome era importante para a garota, quase doía fisicamente – (...) Se alguém um dia comentar sobre ele isso não vai fazer sentido pra você e logo depois você vai esquecer. Esquecer total e completamente que alguém já mencionou o nome dele.
– Eu o amo. – ela murmurou
– Não ama mais. Ele nunca existiu pra você. – o homem a viu assentir – Ele não é nada pra você. Nada. Entendeu?
Ela concordou coma cabeça
– Quem é Evan? – o homem distanciou-se um pouco
– O quê? – Lyss piscou confusa – Que Evan?
Estava feito.
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