Ele estava mais lindo do que um homem tem o direito de parecer. Os olhos brilhavam, o verde mais intenso agora, a camisa branca desenhava bem seus músculos. As pernas grandes e grossas sob o material escuro da calça, as mãos grandes e bonitas, as marcas quase invisíveis em seu braço direito. Os cabelos dele estavam maiores do que ela se lembrava, Lyss não sabia que era possível deixá-lo mais bonito, mas, ali estava ele superando as expectativas.

Seu corpo foi para frente, simplesmente ao encontro dele. Ela abraçou-o e seu coração palpitava quando ele fez o mesmo, mas, todo sangue bombeado não parecia suficiente para Lyss conseguir pensar com clareza, o cheiro dele intoxicou seu sistema.

– Vida... – ele gemeu antes de tirá-la do chão e trazê-la para o mais perto possível.

– Amor. – ela respondeu de olhos fechados, em alguma parte de seu cérebro ela pensou em Philip, mas, agora, abraçada á Evan, sentindo seu corpo quente, ouvindo seu coração, sua respiração, seu cheiro... Não havia espaço para mais nada.

– Eu não.. Eu... V-Você... – ele tentou abraçando-a mais forte, Lyss sentiu o corpo dele tremer forte perto do seu – Tive tanto medo. – murmurou enfim quase ininteligivelmente.

Ela assentiu com a cabeça.

Evan procurou seus lábios, mas, não aprofundou o beijo como gostariam, ele beijou-a de leve várias vezes.

– Vamos sair daqui. Aquele monstro está aqui e...

– Não, Evan... – seria um bom momento de falar sobre Philip, mas, Evan já estava puxando-a para o lado oposto.

– Vamos sair daqui, fiquei com medo de... ele te machucou?

– Não! Nem poderia... – ela começou

– Vamos sair daqui. – ele repetiu puxando-a

Uma dor lancinante fez com que Lyss ficasse imóvel, ela não gritou de novo, não havia ar suficiente para isso. Ela caiu, agora suas mãos ardiam, ela pôde ver o que acontecia, primeiro sua pele queimava mais rápido do que conseguia se recuperar até as chamas brotarem de onde queimava e tomar todo seu braço, as chamas não tiveram dificuldade em lamber a grama ao seu redor, o fogo foi rápido demais e devorava tudo ao redor. Não é um fogo comum – dissera Demetree. Era pior. Evan levou um susto e afastou-se antes de aproximar-se de novo. Lyss batia em vão nos próprios braços tentando apagar as chamas enquanto gritava e gemia de dor.

– Espera! – ele falou segurando-a pelas mãos

– Você vai... – ela ia dizer se queimar, quando Evan foi tocando em seu braço e apagando as chamas lentamente.

– Posso concluir o porquê de eles terem me chamado aqui agora. Olha pra mim. Ei! Olha pra mim. Vamos passar por isso. Eu vou te ensinar o que eu sei sobre isso.

– Está doendo. – ela sussurrou passando as mãos nos braços, soluçou baixinho e passou a mão sobre um dos olhos no exato momento que Philip surgiu atrás de Evan, ela só teve tempo de cobrir-se com as mãos e Philip puxou Evan pela camisa e atirou-o numa árvore que quase dobrou com o impacto. – Philip! – Lyss gritou, mas, ele já estava sobre Evan dando-lhe socos e pontapés.

Evan segurou a perna de Philip e girou-a quando ele distraiu, Philip gritou a plenos pulmões, sua perna retorcida para o lado contrário. Evan estava agora com as mãos em chamas, ele puxou Philip pelo pescoço e segurou-o contra a árvore, Philip se teletransportou levando-o junto.

– Eu deveria ter feito isso antes. – Evan disse com os olhos cheios de ódio

– Era o que faltava pra completar sua sentença. Uma morte inocente em suas costas. – Philip atreveu-se a sorrir

Lyss abriu os olhos e a dor se afastava aos poucos, ela conseguia escutar Evan e Philip, mas, atrás da nuvem de fumaça não conseguiu pensar em nada coerente, ela demorou a perceber que o fogo ao redor de si estava crescendo e suas mãos ainda queimavam e cicatrizavam com velocidade parecida. Ela tentou levantar, mas, a dor agora subia para o seu peito.

– O que está havendo aqui?

Winfrey?

Nadine distanciou-se por causa da fumaça e puxou Clovis consigo.

– Tem um corpo ali. – Mathias passou muito perto do fogo que consumia tudo, viu os cabelos escuros próximos ás mãos que queimavam – Lyss está queimando! – ele gritou

Demetree veio correndo logo atrás sendo seguido pelas Elementares e Mestres. Ele também viu as mãos de Lyss queimando, viu o sangue escuro e a quantidade de fumaça que a rodeava. Simultâneo a isso Evan – cego de ódio, e diante da única oportunidade de matar Philip – apertava-lhe o pescoço com toda força, Evan ouviu algo estalar sob sua mão.

– Ev... – Philip balbuciou sem ar

– Estou feliz em te ver agonizar enquanto morre.

Mas, Philip estava olhando sobre o ombro de Evan, já estavam distantes do início da luta e a única coisa que Philip via agora era a espessa fumaça.

– Me mate! – ele cuspiu as palavras – Mas, não deixe Lyss morrer. – implorou

Evan arregalou os olhos enquanto suas pupilas dilatavam, o cheiro da fumaça veio sob o ódio e emergiu. Ele soltou o pescoço de Philip que caiu no chão tossindo. Evan correu na direção do fogo e não viu quando Philip se teletransportou e surgiu ao lado de Lyss antes que Evan sequer a visse.

– Lyss... – ele chamou, Demetree o encarava de olhos arregalados e Winfrey exclamou qualquer coisa, mas, agora as Elementares e seus Mestres estavam concentrados em apagar o fogo que consumia tudo o que tocava, Lyss estava desacordada

– O que você está fazendo aqui? – Demetree gritou

– Isso não importa agora, vou levá-la ao Instituto – Philip tirou o próprio casaco e cobriu as mãos ainda em chamas de Lyss, o fogo apagou e a pele foi se reconstituindo aos poucos

– Não vou deixar você sair daqui com ela. – Demetree empurrou-o e esticou Lyss em sua direção protetoramente

– Faça algo útil e chame um médico. Steven talvez. – ele puxou Lyss e tentou tirá-la do contato dele para que apenas ela fosse teletransportada

Winfrey aproximou-se e olhou com preocupação para a cena, Demetree agarrado á parte do braço de Lyss que não havia sido queimado, Nadine apareceu logo depois e tocou o ombro de Philip, ele sentiu uma energia fluir rápido para ela. Arfou.

– Deixe. – ela sussurrou para Winfrey

– Deixe-o levá-la. Ele vai para o Adams.

– O feitiço... – Philip encarou Winfrey

– Já foi tirado.

Philip assentiu e esperou que Demetree soltasse-a para desaparecer num piscar de olhos.

Evan apareceu no segundo seguinte.

– Vocês deixaram? Deixaram ele levá-la? Mas, que inferno! – ele gritou e correu na direção do Adams.

– Evan! – era Nadine quem gritara – Ele é o Mentor. O Mentor dela.

Ele parou bruscamente e virou-se para os rostos assustados. Ainda estava tudo em chamas, ele viu Lauren erguer a água e atirar sobre os pontos com mais fogo e Tisha e Louis trabalharem juntas jogando terra sobre os demais pontos em chama, logo após estava Félix e Victoria como numa dança, apagando os pontos que se alastravam.

– Eu sou o Mentor de Lyss.

– Não! – Demetree meneou a cabeça e ergueu-se do chão onde Lyss estivera – Talvez de Lauren.

Evan olhou a garota, ela estava concentrada em ajudar, trabalhava bem sozinha, mas, precisava de alguns acertos que ele podia ajudar mais tarde.

– Não importa! – ele disse, mas, importava sim.

Winfrey apertou as têmporas e suspirou olhando o ponto que Evan desapareceu.

– Quem fez isso?

– Lyss. – foi Demetree quem respondeu – Por isso ela chamou vocês aqui. Ela não é uma Elementar. É uma Filha da Lua, controla todos os Elementos.

– Eu não usaria a palavra “controlar”. – Victoria passou a mão na testa suada, agora Cassie e Ross destinavam a fumaça apenas para cima, num pequeno redemoinho. O fogo estava controlado.

– Você entendeu. – Demetree bateu na própria roupa para afastar a areia.

– Então está tudo bem? – era Lauren perguntando – Está confirmado que eu sou a Elementar da Água?

Winfrey engoliu em seco.

– Provavelmente. Vamos para o castelo, temos muito o que conversar. Pra início de conversa eu quero saber como um banido pode estar aqui e ser um Mentor, depois quero que me explique essa história de Filha da Lua.

Lyss abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi um rosto preocupado e de cenho franzido. Ela poderia estar sonhando. A camisa branca de Evan estava suja e os cabelos revoltos, seu rosto estava um pouco úmido e sua mandíbula tensionada.

– Amor. – ela conseguiu dizer

Evan arregalou os olhos agora brilhantes, tocou-a de leve no rosto e fechou os olhos.

– Desculpe! Por favor me desculpe. Eu estava lá e... eu senti tanta raiva de vê-lo perto de você e...

– Tudo bem... – Lyss puxou o ar devagar e fez uma análise mental de si mesma. Sentia o gosto de fumaça na boca e as mãos já estavam cicatrizadas, não havia dor, só exaustão física – Agora eu entendo o que você disse sobre não se queimar com o fogo. – era uma tentativa de piada que não deu certo

– Você começou de trás para frente, mas, vamos ter tempo para...

– Eu quero voltar para Califórnia. – ela umedeceu os lábios – Estava contando que você fosse comigo.

Evan desviou o olhar

– Vamos por partes. Eu quero que me conte tudo o que houve aqui enquanto eu estava fora.

Lucy caminhava do lado de fora do quarto, estava andando em círculos para não enlouquecer.

– Eu não entendo o porquê de não levarem-na para o hospital.

– E dizer o quê? E dar o quê pra ela? Steven já lhe deu as ervas necessárias e água suficiente, é só ele sair e poderemos entrar. – Demetree disse, mas, estava tão nervoso quanto ela

– Quem é você mesmo? – Lucy ergueu uma sobrancelha, Chris só suspirou encostado na outra parede

– Eu sou o Mentor de Evan, professor de Lyss. Você é a tia, não é?

– Segredos e mais segredos. – Félix ironizou aparecendo no fim do corredor

– Não mais. – Demetree cortou evitando seu olhar

– Sério que vocês vão discutir toda essa bobagem de magia aqui? – Chris deu um suspiro cansado

– É demais pra você humano? – Félix rebateu

A porta abriu e Evan saiu acompanhado de Steven, o médico.

– Ela está bem, preciso ir agora, deixei meu plantão. – ele dizia

– Obrigado Steven. – Evan falou.

Lucy passou por ele e entrou no quarto, Chris e Demetree a seguiram. Evan continuou na porta até Steven sumir acompanhado de Félix. Ele virou-se e deparou com Philip, Demetree, Lucy e Chris ao redor de uma Lyss sorridente. Ele suspirou devagar e cogitou entrar e ter que aturar a implicância gratuita de Chris, os olhares duvidosos de Lucy e o ódio explícito e mútuo de Philip. Lyss encarou-o e ele moveu os lábios dizendo “Daqui a pouco eu volto”, ela sorriu abertamente e respondeu um “Eu amo você”.

Evan sorria enquanto descia as escadas, parecia que anos haviam passado desde a última vez que estivera ali, ele respirou fundo, o corpo ainda cansado e ativo depois da briga com Philip, ainda lhe embrulhava o estômago com a possibilidade de pensar em Lyss com ele, rindo junto e feliz em estar com ele. Estava saindo do Adams quando viu a menina Elementar da Água. Lauren.

Ela sorriu discretamente como um cumprimento.

– Você é a Elementar. – ele falou

Lauren parou e encarou o homem. Era bonito.

– É. Você é o meu Mentor? Por que tem sido uma droga aprender tantas coisas sem um auxílio de alguém que entenda. – ela sorriu

Evan meneou a cabeça

– Não, mas, posso te ensinar o que eu sei sobre a Dominação da Água.

Ela sorriu mais abertamente.

– Agradeço. Você está de volta tipo, pra sempre?

– É. – ele moveu os ombros e colocou as mãos no bolso – Podemos dizer que sim.

– Winfrey falou que eles vão fazer alguns testes com vocês. Com você e sua namorada. – ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha

– É. Mas, depois de hoje está tudo prestes a ser resolvido.

– Foi uma entrada triunfal. – ela riu cruzando os braços

– Devo dizer que você se virou bem lá, dominando a Água e apagando o incêndio.

– Obrigada. – ela ia entrar no castelo e estava a centímetros dele – É Evan, não é? – ela estendeu a mão

– Isso. – ele ergueu a mão em resposta – Lauren?

– Sim. Muito prazer. – apertou a mão de Evan e tudo ao seu redor se desligou.

Não havia mais nada ali além dele, era a única linha que a mantinha no chão, Lauren viu como Evan via Philip, sentiu o que ele sentia e aquilo passou a pertencê-la também, ele também sentiu como ela, Lauren teve que se virar cedo e usou o próprio dom para sobreviver, não tinha parentes próximos, apenas um tio e um primo que viviam na Inglaterra. Ela era sozinha. Evan a tomou para si como um pai, ou irmão mais velho. Estava tudo ali.

Medos, Desejos, Sofrimentos. Os dois como um só.

Lauren viu como a presença de Lyss era clara e constante nele, viu as proporções absurdas daquele sentimento e como eles se completavam e pertenciam-se.

– Minha nossa! – ela falou enquanto o fluxo de informações diminuía

– Acho que estava enganado. – ele também estava zonzo – Errei em dizer que você não é minha Elementar.

Ela riu.

Lyss sorriu para Chris, Lucy e Philip.

– Winfrey está com Demetree lá embaixo e vai explicar tudo para todos.

– Eu já estou bem e posso muito bem falar o que eu sei. Você também devia ir, eu ainda não sei tudo o que você sabe. – ela replicou impaciente

– Você não pode descansar? Tem que ficar esfregando sua imortalidade na cara dos mortais? – Chris deu um soco de leve no ombro de Lyss, ela riu

– Lyss não é imortal. O imbecil do Evan é.

– Você também não gosta dele. – Chris estendeu a mão

Philip riu

– Bem vindo ao clube. – deram-se as mãos e Lyss puxou cada uma para o lado oposto

– Não sejam idiotas.

Eles riram.

– Estou fora disso. – Lucy disse afagando o cabelo da sobrinha – Só quero te tirar daqui. Talvez dê tempo de te matricular numa boa escola e...

– Ah não tia... – ela fez cara emburrada

– Eu concordo com isso. – Philip fingiu pensar a respeito – A gente precisa mesmo encontrar algumas respostas sobre os pais de Lyss, Lucy. Talvez você possa ajudar.

– Se eu for adotada mesmo – ela suspirou – eu quero saber quem são meus pais e o que houve com eles.

– Eles vão te deixar sair assim? Você não tem nada mais pra fazer aqui? Como esses feitiços que salvarão a humanidade de alguma catástrofe catastrófica.

– Não Chris. Sendo Filha da Lua eu posso seguir minha vida, não é Philip?

– Isso!

– Posso ficar com Evan. – ela sorriu e viu Chris e Philip fazerem a mesma expressão de deboche e irritação. – Não impliquem! – ela pediu fazendo careta

A porta abriu e Nadine entrou.

– Com licença. Eu vim saber como você está Lyss.

– Você se importa? – Lyss e Philip disseram em uníssono

– Olha gente, eu só estava fazendo meu trabalho. – ela falou sem se desencostar da porta – E o que eu vim falar é importante.

– Cheia de recadinhos. – Chris ironizou – Por mim você já estava longe daqui, junto com aquele vidente falso. Que pousa de bom moço e é um obcecado, isso sim.

Nadine suspirou

– Tudo bem, já entendi. Já que Lyss não quer saber a informação que eu tenho eu só quero lembrá-la do que eu falei quando ela estava na Inglaterra. Que ela não pode ser unida por duas metades. – ela saiu logo depois

Mais tarde Lyss estava com Cassie, Louis, Victoria, Nataly, Marcus, Rick, Charles, Carlie e Lauren no quarto. Eles conversavam animadamente, até Lauren estava contando-lhe como estava seu desempenho no controle de Água e fez Lyss prometer treinar com ela qualquer dia, tudo estava fluindo. Philip apareceu de roupa trocada e os Bruxos saíram com despedidas efusivas, ele não se demorou, contou-lhe toda história sobre suas descobertas e depois foi embora. Lyss aproveitou o tempo sozinha para tomar um demorado banho, estava de toalha e escolhia uma roupa confortável para dormir quando ouviu um barulho vindo da janela.

– Eu poderia entrar pela porta, mas, não quis abandonar velhos hábitos. – ele sorriu sentado no parapeito, ficou sem jeito ao notar a roupa (ou falta dela) de Lyss.

– Entre! Não que você precise de convite. – ela apertou a toalha ao redor de si, consciente demais de sua pouca roupa – Eu estava me preparando para dormir.

– Dia longo?

– Um pouco conturbado se levar em conta meu ócio dos últimos meses.

– Queria ouvir essa história.

– Nada interessante. – ela franziu o nariz numa careta, ele sorriu. Lyss voltou a vasculhar seu guarda roupa, ela escolheu uma camisola lilás e um short do mesmo conjunto.

– Você consegue ficar mais linda a cada minuto. – ele encostou-se na cama e ficou observando-a. As pernas nuas, as nádegas protuberantes e bem desenhadas pela toalha, os seios apertados e semi descobertos.

– Eu penso o mesmo de você. – ela apertou a camisola contra o corpo. Evan tinha os cabelos molhados jogados para trás, os dois primeiros botões da camisa abertos, a pele clara pedindo para ser tocada. Era a primeira vez que eles estavam no mesmo ambiente com tão pouca roupa em ambos. A tensão sexual estava grande. – Vou me vestir! – ela disse de repente e foi para o banheiro.

Lá ela se vestiu e ficou diante do espelho, estava com as pupilas dilatadas, o rosto avermelhado e os lábios mais cheios que o comum. Arrumou o cabelo e molhou o pescoço quente. Puxou todo o ar que conseguiu para os pulmões e abriu a porta devagar. Talvez Evan já estivesse dormindo ou teria ido embora, mas, bastou que ela abrisse a porta e seu coração reiniciou o ritmo frenético, Evan estava encostado á parede ao lado da porta e ela teve um sobressalto ao vê-lo.

– Eu... – ela ia dizer, mas, calou-se

– Eu senti sua falta.

Ela sorriu e aproximou-se dele.

– Você lê meus pensamentos.

Evan ergueu o queixo dela devagar, fitando-a nos olhos.

– E você? Consegue ler os meus?

Ela não respondeu, ficou na ponta dos pés e beijou-o. Nenhum outro beijo foi como aquele, o sofrimento, a fome e a excitação estavam intimamente entrelaçados nesse beijo específico. Evan correspondeu de todo coração, tirou-a do chão e Lyss envolveu-o com as pernas, ela sentia todo o corpo arrepiar-se apenas com aquele contato.

Ela sentiu as costas contra o colchão e nem havia percebido que eles saíram do lugar, a mão de Evan percorreu seu braço e sua barriga, ele torturava-a subindo e descendo sem passar dos limites da roupa, Lyss gemeu e contorceu-se, entrelaçou os dedos nos cabelos ainda úmidos dele e aprofundou o beijo enquanto assumia o papel de torturá-lo também.

– Não faz isso! – ele pediu tirando a mão dela de sobre sua calça – Eu estou... – ele gemeu – tentando me conter. Assim você não ajuda.

– Não quero que você se contenha. – ela sorriu

Ele riu e baixou a cabeça por um momento. Estava tão ofegante quanto ela, dividia o peso do próprio corpo nos cotovelos tentando deixar todos os milímetros de seu corpo junto ao de Lyss.

– Você está perigosamente vulnerável. – ele falou mordendo-lhe o lóbulo da orelha e sentindo-a contorcer-se – Mas, eu preciso estar no controle. – suspira – Lyss? – ele afastou-se o suficiente para olhá-la nos olhos – Eu não sei bem até onde eu posso ir e voltar atrás, entende? Talvez eu consiga e controlar e...

– Evan? – ela segurou seu rosto com as duas mãos – Eu sei o que estou fazendo e quero fazer com você. Não quero que pare! – ela sorriu para a preocupação dele que se dissipava

Evan era um cavalheiro, acariciou e fez com que Lyss se sentisse única e especial, a maneira como as mãos dele desciam e subiam em suas coxas, o jeito como as mãos traçavam o caminho que a língua faria logo depois, as mordidas e seu esforço de não perder o controle até deixá-la preparada para recebê-lo.

– Se eu te machucar... – ele começou

– Não vai. – ela disse

– Lyss, se eu te machucar quero que diga. Eu quero que seja perfeito.

As luzes haviam sido apagadas há muito, o brilho da lua entrava pela janela e fazia contornos no chão onde a camisa de Evan estava e onde a camisola de Lyss foi parar logo antes da calça de Evan, ela deslizou as unhas levemente por cada parte descoberta, ele estava entre suas pernas e as células de Lyss imploravam por mais e mais. Ela ofegava com ele quando soube que estava pronta. Evan foi com calma, devagar, sentindo-a e deixando que ela o sentisse e se acostumasse á ele. Naquela noite eles alcançaram o ápice juntos, com os olhos cravados um no outro e com um sorriso e uma calma de duas almas que se irmanam. Que se completam.

– Acorda minha vida. – Evan dava curtos beijos no nariz de Lyss, ela tentou esconder o rosto em seu peito.

– Deixe-me em paz, eu quero dormir! – ela pediu rindo quando ele lhe fez cócegas

– Acho que eu tenho que ir. Sua tia não ficará assim tão feliz ao me ver aqui, eu tenho certeza que ela virá logo cedo. Ou pior, seu Mentor pode aparecer, ou pior Chris, o melhor amigo ciumento demais para o meu gosto.

Lyss revirou os olhos e encarou-o.

– Você fica lindo quando acorda ao meu lado.

– Convencida! – ele sorriu

– E verdadeira. O que é uma dádiva e tanto.

Evan riu abraçando-a, o sol estava pra nascer, Lyss descansava a cabeça em seu peito e ouvia o bater suave de seu coração.

– Eu amo você. – ele sussurrou como quem conta um segredo

– Eu sempre soube disso. – Lyss apoiou-se nos cotovelos para encará-lo

Ela ainda estava com tanta roupa quanto ele, o que resulta em nenhuma, ela estava de bruços e a coberta escondia da cintura pra baixo, as costas completamente nuas.

– Não me tente assim. – ele gemeu abraçando-a

– O que foi que eu fiz? Você me acordou!

– Você respirando é sexy. – ele beijou-lhe a bochecha

Lyss usou o indicador e o polegar para apertar o nariz

– E agora?

Evan riu beijando-a mais.

– É sério amor. – ele esticou-se para pegar sua própria camisa do chão e ajudou-a a se vestir – Vamos precisar levantar em algum momento.

– Ou deixar que todos vejam quão lindo é nosso amor. – ela brincou esticando a camisa sobre o corpo

– Posso te confessar uma coisa?

– O quê? – ela tirava os cabelos presos na gola da camisa

– Sempre sonhei em te ver usando uma camisa minha.

Ela riu abraçando-o outra vez. Ficaram em silêncio por um momento, Lyss desenhando contornos imaginários no peito de Evan.

– Eu te machuquei? – ele perguntou baixinho de repente.

Lyss sorriu

– Não. Foi perfeito.

– Sério? – ele ergueu uma sobrancelha.

– Palavra de escoteira. Pronta pra outra. – ela deu de ombros e Evan riu.

– Não faz isso! – ele revirou os olhos e puxou-a para mais um beijo. — Você é tudo o que eu tenho, Lyss. A extensão de minha vida, tudo o que traz felicidade á ela. Nem que eu sobrevivesse á dez anos sem você, nem assim nenhum traço de seu rosto perfeito seria apagado de minha cabeça. Até porque, não é o tempo que faz com que esqueçamos as pessoas... é a vontade. – ele parou enquanto ela erguia-se para fitá-lo nos olhos – É importante que você tenha plena consciência de que nem que eu viva duzentos anos... nem assim, eu nunca vou ter o suficiente de você e sempre vou precisar de mais e mais, não pretendo permitir que nos afaste outra vez. – ele se interrompeu e suspirou – Eu sempre vou amar você. Não é como se fosse possível pensar em algo além de você, como se meu cérebro processasse algo que não envolva você, como se fosse possível isso... eu simplesmente não possuo essa capacidade, Lyss. É uma tolice cogitar tal possibilidade inexistente.

– Sabe que, é como se você nunca tivesse partido? – ele franziu o cenho sem entender, mas, esperou ela terminar – É que, a felicidade que estou sentindo agora faz com que eu me pergunte se os últimos meses não foram frutos da minha imaginação. – explicou

A mão quente passeou pelo rosto de Lyss, ele sorria apoiado no cotovelo, ela afastou uma mecha de cabelo da testa dele.

– Talvez – Lyss suspirou olhando fundo em seus olhos para que ele enxergasse a veracidade daquelas palavras – Talvez seja porque minha mente insiste em apagar todos os momentos em que você não está presente.

Evan abriu o sorriso mais gracioso que ela já havia visto, seus olhos castanhos esverdeados brilhavam com muita intensidade.

– Até hoje me pergunto como você consegue isso.

– Consegue o quê?

– Ser tão... tão – ele procurou a palavra correta – tão incrivelmente estonteante e linda, depois dizem que perfeição não existe.

Lyss corou

– Está brincando não é? Eu que me pergunto como você consegue ser tão perfeito. Tenho muita sorte de ter você.

Ele revirou os olhos e a encarou como se ela tivesse falado uma enorme besteira

– Seu cérebro deve ter parado novamente.

A forma como ele disse fez com que ela risse, porém o riso logo se transformou em um suspiro quando os lábios entrelaçaram novamente, ela sugou seus lábios lentamente com todo o carinho que conseguiu. A mão quente descansou em sua cintura, Lyss ficou de olhos fechados mesmo depois do fim do beijo, estava gravando a textura dos lábios dele nos seus.

Notas finais
Postando again *--* Estava tão empolgada com o Livro Dois (Sim, terá o 2, afinal, é uma Série) que me perdi um pouco daqui, mas, vou postar tudo o que tenho today.