– Por que talvez o amor não seja suficiente. – ele disse afastando-se – Por que você sabe que eu nunca vou conseguir conviver com Philip, por que você sabe que eu não concordo com você indo atrás de respostas sobre seus pais.

– Então nosso amor não é suficiente? – ela franziu o cenho afastando-se mais – Então o que é tudo isso? – apontou ao redor – Alguma piada comigo?

O ambiente havia mudado. Lyss sentia. Ela puxou o ar sentindo-se doer por dentro.

– Eu estou curtindo meus momentos com você.

Ela deu outro passo para trás e encarou-o. Podia ser uma brincadeira. Ela gostaria que fosse.

– Onde está Philip? – perguntou de repente, buscou-o em sua cabeça. Havia uma leve presença dele ali.

– Não sei. – Evan cruzou os braços

– Eu vou embora. – ela falou saindo do salão.

É preciso muito tempo pra construir um relacionamento, confiança... Tudo o que há de importante em nossa vida leva tempo pra ser construído. Tudo o que é importante em nossa vida pode ser destruído em um segundo. Ela saiu para o ar frio e passou a mãos nos braços nus, suspirou profundamente e caminhou devagar em direção á floresta.

– Aí está você. – era Philip

Ele estava longe, próximo nas árvores, sua silhueta se confundia com o escuro da noite.

– Vamos embora. – ela gritou pra ele e foi em sua direção – Eu não quero mais ficar aqui.

Ela podia conversar com Evan no outro dia, hoje ele parecia perturbado demais para pensar com clareza.

– Eu preciso te mostrar uma coisa importante. – ele falou e seguiu floresta adentro.

A presença dele na mente de Lyss ainda era pouca, ela seguiu atrás dele. Philip estava a muitos passos adiante.

– Quer me esperar, por favor? – ela reclamou de mau humor.

Há muitos quilômetros dali Nataniel olhava as folhas que Fred havia arrancado do livro de Aiida, ele leu os informes. Ali dizia que Lyss teria a resposta para o feitiço que buscara sua vida inteira. Sua família era amaldiçoada por aquele gene Shadie, se eles capturassem Lyss tudo aquilo acabaria. Ele olhou as formas desenhadas no papel e passou a mão sobre sua cicatriz no rosto, não havia espelhos na mansão, mas, o vidro da janela era suficiente para que ele se visse. Se conseguisse destruir o feitiço aquilo talvez acabasse também. Sua família ficaria livre. Só precisa de Lyss, só isso. Precisava que ela lhe desse todos os ingredientes para o feitiço. Ele depositou o celular na mesa, estava aguardando que Fred lhe dissesse que conseguira capturá-la.

Nataniel havia ido muito longe por isso. Por essa causa. Toda aquela mobilização de seus bruxos, lançando e tirando os feitiços sobre a casa que ele havia escondido para ter a certeza de que Lyss era mesmo a filha de Alice.

Alice... Tudo voltava á ela. Era tudo por culpa dela de algum jeito. Direta ou indiretamente. Ela foi a mulher que Nataniel mais amara durante a vida, e agora nada disso fazia sentido. O livro sobre a quebra do feitiço da Maldição dos Shadies dizia que Lyss teria os ingredientes para que o livrasse da maldição, só precisava dela, só isso e todos os seus tormentos acabariam. Nataniel puxou a gaveta e tirou a fotografia antiga de lá, ali estavam ele, Alice e Demetree. Ele podia dizer que Demetree também era culpado, assim como Alice, mas, o pecado de Demetree foi ter sido um pouco mais idiota que Nataniel. Ele encarou a si mesmo, o rosto sem deformações naquela época, o sorriso que há muito tempo deixara de visitar aquele rosto. Depois encarou Alice, seus cabelos pretos caindo em cascata sobre os ombros, os olhos azuis brilhantes, o sorriso impressionante. Ela era linda. E tão perigosa quanto. Fechando os olhos com força ele escondeu a fotografia de seu campo de visão guardando-a de volta á gaveta. Sabia que existia o risco de Lyss não ser filha de Alice, mas, as coincidências eram impressionantes, ainda não a vira pessoalmente depois que ela crescera, mas, se bem se lembrava, Lyss era a cópia fiel da mãe.

Ele suspira e recosta-se na poltrona, depois que Lyss lhe dissesse como quebrar o feitiço as coisas voltariam a ficar bem. Com ele, com sua família e todas as pessoas infectadas com a maldição. Por isso ele ficou a encarar o telefone. Estava aguardando notícias de Fred.

Lyss fincou os pés no chão e observou a silhueta de Philip modificar aos poucos.

– Philip? – ela chamou agora que sua presença estava mais viva

“- Estou chegando em Lisarb, precisei parar na Inglaterra. Você está tensa, o que houve?”

– Nada. – mentiu de olhos arregalados – Só vem pra cá o mais depressa que conseguir.

Dito isso ela virou-se para correr quando deparou-se com um homem um pouco mais velho que ela mesma, o homem a olhava com uma curiosidade absurda, ele sorriu.

– Te achei! – murmurou ainda sorrindo

– Quem é você? – ela se ouviu perguntar

– Seu pior pesadelo. – sorriu

– Pode parar com isso. – outra voz soou atrás de Lyss, ela virou-se para deparar com um homem moreno e alto – Vamos levá-la daqui enquanto há tempo.

– Deixe que ela escolha se por bem ou por mal.

Lyss podia sentir as células de seu corpo agitando a medida que uma grande dose de adrenalina era lançada em suas veias. Sua respiração tornou-se ofegante antes que ela resolvesse atacar. Nem parecia ter sido uma atitude pensada, ela só viu a si mesma lançar o homem diante de si para longe ao mover o ar ao seu redor, de soslaio ela viu o outro homem, o alto e moreno mover as mãos, mas, ela ergueu uma parede de terra e lançou na direção dele. Lyss sentiu as pernas fraquejarem e a pele esquentar, arregalou os olhos olhando as mãos, as linhas desenhadas sobre sua pele pareciam pegar fogo e a dor era insuportável, mas, uma coisa a deixou estática, as linhas se moveram levemente e cresciam formando novos desenhos um após o outro. No outro segundo estava correndo e chamando por Philip mentalmente, mas, a dor dentro de si só crescia, como se estivesse sendo destruída de dentro pra fora. Lyss parou e desabou no chão, a pele de seus braços queimando de dentro pra fora, tornando-se preta e secando o sangue que mal tinha tempo de gotejar. A dor a consumia de tal forma que Lyss podia ouvir seu corpo lutar contra si mesmo, ela sentiu o gosto do sangue na boca e ao cuspir viu que estava sangrando internamente.

– Lyss. – era Evan, ele veio até ela depressa – Eu ouvi você e... O que está acontecendo? – Evan ajoelhou-se ao lado de Lyss e tocou-a nos braços

– Eu não sei, mas, está doendo tanto. – ela mal conseguia falar

Lyss estava lutando para permanecer consciente quando ouviu um som ao longe, antes que se desse conta viu Evan e Fred lutarem um contra o outro, as imagens giravam ao redor dela.

Evan lutava com maestria, como uma dança, ergueu as pedras ao redor e lançou em Fred, ele desviou-se dos ataques com uma rapidez impressionante e passou por Evan, o Bruxo vinha logo depois.

– Você é o filho do erro. Já ouvi falar de você, mas, deve saber que meus poderes estão ampliados aqui nessa ilha – o Bruxo falava – Se eu fosse você não me subestimaria.

– O que vocês querem?

– A menina.

Fred estava entre Evan e Lyss – caída no chão ainda contorcendo-se de dor -, e o Bruxo de pé diante de Evan.

– Vão ter que me matar primeiro. – Evan disse e deixou seu poder emergir. Era mais fácil assim, todos os seus sentidos ampliados, Evan lançou Fred longe com o deslocamento brusco do Ar, depois ergueu milhares de pedras e lançou em Fred, que caiu ao lado de Lyss e ergueu-se outra vez, aproveitou-se de um instante de aparente descuido de Evan e tentou socá-lo com toda força, as, Evan já havia desviado e deu uma sequência de socos tão fortes no rosto e estômago de Fred que ouviu o soco de sua cara quebrar, mas, Fred apenas resfolegou e tentou socá-lo de novo, mas, Evan já o havia lançado longe outra vez e preparava-se para enfrentar o Bruxo que vinha com fúria em sua direção.

Fred vomitou sangue e lutou esperando o corpo regenerar quando virou de lado e deparou-se com o rosto de Lyss há alguns centímetros do seu, ela já respirava menos ofegante e preparava-se pra erguer-se quando Fred segurou seu braço e procurou seus olhos.

– Mate-o. – Fred disse com ódio – Mate Evan. – disse tentando entrar em sua cabeça, mas, havia uma barreira tão espessa que ele franziu o cenho. Lyss socou-o com força e Fred caiu desacordado.

Ela levantou-se, seus braços ainda doíam, mas, ela viu Evan e o Bruxo em uma luta violenta raciocinou o mais depressa que conseguiu e ia interferir quando percebeu que Evan estava ganhando. Foi quando Fred esticou-a pela perna fazendo-a cair, as unhas dele pareciam ter dobrado de tamanho, pois ele cravou-a em sua perna. Lyss ia chutá-lo na cara, mas, ele esticou-a com força e deixou seus rostos a poucos centímetros, Fred segurou-a pelo pescoço apertando forte e buscou seus olhos outra vez, Lyss desvencilhou-se e ficou de pé, Fred veio consigo e atacou-a, ela o empurrou para longe e avançou na direção de Fred, lhe lançou uma estaca de pedra, Fred foi quase tão rápido quanto Lyss, ele se desviou do ataque, mas, foi atingido no braço de raspão. A gota de sangue escuro desceu pelo braço antes do ferimento se fechar. Lyss lançou um redemoinho de fogo na direção dele, mas, percebeu logo que não tinha controle sobre esse Elemento específico, a dor estava mais longe agora, quando Fred defendeu-se as chamas passaram a consumir as árvores atrás dele. Mas, a preocupação estava distante do consciente de Lyss agora, ela foi na direção de Fred outra vez, mas, ele era ainda mais rápido e quando ela atirou pedras na direção dele Fred simplesmente desviou-se de cada uma delas e chegou perto de Lyss o suficiente para derrubá-la com um soco.

– Você é poderosa – ele deu outro soco e Lyss não consegui mover o ar ao redor para tirá-lo de cima dela – Mas, é inexperiente como um cachorrinho.

Lyss fervia de raiva, as chamas em seus braços já haviam apagado quando ela ergueu-se e preparava para usar todo o poder que sentia, foi quando um homem alto e moreno apareceu do nada, de sua mão erguia uma leve linha de fumaça.

– Atteticus! – ele falou e as cinzas da folha voou na direção de Lyss, que ficou paralisada imediatamente

– Essa cadela quase me matou. – Fred disse com um suspiro raivoso

– Contanto que ela esteja viva o resto não me interessa. Minha única dúvida é se a levamos agora ou matamos o Filho do Erro primeiro. O feitiço não durar muito tempo.

– Vamos sair daqui. – Fred espantou a poeira da roupa e estava prestes a carregar Lyss nos braços quando foi atingido por um soco tão forte que caiu desacordado ao lado de Lyss outra vez

– Merda! – Paul, o bruxo, murmurou antes de se defender do ataque potente de Evan – Você de novo!

Fred entreabriu os olhos, estava bem diante de Lyss, ele balançou-a levemente e Lyss balbuciou qualquer coisa, o feitiço estava se desfazendo. Quando ela abriu os olhos Fred os procurou, mas, se viu bloqueado mais uma vez quando tentou Compeli-la, seus olhos foram atraídos para o colar que ela usava. Era um bloqueio contra shadies. Fred arrancou-o e tentou outra vez. Lyss pregou os olhos nos dele e simplesmente não conseguiu desviar.

– Você vai matar o Filho do Erro. – Fred falou entrando nos Desejos de Lyss – Você vai matá-lo agora!

Era como ver o mundo atrás de um vidro embaçado, eu tinha uma leve consciência da temperatura do fogo lá atrás e do Bruxo que ainda tentava se proteger de Evan, atrás desse vidro embaçado essa era a única coisa nítida: Evan. Lyss levantou-se com uma rapidez e leveza familiar, o temor esvaindo de seu corpo e dando lugar pra uma Energia tão potente que cegou-a completamente, o corpo estava movendo-se sozinho para Evan, Lyss ergueu a mão ao redor de si e moveu o ar o suficiente para tirá-la do chão, os olhos de Lyss estavam sem foco e escuros, a medida que ela flutuava na direção de Evan o fogo azulado a acompanhava exterminando as folhas ao seu redor. Paul estava no chão, imóvel quando Evan olhou-a e arregalou os olhos assustado.

– Lyss? – atrás dela Fred sorria.

Lyss ergueu uma bola de fogo em suas mãos e lançou com força na direção de Evan, ele foi pego de surpresa e acabou queimando a palma das mãos, mas, conseguiu desviar o ataque, mas, depois desse já veio outro e outro, as pedras eram como estacas sendo lançadas para Evan, ele transformava todas em pó, mas, não foi rápido o suficiente para uma que o atingiu no braço. Evan resfolegou e arrancou a estaca, mas, para sua total surpresa a dor continuou lá, mais que isso: Sua pele não se regenerou.

Foi mais ou menos nesse momento que ele entendeu de uma vez que Lyss era a única capaz de matá-lo.

– Lyss. – ele chamou – Sou eu, Evan. – apertou o ferimento com força, o sangue escorria entre seus dedos, a pele avermelhada ardia.

Mas, ela não ouviu uma palavra, só continuou seguindo para ele. Evan saiu do chão e pousou numa árvore ali em cima, uma das poucas que ainda não havia sido queimada. Os Wateaires chegariam logo.

– Eu preciso matar você. – Lyss falou e de modo surpreendente moveu o ar ao seu redor e se lançou para Evan, os socos eram potentes e precisos, Evan tentava desviar-se de todos eles, principalmente depois que os punhos dela tornaram-se bolas de fogo e as linhas em seus braços brilharam com intensidade surpreendente.

Evan fugiu entre as árvores e Lyss foi atrás dele com fúria. Paul cuspiu o sangue no chão e limpou o canto de sua boca.

– Onde a menina está? – ele ainda estava atordoado, o lábio inferior estava inchado, a sobrancelha sangrava e seus dedos da mão não se moviam direito. Precisava de ervas de cura.

– Eu mandei ela matar aquele insuportavelzinho de merda. – Fred sorria, estava caído no chão e sentiu o corpo se regenerar aos poucos.

Paul travou os dentes com fúria.

– Imbecil! Quando tempo você acha que teremos até algum Wateaire aparecer aqui? – ele segurou a pedra que o daria a conexão necessária para voltar á Inglaterra – Talvez seja melhor deixar você resolver sozinho, já que começou a tomar as próprias decisões.

Era uma pedra única. Um feitiço que podia ser feito por qualquer pessoa, qualquer espécie, mas, que só podia ser usado duas vezes pela mesma pessoa.

– Espera! – Fred ergueu-se com imensa dificuldade – Podemos pegá-la. Eu enfeiticei-a, posso levá-la com a gente.

Mas, Paul estava com medo. Era um Bruxo e já tinha quebrado muitos códigos indo até o Santuário que era Lisarb, por isso respirou fundo e segurou a pedra pálida entre os dedos.

– Você está por sua conta e risco agora. Boa sorte, você vai precisar.

Foi quando Philip surgiu diante de Paul, o Bruxo levou um sobressalto tão grande que ficou paralisado encarando o homem de expressões duras.

– Eu ia lhe dizer a mesma coisa. – Philip disse antes de socar o rosto do homem levando-o ao chão. Logo depois ele segurou a cabeça do bruxo e girou-a a 360 graus, os ossos estalaram quebrando-se. A pedra jazia no chão ao lado do corpo ensanguentado de Paul. – Sua vez. – ele disse, os olhos ferozes virados para Fred, que se encolhia como um animal assustado.

– Espera... Se me matar nunca vai ter a Filha da Lua de volta. Ela está enfeitiçada e...

– O que você é?

– Eu?

Philip revirou os olhos impaciente, desapareceu numa nuvem de fumaça e apareceu tão próximo a Fred que suas roupas encostavam-se.

– O que você é? E quem te mandou aqui?

– Shadie. – Fred respondeu temeroso. A compulsão era sua única defesa, mas, estava tão assustado e ainda com tanta dor que preferiu apenas responder.

– Quem te mandou aqui?

– Eu não posso dizer. Estou compelido também.

– Pensei que shadies não pudessem ser compelidos. – Philip franziu o cenho – Onde Lyss está?

– Matando o Filho do Erro.

Evan arfava encostado num galho de uma árvore, estava a muitos metros do chão, voou o mais depressa que conseguiu, o sangue ainda escorria do ferimento aberto de seu braço e ele já sentia a tontura proveniente da perda de sangue. Tinha pensado em voltar ao Instituto, mas, estava sentindo-se tão fraco que mal conseguia pensar. Lyss estava em algum lugar lá atrás, a fumaça estava densa em partes do céu, o fogo de azulado incomum estava consumindo tudo, em algum lugar ele conseguia ouvir a movimentação dos Wateaires, com a ajuda dele e de Lauren eles podiam apagar o incêndio mais rapidamente, mas, isso só podia acontecer se ele saísse vivo dos ataques de Lyss.

Ele puxava e soltava o ar devagar, a sensação de fraqueza ainda era novidade, por isso não conseguia elaborar suas táticas com exatidão. Não podia machucar Lyss, entendia que ela estava sob o controle de algum ser sobrenatural. Talvez um shadie. Evan não sabia exatamente o que eles eram capazes de fazer, durante sua vida inteira encontrara poucos, acreditava que eles estavam exterminados.

– Droga! – ele apertou mais o machucado, rasgou um pedaço da camisa e amarrou-a no braço.

– Acho que te achei. – era a mesma voz doce que Evan conhecia e que fazia seu coração se perder nas batidas, mas, dessa vez ele só deu um suspiro de cansaço.

Evan lembrou-se do que Victoria havia lhe dito, sobre o futuro de Lyss, sobre as escolhas que ela devia fazer para manter-se viva, por isso deixou o corpo apoiado na árvore, não precisou olhar lá pra baixo pra saber que Lyss movia o ar ao redor, tornando-o mais leve e quente antes de pular em sua direção. Ela pousou surpreendentemente leve, o galho mal moveu sob seu peso, Evan deixou seus olhos percorrerem pelo vestido sujo e rasgado que ela vestia, os cabelos despenteados e mesmo assim bonitos, algumas mechas grudando-se em seu rosto úmido, a pele escura em alguns pontos por causa da fumaça que deixava o ar pesado.

– Não vai me atacar? – a pergunta soou quase como se fosse sua Lyss, ela parecia quase surpresa. Evan acenou negativamente – Por que não? – ela parecia brava e decepcionada – Eu vou matar você. – ela ergueu uma mão e uma estaca firme de pedra flutuou para sua mão.

– Parece uma boa forma de morrer. Até irônica. – Evan disse fechando os olhos – Eu te amei tanto e de maneiras tão absurdas... – ele deu de ombros de leve e abriu os olhos. Lyss estava olhando pra ele. Realmente olhando. Evan achou que ela pararia por ali. A estaca estava em sua mão, as marcas em seu braço brilhavam fracamente agora, ela mantinha a expressão serena. Os olhos azuis olhando para ele.

– Eu não quero matar você – ela deu-se conta arregalando levemente os olhos – Não quero.

Aquilo deu uma ponta de esperança á Evan, mas, quando Lyss deu os passos que faltavam para ficar bem diante dele, a estaca em punho, ele percebeu que estava acabado.

– Mas, eu preciso. – ela continuou. Acariciou o rosto dele de leve, Evan fechou os olhos e esperou.

A dor veio com força quando Lyss enfiou a estaca no lado esquerdo de seu peito, sua pele não fez nenhum esforço para se regenerar, como se aquilo fosse o certo. Ele arfou enquanto a dor crescia para todos os lados, roubando seu fôlego e puxando sua consciência pra baixo. O corpo de Evan escorregou devagar encostado na árvore, ele podia sentir a estaca a poucos centímetros de seu coração parado, mas, a dor era tudo o que tinha certeza agora, ela estava em todos os lados.

– Desculpe. – Lyss soluçou, seu queixo tremia de leve, uma lagrima solitária deslizou pelo seu rosto. Lyss queria fechar os olhos e não ver a palidez que se acentuava no rosto bonito, mas, tudo o que conseguiu fazer foi enfiar a estaca mais um pouco.

– Lyss! – houve um grito bem atrás dela. O galho balançou um pouco sob o peso de mais uma pessoa, mas, ela não olhou para trás para ver Philip, ela só conseguiu calcular o quanto de força teria que colocar para enfiar a estaca inteira no coração parado de Evan – Lyss! – Philip chamou mais forte dessa vez e segurou-a pelos ombros, estava de costas para ele – Minha menina me ouve.

Lyss piscou e franziu o cenho para um Evan que respirava com dificuldade, ele não se movia mais, estava quase sentado contra a árvore, o sangue que sujara a ponta de seus dedos também estava ensopando a camisa dele.

– Alyssa. – Philip continuou puxando-a devagar – Lyss. – ele falava baixinho, ela se deixou levar por Philip, ele segurou suas mãos que ainda empunhavam a estaca que estava enfiada pela metade no peito de Evan.

– Eu preciso... – ela começou fracamente

– Sh! – Philip tirou as mãos dela da arma devagar e com o movimento o corpo inerte de Evan escorregou do galho e caiu num baque surdo lá no chão. Foi quando Lyss arregalou os olhos e entendeu o sangue que sujava suas mãos.

– Evan! – ela gritou histericamente e estava prestes a pular para o chão

– Não, espera! – Philip a manteve imóvel, virou-a para si – Você ainda está sob a Compulsão, vai precisar ficar longe dele. Olha pra mim. – e enquanto ela esforçava-se para obedecê-lo, Philip gritou: — Demetree, rápido!

E foi rápido que aconteceu, Demetree surgiu e com mais três pessoas, entre elas Lyss reconheceu Marcus, carregaram Evan e desapareceram entre as árvores. Lyss ainda estava chocada, as imagens que acabara de viver, enxergando a si mesma fazendo aquilo...

– Philip. – ela disse chorosa – Eu o matei? – foi envolvida pelo abraço de Philip

– Vai ficar tudo bem. Tudo bem. – ele mesmo não sabia se aquilo era verdade.

Fred girou a cabeça de volta ao lugar, os ossos estalando enquanto se regeneravam, ele não sentia dor, não enquanto não recobrara totalmente sua consciência. Ao abrir os olhos conseguiu perceber o quanto havia de fumaça no lugar, a temperatura também estava alta, ele tentou não fazer movimentos bruscos, enxergou o corpo de Paul a alguns metros, a mão aberta e diante dela a pedra pálida que ainda lhe deixaria fazer uma viagem. Havia vozes misturadas de diferentes tonalidades ao redor, por isso Fred se arrastou lentamente e quando segurou a pedra entre os dedos soube o que fazer.

Notas finais
Fins são novos começos.'