Série Elementares - Escolhas (LivroUm)
23 Chris.
Na manhã seguinte Lyss despertou sentindo que era carregada, abriu os olhos e a claridade da manhã a cegou por segundos, encarou o rosto do homem implorando inconscientemente que fosse Evan, mas, reprimiu um som de decepção ao reconhecer o perfil de Chris.
– O que está fazendo Chris?
– Te carregando, aliás, bom dia, dormiu bem?
– Pra onde está me levando? – ela ignorou a pergunta dele e olhou ao redor tentando encontrar algo familiar.
– Que bom que dormiu bem, agora sossegue e curta a viagem.
Lyss revirou os olhos impaciente
– Pra onde está me levando? Eles tiraram o feitiço do castelo?
– Não, imagina! Ainda estamos no castelo, mas, em um Universo aleatório que se parece com o lado de fora do Adams. – ele estava sendo irônico
Ao redor só havia árvores, nada além disso, ela nunca havia caminhado por ali, talvez passado por aquele ambiente, mas, não caminhado realmente. Estar com Chris ali ainda era estranho, ele não parecia pertencer á todo resto.
– Estamos indo conhecer Lisarb, caminhar um pouco.
Ela revirou os olhos.
– Primeiro: Eu já conheço Lisarb, e segundo: Não estou caminhando.
Ele riu
– O problema é esse?
Ele simplesmente colocou-a no chão.
– Posso saber quem lhe deu permissão pra me trazer pra cá?
– Apostei com Lucy que conseguiria te tirar da cama.
– Que coisa madura, Chris. Venceu a aposta, pode me levar de volta. – ela fincou os pés no chão e cruzou os braços.
Ele passou o braço por sobre seus ombros
– Na verdade a aposta foi uma desculpa, queria passar mais um tempo com você, faz muito tempo que não conversamos.
– Certo, Chris, espero não me arrepender da decisão.
Começaram a caminhar sem pressa, estavam indo em direção á praia, o som do mar estava perto.
– Esse lugar é muito bonito. – ele comentou tentando puxar um assunto
– É, muito bonito. Quando vai partir de Lisarb?
– Nossa! – ele fingiu estar magoado – Não sabia que queria me ver pelas costas.
– Não é uma visão agradável, pode ter certeza de que não quero. – ela revirou os olhos com a própria tentativa de piada. Ele riu
– Não sei quando vou partir daqui, talvez quando consegui te convencer á nos acompanhar.
– Não vou embora daqui, Chris, acostume-se com a ideia.
Ele tirou o braço dos ombros de Lyss e ela enfiou as mãos frias nos bolsos do casaco.
– Não vai ficar aqui pra sempre, mesmo que o... – ele hesitou – mesmo que ele volte você terá que ir embora daqui algum dia.
– E você vai esperar esse dia chegar?
– Não tenho nenhum plano para os próximos meses.
– E a faculdade? – lembrou-o
– Tenho muito tempo ainda.
Ele abaixou-se pegou uma pedra e atirou-a pra longe
– Como foi quando descobriu sobre os poderes?
– Eu soube disso quase toda a minha vida. Winfrey vê quando um de nós vai nascer.
– Winfrey vê o futuro, certo?
– Certo.
– Você nunca me disse nada.
– O que queria que eu dissesse? “Oi Chris, eu controlo a água, a existência do mundo depende de minha vida.”
Ele abaixou-se pegando outra pedra
– Não teria soado bem. – fez uma careta – E nada humilde.
– Não, não teria.
Eles chegaram á praia, a areia fofa era confortável sob os pés, a imensidão azul movia-se junto com a brisa fresca.
– Como é esse... Evan? Como vocês se conheceram?
Um minúsculo sorriso surgiu em seus lábios com a recordação
– Eu me perdi, começou a chover e eu me abriguei numa cabana, ele apareceu e me salvou.
– Simples. – ele disse com desprezo
– Claro, o que esperava? Dragões, torres e bruxas assustadoras?
Ele sorriu
– Algo parecido com isso.
– Não devia deixar sua imaginação te levar.
Ele riu
– É, não deveria. – ele concordou – Você gosta mesmo dele. – a frase foi dita com pesar.
Ela esfregou os braços.
– Sem dúvidas. Ele é minha vida, Chris.
– Não deveria pensar assim, quer dizer, você o conhece há pouco tempo.
– Não é o tempo que determina o tamanho ou a intensidade dos sentimentos.
– Pode ser, mas, depois que você o conheceu não pensa em nada além dele.
– Eu o amo, Chris.
Ele suspirou exasperado
– Simples assim? – perguntou quase rude
– Simples assim. – ela respondeu sem modificar o tom de voz.
Ele deu um passo para o lado, ficando um pouco mais distante dela.
– Não vou conseguir fazer você partir conosco, não é?
– Não vai. Nem tente! – disse com firmeza
– Pode ser divertido, pra mim e pra você.
Uma ruga surgiu entre as finas sobrancelhas de Lyss
– Do que está falando, Chris?
– Me dê uma semana, Lyss, uma semana pra te convencer a partir de Lisarb comigo e Lucy. Você sabe que essas regras daqui não vão mudar e agora que eles têm uma substituta pra você, você pode viver normal como a gente.
Ele parou de caminhar e virou-se para ela
– Chris entenda de uma vez que nada de “normal” tem a ver comigo. Eu sou uma Bruxa. – deu de ombros achando muito esquisito falar disso com ele – Não é tão simples.
– Eu conversei com Clovis, Winfrey e Demetree. Até por que não vou permitir que se tranque naquele quarto e passe mais meses deitada naquela cama.
– Não vai adiantar, Chris.
– Vamos, Lyss, como um desafio, deixe-me tentar. – ele fazia aquela cara de menino pidão que sempre a comprava
– Esta é a outra parte da aposta que não tomei conhecimento? Está fazendo isso por ela?
– Não – ele respondeu subitamente sério – Faço isso por você, Lyss.
Ela cruzou os braços com os olhos fixos nas ondas do mar.
– Uma semana?
– É, se não conseguir convencê-la, pode me ver pelas costas pra sempre.
– Não é isso que eu quero.
– Então te deixarei em paz, pode enfiar-se numa banheira de crustáceos ou viver em um buraco no chão pelo resto de sua vida, não interferirei.
– Os crustáceos não me parecem boa ideia. – tentou fazer algo parecido com uma piada, mas, provavelmente tinha se esquecido de como era que se fazia.
– Prometo que não vai se arrepender, será a melhor semana da sua vida. – ele sorriu com um brilho exagerado nos olhos.
– É o que eu espero. – deu um soco de leve em seu ombro
Ele gargalhou como se aquilo tivesse sido muito engraçado, envolveu seus ombros e a tirou do chão de forma desengonçada, ela conseguiu se livrar dele e o seu riso foi espontâneo ao correr com os braços estendidos em sua direção, correu pela areia da praia com Chris a alguns passos de si, o vento jogava seus cabelos pra trás, era como uma busca pela liberdade, queria se livrar do desejo de trancar-se em um lugar qualquer e ficar á espera de Evan, ela poderia esperá-lo e continuar a viver... ou não, de qualquer forma não seria tão ruim tentar, ela pensava nisso quando Chris a alcançou e a girou no ar. Realmente aquilo faria bem pra os dois, eram melhores amigos, Chris era como o irmão que ela nunca tivera, ele e Lucy haviam sido sua família por muitos anos, suas únicas pilastras de apoio, eles a ajudaram a não desabar quando seus pais morreram e agora estava acontecendo outra vez, Chris a puxando pra cima quando a dor a sufocava. Ela estava agradecida á ele.
Não importa o quão grande a dor estava grande, ela estava crescendo junto com ela, a um passo á frente, forte o suficiente para enfrentá-la, para suportá-la. Ela sobreviveria, já que a dor não pode machucar um coração estraçalhado. Ou podia? Independente da resposta ela estava pronta para continuar sobrevivendo.
Três dias completos haviam passado desde o pedido de Chris de a ajudar a reerguer. Era estranho retomar a vida assim, ela havia passado mais de dois meses sobre uma cama, chorando e implorando em silêncio que Evan viesse e que tudo voltasse ao normal, e agora ela estava caminhando, Chris estava sendo seu guia pela tortuosa estrada da vida.
Mas, apesar de ter evoluído em algumas questões, ainda esperava Evan aparecer diante dela com aquele sorriso que ela não esqueceria nem se tivesse amnésia, a textura de seus lábios ainda estava nos seus como uma digital, mas, ela estava sobrevivendo, embora os dias parecessem mais longos, 24 horas que demoravam a passar, algumas vezes a lentidão do pôr do sol parecia um deboche á sua impaciência. Só que ela estava realmente decidida a não se entregar, de forma alguma, talvez até pudesse arrumar um jeito de ir atrás de Evan com a ajuda de Demetree, era tamanha sua força de vontade de continuar viva que ela mal a reconhecia, mas, a única razão para tudo o que ela fazia era a mais simples e mais completa: Ele.
Naquele momento Chris aparecia embaixo de sua janela, levava preso ás rédeas em sua mão, dois cavalos muito elegantes, Demetree os tinha providenciado, Chris estava levando á sério essa coisa de convencê-la á partir de Lisarb, no dia anterior eles haviam ficado horas conversando com algumas pessoas dos Wateaire, esta manhã ela e Chris cavalgariam pela praia, se não fossem suas necessidades humanas, certamente, passariam 24 horas fazendo alguma coisa.
– Vamos Lyss, fiz um roteiro pra nós. – ele gritou fazendo sinal para ela descer.
Os poderes de Lyss também evoluíram bastante e agora enquanto ela olhava para o céu e franzia o cenho para uma lua avermelhada que pendia no céu, pensava no fato de sentir os outros Elementos como sentia a água – como se fosse uma extensão de si mesma, se não fosse a certeza de isso ser impossível ela podia apostar que era capaz de controlá-los também, algum dia ela tentaria isso, quem sabe. Desceu ao encontro de Chris, Clovis saía do escritório e acenou pra ela, ela sorriu em resposta, adiantou-se pelo gramado brilhante á luz do sol.
– Finalmente, temos um roteiro á seguir. – ele reclamou
– Roteiro? Em Lisarb? Não vamos passar por algum lugar pelo qual não tenhamos passado. – lógico
Ele entregou a rédea do cavalo mais escuro.
– Pose até ser, mas, de qualquer forma seguiremos um roteiro.
Ela notou uma grande cesta de piquenique presa á seu do cavalo dele.
– O que é isso?
– Faremos uma parada para o lanche, não voltaremos para o almoço.
Os olhos dele brilharam, provavelmente recordou-se das tardes de sábado quando faziam piquenique com Lucy no parque não muito longe de suas casas
– Como nos velhos tempos... – Lyss murmurou subindo em sua montaria, o animal relinchou e deu dois passos pra trás, mas, ela assumiu o controle depressa.
– Exato, como nos velhos tempos.
– Não vi Lucy hoje. – ela esperou que ele montasse
– Está no vilarejo com Nataly e Lauren. Está fazendo compras. – ele deu de ombros
Chris montou, os animais se alinharam num trote suave. Eles ficaram em silêncio, ela podia ouvir aves, ondas quebrando-se nas pedras e o vento movimentando-as. Incentivou o cavalo a andar mais depressa, ele o fez deixando Chris pra trás, Lyss avistou logo a extensão azul, fechou os olhos e ergueu a cabeça para ser acariciada pelo sol, seus cabelos dançavam acompanhando a brisa.
– Estão maiores. – Chris comentou surgindo ao seu lado. Lyss percebeu que ele se referia ao cabelo.
– De fato, tenho que me lembrar de cortá-los qualquer dia desses.
Ele pegou uma mecha e enrolou no dedo
– Gosto deles.
Ela moveu os lábios em um sorriso.
– Preciso te contar uma coisa. – ele mordeu o lábio inferior
Ela franziu o cenho olhando-o de soslaio.
– O quê?
– Ah! – falou alto – Eu não queria te contar, mas... Você lembra da Joyce? – ele corou
– Claro! A loira que tentou me tomar o lugar nas líderes de torcida.
Ele sorriu sem graça.
– Nós estamos juntos. – falou de uma vez
Foi a vez de Lyss ficar sem graça.
– Não juntos-juntos. A gente transa e... Não! A palavra não é essa e você não precisa saber disso – o vermelho do rosto ficou mais acentuado – Ela meio que me acompanha em tudo e está tudo bem, entende?
– Uau. – ela diminuiu o trote do animal – Isso é novidade!
– Já tem um tempo – ele deu de ombros – eu tentei te ligar antes das coisas ficarem sérias já que... a gente não terminou-terminou.
Lyss riu
– Está tudo bem, você superou e está em outra – deu de ombros – Não é como se isso fosse um impasse entre a gente.
– Você não entende. – Estou com ela, mas, ainda te amo. Ele queria dizer, mas, só balançou a cabeça e sorriu – Mas, o que importa é que estamos bem – deu de ombros — O que acha de apostarmos uma corrida? – ele sugeriu descendo do cavalo.
– Pra mim é excelente.
– Sabe que vai perder. – ele provocou montando o animal outra vez.
Ela gargalhou
– Veremos. – Lyss bateu com os calcanhares no animal e ele correu na direção da areia da praia, os cabelos desalinhavam-se com o vento.
Não foi custoso pra Chris alcançá-la, logo estavam cavalgando lado a lado. Ele desprendeu a cesta de seu do cavalo e colocou-a no chão, abriu-a e tirou uma toalha quadriculada, estendeu-a no chão e colocou a cesta sobre ela.
Lyss não pôde deixar de desejar que fosse Evan quem estivesse ali, ela adorava Chris, mas, Evan era sua metade, apesar de ainda estar tentando viver sem ele ela sentia sua falta, a dor ainda estava presente, mas, era tolerável, era como se ela fosse um relógio quebrado, estava ali para enfeitar, não possuía outra utilidade concreta além dessa, todos acreditavam que ela estava sendo muito feliz, assim como todos acreditam que um relógio está funcionando até consultá-lo, mas, até relógios quebrados marcam a hora certa duas vezes no dia, aquilo era confortante.
De repente Lyss sentiu uma dor forte no peito, algo transpassando-a de um lado a outro, ela desequilibrou-se do cavalo e caiu no chão, Lyss gritaria, mas, não existia fôlego nem pra isso.
– Lyss! – ela ouviu e viu o vulto de Chris aproximando-se
A dor queimava dentro de si, do peito descia para os braços, ela levou a mão onde queimava e esfregou tentando livrar-se da dor.
– Está queimando. – ela balbuciou enquanto a dor aumentava
Lyss esfregava o peito e os braços desesperadamente, ouviu um barulho e demorou a perceber que estava gritando, Chris tentava tirar seu casaco e ela não parava de debater-se. Foi quando tudo apagou.
E voltou de novo, mas, dessa vez ela via tudo de trás de uma espécie de barreira, Lyss demorou a perceber que havia parado de gritar e agora o som que ouvia era o grito de próprio Chris, ele se afastou dela, seus olhos demonstrando horror. A sensação de queimação e ardor era administrável agora, mas, ainda havia dor, a barreira que impedia sua visão – Lyss percebeu agora – era uma barreira de chamas vermelhas.
– Lyss você está pegando fogo! – Chris falou em pânico enquanto pegava um pano
Eles batiam sem parar no corpo da própria Lyss, mesmo que não doesse tanto ela estava em pânico vendo a parte da frente do corpo em chamas, para ela levou tempo demais, mas, eles conseguiram apagar o fogo, Lyss olhou para o casaco destruído e sentiu o cheiro forte de carne e pano queimado, olhou para si mesma e viu sua roupa com um pouco de sangue, ela puxou a blusa e viu a carne queimada na direção do coração em carne viva.
– Ai! – foi o que escapou de seus lábios. Lágrimas escaparam de seus olhos, embora ela não percebesse a vontade de chorar. Lyss deixou-se cair na areia e puxou o ar devagar, sentiu sua pele cicatrizar mais rápido que o normal.
Ela evitou olhar para Chris – que estava sentado arfante perto de suas pernas, até os cavalos haviam se distanciado ao sentir a fumaça.
– Sinto muito. – ela ouviu-se dizer, não viu quando ele balançou a cabeça assentindo. Chris estava assustado, mais pela possibilidade de perdê-la do que por qualquer outra coisa.
Lyss sentou e sacudiu um pouco da areia de seus cabelos e roupas chamuscadas, olhou para Chris, ele segurava o braço diante de si de forma protetora
– Eu te machuquei?
– Não. Não você – olhava-a como se tivesse dito uma asneira das grandes
Lyss aproximou-se e puxou o braço dele, a parte interna estava em carne, o ferimento preto devido ao fogo e sujo de areia.
– Chris eu sinto muito – ela falou baixinho
– Não se culpe – ele buscou seus olhos, mas, ela evitou-lhe o olhar
– Vamos! – ela pediu levantando-se – Demetree pode cuidar disso. – Lyss olhou instintivamente para o contorno vermelho no céu. A lua ainda estava lá.
– E você? – ele usou a mão boa para afastar um pouco as roupas dela
– Eu me curo. – ela deu de ombros
– Por isso você nunca ficava doente? – ele atreveu-se a sorrir enquanto acompanhava-a ao cavalo
– Bingo!
Lyss parou diante do espelho, as roupas queimadas jaziam no chão ao lado da pia do banheiro, Chris estava sendo tratado por Demetree que não fizera muitas perguntas quando percebeu que ele e Lyss não responderiam. Ela deslizou a mão entre os seios, a pele ainda estava suja de preto, talvez por causa da fumaça, ela colocou os cabelos para trás, ainda estavam sujos de areia. Lyss contornou o pingente – presente de Demetree – e ficou olhando para o lado esquerdo do peito, foi onde sentiu a dor, ela colocou a mão que tinha as marcas do Elemento ao redor do pescoço e desceu até o limite do sutiã. Não havia mais dor e sua pele estava totalmente recuperada. Mas, ela não conseguiu entender o que havia acontecido. O que mais temera havia ocorrido, machucara Chris, mesmo sem querer.
– Philip! – gemeu – Eu realmente preciso de você aqui. – mas, ele não ouviria, o feitiço do Bruxo de Winfrey era muito forte. Ela sentia.
Olhou para si mesma e assentiu para o reflexo, precisava entender o que acontecera, tomou banho e desceu com intenção de ir para sua Ala. Encontrou Cassie, Louis e Victoria que estavam indo para o vilarejo para um estudo com Mathias, elas se cumprimentaram e Lyss seguiu adiante, foi quando encontrou Demetree.
– Chris? – ela foi logo perguntando
– Está bem, mas... Eu conheço aquela queimadura. Bem mais difícil de tratar do que se fosse uma queimadura comum. – ele disse com olhar perscrutador.
Ela não sabia o que dizer então só baixou os olhos.
– Lyss... – ele sussurrou aproximando-se, ela teve que erguer a cabeça para fitar seus olhos azuis – Talvez você não seja uma Elementar.
Ela não empalideceu porque já cogitara aquilo durante o banho, mesmo assim ouvir era assustador.
– Você sabe disso, não é?
Ela meneou a cabeça afirmativamente.
– Mas, o que eu sou? – a voz saiu num murmúrio.
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