Notas iniciais
Here we go again. - Esse livro é um pouco mais Terror que o outro, vou tentar ser o mais detalhista possível, eu realmente estou apaixonada por alguns personagens e espero que vocês os amem e os odeiem porque essa é a intenção.
Enjoy!

A estrada serpenteava, o asfalto brilhando sob a lua imensa que pendia no céu escuro. Melannie aumentou o som do carro enquanto Michael revirava os olhos.

- Você gosta mesmo dessa música. – ele comentou sem tirar os olhos da estrada

Ela abriu um sorriso para ele.

- Você sabe que sim.

Michael diminuiu a velocidade, a neblina tornava-se cada vez mais densa á medida que a noite caía, era o aniversário de três anos de namoro e ele sentia o peso da caixinha de veludo em seu bolso aumentar, o volume chegava a ser incômodo. Eles estavam voltando de uma apresentação da Celine Dion, a cantora preferida de Melannie. A moça cantarolou e jogou as madeixas loiras para trás do ombro enquanto imitava uma dancinha ao som da música.

Michael riu com a performance, estava tão assustadoramente certo de que ela era a garota certa que o nervosismo de saber a resposta que ela daria ao seu pedido de casamento só aumentava.

- Amor? – ele chamou depois de puxar o ar

- Fala. – ela abriu mais o sorriso. Seus olhos azuis brilhavam.

Michael permitiu desviar os olhos por alguns segundos da estrada deserta para contemplá-la, usou uma das mãos para tirar a caixinha de veludo do bolso.

- Você sabe que eu amo você mais que tudo, não é?

- Eu amo você também. – ela riu e um vulto fez com que ela olhasse a estrada

A neblina era densa, mas, uma silhueta escura que se movimentava até o outro lado da estrada destacou-se, ela arregalou os olhos, mas, quando ela gritou o carro já havia atingido a sombra com força. O para-brisa trincou a partir do ponto onde o corpo bateu, ele rolou sobre o carro, não havia sangue no vidro do automóvel, mas, pela força do impacto Michael duvidava que o que “quer que fosse” estivesse bem.

- Oh meu Deus! – Melannie repetia de olhos arregalados que não se desviaram do para-brisa destruído, suas mãos tremiam descontroladamente – Nós batemos em alguém.

O carro já estava parado, com o impacto a caixinha de veludo havia caído embaixo do banco, mas, esse era um pensamento distante para Michael que agora olhava pelo retrovisor tentando identificar “no quê” atingira. Em alguma parte do seu cérebro registrou a cantoria agourenta de Melannie que parecia estar em estado de pânico.

- Amor? – ele tirou o cinto de segurança depois de puxar a trava de mão, como não obteve resposta segurou as duas mãos da moça e olhou fundo em seus olhos – Amor? Liga para a polícia e para a ambulância. – ela assentiu e tateou os bolsos em busca do celular.

O ar frio adentrou as narinas de Michael assim que ele abriu a porta, esfregou as mãos uma na outra mais por nervosismo do que por qualquer outra coisa. Ele identificou o corpo – agora bem claramente – estirado no meio da estrada. Teria que tirá-lo dali ou qualquer outro automóvel poderia atropelá-lo, mas, sabia que se o movesse corria o risco de agravar qualquer fratura que ele tivesse. Aproximou-se do homem, ele vestia-se de preto dos pés a cabeça, seu rosto estava escuro, mas, não havia marcas de sangue. Michael cutucou o corpo levemente com o pé, não houve resposta, agachou-se para checar os batimentos cardíacos e sentiu a fraca pulsação sob seu dedo frio.

- Ele ainda está vivo. – gritou para Melannie e ergueu-se sem tirar os olhos do homem.

Foi quando o corpo imóvel esboçou uma leve expressão de felicidade macabra e abriu os olhos. Esses olhos eram totalmente vermelho escuro, ele abriu a boca para gritar, mas, só o ar saiu de seus lábios, correu, mas, no segundo passo sentiu a mão como garras de ferro em seu calcanhar, ele caiu de cara no chão. O homem ergueu-se sobre ele e agora Michael não podia desviar seus olhos daquele poço de vermelho-sangue, havia pânico e desespero, mas, sob isso ele estava aprisionado, viu o sorriso macabro do homem e no outro segundo sentiu-se sugado para fora de si mesmo. Primeiro havia dor e histeria, era como tentar respirar sob a água, aqueles olhos o puxaram para baixo e ele só deixou-se ir. O homem sentiu-se zonzo depois de absorver a energia vital do homem, mas, ainda precisava de mais. Com os dentes passou a comer a carne fresca, sentindo o sangue escorrer pelos cantos da boca e deliciando-se em cravar os dentes e ouvir a carne rasgar sob sua força. Ele poderia rir agora de tão bem que aquilo lhe fazia. Mas, sua mente desperta e ainda faminta registrou outro padrão de vida, mais pulsante – ele podia sentir. Seus olhos capturaram um brilho dourado dos fios de cabelo dela. Ele sorriu feliz e levantou-se do corpo ensanguentado. Seu sorriso só aumentou quando a loira abriu a porta do carro no exato instante que um vento trouxe seu aroma. Ela tinha um celular numa das mãos e ficou estática diante do homem de olhos vermelhos e dentes afiados cobertos de sangue.

- Vamos brincar. – Alef disse aproximando-se, os olhos mais escuros do que nunca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.