Prologo

Alana nasceu em um dia de inverno, o chão estava úmido e o céu nublado, as folhas secas se agitavam com o vento gélido que se perpetuava por aquele cenário sombrio, a mulher que a segurava em seus braços, sua mãe, estava ofegante, tinha dado a luz aquela menina de pele alva, boquinha rosada e cabelos negros sem nenhuma ajuda, ela fora uma mulher guerreira, seu nome era Amelia. Mesmo estado fraca e desejosa de adormecer, depois de todas as dores do parto e força gasta, ela sabia que ainda não havia acabado, e sinceramente duvidava muito que um dia fosse acabar, pelo menos enquanto sua pequena vivesse.

Quando o vento soprou novamente com ele veio um cheiro metálico e amargo, a mulher sabia ao que pertencia aquele cheiro, era cheiro de sangue, o sangue de inocentes, poderia chorar por aqueles vidas perdidas, mas chorar não mudaria o que ela tinha feito assim como seria hipócrita em dizer que estava arrependida, pois não estava. Amelia tinha feito o que deveria fazer para salvar a sua filha e se precisasse o faria novamente. A humanidade estava perdida, ela tinha condenado o seu povo -os seres humanos- a uma morte cruel, a uma derrota sangrenta, no momento em que revelou os segredos de tantas eras.

Aquele que dizia que os vampiros existia, aquelas criaturas dos contos que se alimentavam de sangue, possuidores de foça, velocidade e sentidos sobrenaturais, ate mesmo de um beleza fria e pálida, seres que possuíam coração de gelo.

A verdade era que aquela fora a única solução que encontrou no momento em que se deparou sem saída, no momento em que viu Alvo perecer sob os olhos de sangues de um demônio. Então ela teve que construir sua própria saída e conseguiu com exito, afinal no momento em que os vampiros se viram expostos nada mais os impedia de avançar e conquistar, com uma sede de sangue desenfreada e fúria contida por tantos anos permanecerem nas sombras se contentando com pouco quando poderiam ter o todo, e foi aquela guerra entre humanos e vampiros o que ela precisou para fugir e ter a sua pequena, Alana.

Tudo não passara de uma distração, uma distração sangrenta e suja!

Ao olhar para a face calma de Alana, a mãe sentiu que sim, tudo que fizera valia a pena, então sua pequena abriu os pequenos olhinhos pela primeira vez, Amelia quis chorar, os olhos dela era como os deles, um azul céu cheio de calma, paz e ternura, tão pura era sua pequenina, e já condenada a crescer naquele mundo perigoso, como queria poder ficar para sempre ao lado dela. Amelia sentiu o colar que envolvia seu pescoço vibrar e aquecer, ela sabia o que significava, aquele era um colar único, um amuleto protetor, e se usado por uma alma pura poderia conceder um único desejo. Sem tempo para mais devaneios e sob tantos protestos de seu corpo debilitado, Amelia se ergueu com a filha envolta em seus braços. Ela tinha que achar um lugar seguro para a filha ficar, pois para ela não havia mais salvação, sua alma não era mais pura, o colar não iria mais a proteger ou ocultar sua presença, não sendo ela a culpada de tantas mortes.

O vestido ensanguentado grudava em suas pernas enquanto ela se forçava em uma corrida enquanto os cabelos negros se agitavam com o vento que se tornava ainda mais forte, a tempestade daquele dia de inverno estava cada vez mais próxima. O farfalhar de asas era o sinal que eles estavam mais próximos que o esperado, com aquela constatação fora inevitável que Amelia não chorasse, como temia não poder salvar sua pequena, sua pequena vida. Amelia sabia que se a capturassem antes que ela escondesse a filha eles matariam ambas sem nem mesmo exitar, pois eles temiam a criança pelo que ela poderia se tornar e o que poderia fazer a eles, assim como a esse mundo. Alana poderia ser a salvadora da humanidade, poderia ser a exterminadora dos demônios, poderia ser apenas mais uma -o que Amelia duvidava muito, sabia o quanto a filha era especial- sua pequena poderia ser muitas coisas, mas não importava o que escolhesse ser, se Amelia pudesse a apoiaria em qualquer escolha sua.

A luz fraca que provinha de uma pequena cabana de caça chamou-lhe a atenção, podia ouvir uma som baixo de musica que vinha de uma radiola velha no interior da cabana, assim como o cheiro de frango recém saído do forno, e ao se aproximar mais pode distinguir pelas pequenas janelas uma de cada lado da porta rustica de madeira, duas sombras pertencentes a um casal, eles dançavam e riam baixinho. Amelia viu ali uma possibilidade, e ao sentir a energia pesada de seus perseguidores notou que não havia muitas escolhas, nem mesmo muito tempo, ou agiria naquele momento ou seria tarde de mais. Foi chorando que a mulher retirou o casaquinho de lã que usava e envolveu sua pequena, ele se aproximou mais da pequena cabana e se agachou colocando a pequena sobre o chão batido de terra, esse úmido pelo inverno, a pequena abriu um olhinhos a observando, como ela era linda.

-Eu a amo pequena Alana, minha anjinha.- Amelia dizia para logo depositar um beijo carinhoso sobre a testa da menina.

Antes de levantar-se a mulher tirou o colar que a muito tinha ganhado de seu amado, ela sabia que se ele estivesse ali ele iria apoiar sua decisão de dar a Alana aquele objeto abençoado por um anjo. Com delicadeza colocou o cordão envolta da pescoço de sua pequena vida, e sorriu para mesma por entre lagrimas e sem mais exitar se ergueu, ela bateu com força contra a porta da madeira e apenas quando a musica parou e passos em direção a porta se fez ouvido, Amelia correu para longe, o mais longe que pudesse alcançar antes deles a encontrarem.

Um casal jovem ao saiu pela porta recém aberta da cabana, eles olharam em frente sem entender como não havia ninguém ali, pois ouvira claramente as batidas fortes contra a portas a apenas alguns segundos atras, foi um pequeno barulho infantil que chamou-lhes a atenção, foi inevitável o susto que levaram, afinal não era todos os dias que se via um bebe recém nascido deixado em frente a sua casa. A mulher sorriu carinhosamente e se abaixou para pegar o pequeno bebe envolto em um casaquinho de lã, notou o belo colar pateado e de pingente em forma de uma pequeno floco de neve que descia ate depois da barriguinha do bebe. O marido penas observou com seus olhos castanhos claros a mulher envolver o bebe em seus braços, vislumbrou-se com o sorriso dela e notou como ela parecia contente com aquelo. Adam se sentiu triste pela mulher, Milla, ela sempre tão carinhosa com as crianças que cruzavam seu caminho, quantas vezes já não tinha dito a ele como queria ter um filho e então o medico, a apenas um mês atras, dissera que ela jamais poderia ter um, não vindo dela mesma.

Agora vendo a felicidade de sua mulher naquele momento, não precisou pensar muito, ele a queria feliz e por ela ele faria muito.

-Podemos ficar com ela.- Adam disse, estas palavras fizeram a esposa o olhar espantada e com olhos brilhantes.

-Esta falando serio, Adam?

-Sim querida, se ira deixa-la feliz, eu também ficarei feliz.

Milla agora tinha os grandes olhos verdes radiantes em felicidade, ela afastou como pode uma mexa ruiva de seu cabelo e se inclinou para o marido selando os lábios de ambos em um beijo carinhoso.

-Obrigada.- Sussurrou a Adam que apenas lhe sorriu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.