Sádico Capitão
8 Café da manhã
Notas iniciais
P.O.V Toushirou On
Era de manhã. A fraca luz do sol entrava pela janela do quarto. A garota ainda dormia. Me remexi na cama, tomando o cuidado para não acordá-la. Ouvi ela murmurar alguma coisa que não entendi. Cheguei mais perto, curioso.
– Toushirou…
Ela murmurou mais alto. Sorri de canto. Karin estava sonhando comigo. O tom da voz dela era suave… Causava um efeito estranho em mim. Igual à ontem quando a encontrei queimando de febre.
Suspirei, encarando seu rosto sereno. Depois de eu ter usado Momo na noite anterior, eu a expulsei de casa. Ela me xingou, dizendo que eu não era um cavalheiro, um completo canalha. Eu a ignorei completamente e bati a porta sem lhe dar tempo para dizer mais nada. Estava sentindo a reiatsu da Karin ficar mais fraca e um pouco assustado, subi rapidamente as escadas. Quando ia abrir a porta do quarto, que estava encostada escutei a voz dela.
Ela cantava uma musica com uma melodia um tanto triste. De vez em quando parava e soluçava. Quando me dei conta, eu estava encostado na batente da porta, escutando ela cantar. De repente, ela parou e tudo ficou num silencio absoluto. Percebi que ela desmaiou, pois a porta ia se fechando devagar. Enfim, entrei no quarto e cuidei dela como sabia. E isso resultou com a atual situação. Eu deitado na cama, de frente para ela. Kurosaki dormia envolvida no cobertor e edredom, de costas para a parede e de frente para mim.
Isso de certo modo era um tanto… estranho. Estranhamente normal. Se fosse qualquer outra, eu já teria me aproveitado e não estaríamos na minha cama. Sorri um pouco. Apesar de trazer mulheres para cá, somente como uma diversão casual eu nunca havia compartilhado minha cama com ninguém. Para mim, isso soava intimo demais. No entanto, observando Kurosaki dormir emprestei meu quarto à ela sem hesitar. Mesmo que os outros estejam arrumados para receber alguém, a deixei ficar aqui.
E isso que me fazia sentir estranho. Porque com ela me parecia natural me comportar assim. E há anos que não sou gentil com mulher nenhuma. Franzi a testa confuso.
O que será que está acontecendo?
Ontem, quando ela novamente tentou fugir de mim deixei de proposito que subisse naquela árvore. Estava me divertindo vê-la se içar e agarrar nos galhos, mas quando a vi cair, rápidamente a segurei. Claro que queria avançar mais um pouco. Essa era uma das razões para que a levasse pra casa. Verdade seja dita, aquela vingança que lhe dei há quatro anos me perseguiu esse tempo todo. Tirando o fato que ela estremecia de medo (eu não ia fazer mal, só assustar), sua pele macia do pescoço me distraiu. Havia enterrado o rosto para provocá-la e o aroma que senti… Eu nunca senti nada igual. Era de uma fruta, mas tinha algo agridoce também… Parecia… pêra com chocolate. Quase ri. “Pêra”, em kanji o “rin” do nome dela significa essa fruta.
Nesse momento, Karin suspirou tremula. Se encolhendo mais entre o cobertor e edredom. Levantei a mão e devagar peguei uma mecha dos cabelos negros, enrolando no dedo e pensando.
Acho que gosto de fazer isso. Mexer nos cabelos dela. Coloquei a mecha atrás de sua orelha. Isso a fez franzir o nariz. Segurei um sorriso ao me aproximar mais. Acho que já esperei o suficiente. Com o rosto a centímetros do dela, baixei o olhar para seus lábios. O rosado deles me deixando como ontem, excitado. Me inclinei mais, sentindo o folego dela em minha boca e então colei meus lábios nos dela. Deixaria para ser delicado mais tarde. Senti quando ela se espantou. Prendendo seu folego, mas iria me aproveitar mais um pouco. Pressionei mais os lábios e passando a ponta da língua entre os seus. Ela arquejou de susto, abrindo mais a boca e aprofundei o beijo. Num êxtase divertido. Queria muito rir da brincadeira (a primeira de muitas), mas também quase delirava com o gosto dela. Era igual ao seu cheiro, pêra e chocolate. Acho que agora gosto muito dessas duas coisas. De repente, ela se agitou mais e uma pancada acertou meu ombro, me empurrando pra longe.
Arfando a encarei, inclinado na cama. E tive uma bela visão. Karin de olhos arregalados, seus lábios avermelhados e inchados… E o cobertor com o edredom todo enrolado em sua cintura. Pena que os cabelos dela estavam cobrindo seus seios.
Droga.
– O-o que pensa que esta fazendo, seu Chibi Hentai!
Sua voz estava tremula e apenas quis rir disso. Logo ela percebeu que estava completamente nua. Rapidamente, ela enrolou o cobertor em seu corpo.
– Tarado! O que v-você fez?
Suspirei entediado, me levantando e indo até meu armario e retirando dali um moletom qualquer.
– Eu não fiz nada de mais…
Joguei o moletom nela que o ficou encarando atônita. Me virei e fui até a porta, abrindo-a.
– Claro, apenas roubou meu primeiro beijo.
Escutei quando estava prestes a fechar a porta. Sorri divertido. Então aquele foi o seu primeiro, ahn? Interessante.
Desci as escadas, indo para a cozinha comer alguma coisa. Quando fui me virar para pegar uma panela pendurada por um prego na parede, em seu lugar estava...um sutiã rosa?
Fiquei o encarando por alguns segundos. Talvez era de Hinamori ou de alguma outra garota. O tirei dali e fui em direção ao lixo, o abrindo e encontrando...uma calcinha rosa?
Encarei a peça incrédulo. Não me lembrava dela...ah, o que importa?
Joguei a outra peça no lixo e voltei a procurar uma panela. Minha casa estava virando uma bagunça...não que me importasse muito.
P.O.V Tousirou Off
P.O.V Karin On
Depois daquele tarado ter saído do meu quarto eu suspirei aliviada.
– Claro, apenas roubou meu primeiro beijo…
Escutei o barulho da porta se fechando e a encarei. Ele não escutou aquilo, não é?
Meu coração começou a bater mais forte ainda, levei uma das mãos em direção aos meus lábios, os tocando de leve. Um calor subiu pelo meu pescoço. Parecia que todo o sangue tinha ido para o meu rosto, o rendendo extremamente quente. Aquele beijo...Ah! Não quero pensar sobre isso, não quero!
Me levantei da cama, com o cobertor em volta de meu corpo e peguei o moletom. Quer dizer, a camiseta do moletom pois não tinha calça. Bufei frustrada. Ele ao menos podia ter-me dado uma calça, né?! Saí do quarto, rumando para o banheiro. Fechei a porta com cuidado e deixei o cobertor cair. Já agora, por que eu estava nua? Depois eu perguntaria. Abri o registro da água quente, esperando a banheira encher. Quando finalmente ela encheu, desliguei o registro e entrei diretamente a banheira. A água quente me fazia relaxar. Fiquei alguns minutos encarando o teto. Alguma coisa me dizia que os dias seguintes iriam ser mais fatigosos.
XxX
Depois de tomar banho, vesti a blusa do moletom e sequei meus cabelos. Realmente a blusa era um tanto longa mas mesmo assim, chegava apenas na metade de minha coxas. Suspirei saindo do banheiro, descendo as escadas e caminhando até a cozinha. Abri a porta e observei seu interior. A cozinha estava limpa e o cheiro de bacon frito fez meu estomago roncar. No meio da cozinha, uma mesa pequena, porém farta de comida estava posta. Só tinha uma cadeira ali. Que estranho…
O ar se deslocou atrás de mim e um braço se enroscou em minha cintura, me puxando para trás. Acabei por bater em alguma coisa e um ar morno bateu em minha orelha.
– Onde pensa que vai, bonequinha?
A voz rouca ecoou pela cozinha e estremeci. Tudo virou um borrão e segundos depois, eu estava sentada no colo de Toushirou que estava sentado na cadeira. Senti minhas bochechas esquentarem e ele soltou um risinho.
– Você corada é tão fofinha.
A voz estava risonha, me irritando.
– M-me solta.
Praguejei mentalmente por ter gaguejado. Senti seu peitoral tremer devido ao riso reprimido.
– Não é assim que se fala, boneca!
Ele pegou um pedaço de pão com...nutella?
– Sim, sim é nutella. Matsumoto me deu quando foi ao mundo dos humanos.
Estiquei a mão para pegá-lo, porém o chibi agarrou com a outra mão o meu pulso, o colocando para baixo e o prendendo com o outro. Senti algum tecido em cima dos dois e espiei. Toushirou amarrava com um cordão meus pulsos. Tentei me soltar, porém foi em vão.
– Você não irá conseguir sair tão cedo.
Ele riu enquanto levava o pão na boca e o mordia. Meu estomago roncou alto e o silencio reinou. Depois de alguns segundos, Toushirou gargalhava. Ele ria tanto, que chegou a se curvar, me fazendo fazer o mesmo.
– Coma.
Ele colocou o pão na frente da minha boca, me incentivando a abri-la.
– N-não quero!
Virei o rosto, mentindo. Eu queria muito comer aquilo, porem não o comeria das mãos dele.
– Então, não tenho escolha.
Escutei ele suspirar e a mão que estava na minha cintura foi descendo para a minha coxa. Ofeguei surpresa enquanto ele movia a mão para dentro da minha coxa, a apertando. Um som rouco ecoou na cozinha.
– Não sabia que a bonequinha era tão tarada.
Não entendi até que escutei um outro som. Parecia um gemido...e era o meu ! Corei e fechei a boca. Ou melhor, tentei. Toushirou, antes de eu fechar a boca, tinha colocado um pedaço do pão dentro dela.
– Agora, coma isso.
Sua ordem saiu seca e eu temi caso a desobedecesse. Mordi o pão mastigando devagar e surpresa, senti a mão na minha coxa sumir. Se ajeitando na cadeira, Toushirou enrolou o braço na minha cintura, me puxando e me colocando melhor no seu colo. Engoli o pão e sem dizer nada, ele me ofereceu mais. Mastiguei calada e pensando nessa situação estranha. Toushirou apesar de me obrigar, estava calmo. Quer dizer, eu estava sentada bem no seu colo e podia sentir nitidamente que vestia somente a calça. Minhas bochechas queimavam de vergonha. Lembrei do que escutei ontem e da cena que vi na cozinha. E não pude deixar de notar que… realmente ele não queria nada demais. Somente brincar comigo.
– O que você quer?
Dei um pulo de susto.
– C-co-como as-sim?
Ele não podia ter falando disso, né? Quer dizer, ele lia pensamentos?!
– O que mais você quer comer?
Acenou para a mesa e a vergonha me dobrou. Numa travessa estavam pão e bolachas bem arrumados em fileiras, numa outra travessa fatias de queijo e presunto enroladas em tubinhos. Tinha uma tigela azul cheia de ovos mexidos e numa tabua, fatias de peixe estavam arrumadas entre umas folhas de alface. O resto eram jarras de suco, potes com achocolatado, açúcar…. Então vi uma coisa que sentia falta de comer. Duas tigelas cheias de arroz.
– Arroz.
Disse baixinho. Toushirou quase riu e esticou o braço, pegando a tigela e os hashis. Logo me arrependi do pedido.
– Nã-nã-não…
– Você que pediu, Karin.
Me entalei, arregalando os olhos. Ele… disse meu nome.
– Abra a boca.
– Na..
Um bocado de arroz encheu minha boca, me interrompendo. Mastiguei contrariada e engoli. Antes de engolir tudo, vi a mão de Toushirou segurando os hashis com mais uma porção de arroz. Reprimi um suspiro. Isso era muito constrangedor. Ele me dar de comer como se fosse um bebezinho.
– Toush…
O arroz encheu minha boca de novo. Toushirou soltou um risinho e o olhei de soslaio. Havia um sorriso, quase safado, no seu rosto. Mas a diversão era maior. Ele pegou um pedaço de peixe e o mergulhou no pequeno pote de shoyo. Pensei que me daria quando ele levou para propria boca e começou a mastigar. Um pouco do shoyo escorregou no canto dos lábios e lembrei do beijo…
Os olhos verdes me encarando. O brilho malicioso deles me deixou mais corada.
– O que foi?
Terminando de mastigar ele engoliu e me virou no seu colo, pondo minhas pernas em cima das suas.
– Derramei um pouco de shoyo, Kurosaki. — estreitou os olhos — Limpe para mim.
– Nani?
Ele estava brincando comigo.
– Não gosto de repetir. — o braço em minha cintura me apertou e puxou. Meu rosto estava a centimetros do dele. — Eu mandei que limpe, bonequinha.
Arregalei os olhos, entendendo o que queria.
– Eu não vou lamber você!
Ele sorriu torto e se inclinou mais. Meu folego sumiu, de repente perdi a capacidade de respirar direito. Apoiando a testa na minha, os olhos verdes me encararam profundamente e o braço que apertava me prendeu contra seu peito.
O..o..que ele.. vai… fazer?
– Se não fizer isso vou te alimentar de outro jeito. É isso que quer?
Meu coração disparou, martelando em meu peito. Esperou uns segundos e como continuei calada, Toushirou suspirou se afastando. Pegou outro pedaço de peixe, o mergulhando no shoyo só um pouquinho. Ele o levou a boca e o mordeu, porem em vez de mastigar se virou pra mim e me puxou. Fechei os olhos e senti o pedaço da comida pressionando meus lábios. Abri a boca de susto e ele enfiou mais o peixe, finalmente mordendo. Se afastando ele mastigava enquanto observava. Acho que todo meu sangue subiu para meu rosto uma segunda vez.
Quando ele engoliu, sorriu do vermelhão que me tomava.
– Bom não é?
– Voc..
– Antes que me chame de tarado, vamos deixar as coisas claras.
Fechei a boca e vi ele pegando uma coisa que não vi. Um pedaço de fruta. Ele mergulhou no achocolatado dando um sorrisinho.
– Primeiro, você tem razão. Meu apetite sexual é enorme.
Arfei com isso e do mesmo jeito com o peixe, ele mordeu uma ponta da fatia e me puxou colocando nos meus lábios. Mastiguei no susto e Toushirou se afastou. Risonho e mastigando. Quando terminou de engolir, continuou
– Segundo, eu não vou fazer nada que não queira. Então se agora estou te alimentando desse jeito, foi porque quis bonequinha.
Me entalei indignada.
– Como assim?! Desde que cheguei aqui você não parou de me obrigar! E ainda hoje me beijou a força.
Arregalei os olhos de espanto. Curvando os lábios, Toushirou ficou cheio de malicia
– Tem razão. Seu primeiro beijo. O que faz de mim mais seu dono.
– Voc..
– Sim, eu ouvi. O que leva à terceira coisa em ser esclarecida.
Se inclinando para mim, Toushirou assumiu uma expressão que me deixou amortecida de medo, esquecendo que disse que era meu dono. Era séria, firme e dizia bem claro que não estava brincando.
– Ninguém a não ser eu pode te tocar. E quando digo ninguém é ninguém em absoluto.
Se afastou me deixando entalada com a ameaça. Enchendo um copo de suco ele continuou num tom mais normal, bem sereno. Ele é bipolar ou o que?
– Por exemplo, se um shinigami, nobre ou qualquer alma estiver do jeito que estamos… eu o mato da pior maneira possível — me encarou sério — Entendeu Kurosaki?
Encarei meus joelhos, estremecendo. Seja por que quase fui violentada três vezes ou por que não foi ele a me salvar da ultima vez, Toushirou deixou bem claro uma coisa.
Se tiver um amigo e ele tocar em mim… Essa pessoa vai morrer porque mexeu com o brinquedo do Sádico Capitão.
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