Rêveurs de la nuit

3 Cap. 2: Las Lumières


Regra 1: Não entre na floresta após á meia noite.

Enquanto eles continuavam o caminho para a floresta, a chuva aumentava, deixando os pés de todos sujos de lama. Eva finalmente tira seu salto, enquanto Mae tentava procurar em que lugar a ideia de vir para a floresta seguindo luzes misteriosas, no meio de uma noite chuvosa, usando vestidos, seria uma boa ideia. As luzes continuavam guiando o caminho adentro da Quinta, ficando cada vez mais claras.

— Você não tinha dito que a floresta era apenas alguns minutos da casa? – perguntava Isabella para Mae, com um ar de cansaço.

— A lama deve estar nos atrasando... – respondeu Mae.

— Bom, agora toda essa ideia de vir até a floresta está bem desanimadora. – disse Lip.

— Eu trouxe algo que pode animar a gente! – disse Eva enquanto mostrava a garrafa de vodka que segurava na mão.

— Não me esperaram para pegar casacos, mas a bebida é indispensável, não é? – disse Mae preocupada.

— Então você não vai querer, não é? – perguntou Eva.

— Me dá logo isso, único jeito de aturar vocês no meio do mato. – disse Mae enquanto pegava a garrafa.

— O que houve Mae? Porque está tão preocupada? Nem parece a menina que nos chamava para subir em árvores na floresta. – disse Theo.

— Ah, vamos! Eu só estou com um mau pressentimento de seguir essas luzes que nem sabemos o que é. Além disso, nunca entramos na floresta a noite. – disse Mae.

— Essas luzes devem ser só algum inseto exótico, quem sabe até mesmo vagalumes? E creio que a floresta não deve ser muito diferente essa hora, só não tem claridade. – disse Noah.

— Olha, se eu não tivesse bêbada estaria igual a Mae. Aonde já se viu ir no meio da floresta a noite? Essa é aquela parte dos filmes de terror que a gente fala "Nossa, como eles são burros de ir para lá". – disse Helena.

— Lena? Você veio? Não tava te ouvindo... – disse Theo com um tom sarcástico.

— Ah, cala a boca. – disse Helena.

— Acho que minha irmã já fez isso para você, não é? – provocou Theo.

— Podem parando vocês dois. Escolhas ruins fazem boas histórias. – disse Eva.

Eles finalmente haviam chegado ao portão de entrada da Quinta da Regaleira, que estava trancado. Theo e Noah escalavam as grades do portão para chegar ao outro lado e abrir o portão para os outros. Mesmo sendo uma das principais atrações turísticas de Sintra, não havia nenhum guarda naquela área a noite.

Os meninos abriram o portão, e os outros o seguiram. Na floresta, se encontrava escuridão total, apenas as pequenas luzes iluminavam o caminho.

— Ali tem lanternas! – disse Eva apontando para uma pequena casinha que ficava a segurança na parte do dia.

— E como vamos entrar? – perguntou Mae.

— Eu posso tentar arrombar. – disse Noah.

— Amanhã com certeza vamos direto para a cadeia. – disse Mae.

— Eu vou com você, Noah. – disse Isabella.

— Você? – perguntou Theo dando uma risada.

— Eu mesma, Isabella Mello. Se quiser dar uma de machista volta para casa. – respondeu Isabella.

Noah fazia força contra a porta enquanto Isabella ficava de vigia. A porta era feita de madeira, igual o resto da casinha. E nada da porta abrir.

— Deixa eu tentar! – falou Isabella enquanto se dirigia a porta.

Um barulho alto parecido com um tiro se ouviu na mata antes que Isabella pudesse completar sua ação.

— Acho melhor voltarmos agora – disse Noah.

— Espere! Olha lá. – disse Isabella enquanto apontava para uma mochila que se encontrava em um banco do lado de fora da casinha.

— Como não tínhamos visto isso antes? Vamos pegar a mochila e ir encontrar eles. – disse Noah.

Noah e Isabella caminhavam em direção onde estavam, quando de repente alguém agarra Isabella fortemente pelos braços.

— Mae? O que foi? – perguntou Isabella assustada.

— Eu ouvi um barulho e pensei que algo tinha acontecido com vocês! – disse Mae tentando se acalmar.

— Também ouvimos. Agora vamos nos encontrar com os outros. – disse Isabella.

O relógio prateado que estava no pulso de Mae apitou. Meia noite.

— Onde vocês estavam? Lip está com vocês? – perguntou Eva.

— Não! Ele não está aqui? – perguntou Mae.

— Ele sumiu depois que ouvimos aquele barulho... – disse Eva.

— Pessoal, as luzes estão mudando de cor. Estão indo para um tom alaranjado, melhor irmos logo. – avisou Theo.

— Ta louco? Eu vou esperar o Lip. – disse Eva.

— Olha encontramos essa mochila. Não conseguimos abrir a porta. – disse Noah.

Todos trocaram olhares enquanto Theo resolveu abrir a mochila. Ele foi tirando os itens da mochila um por um: Dois revólveres, uma lanterna, um casaco, um caderno, algumas carteiras, uma faca, um kit de socorros, um saquinho com pó, um maço de cigarros e uma touca.

— Coca? – perguntou Theo se referindo ao pó.

— Não, deve ser açúcar. – respondeu Eva sarcasticamente.

— Uau! Com certeza foi uma das mochilas pegas pela segurança. – disse Isabella surpresa.

— Ou esse maluco está aqui com a gente e esqueceu a mochila ali. – disse Mae.

Um barulho que parecia de um animal correndo entre as folhas vinha do bosque. Era Lip com a perna cortada e sangrando.

— CARALHO, EU ACHEI DE ONDE AS LUZES VEM! – gritou Lip entusiasmado.

— Lip! Olha sua perna. – avisou Mae.

— Ah, eu devo ter cortado em meio aos galhos. De quem é essa mochila? – disse Lip.

— Achamos ela aí mesmo. – disse Mae.

— LIP, FALA LOGO ONDE AS LUZES ESTÃO INDO! – gritou Eva.

— Calma! Elas estão vindo lá do poço. – disse Lip.

— Que poço? – perguntou Eva.

— Você não disse que conhecia a floresta bem? – disse Lip.

— Mas não tem nada no fundo daquele poço, só chão. – disse Mae.

— Agora só tem escuridão, na verdade. – disse Lip dando um leve sorriso.

Em torno da Quinta da Regaleira, tinha um poço com uma escadaria circular ao seu redor, como uma torre subterrânea. Porém não havia nada lá além de chão.

Lip pegou um dos revólveres e a lanterna e mandou os outros irem atrás dele. Noah, o segundo mais sóbrio dali, pegou o outro revólver. Mae ficou com o casaco. Isabella pegou o maço de cigarros e Theo colocou o saquinho em seu bolso. Eva pegou a faca e Lena o kit de primeiros socorros. Por último, Ophelia resolveu ficar com caderno. Cada um com um objeto da mochila.

— Afinal, o que tem nesse caderno? – perguntou Mae para Ophelia.

— É uma lista de lugares, provavelmente aqui em Portugal. Alguns deles estão riscados. – respondeu Ophelia.

— Um assaltante, então? – perguntou Mae.

— É o mais provável. – respondeu Ophelia.

— Ninguém quer as carteiras? – perguntou Isabella.

— Deixa lá. Não é como se tivesse uma lojinha de souvenirs lá no poço. – disse Theo.

A floresta estava bem calma, até demais. As luzes continuavam em direção ao poço, que agora estavam unânimes em um tom azul. Nenhum sinal do dono da mochila.

— Eva, acho que eu vou voltar. – disse Helena baixo no ouvido de Eva enquanto segurava sua mão forte.

— Agora, Lena? Como você vai voltar sozinha assim? Fica com a gente, por favor! Eu não vou sair do seu lado. – insistiu Evangeline.

— Tudo bem... – disse Helena sem concordar muito com a ideia.

Eles tinham chegado ao poço. Lip iluminou seu fundo com a lanterna. Realmente, não dava para encontrar seu final. Mesmo assim eles continuaram a seguir as luzes, entrando no começo da escadaria.

A escadaria era antiga, tinha um interior que se assemelhava com o de uma passagem secreta de castelos medievais, com paredes de tijolos acizentados.

Ao longo eles desciam a escada, o ar se esgotava e ficava frio, enquanto alguns ficavam tontos. Quando o fundo aparentava estar chegando, algumas das luzes encostaram em suas peles. Elas queimavam. Antes que alguém pudesse falar algo, uma luz extremamente forte surgiu deixando todos com uma dor de cabeça insuportável. Eles desmaiaram no chão da escadaria. Uma hora da manhã.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.