Ryudan - a História de Um Herói
6 Capítulo 6 - As Lendas
Drekan estava inquieto. A Guerra do Emperium começaria em breve. O clã The Legend estava todo reunido no castelo em que comandava, o Palácio da Sombra, em Payon. Apesar de estar nos arredores, Ryudan não visitou a família e a namorada. Não teve tempo.
Na salade preparações do clã, uma sala bem espaçosa, com uma mesa e várias cadeiras no centro, quadros e medalhas enfeitavam as paredes. Na cabeceira, sentava-se Drekan. Ao seu lado direito, o grande guerreiro Baka, um Lorde conhecido por todo o mundo como o mais impiedoso. Seu Peco Peco, notavelmente bem tratado, estava amarrado à porta dos fundos. Ao lado esquerdo de Drekan, sentava-se a Suma-Sacerdotisa Nami, o membro mais importante da linha de defesa do The Legend.
Esses três faziam a liderança do clã. Não menos importantes, estavam os membros do clã, sentados ao longo da longa mesa. Um Arquimago conhecido apenas como Arcano estava sentado recostado à parede. Sombriamente, ele vistoriava seus equipamentos, que eram da melhor qualidade. Ryudan já ouvira falar sobre as letais magias que eram conjuradas com rapidez inigualável pelo Arquimago. Seus inimigos não o respeitavam: temiam-o. O Noviço sentia-se maravilhado naquela sala, rodeado dos melhores guerreiros que já ouvira falar. Drekan se pronunciou:
- Caros amigos! Todos sabem o motivo da nossa reunião de hoje. Daqui a alguns instantes, milhares de guerrerios estarão nas portas de nosso castelo para invadi-lo. Eu não vou perder este castelo. Vocês carregam no peito um emblema. Esse emblema traz reconhecimento por onde andam. Mas vocês tem que fazer jus à fama. Morram, mas deixem este castelo de pé!
Um grito de guerra ecoou pelas paredes do castelo. O clã estava animado. Drekan sentiu uma ponta de ansiedade.
- Orfeu, trouxe sua guitarra?
- Sim... Pode deixar, entendi o recado.
Maestro Orfeu, um grande compositor, foi até o canto da sala pegar sua guitarra. Ele sentou, afinou o instrumento e começou uma de suas composições. Tônicos e morangos foram postos à mesa, enquanto o Menestrel tocava.
- Qual o nome dessa composição magnífica? — Perguntou Akira, um Cavaleiro.
- Crepúsculo Sangrento. — E continou tocando.
E a festa foi se conduzindo. Até chegar a hora em que todos os guerreiros conhecidos se envolveriam num combate sangrento. O clã The Legend raramente tinha baixas: a muralha de seus castelos era muito bem guardadas pelos habilidosos Caçadores e Atiradores de Elite. Alguns Justiceiros também faziam parte, e os Ninjas raramente eram vistos: ficavam infiltrados como espiões em castelos inimigos. Mestes e Monges esperavam o Chamado Urgente de seu líder para partir pro ataque.
- Ryudan. — Chamou Baka, o Lorde.
- Sim? — Perguntou o Noviço.
- Você pode nos ser útil na linha de defesa. Nami pode precisar de você. Ela tem que proteger todos seus pupilos Sacerdotes, o que fica difícil, já que ela é muito acolhedora... E pode precisar de um transcedental. Porém, ainda não é a hora. Fique fora do castelo. Você estará seguro no Feudo.
O Noviço assentiu. Foi para fora do castelo, no Feudo de Payon, e teve uma surpresa. O Feudo estava lotado de guerreiros, de todos os tipos. Guerreiros novatos. Guerreiros renomados. A Guerra seria boa...
Debaixo da sombra de uma árvore, Ryudan reconheceu um casal. Siggy e Cygna, um Caçador e uma Odalisca, se beijavam com uma intensidade digna de prêmios. Ryudan sentiu saudades de Nya... Ela estava tão perto, mas ele não podia vê-la...
- É... O amor... É mais tenso que as cordas de meus instrumentos...
Maestro Orfeu apareceu, e já continuou:
- Cygna... Ela é linda, não é? Fomos casados por um tempo... Maldito seja o Advogado Sombrio que nos separou!
- Por que se separaram?
- Aquela ondinha inicial de divórcio... Ela reclamou que eu me dedicava demais às músicas... Aí eu criei uma música para ela, mas ela se estressou mais ainda! Não dá pra entender as mulheres...
- Ah... Meus pêsames...
- Não tem problema. Já superei. E você? As armações do amor não caíram sobre você?
- Estou namorando... Desde os 14 anos da outra vida...
- E ela? Renasceu? Aliás, engraçado renascermos adolescentes, né?
- Ela virou uma Mestra Taekwon... Ela não renasceu... Sorte que eu renasci cedo...
- Vocês começaram com 14 anos. Você renasceu aos 28. Ela tem 28 e você voltou aos 14. Ela vai ser sempre 14 anos mais velha! — E o Menestrel fez um cara estranha, dando risadas.
- Sorte minha, ter uma mulher de 28 enquanto tenho 14 anos!
Assim o Menestrel ficou quieto, entendendo a sorte do rapaz.
- Ataquem!
Todos se voltaram para o grito. Era Leo, o líder do clã Guerreiros de Payon, que iniciara a invasão ao Palácio da Colina. O clã era o maior da cidade, e sempre conquistava dois ou mais castelos na região. Com exceção do Sombra, que sempre ficava com o The Legend.
- Formação de ataque! Lordes, Cavaleiros, Mercenários, Algozes, Criadores, Alquimistas, Bruxos, Arquimgos, Ferreiros, Mestres-Ferreiros, Justiceiros — Pausa para respirar — Venham comigo! — Disse Drekan.
E assim o The Legend saiu para o ataque. Na linha de defesa ficaam os Sacedotes, Sumo-Sacerdotes, Monges, Caçadores e Atiradores de Elite.
- Avise ao Rex que os Ninjas já podem atacar! — Gritou Drekan, e partiu.
E a Guerra do Emperium se seguiu. Clã caia, clã se erguia. O objetivo maior de todos é destruir o Emperium, mas alguns guerreiros eram mortos para isso. Só havia uma coisa interessante. O sangue só era visto dentro dos castelos. Fora, no Feudo, não era permitido derrubar sangue. Algumas horas se passaram, o Palácio da Sombra continuava de pé. Nenhum clã ousara atacar a propriedade do The Legend. Até aquele momento.
- Peguem ele! — Gritou um líder.
- Chamado Urgente! — Apelou Drekan.
Em alguns segundos, o clã todo apareceu dentro do castelo. Eram mais de 60 dos melhores guerreiros, invadindo um único castelo. Alguns já rumaram à porta de saída, para voltar ao Palácio das Sombras e montar a defesa, caso algum clã se arriscasse a atacá-lo. Outros, partiram para o ataque.
- Ryudan! Pode ir com a Nami! — Disse Baka.
E assim foi o Noviço, seguindo a maior Suma-Sacerdotisa que ele conhecia.
Na Sala do Emperium, onde reluzia o maior mineral que ele já vira, de um dourado brilhante, estava a linha de defesa do The Legend. Guerreiros altamente qualificados para segurar quem quer que tentessa adentrar a sala.
Estavam conversando, os Bardos e Menestréis tocavam para descontrair, quando se ouviu um estrondo. Depois, pelo portal, aparece um Paladino. Depois outro. Em seguido vieram Mestres, Lordes, Mercenários, Professores. Lá foi a linha de defesa. Caçadores começaram a disparar suas flechas. Um único Bruxo que ficara soltou suas poderosas Nevascas. Nami conseguiu afugentar muitos guerreiros com sua letal Luz Divina.
Os invasores traziam o emblema do Guerreiros de Payon. Leo havia perdido a cabeça. Drekan o perseguiria para sempre. O Algoz teria que fortalecer muito o clã para vencer esse combate. Mas arriscou, do mesmo jeito.
Ryudan estava atrás da barreira. De repente, ele viu uma breve luz. Uma luz fraca, e muito rápida, refletida do Emperium. O que teria refletido aquela luz?
- Revelação!
E um Mercenário apareceu e foi jogado para trás.
- Ah, você está esperto...
- Shadervel.
- Olá, Ryudan. Você melhorou muito desde os tempos de aprendiz.
- Por que está me atacando?
- Depois que você deixou o centro de treinamento, o instrutor desprezou todos nós. Nenhum chegava aos pés do \"melhor aprendiz que já tivemos\", como ele dizia. Tsc tsc. Sabe quantos pratos lavamos, Ryudan?
- Isso lá é motivo para vingança?
- Não é bem uma \"vingança\", na verdade estou atacando por causa do meu clã, oras.
- Ok, então. Luz Divina!
O Noviço surpreendeu o Mercenário, que já havia sido enfraquecido com o Revelação. Mas não foi suficiente para deixá-lo fora de combate. Ainda faltava muito para isso.
Ele atacou com suas katares. Ryudan sofreu ferimentos gravíssimos.
- Curar! Curar! Curar!
- Há, seu coração está acelerado. Avise-o que ele vai parar logo...
- Disparo de Esferas Espirituais!
Shadervel, que não era um mercenário muito experiente, caiu, inconsciente.
- Ah, essa foi fácil. — Disse o Mestre.
- Damien!
- Olá, Ryudan... Transcedental já? Meus parabéns...
- Não é hora de conversa, rapazes! — Disse a linda Suma-Sacerdotisa Nami.
A invasão foi difícil de ser contida, mas o fato de o clã Guerreiros de Payon possuirem outros castelos para defender, nem todos seus guerreiros estavam presentes. Sorte do The Legend: os Guerreiros de Payon contavam com mais de 140 membros, contando com os aliados. O The Legend não contava com a ajuda de aliados: era temido por todos os outros.
- Ok, rapazes, já deu o que tinha que dar! Vamos embora! — Disse Leo por fim, após algumas baixas. Muitos Guerreiros de Payon ficaram caídos inconscientes, mas como diziam as regras de boa conduta, eles seriam levados para fora do castelo após o fim da Guerra.
Drekan apareceu na Sala do Emperium, com a linha de frente do The Legend, e viu os resultados.
- Quem... Quem foi? — Disse ele com raiva, cerrando os punhos.
- Leo. Leo e mais uns 30 Guerreiros de Payon, para nossa sorte. — Disse um Sacerdote.
- Alguma baixa?
- Nenhuma. — Completou a responsável pela liderança da defesa, Nami.
- Ah, eu pego esse cara... — Disse Drekan.
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- Saudade do tempo em que eu caçava esses Hodes... — Disse Himitsu.
- Acho que estou indo bem... Mais alguns dias e podemos ir para os Grand Orcs...
- Com eu aqui, vamos pro Laboratório de Somatologia logo!
- Seja modesto, Yuki. — Cortou Himitsu.
- Perdão.
- Eu tô brincando, Sacerdote!
E eles riram.
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Na escuridão de uma floresta, Loki gargalhou.
- Meus queridos filhos, estou adorando os resultados! Como esperado, Odin já caiu. Mas o Ragnarök será diferente desta vez. Não vou me envolver com os Aesir. Mandarei Surt e os gigantes aniquilá-los antes de por fogo nos nove mundos. Eu irei com você, Jomungard, para finalizar a vidinha vil de meu irmão. Estamos entendidos?
- Sim, meu pai. — Disseram várias aberrações, em uníssono.
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- Meu pai se foi. Se foi, mas deixou muita coisa conosco. A coisa mais importante que ele deixou, foi uma ideia. Dessa vez, será diferente. Dessa vez, o Destino Final dos Deuses será diferente. Meu pai iria chamar um exército de humanos para combater lado a lado com os Aesir, que interceptariam Surt antes dele chegar a por fogo nos nove mundos. No resto, será tudo normal. Ah, só mais uma coisa. Meu embate contra Jomungard. Não irei atrás da serpente. Ela só habita os oceanos, e só será uma ameaça se Midgard for engolhida pelo mar, e se isso acontecer, Midgard já estará perdida, e nossa tentativa de evitar o repovoamento da humanidade terá falhado. Bom, não temos nada a perder.
Thor era um excelente combatente. Mas não era sábio como o pai. Se Surt não colocasse fogo nos nove mundos, e o ciclo do Ragnarök fosse iterrompido, a humanidade se salvaria, sem necessidade de ser repovoada, mas os males continuarão a existir. E se o recriamento do Universo não acontecesse, Odin não voltaria à vida.
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