Ryudan - a História de Um Herói

11 Capítulo 11 - E o Shura a Ensina


- O que foi lhe acontecer, Nya? — Perguntou retóricamente, triste. Sabia o que tinha acontecido. Sua namorada havia morrido. Que diferença fazia saber como? Mas ele ouviu, mesmo assim...

- Genzs ordenou que o Lâmina Fatal terminasse com minha vida. Morri sem me despedir de meu namorado; ele esteve ausente, e fiquei sem ninguém para me proteger.

Os mortos respondiam apenas a essa simples pergunta. Nesse momento, pareciam imparciais no começo, mas se mostravam contra o conhecido no final.

Nya Kiru estava sombria. Não malévola. Seu olhar mostrava uma certa tristeza, como se não quisesse lutar com Ryudan, seu amado. Mas outra parte daquele ser que ela havia se tornado estava lá, lutando por Hel. Imparcialmente, mas estava.

- Não, Nya, querida. Não foi por falta de proteção. Foi por ignorância desses assassinos. Nada de culpa tenho. Muito menos você.

Nya partia para mais um ataque. O Shura se movimentava de leve, e desviava de todos os chutes da moribunda Mestra-Taekwon. No auge de sua vocação, ele possuía habilidades para tudo. Superara os deuses. Tinha até a habilidade de suportar a dor que qualquer ser vivo sentiria naquele momento.

Ryudan descobriu um dos muitos segredos da vida — a Consciência. Todos os seres humanos possuem-na, mas muitos poucos são os que se conscientizam sobre o que quer que seja. Foi como disse a própria Consciência de Ryudan: o caso do poder fora apenas um exemplo. Nas conscientizações mais simples, atingimos o auge da sabedoria. O difícil é chegar a tal facínio. Isso tornara Ryudan superior.

- Sei que você não parará; mas sei que minha Nya está aprisionada em algum lugar aí dentro. Só queria lhe dizer coisas que não tive tempo antes...

Ela continuava a atacar, e Ryudan mal fazia esforço para evadir.

- Não tive tempo de te visitar. Minha vida foi corrida. Senti muitas saudades. Sim, eu poderia ter te visto mais, mas eu não seria quem eu consegui me tornar hoje. Eu te agradeço, Nya Kiru, por ter sido uma namorada compreensiva, fiel, uma amiga... Você foi a única que amei durante toda minha vida, e a única que amarei. Nunca se esqueça de mim.

- Trocar o ataque pela defesa! — A reunião para discutir o rumo da guerra havia se encerrado. Ryudan voltaria para as linhas de defesa. Nunca mais veria sua amada.

- Adeus, Nya. Pensarei em você até o último segundo de minha vida.

Nya derrubou uma lágrima. Tentou um último chute, nas costas viradas do Shura. Inexplicavelmente, o corpo do Shura se desmaterializou em energia e se materializou alguns centímetros ao lado, esquivando-se do chute.

- Passo Etéro, que seja. — Disse, deprimido.

Nya desabou lágrimas. Havia uma parte dela que se lembrava do guerreiro que ela tentara matar. Ela seguiu, rumo ao novo grupo de atacantes que vinha, e foi ao chão ao ser trespassada por uma espada de um Lorde.

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Longe dali:

- Drekan, o que aconteceu?

- Ryudan! Está tudo bem? Você parece tão calmo...

E continuou falando:

- Bem... Os Aesir chegaram. São poucos os sobreviventes, mas darão conta de Hel e o enfraquecido Nidhogg. Assim que ela cair, todos os mortos irão cair. Hehe, se tem que se despedir de alguém, se apresse!

- Não sinto mais a presença dela. Irei meditar, boa noite.

E deixou Drekan parado, sem entender a própria piada.

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Anos se passaram desde a vitória dos humanos e dos Aesir.

- Thor, obtivemos sucesso em nossa missão.

- Detalhes. Quero mais detalhes.

- Os Einhejar nos cobriram bem. A batalha foi simples e rápida. A força dos Vanas superou Surt e os gigantes. Os mundos estão a salvo.

- Agradeça aos Einhejar por mim, por favor.

- Sim, meu deus. Aonde você vai?

- Para o destino.

- Os humanos, os Aesir, os Einhejar e os Vanas estão livres. Deseja mesmo rumar sozinho?

- Sou só mais um guerreiro. Existe um novo ser superior agora. Ele já é idolatrado pelos humanos; os Aesir, que são divindades, já o veneram. Eu o venero. Vocês e os Einhejar não sabem de sua existência devido à missão. Vou lhe contar.

E a história sobre o primeiro ser vivo a atingir a suprema sabedoria foi repassada, para todos os seres ainda vivios.

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Ryudan estava cercado de presentes. Oráculos diziam que ele mudaria o rumo do Ragnarök, então todos o bajulavam. Menos seus colegas de clã, que entendiam a situação do amigo.

- Você se tornou importante, Ryudan... — Disse Nami.

- Anos se passaram, amigo, mas nunca esquecerei que lutamos lado a lado. Foi uma honra. — Também se pronunciou Drekan.

- Não esqueça que eu servi seu exército. E eu sou membro do seu clã. Não passo da um simples membro. Não quero passar disso. Eu não devia ser adorado. Todos deviam seguir meu exemplo.

O The Legend se calou. Sabiam que Ryudan não estava passando um sermão, mas sabiam que ele estava certo.

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- Nossa, você é muito bonita...

- Eu gosto muuuuito de doces, e você?

- Não. Ei, sabia que insetos são legais?

As duas crianças brincavam.

- Como é seu nome mesmo?

- Lifthrasir.

- Que nome difícil e feio.

Lif e Lifthrasir se conheceram ao acaso, mas como já foi dito: pequenos acontecimentos mudam o rumo da História.

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Thor levara muito tempo para achar o covil do monstro. Mas encontrara.

- Estou aqui, Jomungard! Venha sentir meu pesado martelo em sua cabeça ou tentar me fazer sentir seus dentes em minhas costelas!

Thor estava na beira do mar. Estava surpreendentemente quente, mas uma brisa soprava favorável. Uma onda de mais de quatro metros se formou. A serpente marinha chegara.

Ouviu-se o pior rugido de todos os tempos. O cheiro de morte logo tomou conta do lugar.

- Thor. Mas que bela surpresa.

- Sim, Thor, uma ótima surpresa! Hehehe!

Loki acompanhava a serpente.

- Irmão, não interfira. Vim para lutar com essa besta, não com você.

- Sabe, irmãozinho. Dei início ao Ragnarök porque eu queria dominar tudo. Mas apareceu um mísero humano e puf, tornou-se melhor que nós. Meu plano era matar todos os deuses e poupar Asgard do fogo. Mudei de ideia: vou queimar tudo. Todos morrerão.

- Surt falhou. Você perdeu.

Jomungard não perdeu tempo e deu o bote. Thor pulou para o lado esquerdo. A cabeça da serpente encurvou-se para tentar mordiscar o deus, mas acabou levanto um chute frontal. Tornou a se esconder no mar.

- Surt era uma isca. Pensei ter dito que EU atearei fogo nos nove mundos.

Thor congelou. Se ele falhasse, ninguém seria avisado, e o Ragnarök aconteceria.

Num ato de desespero, Thor pulou no fundo das águas, na tentativa de achar Jomungard. Pequenos atos mudam a História. A serpente lutava em seu domínio agora. Ela encontrou o deus facilmente, que nada via na água.

A filha de Loki morde o ombro esquerdo do deus com tamanha pressão que o braço quase foi arrancado fora. A ferida logo jorrou sangue e a água rica em sal ajudou a limpar, mas o veneno havia sido injetado. Thor morreria logo.

Jomungard deu uma segunda mordida no mesmo lugar, favorecendo-se da brecha e da dor do filho de Odin. Mordeu e chacoalhou, levando o deus para a superfície. Pequenos atos mudam a História...

Thor levantou no braço direito o pesado martelo. Mjölnir cintilava. Bradou:

- Pelo Universo!

E desceu o peso da justiça na cabeça do monstro. A serpente atirou sua presa para longe, e afundou nas águas.

- Bravo. Você morrerá logo. Desculpe-me, tenho lugares a incendiar. Mundos, na verdade.

E o deus das travessuras foi, vitorioso, cumprir seu negro objetivo. Thor sentia-se fraco, e resolveu fechar os olhos.

- Ali está ele.

- Obrigado, grande Shura. Thor!

Os reforços chegaram a tempo.

Estavam presentes os que lutaram no Ragnarök estavam presentes, a procura do deus. Na parte dos humanos, os Sacerdotes e Sumo-Sacerdotes faziam de tudo para resgatar o deus. Ele dizia-se aliviado, mas ainda estava mortalmente ferido. E envenenado.

- Por que nunca lembramos de trazer um fruto de Yggdrasil para os doentes ou uma folha para os mortos? — Lamentou-se um Vana.

- Hiiia! Thor, meu querido, tudo queima! Exceto, claro, Midagard! O último mundo a pegar fogo... Hihi... Epa, quem são esses aí?

Loki trazia uma tocha com fogo. Fogo dos deuses. Ele viu os exércitos que agora estavam com Thor, e viu um humano em especial.

Ryudan estava notavelmente mais forte. Loiro, olhos azuis, era alto. Trazia no peito, nos ombros e nas costas quatro respectivos \"X\'s\", marcas que ninguém sabe como apareceram, e nunca tiveram coragem para perguntar. Não trajava as vestimentas de Mestre: ele agora andava com a parte de cima de um manto branco caída. Um cinturão de ouro preso à faixa preta que prendia a calça. Nas extremidades do manto e da calça, estampas de labaredas. Diziam que ele mesmo pois fogo às vestimentas e depois perpetuou o fogo nelas. Do mesmo ouro do cinturão, usava um colar e braceletes. Assim era o Shura.

- Você... — Disso Loki.

- Ryudan, impeça-o de pôr fogo em Rune-Midgard! — Gritou Thor, desesperado. Todos os presentes repetiram a sentença, gritando, berrando, pedindo, orando, mas nada fizeram. Esperavam tudo nas mãos.

- Mesmo após meu exemplo, a humanidade não tomou Consciência. Fico decepcionado com todos vocês. Morreremos todos, não por culpa minha. Nem por culpa de alguém em particular. Por culpa de todos.

Lágrimas começaram a surgir em inúmeros rostos, mas ninguém se manifestou contra o ser mais sábio do Universo.

- Minha família morrerá. Eu morrerei. Meus amigos morrerão. Os deuses morrerão. Loki, você também morrerá. Mas, infelizmente, eu passarei meus últimos minutos meditando. Ah, sim. Duas almas escaparão dessa desgraça.

Perguntavam ecoavam. Quem? Sou eu? Somos nós? Todos estavam aflitos.

- Assim? Vai me deixar botar fogo? Finalizo tudo explodindo? Cabum? Fim?

- Se quer saber, astuto Loki, tente.

Loki não gostava de ser ver desafiado. Olhou bravo para Ryudan, depois olhou para o fogo. Como se o tempo desacelerasse, soltou o fogo dos deuses, que trazia nas mãos.

- Nããããão! — Um Bruxo saiu da multidão, tomou o martelo sagrado de Thor e o jogou. Arremessou Mjölnir em direção a Loki, na esperança de interromper o carrasco do Universo.

Era Kenri, que não se conformava com a atitude do amigo.

O martelo seguiu girando em arcos de trezentos e sessenta graus até atingir a bochecha de Loki. Tarde demais. O chão começara a pegar fogo. O ritual para o fim do Ragnarök estava completo.

- Eu tinha uma filha, Ryudan. O parto levou minha esposa, e eu estou velho, mas eu tinha uma filha. Você a tirou de mim.

Foi duro para o Shura ouvir aquelas palavras, mas respondeu, tranquilo:

- É uma pena ouvir isso de você, Kenri, mas eu o entendo: também perdi quem eu amo injustamente.

Fez-se um silêncio. Loki jazia morto. Thor olhou, indiferente, e disse:

- Obrigado, Ryudan. Fez-nos abrir os olhos, mas tarde demais.

Algumas pessoas sorriram.

- É, obrigado, Shura. Merecemos essa lição. — Nami colocou a mão no ombro do amigo, e deu um sorriso, meio torto, mas consolador.

- É um dia negro para mim, amigos. Me perdoem. E que quem quer que assuma o controle do mundo daqui para a frente perdoe nossa ignorância.

Ryudan sentou e entrou em estado de meditação. Como prometera, passaria seu fim pensando em Nya Kiru. Não pensou no passado que tivera com ela. Pensou no futuro que deixou de ter ao sair de Prontera naquela noite fria. Pensou em como a namorada deve ter sofrido. Pensou em seu sofrimento. Pensou na família. O irmão deveria estar casado e renascido. Pensou no presente. Não derramou uma lágrima sequer.

Um herói muda a História.

Com esse último pensamento, o primeiro Shura pronunciou:

- Vejo um futuro farto. Kenri é sortudo, pois seu sangue e o de dois amigos meus continuará a percorrer o mundo. Damien e Himitsu, o filho de vocês salvará a humanidade.

A Caçadora olhou para o Mestre. Nunca tinham assumido seu caso para ninguém, mas sorriram, contentes pelo filho, e deram as mãos.

- Não sou \"Ryudan, o Shura\". Sou Ryudan, o primeiro Shura. Muitos virão além de mim. Como esperado, as próximas gerações serão melhores do que nós fomos. Assim como fomos melhores que nossos antepassados. Como dizia meu pai...

Essa última frase Ryudan disse em voz baixa, mas todos ouviram.

- Convido-lhes agora a olhar para o céu. O Ragnarök terminou.

O céu estava totalmente estrelado, e por alguns instantes ninguém entendeu o que o Shura quis dizer. Após alguns segundos, uma estrela foi ficando maior. E maior. E cada vez maior, até que uma hora se chocou contra Midgard. Todos entraram em pânico. Todos, menos um.

- Adeus, meus amigos. Obrigado pela vida que tive ao lado de vocês.

Uma segunda estrela acertou o Shura em cheio.

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- Venha, por aqui!

- Eu estou com medo, Lifthrasir...

- Eu também, Lif, mas vamos nos salvar!

O corajoso Lifthrasir conduziu a garota, enquanto o céu desabava literalmente atrás deles.

- Aqui! Podemos nos salvar aqui!

Haviam encontrado as raízes da árvore Yggdrasil, e lá se esconderam. Esperaram dias. Nenhum dos dois arriscou sair de lá.

E fizeram bem. Após a queda das estrelas, o fogo digere Midgard. Por fim, o mundo é tragado pelo mar. Muito tempo depois, tudo reapareceu. E foi nesse dia que uma coisa incomum aconteceu:

- Lifthrasir, que luz é essa? Está cegando meus olhos...

- Não sei... Vamos ver?

- Acho melhor não... Mais tarde...

A noite caiu.

- Ainda está muito claro. Não gosto nada disso!

- Vou verificar, Lif... Fique aqui e não saia por nada nesse mundo, tá?

- Tá... Lifthrasir?

- Sim?

- Tenha cuidado...

O rapaz saiu das raízes da árvore, e viu uma coisa fantástica no céu. Algo que ele nunca tinha visto em vida. Nem ele, nem sua companheira.

- Lif, venha! É a Lua!

- Lua? Aquela dos mitos que nossos pais contavam?

- Sim! Hoje de manhã... Deve ter sido o Sol! Dia e noite. Venha ver, Lif, é lindo!

Os dois nasceram quando o Ragnarök já havia se iniciado, e o primeiro aviso do Destino Final dos Deuses foi o sumiço do Sol e da Lua, engolidos por Skoll e Hati. Os jovens tinham quinze anos completos cada.

Lif saiu das raízes da árvore. Ficou maravilhada. Os dois jovens ficaram a noite toda olhando para aquela novidade. A noite toda, exceto quando Lif se deitou nos ombros de Lifthrasir. Logo após, eles se beijaram. Alguns poucos anos depois, estavam repovoando o mundo.

O Universo voltaria a existir.

E o Ragnarök aconteceria outra vez...