Ryan
5 Malvado
Notas iniciais
O dia passou rápido, tive que aturar Tyler me olhando torto e Jacob não entendia nada. Depois do lanche da tarde, Anne veio me buscar para ir ao enterro de Georgia, eu tinha que fingir que me importava, mas na verdade estava aliviado de ter me livrado dela. Depois que voltei do enterro, jantei afastado de todos, o refeitório tinha poucas pessoas até que Jacob apareceu.
– Eu não acredito no Tyler – declarou ele – Ele só pode estar te confundindo.
– Com certeza ele está, acredita que eu tenho um irmão gêmeo.
Jacob fez uma cara de espantado.
– Sério? Será que o seu irmão gêmeo cometeu esse crime contra a irmã do Tyler?
– Provavelmente, eu nunca mataria ninguém, ainda mais uma garotinha de seis anos.
– É verdade! – concordou Jacob.
De repente surgiu uma ideia na minha cabeça, Tyler morava em Seattle antes dos pais dele morrerem, depois veio pra cá, ainda tem chances do meu irmão gêmeo morar lá, não é tão longe daqui.
– Jacob, quer ir para Seattle? – perguntei. Ele demorou um pouco e fez que sim com a cabeça.
– Como nós vamos, com que dinheiro?
– Não se preocupe, tenho bastante dinheiro. Jacob me olhou preocupado, mas eu sabia que ele estava disposto a me ajudar.
– Podemos ir de madrugada!
– Assim, tão rápido? – disse Jacob.
– Quanto mais rápido resolvermos isso, melhor, apenas faça sua mala e vamos!
– Combinado!
Não conseguia pregar o olho, estava muito ansioso para encontrar este tal de Brandon. Duas da manhã, levantei, troquei de roupa, e peguei minha mochila, Jacob estava do lado de fora do quarto já, descemos de fininho. Com muito esforço conseguimos pular o muro do casarão. Nenhum táxi passava na rua, poucos carros iam de lá pra cá, não nos arriscamos a pegar carona, esperamos mais um pouco perto de uma pracinha, até que veio um táxi.
– Obrigado por aparecer – disse Jacob.
– De nada – respondeu o taxista – Pra onde vão?
– Seattle, Avenida Rosevelt, número 70 – Jacob sabia onde Tyler morava por que os dois são muito amigos e é claro que conversavam sobre suas antigas casas. — Quanto vai ficar? – perguntei.
– O trânsito está tranquilo, daqui há uma hora vocês estarão lá, pelo meu conhecimento creio que não deve passar de U$ 120,00.
– Dei logo U$ 200,00.
– Muito obrigado jovenzinho! Jacob e eu caímos no sono, acordamos faltando apenas poucos minutos para chegar ao endereço que Jacob deu.
– Ryan, se seu irmão matou mesmo a irmã do Tyler, o que vai fazer?
– Precisamos saber o que houve primeiro, não podemos julgar as atitudes sem antes saber as razões certas.
– Você está bem com tudo isso? Saber que tem um irmão gêmeo e que talvez ele seja um assassino de criancinhas.
– Estarei melhor se esse crime não passar de um mal entendido.
Chegamos no endereço, uma rua estreita e vários casarões, a casa onde Tyler morava está a venda, precisávamos perguntar a alguém se sabiam sobre a morte de uma criança envolvendo um adolescente chamado Brandon. Ainda era cedo demais, tivemos que ficar num albergue perto dali, pelo menos até a hora do almoço, depois podíamos descobrir o que tanto queremos saber. Depois do almoço, voltamos até a rua e tocamos a campainha da casa ao lado da do Tyler.
Um adolescente abriu a porta e foi aí que veio a verdade. Ele era exatamente igual a mim, os mesmos olhos azuis, o cabelo com o topete, a mesma altura e parecia ter o mesmo peso.
– Você é Brandon? – perguntei
– Quem é você? Parece que estou me olhando no espelho.
– Ryan Scartinson – respondi – Seu irmão gêmeo.
– Por favor entre! Não tinha como eu não ficar assustado, eu estava me vendo em outra roupa, não conseguia pensar em mais nada, isso é incrível.
– Brandon, eu sei que pode ser difícil pra você entender, mas minha mãe deixou uma carta com uma amiga para ser entregue a mim aos 18 anos, ela sabia que não ia sobreviver, mas o que aconteceu foi que ela guardou pra ela mesma que estava esperando gêmeos, e por algum motivo, apenas eu saí daquele hospital com meu pai. Brandon continuou me olhando estranho, mas estava entendendo a história.
– Meu pai não sabia de outro bebê, e parece que a enfermagem e o médico podem ter feito alguma coisa. Como um bebê simplesmente some assim do nada? Brandon desviou o olhar para um porta retrato que estava ao lado da televisão gigante, nele havia um casal segurando um bebê, provavelmente era Brandon e seus pais.
– Ryan, preciso de contar o que realmente aconteceu no dia em que nascemos! – disse ele.
– Por favor me conte!
– Naquele dia, o hospital estava lotado e havia poucos médicos e enfermeiras, no parto da nossa mãe só estava presente um médico (Frank Wolf) e a enfermeira (Vivian Wolf), sua esposa. Os dois tinham o sonho de ser pais, mas Vivian não podia ter filhos e depois que nós nascemos nossa mãe falou que apenas ela sabia que estava esperando dois filho, ninguém mais, foi aqui que Vivian e Frank aproveitaram a confusão que estava e me pegaram.
Logo depois nossa mãe faleceu, e você foi para os braços do seu pai que acreditava ser pai de somente um filho
– Brandon ficou em silêncio esperando alguma reação minha. Eu fiquei muito chocado, o médico e a enfermeira roubaram um bebê, não esperava que fosse isso, meu pai morreu achando que só tinha um filho, isso foi muito frio e amoral.
– Ryan, eu sei que é confuso, imagina se viver sua vida sabendo que tem um irmão gêmeo por aí, não foi nada fácil ter que suportar isso.
– Brandon, a gravidade não é sobre você, e sim sobre um roubo de uma criança como se fosse um objeto. Como que a Vivian e o Frank surgiram de repente com um bebê? Não houve registro? Eles pagaram pra ficar tudo certo?
Brandon começou a ficar nervoso, parecia que ele só se importava consigo mesmo, ele nem por um minuto chegou a pensar nos nossos pais que foram roubados.
– Ryan, meus pais disseram que acharam o bebê sozinho atrás do hospital, naquele ano havia muitas histórias de bebês abandonados, não tinham como desconfiar, a partir daí passei a ser Brandon Wolf, filho de Frank Wolf, um brilhante médico obstetra e de Vivian Wolf, de enfermeira à diretora chefe de um hospital.
Eu não conseguia acreditar no sarcasmo dele, ele estava se vangloriando dos pais que tinha, não se importava nem um pouco como outro lado da história. O clima não estava muito bom, Jacob não falava nada, mas resolveu entrar na conversa.
– Brandon, você conhecia Tyler e Kelly? Foram seus vizinhos né? – Jacob estava esperando a resposta dele.
– Por que está me perguntando isso assim desconfiado?
– Só quero saber, você os conheceu, não é? – enquanto pensava em responder, Brandon tentava não tremer.
– Foram meus vizinhos, mas os pais dele morreram num acidente de carro e foram para um orfanato numa cidadezinha perto daqui.
Não pude me conter! — Mentiroso! – gritei – Só Tyler foi para o orfanato, Kelly foi vítima de um crime, e o irmão dela tem certeza que foi eu, mas se eu não morava aqui, como é que ele me conheceu, você tem algo a contar?
– Saiam daqui agora! – gritou ele – Estou mandando!
– Não vamos sair – disse Jacob – Fala que você matou a pobre menina de seis anos, fala!
– Não é da conta de vocês – ele abriu a porta e disse pra gente sair.
Eu fechei a porta e fiquei cara a cara com ele.
– Por que você a matou?O que ela te fez? – eu disse.
Brandon se esquivou de mim, mas Jacob entrou na frente dele e o segurou pelo braço.
– Fala logo! – disse Jacob.
– Aquela garotinha não merecia viver, ela era uma peste, que invadia minha casa, estragava minhas coisas, meus pais a achavam um amor, mas eu queria ela fora da minha casa – disse ele com um olhar psicótico.
– E o que mais? – perguntei.
– Numa tarde, meus pais tinham saído e ela entrou pela porta dos fundos, eu a segui até o porão. Kelly costumava pegar um antigo patinete que eu tinha, e ia andar na rua, mas nesse dia eu fui para o porão e a confrontei.
(FLASHBACK) – CINCO ANOS ATRÁS
–Kelly, você de novo aqui – disse Brandon.
– Quero andar de patinete – respondeu ela.
– Isso não é seu e você não pode entrar assim na casa dos outros sem pedir e pegar o que você quer. Ela olhou assustada, mas continuou andando rumo à escada.
Brandon a seguiu novamente e disse que tinha outro brinquedo lá no quarto dele. Ela deixou o patinete de lado e foi atrás dele subindo as escadas da sala principal. Ele se apressou e foi para o quarto, e pediu para que ela esperasse perto da escada.
– Não demora, eu quero brincar – disse inocentemente.
Fez-se um minuto de silêncio, até que Brandon apareceu com uma bola de basquete daquelas grandes e sorriu para a doce menininha.
– Chega um pouco para o lado, depois que eu tacar a bola pra você, taca de volta pra mim.
Kelly ficou esperando, até que Brandon atacou a bola com toda a força, atingindo ela na cabeça e a derrubando escada abaixo.
Depois ele olhou da sacada, e ela estava lá imóvel e morta.
Tyler apareceu e viu sua irmãzinha morta no chão e começou a chorar, logo e seguida Brandon saiu do quarto desesperado como se não soubesse de nada. Fez cara de surpreso, chamou a ambulância, mas não teve salvação. Brandon disse a todos que estava no quarto com seu fone de ouvido no último volume e que talvez ela pode ter achado a bola perto da porta do quarto dele e ao descer tropeçou e bateu a cabeça.
A vizinhança ficou apavorada, mas ninguém desconfiou dele, apenas Tyler que sabia que ele não gostava dela.
ATUALMENTE
– Como pôde ser tão malvado? – disse Ryan.
– Fiz o que tinha que fazer, vai me dizer que nunca agiu por impulso? Ryan se lembrou da noite que matou Georgia e ficou em silêncio. De repente seu celular cai no chão, e Brandon pega e logo vê que ele estava gravando tudo.
– Seu miserável – Brandon tentou excluir, mas Ryan lutou contra ele, Jacob tomou o celular de Brandon e colocou no bolso. Ryan o derrubou e os dois começaram a brigar dando socos um no outro.
Jacob tentou separar, até que pegou o porta retrato e atingiu a cabeça de Brandon. Ryan conseguiu se levantar, mas Brandon não estava mais no chão. Jacob e Ryan ficaram de olho em todos os lados até que Brandon deu três facadas nas costas de Jacob que logo caiu no chão, aos poucos estava perdendo a vida.
– Jacob, resista! — disse Ryan.
– Amigo, obrigado por ter me chamado pra te ajudar, vou partir feliz — e então Jacob morreu, e Ryan fechou seus olhos.
Brandon olhou satisfeito para o menino no chão e declarou guerra a Ryan.
Os dois voltaram a lutar um com o outro, mas não foi assim tão fácil, no momento em que Ryan se afastou, Brandon usou um aparelho de choque que fez Ryan desmaiar.
Brandon levou o corpo de Ryan e de Jacob para o porão, seus pais iriam voltar em uma semana do congresso de medicina no Canadá. Ele prendeu Ryan com correntes e pôs uma fita em sua boca, e o corpo de Jacob coube perfeitamente no freezer vazio, mas antes pegou o celular dele e apagou a gravação.
Brandon limpou o sangue do chão da sala, pegou sua mochila, trancou a casa e foi para a cidadedinha de Ryan. — Vamos ver como é ser Ryan Scartinson por um dia, pobre Tyler, mal ele sabe que fui eu que cortei o freio do carro dos pais dele — ele deu uma risada e pegou um táxi.
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