Notas iniciais
Neste capítulo Ryan pensa em como se livrar do corpo da madrasta, mas uma coisa acontece e todos os seus planos mudam, mas algo do passado volta a atormentá-lo.

Eu havia a matado!

Desci as escadas lentamente em estado de choque pensando no que havia acontecido. Não tinha dúvida de que Georgia estava morta, agora eu precisava encarar essa realidade e encontrar uma saída para essa loucura. Fiquei alguns minutos no sofá pensando no que fazer. Eu deveria me entregar? Eu quero ser preso? Essas perguntas rondavam minha cabeça a cada segundo e eu não conseguia pensar direito.

Depois de pensar, tive uma ideia que poderia me salvar, se a casa toda pegasse fogo, teria poucas chances de descobrirem que eu a matei, e eu poderia me fazer de vítima e bancar o sobrevivente. Era exatamente isso que precisava fazer. Peguei a faca ensanguentada, a lavei e sequei, coloquei de volta na gaveta.

Levantei Georgia e a pus deitada na cozinha que é onde o suposto incêndio começaria. Para que ninguém duvidasse de nada, peguei um frango temperado e coloquei no forno. Depois de quarenta minutos, fechei todas as janelas e portas da casa, voltei à cozinha e retirei o frango do forno, o coloquei na pia e deixei a tampa do forno aberta para o gás escapar.

3 HORAS DEPOIS

O gás se espalhou pela casa toda, coloquei meu casaco preto para tampar meu rosto, peguei a chave do carro que estava em cima da mesa da sala e fui para a garagem. Liguei o carro e fui dar a volta no quarteirão, esperei mais alguns minutos e notei que alguém vinha em direção ao carro. Era Rebecca.

– Ryan?

– Oi Rebecca! – respondi meio preocupado.

– O que faz na rua a essa hora, já é quase meia-noite? — Resolvi dar uma volta para, estou um pouco sem sono e preciso praticar mais no volante, e você?

– Eu fui no aniversário de uma amiga, mas preferi sair cedo, aí vim andando.

– Não tem medo?

– Essa área é tranquila, no centro da cidade que é perigoso à noite.

Estava muito frio e não queria deixar Rebecca andando por aí sozinha, lhe ofereci uma carona e ela aceitou, agora meu plano estava completamente falho. A casa de Rebecca ficava um pouco mais afastada, mas a deixei em casa.

– Obrigada Ryan! – sorriu ela

– De nada!

– Não dê ouvidos ao Dalton e sua turma amanhã na escola, não vale a pena.

– Pode deixar, já sei como agir agora – dei um sorrisinho e segui de volta para casa.

Um carro veio correndo do meu lado e o carro da polícia estava o perseguindo, dei espaço para que a polícia o alcança-se, e o carro da frente perdeu o controle e seguia sem direção na pista, a sirene da polícia estava a todo vapor, até que o carro deu curva e foi com tudo na parede da minha casa que explodiu na hora.

Fiquei de olhos arregalados, parei o carro e resolvi sair. Uma parte da casa havia explodido, o carro bateu justamente na parede da cozinha e logo provocou a explosão. O policial me viu e veio até mim.

– Você sabe quem mora nessa casa?

– Eu e minha madrasta, Georgia – respondi inocentemente.

– E ela está em casa?

– Está sim!

Fiquei observando a casa em chamas e quase destruída, enquanto o policial ligava para o corpo de bombeiros.

– O que estava fazendo rapaz?

– Fui até o centro da cidade, na volta encontrei uma amiga e a levei até em casa, e vindo pra cá aconteceu isso. Dez minutos se passaram e a vizinhança toda já estava na rua curiosa. O corpo de bombeiros chegou e já começaram a apagar o fogo, enquanto uma equipe entrou na casa, o motorista do carro morreu na hora.

Depois de abaixarem o fogo, eles disseram que minha madrasta tinha morrido e que seu corpo estava na cozinha, e que tudo indica que ela estava mexendo no fogão e muito gás já tinha escapado, o que foi crucial para a explosão. O meu quarto não sofreu muitos danos, e metade do quarto de Georgia estava destruído, mas os bombeiros conseguiram resgatar alguns documentos.

Fui até a delegacia, prestei depoimento e me disseram que por eu ser menor, e não ter mais nenhum parente, que eu tinha que ficar numa casa de tutelados pelo menos até completar 18 anos.

Toda a papelada da indenização e herança do meu pai já estavam em mãos certas, os advogados e a assistente social estavam cuidando de tudo para que nada fosse perdido. Os bombeiros me entregaram minhas roupas, objetos e documentos que não foram danificados e me disseram que logo pela manhã, a assistente social, Anne Smith, iria me levar até a casa de tutelados e somente daqui a três meses, no dia 31 de Outubro, que é quando faço 18 anos eu poderei ser liberado e usufruir dos bens que ficaram pra mim.

Fiquei num quartinho da delegacia, estava pensando que bem ou mal, eu não tinha que me preocupar com mais nada, não passei de uma vítima nessa história, o homem do carro que morreu foi o único culpado. Como as coisas foram se resolver assim tão fáceis? Acordei, tomei café na salinha ao lado do quartinho, fiquei esperando Anne chegar.

O policial disse que eu tive sorte de não estar na casa e que eu tenho total apoio caso precise de alguma coisa. Eu agradeci e notei que uma moça, de uns quarenta e cinco anos estava vindo para a delegacia.

– Bom dia a todos! – disse ela sorrindo.

– Bom dia Anne, este é o jovem, Ryan Scartinson – disse o policial colocando a mão em meu ombro.

– Pobre jovem! Sinto muito pelo que aconteceu ontem à noite, que tragédia. Você deve estar desolado, não é?

– Ainda estou tentando entender, pelo que os peritos disseram, minha madrasta esqueceu o gás do forno ligado e quando desceu para desligar, o carro que atingiu a parede causou a explosão.

– Nossa! Terrível! Mas não se preocupe, vim lhe buscar, como já lhe foi informado, você terá que ficar numa casa com outros jovens órfãos até seu aniversário.

– Eu ficarei sim! Até porque não tenho cabeça pra pensar em nada, só quero esquecer isso.

– Obrigado policial!

– De nada Anne.

Anne envolveu sua mão em minha cintura e me guiou calmamente até o carro.

– Você e sua madrasta se davam bem? – perguntou ela – Ou pelo menos se aturavam?

– Nossa relação não era difícil, ela sempre foi uma mulher doce e suave, fazia o máximo por mim.

– Já falei com todo o pessoal do serviço funerário, mais tarde o enterro de sua madrasta será realizado no cemitério da cidade, eu irei com você.

– Obrigado Sr.ª Anne.

Chegamos na casa, ela era bem grande, devia ter uns três andares, várias janelas, um campo enorme, além de piscina e duas quadras de esporte. Desci do carro, peguei minhas duas malas e segui Anne até a porta. Um grupo de adolescentes surgiu no momento em que entrei e eu falei com todos, me pareciam tão carentes, não ia ser ruim ficar neste lugar.

O ruim ia ser a escola amanhã, todos já estavam sabendo, não estou muito animado. Anne me mostrou todos os cômodos e disse que eu poderia ficar a vontade que mais tarde o almoço será servido. Enquanto estava no quarto, um garoto entrou e se sentou na cama dele, e ficou me olhando.

– Qual seu nome? – perguntou ele timidamente.

– Ryan Scartinson e o seu?

– Jacob Devon.

– Quanto tempo está aqui Jacob?

– Seis anos, meus pais sofreram um acidente e então fiquei órfão, mas logo Anne me trouxe pra cá. E você?

– Eu vivia com minha madrasta apenas, mas ontem ela faleceu, houve uma explosão.

– Todos aqui são legais, você vai gostar!

– Eu sei que sim!

Jacob se levantou e saiu pela porta. Guardei todas as minhas coisas, alguns cds e livros que foram salvos, deitei na cama e cochilei um pouco. “Você acha que ninguém vai descobrir” – disse uma voz, parecia a de Georgia “Todos vão descobrir e vão matar você” “Vão matar, vão matar, vão matar...” risos altos embalaram o momento.

Abri os olhos e tudo não passou de um pesadelo, desci as escadas e fui até o pátio, Jacob e outro garoto estavam conversando.

– Oi Jacob! Quem é seu amigo?

– Ah, esse é Tyler Fanningan, meu melhor amigo aqui.

– Oi Tyler, sou Ryan Scartinson.

Tyler se virou para mim e me olhou estranho, fez uma cara amarrada e de fúria.

– Eu sei quem você é – disse ele

– Sabe? Como sabe? Nunca te vi na vida.

– Você não deve se lembrar, mas eu me lembro.

– Tyler, do que está falando – interrompeu Jacob.

– Seu amiguinho Ryan, ele não é bom.

– Claro que é – respondeu Jacob.

– Jacob, deve estar se confundindo, vamos ser amigos – me aproximei dele e ele me deu um soco, justamente onde Georgia me atingira com a vassoura há dois dias.

– Não fique perto! – disse Tyler – Foi você quem matou, eu sei, já faz cinco anos e depois você sumiu!

Fiquei nervoso e tentei não parecer vulnerável.

– Matar? Quem ele matou? Tyler, pára – disse Jacob.

– A minha irmãzinha Kelly – Tyler começou a chorar – Ele a matou.

Fiquei sem entender nada, e então subi para meu quarto de novo. Kelly? Do que ele estava falando?Eu não matei ninguém!

Notas finais
Ryan está sendo acusado de matar a irmã de Tyler, a jovem Kelly, mas se Tyler tem certeza que foi ele, e ele jura que não foi. Então quem foi?