Ruínas Gloriosas

7 O ruivo do chalé 10


Tatiana

Após Lucy ir conversar com os filhos de Apolo, Cristiano me levou para conhecer os chalés. Passamos por diversos chalés, porém o que mais me chamou atenção foi um chalé de mármore rosa pastel. Logo na entrada havia um canteiro de rosas — sem espinhos — e exalavam um perfume suave. Cristiano me informou dizendo que aquele era o chalé de Afrodite.

Iriamos continuar andando se não fosse por alguém chamar Cristiano.

— Cristiano, mon amour!

Assim como Cristiano, olhei para trás e vi o garoto que conversava com Quíron mais cedo. O garoto — que usava um suéter preto e jeans apertado — colocou o braço em volta de Cristiano, que reclamou:

— Já disse que odeio quando faz isso!

— Sim, sim, tentarei me lembrar da próxima vez. — Ele se afastou de Cristiano e parou em minha frente. — Quem é a garota?

— Tatiana. — Respondi.

— Rodrigo. — Ele piscou. Ficou ao meu lado e continuamos andando. — Então, o que fazem por aqui?

Cristiano falou sobre os filhos de Apolo e que agora estava me mostrando os chalés.

— Entendo. — Rodrigo disse. — Quíron estava te procurando, Cris.

— Ele disse o que queria?

— Não, ele só disse que queria falar com você. Pode ir, eu cuido da garotinha aqui.

Rodrigo me olhou com um sorriso malicioso. Cristiano suspirou e foi procurar Quíron. Continuei o passeio com Rodrigo, ele era mais alto que eu e também muito bonito. Conversamos sobre algumas coisas aleatórias durante o passeio e, quando percebemos, já estava anoitecendo.

Eu realmente estava gostando do acampamento, o melhor de tudo era que eu não precisava ver a cara feia da minha madrasta todo o dia, apesar que eu sentia falta do meu pai.

— Ei! Eu estava te procurando.

Olhei para trás, em direção a voz. Uma garota loira — a qual não conhecia — apareceu, ela era um pouco mais baixa que eu e magra.

— Te conheço? — Rodrigo perguntou.

— Não se lembra de mim? — A garota perguntou confusa. Ela cruzou os braços e prosseguiu. — Alice. Nós ficamos ontem.

— Hum, não, não me lembro.

— Como assim não se lembra!?

A garota começou a aumentar seu tom de voz, mas, antes que pudesse falar mais alguma coisa um garoto abraçou Rodrigo, por trás. Ele lhe deu um beijo no pescoço e Alice olhava chocada para os dois.

— Quem é a vadia? — O garoto que abraçara Rodrigo perguntou.

— Ah, é só uma com quem fiquei. — Rodrigo disse. O garoto o olhou um pouco irritado e era obvio que estava com ciúmes. — Eu estava entediado, não significou nada.

— Como assim? — Alice praticamente gritou, chamando atenção de alguns campistas que passavam por perto.

Alice fora bater em Rodrigo, porém ele a segurou. Rodrigo tocou o rosto de Alice, sussurrou algo em o que parecia ser grego antigo, algo como “Você não quer fazer isso, certo?”. Não sei bem como compreendi, mas antes que pudesse pensar a respeito, Cristiano voltou e me chamou.

Fui até ele e deixei Rodrigo para trás, mas eu tinha certeza que ele nem havia percebido, já que estava aos beijos com o outro garoto.

— O que aconteceu? — Perguntei.

— Quíron está chamando vocês e suas amigas.

Isabela

Não estava muito afim de ir para a floresta com Adriano e Beatrice, muito menos à noite. Tinha quase certeza que ficaria segurando vela e não estava afim disso. Após a conversa com Quíron e o convite de Beatrice nós fomos até o Arsenal, pegamos as lanternas e Adriano uma espada.

Notei que ele carregava um apito, porém não via a necessidade de um na floresta.

— Vamos logo, não tenho o dia todo. — Adriano disse, grosseiro como sempre. — Quíron me obrigou a fazer isso, então não pensem que estou com um bom humor.

Me perguntei se alguma vez ele já estivera de bom humor.

— Sério? Quíron pediu que você nos trouxesse para cá? — Beatrice perguntou.

— Na verdade não. Ele queria que eu conversasse com vocês, mas não estava afim de fazer isso lá no acampamento. Sem contar que não fui com a cara daquela tal Lucy, a outra garota, linda aliás, não me incomodou muito. Uma pena ela ter ido com aqueles dois.

Nós saímos do arsenal e fomos até a floresta. Estava com uma péssima sensação em relação a esse passeio, queria voltar e conhecer os outros campistas.

Tudo ia bem — se eu ignorasse o meu cansaço. Nós continuamos seguindo a trilha e passamos por um monte de pedras empilhadas, Adriano disse que era chamada de “Punho de Zeus”, mas não entrou em detalhes. Andamos mais um pouco e começamos a ouvir alguns sons de passo, no começo ignorei os passos e tentei ficar calma, já que o acampamento era protegido.

Pensei ter escutado um rosnado e algo se mexia nos arbustos, algo grande.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.