Ruínas
1 Ataque!
Depois de anos treinando, finalmente eu serei convocado para participar definitivamente da guerra.
–Matheus! O imperador quer que você vá até ele, é de extrema urgência! – Gritava Leo enquanto me puxava.
Será que era meu primeiro passo? Ansioso, Soltei-me de Leo. Assim que cheguei à porta, respirei bem fundo e tentei relaxar o máximo possível, mas não muito, não queria parecer relaxado de mais.
Abri as portas e me deparei com dois guardas, ambos segurando uma lança. Sentado no trono, o imperador ordenou que eu me aproximasse.
–Aproxime-se Matheus, a uma coisa importante que eu irei lhe pedir. – Disse o imperador olhando-me com um olhar bravo.
– Temos a informação de que o império da Luz conseguiu colocar um espião dentro desse império! Você é um dos melhores lutadores da ADT, aprendeu a se disfarçar, a manusear uma arma como nenhum outro conseguiu. Então, pedir-lhe-ei que encontre o espião e o prenda! Eu lhe darei uma boa recompensa. – Dizia o imperador com um olhar ainda bravo, ele parecia não ter tanta confiança em mim.
Fui para fora do castelo, e esperei o sol se pôr, passei horas pensando em maneiras de descobrir quem seria esse espião. O reino Trevas é conhecido por ter uma população absurdamente grande, isso seria um problema. Começou a esfriar, a lua chegou magnífica naquela noite. Dirigi-me a minha casa, que ficava mais ao norte do império, era uma casa simples, com apenas uma cozinha, um quarto e um banheiro. Meus pais haviam morrido, meu avô saíra do país quando eu tinha 13 anos, e assim como os meus pais, o restante dos meus parentes havia morrido na guerra, os meus únicos amigos eram o Leo, a Janne e o meu cachorro, eu o encontrei na rua dois dias depois de meu avô me abandonar, então, eu e ele dividimos a casa de meu avô, e durante um ano, me apaguei muito a ele, mesmo não tendo lhe dado um nome. Seus pelos eram negros, assim como a noite,e seus olhos eram castanhos escuros, quase da cor de meu cabelo.
Deitei-me no antigo quarto de meu avô, e fiquei olhando para a espada que ele havia deixado para trás, e graças a aquela espada, eu consegui avançar um pouco em minha vida, ganhar um dinheiro que daria para o sustento de minha família, formada por um cachorro e por mim mesmo.
Pensei muitas coisas enquanto dormia, enquanto eu aceitasse as missões dadas pelo imperador e as concluísse com sucesso, ele me pagaria, mas ao mesmo tempo em que eu me manteria vivo, eu também correria risco de vida. Mas como eu tinha uma família para alimentar, me senti obrigado a aceitar as missões.
Passei o resto da noite com o meu cachorro, deitamo-nos na cama e ficamos brincando por alguns minutos, até que...
–Matheus! Você está em casa? – Gritava uma voz familiar.
Levantei-me da cama, e seguido por meu cachorro, dirigi-me a porta. Era a Janne, de casaco preto e calça longa.
–O que houve? O que veio fazer aqui? – Perguntei curioso.
–Matheus, houve um incêndio! Perto do castelo, disseram-me que uma figura encapuzada está tentando matar a população! – Dizia Janne em um tom calmo.
–Vamos! – Deixando meu cachorro em casa, fui com ela até o local do incêndio, que por coincidência era no local onde a organização da qual eu participava e treinava.
–Eles não querem matar a população, já ficou claro que querem tirar a ADT da guerra. Isso foi obra da ADL, eles estão dando o primeiro passo para uma guerra entre organizações, que sofreu influência da guerra entre impérios. Se esta guerra já durou 109 anos, então quer dizer que há possibilidades dela estar perto de acabar. – Disse olhando para o incêndio.
–Bela observação Matheus, mas deixou algo muito importante escapar. – Disse Janne segurando um fósforo já usado.
–O que? – Questionei com muita curiosidade.
–Aqui no império Trevas, existem apenas três comerciantes, ambos vendem fósforos, mas apenas um vende álcool, e o cheiro que senti antes do incêndio começar, foi o do álcool. – Dizia Janne enquanto colocava sua mão nos bolsos de seu casaco.
–Então, o que temos que fazer, é procurar o que vende álcool, e perguntar quem comprou? Mas muitas pessoas compram álcool! Ainda mais que estamos em uma era dependente do álcool.
– Matheus, esse incêndio não começou pequeno sabia? Não havia muitas coisas a qual queimar ali dentro, ou seja, uma grande quantidade de álcool foi consumida, e quando o incêndio começou, não fazia nem 10 minutos que eu havia saído dali! Alguma coisa foi usada como “alimento” para todas essas chamas. Assim que todos forem embora e o fogo for apagado, entraremos e investigaremos, mas tem que ser essa noite ainda, amanhã provavelmente tudo estará sendo reconstruído. – Disse Janne pensando.
–Você tem razão, mas para essa tarefa, precisaremos de alguém que saiba ser discreto.
Fomos até a casa do Leo, de inicio a Janne não concordou em levar o Leo, já que ele era brincalhão e gostava de encher sua paciência.
Assim que deu 1 hora da manhã, fomos até o local do incêndio. Assim que entramos, Janne começou a tossir, ela cobria a boca com as suas mãos, mas mesmo assim ela continuou a tossir.
–Está tudo bem com você? – Perguntei colocando minha mão sobre seu ombro.
–Sim, desculpe-me pelo barulho, sempre reajo assim a fumaça, minha família vivia fumando, e até hoje meu pai continua com esse maldito hábito. – Disse com os olhos cheios d’água por causa da fumaça.
– Acho melhor esperar lá fora, isso pode lhe prejudicar bastante. –Disse acompanhando-a até a saída.
Agora seria somente eu e o Leo. Começamos a revirar as coisas a procura de pistas. A primeira foi 2 caixas de fósforos, todos os fósforos haviam sido usados, exceto um, peguei-o do chão e o guardei no bolso da calça. Passamos aproximadamente 20 minutos procurando pistas, e a única coisa que achamos foram palha queimada e alguns pedaços de madeira, ou seja, já sabíamos o “alimento” do fogo.
Saímos de lá com apenas uma pista, e era meio inútil.
–Onde está a Janne? – Questionou Leo.
–Estou aqui atrás! – Disse ela.
Seguimos o som de sua voz até a parte de trás da ADT, era um beco escuro.
–Achei coisas bem interessantes aqui. – Disse Janne enquanto pegava algumas garrafas de vidro do chão.
–O que é isso? – Questionou Leo.
–São garrafas de álcool, e aparentemente são novas. – Disse tomando da mão de Janne uma das garrafas.
–Ao todo são 4, e parece que foram deixadas para trás, mas elas estavam em um saco de lixo ou seja, alguém estava tentando se livrar delas sem deixar pistas, esconde-las no caso. –Disse Janne.
–Então acho melhor dormimos, amanhã nós procuraremos o culpado. – Disse bocejando.
–Matheus, eu preciso conversar com você. – Disse Janne um pouco desconfiada.
Fiz que sim com a cabeça, e então ela me acompanhou até a minha casa e antes de eu entrar, ela segurou a minha mão e colocou o pé na porta, impedindo-me de fecha — lá.
–O que houve? Ficou maluca? – Questionei.
–Matheus você tem algo a mais com o incendiário, você pareceu bem interessado nesse assunto. Se você realmente estiver escondendo algo de mim, melhor me contar logo. – Disse ela com seriedade.
–Tudo bem, você me pegou, irei de lhe contar, mas tudo que irei lhe dizer é meio que uma coisa sigilosa e essa informação não pode vazar. – Disse a convidando para entrar.
Contei-lhe sobre a missão dada a mim pelo imperador, e disse também que o meu interesse foi realmente por causa da missão, não havia nada de mais, mas só que se essa informação vazasse, o espião saberia que estamos atrás dele, então a minha missão iria correr perigo.
Ela se despediu de mim com um abraço e disse que manteria tudo em total sigilo, também me ameaçou dizendo que se por algum outro motivo eu escondesse segredos dela novamente, ela me chutaria tão forte que eu chegaria no império Luz, aonde eu seria condenado a torturas para obter-se informações sobre o império Trevas, e por fim eu seria morto. No fundo eu sabia que ela nunca faria isso, mas entendi o recado que ela tentou me passar.
Deite-me novamente e dessa vez, peguei no sono rapidamente.
Aproximadamente 9 horas da manhã, levantei-me e fui me encontrar com a Janne no centro do império.
–A bela adormecida finalmente acordou! – Disse ela vindo em minha direção.
–Nesses tempos frios é difícil não dormir, acordar também fica difícil.
–O primeiro comerciante é o que fica a direita do castelo, ele é conhecido como “Metralhadora”, acho que é por causa de suas vendas, ele é o comerciante que mais vende nessa região. – Disse Janne segurando minha mão e me puxando até o local aonde o comerciante trabalhava.
Assim que entramos em seu local de vendas, vimos várias armas de fogo, espadas, caixas de fósforos, alimentos, armaduras e garrafas de álcool. Dirigimo-nos até ao “Metralhadora”.
– Com licença, mas precisamos lhe fazer umas perguntas. — Pediu Janne.
O “Metralhadora” fez que não com a cabeça.
–Senhor, precisamos que nos dê informações, trabalhamos para o imperador e precisamos fazer um interrogatório, caso se negue a responder, iremos alertar o imperador de um suposto suspeito do incêndio ontem a noite!- Disse com confiança e força em minhas palavras. O comerciante ficou um pouco nervoso, mas no fim resolveu responder.
Ele nos passou a informação de que havia um rapaz de óculos e cabelos negros com pele clara na cidade, e ele era novo por essa área, ele não sabia seu nome, mas sabia que ele estava atrás de 4 garrafas de álcool e caixas de fósforos. Ele não pode vender para ele, já que estava em falta em sua loja.
Mostrei-lhe o fósforo que havia encontrado ontem, mas esse fósforo não era o mesmo que é vendido naquele lugar. Saímos da loja com a esperança de encontrá-lo até o final do dia.
–Matheus, eu não sei se devemos andar pela cidade com essas roupas, e acho que estamos desarmados, se algo acontecer não poderemos nos defender. – Disse Janne.
–Vamos até a minha casa, eu tenho quatro armas de fogo, são revólveres, e tenho uma espada, podemos levar. – Disse indo até a minha casa.
Assim que chegamos lá, Janne pegou um dos revólveres e tirou de seu casaco preto, munições.
–Você irá levar algo a mais? – Questionei.
–Depois do que houve ontem à noite, estou andando armada, eu tinha munições, mas não tinha revólver e nem algo do tipo, apenas uma espada que carrego nas costas. O casaco me ajuda a escondê-la. — Disse Janne.
Pensei sobre aquilo e peguei meu casaco também, de preferência preto, como o dela, assim se tornaria mais fácil esconder a espada.
Seguimos até o próximo comerciante, que ficava a esquerda do castelo, na entrada do império, um péssimo ponto de comércio, mas para o espião que acabara de entrar na cidade, aquele local seria perfeito para comprar as mercadorias.
Quando finalmente chegamos lá, questionamos o comerciante, usei as mesmas palavras que havia usado antes, e novamente havia funcionado. Ele descreveu o rapaz do mesmo modo e disse que ele havia parado lá duas vezes, uma semana passada e outra ontem de manhã.
Ele havia comprado quatro garrafas de álcool e duas caixas de fósforos.
–Por que ele veio aqui duas vezes? – Questionou Janne.
–Da primeira vez, eu não tinha as mercadorias que ele buscava, então eu indiquei o comerciante “Metralhadora”, talvez ele tivesse as mercadorias que ele buscava, e disse também que caso ele não conseguisse comprar com o “Metralhadora”, ele poderia voltar aqui na próxima semana, e foi o que ele fez. – Respondeu o comerciante.
Saímos da loja com novas informações, mas não conseguimos juntar os pedaços do quebra cabeça.
Já eram meio dia e meia, estava na hora de eu almoçar, a fome estava me atrapalhando a pensar.
– Eu posso almoçar na sua casa hoje Matheus? Eu te pago, eu só não quero voltar pra casa. – Disse Janne com a cabeça baixa.
–Pode, mas, o que houve? – Questionei.
– Não gosto de falar sobre isso.
–Você me fez lhe contar uma coisa que eu não deveria ter lhe contado, qual o problema de me contar? – Disse com uma voz forte.
–É que eu estou tendo uns problemas com o meu pai, desde que a minha mãe morreu, a gente anda passando por pequenos desentendimentos. – Disse ela abrindo o casaco, levantando a blusa e apontando para sua barriga, a qual estava com marcas de agressão, alguns cortes e arranhões.
–O seu pai fez isso com você? – Questionei.
Ela fez que sim com a cabeça.
–Bem, a única coisa que posso fazer a respeito disso, é lhe convidar para ficar na minha casa por um tempo, quanto tempo quiser, só terá que me ajudar a pagar as contas. – Depois de dizer isso, ela ficou um pouco indecisa, mas no final concordou em se mudar para minha casa por um tempo.
Depois de almoçarmos, voltamos a investigação.
Seguimos até o ultimo comerciante, ele tinha apenas um mês no império, não era muito conhecido. Assim que chegamos ao seu comércio, eu perguntei se ali se vendia álcool.
–Não vendo álcool, apenas alimentos e vestimentas. – Respondeu rapidamente.
Janne olhava para o comerciante com uma cara de morte, então, assim que saímos, ela me puxou para longe do local e disse baixinho.
– Aquele comerciante, se encaixa na descrição dada pelos outros dois. E como você deve ter percebido, ele não vende álcool, e eu não vi fósforos e nem armas naquele local. Matheus tem alguma coisa estranha nessa história. Dois comerciantes suspeitos, um deles se negou a dar informações, que foi o “Metralhadora”, o outro é esse, que não vende álcool e se encaixa na descrição. – Disse Janne.
–Então, o que quer fazer? Temos dois suspeitos, para um culpado, e pode não ser eles! – Afirmei indeciso.
– Apenas uma pessoa trabalha naquele local do qual acabamos de sair, e ele é quase que no centro da cidade, bem perto de onde o incêndio aconteceu. Tudo o que tenho a fazer, é pedir emprego para aquele rapaz e conseguir algumas informações. – Disse ela.
–Você ficou doida?! Caso algo dê errado, você pode muito bem acabar que nem a ADT, de jeito algum vou permitir que faça isso. – Disse Matheus.
–Matheus eu tenho 15 anos, posso tomar minhas decisões sozinha.
Ela se dirigiu a loja e depois de algum tempo, ela voltou. Havia conseguido o emprego. Naquele momento demos mais um passo, o outro seria vigiar o outro comerciante, o famoso “Metralhadora”. Dessa parte eu iria cuidar. Todos os dias eu passaria na loja, procurando algo de diferente. Eu direi a ele que estava atrás de uma erva rara usada para fazer remédios, e dessa maneira terei uma desculpa para passar lá todos os dias.
Chegando a noite, tive que dividir a cama com a Janne e o meu cachorro, ficamos jogando baralho por uns 23 minutos, até que o Leo chegou.
–Leonardo! Quem mais poderia ser? – Disse Janne incomodada com a presença de meu amigo.
–Não sabia que a sua casa havia virado hotel Matheus! – Disse Leo.
–Dá pra parar os dois! Essas briguinhas idiotas nunca levaram vocês a serem amigos, ou pelo menos colegas! – Disse já estressado.
–Está bem Matheus, vai com calma, eu só queria te dar um recado, o imperador esta um pouco bravo com a sua demora, é melhor se apressar. – Disse Leo, que fechou a porta na minha cara.
–Mas o imperador só me dará três dias para resolver tudo isso? – Perguntei para mim mesmo.
–Matheus, eu acho que vamos precisar de mais tempo. – Disse Janne que correu até a porta e gritou o Leo.
Ele voltou até a minha casa, então ela disse:
–Leonardo, diga ao imperador que vamos precisar de pelo menos uma semana, precisamos de mais provas até achar o espião de verdade.
Leo fez que sim com a cabeça e dirigiu-se ao castelo.
Tiramos nossas armas e as escondemos de baixo da cama de meu avô, então deitamos e dormimos.
No dia seguinte, ela havia acordado mais cedo que eu, obviamente deve ter ido trabalhar. Levantei-me e fui comer alguma coisa. Assim que abri o armário, não havia suprimentos necessários, então peguei o dinheiro que eu escondia de baixo do criado-mudo de meu avô e fui, junto ao meu cachorro, comprar os suprimentos.
Fomos ao famoso “Metralhadora”, assim que chegamos lá, fizemos uma grande compra de frutas e um pedaço de carne, toda a compra deu 49 moedas de prata.
A tarde passou muito rápido, eu já havia almoçado e treinado minhas habilidades com a espada. Eram quase 8 horas da noite, e nada dela aparecer. Quando deram 9 horas, comecei a me preocupar.
Com muita pressa, peguei as armas e fui até o local que ela começou a trabalhar. Assim que cheguei lá, estava tudo trancado, e apenas uma das janelas estava com a luz acessa. Abaixei-me e tentei escutar algo. Mas nada, até que se pude ouvir um suspiro bem alto, a voz me era familiar. Até que um barulho de um tiro tirou o silêncio da noite, e após esse barulho, se ouviu um pequeno gemido.
Levantei a cabeça para ver o que estava acontecendo, de um lado, estava o comerciante, e do outro, estava a Janne caída.
Naquele momento, senti um leve arrepio, se eu não fizesse algo rápido, tudo estaria perdido, até que...
–Que feio Matheus, bisbilhotando a casa dos outros! – Disse Leo abaixado ao meu lado.
Eu levei um grande susto, mas fiquei muito feliz por ver o Leo.
–Leo, eu preciso que avise o imperador, mande uma tropa para cá imediatamente, eu achei o espião! – Depois dessas palavras, mais rápido do que nunca, ele correu até o castelo.
Até os soldados chegarem aqui, já seria tarde de mais. Naquele momento, resolvi arriscar tudo. Aquela era a hora de testar a minha tão preciosa pontaria. Tirei do casaco o revólver, mirei na mão do rapaz com a intenção de impedi-lo de usar a arma de fogo novamente.
Assim, pressionei o gatilho, e com muita precisão, acertei sua mão assim como o esperado.
Nesse momento, a janela havia sido perfurada, então, joguei meu corpo contra ela, fazendo-a se quebrar por completo, rapidamente tirei minha espada de meu casaco, enquanto ele segurava sua mão sangrando, eu o imobilizei com a espada, e em menos de 2 minutos as tropas chegaram e o levaram. Assim que o levaram, o mais rápido possível fui até a Janne, que permanecia imóvel no chão. Coloquei-a em meu colo, o tiro havia pegado em seu ombro, naquele momento eu só poderia levá-la para minha casa e tentar tratar a ferida. O tiro não havia perfurado nenhum órgão interno, provavelmente ela desmaiou por causa do medo.
Assim que cheguei em casa, coloquei-a na cama e retirei a bala, lavei a ferida e então a enfaixei de um modo confortável e que não a incomodasse tanto. Deitei-me ao seu lado junto ao meu cachorro, então acabei pegando em um sono pesado.
No dia seguinte, ela já havia acordado, ainda estava deitada, olhava para cima com a mão sobre o local onde estava a ferida.
–Foi você quem me tirou daquele inferno, Matheus?- Perguntou Janne.
–Sim, pode se dizer que sim. – Respondi.
–Obrigado. – Disse ela sorrindo.
–O que ele fez com você? – Questionei.
Ela simplesmente me ignorou, se levantou e foi até a cozinha. Logo me chamou, quando cheguei lá, ela havia preparado um café da manhã bem gostoso para mim.
–Por que se deu o trabalho de fazer isso tudo? – Questionei.
–O mínimo que posso fazer para alguém que salvou a minha vida, não acha? – Respondeu.
Fale com o autor