Ruídos Da Morte

1 O plano de aniquilação das classes inferiores


Notas iniciais
Hum... talvez esse seja o capítulo mais longo, e como consequência, o mais difícil. Demorei alguns dias para fazer ele,e antes de tudo, só um pequeno aviso:
- Quando tiver "~~~~NOMEAQUI" quer dizer que se passa em uma certa parte do mundo, e quando mudar, o cenário também muda, consequentemente o mundo também.

~~~~ Human


"Três pessoas foram achadas mortas hoje de manhã perto de Akihabara. Elas estavam em um estado lastimável, com seus olhos totalmente brancos e seu rosto sangrando, mas os corpos dos mesmo encontravam-se intactos."

Era só o que se podia ouvir nos jornais desta manhã. O menino suspirava aflito, lembrando-se que se encontrava em Akihabara ontem, aliviado por saber que não foi a vítima. Não gostava de assitir jornais, estava passeando pelos canais quando acabou parando naquele, enquanto deveria estar assistindo seu anime. Quando a notícia passou, ele desligou a TV com a imagem daquelas vítimas na mente, suas caras espantadas e seus olhos totalmente brancos, uma coisa que o mesmo achava apavorante. Tomou um banho rápido, sabendo que já se encontrava atrasado para a aula, e vestiu suas roupas num pulo, mal penteando seus cabelos ruivos e simplesmente pegando um pedaço das suas torradas, saindo da casa em seguida, correndo tentando não perder o metrô.

— Jinka! Ficou sabendo? Cinco pessoas mortas em Akihabara!?— Uma menina estava sentada, se levantando num pulo quando o menino chegou, fazendo alguns dos seus cabelos pretos caírem em seus olhos.

— Sim… é só o que estão falando por aí… — Jinka falou, sentando em um banco qualquer, ofegando.

— Você não acha isso estranho?! Não acha isso meio… mal contado?!

— O que esta insinuando Mika?

— Isso que contaram nos jornais não faz sentido!

— Nada pra você faz sentido…— Jinka conhecia muito bem a menina. Ela sempre foi de duvidar do que ouve.

— Mas isso faz menos sentido do que tudo que já ouvi na vida. Nenhuma marca de agressão, marcas de balas ou de facadas, e mesmo assim a testa estava cheia de sangue. O que diabos?!— Nesse momento, o metrô que parava perto do colégio chegou, fazendo os dois correrem para dentro do mesmo. Sentaram-se perto da saída, e foram-se para o colégio, conversando sobre o "acidente" em Akihabara.

Chegaram à escola na hora certa, correndo para suas salas assim que o sinal tocou.

— Jinka, Jinka, vamos para Akihabara mais tarde!— Mika falou baixinho, enquanto o professor de Inglês escrevia um pequeno exercício no quadro.

— O que foi? Começou a se interessar por essas coisas?!

— Não. Vamos lá por causa do acidente, idiota! Às duas horas, me encontre no metrô. Não ouse faltar!— E então ela se virou, esquecendo-se da existência do ruivo, que por sua vez, suspirava, cansado.

— "Calma Mika, foram só três pessoas. Nada de mais"— Jinka pensava, enquanto copiava a tarefa de casa. Ele mal imaginava o que estaria por vir.

~~~~ Warrior

Tinha sido uma manhã difícil para Madoka. Sua perna tinha sido quebrada no treinamento, enquanto tentava pular de um prédio para outro. A mesma se encontrava em cima de sua cama, lendo um livro sobre armas, quando Douchi entrou no quarto, fazendo um enorme estrondo.

— O que foi?

— Três já foram. Como está sua perna?

— Melhor. Dá pra voltar as atividades normais amanhã.— Ela largou o livro em cima da cama, se levantando e mostrando para ele que já podia andar e correr, mais ou menos. Douchi balançou a cabeça, afirmando, pegou um refrigerante e saiu, fazendo Madoka ficar feliz em saber que poderá voltar às atividades amanhã. Ela voltou-se a sentar na cama, agora imaginando quem seriam suas vítimas.

— Madoka, venha! Vamos para a reunião do conselho.— Uma menina de olhos pretos com cabelos verdes, chamada Hitaro entrou no quarto aos pulos, pegando um casaco marrom e sorrindo para Madoka.

— Nós não tivemos isso ontem?!

— Você sabe como é o Kyouya. Mas parece que dessa vez é sério… algo sobre os Windpowns…— Hitaro estremeceu de repente, olhando para baixo ao lembrar daqueles seres que tanto a fizeram sofrer, nessa e em vidas passadas.

— Hum… certo, estou indo.— Madoka levantou-se da cama, passando por Hitaro e começando a se ajeitar em frente a um espelho, prendendo seus longos cabelos cor-de-mel ao meio, saindo seguida por Hitaro.

— Estão atrasadas.— Kyouya falou, sério, enquanto observava as duas meninas sentarem-se em suas cadeiras. Douchi estava sentado no lado esquerdo de Kyouya, e acenou para Madoka quando a mesma passou por ele, fazendo-a corar.

— Desculpe o atraso. O elevador empacou, de novo.

— Entendo… bom, chamei vocês quatro aqui por um pequeno motivo em especial. Recebi uma carta agora a pouco, ela foi enviada por Nao, umas das deltas Windpowns…

— Ela declarou guerra?— Tsubasa, o mais novo de todos os Warriors, que tinha 14 anos, falou, se ajeitando na cadeira enquanto olhava para Kyouya, ansiando uma resposta.

— Calma… Tsubasa, você sabe muito bem que Nao não mandaria uma carta declarando guerra. Ela mandaria uma epidemia. A carta dizia "Kyouya, você se lembra de quando os Immortales andavam junto a nós?! Pois uma boa notícia para você: isso talvez aconteça de novo".— Todos se calaram, olhavam uns para os outros, enquanto tentavam entender porque… ou melhor, como, os Immortales iriam andar junto as outras classes de novo.

— Isso… não seria impossível?— Douchi falou, quebrando aquele silêncio mortal.

— É… quer dizer, eles não se trancaram dentro do próprio território e declararam paz ao mundo?!— Hitaro falou.

— Mas, se levarmos em conta o fato que nós estamos falando dos Immortales…

— Kyouya… porque nos falou isso?— Tsubasa falou, olhando sério para Kyouya. O rapaz nunca foi de contar nada importante para ninguém, Tsubasa se perguntava por que ele tinha resolvido mudar bem agora.

— Vocês são meus melhores Warriors, preciso mantê-los preparados para tudo. Marquei um encontro com Nao as cinco, como sempre ela está ocupada, mas próxima semana ela vai esclarecer as coisas, mas preciso deixá-los preparados, caso ela esteja falando sério. Se os Immortales voltarem… talvez isso vire a pior guerra que o mundo já teve.

— Por que bem agora?— Douchi falou baixinho.

— Talvez… por causa dos planos de aniquilação das raças inferiores.— Tsubasa falou enquanto deitava-se na cadeira, colocando delicadamente seus pés em cima da enorme mesa preta.

— Mas porque os Immortales iriam querer matar os humanos?— Hitaro se encontrava com as mãos na cabeça. Ela estava confusa, milhões de perguntas se encontravam em sua mente.

— Não necessariamente só os humanos… e sim, as raças inferiores aos Immortales… ou seja, todos nós.

— Mandarei aumentar o nível de dificuldade do treinamento de vocês. Madoka, sei que sua perna está ruim, mas assim que melhorar, por favor volte a rotina normal de treinos. E estão liberados.— Madoka concordou com a cabeça, se levantando e saindo com Hitaro, seguida por Tsubasa e Douchi.

~~~~ Human

Jinka bocejava, enquanto olhava a passagem que tanto conhecia, estavam chegando a Akihabara. O ruivo não gostou da ideia de investigar o que havia acontecido hoje de manhã, mas animou-se depois de saber que o local para onde iriam era perto de uma loja que gostava. Saíram do metrô, indo em direção a uma área um pouco afastada daquele caos, enquanto procuravam alguma coisa, som da ambulância talvez.

— Então, o que está pensando em fazer Mika?

— Eu quero examinar os corpos.

— Acha que vão deixá-la entrar? E porque os corpos ainda estariam no mesmo lugar mesmo depois de horas?!

— Nós vamos andar por aí, talvez encontremos alguma coisa— Ela sorriu, olhando para Jinka, mas o ruivo não estava mais prestando tanta atenção a aquelas palavras quanto antes. Ele jurava ter visto uma menina que parecia estar vestida para o exército, com uma arma nas costas e cabelos azuis correndo e entrando em um pequeno beco a poucos metros dali. Ele piscou, olhando pasmado para o beco, tentando ver mais alguma coisa, mas nada mais aconteceu, e Jinka começou a achar que tudo aquilo fazia parte da sua imaginação, voltando sua atenção a garota a seu lado, que estava quase pulando de alegria.

— Jinka, está me ouvindo?!

— Hã? Ah, sim. Desculpe.— Ele sorriu, enquanto caminhava pelos extensos bairros daquele lugar que tanto gosta. Assim que a menina desapareceu, não se deu muito tempo, já se podia ouvir os milhares de gritos ecoarem pelas ruas. Jinka e Mika olharam assustados para um pequeno beco onde já havia se formado uma enorme multidão, pessoas com suas mãos nas bocas ou nos olhos. Elas olhavam pasmadas para cinco pessoas já mortas, do mesmo jeito dos jornais, olhos brancos, testa sagrando, corpo intacto. Mika correu para o local, seguida por Jinka, que optou por ficar em um lugar um pouco mais afastado daquele caos. O mesmo odiava esse tipo de coisa. Mika, por sua vez, desviando da multidão com habilidade, chegou perto dos corpos para examiná-los. Tentando não pensar no péssimo estado das vítimas nem no horrível cheiro de decomposição que pairava no ar, ela pegou o pulso de um dos cadáveres, para ver se o mesmo respirava, ficando em transe depois de descobrir que o coração ainda batia. Ela parou o que fazia, ficando com os olhos arregalados e levando lentamente a mão até a boca, cobrindo-a por puro medo. Ela se levantou cambaleando, enquanto tentava tirar aquela vontade de desmaiar de dentro de si mesmo. Ela não ligava mais para o que estava acontecendo, não queria mais saber o porquê daquilo tudo, ela só queria sair dali. Jinka, que só observava de longe, enfiou-se na multidão quando percebeu que a polícia tinha chegado. Ele pegou Mika pela mão, a puxando para longe daquela alforria. Quando saíram de dentro daquilo, os mesmo puseram-se a correr até suas pernas começarem a falhar, junto com sua respiração.

— O que foi Mika? O que viu lá? — Jinka falou, olhando para o rosto de Mika, vendo que a mesma continuava em transe pelo que tinha acontecido.

— Eles são demônios… é a única coisa que consigo pensar agora…

— Por que? Por que eles…

— Os corações ainda batiam Jinka! Eles ainda estavam vivos!— Ela falou, pegando a gola da blusa de Jinka, chegando perto de seu rosto com uma cara assustadora.

Jinka nada mais falou depois disso. Ele começava a ficar preocupado pelo enorme número de mortos em um só dia, todos do mesmo jeito. Mika não quis mais ficar ali, ela correu para pegar o metrô para casa, e Jinka foi logo depois, com a cabeça baixa, ainda tentando raciocinar o que estava acontecendo.

—"De alguma maneira… Eu não deveria estar assustado por tudo isso?! Porque estou tão calmo…?"— Ele pensava enquanto olhava a paisagem, sentado no metrô sem falar absolutamente nada.

Os dias iam passando, e o Japão ficava cada dia mais em crise. O que deveria ser uma brincadeira medíocre de bandidos armadores, havia se tornado uma loucura. Cada dia mais pessoas morriam, em diversos lugares de Tokyo, preocupando milhões de pessoas, fazendo os aeroportos ficarem cheio. Mika não tocava mais no assunto, ainda tentando esquecer o que tinha acontecido naquele dia, uma tentativa inútil. Jinka continuava como sempre, ele sempre acabava estando em um lugar próximo das vítimas, tendo sempre "alucinações" antes de ouvir os gritos, mas o mesmo simplesmente esquecia. "Não quero me envolver…" ele pensava, sempre se lembrando do que tinha acontecido a Mika. Um clima tenso rodeou o Japão, e ele só iria passar, depois do fim da guerra.

~~~~ Warrior

Madoka estava apressada. Ela já havia se recuperado, e sua perna estava ótima. A mesma pegou seu colete a prova de balas, o vestindo e saindo correndo de seu quarto, acordando Douchi por causa da batida da porta.

— Aonde vai?— Douchi falou, bocejando em seguida, e se sentando na cama enquanto esfregava os olhos.

— Tenho 23 pessoas hoje.

— E daí? São 9:00 da manhã…

— Estou saindo.— Madoka fechou a porta, deixando Douchi sozinho. O mesmo suspirou, voltando a dormir logo depois. Madoka desceu o elevador sorrindo, parando no segunda andar para pegar sua Shadown Sport, a ajeitando junto ao colete para que a arma não caísse. Pegou o elevador de novo, encontrando-se com Tsubasa e Kyouya.

— Olá Madoka— Tsubasa falou, olhando para a mesma.

— Oi Tsubasa! Olá Kyouya! Pra onde vão?

— Tenho que registrar quantas pessoas já se foram…— Tsubasa falou.

— Vou atrás da Nao. Aquela pestinha… se ela estiver mentindo…!— Kyouya fechou os punhos, com um rosto zangado, fazendo Tsubasa e Madoka rirem baixinho.

— Eu sei que você gosta dela Kyouya!— Tsubasa falou, com um sorriso desafiador. Fazendo Madoka concordar com a cabeça enquanto ria.

— Eu não gosto daquela louca!— Kyouya gritou, corando. E então o elevador se abriu, revelando-se estar no primeiro andar. Madoka e Tsubasa desceram, concordando com a cabeça em sinal de sarcasmo, fazendo Kyouya corar mais ainda, praguejando baixo enquanto a porta se fechava.

— Nos vemos mais tarde, ele com certeza marcará uma reunião depois de falar com a Nao.— Tsubasa sorriu, abrindo a porta onde havia escrito "apenas convidados". Madoka concordou com a cabeça, pegando uma das chaves do carro e saindo em seguida, rumo ao mundo humano.

Chegando lá, estacionou o carro em um lugar qualquer, já que ninguém o veria de qualquer maneira. Pegou um pequeno papel onde havia uma lista com vários nomes de pessoas. Ela começou a ler e memorizar os nomes das mesmas, guardando o papel no bolso em seguida. Ela sorriu, um sorriso discreto, enquanto caminhava pelo mundo humano a procura de sua vítimas, uma em especial, aquela que estava com o nome em letras maiúsculas e grifada com marcador vermelho: "Shinzui Mika"

Notas finais
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