Notas iniciais
Como a própria Natasha nos informa docemente, essa passagem toma lugar no tempo no último dia de aula, e ela tem 16 anos; portanto, pré-Fluorescent Adolescents. Aqui, basicamente uma tarde entre Natasha e Tessa, e Natasha e Tessa simplesmente sendo Natasha e Tessa.
De avisos, apenas menções de álcool, drogas, serial killers se escondendo em parques e bissexualismo.
Tanto Natalya quanto Tessa me pertencem.
Título do capítulo é o título da música Summer Wine, de Lana Del Rey. Foi a primeira música decente que apareceu quando eu pesquisei "summer" no letras.terra.

WWWOOOOHOOOO! Se você não fosse um objeto inanimado, eu falaria “adivinha o que aconteceu hoje”, mas isso seria muito idiota, meu caro caderno.

De qualquer jeito, hoje foi o último dia de aula! Meses sem ver aqueles pobres exemplos de protótipos de humanos (eu juro, a minha escola é mais o ferro-velho dos deuses do que aquele em Percy Jackson) e passar tardes e mais tardes com o ar-condicionado na temperatura mais baixa possível (eu sou russa, se eu tomar sol demais eu morro) de pijama, jogando os jogos mais violentos e baixados ilegalmente com Jim Kirk, Tessa e Chuck.

Não me leve a mal, eu sou um alienígena e gosto da escola. Eu gosto de aprender. Eu não gosto das pessoas que estão lá supostamente para aprenderem comigo. Pessoas têm uma tendência a transformar qualquer coisa interessante em insuportável. Se você tentar fazer a Fórmula do Caralho a Quatro enquanto tem dois adolescentes cheios de hormônio falando do filme pornô que eles viram ontem, você também vai ficar de saco cheio da escola bem rapidinho.

Mas não faz mal, ficar sem ir aprender alguma coisa. Livros didáticos e a Internet são meus amigos, mas falando a verdade, eu preciso urgentemente de um descanso.

Infelizmente, o ano letivo durou para mim e para Tessa mais do que para os outros, como Jim e Chuck não pararam de nos lembrar. Nós temos aulas de italiano a tarde, e apesar de nós duas gostarmos de italiano, hoje a gente só queria ir para casa.

As aulas geralmente são hilárias. Tanto Tessa quanto eu somos boas em italiano, e odiamos o nosso professor, aquele idiota que se acha o Tolkien da língua italiana porque ele morou na maior fábrica de fascistas do mundo por alguns anos (dois anos e oito meses, como ele gosta de nos lembrar sempre que pode), e carinhosamente, nós o apelidamos de Mussolini porque ele quer ser venerado como líder supremo e ter sua cara estampada em todos os lugares, além de incentivar o trabalho. Portanto, é muito agradável ficar conversando e fazendo piadinhas a aula inteira, sendo as perfeitas preguiçosas da sala, fazer redações que não valem nota utilizando apenas palavras de três sílabas para gabaritar todos os testes que ele passa. A vingança é como sorvete: doce e fria. E fica ainda mais deliciosa se acompanhada de chocolate sobre uma massa fina, arredondada e fascista.

Depois da aula, teoricamente nós deveríamos ir para casa, mas nenhuma de nós queria. Então, resolvemos ir para o parque, mesmo lugar que eu e Jim frequentamos desde que tínhamos uns 11 anos, e mais tarde, arrastamos Chuck e Tessa também. Agora, nós quatro vamos para lá com uma certa frequência. Basicamente, é para onde vamos toda vez que o mundo parece ser um lugar cruel demais, e nós precisamos de um pouco de espaço.

Ou então quando precisamos ficar muito drogados ou muito bêbados.

De qualquer modo, o Parque foi praticamente esquecido pela maior parte das famílias de Nova York, simplesmente porque ele tá ali desde a aurora dos tempos, os portões e grades estão ficando enferrujados e mendigos se reúnem lá para mijar (uma vez Jim juntou coragem para ir pedir baseado para um e foi assim que nós dois descobrimos que mendigos podem ter uma opinião forte sobre Transformers e se masturbam como adolescentes de 17 anos quando a Megan Fox aparece). Basicamente, isso promete horas e mais horas noite adentro de silêncio e solidão, uma vez que o parque é de tamanho considerável e é cheio de lugares pequenos nos quais um assassino em série pode se esconder. Isso de noite. De dia, por outro lado, é um lugar agradável, só meio sem graça. Os lugares, então, passam a servir de esconderijo para adolescentes.

Tessa e eu nos deitamos de costas, as mochilas servindo como travesseiros, eu escondida na sombra de uma árvore e Tessa sob o sol.

De modo geral, não fizemos muito, só ficamos lá por horas, falando sobre caras gostosos mundo afora, filmes, e outras coisas não importantes. Em determinado momento, eu até tirei o casaco, porque Tessa era a única pessoa lá e ela já sabia de tudo.

Tessa falou sobre a menina com quem ela quase transou final de semana passado, mas foram interrompidas porque a pizza chegou. Ao contrário do que a maioria das pessoas esperava, quando Tessa me contou que era bi, eu não me incomodei. “Okay”, eu disse, “Mas eu não vejo como isso pode influenciar na decisão sobre qual filme a gente leva pra assistir na casa do Chuck.”

É claro que fiquei feliz quando soube que eu era a primeira pessoa a quem ela contava. Ela me perguntou se eu não me incomodava, e eu disse que ela poderia transar com um abacaxi se quisesse, desde que estivesse feliz e não prejudicasse as pessoas ao seu redor de modo significativo. O dia que ela começar a namorar alguém da Al Qaeda ou um serial killer, aí sim eu vou começar a me incomodar. E ser bissexual não é a mesma coisa que ser imprudente ou estúpida. Mas Tessa estava insegura, e me pressionou querendo saber o que eu achava sobre ela ser bi. “Foi lógico cultivar múltiplas escolhas”, eu respondi, citando Star Trek, e acho que foi então que ela entendeu que eu estou completamente em paz com isso. Às vezes eu até me esqueço, já que o comportamento dela não se alterou.

Tessa ainda não contou pros pais dela, mas eu espero que ela o faça, e logo. Melhor eles ouvirem isso dela mesma do que de outra pessoa, mas é compreensível o receio dela. Sabe, família ultra religiosa e tal. Eu já falei pra ela mais de uma vez, que se ela for chutada pra fora de casa, ela vai morar na minha querendo ou não (e eu vou colocar minha cobra de estimação, Arquimedes, na cama deles).

Eu devia parar de me preocupar. As férias começaram e por enquanto, o verão é a única coisa que me importa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.