Rush

1 Único


Livre, leve e solto. Era como Ruki estava. Solteiro, sozinho, só, sem nenhuma companhia, qualquer jeito que queiram chamar. Ruki estava está e estará. Mas oh não, alarme de pessoa solteira soando, não não não, isso não era nada bom para seu amigo amigo-de-todo-mundo Uruha.

Tec tec tec.

E com alguns dígitos e outros “hey como vai você, eu estou bem, que tal vir para jantar?” a missão de acasalamento começou.

Ruki gostava de Uruha. Uruha era amigo de todo mundo, logo, era muito simpático, logo, era simpático com Ruki, logo, era extremamentemuitomais simpático com Ruki do que com qualquer um, o que acabava estressando o pequenino Ruki estressado com as tentativas inúteis de seu amigo-de-todo-mundo Uruha.

Ruki percebeu como a vida era odiosa e pensou seriamente em cortar todos os seus membros e os servir como sacrifícios só para que Uruha calasse a boca e parasse de abrir a porta a cada 10 segundos porque aparentemente o simpático Uruha convidou exatamente todo amigo que conhecia.

Risadas e mais risadas o agora meio porém não completamente bêbado senhor simpatia apresentava e cutucava e apertava e vendia seu super sóbrio amigo Ruki para os outros convidados e Ruki só queria saber de voltar para casa e se matar porque depois dessa noite ele seria lembrado como o homem solteiro gay necessitado melhor amigo do amigo de todo mundo. Suspirou, xingou, bebeu, bebeu e bebeu e ele não queria conhecer ninguém porque ele simplesmente não precisava conhecer ninguém e se enganava pensando que não queria ninguém. Porque Ruki era assim.

E vendo seu filhote sozinho xingando, tropeçando e vermelho e com raiva das palavras e jeito e rosto e raiva, raiva, muita raiva do babaca jogando conversa fora com ele, Uruha o salva só para condená-lo de novo e OH MEU DEUS AGORA VOCÊ PRECISA CONHECER ESSE AQUI, RUKI. VAI ADORAR e com isso ele afundava mais e mais e ficava desconfortável e queria pular daquela janela minúscula que tinha do seu lado.

Opa, estômago mal.

E foi empurrando Uruha e esquivando-se dos obstáculos chamados pretendentes em potencial que chegou no banheiro e, para sua surpresa um dos prováveis parceiros já estava aonde Ruki queria estar: vomitando na privada do apartamento minúsculo do seu amigo-de-todo-mundo Uruha.

Isso o impediu de esvaziar o estômago no vaso, mas o chão ainda estava livre e ah, que se dane, o estrago já estava feito e os dois riam histericamente pela situação inusitada que compartilharam no micro toilet.

Ruki e Reita se apresentaram com um aperto de mãos dias seguintes e começaram a sair e começaram a gostar um do outro. Ruki achava que o laço deles era forte, afinal, já tinham até visto o conteúdo do interior de cada um, de uma forma literal e nojenta, mas hey, já tinham. Uruha achava que era um cupido milagreiro e inflou o ego tentando ajudar agora o inocente Yutaka, e Reita achava que, bem, Reita não sabia o que achar mas tinha certeza que Ruki era e é e será Ruki, aquele que conseguia deixá-lo feliz.

E assim, de repente “oh vamos morar juntos e ter um cachorro” e foi o que realmente fizeram e trocaram os móveis e as cores da parede e o simples gostar que nutriam pelo amar.

Apesar de ser estranho e brega e estranho, o agora-muito-amado-pelo-Reita Ruki decidiu gravar uma daquelas mensagens na secretária eletrônica com muitos “hahaha” “somos um casal feliz” “fale alguma coisa Reita”.

Como nenhum se envergonhou ou gravou uma decente sozinho depois, era fato consumado: a relação subiu outro nível.

Reita agora-muito-amado-pelo-Ruki sorriu e beijou e carregou o seu pequeno Ruki para o quarto dos dois.

E foi lá que os dois cansaram te dizer euteamoeuteamoeuteamo com o seu real significado pela primeira vez na vida.

E Reita percebeu que, mesmo cansado, poderia falar mais.

- Eu te amo.

E Ruki sorriu e agradeceu por não ter cortado nada como sacrifício para Uruha parar de abrir a porta naquele dia.

Notas finais
Curto, muitomuitomuito estranho e corrido.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!