Ruquinha!
4 Vaca desprovida de inteligência
Notas iniciais
Acordei desesperada, pois lembrei que o Luca falara comigo. Olhei para os lados e percebi que estava na enfermaria. A enfermeira, que se chama Carla, estava escrevendo algo em sua prancheta. Levantei-me e abracei a morena por trás.
— Já acordou criatura? — perguntou, delicada como sempre, só que jamais.
— Não, sou sonâmbula, senhorita inteligência — ri.
— Vai para sala de aula então, espertalhona — Carla sorriu, e me deu um tapa forte na bunda.
— Isso doeu — reclamei e fiz biquinho.
— E quem disse que não era para doer? — questionou.
Revirei os olhos e saí da enfermaria batendo o pé com força no chão, fazendo cena, porque sou diva.
Gente, só agora parei para pensar, quem me levou pra enfermaria? E o que aconteceu depois que eu desmaiei? Ai meu Deus, o Luca deve estar me achando uma completa idiota analfabeta que não conseguiu nem falar um “eu estou bem”.
Engraçado, a Carla mandou eu ir para a sala de aula, mas eu não posso entrar até a aula acabar.
Putsgrila, o que eu vou fazer agora?
Andei sem direção pelo enorme corredor onde as salas de aula são uma de frente para a outra. Um ser loiro estava na porta da sala dele e decidi conversar. Corri, pulei em seu colo e o fiz rir. O povo da sala dele me encarou e eu corei. Sim, eu tenho vergonha, apesar de ser maluca da cabeça.
— O que você está fazendo fora de sala, foguinho? — perguntou Nando.
— Tô esperando a aula acabar — respondi encostando-me na porta, depois de descer de seu colo. — Cadê o seu professor?
— Aula vaga agora. Você foi expulsa da sala? O que você aprontou? — perguntou, encarando-me.
Por que ele pensa que a única coisa que sei fazer é aprontar? Qual é, eu sou uma anjinha — só que não.
— Relaxa, eu desmaiei no pátio. Por isso estou fora da sala de aula.
— Desmaiou por quê? Não está se alimentando direito, não é? Você está com anorexia? — Nando fez um questionário de perguntas. Ô preocupação, em?!
— Relaxa Nando, eu desmaie por causa do Luca. Ele veio conversar comigo, eu não aquentei e desmaiei — ri.
— Hum... Mas você deve ter algum parafuso a menos na cabeça. O cara que você gosta fala com você e aí você desmaia?! — e então, ele riu também.
— Foi muita emoção, o meu cérebro e o meu coração não conseguiram raciocina — respondi, fingindo estar emburrada.
— Ok, agora desfaz esse biquinho e olha para o Alan — fiz o que o loiro pediu.
Bufei assim que vi o Alan. O maldito ruivo deixou uma loira falsificada sentar em seu colo. Como esse imbecil ousa trair a minha amiga? Ok, eu sei que os dois não estão namorando ainda, mas ele gosta dela e ela gosta dele.
Que desgrama!
Tudo isso está acontecendo porque os dois são idiotas e retardados. Eu disse para a Mira que ele gostava dela e eu falei para o maldito chegar nela, mas os dois cabeçudos não me ouvem. Eles acham que sou muito louca e por isso imagino coisas. Não acredito que vou ter que ser babá desses dois até eles enxergarem o amor que um sente pelo o outro.
Com raiva andei até o Alan, parei em sua frente, consequentemente, de frente para a garota que está em seu colo. Os dois idiotas estavam sorrindo.
— Vaza de cima colo do fogão-sem-cérebro — mandei, encarando a loira.
— De quem? — ela perguntou, aparentemente confusa.
— Do Alan — esclareci, e bufei.
— Não vou. Ele me deixou sentar no colo dele e você não tem nada a ver com isso — retrucou.
— Te dou três segundos para você sair do colo dele — avisei.
— O que deu em você, Ruquinha? — perguntou Alan. Mandei somente um olhar de quem quer ver sangue em sua direção.
— Um... — contei.
— Sai daqui, ruivinha do capeta — rosnou a loira.
— Ruivinha do quê? — estressei de vez — Repete isso, sua vaca desprovida de inteligência! Quero ver você repetir, cachorra — gritei.
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