Runways
4 Neverland
O navio finalmente chegou na ilha que o tempo não passa. Killian e Liam já estavam na ilha, Emma tinha ficado com o restante da tripulação. Quanto menos pessoas naquilo, era melhor. Os dois estavam começando a entrar na ilha, ainda estavam na praia.
–Olha só! -uma voz surgiu, os dois olharam para trás e um menino com mais ou menos 16 ou 17 anos estava lá. -O que fazem -o menino desapareceu e logo apareceu mais próximo dos dois homens -na minha ilha? -Os dois homens se entreolharam, não sabiam o que dizer. O mais velho logo começou a falar
–Vamos pegar um remédio para o rei, é para ajudar a população. -O menino desapareceu e dessa vez eles não o viram aparecer novamente.
–Posso saber o nome? -a voz vinha do outro lado que estavam olhando. Logo direcionaram o olhar para ele.
–Sonho Sombrio -Killian logo falou, as palavras sairam o mais rápido que esperava, não queria ter dito, mas esse garoto poderia ajuda-los. Seu irmão o olhou com um olhar de reprovação. O menino riu.
–Remédio? -Agora ele aparecia e desaparecia por várias vezes. -Isso é um veneno! O rei usará nas armas, assim como eu e meus meninos.
–E você é quem para saber? -O mais velho estava se irritando com isso, enquanto Killian estava acreditando no que o garoto falava, Liam descordava com tudo.
–Peter Pan! Eu mando nessa ilha -O garoto abriu um sorriso de lado, estava orgulhoso de si mesmo.
–Vamos, Killian, temos que pegar o remédio. -Ele não deu ouvidos ao menino, ignorou totalmente. Acreditava fielmente no rei. Killian não conseguia simplesmente ignorar o garoto, mas foi andando com seu irmão. Caminharam um pouco, mas não foram tão longe. Liam tirou de seu casaco uma gravura que tinha uma planta escura com espinhos e olhou para o que tinha na frente, eram iguais. -Isso! Achamos. -Liam logo cortou o quanto que conseguiu.
–Não diga que eu não avisei -uma voz ecoou pelo lugar, mas Peter Pan não estava lá, apenas sua voz, como um fantasma.
–Isso não parece um remédio -Killian alertou cauteloso, não tinha medo de muitas coisas, mas alguém poderia se ferir gravemente com aquilo
–Você acretida naquele pirralho? -o capitão deu gargalhadas -Veja -Liam cravou um dos espinhos no braço.
–Não! -Killian disse alto tentando parar o irmão que sorriu ao ver que nada aconteceu. Killian soltou uma risada aliviada e os dois foram em direção a praia. Killian seguia na frente, mas parou ao ouvir um barulho. Liam caiu no chão. -Liam! -O braço dele estava ficando cada vez mais escuro e aquilo subia o mais rápido possível tentando achar o coração do homem. Liam não conseguia dizer nada ao irmão, aquilo estava muito forte, mas sabia que era o mesmo jeito que o pai dos dois tinha morrido. -Liam! Não, você não pode me deixar! Você é meu irmão mais velho, por infernos, Liam, acorde! -os olhos dele iam ficando cada vez mais pesados e difíceis de ficarem aberto.
–Desculpa -foi tudo o que o capitão conseguiu dizer antes de fechar os olhos e dar o seu último suspiro. Killian ainda chamava pelo nome do irmão, mas nada adiantava. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e caiam em cima do corpo do irmão, nada estava ajudando.
–Uhm, eu vim aqui me despedir, mas acho que é o momento errado! -A voz -já conhecida- de Pan surgiu atrás de Killian, ele virou furioso e se levantou.
–Você! -Killian deu alguns passos e chegou no garoto. Ele o segurou pela gola da blusa verde escura que usava. -Você o matou!
–Ah, eu avisei! -Ele disse debochado.
–Deve haver algo para salva-lo nessa maldita ilha. -Killian o soltou e disse em um tom desesperado, queria de alguma forma uma ajuda.
–Me desculpa, mas o máximo que pode fazer é levar seu irmão ao navio e ter um funeral decente. Eu avisei, eu disse que era perigoso -O menino desapareceu deixando Killian sozinho com o corpo sem vida de seu irmão.
Killian começou arrastar o corpo, não queria pensar em nada, pois estava segurando suas lágrimas, sabia que iria começar a desabar caso fosse mais profundo em seus pensamentos. A dor que sentia no peito não conseguia esconder, ela existia toda vez que o seu coração batia, tentava ignorar de todas as formas. Killian começou a arrastar o corpo até o pequeno barco que veio com seu irmão remando. Conseguiu colocar e entrou, levou o dobro, senão até o mesmo o triplo de tempo para chegar no navio. Quando avistou o enorme Jolly Roger começou a gritar, alguns tripulantes viram e ajudaram Killian a levar o corpo do irmão para cima do navio. Já em cima do navio, várias vozes começaram a surgir, muitas perguntas a procura de respostas e Killian continuava em silêncio, não conseguia direcionar o olhar a ninguém. Queria fugir daquilo.
–Arrumem ele para o funeral -foi tudo o que disse. Os seus olhos foram ao encontro dos de Emma, conseguiu ficar parado por um tempo olhando para ela que tentava entender tudo aquilo. Ele saiu rapidamente até o leme do navio, se econstou naquilo e sentou com as costas apoiada no leme. Ele olhou para a parede do navio e se lembrou de todos os momentos felizes que teve com seu irmão, até mesmo de brigas. Esse navio sempre foi de seu irmão e agora ele se foi. Killian se permitia suas lágrimas cairem, seu irmão se foi e a última coisa que fez foi se desculpar. Killian chorava mais desesperado ainda, não podia fazer nada. Ele se foi. Agora era Killian que queria se desculpar por tudo e principalmente por ter duvidado do rei e assim ter feito Liam provar.
Um dos tripulantes queria se aproximar mais do leme e Emma logo o parou.
–O que quer? -Ela perguntou firme
–Falar pro Tenente que já podemos iniciar o funeral.
–Eu aviso -O homem assentiu e Emma foi se aproximando devagar do lugar onde Killian estava. Ela sabia que ele estava chorando e por isso não queria que nenhum tripulante fosse o ver, sabia que isso iria ferir o orgulho dele. Emma foi até lá e escutou gemidos baixos, eram de Killian. Ela se aproximou dele e sentou ao seu lado sem dizer nada. Ele continuava encarando o navio. Emma pensou em dizer alguma coisa, mas achou melhor cotinuarem em silencio, Killian precisava desabafar tudo o que tinha. Depois de um tempo disso, Emma resolveu falar. -Já está tudo pronto para o funeral. -Killian assentiu, limpou as lágrimas com a manga de seu casaco que estava todo sujo e se levantou. Emma sabia como ele se sentia, ela já passou por isso, não pelo irmão, mas pelo seu amor. Única coisa que tinham igual o jeito que morreram. Emma viu o braço do homem que estava deitado no deck todo escuro, assim como Bae no lugar que foi atingido. Emma já tinha juntado o que aconteceu.
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Logo depois de jogar o corpo de seu irmão ao mar e tentar dizer algumas palavras a ele, Killian foi até o seu aposento que estava dividindo com seu irmão. Abriu a porta, entrou e sentou no chão encostado suas costas na cama. Suas lágrimas voltaram a escorrer. Seu irmão que compartilhava esse quarto com ele, agora não estava mais ali. Sua mãe morreu quando deu a luz a ele, seu pai morreu quando ele tinha dois anos, não se lembrava de quase nada dele e agora Liam. Não tinha ninguém. Ele tirou o casaco imundo e jogo para um lado, dobrou as mangas da blusa que usava por baixo. Ele pegou a pequena faca que tinha em seu bolso, com a outra mão passou para trás e segurou o pequeno tufo de cabelo e passou a faca, agora seu cabelo estava curto. Ele se levantou e sabia que algum lugar ele tinha escondido em cantil, ele bebia rum para dar estabilidade no navio, pois as vezes sentia enjoos. Quando acho voltou ao lugar inicial, esticou uma perna e a outro estava dobrada com a sua mão vazia em cima. Começou a beber o rum, não aguentava muito, mas continuava bebendo, isso iria ajuda-lo de alguma forma. Logo ia se acostumando com o sabor forte daquilo. Voltou a desabafar, suas lágrimas caiam cada vez mais, e bebia mais rum. A porta do quarto abriu, ele direcionou o olhar e viu Emma entrar. Ela sentou na frente dele. O homem não ligou e continuou chorando, já tinha chorado uma vez na frente dela.
–Eu sei como é isso. -Emma disse e por um momento as lágrimas dele pararam de escorrer. -Quando eu perdi o menino que eu amava. O pior de tudo, meu pai o matou. -Emma fitou o chão, não acreditava que estava falando isso para Killian Jones, mas tudo bem, afinal, era um momento delicado. As lágrimas dele iam parando, mas seu rosto continuava inchado e vermelho. -O que é isso? -Emma perguntou apontando para o cantil que o homem segurava.
–Rum -Ele disse seco e logo tomou um gole daquilo, seus olhos se fecharam para aquilo descer melhor, ainda se acostumava com isso.
–Você disse que é proibido. -Sem pensar no que dizia e principalmente no momento, Emma deixou escapar essas palavras.
–Acabei de jogar meu irmão ao mar, a Princesa me permite mergulhar as minhas lágrimas em bebida? -Rebateu e foi ríspido, a garota engoliu seco. -Isso me ajudava a tirar a tontura do navio.
–Estou aqui para ajudar, Jones, eu já perdi o amor da minha vida, Baelfire. -Emma disse forte com seus dentes trincados. O silêncio veio. Emma não iria sair dali e Killian estava começando a gostar de não ficar sozinho, mesmo ela estando longe dele, tendo alguém respirando o mesmo ar que ele já estava bom. Os pensamentos dele de antes estavam concluídos e agora estava mais do que certo do que iria fazer.
–Swan, -Ele começou a dizer. Emma parou de olhar para o fundo do quarto e olhou nos olhos dele. -Não vou voltar mais para o reino. -Emma cerrou os olhos, não entendia o que ele queria. Deveria estar bêbado. -Vou deixa-la com seus pais e vou seguir mar a fora. Não quero mais trabalhar para o seu pai ou qualquer outro rei. Vou ser livre.
–Você está bêbado! -O tom de voz da moça estava alto e ela deu uma risada no final.
–Não! Não estou.
–Como vai viver? Digo, dinheiro e comida!
–Roubando -Ele abriu um sorriso malicioso no final, Emma já tinha entendido o que ele queria dizer.
–Como um pirata?
–É, um pirata! -o sorriso dele já estava maior ainda, Emma nunca o tinha visto sorrindo desse jeito, estava sendo sincero. -Pode ficar tranquila, ficará em seu reino.
–Não! -Ela logo falou, foi totalmente espontâneo. Ela queria agradecer o subconsciente dela por ter feito aquilo. -Eu vou com você! -Dessa vez foi ele que cerrou os olhos e não entendeu o que ela queria.
–É perigoso, Swan. Vou estar contra o seu pai e eu tenho motivos, olhe meu irmão, quis provar que o rei estava certo e acabou morrendo.
–Eu acabei de te falar, meu pai matou Baelfire! Tenho motivos suficientes. -Ele mordeu os lábios pensativo e estava começando a gostar dessa atitude da mulher. -Eu quero ser livre, eu quero ir mar a fora e não me importo de roubar algumas pessoas, principalmente ricos e a realeza, eu quero viver todo dia uma aventura nova. Vamos, Capitão, quero ser da sua equipe. -Ele sorriu de canto, não poderia estar mais contente com essa atitute, Emma deixou o seu sorriso orgulhoso aparecer. Não importa se depois iria se arrepender, nesse momento ela quer ir fundo e conhecer tudo e ter aventuras. Emma Swan não quer mais ser uma princesa e sim uma pirata.
–Está abordo, Pirata Swan. -Os dois riram como duas crianças, era a primeira vez que compartilhavam um momento de total felicidade. Killian vai honrar a morte de seu irmão, não vai deixar que ele tenha morrido pelo rei, vai se vingar de tudo e ainda tem a filha do rei como aliada.
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