Running Out Of Reasons
1 Chapter One.
Notas iniciais
Abril, 1993.
Narrador:
Em uma noite nebulosa, onde somente se ouvia os leves ruídos da noite, havia um homem. Este, à medida que andava, ouvindo o ritmo da própria consciência, sabia que estava a cometer um erro, o qual ele se arrependeria por muito tempo, ou talvez por toda a sua vida.
Mas como poderia ele recusar? Se tudo que construiu até hoje, depende disso?
Ele continuava a caminhar, até chegar à margem do rio.
Ele balançava a criança recém nascida em seus braços, para cima e para baixo, para tentar conter o estridente choro, que perturbava sua mente.
—Pare de chorar, por favor.— implorou o homem inquieto ao perceber veículos transitando em uma pequena estrada perto dali. — ninguém pode me ver, e ninguém pode te salvar.— sussurrou. Ao menos, era isso que ele desejava.
O rapaz, que apesar de suas maldades, havia um olhar assustado, apertou os passos. Ele olhava freneticamente para os lados e sua respiração estava irregular. Ele estava ressentido, e sentia medo.
Revolto, ele olhou para o céu ansiando por força, para oque ele faria a seguir.
Ao chegar a margem do estreito rio, ele se ajoelhou na margem. Focou o olhar no recém nascido e o despejou no leito do rio.
—Eu sinto muito.— lágrimas escorreram em seu rosto enquanto observava o choro da criança, cada vez mais distante.
Presente. Março, 2014.
Marylin
A partir da janela, eu podia avistar melhor a mansão à medida que o táxi se aproximava. Com sua beldade e tamanho, posso dizer que seria um cenário perfeito para um bom filme de terror.
—Senhorita, não é este o lugar? Ou errei o trajeto?— o motorista verificou o GPS confuso, enquanto eu ainda tentava me soltar dos pensamentos.
—Sim, é claro. Me desculpe, estava distraída.— tentei manter a voz calma, e encerrei com o sorriso. — quanto custa mesmo?
Ele respondeu algo, e logo tirei algumas libras da bolsa e dei-lhe pouco antes de sair do carro.
Estava muito frio, abracei minha bolsa numa tentativa falha de me aquecer. Estava de suéter- por sinal o meu favorito, ganhei da minha falecida avó, quando tinha apenas dois anos. — Deveria ter me agasalhado um pouco mais, pensei.
Há tantos anos que não apareço aqui...Manchester é uma cidade imensa, mas quase nunca visito este bairro, então, sinto-me como se estivesse aqui pela primeira vez.
Observei a mesma, é bonita e bem grande como eu lembrava. Apesar de ter vindo aqui somente uma vez.
Fui até o grande portão, toquei a campainha e esperei.
Me senti idiota por isso, mas estou um tanto ansiosa, curiosa e talvez nostálgica, pela vez que estive aqui.
Já estava começando a tremer de frio. Então o portão automático se abriu, dando vista à um enorme jardim fazendo-me entreabrir levemente os lábios.
Apareceu uma mulher loira com um conjunto de moleton, um olhar bem simpático e aparência de quarenta e poucos anos, caminhando calmamente até mim.
—Oi, sou Marylin, boa tarde. A Jess está?— como tenho uma sisma com primeiras impressões, passei-lhe confiança com uma largo sorriso e uma doce voz.
—Boa tarde, você é a menina do trabalho escolar?- soltou um bocejo depois da última palavra, e franzia o cenho. Bom, parecia que havia acabado de acordar.
Murmurei um "Uhum" e afirmei com a cabeça.
—Ah, sim minha linda, ela está à sua espera!
Ela abriu mais o portão e fez gesto para eu entrar.
—Com licença...— pulando a parte que eu fui a única a me apresentar, foi um início simpático.
Passei pelo portão e fui pelo enorme jardim. Não estava florido pois estávamos no inverno, mas fiquei imaginando como seria na primavera.
—Por aqui!— exclamou me guiando para a porta da frente. Antes de entrar, Jess apareceu e em um rápido movimento me abraçou. Começamos a rir. Ela usava um short jeans e uma regata simples, parecia até que era verão.
—Pensei que não vinha mais!— fez biquinho.
—É claro que eu vinha, né! Esse trabalho vale mais que nossas vidas.— rimos.
—Fiquem à vontade.— a mãe dela sorriu e entrou na casa, enquanto nós duas ainda estávamos na porta.
—Okay, Dona Karen.— Jess ironizou. Ela voltou o olhar pra mim. — Lembrou direitinho como chega aqui?— questionou.
—Tenho uma ótima memória.— me gabei.
—Haha, mas como é exibida!— Rimos novamente. Logo depois tirei o sorriso do rosto. — Hey... está tudo bem?— indagou.
—Vai ficar.— tentei convencer mais a mim mesma nesse tom.
— Vamos entrar logo que aqui está frio.— Eu hesitei.
—Tem algum cachorro aí? Ou qualquer tipo de animal?— Uma história engraçada: tenho fobia de cachorros desde que fui mordida por um Pit bull ano passado, e fui às pressas para o hospital. E para mim, qualquer outro animal também morde.
—Só o meu irmão!— alertou sem expressão e eu franzi o cenho.
Ah...perdi alguma coisa?
Então ela começou a rir exageradamente.
—Estou só brincando!
Ah é, quase não lembrava. Jess tem um irmão. Henry o nome, eu acho. E também acho que ele é mais velho. Eu o vi no máximo duas vezes, lembro dele estar aqui em uma festa nesta mesma mansão há quatro anos, mas ele foi embora logo no início e nem cheguei a o cumprimentar. A outra vez foi quando ele foi na escola onde Jess e eu estudávamos entregar algo, mas o vi de longe, também há quatro anos, mas nunca conversamos.
—Entra logo!— insistiu e escancarou a porta.
Sem opções, eu assenti.
Adentrei e percebi a diferença: estava bem quente ali.- deve ter aquecedor.
Me deparei a sala, era bem espaçosa, muito grande.
À minha frente, havia um quadro na parede branca com uma foto da família: Jess, um homem e uma mulher que presumo ser os pais e seu irmão. A foto era muito antiga, Jess aparentava ter no máximo dois anos de idade.
À minha direita Jess estava em frente a uma mesa, ainda na sala. Tinha uma cartolina grande, materiais escolares, livros e um notebook, devemos fazer o trabalho ali, presumi.
Olhei para a esquerda e vi um garoto...Henry! Ele estava deitado no sofá jogando algo. Pernas cruzadas, sem blusa, só de calça jeans e tênis. Cabelo completamente bagunçado, uma mão atrás da cabeça e a outra segurando o celular, também estava de fones de ouvido e totalmente despreocupado, parecia nem me notar ali- ou notar qualquer outra pessoa- . Bom, ele tava bem diferente, mudou muito. Da última vez que o vi era um menino bobinho de franjinha, e agora parecia mais um playboy.
—Boa tarde.— direcionei meu olhar a ele.
Bom, eu não estava nem um pouco a fim de interromper o momento mágico dele e seus fones, mas tinha que ser educada, estava em sua casa.
Ele não moveu um músculo, simplesmente me olhou à sua frente, deu um sorriso de lado e voltou a encarar o aparelho celular, novamente como se eu não tivesse ali.
Algo me dizia que aquele sorriso não foi sincero, mas isso pouco me importava.
Logo depois, ouvi batidas de música dos seus fones, dava pra ouvir aquilo de longe. Me virei e fui até a Jess, que fazia linhas na cartolina.
—Ele é sempre assim?— sussurrei e apontei com a cabeça, mas sabia que ele não estava ouvindo, ou vendo algo.
— Sempre, ignora. Agora vamos logo fazer isso, quero terminar logo. Comece copiando essa parte aqui.— ela me mostrou uma folha com um texto e apontou o lugar que eu deveria copiar. Mas que saco, o professor não queria nada imprimido. — Depois eu copio a outra metade.
—Oh meu Deus, é muita coisa!— exclamei desanimada.— Hoje o dia será longo...
—Com certeza vai.— retrucou.
[...]
Alguns minutos se passaram. Jess estava sentada na cadeira próximo à mesa e me olhando.
Parei de copiar e a olhei de volta.
—O que foi?— indaguei.
—Quero te perguntar uma coisa...—parecia ter cautela.
—Então diz.— pus a caneta em qualquer lugar da mesa.
—Como está lidando com toda a história do Adrian?— sabia que se tratava disso.
—Estou bem!—respirei fundo— Mesmo. Eu não vou gostar dele pra sempre e sinceramente...— me interrompi por um instante. —Estou bem melhor sozinha. Tava sentindo falta dessa vida de solteira. — ri com puro sarcasmo e voltei a copiar. — Bom, se pode ficar com quem quiser, sem compromisso...
—Opa, calma aí, né. Não é pra você sair pegando todo mundo!— Rimos. —Pois bem, eu também estou solteira. Estou à procura de um príncipe.— ela ironizou a última frase, olhou pra cima e piscou várias vezes. Ela é bem louca.
—Será fácil pra você achar né, muitos caras estão atrás de você. Principalmente na escola. Você só pega porque não quer.
—Se você está falando do...— a interrompi.
- Francis.- era a minha vez de zombar.— Isso mesmo. Eu sei que você quer ele. Dava pra ver o brilho dos seus olhos quando vocês conversavam...
—Não é nada disso.— tentava desviar o foco.— Eu apenas estava falando pra ele sobre...— ela foi interrompida pela Karen.
—Meninas.. querem pipoca?— Karen perguntou. Estava com duas vasilhas grandes.
—Claro, estou faminta. Obrigada mãe, sabe que te amo, né?— Jess agarrou uma das vasilhas e abocanhou a pipoca. — Você quer?— me perguntou, eu assenti.
Karen me entregou a outra vasilha.
—Obrigada.— peguei a vasilha.
—Vou pegar refrigerante!— Karen seguiu para a cozinha.
—Oh Mãaae!— Foi quase um grito. Olhei para o fundo da sala. Henry urrou aquilo asperamente olhando para a cozinha, foi a primeira vez que o ouvi falar. Tinha um olhar fixo e novamente ignorava a presença de todos.
Karen apareceu de volta na sala com uma garrafa de coca-cola e copos. Ela pôs em cima da parte desocupada da mesa e encarou Henry.
—O que foi?— perguntou ela.
—Estou faminto.— reclamou e voltou a olhar o celular— quero um sanduíche.— Sua voz não tinha nenhuma emoção.
—Não tem! — ela disse calmamente— Vá na esquina comprar.— acrescentou.
Ele voltou a olhá-la e tinha uma cara como quem diria "está de brincadeira?". Respirou fundo e novamente voltou a olhar o aparelho.
—Esquece. Prefiro ficar com fome.— rosnou ele.
—Irmão, querido. Se você quer a pipoca, é só falar.— Jess provocou e ele ignorou. Que novidade!
Ela pegou uma borracha e tacou nele, caiu em seu ombro.
—Ai...mas que porra!— esbravejou se sentando, depois a encarou.— Que madura você é, Jess.— passou uma mão no cabelo deixando-o mais bagunçado. Uau! Ele é lindo! Qualquer garota normal cairia de amores por ele- menos eu.
—Vem cá pegar logo, antes que eu me arrependa.— continuou na provocação; ele revirou os olhos, levantou e veio em nossa direção.
Agora sim, percebi seus olhos verdes.
—Você tem sorte que estou de bom humor hoje, maninha.— sorriu ironicamente.
Nossa, se isso é bom humor, imagina o mau.
Ele foi até Jess, botou a mão na vasilha e pegou uma boa quantidade de pipoca e depois foi pegar refrigerante.
Ele sequer me olhou. Coloquei o copo na pia indiferentemente e comecei a copiar novamente.
Ele voltou pro sofá e pôs os dois pés cruzados em cima da mesa de centro e novamente colocou os fones, ignorando o mundo. Como e por que ele faz isso? Me perguntei, tanto faz.
—Nunca nem pense em namorar ele. Ele é um imprestável e não faz nada pra ninguém.— Karen alertou baixo para mim e apontou a cabeça para Nathan, que não percebeu. Por que diabos? Engasguei a seco.
—O-o que?— gaguejei.— Não, fora de questão.— afirmei sem entender e ri constrangida. Jess ao nosso lado riu descontroladamente.
—Essa foi boa!— caçoou. — Imagina que bizarro, nunca mesmo.
Bem, estava me sentindo excluída da piada- até porque se tratava de mim.
—Só estou avisando...— Karen piscou para mim.
—Ela está certa, amiga.— Jess disse. Por mais que exista uma amizade, sempre acho estranho o termo "amiga". — Ele é um grosso, você não merece isso.— completou rindo.
—Não sei nem porque estamos falando sobre isso.— argumentei.
—Tem razão!— Jess desviou o olhar.
Ainda não entendi por que diabos essa conversa estava acontecendo. Somente ignorei, abaixei a cabeça e voltei a copiar, faltava pouco pra acabar minha parte.
[...]
Duas horas se passaram, Jess havia ido tomar banho porque iria em uma festa-sempre tão popular- e eu já tinha terminado.
Eu estava em pé em frente à mesa, já estava cansada de ficar sentada.
Peguei meu celular e comecei a ver as mensagens. Karen estava sentada à minha frente fazendo o título do nosso trabalho, ela tinha um certo dom para isso.
De repente, Henry levantou e caminhou até a mesa. Ele passou por trás de mim para pôr o copo em cima do outro lado da mesa, se esforçou um pouco mas mesmo assim encostou rapidamente seu braço no meu que estava apoiado em cima da mesma. Por um segundo senti sua respiração na minha nuca, fiquei completamente desconfortável com a situação.
Quando ele estava se afastando, Karen quebrou o silêncio constrangedor, dizendo:
— É aí que se põe o copo?— ela arqueou a sobrancelha o encarando. Não pude conter o riso, esbocei um pequeno sorriso. -imperceptível, eu espero.
—Depois alguém se livra disso para mim.— disse indiferente e foi pro lado da mesa perto da mãe. —Pode me dizer porque a internet está lenta?— ele perguntou, ainda me ignorava. Mas que pena, a diversão dele está lenta. Tirei os olhos dele e voltei a encarar o celular.
—Vai fazer alguma coisa da vida, só sabe ficar nesse celular e ficar pra lá e pra cá com aquele bando de desocupados que você chama de amigos.— reprovou.
—É minha vida, né?— resmungou. Sentia de longe sua maldosa ironia. Aquilo me fazia querer esmurrar sua cara.
Grosso. Quem fala assim com a própria mãe? É um desnaturado mesmo.
Tive a impressão que esse tipo de coisa sempre acontecia nesta casa.
—Eu disse para ela pra nunca namorar te porque você é um imprestável que não faz nada pra ninguém, rá.— soou como uma provocação. Engasguei a seco, de novo. Mas o que? Ela fala isso na frente dele? O que ele vai fazer agora, me jogar uma granada?
—"Ela" quem exatamente?— Ele estava fazendo de isso de propósito, só pode.
—Ela.— Karen apontou pra mim.
Esse é uma dos momentos que eu gostaria de um alçapão, ou um portal para outra dimensão.
Como foi mesmo que me meti nessa situação?
Olhei pra ele envergonhada. Ele me encarou de canto de olho, deu uma pequena risada irônica e caminhou de volta até o sofá.
O olhar dele me dava apreensão. Uma mistura de mistério e segredos. Como se fosse um oceano verde repleto de criaturas dinâmicas.
—Ah... eu já terminei minha parte, vou embora. Manda beijo pra Jess por mim.— tentei soar o mais normal e confiante possível.
—Mas não vai nem esperar ela sair do banho?— Karen perguntou. Sei que Jess demora muito, e eu precisava ir pra casa.
—Não vai dar, pede desculpas pra ela por mim.— disse com a voz baixa.
Olhei pra mesa, peguei alguns materiais meu e percebi uma caneta no chão, a peguei e pus na bolsa.
—Então, tudo bem.- Karen disse- Tchau, Marylin.
-Tchau! Até qualquer dia!- a abracei. Mas espera, como sabe meu nome?
Não me apeguei a este detalhe, apenas ignorei.
Caminhei até a porta, Henry estava vidrado no celular, resolvi não falar nada. Estava arriscado ele me dar um fora.
Fechei a porta e andei pelo quintal, que agora estava bem escuro.
Olhei de um lado pro outro, já eram 8 p.m.
Segui até o portão e saí, depois o fechei.
Começou a trovejar.
Droga, tenho que ir até o ponto de táxi. Comecei a sentir pingos.
Não podia chover agora. E eu não trouxe guarda chuva.
Putz, estou perdida, completamente perdida.
Começou a chover mais forte, a rua foi ficando cada vez mais difícil de se enxergar. As ruas estavam desertas, não vi ninguém por ali.
Caminhei mais rápido, o ponto ficava a duas quadras dali. Os pingos molhavam meu rosto, meu cabelo estava encharcado e minha roupa também.
Droga, vou ficar resfriada.
Foi quando tive uma sensação estranha. Parei e olhei pra trás, pensei ter ouvido passos. Olhei para a frente e voltei a andar o mais rápido que pude.
Continuei ouvindo passos, a rua estava escura, deserta e chovia muito. As trovoadas estavam cada vez mais altas.
O medo tomou conta de mim.
Comecei a correr, estava começando a ficar assustada.
Agora parecia que tinha alguém correndo atrás de mim.
Entrei em pânico e adentrei um beco. Encostei na parede e tentei ouvir algo. Avistei uma tenda branca vazia, ainda no beco e fui até ela. Pelo menos ali não chovia, mas ainda estava com medo.
Peguei meu celular rapidamente; precisava ligar pra alguém.
Nervosa, comecei a discar o número do meu pai até que uma mão me puxou agressivamente e fortemente pelo braço, me virei bruscamente pra ver quem era, meu coração foi a mil. Estava escuro mas pude ver.
—Henry?- exclamei ofegante, quase gritando. Aquela situação me deixou apavorada. Eu queria gritar e sair de perto dele. Ele agora usava uma blusa branca e uma jaqueta por cima.
—Parece que não fomos apresentados, mas você sabe meu nome. Interessante.— Ele não consegue deixar de ser sarcástico nunca?
Fiquei o encarando por alguns instantes. O que aquilo significava?
—Você está com algo meu, eu quero de volta.— exigiu me encarando nos olhos.
Seus dedos apertavam com força meu braço, sinceramente não era nada confortável.
—O que?— minha voz soava trêmula.
—Minha caneta, você está com ela.— se aproximou.— Devolve.— os olhos verdes agora estavam mais escuros, como a noite.
Voltei à realidade...
Uma caneta? O fato de estarmos em um beco escuro e ele me perseguir me fazia ter mais pavor ainda.
—V-você me seguiu?— foi uma pergunta retórica.
Ele se aproximou, e seus olhos demonstravam impaciência. Ele ainda me fitava de cima baixo, aquilo era assustador.
—Me dá o que eu quero agora, e você sai ilesa.— ordenou.
—Se você me largar, talvez eu te dê.— Ele deu um passo pra trás e me soltou aos poucos.
Estava me apertando com tanta força que chegava a latejar.
—Eu não sei de que caneta você está falando.— não sei o tipo de maníaco ele é, mas perseguir alguém por uma coisa tão fútil é doentio.
—Você sabe, você a pegou. Agora me dá, ou você vai se arrepender.— ele mudou seu tom de voz.
Abri minha bolsa e vi uma caneta vermelha com alguns detalhes dourados. Foi quando lembrei que a achei no chão, era parecida com a minha, devo ter me enganado. A tirei da bolsa.
—Toma sua caneta.— a joguei nas suas mãos. Estremeci ao sentir sua mão fria em contato com a minha.— devo ter confundido.
—Nunca mais faça isso.— disse pouco antes de se virar e caminhar para fora do beco abaixando a cabeça para se proteger da chuva. Atravessou a rua e o perdi de vista.
Continuei parada na tenda. Ainda tremendo, peguei o celular que havia deixado cair no chão e liguei pro pai pedindo pra ele me buscar ali.
Estava com muito frio e tinha quase certeza que pegaria um resfriado, já que tenho imunidade baixa e vários problemas de saúde.
Ainda estava perplexa com o que aconteceu. Ele me seguiu por causa de uma simples caneta, e não foi nada educado.
Mas é claro, Marylin. O que mais você esperaria dele?
Henry me causava uma sensação estranha e eu não gostava disso.
Como se ele fosse capaz de fazer tudo que quisesse.
Tudo.
Notas finais
Prometo que a história melhorará e surpreenderá todos os leitores!
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