Running Away
1 Irada
Notas iniciais
Nada como sofrer um pouquinho na pele da nossa azarada Loba, não é mesmo?
Espero que gostem! Boa leitura!
“- Amar você pode se mostrar bem difícil quando se quer. – Eu disse sorrindo – Como posso aguentar tudo isso?
Eu apontei para o seu corpo, com uma desdém mal disfarçada e ele entrou na brincadeira, trocando a posição e deitando sobre mim.
— Querida, isso se chama efeito de amar Jacob Black.
Eu ri, tentando fugir dos seus beijos e cocegas”
Ah, aquela cena pareceu acontecer a tanto tempo... Tanta diferença do agora.
Eu fugi. Se você pensar bem, eu estou certa de agir como eu agi. Fugir de tudo. Pegar minhas roupas, um pouco de dinheiro e ir embora. Eu queria que ele explodisse junto com o nosso casamento e aquela cadela.
Tem aquela garota nova no bando, a Jody, que chegou á pouco tempo, com uma pele branca, mas com o sangue dos Quileutes. Filha de um caso com uma prostituta qualquer de Seattle. Abandonada em um lugar qualquer, criada por alguém qualquer. Uma coitadinha da vida.
Para mim, mais uma Bella Swan na vida dos lobos. Para eles, alguém a se ajudar.
Juro que não estava disposta á disputar com ela o cargo de garota-lobo. Nem passou pela minha cabeça algo do tipo quando ela se transformou e todos ficaram surpresos. Eu só queria ajuda-la, pois sabia o que ela iria passar. Ser um beco sem saída. As coisas que teria que abrir mão. Cabelo, roupas, intimidade... Desejei verdadeiramente que aquilo não estivesse mesmo acontecendo com ela.
E juro pela minha vida que tentei ser sua amiga. Me esforcei pra fazer algo que não fazia com frequência. Tentei ser gentil e ser alguém pra se confiar... Mas então ela me mostra o porquê de eu não ter tentado antes fazer aquele esforço pra alguém gostar de mim.
Pra começar, ela é uma completa vadia. Seguindo o exemplo da mãe, se quer saber. Aquela cara de santa conseguiu enganar a todos, mas á mim foi por um período muito menor de tempo. Ela não fez questão de esconder nada das minhas vistas. Na verdade parece até sentir prazer em mostrar tudo o que ela realmente faz e ninguém nota.
Eu não conseguia entender os motivos de ela fazer o que fazia. Se esfregando em Seth e depois correndo para os braços de Embry. Tinha assumido alguma coisa com Embry, mas eles brigavam o tempo inteiro e aquilo alimentava esperanças no meu inocente irmãozinho.
Eu sabia que Seth estava entrando naquela fase da adolescência. Aquela que não pode ver um rabo de saia que já corre atrás, mas aquilo foi diferente. Ele parecia enfeitiçado pela maldita garota.
E eu como uma boa irmã, bati na porta da casa dela, mandando ela parar de ser uma vadia com o meu irmão. Só então a mascara dela caiu e eu enfiei a minha mão na sua cara: Ela disse que eu tinha que aprender a brincar. Disse que os corações dos homens só servem para isso. Você usa, pisa e depois vai embora rebolando num salto 15 e uma saia curta.
Acho que ela nunca teve o coração quebrado, porque se tivesse, saberia o quanto aquilo era cruel. Eu sabia como era. E não estava disposta a deixar que meu irmão soubesse.
Mas meus problemas só estavam começando. Jody disse que ia me ensinar como se brincava de ser mulher.
E foi nesse momento o estopim de tudo.
Eu estava apoiada na janela da nossa casa, á espera de Jacob. Havia aquela coisa no meu peito que não me deixava ficar quieta. Um movimento perto das arvores me chamou a atenção. Chovia torrencialmente, mas não me atrapalhava a enxergar perfeitamente. E eu vi.
Jacob, em um segundo, se transformou de lobo para homem e então havia aquela vadia pendurada sobre seu peito, tentando roubar um beijo, o empurrando contra uma arvore. E ela estava nua. E ele estava nu.
E puta que pariu, eu não nasci pra ser otária.
Disseram-me alguma vez que a minha capacidade de correr mais rápido que todos os outros lobos era um poder-extra. Eu estava começando a acreditar que o poder-extra daquela filha da puta literal, era enfeitiçar homens.
E se quer saber? Eu não esperei para ver como Jacob reagiu aos beijos dela. Eu simplesmente explodi a janela da minha casa, junto com as minhas roupas, e voei na garganta daquela mulher, que se achava a rainha dos lobos. Eu podia suportar ela brincando com Seth e Embry, mas com o meu marido?
Eu teria quebrado seu pescoço humano com uma dentada se ela não tivesse desviado a tempo da minha investida. Rá! Se tivesse acertado ela finalmente saberia o verdadeiro significado de mordida no cangote.
Eu parei, focando novamente na vadia, pronta para voltar a atacar, mas já havia todas aquelas vozes na minha cabeça, que demoraram apenas um segundo pra entender tudo.
Então havia tantos Leah’s e Jody’s por todos os lados que eu quase fiquei tonta; Todos tentando me impedir de continuar a ver vermelho e arrancar a cabeça dela... Ou quase todos.
Jacob berrou para que eu parasse quando eu acertei uma dentada em sua perna, mas eu só parei quando ele me derrubou no chão, bem longe da vadia.
Tentei avançar novamente, sentindo meu corpo se retesando ao comando Alfa. A dor de ter ele me impedindo de mata-la doeu mais do que a dor física, e eu hesitei.
Foi nesse momento que Jacob se postou entre eu e ela, mostrando os dentes pra mim e eu senti novamente, aquele calafrio que começa no coração e se espalha pelo corpo todo. Aquele mesmo calafrio que eu senti quando vi Sam protegendo a Emily do mesmo modo.
E meu coração, em outra era tão torturado, pareceu deixar de existir.
Os olhos eram os mesmos. Os mesmos olhos negros, raivosos, me encarando e mandando me afastar. Eu tive que piscar para não confundir a lembrança com o agora. Eu mandei todos se foderem quando ficaram chocados com a minha comparação inconsciente.
Então eu fugi. Aproveitei toda a raiva que sentia, segurando ela comigo o máximo que eu podia, porque eu sabia que depois da raiva vinha à dor.
E tinha aqueles uivos malditos por todos os lados, dos lobos que estavam transformados e conseguiam sentir tudo o que eu sentia. Eu sai da forma de lobo quando pulei para dentro da casa, pelo rombo que fiz na janela.
Pisando duro, amaldiçoando cada geração deles. Eu apenas abri uma sacola e enfiei metade do meu guarda-roupas, peguei minhas economias em baixo do colchão, vesti uma roupa qualquer e já estava entrando na garagem e roubando a moto dele. Mesmo que a minha estivesse do lado, a dele era mais rápida. E eu queria ferir ele. Destruiria sua moto no caminho.
Eu não tinha mais nada á perder.
Mas a merda foi que a raiva sumiu de dentro de mim por alguns segundos quando pensei o que eu faria em seguida. O que farida depois que eu destruísse a moto. Para que lugar eu iria?
E foi nessa pequena brechinha que a dor me invadiu, me dando um soco. Foi quando eu senti algo escorrer pelo meu rosto e pingar na minha mão que segurava o guidão.
Eu não fugi.
O meu orgulho ferido fazia todas as lembranças que á todo custo tentei enterrar no meio da minha raiva, ressurgissem dentro de mim novamente. O medo de perdê-lo ardendo como fogo na minha garganta. De ela o tomar de mim. Leva-lo para um lugar onde ele não mais seria meu. Novamente sendo a traída.
Não, por favor...
O olhar negro de Jacob pareciam gravado na minha retina e eu não aguentei mais. A moto caiu no chão com um baque e eu desabei, agarrando meus joelhos junto ao peito e chorando como nunca. Querendo que aquela sensação me abandonasse, que eu não pudesse sentir nada daquilo, mas não adiantava pedir.
Era impossível parar.
Eu sentia novamente aquela vontade crescente de morrer. Morrer para que todos os outros problemas morressem comigo. Deixar de existir.
Morrer... Uma pequena parte vingativa de mim pensava em como Jacob ia se culpar pela minha morte. E gostava daquilo. Gostava de saber que ele se importava; Que se torturava por mim. Mesmo aquilo sendo cavernoso e repugnante, eu gostava do sentimento.
Mas tinha aquela parte, que via a verdade. Que aquilo era o que Jody queria. Queria a ruína de todos. Queria vê-los implorar por ela. Queria quebrar quantos corações conseguisse. Queria brincar.
Eu olhei para a moto caída perto de mim e vi um pequeno aranhão na pintura. E eu simplesmente, comecei a rir em meio ao choro.
Ela queria me ver em ruínas, começando com meu amigo, depois o meu irmão e agora ela avançava para cima de Jacob e do meu casamento. Tudo o que ela conseguiu foi um aranhão na moto. Aquele aranhão me deu a certeza que eu precisava para saber que eu não daria pra ela o prazer de me ver destruir aquela moto. A minha vida.
Eu sabia que o clima estava tenso demais para eu tentar resolver alguma coisa. Sabia que tentar resolver algo naquele momento, com o Jacob naquele estado, era burrice, mas... Eu não conseguia parar de pensar que aquela puta estava se sentindo vitoriosa depois de tudo aquilo.
Eu tinha que mostrar que confiava no amor que eu e Jacob construímos, com tanto esforço, superando tantos obstáculos.
Afinal, o que era aquele misera vagabunda comparada á Renesmee, á Sam e até mesmo ao ciúmes de Seth? Á minha depressão? Á Nahuel? Ao beco sem saída?
Eu não precisei de muito mais comparações para levantar daquela garagem imunda. Eu tinha que ir atrás dele. Eu o amava, muito mais que á Sam. Eu lutaria por ele se fosse preciso. Eu não daria o gostinho da vitória á uma puta qualquer.
Eu não precisei.
Senti o toque tão conhecido da sua mão em meu antebraço, deslizando até minha nuca e então havia ele todo ao meu redor, me abraçando, como se quisesse proteger uma pequena bola humana, me envolvendo em seus braços por completo.
Aquela pontinha de orgulho de mostrar meu lado fraco para alguém, por um segundo, começo a pinicar e eu já ia tentando me desvencilhar quando seu lábios encostaram no meu ouvido e ele apenas soltou um “Shiii”.
As lágrimas dobraram e os soluços se intensificaram.
Lembrei-me do nosso casamento, enquanto dançamos juntos, ele me fez prometer que eu não daria uma de durona com ele. Que ele não queria que eu guardasse tudo para mim. Que ele queria me ajudar a ser forte, nos meus momentos de fraqueza.
Eu não aguentei mais tudo aquilo. Ser forte. Tentar ser forte. Fingir ser forte. Meus braços passaram em torno de suas costas e meu rosto se enterrou naquela curvinha no pescoço. Ele tinha as pernas em volta de mim, sentado no chão e eu podia sentir a força que ele depositava em me abraçar.
Ele estava tentando ser forte, mas chorava junto comigo. No mesmo segundo que senti suas lágrimas me molharem, eu lembrei.
A lembrança foi como um soco que fez meu choro se calar. A outra promessa minha, de não compara-los. De enterrar Sam da memória. Qualquer comparação entre aquela época que existia Leah e Sam estava proibida de ser comparada á Jacob e Leah. Eles construiriam suas memórias sob sua história, não sob o passado.
O coração havia gelado e um arrepio passou pelo meu corpo. Jacob chorava. Eu o abracei com mais força. Eu havia quebrado minha promessa.
— Me desculpa – Minha voz saiu de um jeito estranho e urgente. E ele balançou a cabeça, me calando.
Ele se afastou o suficiente para olhar nos meus olhos e eu vi o pedido mudo de desculpas. Vi a dor dele escorrer em uma ultima lágrima pela sua bochecha e todo o peso em meu corpo sumiu. Todos os medos e pesadelos dos últimos minutos se dissolveram, pois seus olhos diziam que ele se importava. Seus olhos diziam que me amava. Meu coração deu um pulo e disparou rápido.
— Eu não queria...
Eu selei nossos lábios, o impedindo de falar.
— Eu sei.
Então, o que se seguiu, foi uma consequência dos fatos de estarmos tão próximos e haver tantos sentimentos expostos. De haver perdão. Deixei que meu corpo traçasse o seu próprio meio de reconhecer que Jacob ainda era meu. Nossos corações se saciando de amor.
E se quer saber, eu não liguei que Jody ainda continuasse no bando depois daquilo tudo. Todos haviam descoberto a sua verdadeira personalidade, sua mascara não podia ser colocada e ali, no meio dos seus irmãos, seu “Dom-Extra” não funcionava mais. Sem falar que, agora, eu e Jacob estávamos mais ligados do que nunca. O medo havia sumido.
Eu confiava minha vida á ele. Ele me salvara. Ele me erguera. Ele era a minha viga principal. E eu nunca havia ficado tão orgulhosa de depender tanto de alguém.
Eu nunca havia ficado tão orgulhosa de ser fraca por alguém. Eu nunca havia ficado tão grata por ser amada por alguém. E a ama-lo de volta.
Era como ele disse, uma vez, quando estávamos deitados na nossa cama: Aquele era o efeito de amar Jacob Black.
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