Notas iniciais
Hey, mais uma fic chegando... não briguem comigo! Então, essa fic é minha primeira história +18 confesso que estou nervosa porque nunca escrevi nada do tipo. Eu resolvi escrever graças ao apoio da LelahBallu, que diga-se de passagem tem sido minha beta por acidente =D me dando vários conselhos e puxões de orelhas!!! Espero que vocês gostem!!! Música: Paradise - Coldplay

When she was just a girl

She expected the world

But it flew away from her reach

And the bullets catch in her teeth

Life goes on

It gets so heavy

The wheel breaks the butterfly

Every tear, a waterfall

In the night, the stormy night

She'll close her eyes

In the night

The stormy night

Away she'd fly

(Paradise — Coldplay)

Felicity Smoak

Estava frio.

Puxei o capuz do casaco sobre os meus cabelos tentando me esconder das poucas gotas de chuva que caíam espaçadas. Apressei meus passos ao erguer meus olhos para o céu e perceber a completa escuridão, pelo ar gélido e os relâmpagos que iluminavam a noite não demoraria muito para cair um temporal. Andei pelas ruas de Gotham City, passando por becos e algumas ruelas, elas eram confusas, escuras e normalmente perigosas, principalmente a essa hora da noite, mas eu já estava morando aqui há um ano e sabia com perfeição por onde poderia passar. Me repreendi por demorar tanto, não deveria ter aceitado o convite de Selina para um happy hour depois do trabalho, e principalmente não deveria ter deixado meu carro no pátio da Wayne Interprise, eu deveria saber que algo iria acontecer e Selina me deixaria na mão, fazendo com que eu voltaria a pé e a noite.

A parte boa é que foi divertido. Sair com as garotas da empresa, beber e jogar conversa fora, ganhar alguns drinks grátis de rapazes bonitos não que eu tenha aceitado algum, mas isso me fez me sentir quase normal novamente. Já fazia tanto tempo desde que ele havia transformado a minha vida num inferno total, que eu havia me esquecido desses pequenos prazeres da vida. Desde que ele acontecera, eu me vi obrigada a me desfazer de toda a minha vida, deixar meus amigos, tive que desistir da faculdade e até mesmo da minha mãe, eu mal falava com ela e quando o fazia era sempre rápido e por uma linha segura. Eu me mudei para Gotham City, passei a viver com meu tio Gordon, que era comissário da polícia local o que significava uma proteção maior.

Depois de um ano e nenhuma notícia dele eu me acomodei, me permiti fazer de Gotham um lar. Me permiti ter um emprego na Wayne Interprise, ter amigos, ter uma vida. Eu estava adaptada, eu sabia que havia coisas faltando na minha vida, mas eu era quase feliz. Acreditei que depois de tanto tempo ele havia me esquecido, que ele nunca me procuraria tão longe. De forma egoísta pensei que talvez ele pudesse ter encontrado um outro objeto para sua obsessão doentia.

Como eu estava iludida.

Eu deveria saber que ele não desistiria fácil assim. Eu não deveria ter acreditado na ilusão criada pela sensação de segurança, era isso que ele queria, era assim que ele sempre agia. Esperava até o momento em que eu abaixava a minha guarda, esperava pelo momento em que eu me sentia mais segura e então atacava.

A chuva agora já caía com gotas grossas, o capuz não serviu para evitar que meus cabelos se molhassem completamente, os saltos altos e o calçamento molhado me faziam andar mais devagar do que eu gostaria, e eu precisava ir mais rápido, eu não sabia de onde vinha, mas eu tinha essa urgência crescente de chegar até a segurança do meu carro, voltar para casa e passar todas as trancas nas portas e ativar o sistema de segurança. Retirei meus sapatos dos pés e passei a caminhar descalço, quase correndo na verdade, ignorei o frio congelante e me concentrei na necessidade de chegar ao meu destino, em casa eu tomaria um banho quente para evitar um possível resfriado.

Estava ficando mais calma agora, faltavam apenas duas quadras para chegar até meu carro. Passei tanto tempo fugindo que isso tinha me deixado um pouco paranoica. Respirei aliviada, mas meu alívio não durou sequer um segundo. Ouvi passos vindo atrás de mim, a rua estreita era mal iluminada como tantas outras em Gotham, apenas a sombra andando pela chuva era perceptível. Mas eu sabia que era ele. Eu podia senti-lo se aproximar, eu sentia aquele frio percorrer minha espinha e os pelos da minha nuca se arrepiarem de medo. Ele estava me caçando, exatamente como da outra vez. Olhei mais uma vez para o lado e ele não estava mais lá, apressei meus passos numa quase corrida em direção ao meu carro. Só mais um quarteirão e então eu estaria segura. Travei quando um relâmpago iluminou o céu e seu rosto se fez visível bem a minha frente, o mesmo rosto que me assombrava em meus pesadelos, o rosto do homem que eu mais odiava no mundo. Ele estava aqui, constatei transtornada e então comecei a correr na direção oposta. Corri o mais rápido que consegui, corri como se minha vida dependesse disso porque a verdade é que ela dependia. Eu estava tão concentrada na corrida que não notei o momento em que virei na rua errada. Me apavorei quando percebi que era uma rua sem saída.

Eu não podia voltar e arriscar me deparar com ele, decidi me esconder atrás de uma caçamba de lixo e rezar para que não fosse encontrada. Minhas preces não foram atendidas.

Eu via a sombra dele se movendo, se aproximando a passos lentos, engoli em seco e tentei manter a respiração baixa tampando minha boca com as mãos, numa esperança tola de que ele não me visse aqui. Mas ele já sabia onde eu estava, por isso prolongava, por isso seus passos eram lentos, ele se deliciava com o meu medo.

Pensei em procurar meu telefone na bolsa e ligar para tio Gordon, mas eu sabia que seria inútil, primeiro porque não teria tempo para isso e segundo porque isso só serviria para deixá-lo irritado e anteciparia o seu ataque.

Agarrei meu sapato contra o peito, aquela era minha única arma. Mas para usá-la eu teria que esperá-lo chegar mais perto e apenas esse pensamento fazia minha pulsação acelerar de pavor.

Ele deu mais alguns passos, parou a minha frente e sorriu, mais um relâmpago iluminou o céu e seu sorriso sádico e doentio se fez ainda mais visível. Vê-lo em minha frente, assim tão perto, me assustava de uma forma que eu não sabia explicar, mas meu corpo reagia com pavor, nojo e asco. Ele por sua vez estava calmo e inabalável, praticamente contente, se regozijando em me ver assim, indefesa.

— Você é tão linda quanto nas minhas memórias. — falou se abaixando para que pudesse me ver mais de perto. Sua mão veio em direção aos meus cabelos, tentei controlar a sensação de náusea que crescia em mim e me afastei o máximo que conseguia. O sorriso dele cresceu sabendo que eu não podia me afastar, estava encurralada pela parede do beco. — Eu disse que a encontraria novamente, você é minha Felicity, não pode fugir disso.

As palavras dele acenderam algo em mim, eu não era dele. Eu nunca seria dele, preferiria morrer a ser dele. Num impulso peguei um dos sapatos em minha mão, usei uma força que eu sequer sabia de onde tinha vindo, uma força provavelmente oriunda da raiva que eu sentia por aquele homem e então cravei o salto de meu sapato em seu olho esquerdo. Ele caiu ao chão, as mãos sobre seu olho machucado. Ele estava agonizando de dor, senti um prazer estranho em vê-lo assim impotente, ferido, exatamente como ele fizera comigo certa vez. Eu gostaria de vê-lo sofrer ainda mais, porém sabia que a dor dele não duraria para sempre e logo ele se reergueria e me caçaria novamente ainda mais feroz do que antes.

E então eu fiz o que eu já estava acostumada a fazer sempre que ele reaparecia em minha vida: fugi.

Notas finais
Hey, não me deixem surtando aqui! Deem sua opinião ou deixem suas perguntas! Beijos!!!!