Running Away
24 Epílogo
Notas iniciais
When you fall in love
You lose control
You can't hang on and you can't let go
When you find the one
You hold on tight
You weather every storm
Till the sun shines
Even when it hurts, there's no regret
Every breath you give, is one you get
When you fall in love
(When you fall in love — Andrew Ripp)
CINCO ANOS DEPOIS...
Oliver Queen
Eu nunca fui um homem de casamentos. A ideia de se prender a alguém pelo resto da vida, dormir de conchinha e acordar todos os dias tendo a mesma pessoa ao seu lado, comprar uma casa com jardim no subúrbio, ter um par filhos perfeitos e envelhecer juntos, me parecia mais uma sentença de prisão perpétua do que o estúpido felizes para sempre que aqueles romances melosos vendiam. Eu era um cínico, e era ciente disso. Casamento não era algo que passasse pela minha cabeça e tão pouco eu acreditava no amor.
Eu achava que estava bem tendo apenas a mim, que a vida sem se prender a ninguém era melhor, que dividir apenas bons momentos na cama com mulheres sem nome, era o suficiente e quando alguma delas esperava por algo mais, eu me certificava de ser claro e cortar qualquer laço imaginário entre nós. Eu certamente mantinha o tal do amor a uma distância segura de mim.
Mas só porque eu não acreditava no amor, só porque eu o mantinha longe, não significava que ele não acreditava em mim, não significava que ele mesmo não pegou um atalho e me encontrou, que não tocou o meu coração e mudou completamente o rumo da minha vida.
Agora eu vejo com clareza a diferença que o amor trouxe para mim.
Eu não fazia ideia do que estava perdendo até então.
Até ela aparecer.
Até ela me enlouquecer a tal ponto que eu apenas conseguia adormecer tendo o seu corpo pequeno e quente seguramente envolvido nos meus braços. Eu descobri que dormir de conchinha era bom, que eu podia deslizar meu nariz pela pele sedosa de um pescoço sensual, eu podia mover minhas mãos por curvas tentadoras e sentir o calor dela se misturar ao meu, era bom não ter a cama apenas para mim. E acordar ao lado dela, então? Observar seus resmungos e o jeito encantador que ela levava as costas das mãos aos olhos os esfregando quando se espreguiçava, e o pequeno sorriso preguiçoso que se espalhava por seus lábios quando ela me via ali ao seu lado. Vê-la acordar era uma obsessão para mim, eu nunca me cansava de vê-la, de tê-la, de apenas olhar para ela e saber que aquela mulher incrível era minha. Acordar com ela do meu lado era o único jeito de garantir que eu estaria bem humorado durante todo o restante do dia.
As pessoas dizem que o amor muda a gente.
Eu discordo.
Eu não mudei quem eu era porque eu estava amando, mas amar me fez perceber coisas que antes eu não percebia, abriu meu coração para todas as possibilidades que eu estava perdendo e me deu uma nova perspectiva de vida. Eu descobri o quanto era bom ter alguém ao seu lado com quem pudesse dividir seus medos, desejos e sonhos. Eu descobri o quanto era divertido usar a cama não só para sexo, mas também para conversas de travesseiro.
Envolver a pessoa que você ama em um abraço apertado e sentir o coração dela batendo em sintonia com o seu, também era malditamente bom.
Amar Felicity me fez querer mais e me fez dar mais de mim, me esforçar e lutar pelo o que me fazia feliz. Eu queria ter a tal casa no subúrbio e o par de filhos perfeitos com ela. Eu queria envelhecer ao lado dela, eu a queria em cada parte da minha vida, em cada momento bom ou ruim, porque eu sabia que a vida seria melhor se eu a dividisse com ela.
Nós tivemos uma longa caminhada.
Nós tivemos muito pelo que lutar. E houve momentos em que eu pensei que tudo estava perdido, que não havia mais chances, e que eu havia perdido a melhor parte da minha vida. Eu fui ao inferno e voltei incontáveis vezes por causa de Felicity, eu quis chutar toda aquela merda para fora. Mas eu não desisti, porque quando se ama não é possível dar as costas à esse sentimento ou a pessoa amada. Amar é sobre acreditar, é sobre ter fé mesmo nas horas mais escuras quando você não sabe qual é o caminho seguir, é encontrar aquela luz dentro de si mesmo e mantê-la acesa, porque ela te guiará.
Amar é acreditar que esse sentimento de faz mais forte.
Porque assim, mesmo quando o peso do mundo cair sobre seus ombros, você será capaz de se erguer do chão e caminhar ereto.
Amar Felicity fez de mim um homem mais forte.
Porque quando eu soube a verdade sobre o passado dela, sobre o que ela tinha que lidar. Eu tive duas opções, eu poderia ter dado as costas a ela, ao sentimento que cada vez crescia mais e mais dentro de mim, eu poderia me afastar e ser o covarde que achava que aquilo era muito com o que lidar, e ter me protegido de amar alguém com um peso como o dela.
A segunda opção era a mais difícil. Eu poderia ficar com ela e aceitar o seu amor, mesmo que isso significasse que haveria grandes obstáculos para nós dois. Como eu, Felicity também tinha medo desse sentimento, e eu a vi muitas vezes querer recuar. Chegava a ser irônico, que era eu, o homem que sempre fugiu do amor, aquele que a impedia de ir, que segurava a mão dela e dizia que era seguro ficar, que teve paciência para mostrar a ela o quanto era especial e raro o que estávamos construindo juntos.
Eu descobri que as decisões mais difíceis também são as que trazem as melhores recompensas.
E agora ali estava eu no altar, com um terno caro, uma flor na lapela e um sorriso no rosto. A marcha nupcial começava a tocar e as portas da igreja se abriram enquanto a noiva se preparava para fazer sua grande entrada.
Todos os convidados viraram seu olhar para ela e seu cortejo.
As duas pequenas crianças com pouco mais de quatro anos, com seus cabelos escuros e olhos azuis entraram na frente. Enquanto a florista sorria abertamente e parecia satisfeita em saltitar com seu vestido rodado e jogar as pétalas de rosas brancas para o alto, o garotinho trajando um smoking, por sua vez, parecia emburrado por ter sido obrigado a participar daquilo. Então eu vi Tommy Merlyn que estava ao meu lado retirar do bolso um robô de brinquedo e acenou para ele, fazendo o garotinho sapeca quase tropeçar nos seus próprios pés, ao se ver, tão de repente animado para chegar até o altar e pegar a recompensa.
A noiva estava linda como era de se esperar, com seu vestido branco num tecido fluído e uma barriga de grávida proeminente que exibia os seus oito meses de gravidez. Helena Bertinelli entrava na igreja acompanhada do seu irmão, Roy e um sorriso daqueles de quem não acreditava que estava realmente fazendo isso.
Eu deveria manter meu olhar na noiva como todos naquela igreja estavam fazendo.
E eu tentei, porque esse era o esperado, era o protocolo de um casamento, mas eu tinha algo mais interessante para apreciar. A minha própria esposa. Felicity estava no altar também, do outro lado, vestindo um tentador vestido vermelho. Como madrinha da noiva ela sorria para a amiga embora o olhar dela estivesse vindo para mim, o sorriso doce dela me contando que ela estava pensando, no nosso próprio casamento, alguns anos atrás.
Nós não tivemos a igreja e toda a pompa.
Nós nem queríamos tudo isso, ficamos satisfeitos por Diggle poder ministrar nosso casamento. Depois de quase nos perdermos tantas vezes, depois de ter o final feliz arrancado diante dos meus olhos, de experimentar tanta dor ao pensar que eu a havia perdido, eu apenas queria a ela. Na minha vida para a todo o maldito sempre, e agora eu tinha.
Nada nem ninguém poderia mudar isso.
Meu coração se inflou diante da constatação disso. Já haviam se passado cinco anos, e eu sabia que o maior perigo estava morto e enterrado a sete palmos do chão. Floyd Lawton jamais causaria tanta dor à ela novamente, e eu passei os últimos cinco anos me certificando de que não seríamos nada menos do que felizes, cuidado de cada mínima cicatriz que ele havia causado nela. Fazendo-a se esquecer de cada momento ruim que ele a submeteu, e a lembrando apenas das coisas boas que tínhamos.
Nós usamos esse tempo para construir o nosso relacionamento, sem pressa ou urgência. Sem os medos e as barreiras de antes. Foi difícil no começo, nos acostumarmos com a calmaria, a ausência de perigo, não parecia real. Felicity ainda tivera pesadelos por um longo tempo, e eu mesmo demorei um tempo ainda maior para aceitar que ela estava segura e não precisava de mim ao seu lado vinte quatro horas por dia.
Mas com o tempo nós nos ajustamos.
Felicity voltou a estudar terminando o seu curso na universidade de Starling, para a minha alegria ela não conseguiu conciliar com o trabalho no bar, e para a minha tristeza havia muitos caras na universidade dando em cima da minha mulher. Mas tudo deu certo, para mim e Felicity, não para aqueles caras folgados para os quais tive que fazer cara feia.
Olhei para ela novamente, me sentindo um homem sortudo.
Amá-la fez de mim um homem melhor.
Ela moveu os lábios para mim, nenhum som saiu deles, mas eu conhecia cada curva daqueles lábios tentadores, eles me renderam desde a primeira vez que meus olhos caíram sobre eles, e é por conhecê-los tão bem que eu fui capaz de ler com perfeição o “eu amo você” que pairava sobre eles. Eu tive vontade de ir até ela, de interromper aquela cerimônia, tomá-la em meus braços e beijá-la até que me fartar em seu gosto, mas esse não era o nosso dia.
Felicity seguiu me provocando com sua boca durante a cerimônia, eu mal consegui prestar atenção aos votos dos noivos, mas tinha sido algo como amar um ao outro até mesmo quando se odiassem. O que em se tratando de Helena e Tommy acontecia com muita frequência.
***
Eu balançava com Felicity de um lado para o outro do salão repleto de casais.
Eu nunca fui um homem de danças, sobretudo as lentas, mas com Felicity eu aprendi a apreciar o lado bom disso. Nada se comparava a sensação de comprimir o corpo dela junto ao meu, agarrar minhas mãos na cintura dela deixando meus dedos deslizarem pela pele nua, seguindo a linha da coluna, tocando-a de um jeito que deveria parecer comum, mas que para nós era apenas um toque que exalava certa sensualidade.
Desci meu rosto vagarosamente deixando o nariz roçar a maçã do rosto, escorregando mais para baixo, pousei um beijo delicado no maxilar dela enquanto afastava seus cabelos para o outro lado, deixando seu pescoço livre para mim.
— Oliver, você sabe que isso deveria ser uma valsa, certo? — ela perguntou num ofego e eu apenas a mordisquei, ganhando um pequeno gemido e sentindo os dedos dela se afundarem em meus cabelos enquanto ela os puxava numa resposta ao meu ato.
— Você me conhece, amor, eu não danço. — falei, subindo a boca pelo pescoço e encontrando a delicada orelha dela onde continuei soprando as palavras misturadas com toques mais ousados da minha boca — Mas se eu tiver que dançar, e desde que seja com você, eu vou fazer isso de um jeito que eu possa tirar algum proveito. — a puxei mais para mim, minhas mãos abraçando o corpo pequeno dela, suas curvas femininas se encaixando em mim com perfeição — E eu gosto de dançar assim. — a apertei um pouco mais, a fazendo sentir o quanto aquela simples dança me deixava animado.
Felicity jogou a cabeça para trás e riu com gosto.
O som da risada dela entrou pelos meus ouvidos e preencheu meu coração, me deixando orgulhoso de ser aquele que provocava nela essa reação. Tudo em mim se concentrava nela, eu já não escutava mais a balada romântica que a banda tocava e que havia substituído o som dos violinos da valsa anterior, eu sequer era ciente de que estávamos num salão com tantas pessoas nos observando.
Tudo o que eu via e ouvia era ela.
Eu ainda me surpreendia.
Eu ainda era atingindo em cheio pelo amor avassalador que eu sentia por essa mulher. Não pensei, eu apenas agi naquele momento impulsionado pelos sentimentos que ela despertava em mim, e cobri a deliciosa boca dela com a minha. Felicity suspirou com o contato dos nossos lábios, seus braços se apertando ao redor do meu pescoço e intensificando o beijo.
Eu amava tudo em Felicity.
Mas eu amava mais ainda beijá-la.
Eu amava sentir a entrega dela em meus braços, não havia medos ou dúvidas, apenas amor. Amava apreciar a maciez dos lábios dela se movimentando junto aos meus. O contato suave e erótico das línguas, que pareciam se deleitar no mais delicioso banquete quando provavam o gosto uma da outra. Apertei minhas mãos em suas costas nuas, e a beijei com tudo de mim.
Eu sabia que estávamos dando um show e que eu precisava parar.
Contrariando a minha vontade eu diminui a intensidade do beijo aos poucos, limitando-o a um simples roçar de lábios, que não aprazava o desejo que eu sentia, e por isso tive que me contentar em provar os resquícios do seu gosto até que eu estivesse forte o suficiente para nos afastar. Separei nossos lábios, mas mantive o corpo dela intimamente junto ao meu.
Felicity sorriu enquanto eu ainda respirava com dificuldade depois de beijá-la com tanta paixão, sua mão veio com carinho ao meu rosto, seus dedos penteando o meu cabelo para trás num gesto cuidadoso.
— Não que eu esteja reclamando desse beijo, mas o que foi isso? — perguntou, me fazendo sorrir.
— Eu tenho a mulher mais linda do mundo nos meus braços, eu não consigo resistir aos lábios doces dela. Mas apesar disso, esse beijo foi apenas um eu te amo. — eu expliquei com simplicidade. Eu a amava demais e procurava maneiras de mostrar a ela a todo o tempo.
— Eu te amo também, querido. — ela sorriu para mim ficando ainda mais linda, eu beijei o canto dos lábios dela porque Felicity era tentadora demais, eu não conseguia resistir, e para meu prazer eu não precisava. Ela era minha, minha esposa, ela não estava indo a lugar algum longe de mim. O tempo de fugir havia acabado, e agora era apenas tempo de amar. — Isso é bom, não é? — comentou, enquanto seguíamos balançando, não no ritmo da música que tocava, mas no nosso próprio, seguindo o ritmo de uma canção que apenas nós dois éramos capazes de escutar.
— É uma das melhores sensações do mundo. — respondi. Felicity deitou a cabeça na curva do meu pescoço, e eu suspirei enquanto a embalava em meus braços. Abaixei meu rosto, meus lábios tocando gentilmente seus cabelos macios e ficamos assim por um tempo, abraçados, balançando de um lado para o outro, dançando uma música só nossa.
— O que está pensando? — Felicity perguntou depois de um tempo num sussurro languido, seus lábios quentes e úmidos tocando a pele do meu pescoço, espalhando um arrepio conhecido pelo meu corpo, me fazendo instantaneamente reagir aquele simples ato dela.
— Eu acho que tem muita gente perto de nós, e não é seguro dizer o que estou pensando em voz alta. — provoquei.
— Sempre com a mente na sarjeta. — ela ergueu o rosto para mim, com um sorriso divertido.
— E você?
— Eu estou pensando que é bom estar assim, nos seus braços, sentindo o seu cheiro, o seu calor, seu coração batendo em sintonia com o meu, querendo tão desesperadamente que não houvesse ninguém aqui, apenas nós dois. — as palavras dela me fizeram sorrir amplamente — Eu sei que eu te tenho por todos os dias de um para sempre, mas depois de quase te perder, depois de achar que um final feliz era algo impossível para mim, eu acho que sempre vou abraçar, beijar e amar você como se essa fosse a última vez.
Havia uma ligeira nota de tristeza nas palavras dela e eu suspirei, levando minhas mãos e as colocando ao redor do rosto dela, o acariciando delicadamente. Seu discurso me tocara, me emocionara profundamente. Mas eu sabia que por mais que eu desse a Felicity toda a felicidade do mundo, que preenchesse seus dias de alegria e amor, eu nunca poderia apagar os momentos tristes e escuros da vida dela, a dor que ele lhe causou, o medo, isso seria como uma cicatriz permanente dentro dela. E por mais que eu odiasse cada uma dessas cicatrizes, que eu desejasse tirar essa marca dela, eu sabia que elas faziam parte da mulher que Felicity se tornara.
E eu amava essa mulher.
Nem sempre a jornada é fácil.
Nem sempre a vida simples e feita apenas de bons momentos.
Mas cada provação, cada momento de dor é importante na vida de alguém. Eles nos fazem mais forte, nos ensinam a lutar quando é necessário e a apreciar os pequenos instantes de felicidade quando o recebemos.
Eu aprendi.
E era por isso que, embora eu soubesse que não podia fazer nada para apagar o passado, eu podia ao menos, mantê-la no presente e fazê-la sempre feliz.
— Ou seja, sua mente está na sarjeta também, amor, mas você deu uma enfeitada. — Eu brinquei tocando de leve seus lábios com os meus, desejando dar a ela um momento de leveza, e para a minha surpresa ela riu, daquele jeito adorável que a fazia franzir o nariz e pequenas covinhas aparecerem em suas bochechas.
Eu amava o som da risada dela.
Eu podia ouvi-lo por horas e jamais me cansaria.
— Você não presta! — ela reclamou, mas eu sabia que não era para valer.
— Não presto nenhum pouco. — confirmei — Quer descansar os pés um pouco? Já estamos dançando há um tempo, e você precisa estar descansada para quando voltarmos para casa. — a lembrei, fazendo os olhos dela ganharem um brilho especial — Sabe o que te espera lá.
— Tem razão — concordou ansiosa — Seria uma boa ideia descansar.
Felicity deslizou as mãos dos meus ombros, uma delas encontrando a minha mão, entrelaçando-a junto a sua. Caminhamos de volta para a mesa onde nossos amigos nos aguardavam.
— Finalmente vocês dois resolveram parar com a exibição. — Sara agradeceu parecendo ligeiramente entediada. Assim como eu, minha amiga nunca tinha sido a maior fã de casamentos, mas eu sempre achei que depois do relacionamento dela com Ray se tornar sério, isso mudaria nela.
— Pelo menos eles. Agora só nos resta observar o outro casal feliz. — Thea comentou olhando para pista onde Tommy e Helena ainda dançavam, parecendo felizes e perdidos demais um no outro para se importar com todo o resto.
— Não sei do que estão reclamando. — rebati, enquanto puxava a cadeira para Felicity se sentar, e em seguida arrastava a minha própria para mais perto dela. — Thea tem Roy, e você e o Dr. Sorriso também são um casal feliz, Sara, então pare de ser uma chata.
— Mas Ray não dança. — Ela lançou um olhar chateado para o acompanhante ao seu lado, que checava algo no celular.
— Nem Roy. — Thea bufou aborrecida.
— Eu disse que tenho dois pés esquerdos. — Ray se justificou, parecendo sem jeito. — eu apenas não quero machucá-la.
— E eu disse que isso é brega. — Todos riram quando Roy disse isso, passando a mão pelos ombros da namorada e beijado a bochecha dela, Thea tinha sido a única a revirar os olhos e segurar o riso.
— Oliver também não dançava. — Felicity comentou, seu olhar vindo para mim daquele jeito adorável, virei-me para ela e acariciei seu rosto com as pontas dos dedos.
— Não mesmo. — me lembrei de como eu nunca tinha dançado com nenhuma mulher antes, apenas com Felicity, ela era a minha exceção para tudo. — Mas eu descobri que há certas vantagens... — provoquei com um sorriso que eu sabia deveria ser classificado como safado, e que ela havia me proibido de lançar por aí dizendo que era um perigo ambulante para mulheres desavisadas, mas não me importei eu gostava de ver as bochechas de Felicity se avermelharem sempre que eu lhe dava esse sorriso.
— Eu não acredito! Cinco anos que vocês dois estão casados e você ainda a faz corar como uma adolescente. Porque você não me faz corar? — Sara lançou seus olhos acusadores para Ray, que imediatamente olhou para ela como se perguntasse se aquela pergunta tinha sido real. — Oh esqueça! Deixe eu mesma tentar isso!
Sara se inclinou para o ouvido de Ray, sussurrando as palavras tão baixas que nenhum de nós conseguiu ouvir, mas o efeito foi imediato: ele se engasgou, e suas bochechas se avermelharam enquanto Sara dava um sorriso vitorioso.
— Encontrem um quarto vocês dois! — provoquei minha melhor amiga.
— Arrumem vocês! — Sara devolveu. — Estão sempre olhando um para o outro como se quisessem se despir a qualquer momento. — Oh, ela não fazia ideia do quão perto da verdade estava, especialmente hoje que Felicity estava absurdamente sexy usando um longo vestido vermelho.
— Até parece que... — Comecei a revidar, mas Felicity não me deixou terminar a frase, se intrometendo na minha discussão com Sara. Era sempre assim, Sara era como uma irmãzinha pentelha e nós sempre precisávamos de alguém que colocasse ordem entre nós dois.
— Ok, crianças! Acho que é hora de darmos um tempo e mudarmos de assunto.
— Concordo, e vou começar. — Thea se intrometeu — Eu ainda não acredito que Helena enrolou meu irmão por cinco longos anos até finalmente aceitar um dos inúmeros pedidos de casamento dele. Eu pensei que ela aceitaria o primeiro pedido quando engravidou dos gêmeos.
— Seria simples demais. — Felicity meneou a cabeça com um sorriso, e eu sabia que ela estava se lembrando do pedido de casamento número um. Tommy Merlyn se ajoelhou no meio de um bar lotado e pediu Helena em casamento, ela apenas disse um não com um sorriso, deu-lhe um beijo nos lábios e pediu que ele se levantasse do chão porque estava obstruindo a passagem dos clientes. E então seguiu trabalhando como se nada de mais tivesse acontecido.
— Tem razão, simplicidade não combina com Helena. — Thea concordou — Ainda bem que eu peguei o irmão simples.
— Está dizendo que eu sou fácil?
— Tommy teve sorte, devem ter sido os hormônios da segunda gravidez que a fizeram finalmente responder um sim dessa vez. — justifiquei fazendo todos rirem.
— Sim, eu estou ciente de que foi por causa disso que ela aceitou. — Tommy me interrompeu me fazendo quase engasgar com a bebida que eu levava a boca ao vê-lo ali, ele puxou uma cadeira e se sentou com o grupo. — Mas você não pode falar de mim, Oliver, com toda a coisa de pedir Felicity em casamento depois de quase morrer no hospital por levar uma facada no peito quando estava salvando ela. — eu não podia negar que ele tinha um ponto — Essas mulheres são difíceis, temos que nos aproveitar dos momentos de vulnerabilidade delas... — começou a explicar como se tudo fosse uma questão de estratégia.
— Hum, é mesmo? Somos vulneráveis? — Felicity perguntou inocentemente, mas eu sabia que ela via o mesmo que eu, Helena bem atrás de Tommy.
— Sim, Helena tem seus momentos em que tudo o que precisa é de um homem forte para salvar o dia dela... Filhos então? Nada torna elas mais vulneráveis do que uma gravidez.
— Do que está falando, querido? — Helena chegou na surdina surpreendendo o marido, colocando o buquê sobre a mesa e sentando-se no colo de Tommy, que apenas abraçou o corpo da esposa, como se o peso extra do bebê dentro dela, não fosse nada demais.
— Ahh, querida! Eu estou apenas dizendo ao Oliver que seria legal se eles tivessem uma filha. — Eu fiquei impressionado com a rapidez com a qual ele contornou a história, mas pelo sorriso descrente no rosto de Helena, ela não havia comprado.
Eu sorri ao vê-lo colocar as mãos sobre o ventre avantajado da esposa quando falava com ela, Felicity que estava ao meu lado suspirou um pouco triste ao ver a cena, e meu sorriso diminuiu um pouco sabendo exatamente no que ela estava pensando. Apertei a mão dela na minha e trouxe seu corpo um pouco mais para o meu, fazendo a sua cabeça descansar sobre o meu ombro, a lembrando de que eu me sentia da mesma forma que ela.
— Você é um péssimo mentiroso, Tommy Merlyn. — Helena o acusou sem rodeios, mas o sorriso não deixou os lábios de nenhum dos dois — Mas seria legal se Felicity tivesse uma menininha... — Helena olhou para nós piscando seus olhos em animação. — Deveriam fazer uma! Sabem que é divertido fazer um bebê!
— Eu adoraria ganhar uma sobrinha. — Sara se intrometeu também. — Comprar vestidinhos rosas, bonecas, conversar sobre garotos...
— E o nosso garotinho aqui vai precisar de namoradas. — Tommy emendou indicando o bebê que ainda estava na barriga de Helena.
— É normal me sentir protetor com uma filha que não possuo? Felicity, amor, prometa-me que poderemos colocar nossa futura e hipotética filha num convento? — pedi, eu gostava da ideia de ter uma menininha que fosse uma miniatura da mãe, mas só de pensar na fase da adolescência eu me sentia assustado. Se ela herdasse metade da beleza de Felicity eu teria sérios problemas.
— E ficar longe dela por tanto tempo só por que o pai é um ciumento que não se controla? Sem chances, amor. — ela vetou a ideia — Eu quero a nossa filhinha o tempo todo conosco. — sorri, gostando do que ouvia, como se ter uma menininha não fosse apenas uma possibilidade no futuro, mas sim uma certeza.
— Tudo bem, eu posso lidar com ela ficando em casa, posso colocar toques de recolher, vigilância por câmera. E eu tenho uma arma de todo jeito, isso deve ser o suficiente para afastar qualquer um, principalmente um mini Tommy Merlyn — adverti, me sentindo mais tranquilo, ser um policial nunca pareceu ter tantas vantagens como agora.
— Porque em casamentos o assunto é sempre casamentos e bebês? — Sara perguntou. — Me sinto por fora.
— Isso me lembra que agora só faltam vocês dois. — indiquei de Sara para Ray, eles já estavam juntos há um longo tempo, embora eles tenham terminado há uns três anos quando Ray deixou a cidade por causa de um trabalho, mas eles não ficaram mais do que um ano separados, e médico voltou rapidinho para ela, eles até mesmo já moravam juntos — Dr. Sorriso, por quanto mais tempo pretende enrolar minha amiga, Sara? — inqueri diretamente.
— O quê? — Ele arregalou os olhos e se engasgou com a bebida que levava a boca.
— Eu estou falando de casamento, sobre colocar um anel no dedo dela, e fazer da minha amiga uma mulher honrada. — lancei meu olhar mais sério e intimidador a ele — Eu tenho assistindo vocês dois nesses últimos anos, enrolando, indo e voltando... Nunca assumindo nenhum compromisso sério... Quais são as suas intenções com ela? — Perguntei direto, gostando de ver o médico parecer desorientado e suar frio com minhas inquisições.
— Sara? Quer dançar? — Ray levantou-se de uma só vez, evitando olhar para mim e responder minha pergunta.
— Mas você disse que não dança! — Ela retrucou, mas ele já a erguia da cadeira.
— Fugindo pela tangente, saiba que eu tenho uma arma! E o pai de Sara tem também, a própria Sara tem uma mira excelente, e seria inteligente não enrolá-la por muito tempo.
— Obrigada, Oliver. — Ela agradeceu ironicamente, enquanto seguia com Ray para a pista de dança.
— Sempre que precisar.
— Você não toma jeito, sempre implicando com Sara quando o assunto é Ray — Havia uma leve repreensão no tom de Felicity quando me disse isso. — Deixe os dois seguirem seu próprio ritmo, eles vão se acertar mais cedo ou mais tarde.
— Eu apenas amo a minha amiga, eu sei o que ela quer, amor. — me expliquei, fazendo-a a ver que aquilo não era apenas minha implicância usual. — Ela apenas não quer admitir isso porque sabe que vou implicar com ela se ela o fizer, mas Sara quer toda essa coisa, — abri meus braços abrangendo o nosso redor — ela quer o casamento, o vestido bufante, as flores, as danças, os bebês...
— Ela terá, no tempo dela. Apenas lhe dê um pouco de espaço. — pediu, e eu soltei o ar assentindo e ganhando como recompensa um beijo suave sobre meus lábios. — Quem diria que em cinco anos estaríamos assim? Casados, com filhos?
— Eu soube no instante em que vi Oliver Queen salivando por você que nem um pedaço de carne suculento, batendo no peito que nem um macho alfa, e aterrorizando todo cara que olhava para a sua bunda quando você servia as mesas no meu bar. — Eu tinha sido assim mesmo? — Eu te avisei naquela época, Felicity... Oliver Queen era encrenca. — franzi o cenho escutando aquela conversa, e olhando para as duas, me sentindo curioso para saber o que Felicity falava sobre mim quando ainda nem éramos um casal.
— Mas você disse que era uma encrenca, muito, muito... — Para minha tristeza Felicity não terminou a frase, porque nesse momento duas crianças chegaram correndo até a mesa, derrubando tudo em seu caminho e quase derrubando o arranjo de flores que havia sobre a mesa.
— Papai, papai, olha só o que eu peguei? — o menino, que era chamado de Frank, em homenagem ao pai de Helena, perguntou com um sorriso sapeca enquanto sacudia um smartphone na mão. Tommy olhou confuso num primeiro momento e como se a compreensão finalmente o atingisse começou a revirar os bolsos em busca do próprio celular.
Obviamente não estava com ele.
— O quê? Como pegaram meu celular?
— Frank tirou do seu bolso, papai e você nem viu! — Maria, a menina assim como o irmão teve seu nome em homenagem a mãe de Helena, falou atrevida sorrindo de orelha a orelha e parecendo satisfeita com a travessura. Ela tomou o celular da mão do irmão e indicou para o pai — E agora a gente vai esconder num esconderijo ultra secreto, e você, papai, nunca vai encontrar.
Tommy se levantou da cadeira, tomando o cuidado com Helena em seu colo, deu a volta na mesa e indo até os filhos com todo o ar de autoridade de um pai.
— Me devolvam isso seus monstrinhos! — exigiu esticando a mão.
— Tommy! Isso é jeito de falar dos nossos filhos? — Helena o repreendeu.
— Querida, eu disse que eles são uns anjinhos, exatamente como a mãe. Um anjo doce e inocente que caiu na minha vida sem paraquedas... — Ele se virou para Helena sorrindo docemente, mas seus olhos pareciam se divertir com alguma piada interna. — Resumindo, eles me enlouquecem, mas eu não sei o que seria da minha vida sem os meus pequenos e adoráveis monstrinhos.
— Papai, o Frank não me deixa brincar com o celular... — Maria reclamou parecendo a beira das lágrimas, o irmão tentando tirar o celular da mão dela, fazendo um verdadeiro cabo de guerra.
— Mas fui eu que peguei, eu brinco com ele primeiro! — a discussão das duas crianças continuou, e Tommy olhou para Helena sem saber o que fazer. Nesse momento a pequena Maria deu um puxão mais forte caindo ao chão, o celular voando de sua mão e caindo exatamente dentro do vaso cheio de água do arranjo de flores central da mesa.
— Mas que merda! — Tommy xingou retirando o celular molhado de lá.
— Thommas Merlyn eu disse nada de palavrões perto das crianças! — Helena o repreendeu, e eu quase ri ao vê-lo olhar para os pés e murmurar um “eu sinto muito”.
— Ok, vamos deixar papai e mamãe em paz. — Roy se ergueu da cadeira, se pronunciando — Quem quer brincar de avião com o Tio Roy?
— Eu primeiro! — Maria se indicou, agarrando um dos braços do tio.
— Não! Sou eu, eu vou primeiro! — Frank correu logo em seguida agarrando o outro braço.
— Não, eu disse que ia primeiro.
— Mas eu...
— Oh, Deus! Finalmente paz por alguns segundos... — Tommy comentou ao ver as crianças se afastarem — Vou poder beijar a minha esposa, sem nossos dois monstrinhos atrapalharem...
— Na verdade não pode, eu tenho que me levantar e ir jogar o buquê. — Helena disse, se pegando o buquê elegante de flores brancas e vermelhas que havia colocado sobre a mesa.
— Quer casar uma segunda vez, amor? — Falei para Felicity, tocando a aliança dourada no dedo dela.
— Só se for com a mesma pessoa. — a resposta dela fez meu coração bater de forma errática.
— Oh, Deus! Vocês dois me enojam com tanto doce — eu ri ao ver Tommy se colocar atrás da cadeira de Helena, suas mãos massageando os ombros dela, como se sequer fosse consciente disso.
— Você se olha no espelho quando está com Helena? Falta beijar os pés dela... — Felicity disse. — ... Ou será que preciso lembrá-lo de uma certa lista com nove passos bem doces para reconquistar alguém? — alfinetou.
— Eu beijo os pés dela, ela me paga com sexo.
— Sim, eu pago! — Helena riu.
— Eu gostaria que alguém beijasse os meus pés agora, ou pelo menos uma massagem seria muito bem vinda! — Sara voltava a mesa parecendo não muito feliz.
— O que aconteceu? — Sara pousou o par de sapatos de saltos que usava sobre a mesa e se jogou na cadeira parecendo cansada.
— Ray não mentiu quando disse que tinha dois pés esquerdos. — respondeu fazendo uma careta.
— Eu sinto muito, querida. — Ray pareceu realmente chateado consigo mesmo. — Quer uma massagem nos pés para se sentir melhor? — barganhou ganhando um sorriso contido de Sara que assentia e colocava os pés sobre o colo de Ray que se sentara ao seu lado. Os dois estavam tão apaixonados, que eu não compreendia como Ray era panaca o suficiente para não colocar uma aliança no dedo dela.
— E eu adoraria uma massagem em meus pés cansados, mas agora eu preciso jogar esse maldito buquê e dar a ilusão à algumas mulheres solteiras de que casamento é uma boa ideia. — Helena se levantou de uma só vez, mas ela não foi a única mulher da mesa a fazê-lo.
— Thea Merlyn! Onde pensa que vai? — Tommy pareceu alarmado ao olhar para a irmã.
— Pegar o buquê, irmãozinho! Eu sou uma dessas mulheres solteiras que acredita na ilusão de que casamento é uma boa ideia. — sorriu de um jeito atrevido.
— Só por cima do meu cadáver! Você não vai pensar em casamentos com aquele moleque antes dos trinta e cinco anos. — ele franziu o cenho emendando — Talvez seja melhor com quarenta.
— Aquele moleque é seu cunhado. — Helena o lembrou.
— Inferno, acha que não sei?! Não quero que se case com ele, porque se isso acontecer eu vou perder o melhor babá que temos. — todo mundo riu — Olhe para aquilo, ele tem um dom! — indicou Roy que se divertia com as crianças não muito longe de nós, erguendo-as no chão e depois rolando com elas na grama — Sem ele quem vai cuidar dos monstrinhos? Sin está fazendo faculdade fora da cidade, e as crianças causam ainda mais estragos quando estão com você, Thea. — reclamou fazendo a irmã corar — Vai ter que esperar até que meus filhos estejam mais comportados para pensar em tirar Roy de nós. — cruzou os braços parecendo determinado.
— Seus filhos com Helena nunca serão comportados. — Ela bateu o pé.
— Pode-se dizer que são crianças com uma imaginação fértil, muito criativas. — Felicity interviu.
— Criativas, amor? Você se lembra do dia em que levamos os dois ao zoológico, e quando nos viramos para pagar pelo sorvete eles quase conseguiram passar pelo guarda e entrar dentro na jaula dos pandas? — me lembrei com perfeição, Felicity tinha prometido dar uma folga ao casal e nos ofereceu como babás da vez — Eu ainda não sei como eles conseguiram fazer isso!
— Eu sinto muito. — Felicity lançou um olhar solidário a Thea — Parece que você vai morrer solteira, Thea.
— Parem de implicar com a menina, todos vocês. — Sara se intrometeu, parecendo animada — Vamos Thea, vamos pegar esse maldito buquê.
— Espere, você está indo também? — Ray perguntou a namorada, parecendo temeroso.
— Entenda isso como uma indireta bem direta, Ray. — Ela piscou para ele enquanto dava as costas seguindo Helena e levando Thea consigo. Todos na mesa riram, exceto Ray que se remexeu no assento parecendo nervoso com o ultimato nada discreto de Sara.
A conversa seguiu animada, porém em tópicos muito mais leves e tranquilos. Nós assistimos de longe Helena jogar o buquê, mas por causa da confusão de mulheres foi impossível ver quem o havia pego, e poucos minutos depois, as três voltavam.
— Advinha quem pegou o buquê? — Sara perguntou sorrindo, parecendo esconder algo nas costas. Ray virou uma taça inteira de champanhe e respirou fundo parecendo anormalmente nervoso.
— Ray? Você está bem? — Eu perguntei, vendo a cor do rosto dele sumir quando de uma única vez ele arrastou a cadeira para trás de si, e se ergueu fitando Sara.
— Sim, eu estou bem. — falou sem muita convicção, e sem sequer olhar para mim — Sara, há algo que preciso falar com você em particular. Podemos? — pediu, ao ver todos os pares de olhos naquela mesa o fitarem com curiosidade.
— Oh, não! Você vai terminar comigo? Eu não acredito! Se for por causa da brincadeira do casamento, eu estou bem do jeito que estamos. Eu nem peguei o buquê. — ela mostrou as mãos vazias. — Talvez a coisa toda de ver um casamento, e bebês, talvez isso tenha despertado um pouco em mim a vontade de ter isso com você, mas se...
Sara não terminou de falar, Ray não permitiu que ela o fizesse, tomando-a em seus braços e lhe beijando tão apaixonadamente que eu tive que desviar os meus olhos daquele momento que parecia tão íntimo.
— Por Deus, Sara. — Ray disse parecendo sem fôlego quando finalmente parou de beijá-la — Eu não quero terminar com você, mas será que não pode ficar calada um minuto para que eu possa te pedir em casamento? — ele disse, tirando do bolso um anel. Sara riu e chorou, e gritou várias vezes sim, enquanto Ray a girava em seus braços.
— Parece que todo mundo teve o seu final feliz. — Felicity sussurrou em meu ouvido, se aconchegando mais em meus braços enquanto suspirava contra o meu pescoço, abracei seu corpo pequeno ciente de que eu tinha em meus braços o meu final feliz.
— Mas afinal, quem pegou o buquê? — Tommy perguntou olhando para a esposa.
— Eu peguei! — Thea disse com um sorriso radiante e deixando um beijo estalado no rosto de Roy que voltava com as crianças e sorriu meio sem jeito.
— Merda. — Tommy xingou — Lá se vai o meu babá.
***
Felicity Smoak
Oliver parou o carro em frente a garagem da nossa casa, mas eu não desci. Eu fiquei ali sentada no banco respirando um pouco do ar frio da noite que entrava pelas janelas abertas do carro, olhando para as luzes acessas do que há um tempo era o nosso lar. Casamentos me traziam algumas boas lembranças. Oliver e eu tivemos um casamento muito mais simples do que o de Helena e Tommy, mas eu não poderia reclamar dele, parecia certo para nós na época. Nós tínhamos passado por algo traumatizante, mas havíamos sobrevivido, nosso amor sobreviveu.
Observei com um sorriso Oliver dar a volta e abrir a porta do carro para mim, pegar a minha mão e me ajudar a descer, enquanto caminhávamos pelo jardim até a entrada da nossa casa.
Tinha sido bom passar um tempo fora com nossos amigos, e até mesmo ter um momento para nós dois, que foi algo que acabamos perdendo nos últimos meses. Eu tinha amado poder fechar meus olhos por um instante e apenas dançar com ele, mesmo que dançar para nós consistisse em nos abraçarmos e balançarmos de um lado para o outro, cada momento ainda que pequeno com Oliver era precioso e especial. Cinco anos mudaram um pouco as coisas entre nós. Nós ainda estávamos perdidamente apaixonados um pelo outro, mas tivemos que nos adaptar a falta de caos na nossa vida, e aceitar a estranha tranquilidade que ela seguiu depois que eu matei Floyd.
Sim, eu o havia matado.
Não era algo que eu me orgulhasse, mas hoje eu compreendia que tinha sido algo que eu precisava fazer, era o único jeito de me salvar e salvar Oliver, o único jeito de recuperar o que ele tentara tirar da minha vida com tanto afinco: amor. Eu raramente pensava nisso, não porque eu quisesse esquecer ou trancar esses momentos ruins, eu os aceitei como parte de mim, de quem eu era, mas agora, eu tinha tantas outras coisas na minha vida para me preocupar e pensar que eu pensava cada vez menos nele e no que ele me fez.
Comparada a minha vida de hoje, ao tudo o que estar com Oliver trouxe de bom para a minha vida. Aqueles momentos escuros a cada dia mais pareciam pesadelos indistintos, que já não tinha poder algum sobre mim.
A vida mudou muito em cinco anos.
Oliver e eu havíamos nos casado e tínhamos simplesmente tudo e mais um pouco. As vezes era difícil acreditar que eu era assim tão feliz. Quando chegamos a porta da casa, senti braços fortes me abraçando por trás e um sorriso se espalhou por meu rosto ao sentir Oliver assim tão próximo que eu conseguia sentir o coração dele batendo. Sua barba por fazer roçou meu pescoço, os lábios apenas brincando com a pele sensível, me fazendo estremecer de uma forma conhecida.
— Eu não disse isso antes, porque eu sabia que você queria ficar no casamento da sua amiga. Mas puta merda, amor, você não tem ideia do quão sexy você está nesse vestido vermelho. — Oliver sussurrou em meu ouvido, no seu tom mais galanteador — Eu passei metade do casamento desejando te arrastar para um canto escuro e fazer coisas muito pecaminosas com você, e a outra metade dele eu passei procurando por um maldito canto escuro.
Eu ri, me girando entre os braços dele, enlaçando o seu pescoço enquanto as mãos dele estavam na base da minha cintura. Eu amava como nada era capaz de mudar o jeito que nos sentíamos quando estávamos nos braços um do outro. Oliver desceu o rosto até o meu vagarosamente, seu nariz roçando levemente o meu, nossas respirações se mesclando enquanto nos aproximávamos, senti a língua quente dele primeiro e numa reação instintiva entreabri meus lábios, ansiosa para sentir o seu gosto. Suas mãos me puxaram, meu corpo se apertou contra o dele, encaixando-se da melhor maneira, sentindo a magnitude daquela atração que jamais tinha fim, mas antes que eu pudesse me entregar completamente naquele beijo, antes que eu pudesse provar Oliver da forma que eu queria e me desfazer em seus braços, a porta da minha casa se abriu.
— Ah vocês finalmente voltaram! — uma rosto com uma careca conhecida apareceu a porta.
— Boa noite, tio Gordon. — cumprimentei sentindo Oliver se afastar de mim. Não importa se estávamos a cinco anos casados, sempre que meu tio estava por perto Oliver se comportava do jeito mais respeitador do mundo. Era fofo, mas também era frustrante não tê-lo tão perto quanto eu gostaria.
— Vocês não vão entrar? Está frio aí fora. — resmungou e abrindo mais a porta enquanto nós dois entrávamos — Eu interrompi algo? — Ele semicerrou os olhos na direção de Oliver desconfiado, e nesse momento minha mãe apareceu logo atrás do meu tio, revirando os seus olhos para ele.
— Você sempre está interrompendo os dois, Jim. — ela o advertiu me fazendo sorrir — Eu acho que você nunca vai superar o fato de que eles se casaram, ou que foi você quem os colocou no caminho um do outro, quando mandou Felicity para morar com o Oliver. Não sei como não pensou que isso aconteceria... Eu tenho certeza que foi atração a primeira vista, no instante em que um colocou os olhos sobre o outro foi cabum! — ilustrou uma explosão usando ambas as mãos — atração sexual por todo o lugar! Imagine como foi dividir um apartamento, Jim?
— Que seja! — interrompeu mau humorado — Tudo o que eu quero é que a minha sobrinha esteja feliz. — falou coçando a careca e olhando de soslaio para Oliver.
— Então a deixe dar uns amassos no marido, aposto que isso a fará muito feliz! — Piscou para mim — Vamos embora, Jim, o casal precisa de um momento para eles — minha mãe falou, pegando sua bolsa sobre o sofá e arrastando Gordon pelo braço consigo em direção a porta — Oh, o bebê fofinho está alimentado, de banho tomado e dormindo tranquilamente em seu bercinho, como o anjinho da vovó que ele é — ouvir minha mãe falar do meu bebê fez algo dentro de mim se agitar, eu queria ir até ele e apertá-lo em meu colo e sentir o calor do corpinho dele enquanto inspirava seu cheirinho gostoso. Eu havia ficado muito tempo longe dele. Oliver e eu não estávamos acostumados a isso, mas não podíamos perder o casamento de Helena, e minha mãe me convenceu a não sair com um bebê, já que a noite estava um pouco fria e não queríamos que ele se resfriasse. — Mas eu tenho certeza que assim que ele crescer ele vai dar algum trabalho. Aproveitem a tranquilidade, enquanto podem.
— Obrigado aos dois por cuidarem dele essa noite. — Oliver agradeceu por nós dois, enquanto eu já estava pronta para subir as escadas e matar a saudade do meu bebê.
— Foi um prazer, sabem que eu adoro o bebê de vocês. — Tio Gordon disse com um sorriso bobo no rosto, mas logo se recuperou — Mas lembre-se Oliver, eu ainda tenho aquela arma, saia da linha e você sabe o que lhe acontece. — deu o aviso nada sutil. Ele gostava de Oliver, eles se davam bem, meu tio praticamente o adotara como o filho que nunca teve. Tio Gordon chorou que nem criança durante o nosso casamento. Mas ainda assim ele nunca se cansava de lembrar meu marido que ele estava logo ali, pronto para acabar com ele se Oliver quebrasse meu coração.
— Entendido, senhor. — Oliver devolveu e finalmente nos despedimos de minha mãe e tio Gordon.
Eu os amava, mas desde que Oliver e eu nos casamos eles passaram a ser uma visita constante. E então veio o bebê, e minha mãe achou que seria uma boa ideia se mudar para mais perto e me ajudar com ele. Tio Gordon por sua vez, pediu transferência de Gotham para Starling, e agora estava sempre presente.
Às vezes eles estavam tão presentes que era difícil encontrar um tempo para mim e Oliver.
Chutei os sapatos de salto para o canto da sala e Oliver me fitou como se lesse meus pensamentos, ou talvez só estivesse tão ansioso quanto eu, com saudades do nosso pequeno.
— Vamos ver o bebê primeiro? — eu apenas assenti o puxando escada acima, sentindo meu coração palpitar de felicidade por estar tão perto de voltar a ver nosso pequeno bebê.
***
Não havia nada mais tranquilizador do que ver um bebê dormir.
Eu poderia passar horas apenas observando Connor. Ver seu peito subir e descer numa respiração fluida, ou o modo como ele sugava a chupeta mais forte a cada intervalo de cinco segundos, ou suspirava no meio de seu sono me fazendo questionar sobre o que eram seus sonhos, ou ainda apenas mexia seus pezinhos e bracinhos tentando se livrar da manta. Tudo nele me fascinava, tudo nele era adorável e lindo. Desde seus olhos grandes e azuis iguaizinhos aos do pai, as bochechas redondas e coradas com covinhas. Oliver dizia que o sorriso dele era igual ao meu, mas era aí que a semelhança acabava. Meu menino, com seus cinco meses de idade, já era praticamente a cópia do pai.
Ele daria trabalho às garotas que se apaixonassem por ele.
— Dormindo como um anjinho. — Constatei ainda sem conseguir desviar meus olhos dele, que não fazia nada além de dormir.
Tinha sido bom um tempo para mim e Oliver, e ter um pouco de diversão com os nossos amigos. Desde que Connor nascera não tivemos um minuto de paz, ele era o nosso primeiro bebê e queríamos estar envolvidos e não perder nenhum momento. Mas a verdade, é que quando eu estava aqui com ele, tendo a sua mão pequena enroscada ao redor do meu dedo, escutando o seu ressonar tão tranquilo, eu só conseguia pensar em nunca mais sair de perto dele.
Ele era uma preciosidade.
— Ele é o bebê mais lindo do mundo. — Oliver se aconchegou por trás de mim, o queixo apoiado em meu ombro, uma das mãos ao redor da minha cintura e a outra acariciando os cabelos claros do nosso bebê que apenas suspirou ao sentir o toque carinhoso do pai, quase como se o reconhecesse.
Era estranho ter simplesmente tudo?
Eu não conseguia pensar em mais nada que pudesse fazer da minha vida mais completa. Eu tinha um bebê rechonchudo e saudável, e um marido que me amava, tudo o que um dia ameaçara a minha felicidade ficara no passado. O que mais eu poderia querer?
— Minha mãe tem razão. — comentei percebendo algo que ainda queria.
— Nosso pequeno Connor vai crescer e nos dar trabalho? Eu não tenho dúvidas disso. — Oliver falou igualmente encantado com o nosso pequeno.
— Isso também, mas não. Nós deveríamos aproveitar a tranquilidade. — me girei ficando presa entre os braços fortes de Oliver e espalmando as mãos em seu tórax, os dedos desabotoando os primeiros botões, e então ergui meus olhos para ele e o fitando com segundas intenções — Você disse que eu estava sexy nesse vestido...
— Amor... — seus olhos me seguiram quando deixei seus braços e caminhei saindo do quarto, olhando-o por cima do ombro.
— Quer tirá-lo? — provoquei já no corredor abaixando uma das alças do vestido e deixando que ela escorregasse por meu ombro enquanto seguia em direção ao nosso quarto que ficava logo ao lado do de Connor. Eu mal passei pela porta quando senti seus braços me rodearem por trás.
— Sabe o que vou fazer com você, sua pequena provocadora? — ele sussurrou a pergunta ao meu ouvido. — Eu vou levá-la ao banheiro, ligar o chuveiro e fazer você me pagar aquela promessa que está me devendo... — eu ri, não porque a visão disso era engraçada, cada parte de mim estava quente e vibrava de excitação apenas em imaginar isso. Mas eu ri, porque não importava quanto tempo passasse, o quanto nós dois mudássemos, ele sempre continuaria a ser o mesmo Oliver.
O meu Oliver.
O Oliver que me irritara num primeiro momento, porque eu não conseguia lidar com toda aquela atração e com todos os outros sentimentos que apenas ele conseguiu despertar em mim. O Oliver que teve paciência para me conhecer, conhecer meus segredos e que não se apavorou, e nem fugiu de mim quando soube de tudo. Ele ficou ao meu lado, ele me amou, ele lutou por mim até o fim.
Se dispondo a se sacrificar apenas para que eu tivesse uma chance de me libertar daquele passado sombrio que me atormentava. Floyd tentou fazer de mim uma pessoa solitária, que temia o amor, que temia a proximidade de alguém, porque sabia que no instante em que eu me atrevesse a sentir o amor, isso seria tirado de mim, que amar é uma fraqueza. Mas Oliver me mostrou que o amor nos torna pessoas mais fortes, que quando amamos alguém, estamos dispostos a fazer tudo pela felicidade dessa pessoa. E sim, talvez você precise lutar com unhas e dentes pelo direito de viver esse amor, e talvez você sofra a dor de quase perdê-lo e isso irá dilacerar você.
Amar pode ser assustador.
Mas é preciso ter coragem e abrir a porta sem medo quando o amor chegar. Eu sequer gosto de pensar no que teria perdido, no quanto eu deixaria de viver ou sentir se eu tivesse fugido de Oliver do mesmo jeito que eu estava acostumada a fugir de tudo e todos. Afastei aquelas lembranças e minhas divagações, eu precisava me focar no meu presente.
E bem agora eu tinha meu Oliver me cobrando sexo no chuveiro.
Então eu apenas sorri.
A vida não podia ser melhor.
— Você rouba, eu não sei como, mas eu sempre estou em débito com você quando o assunto é sexo no chuveiro. — reclamei, sentindo a risada rouca dele ao meu ouvido, seu corpo chocalhando ao fazê-lo.
— Talvez seja porque eu sempre a faço prometer que faremos de novo... — sugeriu, seus dedos afastando meu cabelo enquanto seus lábios percorreram com beijos a pele da nuca até chegar novamente ao ouvido onde senti seus dentes raspando enquanto ele me sussurrava coisas que faziam minha pele se arrepiar em lugares estratégicos. — Promete que faremos mais sexo no chuveiro? Eu amo quando coloco o seu corpo contra o box de vidro, e a aperto bem assim... — ele disse, senti seu corpo pressionado contra o meu, sua excitação roçando o tecido suave do vestido que eu usava — Então eu posso beijá-la e tocá-la assim... — ilustrou suas palavras, a boca sugando o meu pescoço enquanto suas mãos acariciavam meus seios ainda por cima do vestido. — Promete, Felicity?
— O quê? — me perdi quando suas mãos encontraram rapidamente o zíper do vestido, o deslizando para baixo, fazendo o tecido cair aos meus pés.
— Só me prometa... — ele pediu naquela voz rouca e sexy, suas mãos quentes se movendo de um jeito sensual sobre a minha barriga nua, subindo até os seios e brincando com os bicos já rígidos, me fazendo perder completamente a razão.
— Humhum, prometo. — eu disse enquanto ele me girava me colocando de frente e sua boca tomava a minha com aquela apreciação lenta e sexy que sempre me enlouquecia. Primeiro a língua acariciava os lábios, contornando-os me fazendo inclinar desejando muito mais do que ele me dava. Oliver sempre ria disso em mim, dizia que eu era impaciente, mas que culpa eu tinha se bastava um toque dele para eu querer muito mais?
As mãos de Oliver percorriam as minhas curvas apertando-se no quadril e me pressionando para ele, enquanto eu o livrava da gravata, paletó, a camisa com tantos botões... Oh Deus?! Porque tantas peças de roupas? Demorou um pouco, mas eu finalmente pude apreciar seu torso nu contra o meu, sua pele queimando junto a minha. Desci meus dedos pelo abdome apreciando a rigidez de seus músculos até chegar a parte inferior, onde algo ainda mais duro esperava por mim. O acariciei por cima da calça gostando de ouvi-lo gemer meu nome contra a minha boca, e tê-lo prendendo meus lábios em seus dentes. Eu havia desatado o seu cinto e estava pronta para livrá-lo da calça quando um resmungo conhecido que veio seguido de um choro suave me fez parar.
— Connor... — murmurei me afastando resignada, meu bebê chamava por nós. Meus olhos varreram o quarto em busca de algo para vestir para que eu pudesse ir logo até ele e acalentá-lo, e fazê-lo dormir novamente.
— Amor, calma. — Oliver colocou as mãos sobre os meus ombros me parando, ao me ver tão ansiosa e perdida no quarto.
— Ele precisa de nós. — falei com certa urgência e Oliver sorriu para mim.
— Eu sei, deixe que eu cuide dele dessa vez, nós conhecemos esse choro. Não é fome, e ele não precisa ser trocado. Ele apenas quer alguém para niná-lo outra vez e ele irá voltar a dormir tranquilamente. — eu sabia que Oliver tinha razão, mas as vezes era difícil ser uma mãe calma e racional quando o seu bebê chora pedindo por conforto. — Eu vou e você apenas me espere completamente nua e debaixo do chuveiro. — ele pressionou os lábios delicadamente nos meus, respirei fundo apenas assentindo — Na verdade, me espere vestida, eu quero ter o prazer de tirar o resto da sua roupa. — ele me lançou um sorriso daqueles bem sem vergonha olhando para a calcinha de renda preta, que era tudo o que eu usava. Ao chegar a porta, ele parou e apenas disse a frase mais safada que já saiu dos lábios dele — apenas me espere molhada.
Balancei a cabeça, mas não podia negar o que Oliver fazia comigo.
Com toda a certeza eu o esperaria molhada.
Parte de mim queria ir para o banheiro, eu sabia que Oliver podia cuidar de Connor sozinho, mesmo que ele nunca tenha cuidado de um bebê antes, quando eu descobri que estava grávida, Oliver se empolgou, e leu cada livro, buscou cada informação sobre bebês e me carregou para cada curso que encontrou.
Ele era um pai dedicado.
Liguei o chuveiro deixando o banheiro se encher do vapor quente, mas não resisti a vestir um roupão e ir a passos suaves em direção ao quartinho de Connor, eu disse a mim mesma que só queria ver se tudo estava bem. Mas ao parar na porta eu simplesmente não lutei contra o que eu queria, e apenas me encostei ao batente observando a cena a minha frente que me trouxera um sorriso nos lábios, e pequenas lágrimas emocionadas nos cantos dos meus olhos.
— Meu pequeno, eu preciso que você durma um pouquinho mais. — Oliver disse beijando o topo da cabeça do nosso bebê, que parecia feliz aconchegado contra o peitoral do pai, a cabeça encostada em seu coração. Sequei a pequena lágrima que caiu, ver Oliver conversar com o nosso filho daquele jeito terno e paternal era a coisa mais fofa do mundo. — Só durma mais um par de horas, porque papai está querendo fazer uma irmãzinha para você. — a informação veio como uma surpresa para mim — Não será divertido? Ter alguém para brincar com você? Mas também vai ser uma responsabilidade, porque como irmão mais velho de uma menininha, você vai ter que protegê-la, cuidar dela e amá-la, e principalmente não deixar nenhum dos meninos do Tommy e da Helena chegarem perto dela. — não segurei o meu riso ao escutar a última frase e acabei denunciando a minha presença.
— Oi. — mordi o lábio ao ver Oliver olhando para mim com um sorriso envergonhado por ter sido pego.
— Oi. — ele disse deitando Connor no seu colo e o balançando suavemente. Eu aproximei, vendo o nosso pequeno menino fechar seus olhos e aos poucos adormecer nos braços do pai. — Eu não queria te deixar esperando tanto tempo, apenas quando eu estou com ele, eu não o quero soltá-lo. Nunca. — eu assenti reconhecendo aquela sensação, Oliver colocou Connor cuidadosamente de volta no seu bercinho, enquanto eu puxei a manta sobre ele.
E nosso menino voltou a dormir feliz.
— Eu sei como é, amor. — falei, eu mesma esticando a mão e deixando que Connor agarrasse meu dedo — Quando eu estou com ele assim, a única certeza que tenho é que jamais quero ficar longe dele. — confessei — Ele é tão lindo.
— Uma mistura perfeita de nós dois. — Oliver disse, me envolvendo pela cintura, seus lábios deixando um beijo terno em meu rosto — Nós o fizemos juntos.
— Sim, foi bom.
— Foi ótimo. — eu ri com a correção.
— E você quer fazer mais um? Uma menininha dessa vez? — perguntei mordendo o lábio inferior. Connor não tinha sido exatamente planejado. Nós dois conversávamos sobre ter filhos, apenas não tínhamos certeza de quando seria o momento certo. Mas então eu fiquei grávida de Connor e soubemos que aquele era o momento.
— Apenas se você quiser. — falou com cautela, e girei-me em seus braços, observando o sorriso que Oliver tinha no rosto e fitando seus olhos azuis que eram incapazes de mentir para mim. Eles não continham apenas animação com a ideia de mais um bebê. Era mais do que isso, era ansiedade de amar, de fazer a mais um bebê e a nós mesmos ainda mais felizes.
Eu gostaria que esperássemos um pouco mais, até Connor ser maior. Mas eu não ia conversar sobre os detalhes disso agora e tirar aquele sorriso maravilhoso dos lábios de Oliver.
— Eu quero tudo com você, amor. — respondi com toda a sinceridade e vi seu sorriso se tornar maior, e seus olhos marejarem.
Nós teríamos mais um bebê.
— Obrigado.
— Está me agradecendo porque concordei em ter um novo bebê? — perguntei confusa.
— Não. — ele negou, suas mãos se colocando ao redor da minha face — Estou agradecendo por você estar na minha vida. Estou agradecendo por ter batido a minha porta, e roubado não apenas meu fôlego e a minha paciência, mas também meu coração naquele dia, estou agradecendo por simplesmente me mostrar o quanto é bom deixar alguém entrar, o quanto é bom amar alguém.
Eu iria dizer obrigada também, por tudo o que Oliver me ensinou e trouxe de bom para a minha vida. Mas eu não pude fazer isso, porque nesse momento Oliver puxou meu rosto para si, seus lábios tocando os meus num beijo doce e emocional. Lembrando-me de que palavras nem sempre são importantes para demostrar sentimentos, não quando você pode simplesmente senti-los.
E agora eu podia sentir todos eles.
Com Oliver.
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