Running Away
9 Capítulo 8 - Something about you
Notas iniciais
Something about you
It's like an addiction
Hit me with your best shot honey
I've got no reason to doubt you
'Cause certain things hurt
And you're my only virtue
And I'm virtually yours
And you keep coming back, coming back again
Keep running round, running round, running round my head
And there's certain things that I adore
And there's certain things that I ignore
But I'm certain that I'm yours
Certain that I'm yours
Certain that I'm yours
There's something about you
It's when you get angry
You have me at your mercy
(Certain things — James Arthur)
Oliver Queen
Eu havia estragado tudo.
Eu sempre fui ótimo em estragar as coisas e normalmente eu não me importava com isso. Mulheres iam e vinham na minha vida, na minha cama e eu geralmente ficava ansioso pelo momento em que as veria sair pela porta do meu apartamento. Eu não era um babaca com elas a maior parte do tempo, eu apenas não oferecia mais do que estava disposto a dar, eu não as iludia fazendo-as acreditar que poderiam ter mais do que sexo comigo. Mas com Felicity era diferente. Ela era a única que eu gostaria que ficasse, a única que eu não queria ver partir por aquela porta e para minha completa surpresa a única mulher que eu queria que se iludisse, eu queria que Felicity desejasse ter mais do que sexo comigo, porque eu estava começando a achar que queria muito mais do que isso dela.
Eu estava realmente empenhado na ideia de tentar ser seu amigo, aquilo não era bobagem para mim, um artifício para ganhar sua confiança e assim que eu conseguisse levá-la para cama eu a dispensaria, como eu usualmente faria. Eu não vou mentir, o modo que eu me sentia atraído por ela me enlouquecia a maior parte do tempo, eu a desejava, era difícil me controlar perto dela, quando o meu corpo respondia tão imediatamente a qualquer movimento de Felicity. Porém eu estava a conhecendo e gostando disso, gostando de vê-la se abrir e gostando de descobrir mais sobre essa parte de mim que mudava completamente quando eu estava com ela.
Eu deveria ficar pronto para dar adeus a tudo isso, porque nesse momento era o certo a fazer.
Felicity não falara comigo novamente enquanto voltávamos ao apartamento, e seu silêncio machucava mais do que palavras, eu queria vê-la gritar comigo e exigir respostas, eu queria que ela se rebelasse contra a minha decisão autoritária de mandá-la embora, porque no fundo eu sabia que quando ela o fizesse, ela ativaria aquela parte primitiva e possessiva dentro de mim, aquela parte que dominava a minha razão e talvez isso fosse o suficiente para me fazer mudar de ideia. Mas para minha total surpresa e frustração, ela não fizera nada disso, apenas permaneceu naquele silêncio ensurdecedor.
Eu via em seu olhar, a decepção, a tristeza e sobretudo a raiva. Eu não podia culpá-la por se sentir assim. Em um momento eu estava ali, oferecendo mais do que eu jamais ofereci a qualquer mulher, e no outro eu a havia a tratado friamente e a afastado novamente. Eu estava começando a quebrar suas barreiras, eu tinha visto isso no nosso pequeno encontro esta manhã. Cada pequeno sorriso que ela me dava, cada mínimo detalhe sem importância que ela me contava de si mesma representava um parte do muro que ruía.
Mas agora aquele muro parecia ainda maior e mais forte. Quase intransponível. Felicity não dava a sua confiança a qualquer um, eu já era ciente disso, e eu tinha feito um grande progresso para fazê-la me ver diferente, para me achar digno de conhecê-la, mas agora eu via em seus olhos que ela havia se fechado novamente.
Eu era um idiota.
Eu pedi que ela me deixasse entrar, e assim que ela o fez eu lhe virei as costas. Mas talvez fosse melhor assim, melhor não iludi-la agora. Seria essa distância que a manteria segura, e essa era a prioridade. Eu a levei de volta para o apartamento, fiquei satisfeito quando vi seu olhar queimando em fúria crispar para mim e ela simplesmente bateu a porta do quarto com toda a força na minha cara, sem sequer me olhar uma segunda vez. Eu não gostava de vê-la me ignorando ou com raiva de mim, e eu sabia que era a minha culpa porque eu estava sendo um perfeito idiota, mas de certa forma isso era bom. Tê-la um pouco afastada de mim me permitia pensar em tudo com mais clareza.
Joguei-me no sofá deitando o meu corpo que ainda estava tenso após a notícia que eu havia recebido mais cedo. Massageei minhas têmporas tentando me livrar da dor de cabeça que ali se instaurara. Respirei calmamente enquanto repassava a conversa que tive com capitão Lance em minha mente. Tinha sido aquela conversa que mudara tudo.
Eu não estava contente por ter tido meu momento com Felicity interrompido aquela manhã, mas eu não seria um bom policial se recusasse uma ordem direta do meu capitão. A voz dele ao telefone parecera preocupada, mas eu não permiti que aquilo me incomodasse, normalmente suas chamadas significavam reprimendas por eu estar transando com alguma policial ou com sua filha Laurel. Eu estava tendo um ótimo dia com Felicity até então, que foi fácil apenas me concentrar na presença dela.
— Oliver Queen sorrindo, isso é novidade para mim. — Foram as primeiras palavras do capitão Lance ao me ver entrar em sua sala, e de certa forma isso me surpreendeu eu não havia percebido que eu estava sorrindo. — Espero que isso não tenha relação com nenhuma policial daqui, já disse que estou cansado de perdê-las depois que você as chuta. — Inspecionou desconfiado, eu não podia culpá-lo por temer que eu estivesse me envolvendo com mais alguém no departamento, estávamos há um tempo demais nesse jogo, eu tinha uma lista longa de ex-policiais que pediram transferência depois de um breve momento comigo.
— Eu lhe asseguro que não me envolvi com nenhuma mulher do departamento. — respondi sério, ele assentiu não muito convicto me indicando a cadeira a sua frente para que eu me sentasse. Seu semblante ainda demostrava preocupação, e eu imediatamente percebi que aquela não seria uma conversa usual sobre alguma foda minha. — O senhor solicitou a minha presença?
— Nós temos um problema, Queen. — começou parecendo nervoso, seus dedos tamborilavam em cima de uma pasta amarela — É sobre o caso do Conde Vertigo. — Ajeitei minha postura ao me dar conta da seriedade do assunto — Como você bem sabe a defesa alegou problemas mentais, a fim de conseguir a transferência do acusado para uma instituição de tratamento psiquiátrico. — concordei, ainda não sabendo aonde aquela conversa iria chegar, aquela era uma jogada comum dos advogados, sempre tentando evitar que os clientes fossem para Iron Heights — A audiência foi essa manhã, e a juíza acolheu o pedido e Werner Vertigo iria ser transferido para o Asilo Arkham em Gotham City para receber tratamentos mentais.
— Eu entendo que isso é uma merda, mas o que isso tem haver comigo? Sem querer ofender, mas eu apenas fiz a prisão dele, garantir que ele vá para Iron Heights é trabalho da sua filha. — acusei levianamente, eu estava frustrado. Isso era algo que acontecia com frequência, nós trabalhávamos meses em uma operação, prendíamos o bandido, mas no fim os malditos advogados sempre conseguiam uma forma de burlar o sistema.
— Eu sei. — Capitão Lance concordou igualmente frustrado com a situação — O problema é que ele conseguiu fugir durante a transferência que ocorreu esta manhã.
— Inferno! — amaldiçoei — Vamos ter que ir atrás dele outra vez... Como andam as investigações? Como ele conseguiu fugir? Alguma pista de onde ele pode estar se escondendo? — Meu lado policial imediatamente se colocou em alerta.
— Sim, mas...
— Ótimo, me passe as informações. — o interrompi esticando as mãos e esperando que ele me entregasse a pasta amarela que agora eu via, possuía o nome Wenner Vertigo impresso na capa, eu estava ansioso para me livrar desse problema logo.
— Eu não posso. — informou puxando a pasta para si — Você está fora do caso.
— Como assim fora do caso? — Levantei-me da cadeira com brusquidão, não controlando a minha irritação — Senhor. — Tentei amenizar. — Eu fiz essa prisão, eu mereço pegá-lo novamente. — O lembrei.
— Mas você não vai. — Abri minha boca novamente para começar meus protestos, mas capitão Lance não permitiu. Ele se colocou de pé, me encarando e imediatamente eu fechei minha boca. Havia algo nesse homem, algo relacionado aos anos de trabalho para a polícia que faziam sua autoridade se espalhar por cada canto da sala. — Na primeira vez você arruinou o rosto dele, sabia que quebrou o nariz?
— Foi apenas um soco e em legítima defesa! Não venha me falar de direitos humanos agora. — revirei os olhos dando de ombros, ainda mais irritado com aquela merda de direitos humanos que sempre estava ali para defender a incolumidade de qualquer bandido, por pior que ele fosse.
— Isso não é sobre direitos humanos, mas seus atos foram suficientes para que o maluco te marcasse, e pelas transcrições dos depoimentos dele ele parece realmente rancoroso com você. — Ele deu a volta em sua mesa, colocando-se a minha frente — Em palavras mais diretas, ele o ameaçou abertamente e qualquer um que tenha importância para você. — Lance abriu a pasta amarela e começou a ler um pequeno trecho — Eu vou caçar aquele filho da puta! Eu vou matar cada pessoa com a qual ele se importa bem na frente dele, e no fim, depois de fazê-lo sofrer muito e implorar pela morte, no fim eu serei misericordioso e benevolente ao matá-lo também! — esclareceu, tentando me fazer compreender a gravidade da questão. Mas eu não me importava, eu era ciente de que meu trabalho incluía riscos e eu não seria um bom policial se fugisse quando as coisas complicavam.
— Você não pode me tirar desse caso! Isso é estupidez! — Normalmente falar assim com meu chefe me colocaria em sérios problemas, mas para minha completa surpresa Lance estava sendo muito compreensivo comigo.
— Eu também não gosto disso, Queen, você é insubordinado e me irrita a maior parte do tempo, mas é um bom policial. Mas eu não posso ignorar as ameaças dele, a corregedoria cairia matando em cima de mim se algo acontecesse.
— Dane-se a corregedoria! Eu sei me cuidar. — Garanti, e Lance soltou uma risada rouca e sem humor.
— Acha que estou preocupado com você? Claro que não! — Pisquei confuso não entendendo a necessidade de me afastar do caso se ele não se importava comigo. Lance compreendendo minha confusão esclareceu rapidamente — Minha filha é sua parceira, eu não entendo como, mas vocês dois são bons amigos e constantemente estão juntos, se esse cara está atrás de você por uma vingança tola, eu não vou permitir que Sara seja pega no meio do fogo cruzado.
— Sua filha é uma policial treinada, ela sabe se defender. — Dei de ombros recebendo um olhar incrédulo de Lance.
— Você é tão egoísta a ponto de não se importar que alguém se machuque por sua culpa, ou apenas não tem ninguém próximo o suficiente a ponto de se importar? — Jogou a pergunta que me fez tomar uma respiração profunda ao me dar conta da resposta que dei apenas em minha mente. A resposta usual seria um sonoro não, eu não possuía alguém com o qual me importasse, mas agora apenas um nome gritava em minha mente.
Felicity.
Levantei-me do sofá e comecei a andar de um lado para o outro, pensando em um modo de resolver tudo, mas tudo o que conseguir foi ficar ainda mais frustrado. Pensei em Gordon, em tudo o que ele havia feito por mim sem nunca pedir nada em troca, e agora a única vez que ele me pediu algo eu era incapaz de fazê-lo. Tudo o que Gordon queria era a segurança da sobrinha, e por mais que eu quisesse ser aquele que lhe desse isso, eu sabia que nesse momento eu não era.
— Inferno! — praguejei pegando a primeira coisa que vi em minha frente e jogando-a com toda a minha força contra a parede o objeto que se espatifou em vários pedacinhos.
— Eu me pergunto o que o controle da televisão fez a você. — Escutei a voz doce e imediatamente me virei em sua direção. Ela estava encostada a parede me observando, eu ainda via a raiva queimando em seus olhos.
— Felicity... — Por que até mesmo o gosto do seu nome em meus lábios era doce? O que ela possuía de diferente que a tornava tão apelativa a mim?
— Eu só preciso saber se devo fazer minhas malas agora. — Me interrompeu bruscamente, seu tom era firme e frio, mas não era difícil de notar a mágoa escondia por trás de cada palavra dita.
— Deixe-me apenas acertar as coisas com o seu tio antes. — pedi tentando soar suave eu sabia que Felicity estava confusa com o meu comportamento atual, provavelmente me detestando, eu só queria que houvesse uma maneira dela entender que apesar de estar a mandando embora, eu não queria a sua partida. Eu não podia jogar a verdade, não poderia dizer há um maluco por aí que jurou se vingar atacando qualquer pessoa próxima a mim e por isso eu precisava que ela ficasse longe.
Não, eu não podia dizer isso. Porque isso seria afirmar que eu me importava com ela.
— Tudo bem. — assentiu friamente dando-me as costas logo em seguida.
Voltei a jogar meu corpo sobre o sofá, retirei o celular do bolso e disquei o número de Gordon. Ele concordaria comigo quando eu explicasse a situação, ele me daria instruções do que fazer com Felicity e talvez, quando eu resolvesse tudo ela pudesse voltar para mim. Melhor dizendo para a minha casa. Me agarrei aquele pensamento tolo, sabia que depois da forma que eu havia a tratado não seria tão fácil resgatar aquele progresso que tínhamos feito.
O telefone chamou várias vezes, mas ninguém atendeu. Por fim optei por deixar uma mensagem no correio de voz: “Olá Gordon, eu estou precisando falar com você, é sobre Felicity e é importante, me ligue assim que puder.” Deixei um recado na delegacia de Gotham também, mas fui informado de que ele não estava lá.
Gordon não me retornou naquele dia e eu não poderia tomar nenhuma decisão sem consultá-lo antes, e por causa disso a partida de Felicity teve que ser adiada. O restante do dia passou em branco, nada aconteceu e sequer nos falamos.
Eu dormi pouco aquela noite, e no meio dela me vi levantando e indo até o quarto de Felicity apenas para me certificar de que ela estava bem. Ela tinha pesadelos constantes, eu não sabia sobre o que eram, mas sabia que a assustavam como o inferno. Essa não era a primeira vez que eu vinha em seu quarto e vigiava seu sono, eu já tinha feito isso um par de vezes, não sei porque, talvez eu esperasse que em seu sono ela me desse as respostas que se negava a me dar quando estava acordada ou vai ver eu apenas gostava de vê-la dormir. Mas essa era a primeira vez que eu a via fazendo algo diferente de gritar ou se debater durante o sono, ela parecia calma, embora a respiração estivesse saindo em lufadas rápidas e ela resmungasse coisas inteligíveis, seu semblante parecia leve e não banhado pelo medo como das outras vezes.
— Oliver... — Meu nome saiu por seus lábios, num sussurro e imediatamente me coloquei de pé, acreditando que ela havia acordado e me visto ali. — Oh, Oliver... — Ela chamou mais uma vez num tom mais audível, e um pequeno sorriso satisfeito apareceu em seus lábios quando ela o disse.
Eu não sabia que tipo de sonho ela estava tendo comigo, mas eu estaria mentindo se dissesse que a forma que ela havia dito o meu nome quase num gemido, mordendo o lábio inferior no final, a respiração descompassada que fazia seus seios subirem e descerem rapidamente, os bicos dos mesmos que estavam turgidos e visíveis através do tecido fino da camiseta, que tudo isso não me fazia achar que ela estava tendo um maldito sonho erótico comigo!
Sim, eu era a porra de um pervertido cuja cabeça ficava cheia de pensamentos libidinosos quando se tratava dela. Mas eu não podia ignorar aqueles sinais, e quando Felicity gemeu meu nome mais uma vez eu saí do quarto rapidamente antes que tomasse uma atitude impensada. Nunca em toda a minha vida eu havia ficado tão duro e pronto, como estava agora, apenas por ouvir uma garota dizendo o meu nome.
Tomei um banho enquanto lidava com a situação caótica mais embaixo, foi fácil vir um par de vezes quando a imagem de Felicity e o maldito som doce da sua voz gemendo o meu nome não saía da minha mente. Eu me sentia como um garoto de quinze anos em constante estado de excitação, por fim deixei a água cair fria sobre meu corpo para tentar me livrar do poder que Felicity Smoak exercia sobre certa parte do meu corpo.
Eu estava fodido.
Ela poderia ir embora, mas eu sabia que a vontade que eu tinha de tê-la permaneceria. Eu poderia tentar encontrar satisfação em outras mulheres, mas se o fracasso da minha experiência com Laurel havia me revelado algo é que qualquer outra mulher em minha cama seria usada como um mero substituto dela, que enquanto eu estivesse com outra, seria a voz de Felicity que eu escutaria gemer meu nome, seria seus lábios carnudos que eu imaginaria beijar, seria seu corpo que fingiria possuir.
E se eu resolvesse logo a situação com o Conde Vertigo? Talvez eu pudesse trazê-la de volta logo, ou quem sabe ela sequer precisasse partir?
Isso parecia promissor, mas eu sabia que era egoísmo mantê-la ao meu lado sabendo os riscos que isso traria, o certo era mandá-la para longe onde estaria segura. Mas eu precisava decidir agora, ser egoísta ou abrir mão dela pelo seu próprio bem?
A porta do meu quarto estava aberta quando vi Felicity passar diante dela indo em direção ao banheiro no final do corredor, ela parou e me encarou por menos de um segundo, seus olhos indo para baixo em direção a toalha enrolada ali. Suas bochechas coraram, sua língua lambeu discretamente os seus lábios e imediatamente, como se despertasse de um transe, ela saiu da minha linha de visão.
Aquilo foi o suficiente para selar a minha decisão.
Merda, eu seria um filho da puta egoísta.
***
Eu estava na cozinha preparando um café, precisava me distrair antes de conversar com Felicity e também eu esperava que um pouco de cafeína a deixasse menos irritada comigo. Eu estava colocando o líquido escuro em uma caneca, quando imediatamente larguei o que estava fazendo ao ver Felicity passar carregando o mesmo par de malas que ela trouxera para cá.
— Aonde você pensa que vai? — Dei meia volta a passos largos e rapidamente me coloquei a sua frente bloqueando qualquer tentativa de saída.
— Vou para um hotel ou ficar na casa de Helena... — deu de ombros, como se o que me dissesse não fosse nada importante.
— Não, você não vai. — decretei me sentindo mais irritado do que o normal tomando as malas de suas mãos. Naquele momento eu percebi que minha decisão estava tomada, a mera ideia de Felicity saindo desse apartamento, ainda que por alguns dias, estava irrevogavelmente fora de cogitação.
— Como é que é? — devolveu petulante tentando puxar as malas de volta enquanto eu as arrastava para um canto da sala.
— Você não vai sair dessa casa, Felicity. — Ela ergueu uma sobrancelha incrédula para mim. Droga, dar uma ordem à Felicity era praticamente o mesmo que dar um motivo para fazer o que eu pedia para ela especificamente não fazer.
— Mas você não tinha me expulsado daqui ontem? — revidou com seu tom sarcástico, cruzando os braços e me lançando um olhar de pura fúria.
— Digamos que eu ainda não estou pronto para abrir mão de você. — Minha honestidade a pegou desprevenida, seu rosto agora estava confuso tentando compreender a minha mudança súbita.
— Você só abre mão de algo que lhe pertence e eu não pertenço a você. — Ela estava certa, constatei, por isso optei por uma nova abordagem.
— Podemos, por favor, não fazer isso agora? — Tentei soar calmo, não queria começar uma discussão.
— Fazer o quê?
— O que usualmente fazemos. — respondi ligeiramente entediado.
— E o que é que sempre fazemos? — Dei um passo a mais para frente, notei a mudança imediata em sua respiração quando fiquei mais próximo.
— Nós discutimos, eu vou agir com um babaca enquanto você banca a garotinha irritante que sente um prazer em contrariar tudo o que eu digo. — Felicity abriu a boca para protestar, mas eu continuei falando — No final, nós dois nos aproximamos mais do que deveríamos... — Dei mais um passo até ela, de forma a deixá-la encurralada contra a parede, disse a mim mesmo que meus atos eram puramente didáticos, que fazia isso para provar o meu ponto e nada mais. — ...E toda a tensão que construímos por causa dos momentos de discussão acaba explodindo de uma única vez. Ninguém saberá dizer quem deu o primeiro passo, mas isso acaba comigo te prensando contra a parede ou em uma bancada qualquer, se preferir. — Percebi um brilho selvagem passar por seus olhos quando eu disse isso — Se for o que você quer, eu posso te dar a qualquer momento, mas eu apreciaria se pulássemos a parte da discussão como preliminar e fôssemos direto ao ponto.
Felicity engoliu em seco tentando inutilmente tomar o controle da situação, mas a maneira que seu corpo respondia ao meu não estava ajudando.
— Você se acha mesmo irresistível, não é? Acha que como qualquer outra garota tudo o que eu quero é me enfiar numa cama com você e fazer sexo quente e depravado durante toda a noite? — Sua sentença colocou um sorriso sacana em meu rosto. Felicity se fazia de forte, na maior parte tentava não demonstrar o que sentia, mas eu via o fogo do desejo brilhando em seus olhos e no momento eu que pressionei meu corpo contra o dela e rocei minhas mãos pela lateral do seu corpo tocando de leve o contorno dos seios, eu a senti vacilar sob meu toque, a respiração ofegante e a forma que Felicity engoliu em seco a medida que minha boca se aproximava da dela não deixava dúvidas que Felicity me queria.
— Docinho, — subi uma das mãos delicadamente por suas curvas e brinquei com a alcinha da camiseta que ela vestia, deslizando-a para baixo deixando a região do ombro nua e revelando boa parte do seio direito — você e eu não precisaríamos sequer de uma cama. — Eu sussurrei em seu ouvido e antes que tivesse noção do que eu estava fazendo eu reivindiquei seus lábios com os meus.
Eu senti falta do gosto doce e viciante que só os lábios dela tinham.
Eu senti falta do jeito que a língua dela se movia contra a minha de forma tão desesperada e faminta, e como cada parte do corpo dela respondia a cada impulso do meu, como se estivessem conectados. Não havia forma de beijar Felicity e não ficar completamente viciado nela, nos pequenos suspiros de protestos que ela inconscientemente soltava quando eu me afastava ainda que minimamente da sua boca, ou ainda dos gemidos roucos sempre que raspava meus dentes em sua pele macia. Mas eu queria mais. Inferno, dela eu queria sempre muito mais.
Espalmei ambas as mãos em sua bunda, eu não precisei dizer uma só palavra para que Felicity compreendesse o que eu queria, ela apoiou as mãos em meus ombros enquanto eu a erguia em meu colo, suas pernas se entrelaçaram ao redor de mim, meu membro excitado exercendo pressão em sua virilha. Sorri enquanto nos beijávamos, era incrível ter esse tipo de sintonia com alguém.
— Como eu queria que estivesse usando uma saia. — exclamei contra o seu pescoço, no qual eu estava fazendo um belo estrago, enquanto minhas mãos deslizavam pela extensão de suas coxas bem torneadas, mas se viram frustradas ao encontrar o tecido do short bloqueando o caminho que eu ansiava por fazer. — Bastaria afastar a sua calcinha para o lado e me enfiar completamente dentro de você. — falei sujo intencionalmente, olhando diretamente para ela, queria ver o efeito das minhas palavras nela, queria ver seu rosto corar, queria ver desejo queimando em seus olhos.
Felicity arfava, seus lábios cheios e agora avermelhados de tanto beijar estavam entreabertos, fazendo minha cabeça girar diante de todas as coisas pecaminosas que lábios assim poderiam fazer comigo.
Ela me teria de joelhos se assim quisesse.
Mas é claro, essa era Felicity Smoak e a boca dela fazia coisas ainda piores quando decidia falar algo.
— Já te disseram que você fala muita sacanagem, mas faz de menos? — Sua provocação ativou algo em mim, e com Felicity ainda em meu colo eu comecei a caminhar até o sofá.
Coloquei seu corpo sobre o sofá e o cobri com o meu, enquanto eu tornava a me perder eu seus lábios e friccionava nossas regiões íntimas, algo em minha mente me dizia para parar que eu tinha algo mais para me preocupar, mas tudo o que conseguia pensar naquele momento era em beijar cada pedacinho do seu corpo e não parar até que a escutasse gemer meu nome.
Afastei-me de seus lábios de uma única vez, vi a surpresa passar pelo rosto de Felicity e sorri ao ver seus olhos se arregalarem ainda mais quando enganchei as mãos no cós do seu short e o deslizei por suas pernas juntamente com a calcinha.
— Quero ouvir você gemendo o meu nome quando eu te der o melhor orgasmo da sua vida. — falei antes de me abaixar entre suas pernas, ainda a olhando enquanto minha língua tocava de leve seu ponto mais sensível, eu estava ansioso por sua reação — Não ouse me negar isso, Felicity. — Alertei ao vê-la mordendo o lábio inferior, eu sabia que ela adorava me contrariar, mas eu precisava dessa imagem gravada da minha mente, não queria ter que fantasia-la mais uma vez.
Quanto mais Felicity se esforçava para prender seus gemidos, mas eu me esforçava para arrancá-los dela. Meus dedos trabalhavam com afinco deslizando e entrando em seu sexo, enquanto minha língua a provocava tocando-lhe onde eu sabia que lhe traria mais prazer. Eu sabia que ela estava próxima quando senti os dedos de suas mãos puxarem meu cabelo com força.
— Diga, Felicity! — exigi ouvindo um gemido alto escapar de seus lábios, dei mais um leve roçar em sua carne e eu a senti estremecer para mim, seu corpo assumindo os tradicionais espasmos de um orgasmo.
— O-Oliver. — ergui os olhos por um momento observando seu rosto assumindo uma expressão de puro prazer e deleite, um sorriso largo e convencido tomou conta do meu ao ver que Felicity não havia se segurado e gemido o meu nome em alto e bom tom — Inferno, você é tão arrogante! — disse com certo humor enquanto batia fracamente em meu tórax, suas forças ainda drenadas pelo orgasmo intenso que acabara de ter.
— Não se preocupe, estamos longe de acabar e ainda quero te fazer gritar meu nome várias outras vezes! — prometi, meu membro latejava dentro da calça jeans ansiando por estar dentro dela. Tirei rapidamente a camisa e desabotoei a calça, Felicity inspecionou meu corpo com volúpia certa parte da minha anatomia.
Eu estava pronto para terminar de me despir quando escuto batidas insistentes a porta acompanhada de uma voz feminina chorosa.
— Ollie, benzinho, sou eu Mackenna será que podemos conversar por um momento? Eu prometo que não irei demorar. — Que diabos Mackenna fazia aqui no meu apartamento? Senti que Felicity havia ficado tensa com aquela interrupção, ela havia se sentado no sofá e tomava longas respirações.
— Eu vou expulsá-la e depois continuamos de onde paramos. — Eu disse docemente à uma Felicity um pouco pensativa, beijei levemente seus lábios e vesti a minha camisa, estava ansioso para me livrar da visita mais do que incomoda que apareceu no pior momento possível.
— Pensei que não fosse me atender. — resmungou tão logo abri a porta, fechando-a logo atrás de mim, não queria que Mackenna tivesse uma visão de Felicity seminua no meu sofá.
— Era a minha vontade, mas você é do tipo que não desiste. Então, me diga logo o que quer, Mackenna, eu tenho coisas importantes a fazer.
— Eu imagino o que é assim tão importante. — Seu olhar recaiu sobre a evidente ereção que o a calça jeans não escondia muito bem. — Eu entendo, Ollie, eu te pressionei no relacionamento, será que nós podemos apenas voltar ao ponto em que apenas transávamos sem compromisso? — pisquei ao escutar sua nada discreta oferta.
— Você veio aqui para isso? Para se oferecer?
— Eu estou usando aquela lingerie vermelha... — Sussurrou ao meu ouvido, balancei a cabeça enquanto a afastava de mim.
— Eu não estou interessado. — descartei friamente.
— Mas, Ollie... — Seus olhos marejaram com lágrimas. Mas que merda! Eu odiava isso em certas mulheres, a necessidade de se rastejarem atrás de um homem, estavam tão desesperadas assim por um pênis? — É um não Mackenna, você sabia desde o começo que uma hora eu me cansaria de você na minha cama, eu me cansei. — Ela piscou fazendo beicinho, fechei meus olhos buscando algum resquício de paciência. — Acabou, Mackenna, não se humilhe ainda mais.
Fechei a porta e entrei no apartamento assim que Mackenna deu as costas, é por isso que eu sequer tentava ter um relacionamento com uma garota, uma pequena discussão com Mackenna e eu já estava mentalmente exaurido.
— Por que você está vestida? — Não segurei meu tom acusatório ao ver Felicity sentada no sofá que há pouco quase transamos, completamente vestida e com um semblante sério.
— Oliver, isso que aconteceu... Não deveria ter acontecido, eu acho que talvez você tenha razão... — ergui as sobrancelhas, Felicity me dando razão em algo era novidade — ... Talvez seja melhor se eu deixar o apartamento.
— Felicity... — Dei passos até ela que ergueu a mão me parando.
— Nem tente jogar seu charme barato em cima de mim, Queen. — Ela disse com muita convicção.
— Ele resolveu a pouco, ou eu não estava com a cabeça enfiada no meio das suas pernas te dando um orgasmo maravilhoso? — seus olhos se fecharam e ela mordeu fortemente o lábio inferior, eu sabia que a lembrança ainda estava fresca em sua mente, mas também sabia que Felicity tinha um pouco de orgulho, por isso ergueu o queixo e me encarou parecendo séria.
— Isso não pode continuar. — afirmou indicando de mim para ela, e tentando soar firme — Eu não posso me envolver com você, Oliver, eu não posso me envolver com ninguém. — Suas palavras me diziam que havia algo mais, aquilo não era apenas medo de se relacionar.
— Isso não precisa ser um envolvimento, Felicity, é apenas sexo sem compromisso. — garanti, e percebi que aquela tinha sido a coisa errada a dizer quando vi que seus olhos se estreitaram magoados na minha direção.
— Tampouco eu quero ser seu brinquedinho sexual que você usa por um tempo e depois descarta quando se cansa.
— Não é assim. — Não com você. Completei apenas na minha mente.
— É sim, Oliver, eu escutei a forma que você descartou aquela garota a pouco. — contou com um sorriso triste, tive vontade de dizer que eu nunca a trataria da forma que tratei Mackenna — É melhor deixar as coisas entre nós como estão. — Que merda era aquela? Eu, Oliver Queen depois de dar um orgasmo a uma garota estava sendo dispensado pela mesma? Isso nunca tinha acontecido comigo antes. — Eu tenho problemas maiores para lidar e você apenas deixaria tudo ainda mais complicado. — Franzi o cenho confuso, sobre que problemas Felicity falava?
— Problemas? — inqueri, mas Felicity apenas me lançou um sorriso que não tocou os olhos.
— É melhor eu ir. — disse simplesmente enquanto ia até suas malas.
— Você não pode ir. — Segurei seu braço a impedindo de continuar. Inferno! Um simples toque, a merda de um simples toque tinha acordado o meu corpo novamente. O que havia de diferente em Felicity que a tornava tão apelativa para mim? Que deixava meu corpo sempre pronto e desesperado pelo dela?
— Não, não vamos começar tudo outra vez. — pediu, puxando seu braço e quebrando a conexão.
— Você não pode ir sem falar com seu tio antes. — falei na tentativa de ganhar um pouco de tempo, eu não podia permitir que ela partisse, convenci a mim mesmo de que ela não podia ir por causa da ameaça do conde Vertigo, mas no fundo eu sabia que era porque eu era egoísta demais para deixá-la ir.
— Tem razão. — Felicity concordou. — Eu ligarei para ele e explicarei a situação...
— Vai contar que não conseguimos ficar sobre o mesmo teto sem querer arrancar as roupas um do outro? — perguntei ficando estranhamente alarmado com a perspectiva de Gordon ciente de que eu queria transar com a sua sobrinha. Eu ganharia um chute nas bolas, se estivesse com sorte.
— Claro que não! — exclamou e me senti mais aliviado. — Eu só preciso dar uma volta, respirar um pouco e pensar no que dizer a ele. — esclareceu a medida que caminhava para a porta.
— Você não pode sair daqui. — disse me colocando entre Felicity e a porta.
— Que merda é essa, Oliver? Eu sou sua prisioneira agora? — Cruzou os braços e olhou para mim de forma intimidadora.
— Você não pode sair, não até resolvermos tudo com Gordon. — usei a desculpa mais estapafúrdia que consegui pensar — Eu trancarei a porta se for necessário!
— Você não pode estar falando sério! Vai me tratar como uma adolescente de castigo?
— Se for necessário eu vou! — garanti, mantendo-me sério.
— Você é louco! Completamente insano! — disse exasperada.
— Por favor, Felicity, apenas fique no seu quarto. — Pedi, mais solícito desta vez.
— Eu não acredito que estou sendo tratada como uma adolescente! Qual o seu problema? Isso é tudo porque eu recusei o pequeno Queen? — Não a respondi, tampouco defendi a minha masculinidade, apenas permaneci parado diante da porta sem me mover nem mesmo um centímetro. No fim, Felicity bufou e saiu em direção ao seu quarto batendo a porta com tanta força que senti as paredes do apartamento estremecerem.
Sentei-me no chão cansado, como eu havia deixado as coisas com Felicity chegarem a esse ponto? Tudo com ela era intenso, nossas discussões, nosso quase-sexo. Respirei movendo as imagens dela gemendo o meu nome para um canto do meu cérebro, eu precisava de clareza para pensar no que fazer a seguir.
Tentei ligar para Gordon, eu precisava apenas que ele convencesse Felicity a não ir embora. Mas novamente não obtive resposta do comissário, aquilo me deixou um pouco preocupado, Gordon não era de ficar incomunicável por muito tempo. Deixei mais um recado, e mudei meu foco para algo mais urgente naquele momento: Conde Vertigo.
***
Felicity não deixou o quarto nem por um momento, e eu fiquei satisfeito com aquilo. Não estava pronto para lidar com ela agora, havia algo sobre Felicity que simplesmente me atingia com um tiro certeiro. Ela trazia o melhor e o pior de mim e tudo ao mesmo tempo, me levava sempre aos extremos e quando eu estava perto dela eu perdia a noção de tudo ao meu redor, minha mente só se concentrava nela, era absurdo, mas ela se tornava o centro da minha gravidade, sempre me puxando até ela, me atraindo de uma forma quase insana.
E neste momento eu precisava me focar em outras coisas. Escutei as batidas leves na porta, sorri ao abrir para Sara entrar. Minha parceira parecia preocupada com algo.
— Aqui está o que você pediu. — Disse me entregando a pasta amarela que eu tinha visto com o Capitão Lance no dia em que ele havia me afastado do caso — Tem certeza de que quer fazer isso, Ollie? Não é melhor deixar os outros policiais cuidando disso? — Sara perguntou parecendo preocupada.
— Eu preciso resolver isso o mais rápido possível. — disse me sentando no sofá e correndo os olhos nas informações contidas ali.
— Eu trabalho há um bom tempo com você, Ollie, — Sara começou soando suave demais para o meu gosto, sentou-se ao meu lado no sofá. — Eu não estou entendendo o porquê de estar tão desesperado para pegar o conde, nós temos outros bons policiais nisso.
— Ele me ameaçou. — respondi prontamente.
— Ah, por favor! Você já foi ameaçado antes, isso faz parte do nosso trabalho. Nós pegamos os caras maus, e depois eles veem atrás de nós. Você nunca se importou, nunca foi tão impulsivo a ponto de pedir que eu furtasse documentos da delegacia e estar disposto a ir atrás de um bandido quando o seu chefe o proibiu de fazê-lo. Qual a grande diferença agora? O que te deixou tão determinado a burlar todas as regras? — Inqueriu incisivamente.
— Ele me ameaçou e todos os que eu me importo. — repeti, sem olhá-la.
— E daí?! Não é como se você tivesse... Ahh... Isso tem relação com Felicity? — Tentei ignorar o sorrisinho presunçoso que surgia em seus lábios — Está fazendo tudo isso porque se importa com ela e não quer vê-la machucada ou envolvida nisso? — Insistiu, seu sorriso se tornando ainda maior e mais irritante.
— Sara... Não vamos por esse caminho, não agora. — pedi, depois de toda a montanha russa com Felicity mais cedo eu não estava com paciência para examinar meus sentimentos e muito menos fazer isso com Sara.
— É tão difícil admitir? Confesse, essa garota te pegou pelas bolas não é mesmo? — Olhei para ela exasperado, Sara não desistiria até me fazer dizer a merda que eu sentia com todas as letras.
— Eu me importo com ela, ok? Não vamos fazer disso uma grande coisa. — Resmunguei emburrado e dei de ombros tentando minimizar, mas já era tarde, Sara ostentava o maior sorriso que eu já tinha visto em seus lábios.
— Então... Você vai pegar o cara mau e manter segura a sua garota? — Ela estava me provocando.
— Ela não é minha garota. — Lembrei aborrecido.
— Mas quer que seja e isso está sendo o suficiente para colocá-lo louco! Quem diria que eu viveria para ver Oliver Queen apaixonado! — Sua gargalhada alta me deixou aborrecido.
— Não diga tolices. — A repreendi, temendo que Felicity pudesse nos ouvir do seu quarto. — Eu não estou... Olha Sara, eu preciso ir atrás desse cara. — falei sério, eu já tinha terminado de ler todo o arquivo e já tinha noção de onde começar a procurá-lo, me coloquei de pé e peguei minha arma prendendo-a na parte de trás da calça. — Eu preciso também que você fique aqui, e não deixe Felicity sair de casa. — completei recebendo um olhar estarrecido de Sara.
— Não me diga que você está mantendo ela presa aqui? — Sara questionou incrédula.
— Eu não podia arriscar que ela saísse e algo acontecesse à ela por minha culpa, estou sendo cuidadoso. — exclamei tentando me explicar, mas Sara meneava a cabeça e respirava fundo, seu gesto me dizia que eu tinha feito besteira.
— Não, você está sendo um idiota autoritário e nenhuma garota gosta de caras mandões. — Sua sentença soou como um sermão — Eu vou conversar com ela, tentar fazê-la ver que você não é um idiota completo. — disse a mim, ainda aborrecida com meus atos — Apenas metade de um...
Assenti agradecendo-a com um meio sorriso ao ver Sara seguir o caminho para o corredor, isso seria bom. Eu havia perdido a cabeça com Felicity, agido como um troglodita irracional, eu esperava que Sara talvez a fizesse entender um pouco o meu lado, quem sabe quando eu resolvesse tudo podíamos tentar a voltar a nos dar bem.
Eu podia tentar novamente derrubar as barreiras que Felicity havia erguido ao redor de si, e quem sabe até mesmo ajudá-la com aquilo que roubava suas noites de sono. Meu coração palpitou concordando com aquela perspectiva.
— Hum... Oliver? — Sara havia voltado estranhamente rápido do quarto de Felicity.
— Sim?
— Lembra o que eu disse sobre falar com Felicity? — começou cautelosa, e imediatamente virei em sua direção — Não surta. — pediu, o que foi a coisa errada a fazer já que imediatamente fiquei apreensivo — Mas Felicity não está aqui.
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