Running Away

7 Capítulo 6 - Castle of Glass


Notas iniciais
Hello! Cheguei com capítulo novo para felicidade de alguns e tristeza de outros! Sim eu estou sumida, mas agora que Falling in love acabou não vou sumir por tanto tempo (espero) Primeiro quero deixar meu obrigada pelos comentários sempre carinhosos e aos favoritos! É sempre muito recompensante receber esse tipo de retorno de vocês! Agora quero dedicar esse capítulo há três pessoas especiais: Ju, pela recomendação superfofa que fez para Running Away *----* obrigada pelo apoio e confiança! E a Lola e Amália lima que recomendaram Falling in Love, mas como a fic já foi finalizada decidi dedicar um capítulo de RA à elas! Obrigada amores! É isso, espero que curtam o capítulo! PS.: Fic nova: https://fanfiction.com.br/historia/694781/War_of_Hearts/

Take me down to the river bend

Take me down to the fighting end

Wash the poison from off my skin

Show me how to be whole again

Fly me up on a silver wing

Past the black, where the sirens sing

Warm me up in a nova's glow

And drop me down to the dream below

'Cause I'm only a crack

In this castle of glass

Hardly anything there for you to see

For you to see

Bring me home in a blinding dream

Through the secrets that I have seen

Wash the sorrow from off my skin

And show me how to be whole again

( Castle of Glass — linkin park)

Oliver Queen

Observei Felicity fechar a porta do apartamento com força, eu a havia deixado irritada, embora houvesse algo em sua atitude raivosa que me dizia que aquilo não era apenas a sua reação habitual a mim quando eu agia como um perfeito babaca. Havia algo além, mais profundo, seu tom de voz tinha soando quase amargo. Qual foram as suas últimas palavras antes de me dar as costas? “Eu não procuro por nada, Oliver.” Era um pouco triste, quase como se ela não quisesse ou não pudesse ter alguém em sua vida, como se construísse um muro de rochas ao redor de si mesma e não estivesse disposta a deixar ninguém entrar.

Isso deveria me deixar aliviado. Porque descartava que Felicity fosse se envolver com outra pessoa, então eu não deveria me preocupar com os caras no bar, porque eles não teriam qualquer chance com ela. Mas isso também significava que Felicity estava disposta a lutar contra a atração que sentia por mim, e assim como os outros me deixaria do lado de fora do muro. E eu queria muito entrar, constatei surpreso.

Eu ainda sentia o gosto doce dela em mim, a pressão de suas unhas sobre minha pele, apertando, puxando meu corpo para si com desejo. Minha vontade era de segui-la porta afora, jogar seu corpo sobre meu ombro, deitá-la no sofá e calar seus protestos com a minha boca. Inferno! Eu estava frustrado, e sabia que esse não era o tipo de frustração que se curaria com uma noite com uma garota qualquer.

Eu queria Felicity.

Ela era a única capaz de acabar com aquele tormento.

Eu ficaria contente em me convencer que era apenas a ideia do fruto proibido que me atormentava, mas não era. Bastou um misero beijo, bastou tê-la em meus braços uma única vez, escutar seus gemidos de prazer enquanto eu a tocava para me despertar, para me fazer desejar mais e mais dela. Desde quando um simples beijo era capaz de me deixar assim tão desnorteado? Tão sedento por mais?

Eu estava sendo tolo, simples não era o adjetivo correto para qualificar aquele beijo. Marcante, quente e sensual eram características mais específicas. Eu estava certo desde a primeira vez que a vi. Nós tínhamos uma química sexual incrível, e isso apenas me fazia imaginar que sexo com Felicity seria espetacular. Ótimo! Agora as imagens de nossos corpos nus se movendo no mesmo ritmo alucinante e das coisas pecaminosas que eu queria fazer com ela rodavam em minha cabeça.

Tinha que haver um modo de fazê-la mudar de ideia, de fazê-la perceber que não podíamos desperdiçar esse tipo de atração.

Mas ela se afastou, e eu me vi jogando palavras duras em sua direção, fui arrogante eu admito, mas eu não queria que ela percebesse o quanto havia mexido comigo. O quanto eu queria mais dela.

Por que ela tinha que complicar tanto as coisas? Era apenas sexo, não precisava ter algum sentimento envolvido. Na verdade eu preferia que não tivesse algum sentimento envolvido. Eu preferia, não é mesmo? Fechei os meus olhos apoiando minhas mãos no balcão da cozinha, aonde a pouco as coisas tinham esquentado. Pensei em Felicity, em sua boca cheia e tentadora, em suas curvas perigosas em seus olhos azuis repletos de segredos que eu queria desvendar. Eu estava começando a cruzar aquela linha, eu estava me importando com ela, me deixando ser envolvido. Eu precisava decidir o que eu queria, eu queria apenas foder com ela? Ou eu queria conhecê-la? Se eu fizesse isso, se eu me permitisse conhecê-la, eu deveria esquecer todas as coisas sujas que minha mente planejava fazer com ela entre quatro paredes. Porque simplesmente não daria certo misturar as duas coisas.

— Inferno! — xinguei frustrado batendo com ambas as mãos sobre o balcão.

— Você parece atormentado. — me virei em direção a voz feminina, que estava sentada tranquilamente no encosto do sofá me olhando com curiosidade. Quando ela havia entrado?

— Você não bate? — resmunguei irritado com a loira. Não iria assumir, mas parte da minha irritação era porque ela não era a loira que eu gostaria que estivesse ali naquele momento.

— Não. E você está de mau humor. — apontou — Isso explica porque eu esbarrei em uma Felicity irritada enquanto eu estava no saguão do prédio. Ela mal me cumprimentou, e olha que ela é sempre tão educada.

— Você viu Felicity? E como ela estava? — as perguntas saíram antes que pudesse detê-las e percebi que Sara ergueu uma das sobrancelhas sugestivamente.

— Irritada, como eu já disse. — Sara se aproximou com um sorriso nos lábios e um olhar suspeito. — E você Oliver? Pode me dizer como está se sentindo?

— Não venha me analisar, Sara. — ergui a mão pedindo para que parasse, mas Sara era como um chiclete na sola do meu sapato, não importa o quanto eu tentava me livrar dela, ela sempre estava ali grudada em mim e pronta para me incomodar.

— Ah, por favor! É a primeira vez que vejo uma garota mexer tanto com você, eu estou curiosa. Me diga, vocês dois já transaram? — fechei meus olhos suspirando, eu estava tentando lutar contra as imagens que essa mera ideia formava em minha mente, e Sara a trazia novamente.

— Se tivéssemos transado ela não teria saído daqui irritada. — argumentei presunçoso e vi um sorriso vencedor se alastrar por seu rosto.

— Então é porque vocês não transaram que o seu humor está pior do que o normal!— afirmou, satisfeita consigo mesma enquanto eu revirei meus olhos para ela. — Me diz, Ollie, como é ver uma mulher como Felicity resistir ao seu charme? — provocou.

— O que você quer aqui, Sara? — Fui direto, querendo mudar logo o foco do assunto. Eu mesmo ainda estava confuso sobre Felicity, e ter Sara me provocando sobre isso apenas piorava a situação.

— Seu mau humor por falta de sexo está começando a me irritar. — cruzei meus braços ignorando o que ela disse e esperando que respondesse a minha pergunta. — Lembra do caso do Conde Vertigo? Nós temos problemas, vim te buscar porque a promotoria precisa do policial que fez a prisão.

— Por promotoria você quer dizer...

— Minha adorável irmã Laurel Lance. — anunciou — Espero que você não transe com ela, é bem capaz disso te deixar ainda mais mau humorado. Então? Podemos ir? Estou com a viatura lá embaixo. — respondeu animada sacudindo as chaves na mão.

***

Sara não ficou satisfeita quando eu dispensei sua carona e disse que iria sozinho até a promotoria. Eu sabia bem o que se passava em sua mente, ela apenas não queria que eu e Laurel ficássemos sozinhos, principalmente depois de eu ter revelado que tive um caso com a Lance mais velha. Eu sabia que as duas não se davam muito bem e Sara estava tomando um estranho partido a favor de Felicity. Como se estivéssemos em algum tipo de relacionamento no qual ela precisasse escolher um lado. Além do que, isso era estranho, as duas mal se conheciam e não havia nada entre mim e Felicity. Apenas um pouco de pegação sobre a bancada da cozinha.

Varri logo as imagens daquele momento da minha mente, eu precisava me manter focado.

Sara deixou o apartamento bufando de raiva, porque no fundo ela sabia o que eu iria fazer a seguir, eu iria até o escritório de Laurel, e provavelmente as coisas evoluiriam rapidamente. Mas de certo modo era o que eu precisava, de uma forma de tirar Felicity do meu sistema, de não pensar tanto nela. Não era certo, não era o melhor jeito, mas era o que eu tinha.

Saí da garagem do apartamento com a moto, eu estava apressado, um pouco irritado na verdade, com as medidas desesperadas que eu estava tomando. Me distraí a tal ponto que quase atropelei um homem de terno parado do lado de fora do meu prédio.

— Você está bem? — perguntei parando ao seu lado e retirando o capacete para enxergá-lo melhor. — Me desculpe pelo susto. — acrescentei quando não recebi nenhuma reação sua.

— Sem problemas. — devolveu não parecendo se importar muito, mantendo sua atenção no prédio — Na verdade, considerando meu quase atropelamento, você me deve uma ajuda. — acrescentou polidamente quando se virou para mim, seu rosto assumiu uma expressão quase satisfeita. Por minha vez tentei não esboçar uma reação de surpresa com o homem a minha frente. Ele tinha um ar elegante e educado, seu terno tinha um corte reto distinto o que me fazia pensar que ele era alguém importante. Mas o tapa olho sobre o olho direito distorcia um pouco sua imagem o deixava ligeiramente amedrontador.

— Em que posso ser útil? — inqueri sendo educado.

— Eu estava me perguntando se há alguma unidade a venda ou para alugar nesse prédio. Eu gostei muito da região é muito... bem frequentada. — respondeu com um sorriso significativo nos lábios.

— Não tenho certeza, sei que no meu andar há um apartamento fechado, mas não acho que o dono está interessado em se desfazer do imóvel. —expliquei, e embora minhas palavras devessem o deixar desapontado o sorriso permanecia em seu rosto.

— É uma pena. E qual seria o andar? Talvez eu possa ver com o porteiro se ele consegue o contato do dono e fazê-lo mudar de ideia. — falou educadamente.

— Fica no sétimo andar. — respondi.

— Excelente! A vista parece ser incrível, uma pena o prédio ao lado bloquear grande parte dela. — assenti concordando olhando para a construção que ficava logo ao lado do meu prédio.

— Boa sorte — desejei, me despedindo do homem colocando o capacete de volta e dando partida na moto. Eu estava estranhamente ansioso para me livrar de sua companhia e intimamente eu desejava não ter esse homem como meu vizinho. Era curioso, eu não costumava ter esse tipo de aversão gratuita a alguém. Mas esse homem, apesar de toda a carcaça aparentemente perfeita, me deixava um pouco apreensivo.

***

A reunião com Laurel foi simples, rápida e direta. Ela me perguntou alguns pontos do inquérito policial e da prisão do Vertigo, fez algumas observações e em menos de quinze minutos tínhamos terminado. Eu gostava disso em Laurel, ela era uma pessoa fácil de lidar, dizia o que queria sem rodeios, e eu sabia que tudo o que ela queria de mim era sexo, nada além. Tinha sido sempre assim entre nós, nos encontrávamos casualmente e transávamos. Era bom, sexo sem expectativas, sem complicações ou consequências. Até o dia em tivemos a brilhante ideia de fazer isso na sala do capitão Lance. É claro que fomos pegos, eu fui suspenso e nosso pequeno caso acabou ali, eu não estava disposto a arriscar minha carreira por um par de seios e Laurel parecera concordar comigo. Pelo menos até agora, já que Laurel parecia bem disposta a retomar do ponto de onde paramos.

— Então, Oliver, que tal irmos direto ao assunto? — disse dando a volta em sua mesa e sentando-se sem o menor pudor sobre mim — As portas da minha sala estão fechadas. — brincou antes que sua boca caísse sobre a minha num beijo urgente e apressado, suas mãos foram ligeiras aos botões da minha camisa, ela estava com pressa e eu, bem, eu não conseguia parar de comparar. Seus lábios não eram macios e doces como o de Felicity, seu beijo não me fazia desejar por mais, seu toque era genérico, comum, sem nada de especial.

Merda. Eu tinha uma mulher sobre meu colo, sedenta por sexo e eu nem excitado com isso estava! Que porra Felicity tinha feito comigo? Me tornado inutilizável para o resto da população feminina?

Comecei a corresponder o beijo de Laurel com mais afinco, disposto a não permitir que Felicity se intrometesse nessa parte da minha vida. Eu tinha uma vida sexual muito ativa e satisfatória, ela não tiraria isso de mim. Ergui o corpo de Laurel o colocando sobre a sua mesa e ficando entre suas pernas, a livrei da blusa rapidamente deixei um chupão em seu seio esquerdo próximo a borda do sutiã, o gosto da sua pele parecia errado, tudo nela parecia errado. Minhas mãos tocavam seu corpo imaginando curvas diferentes, desejando ter outro par de seios expostos à minha frente.

Voltei a beijá-la, tentei sentir o mesmo que senti mais cedo com Felicity. Mas não havia nada ali. Fechei meus olhos e decidi trapacear, decidi imaginar que era a boca de Felicity que eu beijava, que era seu corpo que eu tocava e imediatamente fiquei duro e pronto.

Parei, me afastando e fitando o rosto cheio de expectativa e desejo de Laurel. Isso não era certo. Não era certo foder com Laurel e imaginar Felicity em seu lugar.

— Não posso fazer isso. — rosnei entre dentes, irritado com meu senso moral que não me permitia foder com uma mulher gemendo o nome de outra. Inferno, Felicity tinha fodido com minha vida!

— Como? Oliver Queen, negando sexo? — Laurel revidou levantando-se da mesa e ajeitando as próprias roupas, sua expressão ia de incredulidade a um pouco de ofensa.

— Para tudo tem uma primeira vez. — respondi me ajeitando também, pegando minha jaqueta sobre a poltrona em que eu estava sentado e caminhando em seguida para a saída.

— Quem é ela? A escolhida? — a voz aguda de Laurel me fez parar, voltei a vira-me para ela a encarando, não entendendo a sua pergunta.

— Por que que tem que haver alguém? — devolvi, irritado com sua suposição de que deveria ter alguém, que essa era a única razão plausível para eu não querer terminar o que começamos.

— Se o homem mais viciado em sexo que eu conheço recusa uma rapidinha, é porque alguma garota o domou. — apontou.

— Não diga bobagens, Laurel, eu apenas não estou a fim de transar com você. — respondi seco, estava irritado com sua intromissão e com sua afirmação de que alguém havia “me domado”. Percebi que minha resposta causou uma reação diferente da que eu esperava, eu imaginava que minhas palavras a teriam ferido, mas não, Laurel ergueu as sobrancelhas e um esboço de sorriso surgiu em seus lábios. Bufei irritado, saindo de sua sala e batendo a porta em seguida, eu havia dito com todas as letras que eu não queria transar com laurel, que ela não era a pessoa que eu desejava ter em meus braços. Eu tinha confessado que eu queria apenas uma pessoa.

Cheguei a delegacia num nível de estresse surpreendente, sequer respondi as pessoas que me cumprimentaram, porque minha vontade era de mandá-las para o quinto dos infernos, apenas por ousarem exibir seus sorrisos por aí. Me acomodei em minha mesa, correndo os olhos pelos relatórios e documentos que capitão Lance deixou ali para mim. Trabalho burocrático era exatamente o que eu não precisava hoje! O que eu não daria para sair, ter alguma ação, correr atrás de alguns bandidos e descontar um pouco a minha frustração.

— Eu te disse que sexo com Laurel só pioraria as coisas! — escutei Sara dizer num tom de eu te avisei, logo atrás de mim, girei a cadeira para ficar de frente à ela.

— Eu não transei com sua irmã dessa vez. — confessei logo de primeira, pensando que isso bastaria para tirá-la do meu pé.

— Não transou? — seu tom agora era evidentemente contente, e contrariando minhas expectativas Sara puxou a cadeira ao lado sentando-se de frente para mim. — Meus parabéns! Significa que estamos evoluindo um pouco! — seu rosto mostrava tanta empolgação, que me aborrecia.

— Evoluindo? Eu não vejo uma evolução aqui! Eu recusei uma mulher que estava com as pernas abertas e pronta para mim, e nem ao menos sei explicar o porquê! — bradei frustrado. Estava me cansando de me sentir assim, frustrado o tempo inteiro.

— Woooou! Eu não precisava dessa imagem mental em minha cabeça agora! Urgh! — o rosto de Sara se contorceu em uma careta e seu evidente desgosto trouxe um pequeno sorriso aos meus lábios. Eu queria conseguir ficar irritado com ela por mais tempo, mas era minha parceira, meu chiclete colado em meu sapato e de alguma forma a amizade que eu tinha com ela era um dos poucos relacionamentos sólidos que eu tinha em minha vida. — Então me diga, o que aconteceu?

— Você já sabe, eu não quis transar com ela. — suspirei, girando a cadeira de volta para a mesa e fingindo me concentrar na pilha de folhas que para meu desespero seria o meu trabalho daquela noite.

— E isso foi por que...? — Sara insistiu, girando minha cadeira de volta e me forçando a ficar de frente para ela novamente. Seus olhos estavam arregalados, ansiosos esperando por uma resposta minha. Percebi que ela não sossegaria até que tivesse sua curiosidade saciada, Sara as vezes conseguir ser pior do que uma criança.

— Está tentando me analisar? — devolvi desconfiado — Eu te disse que aquele cursinho de psicologia que você fez pela internet é fajuto. — tentei brincar, mas ela se manteve firme.

— Apenas responda a pergunta, Oliver! Não é tão difícil. — argumentou. Suspirei vencido, sabendo que eu logo me arrependeria disso.

— Mais cedo em meu apartamento, antes de você chegar Felicity e eu tivemos um momento. — Sara ergueu a sobrancelha e manteve a expressão séria esperando por mais — Nós quase transamos, mas aí Felicity ficou irritada com algo e se afastou e...

— ...E isso te aborrece como o inferno! — completou rindo.

— Hey, eu pensei que você deveria ser minha amiga aqui! E não rir de mim!

— Desculpe, é que nunca pensei que veria o dia em que isso aconteceria. — respirou fundo tentando controlar o riso — Você precisa concordar comigo, geralmente as mulheres não fogem de você, elas se jogam no seu colo e imploram por uma rapidinha. Mas agora, olhe para você o fodão Oliver Queen, tentando encontrar uma forma de entrar debaixo das saias da única mulher que foge dele. O jogo virou, não é mesmo?

— Você é um pé no saco, Sara. — meu mau humor havia voltado com toda a força agora que Sara resolvera jogar tudo isso na minha cara.

— Eu sei. E você me ama mesmo assim. — sorriu convencidamente jogando o cabelo sobre o ombro. — Eu só acho que as coisas são diferentes com Felicity, e é normal isso te assustar, mas não fuja, Oliver, não reprima isso, não se impeça de viver isso. — revirei meus olhos, eu sabia que Sara iria supervalorizar as coisas, ver mais do que havia.

— Você fala como se fosse minha decisão. — Sara não via que era Felicity quem estava fugindo? Que era ela que não queria se deitar em minha cama? — Felicity é uma pessoa fechada, isso que você está sugerindo não daria certo.

— E você também é uma pessoa fechada! Entenda algo, Oliver, ela não vai abaixar as defesas se você também não abaixar as suas. E pare de atacar tão ofensivamente, isso assusta as garotas como Felicity. Tente ser seu amigo antes, conquiste a confiança dela e talvez assim ela se abra para você. — dei um meio sorriso sacana, não contendo os pensamentos que vieram a minha mente, Sara pareceu notar a direção deles — Abrir o coração e não as pernas, seu pervertido! — disse-me dando um tapa sobre o meu ombro.

— Acabou com seus conselhos? — retruquei como se não tivesse me importando com suas palavras, embora eu conscientemente tenha prestado atenção em cada um dos pontos que ela elencou.

— Só tenho mais um: vá até ela e tente não agir como um cretino.

— Difícil, ser cretino faz parte do meu charme. — respondi com uma piscadela, e vi Sara sorrir satisfeita por ter conversado comigo.

Para ser honesto, por mais que eu tenha escutado os “conselhos” de Sara eu não estava disposto a embarcar no que ela me sugeria, toda essa ideia de ter que construir uma espécie de relacionamento com Felicity, não parecia certa. Eu só queria um pouco de sexo! Talvez eu devesse apenas transar logo com ela, arrancar o curativo e fim. Tão logo sucumbíssemos a atração, mais rápido eu me livraria de sua imagem me atormentando. E então eu poderia voltar a minha vida normal, de dormir com mulheres e dispensá-las tão logo eu me cansasse.

Mas algo me dizia que uma vez com Felicity Smoak não bastaria.

Eu tinha provado de seus lábios, e eu queria mais muito mais. O que seria de mim se eu provasse do seu corpo?

Talvez Sara estivesse certa, eu apenas precisasse ir devagar. Mas a questão era eu estava disposto a tentar?

***

Felicity Smoak

— Qual o problema com você hoje Felicity? — vi Helena gritar quando eu, sem querer derrubei a bandeja que deveria levar ao cliente do outro lado do bar. Já era a terceira vez que isso acontecia, eu não conseguia me concentrar. Meus pensamentos teimavam em me distrair, com a imagem de Oliver e do que quase fizemos na cozinha e que no fim terminara em uma acalorada discussão.

— Me desculpe, Helena. Eu pagarei por isso. — acrescentei me abaixando no chão para limpar a bagunça que eu havia feito.

Eu deixei o apartamento rapidamente, porque não conseguia lidar com aquilo. Com seu olhar faminto, com a minha própria fome refletida no olhar dele. Aquela vontade de sucumbir aos meus desejos, me jogar em seus braços e ter uma noite de sexo louca e despreocupada. Eu conhecia caras como Oliver, eles não se envolviam emocionalmente, era puramente carnal.

Talvez eu pudesse ter isso. Talvez ele não descobrisse, e assim ninguém se machucaria no final. Eu estava em conflito. Entre o que era certo, o que eu deveria fazer e o que eu queria.

— Já chega! — Helena interrompeu, enquanto eu limpava a bagunça que havia feito. — Roy, limpe a bagunça e atenda as mesas. — ordenou ao irmão mais novo que pareceu aborrecido com a ordem. — Felicity você prepara os pedidos do bar, assim eu não corro o risco de ver você derrubar algo sobre algum cliente ou de se machucar fazendo isso. — justificou me arrastando para trás do balcão. — Agora eu quero saber que merda aconteceu e porque você parece algo como um gatinho atormentado?

— Eu não pareço um gatinho atormentado. — me defendi.

— Isso tem alguma relação com Oliver? — como ela sabia? Não importa, eu não diria nada do que acontecera à ela.

— Oliver e eu tivemos algo, antes de vir para cá. — comecei hesitante e vi as íris dos olhos de Helena brilharem em animação.

— Vocês foderam? — Fiquei surpresa com a forma crua com a qual ela dissera. Foder, era isso que os caras faziam quando não havia um compromisso, era isso que Oliver fazia. — Não precisa moderar a língua comigo, Felicity, porque eu não vou moderar ela com você. Então? Como foi? Ele ainda faz aquela coisa com a língua... — começou a descrever animada.

— Não! — parei antes que ela pudesse continuar, Helena tinha a tendência a dizer coisas obscenas e para meu desespero, minha mente já estava cheia delas, não queria adicionar mais uma a lista. — Nós não transamos. — falei e ela soltou um “ahhhh” desapontado — Mas nós teríamos, porém de repente começamos a discutir loucamente e tudo desandou. Oliver foi um ogro, babaca, idiota! Acredita que ele queria transar comigo apenas para que eu não viesse trabalhar hoje? E ainda reclamou das minhas roupas! Ele mais parece um neandertal, disposto a me puxar pelos cabelos e me jogar sobre os ombros e me levar para a cama mais próxima, quando eu me neguei a atender os seus desejos idiotas. Além disso, ele é arrogante, babaca e... — comecei a soltar tudo o que estava preso em mim, só parei quando percebi que Helena segurava o riso. — Qual é a graça? — Questionei colocando ambas as mãos na cintura! Eu estava aqui desabafando, enquanto ela ria de mim!

— Ele está te enlouquecendo! E pelo visto é reciproco! Felicity como você não percebeu que Oliver está com ciúmes? Também não é para menos, você veio vestida para matar, ele deve estar preocupado com quantos caras já deram em cima de você hoje... É uma surpresa ele não ter aparecido aqui ainda para checar a concorrência. — meneei a cabeça incrédula com o que Helena dizia.

— Você deveria ser minha amiga! Deveria me dar razão e me aconselhar a ficar longe dele, porque Oliver Queen é encrenca. — desferi começando a me chatear com Helena.

— Ok. Você tem razão, Oliver Queen é encrenca. — assumiu.

— Obrigada. — agradeci.

— Mas você não pode negar que é uma encrenca muito gostosa. — ela disse piscando e saindo da minha visão. Eu teria indo atrás dela, mas nesse exato momento uma cliente fez um pedido.

— Vodca com soda e capricha na vodca, só álcool para me fazer esquecer essa semana louca — A morena disse, e quando virei para encará-la seus olhos escuros piscaram surpresos em reconhecimento. — Felicity? O que você faz aqui? Eu tenho te ligado há semanas, mas o telefone só deu caixa postal! Como ousa simplesmente desaparecer sem nem ao menos se despedir? — engoli em seco, não contava em encontrar alguém da minha antiga vida aqui em Starling City, isso poderia ser um problema.

— Oi, Selina.

***

Selina Kyle costumava ser minha única amiga em Gotham. Era estranho vê-la aqui, tinha se passado tão pouco tempo desde que eu tinha deixado aquela cidade para trás, eu não me sentia a mesma Felicity, e isso não era por causa da minha aparência, a qual Selina fez questão de elogiar. Eu morei em Gotham por quase um ano e justo quando eu estava começando a aceitar a cidade como meu lar, ele volta e tira isso de mim. Eu me perguntava quanto tempo ele demoraria para tirar Starling de mim também, parecia que gostava de esperar que eu me afeiçoasse, que eu criasse laços, só para depois ter o prazer de destruí-los.

Sacudi minha cabeça tentando me livrar dos pensamentos negativos e voltei a prestar atenção em Selina que tagarelava sobre a nova posição como secretária pessoal de Bruce Wayne, e o quanto o bilionário era exigente e babaca. Não era dia de jogo e o movimento no bar estava fraco, Helena não se incomodou que eu conversasse um pouco com uma velha amiga.

Foi bom. Por um momento minha mente se permitiu ser livre, sem pensamentos sobre loucos que me perseguiam, e Oliver e eu sobre a bancada da cozinha. Porém, mais cedo do que esperava Selina partiu, deixando o seu número de telefone, dizendo que ficaria na cidade durante toda a semana e que deveríamos marcar algo. Antes de ela sair, pedi que não comentasse nada sobre ter me encontrado aqui, e Selina brincou sobre “eu estar fugindo da polícia”, dei um sorriso amarelo, eu teria sorte se fugisse da polícia.

— Quem era ela? —Helena inqueriu enquanto observava Selina partir.

— Uma amiga antiga. — respondi.

— Da sua antiga cidade?

— É. — assenti vagamente limpando a bancada com um pano enquanto Helena estreitava seus olhos para mim, esperando que eu dissesse mais.

— Ok. — Helena assentiu quando percebeu que eu não iria conversar mais — Acho que como o movimento foi fraco hoje, nós podemos fechar mais cedo. Então está livre para ir.

— Obrigada. — agradeci juntando minhas coisas com rapidez e indo para saída. Respirei fundo recebendo a lufada de ar frio, eu não tinha percebido o quanto o caminho parecia escuro a essa hora da noite, já que da outra vez eu havia voltado com Oliver. Eu sabia que a distância era curta até o apartamento, não mais do que alguns quarteirões, porém ainda assim me sentia estranhamente receosa. Era aquela sensação de estar sendo constantemente vigiada, não importa quanto tempo se passasse, eu acho que nunca perderia aquela desconfiança.

— Hey, Felicity. — virei-me para trás ao escutar um Roy sorridente chamar meu nome. — Eu notei que seu amigo não veio te buscar hoje. — segurei a língua contra a vontade de negar que Oliver e eu éramos amigos — Se incomodaria se eu acompanhasse até em casa?

— Eu agradeceria na verdade, Roy. — respondi um pouco aliviada por ter companhia, e Roy lançou-me um grande sorriso enquanto se pôs a caminhar ao meu lado.

Roy era fofo e tagarela, por isso o caminho de volta passou mais rápido do que eu imaginava. Logo estávamos em frente ao prédio, eu me preparava para me despedir enquanto Roy me olhava parecendo nervoso.

— Felicity, na verdade eu queria te perguntar algo. — Roy começou segurando meu braço, me impedindo de entrar. Oh, merda! Ele não ia fazer o que eu achava que ia fazer? Não sei se devo chamar o incidente que veio a seguir de sorte ou azar, porque antes que Roy pudesse completar a frase, um ronco de moto preencheu o lugar, o farol iluminou a nós dois e a moto parou exatamente a nossa frente.

— O que ele faz aqui? — Oliver desceu da moto, retirou o capacete. Parecia incomodado, vi seu olhar descer onde a mão de Roy segurava a minha, sua mandíbula enrijeceu e uma pequena veia começou a pulsar em sua têmpora.

— Eu só vim deixá-la em casa. — Roy se justificou apressadamente, soltando minha mão, eu quase ri da sua atitude amedrontada, mas tive um pouco de pena dele. Oliver sabia ser intimidade quando queria.

— Já deixou, agora pode ir embora. — Oliver o dispensou levianamente.

— Oliver! Não precisa ser grosso com o garoto. — repreendi, mas Roy murmurou um “tudo bem, te vejo depois” se afastando. — Por que você age assim? — retruquei irritada, toda a tensão de mais cedo voltando ao meu corpo quando nos vimos sozinhos.

— Em casa você pode reclamar que eu não fui educado, mas é melhor subirmos logo. Há algo que eu gostaria de conversar com você. — Oliver falou sério. Seu semblante estava diferente, eu não conseguia definir o que era, e nem se aquilo era bom ou ruim. Mas eu sabia que era sério.

— Sobre o quê? — me vi buscando por uma dica, algo que explicasse porque ele estava agindo todo estranho. Vi um pequeno tique em seu olho esquerdo antes que Oliver dissesse a frase que me fizera engolir em seco:

— Sobre nós dois.

Notas finais
Hello again! Tivemos uma pequena participação surpresa... quem notou? E o que seja que Oliver quer conversar com Fel? Deem seus palpites, deixem suas opiniões e críticas! Bye e bjo!