Running Away
18 Capítulo 17 - Two fires
Notas iniciais
Two fires, they're breathing
Running out of air
Two hearts, they're beating
Feeding this affair
It's too far for a clean escape
Demons on my sleeve
They're not what you expected
When I asked you to believe
For you, for me
Make me a better man
For you, oh please
Make me a better man
With your eyes on my secrets,
God knows what you'll see
There's so much to my story,
But you're the perfect ending
(Better — Matthew Mayfield)
Oliver Queen
Quanto mais perto do apartamento eu chegava, mais meu coração disparava dentro do peito. Sara falava comigo, me advertia sobre os sinais vermelhos que eu deliberadamente ultrapassava ou algo sobre o limite de velocidade dentro do perímetro urbano, ela tentava manter minha mente sã dizendo que Felicity estava bem, que aquele louco apenas estava tentando brincar comigo e ferrar com minha mente, mas era difícil me concentrar em suas palavras quando era óbvio que ainda que aquilo fosse uma brincadeira doente de Floyd, ele estava jogando bem, ele estava ganhando e estava ferrando comigo no processo, já que tudo o que havia em minha mente era Felicity.
Quando foi que isso aconteceu comigo? Quando foi que Felicity se tornou tão essencial que se tornou impossível para mim que eu agisse com o mínimo de senso quando se tratava dela? Quando foi que ela se tornou a pessoa mais importante para mim?
Eu não sei.
E não fazia diferença.
Eu a tinha na minha vida agora, eu não permitiria que nada nem ninguém mudasse isso.
A voz daquele homem ainda se repetia na minha cabeça “Ela me pertence”, ele disse em seu tom frio, determinado e com certa nota de diversão. Eu percebia naquela voz que ele não desistiria dela, eu não sabia se aquilo era uma obsessão ou um jogo para ele, mas eu sentia que a minha relação com Felicity havia mudado algo, ele não jogava apenas com Felicity, ele havia me incluído naquele jogo sádico, a minha presença o deixou mais determinado a tê-la e isso me enlouquecia. Não apenas porque eu amava Felicity e porque eu tinha medo de perdê-la.
Isso não era sobre mim.
Era sobre Felicity ter uma vida normal. Ser capaz de sorrir despreocupadamente, se divertir, ter amigos e um emprego. Poder colocar a cabeça sobre o seu travesseiro a noite e dormir tranquilamente tendo a certeza de que não teria pesadelos com todos os momentos de dor que ele havia lhe infligido. Era sobre o direito dela de ser feliz. Eu precisava encontrar uma forma de acabar com isso de vez, de tirar esse homem da vida dela e dar a ela tudo o que um dia ele se atreveu a tomar.
— Eu não consigo falar com ela nem com Diggle. — Sara disse cautelosa desligando o celular pela quinta vez depois de sermos direcionados a caixa de mensagens. Ela estava tentando manter um tom calmo para não me preocupar. Eu não respondi, apenas somei aquela informação ao meu humor já desesperado, segurei com ambas as mãos fortemente ao redor do volante, foquei meus olhos para estrada a minha frente e pisei fundo no acelerador.
Tentei não entrar em pânico ao virar na rua do meu prédio e notar que ela inteira estava sem energia. Estremeci ao me lembrar de Felicity me contando que ele havia cortado a energia da casa dela uma vez. Ele teria feito isso novamente? Ele havia me mandado uma foto dela no balcão do meu apartamento, era óbvio que ele estava próximo o suficiente para tirá-la. Talvez ele tivesse desligado a energia para que eles não notassem a presença dele.
Diggle e Felicity não respondiam ao celular, talvez ele já tivesse chegado até eles.
Talvez ele já tivesse tomado Felicity de mim.
Imagens do desespero dela tomavam conta de mim, eu senti o arrepio do medo por toda a minha pele apenas em imaginar as coisas vis que aquele homem poderia fazer a ela.
Ela me pertence.
As palavras dele se apareceram em minha mente, o timbre foi reproduzido com uma precisão assustadora.
O inferno que ela pertencia a ele! Eu precisava me controlar. Ainda havia tempo, e mesmo que ele a tivesse levado, — meu coração se contorceu violentamente em negação ao confrontar aquela possibilidade — eu a traria de volta. Eu não desistiria dela. Nunca.
Parei o carro bruscamente em frente ao prédio precariamente iluminado por um gerador e desci enxergando tudo em vermelho na minha frente. Eu tinha apenas Felicity em minha mente. Sara buscava informações com os porteiros, mas eu não iria perder meu tempo com isso. Eu usei todo o meu fôlego para subir os sete lances de escadas seguindo as luzes de emergência, a adrenalina queimava rápido no meu sistema e me deixava mais alerta do que o normal, eu tinha minha arma em punho pronta para usá-la caso o desgraçado estivesse por aqui. Eu nunca fui muito fã de usar armas no trabalho, eu preferia usar os punhos e reder os criminosos sem a necessidade de usar uma arma para isso. Mas eu não hesitaria em usá-la se ele estivesse aqui.
Floyd Lawton não era o tipo de criminoso que eu estava acostumado a lidar. Eu confesso que havia um lado do trabalho de ser um policial que até me divertia, a fase da investigação quando tentávamos ler a mente de alguém e prever seus próximos passos, seguida da adrenalina da perseguição, e por fim a sensação boa de dever cumprido que era pegar alguém que cometeu um crime e tirá-lo do convívio da sociedade. Mas com esse criminoso era diferente, ele não era normal. Ele era puramente mau, não havia diversão em tentar prever seus planos ou adrenalina em ir atrás de alguém assim, era basicamente pura necessidade de detê-lo o mais rápido possível, de impedir que ele causasse mais mal às pessoas.
Eu xinguei mentalmente múltiplas vezes ao procurar a chave nos meus bolsos e depois quando precisei usar o celular para iluminar a fechadura. Essas merdas estavam me fazendo perder um tempo precioso, um tempo que talvez eu precisasse para salvar Felicity.
Empurrei a porta já com a arma em uma das mãos, optei por entrar o mais silenciosamente possível, se ele estivesse aqui eu precisaria ter um elemento surpresa, ainda que pelo telefonema dele seguido daquela foto fosse evidente que Floyd esperava que eu viesse por Felicity. Ignorei a vontade desesperada de chamar o nome dela, eu queria que Felicity viesse correndo para os meus braços no momento em que me ouvisse chamá-la e assim acalmasse o ritmo frenético do meu coração, levasse o desespero embora de mim. Mas eu não podia, eu precisava ser racional.
Segui andando pelo apartamento, a porta que dava para o balcão de onde ele havia tirado a foto dela estava aberta, a cortina balançava sob a brisa fria da noite, mas deixava evidente que não havia ninguém ali. A fraca luminosidade que entrava por lá me permitia distinguir algumas sombras no ambiente, assim foi fácil perceber que Diggle e Felicity não estavam em lugar algum da sala ou da cozinha. Segui para o corredor escuro indo em direção aos quartos, eu checaria o dela primeiro, naquele momento apenas a necessidade de encontrá-la era o que controlava a minha aflição. Onde ela estava?
Eu mal tinha dado passos no corredor quando senti o cano frio de uma arma encostando contra o meu pescoço. Meu corpo inteiro travou com aquele contato.
— Coloque a arma no chão e vire-se, ou eu irei fazer um belo buraco na sua cabeça — escutei a voz grossa e decidida as minhas costas.
— Diggle. — constatei aliviado por ele estar a postos — Sou eu. O que aconteceu? Onde está Felicity? — Questionei nervoso virando-me de frente para ele, que demorou apenas alguns segundos para perceber que não havia ameaça e abaixar a arma, embora a tenha mantido em sua mão, pronto para usá-la caso fosse necessário.
— Oliver? — Escutei a voz de Felicity e imediatamente a tensão deixou o meu corpo. Vi apenas o vulto dela que era mantida protetoramente atrás de Diggle, e então ela correu para mim, seus braços se colocando envolta do meu pescoço. Emiti um suspiro de satisfação ao envolvê-la com meus braços e puxá-la para mim. Seu corpo trêmulo estava junto ao meu, sua respiração quente e alterada soprando contra o meu pescoço, seu coração descompassado batendo tão desesperado quanto o meu.
Tudo estava em seu devido lugar.
Felicity estava em seu devido lugar. Em meus braços.
Eu honestamente não acreditava que conseguiria viver sofrendo desses constantes ataques de medo de perdê-la. Hoje eu estive oscilando na borda do precipício, pronto para dar um passo a frente, em qualquer momento desses eu teria um ataque cardíaco prematuro.
— Está tudo bem? — Perguntei a Diggle, enquanto acariciava os cabelos de Felicity, eu ainda não estava preparado para soltá-la.
— Acho que sim, depois que a energia acabou, bem como o sinal do celular eu presumi que seria melhor assumir uma atitude defensiva e Felicity e eu ficamos no quarto, a espreita, prestando atenção à qualquer mínimo movimento ou barulho.
— Boa tática. — Assenti satisfeito por ver o profissionalismo de Diggle.
— Estou assumindo que pelo seu desespero ao chegar ao apartamento o plano de pegá-lo não deu certo. — Senti uma fisgada no meu coração enquanto a frustração e a raiva se apoderavam de mim, apertei o corpo de Felicity um pouco mais na tentativa de afastar essas sensações.
— Você assumiu corretamente. — Eu disse deliberadamente evitando o assunto.
— Oliver, o que aconteceu? — Felicity perguntou, percebi que ela havia erguido o rosto para o meu ao sentir seu hálito fresco vir em minha direção. Fiquei contente por ainda estarmos sem energia, assim ela não precisava ver a expressão de fracasso que a sua pergunta trouxe para meu rosto — Oliver? — Ela insistiu, e como se o universo estivesse conspirando contra mim, nesse exato momento a energia foi restabelecida. Seus belos olhos semicerraram na minha direção, tentando ler o que eu me recusava a dizer, ao mesmo tempo em que pareciam preocupados comigo.
— Felicity... — Comecei a dizer, sem saber por onde começar. Eu poderia contá-la que eu nunca consegui enganá-lo e que muito pelo contrário, ele havia entrado em contato comigo e feito promessas de que a tomaria para ele? Eu poderia repetir palavra por palavra o que ele me disse? — Não agora. — Eu disse fechando meus olhos e tomando uma respiração profunda. Parecia que desde o instante em que eu conversei com o perseguidor dela meus pulmões não estavam recebendo ar suficiente. Eu só precisava de um pouco mais de tempo assim, com ela em meus braços e fingindo que o resto do mundo não existia.
— Mas... — Ela iria protestar. Ela não seria a minha Felicity se não protestasse.
— Tudo bem por aqui? — Escutei a voz feminina adentrar no apartamento e o som de porta sendo aberta, nós três seguimos até a sala e eu fiquei grato por ter um motivo para desviar meu olhar do de Felicity, e atrasar por um pouco mais de tempo suas perguntas.
— Estão todos bem, Sara. — Garanti, embora Sara olhasse para mim de um modo estranho.
— Ótimo. — falou, caminhando e se jogando displicente em um dos sofás, fiz o mesmo que ela sentando em uma poltrona e puxando Felicity para o meu colo. Diggle permaneceu de pé, braços cruzados nos encarando. Eu sabia que ele estava esperando por um relatório completo da minha estúpida missão, mas eu ainda estava com raiva demais para focar nisso e repetir tudo o que havia acontecido. Eu falaria com ele amanhã ou ele poderia se inteirar com Sara. — Parece que houve uma espécie de curto circuito ou algo assim, por isso a queda de energia. De toda forma eu já informei a todos na delegacia e providências já estão sendo tomadas, nós ficaremos com o telefone de Felicity, então você precisará de um novo. Antes que eu me esqueça, foi designada uma viatura para ficar lado de fora do prédio e eles ficarão por toda a noite. — Tentei lançar um sorriso agradecido à Sara por ter resolvido todos esse pequenos problemas, mas Felicity olhava para mim esperando que eu explicasse o que havia acontecido, bem como Diggle.
— Diggle, você pode se inteirar sobre o que aconteceu com Sara, eu preciso de um banho e me livrar do peso desse dia e falo com vocês dois amanhã. — Falei pausadamente, deixando claro que aquela era deixa para que os dois fossem embora. — Felicity precisa descansar. — Finalizei recebendo um olhar ultrajado dela.
— Porque você não quer me dizer o que aconteceu, Oliver? — Felicity me perguntou seus olhos azuis vindo temerosos e aguçados em minha direção. Eu abri minha boca, mas eu não sabia o que dizer a ela.
— Foi tudo um grande desastre. — Respondi resumindo a situação, eu não estava a fim de falar de como meu plano tinha sido estúpido, não queria conversar com ela sobre o meu fracasso e como o perseguidor dela havia brincado comigo desde o início. E eu principalmente não queria contar sobre minha conversa com o Floyd Lawton. Eu queria um momento para protegê-la disso, um momento para convencê-la de que eu era o suficiente para garantir-lhe a segurança, um momento para convencer a mim mesmo de que eu era suficiente.
— O que especificamente deu errado? — Felicity insistiu, tentando obter muito mais do que eu estava disposto a dar.
— É apenas isso o que você precisa saber. — eu dei de ombros e percebi naquele momento que aquela tinha sido a resposta errada a dar, Felicity se ergueu do meu colo colocando as mãos na cintura e lançando o seu olhar furioso para mim.
— Oliver Queen, acho bom você me dizer exatamente o que aconteceu. — Exigiu.
— Eu já disse tudo! — Devolvi praticamente gritando enquanto me erguia e ficava de frente para ela. Era impossível não notar o quanto eu estava irritado, senti Felicity se retrair por um momento com o meu comportamento tão erradico, mas em minha defesa eu estava irritado comigo mesmo, com minha ineficiência em colocar Floyd Lawton na prisão e mantê-la segura e isso me tirava do sério. — Quer que eu esmiúce para você cada passo do meu fracasso? O quão tolo eu fui? Ou que enquanto eu estava lá naquela boate acreditando que iria livrá-la desse cretino de uma vez por todas, tudo o que eu fiz foi me manter distante de você e permitir que ele se aproximasse ainda mais? — exclamei deixando a raiva sair de mim e direcionando ela a pessoa errada. Fechei meus olhos e enchi meus pulmões com uma inspiração longa e profunda ao perceber o que eu estava fazendo. Eu não queria perder o controle com Felicity, mas toda a situação estava me deixando no limite. — Esqueça. — Falei dando-lhe as costas.
— Oliver... — Sua mão segurou a minha enquanto Felicity dizia meu nome num tom condescendente, mas eu não queria sua benevolência, eu não merecia, eu havia falhado com ela e eu precisava de um momento longe apenas para me acalmar e não atacá-la de forma tão injusta. — Não é sua culpa. — Felicity disse docemente, fazendo a maldita raiva dar voltas dentro de mim.
— Não é minha culpa, mas era meu dever e eu fracassei. — Falei duramente permitindo que meus passos me levasse para longe dela. Eu sequer conseguia encará-la sem sentir raiva de mim mesmo.
— Ele está sobre uma grande pressão, Felicity. Lhe dê algum tempo, Oliver não está acostumado a sentir isso. — Eu ainda estava no corredor quando escutei as palavras de apoio de Sara para Felicity.
— O fracasso? — Felicity perguntou, e eu parei a porta do meu quarto prestando atenção a conversa.
— Não, ele não está acostumando a se sentir tão ligado emocionalmente a alguém, a ter esse alguém correndo o risco de lhe ser tirado a qualquer momento. — bati a porta do quarto com força e caminhei para o banheiro, eu não queria escutar mais nada. Sara estava certa, meus sentimentos por Felicity deixavam toda a situação muito mais complicada.
***
Felicity Smoak
Oliver não estava bem. E se ele não estava bem, eu por extensão também não estava. Eu não gostava de tê-lo me afastando, e principalmente eu não gostava de saber o quanto essa parte da minha vida estava afetando a nós dois. Era tudo uma grande bagunça, eu nunca deveria ter permitido que Oliver se envolvesse tanto nesse aspecto da minha vida. Eu deveria tê-lo protegido da perversidade de Lawton, ter deixado que para Oliver nossa relação não tivesse sido nada além do que sexo. Eu deveria ter protegido os sentimentos dele.
— Talvez Oliver não devesse trabalhar no meu caso. — Sugeri um pouco incerta depois de ouvir Oliver bater a porta do quarto com tanta força que senti o apartamento inteiro estremecer. — Você pode falar com seu pai, Sara? Pedir para tirar Oliver disso? – Tentei, aquela era a melhor solução que eu havia encontrado. Sara me olhava descrente enquanto Diggle deu um meio sorriso e balançou a cabeça.
— Isso não daria certo. Ninguém conseguiria tirar Oliver desse caso, Felicity, nem que houvesse uma ordem direta para que ele ficasse afastado. Eu o conheço faz pouco tempo, mas já percebi que ele não é o tipo de policial que recua e corre quando as coisas ficam complicadas. Oliver é um lutador, ele irá até o fim disso porque é o certo a se fazer. E além disso ele está envolvido demais, você é importante demais para ele. Acha que ele simplesmente cruzaria os braços e esperaria enquanto nós trabalhamos para pegar esse cara? – Bufei ao escutar as palavras sábias de Diggle, eu estava ciente do quanto Oliver era teimoso, não importa quem ditasse as regras, ele as quebraria e continuaria fazendo tudo da forma que ele quer. E Diggle estava certo, Oliver estava envolvido demais comigo, no meu caso, e ele era obstinado demais, tentar fazê-lo desistir seria impossível.
— O que aconteceu hoje a noite, Sara? O que deixou ele tão fora de si? — Eu sabia que era golpe baixo pegar a informação com Sara, mas era óbvio que Oliver estava incomodado demais com aquilo e não iria me dizer. Ela mordeu a boca, ponderando se deveria ou não me contar.
— Floyd ligou para Oliver. — ela falou de uma única vez. O nome veio inesperadamente causando-me uma sensação ruim, eu não gostava de ouvi-lo, eu evitava até mesmo pensar nele, mas tentei não demonstrar isso a Sara. Eu estava mais preocupada com Oliver, com o que Floyd pode ter dito a ele, eu sabia com toda a certeza que vindo daquele homem só poderia ser algo sórdido. — Quero dizer, ele ligou para o seu celular, mas ele sabia que estava com Oliver. Eu não sei ao certo o que ele disse, mas foi o suficiente para deixar Oliver desesperado — Explicou, como se lesse a minha mente – E também teve a foto... – Sara abruptamente calando a boca como se temesse ter dito o que não deveria.
— Que foto?
— Eu não deveria ter dito isso. – Repreendeu a si mesma.
— Sara?
— Converse com ele, Felicity, eu conheço Oliver, ele está frustrado no momento e tudo o que ele precisa é estar com você para mostrá-lo que ele não perdeu o que mais importa.
— Eu acho que ele deixou bem claro que quer ficar sozinho. — Lembrei-me da violência com a qual ele havia batido a porta, aquela era uma mensagem clara.
— Eu nunca disse que ele era inteligente. — piscou com um pouco de humor para mim — O que Oliver acha que precisa, não é necessariamente o que vai fazer ele melhor. Faça ele se sentir melhor. — Pediu, colocando ambas as mãos sobre meus ombros, seu olhar tinha uma intensidade um pouco brincalhona que deixava claro o que ela realmente queria dizer — Lembre-o do que ele ainda tem, do que ele não quer perder.
— Você é tão sutil, Sara. — Ela riu, e eu senti o clima ficar um pouco mais leve.
— Eu acho que devemos ir. — Diggle se pronunciou nos interrompendo após checar uma mensagem no celular parecendo sério e compenetrado. Sara assentiu, o acompanhando. — Se algo acontecer ou você precisar de algo, é só ligar, estaremos a postos.
— Não se preocupem, Oliver está aqui comigo. — Falei, sabendo que isso resolvia tudo. Oliver podia estar sendo muito duro consigo mesmo nessa tarefa de querer me proteger vinte e quatro horas por dia, mas eu sabia que enquanto eu estivesse com ele, tudo ficaria bem. Eu me sentia segura com ele, como eu jamais me senti com qualquer outra pessoa.
Depois que Sara e Diggle partiram eu caminhei para o quarto de Oliver, nós dois precisávamos conversar, ele estava muito enganado se acreditava que nosso relacionamento iria funcionar desse modo. Ele ficou ao meu lado enquanto eu dividi meus medos, ele se prontificou a lutar minhas batalhas, ele me abraçou quando eu estava triste e secou minhas lágrimas. Ele me mostrou o quanto é importante ter alguém ao seu lado nos momentos difíceis, eu não o deixaria me afastar no primeiro obstáculo.
Estávamos juntos nisso.
Abri a porta do quarto decidida a romper a distância que ele impôs, mas Oliver não estava lá e então caminhei em direção ao banheiro de onde eu escutei o som do chuveiro ligado, a porta estava aberta, o fluxo de vapor que saía dela me dizia que Oliver estava debaixo daquele chuveiro por um longo tempo. Entrei no banheiro o mais silenciosamente possível e tentei não me abalar com a visão do seu corpo nu.
Como se isso fosse possível. Bastou vê-lo para que cada parte de mim se tornasse ciente da sua presença e me fazer quente e excitada. Era irracional a resposta efusiva do meu corpo ao dele.
— Felicity, não agora. — Oliver disse sendo ríspido, sem sequer se virar ele apenas se manteve de costas para mim, como se lutasse consigo mesmo para não me olhar. Eu teria me questionado sobre como ele havia percebido a minha presença quando eu havia sido tão cuidadosa, mas meus pensamentos estavam desordenados demais. Tudo o que eu via era a tensão presente em cada músculo das suas costas onde as gotas de água quente caiam e escorriam desenhando linhas em seu corpo perfeito. Eu via as veias dos seus braços estufadas enquanto seus dedos estavam fortemente presos em seus cabelos. Sua testa estava colada contra a parede e a respiração saía em lufadas, eu não vi seu rosto, mas eu sabia que seus olhos estavam fechados, eu sabia que ele está sofrendo, e vê-lo assim era mais do que eu podia suportar.
Eu precisava tirar isso dele.
Eu queria fazê-lo se sentir melhor.
Então eu fiz a única coisa que imaginei que pudesse tirar um pouco da dor dele.
Tirei minhas roupas silenciosamente deixando-as cair no chão do banheiro, abri a porta do box e me coloquei debaixo do chuveiro, abraçando-o por trás, as gotas quentes caíam sobre as minhas costas agora, meus dedos se prendendo em seu tórax com uma força e necessidade que até eu mesma desconhecia seu corpo estremeceu com o contato inesperado. Oliver inspirou uma grande quantidade de ar e expirou pela boca, várias vezes seguidas, ele não se movimentou, apenas se esforçou para permanecer rígido, mas mesmo assim eu não o soltei.
Aos poucos eu sentia a tensão do corpo dele diminuir.
— O que eu faço com você? — As palavras saíram de sua boca com uma nota de frustração que me incomodou.
— Eu posso pensar em várias coisas. — Sussurrei contra suas costas sem deixar seu tom me abater, roçando meus lábios por sobre a pele quente do seu ombro, e Oliver conteve um suspiro.
— Eu não estou bem, amor. — confessou se esforçando muito para ser suave, mas seu corpo ainda estava rígido, as palavras soaram duras ainda que ele tenha me chamado de amor para amenizar. — Eu estou com muita raiva, e eu não quero descontá-la em você. Espere eu acalmar um pouco da fúria dentro de mim que falo com você em seguida.
Era claro que Oliver estava me dispensando. Eu não disse mais nada, mas me recusei a deixá-lo. Apenas deslizei minhas mãos suavemente ao longo seu tórax úmido, meus dedos acariciando prazerosamente a musculatura rígida do abdômen dele, descendo cada vez mais para o sul até encontrar seu membro ereto e completamente excitado e tomá-lo em torno de minhas mãos enquanto minha boca se ocupava em beijar suas costas, sugando as gotas quentes da água que molhavam a nós dois.
Oliver deixou escapar um gemido audível.
— O que está fazendo, Felicity? – Ele perguntou com a voz entrecortada, Oliver estava lutando contra o meu toque, lutando contra o prazer que eu queria dá-lo.
— Eu pensei que fosse óbvio. – apontei, enquanto meus dedos subiram e acariciaram a ponta do seu pênis e Oliver grunhiu de uma forma quase selvagem.
— Eu não posso ter sexo com você agora! – Refutou irritado consigo mesmo, retirando minhas mãos dele e segurando-as com as suas no lado de seu corpo, impedindo que eu tornasse a tocá-lo em qualquer outro lugar. Seu tórax subia e descia, o ar saía de sua boca soprando com violência o vapor mostrando-me o quanto a respiração dele estava irregular — Eu ainda estou com muita raiva, eu não serei capaz de ser gentil com você.
— Eu não preciso que seja gentil, eu só preciso que seja você, eu preciso de você. — Eu disse. – Eu não preciso do seu carinho, eu preciso apenas sentir que nada entre nós mudou, que seja lá o que ele disse a você essa noite, isso não alterou o que sentimos. Ainda somos nós e ainda estamos juntos, queimando um pelo outro ainda que o mundo esteja desabando lá fora. – Desabafei, deixando aquela parte insegura de mim transparecesse.
— Como se pudesse ser diferente disso. – Oliver balançou a cabeça em negação e então virou-se de frente para mim, e eu finalmente pude ver o fogo volátil queimando em seus olhos. Era o fogo da raiva, pura e incandescente misturado à um tipo de fogo que eu conhecia bem. Desejo. Eu via o conflito em seu rosto, eu via que havia algo o deixando furioso e com medo, mas ele ainda era meu Oliver, ele me queria e eu não iria perdê-lo. Não importava o quão complicada as coisas eram entre nós.
— Oliver... – Chamei seu nome, e nossa sintonia era tanta que apenas de ouvi-lo Oliver compreendia o que eu queria e precisava dele.
— É tão difícil ficar longe de você quando tudo o que eu mais preciso é sentir seu cheiro, seu calor, ter você inteira para mim. – Ele disse, rompendo a distância entre nossos lábios com certa brusquidão. Sua boca molhada assaltou a minha com ferocidade, seu corpo empurrou o meu contra o box frio sem me dar chance de recuar, de qualquer modo, eu nunca queria me afastar dele, havia um magnetismo em Oliver, algo que estava sempre me puxando para ele por mais que eu estivesse disposta a fugir, essa atração entre nós era mais forte. Eu pressionei meu corpo empurrando-o ainda mais para o de Oliver, permitindo que cada parte de mim estivesse intimamente colada nele.
Oliver me beijava como se ele precisasse de mim para respirar. Ele não havia mentido sobre o fato de não poder ser gentil, sua boca estava exigente na minha sugando os lábios, entrelaçando as línguas, movendo-se com dominação, como se exigisse minha rendição naquele beijo.
Suas mãos não estavam diferentes de seu beijo passional. Elas se moviam pelo meu corpo com tanta pressa e impaciência que pareciam estar por toda a parte, apertando-me com força, deslizando com sensualidade, tocando-me de um jeito erótico que me enlouquecia arrancando-me suspiros e gemidos de prazer. Sempre houve algo de possessivo em Oliver, mas agora tudo nele gritava isso, era um lado mais selvagem e desesperado de Oliver que eu não estava acostumada a lidar, pelo menos não com tanta intensidade.
— Diga que é minha. – ele exigiu contra meus lábios, suas mãos se apertavam em minha bunda, me pressionando contra a evidente excitação dele.
— Eu sou sua, Oliver. – Assumi a realidade, desejando que isso fosse capaz de acalmá-lo. Mas não, seus olhos pareceram queimar ainda mais e ele me ergueu pressionando meu corpo contra o vidro frio que contrastava com o calor do corpo de Oliver grudado ao meu, rodeei seu corpo com minhas pernas garantindo-me de que estava o mais próxima dele possível. Afundei meus dedos em seus cabelos curtos tentando puxá-lo para mim, querendo me perder em seu beijo mais uma vez.
Mas Oliver brincava comigo.
Ele me provocava aproximando sua boca o suficiente para que eu sentisse o roçar leve de seus lábios ou até mesmo o toque sensual de sua língua quente, fazendo-me inclinar desejosa para ele. Seus olhos estavam abertos, olhando-me profundamente, parecendo satisfeitos por perceberem o quão sedenta por ele eu estava.
E quando eu menos esperava num movimento rápido Oliver me penetrou de uma única vez, sem aviso. Eu apenas o senti me invadindo, exigindo o seu espaço dentro de mim e tudo o que pude fazer foi arfar em plena satisfação. Oliver gastou meio segundo observando orgulhoso a expressão de puro deleite em meu rosto e então aproveitou-se de meus lábios entreabertos para invadir minha boca novamente, seu beijo possessivo e exigente tomando tudo de mim.
Ele não mentiu, ele não estava sendo gentil.
As suas estocadas iam e viam cada vez mais profundas e rápidas, não houve tempo para beijos lentos ou toques de carinho. Aquilo era sexo puro e passional, sexo necessitado e desesperado, e até mesmo um pouco bruto. A intensidade das investidas de Oliver era tanta que meu corpo escorregava pelo vidro do box úmido indo de baixo para cima com fluidez, e eu temia que a qualquer momento pudéssemos quebrá-lo tamanha era a força que empregávamos no ato.
Eu me permiti me perder e ao mesmo tempo me encontrar nos braços de Oliver. Por mais passional e urgente que o sexo estava sendo, isso não mudava o quanto apenas ter o corpo dele unido ao meu me afetava física e emocionalmente.
Oliver era meu.
Eu era dele.
Nada mudaria isso.
Uma das mãos dele deixou seu lugar em minha coxa deslizando entre nós e massageando meu ponto sensível. Eu não ia durar muito tempo depois disso, meu corpo já dava indícios da familiar onda de prazer que começava a se espalhar por meu corpo.
— Não morda o próprio lábio, amor. – Oliver me disse com sua voz sensual, sua língua deslizando ao longo de meus lábios deixando-me desejosa pelo seu beijo — Se quer morder algo enquanto a faço gozar sinta-se livre para morder qualquer parte do meu corpo, sou todo seu. — Seus olhos brilhavam para mim demonstrando a excitação que havia neles.
E foi o que fiz quando senti os primeiros tremores do orgasmo. Eu inclinei meu corpo para frente deixando a cabeça cair na curva do pescoço dele e prendi meus dentes na pele, extravasando toda a força e intensidade do prazer que eu senti naquele ato. Oliver não durou muito depois disso, ele perdeu o controle e depois de algumas fortes estocadas eu o senti explodir dentro de mim, um grunhido gutural saindo de seus lábios, seu corpo comprimindo o meu com ainda mais força contra o vidro.
Eu ainda estava ofegante nos braços de Oliver quando ele me desceu de seu colo, minhas pernas não encontravam sustentação e precisei me apoiar nele para não cair. Ele por sua vez enlaçou-me pela cintura e começou a me beijar lentamente enquanto me arrastava para debaixo do chuveiro com ele.
Eu senti meu corpo relaxar um pouco debaixo da água quente, auxiliado pelas mãos dele que faziam um caminho exploratório por minhas costas e nádegas, enquanto sua boca seguia dominando a minha num beijo lentamente erótico. Naquele momento só havia Oliver e eu, degustando do prazer e conforto de estar nos braços um do outro, provando e sentindo todas as sensações. Oliver segurou firme em minha bunda, puxando-o meu corpo ainda mais para si, fazendo-me perceber que ele já estava excitado de novo.
Eu desci minhas mãos por seu torso, desejando tocá-lo e lhe dar prazer, mas Oliver foi mais rápido do que eu e me virou de costas para ele. Seus lábios deslizando por minha nunca e ombro, sugando a pele molhada, deixando-me completamente a mercê dele.
— Espalme suas mãos no box, amor. — Oliver sussurrou em meu ouvido mordendo de uma maneira indecente o lóbulo da orelha. Fiz como Oliver pediu, eu não era fã de transar de costas me passava a ideia de impessoalidade, mas quando olhei por sobre o ombro e vi as chamas crepitando em seus olhos e o quanto ele parecia ansioso com a nova posição, eu apenas relaxei.
— Assim? — perguntei num tom inocente, ao espalmar minhas mãos no vidro curvando um pouco o corpo para frente.
— Não. — ele negou acariciando as minhas costas, suas mãos descendo por minhas pernas, abrindo-as da maneira que ele queria. Ofeguei, o ar quente batendo contra o box deixando-o ainda mais embaçado quando senti os dedos de Oliver percorrerem por minha intimidade, deixando-me molhada. — É assim. — Ele disse se posicionando atrás de mim e então voltou a me penetrar, tão profundamente quanto era possível. A primeira transa tinha sido marcada pela pura e desesperada necessidade, mas a segunda parecia ter um teor mais erótico. Era como uma dança sensual que começava com movimentos suaves e deliberadamente lentos, mas que gradualmente ia se tornando mais intensa e forte, aumentando a libido e construindo o prazer aos poucos. Oliver entrava e saía de mim seguindo o ritmo dessa dança apenas conhecida por nós dois, suas mãos acariciavam meu corpo, massageando as costas, subindo sobre o meu ventre até chegar aos meus seios onde iniciaram uma longa e deliciosa tortura.
Eu queria tocá-lo em retorno, eu queria devolver-lhe o prazer que ele me dava, mas a posição não me permitia. Não vou negar, havia algo de excitante em não ser capaz de fazê-lo, em estar refém apenas das mãos habilidosas dele.
Só então eu percebi. A primeira vez tinha sido sobre o prazer de Oliver, tinha sido para Oliver se acalmar e perceber que nada iria mudar as coisas entre nós. A segunda ele estava dando para mim. Por isso o estímulo lento, por isso Oliver tocava-me até deixar-me na borda e então recomeçava a tortura.
Mas a dança aos poucos caminhava para o ápice final. Oliver inclinou seu corpo sobre o meu, e eu suspirei contente por ter mais contato com a pele dele, suas mãos desceram para a minha cintura e ele começou a se movimentar muito mais rápido dentro de mim. Seu rosto se escondeu na curva do pescoço, onde seus lábios provocavam-me.
— Vamos combinar as marcas. — Ele disse ofegante muito próximo ao próprio clímax e antes que eu me desse conta ele apertou os dentes em meu pescoço no mesmo lugar em que eu havia mordido o dele, eu me perdi enquanto o momento de dor se misturava ao prazer e Oliver me segurou pela cintura impedindo que a intensidade daquele orgasmo me fizesse cair ao chão.
Nós praticamente gozamos ao mesmo tempo.
— Isso foi... — Eu não consegui completar, meu corpo ainda estava trêmulo exibindo resquícios daquele momento de prazer.
— Eu sei. — Ele concordou ofegante, enquanto saía de dentro de mim e me puxava fazendo-me encostar em seu corpo. Eu sentia a pulsação acelerada, a respiração quente dele em meu ouvido, sua língua morna e aveludada circundando a marca que ele acabara de fazer ali, quando dei por mim a mão dele estava novamente deslizando pelo meu corpo dessa vez acompanhada do sabonete.
— Eu não sei se aguento uma terceira vez, Oliver. — eu falei antes que Oliver tivesse a ideia de me colocar em uma nova posição, eu precisaria de um tempo para me recuperar. Mas para a minha surpresa Oliver simplesmente gargalhou ao ouvir minhas palavras e meu coração se alegrou ao ouvir esse som, girei-me em seus braços e ergui meu rosto para o dele fitando seus olhos azuis muito mais leves.
— Eu só quero tomar um banho com você. — Ele disse com um belo sorriso nos lábios, seus dedos tirando uma mecha molhada da frente do meu rosto e colocando-a atrás da minha orelha.
Apenas tomar banho com Oliver foi uma das experiências mais sensuais que já vivenciei. Havia algo de excitante em ter as mãos grandes dele passando o sabonete em meu corpo, o jeito como cada toque me excitava mesmo que essa não fosse a intenção. Ou talvez fosse, Oliver não era do tipo que agia sem segundas intenções.
— Se sentindo melhor? — Perguntei, assim que deixamos o chuveiro e nos enrolávamos nas toalhas.
— Melhor? Tente algo como completamente em êxtase que terá sua resposta. – Ele sorriu um daqueles sorrisos de pura satisfação sexual que eu conhecia bem, afinal eu estampava um exatamente igual. Mas de repente seu sorriso se desfez, seu semblante se tornou mais sério como se a constatação de algo parecesse o deixar incomodado — Você não fez sexo apenas para me acalmar, fez?
— Por favor, Oliver! Eu acho que já deixei bem claro que você acende um lado diferente de mim, eu perco o controle e simplesmente não consigo resistir a tudo isso. — Indiquei o corpo dele precariamente vestido apenas com uma toalha enrolada ao redor da cintura. Oliver pareceu reticente com a minha resposta, e eu senti a necessidade de esclarecer as coisas — Está tudo desmoronando ao nosso redor, os últimos dias foram tensos e eu apenas queria me lembrar de que ainda somos nós dois. E eu precisava de você para isso e eu acho que você também precisava um pouco de mim para acalmar a agitação dentro de você. — Ele assentiu com um pequeno sorriso, havia um significado maior por trás de seus olhos — E se estou correta, eu havia lhe prometido sexo no chuveiro. — sorri sugestivamente para ele. — E eu sempre cumpro as minhas promessas!
— Esse não conta. — Ele falou com um semblante sério.
— Como não!? Eu ainda paguei com juros! — Reclamei.
— Não conta porque é uma dívida que você tem comigo, e eu decido quando irei cobrá-la. — determinou — O de hoje foi um bônus. Um bônus muito bom, mas você ainda está em divida comigo. Não vai ser fácil se livrar de mim. — ele pontuou.
— Isso é bom, porque eu não planejo deixar você.
Eu não sei se Oliver capturou o verdadeiro significado por trás das minhas palavras. A intensidade do que eu sentia por ele, o quanto não apenas meu corpo, mas eu inteiramente precisava dele.
Eu nunca poderia deixá-lo.
Jamais.
Ele havia acordado o meu corpo para o prazer, me fez sentir como uma mulher amada e desejada. Oliver sem se dar conta abriu o meu coração, ele me ensinou a amar novamente e agora não havia mais volta.
Eu o amava.
Era um amor desesperado, intenso que parecia queimar dentro de mim e me consumir cada dia um pouco mais.
— Parece que estamos em sintonia, porque eu não posso suportar a ideia de você me deixar. — Ele disse de forma carinhosa, completamente alheio a avalanche de sentimentos que despencava dentro de mim. — Agora vamos para a cama que o dia foi agitado demais para nós dois. — Arregalei meus olhos para ele — Dormir amor, o que pensa que eu sou? Uma máquina de fazer sexo? — brincou — E eu sendo tolo o suficiente para acreditar que talvez estivesse conquistando o seu coração, mas ao que parece você apenas quer usar o meu corpinho sexy. — Seu tom continuou brincalhão, mas havia algo mais por trás de seus olhos, ele queria saber se era mais do que sexo. Ele queria que eu dissesse as palavras que eu mal admitia para mim mesma.
Eu não consegui pronunciar.
Eu tinha medo de falar em voz alta, medo de tornar tudo aquilo real demais. Eu queria guardar aquele sentimento apenas para nós dois. Seguro e protegido de todo o mal que estava sempre a nossa espreita.
— Então eu acho melhor levar esse corpinho sexy para a cama. — Tentei fazer humor, mas Oliver não riu, ele demorou alguns segundos me inspecionando e por fim esboçou um sorriso, como se entendesse o que estava acontecendo.
Eu esperava que ele tivesse lido em meus olhos as palavras que eu tanto temia dizer.
***
Eu acordei sentindo um calor conhecido no meio das minhas pernas.
Eu sempre pensei que acordar nos braços de Oliver era o melhor maneira de acordar. Eu estava muito errada.
Abri meus olhos e os direcionei para baixo onde Oliver estava. Sua respiração quente batia contra o tecido rendado da minha calcinha, seus dedos estavam encaixados nos lados dela enquanto ele a puxava para baixo, descendo por minhas pernas até que Oliver a jogou para o outro lado do quarto sem a menor cerimônia.
— Oliver... o que está fazendo? – Perguntei, já sentindo de novo a respiração quente dele contra a minha intimidade.
— Eu acordei e estava com vontade de brincar. – Respondeu como se aquilo não fosse nada demais, mas apesar da atitude blasé eu percebi em seu sorriso de canto, seu olhar brilhando em excitação na minha direção.
— Você é um safado, isso sim! — Acusei.
— E você adora isso, não é mesmo? — Deixei que um gemido respondesse por mim, quando senti Oliver deslizando um dedo em mim, apenas me testando. Ele pareceu mais do que satisfeito com a minha reação, eu via isso estampado naquele maldito sorriso de canto sedutor.
— Não seria incrível se você não tivesse que trabalhar hoje? Eu posso avisar no bar e passamos o resto do dia assim... — falou beijando a parte interna das minhas coxas, subindo cada vez mais próximo de onde eu o queria.
— Assim como? – Perguntei, eu gostava de quando ele era gráfico comigo.
— Comigo lhe dando prazer, do jeito que você mais gosta.
— Que é? — insisti e Oliver sorriu compreendendo o que eu queria.
— Minha língua em você, provando-a. — mordi os lábios quando senti sua língua quente tocando-me sensualmente, mas isso não me impediu de soltar um longo suspiro — Meus dedos dentro de você estimulando-a até que você não possa mais aguentar. — Oliver começou a carícia atrevida com seus dedos, fechei meus olhos por um momento me perdendo — e por fim você se desmanchando em minha boca. Eu sei do que você gosta amor, se quiser mais nós podemos ficar o dia inteiro assim... — Ele disse mais alguma coisa, mas era difícil me concentrar nas suas palavras quando ele usava sua língua e dedos para me provocar dessa forma tão injusta.
— Oh, sim! — Eu respondi a uma pergunta que ele me fazia, completamente alheia ao que Oliver falava. Todo o meu corpo concentrado apenas na onda de prazer que se espalhava por cada parte de mim.
Quando eu finalmente abri meus olhos e saí daquele estupor eu encarei Oliver que havia se deitado a meu lado, com a cabeça apoiada em uma das mãos. Ele me observava com um sorriso mais do que satisfeito.
— Eu recebi um maravilhoso sexo oral, então porque é você quem está exibindo o maior sorriso que já vi? — Investiguei, suspeitando do seu semblante.
— Maravilhoso foi? — ergueu uma das sobrancelhas.
— Não desconverse. — Girei-me deitando-me de lado para ficar de frente para ele.
— Não é nada amor, apenas estou contente por ter o dia todo com você. — Oliver rolou por cima de mim, nossas pernas se embaralhando, seu nariz acariciando a linha do pescoço, a respiração quente e seus pequenos beijos e mordidas quase me distraíram.
— Você acabou de me dar um orgasmo para me manipular a não ir trabalhar, não foi?
— Sim. — Respondeu exibindo um belo sorriso, sem o mínimo de arrependimento na voz. — Na verdade isso foi uma amostra grátis, eu estou barganhando, Felicity, você terá vários orgasmos se ficar comigo no apartamento hoje.
Eu queria tanto brigar com Oliver, mas eu olhava para seu rosto esperançoso e cheio de segundas intenções e eu sabia que não era sobre sexo. Ele poderia até usar isso para esconder a verdade, mas era claro para mim que isso era sobre permanecermos um pouco mais de tempo em nossa bolha particular.
Essa era a forma de Oliver, macho alfa declarado, ser doce comigo.
— Eu brigaria com você, mas estou sem forças para isso. — Ele sorriu, seu sorriso aos poucos desaparecendo quando um toque conhecido de um celular preenchia o ambiente e Oliver se ergueu da cama contrariado e caminhou até o aparelho, seu rosto se tornou muito mais sério assim que ele olhou para o nome no visor.
Eu sabia que o dia de ontem tinha sido tenso de mais para Oliver, eu sabia que teríamos apenas um pouco mais de tempo assim só para nós dois. Mas eu gostaria que pudéssemos morar nessa bolhar por um pouco mais de tempo, apenas porque eu gostava do semblante leve e despreocupado que tomava conta de Oliver quando ele estava comigo em seus braços.
Mas não se pode fugir da realidade.
Eu tentei muitas vezes, e nunca dá certo.
Ela te encontra onde quer que você se esconda e exige ser confrontada.
E então nossa pequena bolha de paz estourou.
— Bom dia capitão Lance — foi o cumprimento formal de Oliver ao atender ao telefone. Notei que as linhas do seu rosto foram ficando mais tensas, enquanto ele escutava o capitão. Em um dado momento eu pude até mesmo escutar o som dos dentes de Oliver rangendo, seja lá o que fosse, não era algo bom. — Sim senhor, estarei lá em poucos minutos. — Finalizou a ligação.
— O que foi? — Sentei-me sobre a cama e encarei Oliver esperando por informações. Ele ainda estava em débito comigo por não ter me contado exatamente o que aconteceu na noite anterior na boate, eu não o estava pressionando, mas tampouco queria que ele fizesse um hábito essa história de me esconder coisas.
— Eu tenho que ir, precisam de mim para algo. — Disse desviando os olhos de mim e andando pelo quarto pegando o primeiro par de roupa que encontrou e o vestindo.
— Então vá. — Falei cruzando os braços, meu tom ressentido chamou a atenção dele que parou, tomou uma longa respiração procurando se acalmar e só então voltou os olhos para mim, como se percebesse algo.
— Não posso deixar você sozinha. — Disse mais para si mesmo do que para mim.
— Eu não vou ficar sozinha. Há um carro da polícia na porta do prédio, eu ficarei bem. — assegurei um pouco altiva demais, detestando a posição de vítima indefessa na qual eu estava sendo posta a todo o momento. Oliver não parecia contente com a minha sugestão então lhe fiz outra — Ou se quiser eu posso ir com você.
— De jeito algum. – Negou com tanta pressa que aquilo me deixou alerta.
— O que você não está me dizendo? — ele abriu a boca, mas nada disse — Oliver Queen, não ouse esconder as coisas de mim! Eu te contei cada pedaço da minha vida, eu desnudei a minha alma para você, eu tenho direito de saber o que está acontecendo! — reclamei.
Ele respirou fundo absorvendo o meu pequeno surto.
— Você fica linda, mesmo quando está brava comigo. — Ignorei o galanteio e me mantive séria, Oliver se aproximou mais doce dessa vez colocando ambas as mãos ao redor do meu rosto — Eu lhe conto tudo assim que estiver ciente do que realmente está acontecendo. Eu não quero lhe dar meias verdades, não quero preocupá-la se não houver razão para isso.
— Mas...
— Sem “mas” Felicity. — Determinou num tom cortante — Vou pedir Sara para ficar com você, conversaremos quando eu voltar. — Foi tudo o que disse antes de colocar um singelo beijo sobre minha testa e partir, me permiti apenas cair de costas sobre a cama.
***
Eu sentei e esperei.
Porque essa era a única merda que eu podia fazer. Eu tentei tirar informações de Sara que estava bancando a minha babá, mas ela era leal demais a Oliver para deixar qualquer coisa importante escapar. Então, basicamente nosso tempo juntas se limitou a eu tentando fazê-la falar, e em contrapartida Sara me irritava fazendo provocações sobre Oliver e eu.
E ela era muito boa nisso.
— Tudo está bem por aqui? — Foi a primeira frase que ouvi assim que Oliver abriu a porta.
— Perfeito, Ollie, nós duas apenas aproveitamos o tempo juntas para conversarmos bobagens e planejarmos o casamento de vocês. — Sara levantou saltitante do sofá com um belo sorriso nos lábios — Espero que goste de rosa. — Ela piscou para ele enquanto caminhava para a saída e acenava um tchau para mim. Oliver tinha no rosto uma expressão assustada, e eu imediatamente associei ao tópico “casamento” que Sara havia jogado em nós antes de bater em retirada.
— Ela está mentindo, eu odeio rosa. — falei, tentando amenizar o que Sara havia dito e só então percebi que não havia descartado a ideia de casamento. Para minha sorte, Oliver não parecia atento a esse meu lapso, ou talvez não fosse sorte... investiguei melhor a expressão preocupada em seu semblante, ele não parecia muito presente — Oliver, o que aconteceu? — Toquei de leve seu rosto, atraindo sua atenção para mim.
— Gordon apareceu. – Essa notícia deveria me deixar radiante, mas eu olhava para o rosto de Oliver e havia algo errado nele. Eu senti um peso em meu coração, um bolor se formou em minha garganta. Não, não e não! Eu me recusava a perder mais alguém.
— Ele está morto? — Consegui perguntar num fio de voz, mas eu não tinha certeza se queria ouvir a resposta.
— Felicity, o seu tio...
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