Running Away

14 Capítulo 13 - Could you be home?


Notas iniciais
Hello! Adiantando um pouquinho a postagem porque eu sou uma autora muito boazinha! Em breve irei responder os comentários, amei cada um deles e me diverti muito com alguns! Muito obrigada pelo incentivo de vocês que estão sempre comentando e favoritando as minhas histórias :) e Martha Santos obrigada por deixar seus lindos e enormes comentários em cada capítulo dessa história, é serio amei muito ❤ Eu acho que tem uma leitora fazendo aniversário hoje... Divirta-se com esse presente! No mais, espero que curtam esse capítulo! Boa leitura!

I’ve got, my head under water

Did you steal my thunder

You steal my thunder

I’ve been, lost in the mazes

My heart locked in cages

Unlock the cages

Cus I’m like a road

Like a road that needs paving

Just like a storm

Like a storm needing shaping

Don’t care if it brakes my bones

Could you be home

Could you be safety

A place to rest my sole

Cus I’ve been on my own

For too long

(Could you be home — Heffron Drive)

Felicity Smoak

Como era possível que em tão pouco tempo eu já estivesse habituada a dormir nos braços de Oliver? Na verdade eu estava começando a criar uma estranha dependência dele. Em todos os dias em que adormeci em seu abraço quente e fui acordada por suas carícias sensuais, eu não fui assombrada por meus pesadelos constantes. A imagem dele estava se tornado nada mais do que uma assombração embaçada em minha mente que mantinha-se escondida, recolhida em um canto escuro, que a cada dia eu pensava menos.

Oliver reivindicara cada pedacinho da minha mente.

Ele era o responsável pelo sorriso despreocupado que eu ostentava em meu rosto, pelo brilho que agora eu conseguia ver em meus olhos. Eu me olhava no espelho e me surpreendia ao ver um pouco da garota que eu era antes de tantos acontecimentos ruins tirarem de mim a capacidade de ser feliz. Oliver sequer era ciente disso, mas aos poucos ele estava me ajudando a catar os pedacinhos quebrados de mim e me tornando inteira novamente.

Senti suas mãos deslizarem por minhas coxas e a pressão quente de seus lábios macios sob a pele da curvatura do pescoço. Eu sempre acordava assim, com suas mãos em meu corpo, com sua boca insaciável beijando minha pele. Às vezes Oliver nem estava buscando por sexo, ele apenas gostava de me acordar desse modo. Eu não podia reclamar, não havia melhor maneira de acordar.

— Bom dia. — Ele sussurrou enquanto mordia suavemente a pele da minha orelha, fazendo-me ronronar em seus braços.

— Bom dia. — devolvi enquanto girava preguiçosamente dentro do abraço de Oliver, quando o fiz, senti algo frio tocar em mim — O que é...? — Busquei com minhas mãos pelo objeto que se colocava entre nós, e assim que o encontrei ergui segurando-o em meus dedos a algema prateada.

— Deveríamos repetir isso mais vezes, foi divertido. Mas eu me sentiria melhor se eu guardasse isto comigo, você é uma garota perigosa com um par de algemas na mão — Oliver falou com um sorriso safado no rosto tomando as algemas de minhas mãos, fazendo meu corpo inteiro se esquentar com aquela lembrança, eu totalmente queria repetir a noite anterior. — Então, quais serão nossos planos para hoje? — Oliver questionou, sua mão brincando distraidamente com uma mecha dos meus cabelos, fazendo-me sorrir. Eu gostava disso, dessa paz despreocupada, da ideia de fazer planos com Oliver e apenas aproveitar o tempo com ele. Eu gostava da ideia de pensar que eram nossos planos.

— Hum... O que você tem em mente? — Questionei, enquanto deixava os dedos percorrerem distraidamente o contorno de seus músculos.

— Oh não, não volte isso para mim. Você me conhece, minha mente é um lugar sujo e eu só consigo pensar em várias coisas pecaminosas para fazer com você. — insinuou, fazendo-me rir. Oliver era sim a visão do perfeito cafajeste, tudo nele gritava sexo quente e depravado, e ele gostava dessa imagem que tinha. Mas a cada dia que eu passava ao lado dele, eu desvendava uma parte diferente de Oliver. Ele era alguém que sabia ser doce e suave, ele apenas preferia mostrar a todos o seu lado mais durão, assim as pessoas não iriam querer se aproximar tanto, assim ele não corria o risco de alguém conhecê-lo tão bem, ele não corria o risco de que alguém visse aquela parte mais vulnerável que havia dentro dele.

Mas eu estava vendo.

— Eu gosto do pecado. — Comentei contra seus lábios, roçando-os levemente um no outro.

— Eu sei que gosta, sua pequena pecadora. — Ele disse respondendo a minha pequena provocação puxando meu lábio inferior entre seus dentes. Em pouco tempo, o que era para ser uma brincadeira evoluiu para um beijo mais sedento e possessivo. As mãos de Oliver não mais brincavam com as minhas, ele as havia erguido por sobre minha cabeça, enquanto o corpo dele girava se colocando sobre o meu, minhas pernas se entrelaçando ao redor de sua cintura.

Era engraçada a forma como nossos corpos já se reconheciam, como se encaixavam e pareciam responder um ao outro sem que eu sequer tivesse que pensar. Era apenas natural.

Nosso beijo seguia sem que Oliver demonstrasse pressa em evoluí-lo, ele apenas o aproveitava sem pressa, pois sabia que tínhamos tempo para isso. Ou ao menos pensamos que tínhamos, já que o telefone de Oliver começou a tocar alto. Observei o momento em que Oliver relutantemente deixou a cama e seguiu o som do aparelho, o encontrando dentro do bolso da sua calça que estava jogada ao chão. Suas sobrancelhas se uniram ao olhar para a tela.

Entranhei a forma como Oliver atendeu ao telefone. De um jeito mais sério e respeitoso, era um lado dele que eu não costumava ver com frequência.

— Era o capitão Lance. — Explicou assim que desligou o aparelho. — Ele revogou a minha suspensão, quer que eu volte a trabalhar ainda hoje. Mais precisamente quer que eu esteja na delegacia em vinte minutos.

— Isso é bom, não é?

— Eu tinha planos muito interessantes para o dia de hoje... — insinuou — Mas ele quer todos os seus policiais envolvidos no caso do corpo que foi encontrando ontem naquele restaurante.

— Então parece que seus planos terão que ser adiados. — falei, me erguendo da cama e vestido a camisa de Oliver. Seus olhos seguiram meus dedos enquanto eu fechava todos os botões, ele parecia em conflito. — De qualquer forma, eu devo ir para o bar mais cedo hoje. — Completei. Por mais que eu amasse passar o dia na cama com Oliver, nós tínhamos nossas vidas, não podíamos parar tudo apenas para que tivéssemos mais sexo, por melhor que fosse, precisávamos criar um balanço.

— O que me lembra... — Oliver se aproximou de mim, seus olhos parecendo alguns tons mais escuros do que o normal. — Eu não sei o tempo que ficarei na delegacia, é provável que eu não vá ao bar hoje, mas eu darei um jeito de ir te buscar. — Garantiu.

— Não atrapalhe seu trabalho por mim, eu sou perfeitamente capaz de voltar para casa sozinha, são apenas algumas quadras e... — Antes que eu sequer pudesse completar a minha sentença, senti os braços de Oliver ao redor da minha cintura, puxando-me para ele, seus lábios cobriram os meus, calando-me.

— Isso não está em discussão, amor. — determinou num tom mandão, normalmente eu reviraria os olhos para a sua atitude, mas novamente fui pega completamente de surpresa pelo modo que ele me chamara, o mais incrível é que Oliver parecia completamente alheio aquilo, como se sequer tivesse consciência da palavra tão significativa que escorregava cada vez mais frequentemente de seus lábios — Quer tomar um banho comigo? — Fez a oferta tentadora, minha mente parou de devanear voltando a prestar atenção no momento.

— Eu não acho que devemos, se eu entrar naquele chuveiro você vai se atrasar para o trabalho. — pontuei, me afastando dele, antes que suas mãos atrevidas me convencessem.

— Você ainda me deve... — Lembrou, me fazendo rir. Ele nunca se esqueceria da promessa que fiz a ele de termos sexo no chuveiro.

— Outro dia talvez? Por hora que tal se eu preparar o café enquanto você se prepara para o trabalho? — Barganhei, e vi um Oliver não muito satisfeito assentir e tomar o caminho para o banheiro.

Enquanto eu preparava o café eu me peguei analisando toda a situação entre mim e Oliver. O modo como nos comportávamos um com outro com verdadeira preocupação e cuidado, era uma grande evolução. Oliver confiava em mim, ele se expusera para mim, ele me mostrava a cada dia uma nova parte desconhecida de si mesmo. Já era hora de eu fazer o mesmo.

Suspirei. Eu contaria a ele, assim que ele voltasse do trabalho.

— Há algo errado? — Virei-me num pulo assim que escutei sua pergunta, eu estava distraída, sequer percebi o momento que Oliver entrara na cozinha, exibindo seus cabelos molhados, calça jeans escura desbotada, blusa branca, uma jaqueta preta e seu distintivo preso junto ao cinto.

— Não. — neguei rapidamente, mais por hábito do que intenção de mentir. — Na verdade há sim. — Me corrigi, deslizando uma xícara de café para Oliver enquanto servia de uma para mim. Embora Oliver tenha pegado sua xícara, ele não fez menção de tomá-la, seus olhos estavam ocupados demais me fitando, tentando desvendar o que estava errado — Será que podemos conversar mais tarde, quando ambos estivermos em casa?

— Claro. — concedeu, não muito certo daquilo provavelmente ele deve ter visto o receio em meu olhar — Se quiser podemos conversar agora, eu ligo para o capitão Lance, e... — ofereceu, parecendo verdadeiramente preocupado.

— De jeito algum. — O interrompi com um sorriso tranquilizador, enquanto tocava de leve o seu braço. Seus olhos se perderam mais um tempo em meu rosto analisando a veracidade das minhas palavras até que por fim Oliver cedeu.

— Tudo bem, me ligue se precisar de algo. — pediu enquanto bebericava o café- E obrigada pelo café, vejo você mais tarde. — Se despediu de mim acariciando de leve minha face com seus dedos e pousando um delicado, porém significativo beijo em meus lábios antes de sair.

Seu ato me fez sorrir, eu sabia o que aquilo parecia. Eu me lembrava de ver cenas assim entre meus pais quando eu era criança. Meu pai saindo para trabalhar e se despedindo da minha mãe com um beijo singelo, era algo tão simples e caseiro, mas que fazia minha mãe sorrir de orelha à orelha. Eu nunca entendi aquilo, eu nunca tinha dado importância a isso, até vivenciá-lo.

Agora eu compreendia.

Eu havia construído uma vida aqui em Starling City. Meu trabalho, meus amigos, meu Oliver. Aos poucos eu passei a ter algo que nunca pensei que conseguiria de novo.

Um lar.

***

Ficar em casa sozinha era tedioso, por isso não me incomodei em aparecer no bar muito mais cedo do que deveria, eu teria algumas horas de conversa fiada com Helena, aguentaria suas provocações sobre Oliver, mas ao menos eu não estaria sozinha em casa. Eu deveria ter pensado melhor, eu deveria ter me agarrado ao sossego e a paz do apartamento, porque no momento em que coloquei meus pés no bar, tudo o que havia era apenas uma extensa e exaustiva discussão entre Helena e Tommy.

— Qual é o seu problema Merlyn?! Parece que falta um parafuso no seu cérebro, ou talvez falte o cérebro inteiro e só exista o parafuso! — Ela o xingava, parecendo verdadeiramente descontente com ele.

— Mas é uma ótima ideia Helena! Porque não reconhece isso? — Ele revidava tentando provar seu ponto. Notei que havia uma grande quantidade de caixas fechadas do mais variados tipos de eletrônicos espalhadas pelo bar, as mesas estavam arranjadas de um modo diferente e havia algo parecendo um poste de metal fixado bem no meio do bar.

— Olá pessoal. — Tentei cumprimentar e caminhei até eles — Alguém quer me esclarecer o que está acontecendo aqui? — Falei, apontando para a coisa de metal no meio do caminho.

— Meu adorável sócio acha que precisamos mudar as coisas no bar — Começou com um tom teatral e exibindo um sorriso que não era nada menos que irônico — Ele quer colocar algumas garotas seminuas dançando num poste no meio do bar. Não é genial?

— O quê? — Devolvi olhando direto para Tommy, não era possível que ele tivesse tido uma ideia tão idiota assim.

— Não seriam mulheres seminuas. — se explicou — Apenas dançarinas profissionais vestindo roupas mais sugestivas — Pois é, era possível que ele fosse um completo idiota. Helena revirava os olhos e balançava com a cabeça, como se apenas ouvir Tommy tivesse o poder de deixá-la irritada — Pense só na quantidade de clientes que isso atrairia e o bar anda precisando de clientes, tirando as noites de jogo isso aqui tem andado as moscas. Precisamos de uma noite diferente, “a noite do pole dance” — Ilustrou, e aquela ideia era tão ruim que eu não segurei a gargalhada.

— Isto é um bar Tommy, não uma boate de strip-tease! — Helena retrucou com a paciência já esgotada, eu deduzia que eles estavam tendo aquela discussão já a um bom tempo.

— Haveria um aumento considerável na quantidade de clientes homens. — Ele insistiu.

— Sim, enquanto as mulheres não iriam nem passar na porta do bar. — Comentei sentando-me em uma cadeira, aquela discussão ainda iria render e era melhor eu ficar confortável.

— Era suposto que você me desse mais apoio Felicity. — Tommy pareceu chateado por eu estar do lado de Helena naquela, ele me lançou um olhar significativa e então me lembrei da minha promessa de ajudá-lo com Helena. Isso não incluía concordar com ele quando ele fosse idiota, incluía?

— Me desculpe Tommy, mas acho que você ultrapassou um pouquinho dos limites. — tentei explicar de um modo suave — O que é isso? — Perguntei observando a caixa sobre a mesa em que eu estava sentada.

— Isto seria para a noite do Karaokê. — Explicou simplesmente.

— A noite de Karaokê parece uma boa ideia. — Falei e Tommy abriu um sorriso para Helena com aquele ar “Eu não te disse?”.

— Vai ficar do lado dele agora? — Helena virou lançando seu olhar mortal e ao mesmo tempo que dizia “você é minha amiga tem obrigação moral de ficar do meu lado”.

— Oh por Deus, Helena, não me faça ser a criança que tem que escolher com qual pai quer ficar em um divórcio. Tommy tem razão. — Vi Helena bufar ao escutar a minha frase — O movimento do bar caiu muito precisamos de algo que atraia mais clientes, e uma noite de Karaokê pode atrair muitos grupos de amigos.

— Ótimo! Noites de karaokê nas quintas. — Decretou vencida. — Eu vou trabalhar nos panfletos de divulgação, e quando eu voltar eu não quero ver esse poste de pole dance no meio do meu bar, Thommas Merlyn — Foi incisiva.

Nosso bar. — Tommy a corrigiu, fazendo Helena fechar os olhos fortemente como se lutasse contra o impulso interno de matá-lo, para sorte de Tommy Helena havia se controlado, exibiu um sorriso forçado e logo em seguida deu as costas deixando nós dois sozinhos.

— Ganhamos uma batalha. — Tommy comemorou puxou uma cadeira ao meu lado e ergueu a mão no ar esperando que eu batesse, até que notou meu olhar confuso na sua direção. — O quê? Fazer Helena reconhecer que eu posso ter boas ideias para o bar é o primeiro passo da minha lista “Nove passos para reconquistar Helena Bertinelli”.

— Você só precisa de nove? — brinquei, mas fiquei surpresa no momento em que Tommy retirou um papel do bolso pegou uma caneta que estava jogada sobre a mesa e riscou o item número 1, ele realmente havia feito uma lista. — A seis vai ser difícil. — comentei ao ler o papel por cima do seu ombro.

— É por isso que vou precisar da sua ajuda. — piscou seus olhinhos para mim com a melhor carinha de cachorro que se perdeu na mudança.

— Eu acho que sua preocupação maior deveria ser se livrar deste poste de pole dance antes que Helena volte, ou então ela sequer te dará a chance de tentar cumprir os outros passos. — Apontei, Tommy suspirou resignado e se levantou já começando a tentar a tirar aquela coisa dali. Mas eu estava decidida ajudar Tommy, mesmo que a história do passado deles fosse complicada, mesmo que ele conseguisse ser um completo idiota às vezes, simplesmente porque o último item da lista dele me fez sorrir e sentir uma imensa compaixão:

“9) Se nada der certo, amá-la ainda que ela me odeie.”

***

O movimento do bar foi novamente fraco aquela noite. E como Oliver já havia me avisado ele não apareceu. O que de certa forma era um alívio, já que eu recebi algumas cantadas bem diretas que eu tinha certeza o deixariam muito estressado. Havia apenas mais um cliente, e Helena já havia me dispensado pela noite, mas eu resolvi puxar um banco próximo a Tommy enquanto esperava por Oliver.

— Loirinha, se quiser eu posso te levar em casa. — Tommy ofereceu amigavelmente após me ver tentar sem sucesso ligar meu celular que havia ficado sem bateria — Contando que você me garanta que seu namorado não vai tentar me bater por isso.

— Eu não posso garantir isso. — sorri para ele.

— Ok, ainda assim acho que eu correrei o risco. — Dramatizou como se fosse um grande sacrifício.

— Não se preocupe Tommy, eu irei esperar um pouco e se Oliver não aparecer eu vou para casa sozinha, é relativamente perto. — Expliquei num tom tranquilizador.

— Ainda assim, não acho que é uma boa ideia. — resmungou.

— Se esqueça de mim, vamos falar sobre Helena. — propus — Ela ainda está irritada com você pela ideia do pole dance. — Comentei, ao ver o olhar que Helena lançava na direção de Tommy e que seguia sempre de um suspiro exasperado.

— Eu sei. — Comentou contendo um sorriso.

— E com razão, porque foi a ideia mais estúpida que eu já ouvi. — O repreendi.

— Eu sei. — Seu sorriso se tornou muito maior e contente, fazendo-me perceber algo: Tommy não era bobo, ele sabia desde o início que Helena iria odiar aquela ideia ridícula do pole dance.

— Então, se você sabia que a ideia era uma merda por que foi idiota o suficiente para sugeri-la? — Perguntei ao mesmo tempo em que dei um tapa eu seu ombro, fazendo-o gritar um “ai” e depois massagear o local.

— Porque pelo menos quando ela está irritada comigo, ela grita, discute comigo, me xinga. Deixá-la irritada é o único meio de fazê-la reagir a mim de alguma forma. — Explicou.

— Oh. Você é muito inteligente às vezes Tommy. — Não contive o tom surpreso.

— Eu sei. — Ele riu.

— E irritante. — juntei-me ao seu riso.

— É uma das minhas maiores qualidades. — Comentou com seu usual charme convencido enquanto passava os dedos por seus cabelos escuros, seu olhar se perdendo de repente, seguindo as linhas do corpo de Helena. E o jeito que ele a fitava entregava tudo, ele estava completamente caidinho por ela, chegava a ser patético.

— Mas que tal tentar algo diferente? Você já a irritou bastante eu acho que essa é uma excelente hora para você começar a trabalhar na número três “Fazê-la sorrir” — Sugeri, arrancando um sorriso de canto dele.

— Você até que é inteligente, para uma loira. — Piscou para mim.

— Eu pinto na verdade. — Soltei passando as mãos pelos fios de cabelo, eu estava cada vez mais confortável em contar pequenos detalhes sobre mim.

— Por essa eu não esperava. — Fez uma cara de surpresa. — Você arruinou o apelido que tinha para você, loirinha. — Ergui o olhar para o relógio na parede do bar e me levantei, Helena estava quase fechando, eu não poderia esperar Oliver por muito mais tempo. Levantei-me do banco sob o olhar atento de Tommy.

— Tem certeza que não quer que eu te acompanhe até em casa? — Ofereceu novamente parecendo preocupado.

— Está tudo bem. — recusei — Apenas concentre-se na número três. — Falei lançando-lhe um sorriso encorajador, me despedi com um aceno e deixei o bar. Eu queria um tempo sozinha para pensar na conversa que teria com Oliver mais tarde naquela noite, e eu o teria enquanto caminhava pela noite fria das ruas de Starling City.

***

Oliver Queen

Eu não gostava de deixar Felicity sozinha em casa, principalmente quando ela estava vestindo uma das minhas camisas. Aquelas camisas ficavam simplesmente perfeitas nela, deixavam a mostra suas belas pernas e sempre que eu a via as vestido, eu sentia uma vontade irracional de colocá-la sentada sobre a bancada da cozinha, desfazer um a um daqueles botões e então tomá-la ali mesmo. Aquela imagem parecia fodidamente perfeita para mim.

E ainda havia um bônus: sempre que eu pegava minhas camisas de volta, elas tinham o doce cheiro de Felicity.

Era irracional o que ela fazia comigo.

Seu cheiro, seu gosto, seu calor. Tudo nela me fascinava, tudo nela me provocava uma reação muito maior do que deveria. Eu não conseguia me cansar dela. Não que eu quisesse, apenas nunca tinha sido assim para mim antes, e às vezes era difícil me ajustar a intensidade de tudo aquilo. De certa forma era bom que tivéssemos um tempo separados, minha vida não poderia girar ao redor da vontade que eu tinha em ter Felicity. Eu precisava mostrar um pouco de autocontrole.

Estar de volta na delegacia trouxe aquela sensação de familiaridade e conforto. Tinham sido pouco mais de uma semana de suspensão, em outro momento eu ficaria desesperado e entediado por estar longe do meu emprego, mas dessa vez eu usei meu tempo para me dedicar a Felicity, e não havia forma de ficar entediado com ela. Isso fez minha suspensão parecer mais com um bom e muito bem aproveitado feriado prolongado.

Mas por mais que passar esse tempo com Felicity tenha sido incrível e até certo ponto esclarecedor, eu havia sentido falta daqui. Eu gostava da dinâmica, de ver meliantes sendo fichados, de ver capitão Lance gritando com os subordinados, do cheiro de café que impregnava cada parte dessa delegacia. Eu tinha me tornando um policial não apenas por influência do meu mentor, Gordon, ou porque eu queria fazer algo bom e útil com a minha vida, mas também porque parte de mim gostava da adrenalina, gostava daquela sensação de realização que passava por mim sempre que prendíamos o cara mau.

E agora eu tinha de volta o emprego que eu tanto prezava, e depois de um longo dia de trabalho eu poderia voltar para uma casa, que não era mais fria e impessoal, uma casa que agora onde morava uma loira que me tirava do sério com sua teimosia, que me excitava só de olhar para mim, mas que ao mesmo tempo tinha a capacidade de me fazer sentir bem com um único abraço. A vida parecia malditamente perfeita.

— Bom dia, Sara! — Cumprimentei Sara que girava em minha cadeira sem parar, eu não sei como ela não ficava tonta, apenas de olhá-la eu já sentia minha cabeça rodar.

— Bom dia, Sara? — Repetiu num tom incrédulo depois de parar e fitar meu rosto em busca de algo errado, suas sobrancelhas unidas levando-me a crer que ela refletia sobre o que via ali — E ainda acompanhado desse sorriso gigantesco?

— Qual o problema? — Eu ri, embora seu olhar estivesse começando a me deixar um pouco intimidado. — Eu estou apenas feliz por estar de volta. — Contei uma meia verdade. Sim, eu estava contente por poder trabalhar, mas havia outro motivo que me fazia simplesmente não parar de sorrir: Felicity.

— Quem é você e o que fez com meu amigo mal humorado, Oliver Queen? — Estreitou os olhos. — Eu devo culpar Felicity por essa incapacidade sua de não sorrir a todo tempo? Oh Deus, bastou eu falar o nome dela e seus olhos se iluminaram e o sorriso se tornou ainda maior.

— Menos, Sara. — Diminuí, mesmo sabendo que possivelmente ela estava certa quanto aquilo.

— Meu bebê cresceu, amadureceu e agora está apaixonado! Eu não consigo colocar em palavras o quanto eu estou tão orgulhosa de você! — Me parabenizou divertida enquanto se levantava da cadeira e alcançava meu cabelo o bagunçando. Eu normalmente ficaria irritado com essa atitude dela, mas Sara estava certa, eu estava tão feliz que nem mesmo isso conseguia me irritar. — Ollie, eu sei que toda essa coisa de relacionamento sério é novo para você, mas qualquer dúvida eu estou aqui, pronta para te aconselhar. — Ofereceu.

— Todos os seus relacionamentos foram um fiasco, Sara. — Devolvi.

— Isso é uma difamação! — falou ultrajada — Eu sempre fui uma namorada perfeita, pode perguntar a... — Parou para pensar.

— Nyssa? A garota que era filha daquele tal de Ra’s Al Guh que prendemos ano passado, e que destruiu o seu apartamento num ataque de fúria depois que você terminou com ela por mensagem de texto? — Sara abriu a boca tentando encontrar um modo de me contestar, mas desistindo no final — Ou devo citar Leonard Snart, que se atreveu a achar que poderia colocar um anel nesse dedo e prender Sara Lance? Eu nunca vou esquecer a cara dele ajoelhado no meio da delegacia, e você dizendo aquele sonoro “não”. — Lembrei, aquele foi um dia divertido.

— Snart era um cara legal. — Defendeu.

— Assim como a ficha criminal dele. — Contrapus, me lembrando da lista longa de crimes cometidos por ele, roubos em sua maioria, mas ainda assim eram crimes. Capitão Lance quase teve um infarto quando Sara lhe apresentou o namorado.

— Você tem um ponto. — Concordou, divertida.

— Porque você sempre escolhe os caras maus? — Se eu, antes de Felicity tendia a ficar com várias mulheres, Sara era o oposto. Ela gostava de flertar, se divertia com esse jogo, mas no final da noite ela sempre acabava com o tipo de pessoa com um letreiro luminoso escrito “encrenca” e o transformava em alguém para longo prazo.

— Porque é mais fácil, Ollie. Eu sei que em algum momento eles irão me machucar, é melhor eu fazer isso antes deles. — Deu de ombros não parecendo se importar muito com aquele assunto.

— Então você simplesmente aceita a pior opção por medo de ser machucada por alguém que você possa realmente vir a gostar? — Eu não via a lógica daquilo.

— Agora você é o expert do amor? Que tal se falarmos sobre você e Felicity? Como foi o encontro ontem a noite? — Desviou deliberadamente da minha confrontação.

Eu não iria responder aquela pergunta, eu iria confrontar a minha amiga por sua péssimas escolhas amorosas. Mas naquele momento Capitão Lance entrou na sala exigindo a atenção de todos e começou a explicar detalhadamente sobre o caso em que iríamos trabalhar.

Mulher, aproximadamente 25 anos, sem identificação, causa da morte: um corte reto no pescoço. A autópsia ainda não tinha muita informação para dar, e sem a identificação da vítima nosso trabalho ficava limitado. Sara e eu nos responsabilizamos por checar as informações nos depoimentos dados, e ir ao local em que o corpo tinha sido encontrado. Já era noite e nós não tínhamos nada, provavelmente nada mudaria até que tivéssemos a identificação da pessoa. Olhei para o relógio em meu pulso, chequei as horas e decidi que eu poderia ir para casa tomar um banho e me livrar daquela sensação pesada daquele dia de trabalho intenso e infrutífero, e então eu iria ao bar buscar Felicity.

O pensamento de vê-la me atingia como uma luz clara, agradável e muito bem vinda ao final de um túnel escuro e frio. Ela era meu algo bom, ela tirava a frustração de mim, tirava a parte do meu dia que tinha sido uma merda da minha cabeça e enquanto eu estivesse com ela, eu teria um motivo para sorrir.

— Queen? Já estava indo? — Escutei o Capitão Lance me chamar no instante em que eu me preparava para ir. Virei-me ficando de frente para ele, que estava acompanhado de um homem negro, forte e que despendia um olhar analisador para mim.

— Sim, senhor. — Respondi — Estamos em um beco sem saída, precisamos esperar a autópsia e uma identificação da vítima para termos uma ideia melhor sobre qual caminho seguir nessa investigação. — Expliquei.

— Sim, sim é claro. — Lance concordou rapidamente, levando-me a crer que aquele não era o assunto que ele gostaria de falar comigo — Oliver este é... — Começou, mas o homem ao seu lado se adiantou esticando a mão para mim.

— Olá, eu sou o detetive John Diggle. — se apresentou. Correspondi ao seu aperto firme — Eu preciso falar com você em particular, é um assunto da polícia de Gotham. — Gotham. Repeti o nome em minha cabeça, de repente me lembrando de que eu havia tentado falar com Gordon há um certo tempo e ele ainda não havia me retornado. Mas acabei deixando o assunto de lado e varrendo isso para um canto da minha cabeça. Não havia um modo de lhe dizer “Ei, sabe a sua sobrinha? A que você pediu que eu cuidasse? Eu transei com ela, e continuo transando”. Eu podia imaginar com perfeição a reação nada feliz dele a isso.

— Vocês podem usar minha sala. — Lance ofereceu, fazendo-me voltar a minha atenção ao homem a minha frente e assentir, o indicando o caminho até a sala de Lance, me sentindo tenso ao fazê-lo. Aquele deveria ser um assunto importante, para Lance liberar a própria sala, e também pelo semblante sério daquele homem. Depois de nos sentarmos decidi conseguir algumas respostas.

— Isso tem algo a ver com o Comissário Gordon? — Sondei.

— Você e eles são bons amigos? — inspecionou.

— Eu devo tudo a ele. — Fui honesto. Não havia por que não ser, Gordon tinha feito as vezes de um pai para mim. — Mas o que isto tem a ver com sua vinda aqui? Sinto muito se estiver sendo rude, mas eu tenho um compromisso importante, e eu ficaria grato se pudéssemos pular a parte do rodeio, e toda essa pré-avaliação que todo policial faz, e fôssemos direto ao cerne da questão.

Diggle não pareceu surpreso com minha reação, ele apenas se curvou um pouco e retirou da pasta que ele havia colocado ao chão uma pasta parda, que parecia ser uma cópia de um inquérito policial.

— Você é uma boa pessoa senhor Queen, me desculpe se estou enrolando aqui, eu realmente prefiro formar minha opinião, antes de começar assuntos importantes. Mas ao que parece Gordon estava certo sobre você. — ergui minha sobrancelha e me remexi na cadeira, ao que parecia ele estava por intermédio de Gordon — Jim Gordon, sempre foi um excelente policial, e um comissário ainda melhor. O problema de Gordon é que ele se envolve demais em alguns casos, ou às vezes as coisas são pessoais demais e ele simplesmente não pede ajuda. — Franzi o cenho ao escutar suas palavras.

— Eu conheço Jim, eu sei o quanto ele pode ser teimoso e persistente, é isso o que o torna tão bom no que faz, ele não desiste quando as coisas ficam difíceis, ele encontra um jeito. — Senti a necessidade de defendê-lo. — Senhor Diggle, porque você realmente está aqui? — Cruzei os braços adotando uma postura mais fechada.

— Porque Gordon precisa de ajuda. — Seu tom era mais um pedido, do que uma resposta.

— Porque você está aqui pedindo isso e não ele?

— Gordon está desaparecido há pouco mais de uma semana, senhor Queen. — Demorei alguns momentos para absorver aquela informação, mas não demonstrei todo o meu abalo com aquilo. Eu sabia que as coisas podiam ficar mais perigosas nesse meio, era o nosso trabalho, conhecíamos os riscos, embora nada disso nos preparasse para momentos assim. E ainda havia Felicity, eu não sabia muito da família dela, mas eu sabia o quanto ela gostava do tio, como ela soava carinhosa e agradecida quando falava dele. Perdê-lo seria um baque e tanto para ela.

— Você tem a minha ajuda. — me apressei a garantir, me inclinando para Diggle. — Vocês tem alguma ideia de por onde começar? Que caso ele estava trabalhando? Qual a última vez que alguém o contatou...

— Eu lhe darei todas essas informações Senhor Queen, não se preocupe a polícia de Gotham está toda focada em encontrar o nosso Comissário. — Se eles estavam com a investigação sobre controle, porque esse homem estava aqui me pedindo ajuda?

— Eu confesso que estou um pouco confuso. — As mãos de Diggle se apertaram sobre os autos do inquérito policial.

— Gordon pediu que você cuidasse da sobrinha dele. Estou correto? — Perguntou para mim, seus olhos escuros pareciam preocupados.

— O que isso tem a ver com ela? — Questionei consertando minha postura e adotando um ar muito mais territorial agora que ele havia citado Felicity. Pensei ter visto um brilho rápido de diversão em seus olhos, antes dele voltar a sua postura séria e profissional.

— Nós temos uma ideia do caso que pode ter relação com o desaparecimento de Gordon — informou cauteloso — Um caso que Gordon me fez prometer informar você caso algo viesse a acontecer a ele. Eu acredito que era um modo de garantir que ela teria você para protegê-la, na falta dele. — Esclareceu, embora nada daquilo fizesse sentido para mim.

Do que ele estava falando? Proteger a quem? Felicity? E de quê?

Aceitei os autos do processo que ele me entregava ainda confuso e intrigado, e no momento em que meus olhos correram pela primeira página, a sala girou, o sangue em meu corpo bombeou mais devagar e meu coração falhou por um momento enquanto eu lia o que estava escrito ali. Tudo fez sentido. A verdade era esclarecedora, eu compreendia o motivo de Gordon ter mandando Felicity para mim, eu entendia a razão para a cautela ou falta de confiança que ela parecia ter nas pessoas. Eu entendia o porquê seu olhar parecia triste ou perdido às vezes. Inferno! Eu entendia a razão para os malditos pesadelos que a assombravam a noite.

Eu não conseguia dar vazão a intensidade de emoções que eu sentia naquele momento. Porque eram muitas, confusas, algumas indistintas outras reconhecíveis, mas todas elas em conflito dentro de mim.

Eu estava puto.

Eu estava com medo.

Eu queria encontrar o filho da puta que se atreveu a causá-la tanta dor no passado e socá-lo até que minha raiva passasse ou que sua vida chegasse ao fim, o que viesse primeiro. Eu queria escondê-la em um lugar que ele não fosse capaz de encontrá-la. E queria amá-la tanto quanto ela merecia, mostrar a ela que ainda havia coisas boas no mundo, apesar de tudo.

Eu queria brigar com ela por ter escondido algo tão importante de mim. Eu queria abraçá-la, e nunca mais soltá-la.

Eu apenas a queria.

— Eu preciso ir. — Levantei-me de supetão, eu não podia ficar ali conversando com Diggle, eu não podia não estar com Felicity.

— Mas senhor Queen... — Diggle tentou, mas eu não tinha cabeça para lidar com toda essa merda agora.

— Eu te ligo, eu apenas preciso apenas falar com ela. — Expliquei exasperado mesmo sabendo o quanto a minha explicação deve ter soado estranha aos ouvidos dele. Saí dali o mais rápido que consegui, eu vi Sara me olhar estranhando meu jeito impulsivo e me chamar, mas eu a ignorei eu tinha problemas maiores naquele momento para resolver.

Tirei meu celular do bolso e comecei a ligar para Felicity. Eu sabia que não era a melhor ideia despejar tudo nela, ainda mais agora que eu não estava sendo muito racional. Mas eu tinha essa necessidade dentro de mim, eu queria escutar a voz dela, eu tinha a impressão que talvez isso pudesse me acalmar ou menos controlar meu surto.

— Vamos Felicity, atenda, atenda... — Pedi enquanto mais uma vez minha chamada era direcionada para a caixa de mensagens. — Puta que pariu! — Xinguei apertando a porcaria do celular em minhas mãos, eu queria jogá-lo contra a parede e extravasar a raiva que me consumia, mas eu precisava mantê-lo inteiro caso ela resolvesse ligar a merda do telefone dela.

Cheguei ao bar de Helena em uma velocidade recorde, apenas para me ver ainda mais frustrado ao encontrar o lugar fechado. Chutei a maldita porta. Porque diabos era tão difícil para Felicity entender a porra do meu pedido para que me esperasse? Ou então me ligasse caso tivesse algum problema?

Ela me tirava do sério.

Eu estava ficando cada vez mais irritado.

Eu juntava a frustração a toda merda confusa de sentimentos que eu era naquele momento, a qualquer hora eu estouraria e aquilo não seria nenhum pouco bonito. Tomei meu rumo para o único lugar que eu sabia que ela tinha que estar, meu apartamento.

Não tive paciência para esperar o elevador, apenas subi as escadas o mais rápido que consegui e abri a porta desesperado.

Ela estava ali de pé na sala, tão linda e tentadora como sempre. E ela sorriu docemente assim me viu.

Felicity estava completamente alheia ao tumulto de emoções que havia causado em mim. Eu queria tanto brigar com ela, eu ainda sentia a raiva me corroendo por dentro, fazendo o meu sangue correr muito mais rápido.

Bati a porta do apartamento com força, eu ainda respirava ofegante, o coração batia dentro do peito acelerado e desesperado, não sei se porque eu havia corrido muito para chegar aqui, ou ainda porque eu estava puto demais com toda aquela situação.

Eu rompi a distância que havia entre nós, pronto para confrontá-la, pronto para explodir e me livrar de todas aquelas emoções e sentimentos que brigavam dentro de mim.

Mas tudo o que fiz quando me aproximei, quando finalmente me vi frente a frente com ela foi enlaçá-la pela cintura e puxá-la para mim em um abraço firme, deixei a pasta que tinha em minha mão cair ao chão. Mas não me importei, eu precisava senti-la. Todo o meu corpo parecia desesperadamente precisar sentir o dela, sentir que eu a tinha na segurança dos meus braços. Deixei minha cabeça cair na curva do seu pescoço onde inspirei profundamente a sua fragrância floral.

— Oliver... — ela chamou meu nome, parecendo confusa com minha reação. Mas eu ainda não estava calmo o suficiente para falar com ela, eu ainda precisava de mais dela para ter certeza de que eu não iria surtar e descontar a minha confusão nela.

Movi meus lábios por seu pescoço fazendo o caminho até sua boca.

Eu não fui cuidadoso, não fui delicado, eu apenas tomei seus lábios para mim com uma fúria quase desesperadora. Eu raspei meus dentes em seus lábios, movi minha língua sobre a dela querendo me intoxicar com seu gosto doce e viciante, eu respirei da sua respiração, eu simplesmente precisava tomar tudo dela. Mas Felicity não recuou, ela aceitou o ritmo que eu impus e correspondeu, quase como se compreendesse que eu precisava daquilo, que eu precisava ter o máximo dela que conseguisse para me sentir bem.

Era irreal o quanto um beijo dela me afetava.

E então eu suavizei a pressão de meus lábios contra os dela, minha língua seguiu provando a dela de um jeito mais carinhoso e delicado, mas nem por isso menos intenso. Aos poucos eu me sentia mais tranquilo. Eu deixei que aos poucos seu abraço abrandasse o aperto em meu coração. Eu deixei que seus lábios macios e doces sugassem para fora de mim toda a raiva e o temor que pareciam me consumir. Ela estava em meus braços agora, não importava o quanto a vida tenha sido ruim para ela, não importava toda a merda que ela teve que passar, ela estava aqui em meus braços, eu a tinha para mim. Ela era minha. E eu iria ao inferno antes de permitir que ela sentisse algo menos do que felicidade ao meu lado.

***

Felicity Smoak

Algo estava errado com Oliver.

Eu sabia disso pela forma como ele me olhou assim que chegou ao jeito desesperado e quase bruto com o qual ele tomou meus lábios para si. Ele me prendeu firme em seus braços e pareceu exigir muito mais do que um simples beijo. Sua boca moveu contra a minha faminta e urgente, eu sentia o desejo ali, crescente e intenso como sempre era entre nós dois. Mas havia algo mais, isto ia além da vontade usual de tirarmos nossas roupas e nos perdemos em momentos maravilhosos de prazer um no corpo outro.

Esse beijo não era sobre sexo, por mais que seus lábios parecessem exigentes e tomassem tudo de mim, por mais que suas mãos me mantivessem intimamente perto, ou ainda que eu pudesse sentir que Oliver estava até mesmo excitado. Isso não era sobre sua necessidade sexual.

O desespero daquele beijo era mais emocional. Quase como se Oliver precisasse me beijar para provar algo a si mesmo.

Mas vagarosamente ele suavizou o beijo até que seus lábios apenas roçassem os meus, vagarosamente o aperto de seu abraço se abrandou, porém em nenhum momento Oliver se afastou. Sua respiração quente e alterada batia contra a minha boca, e ficamos assim, presos naquele abraço por um tempo longo demais. Meu coração aos poucos deixando de bater freneticamente e apenas se confortando por ter Oliver me abraçando. Mas os batimentos de Oliver não diminuíram, eles seguiam frenéticos, acelerados, me confirmando que algo não estava certo.

Arrisquei-me a abrir os meus olhos e encarei surpresa os dele.

Tão azuis.

Tão irritados.

Tão temerosos.

Tão apaixonados.

Eu podia dizer apenas olhando em seus olhos que ele sabia. Oliver sabia sobre o meu passado. E ele não parecia nem um pouco bem com isso. Merda. Na verdade a julgar por seu olhar eu diria que havia uma parte dele que parecia muito puto.

— Você sabe. — minha constatação soou mais como uma acusação. Oliver soltou um longo e exasperado suspiro, sua mão que antes estava em minha cintura subiu se afundando em meus cabelos, puxando minha cabeça para mais perto e então ele deixou um delicado, porém significativo beijo em minha testa.

— Eu sei. — Sua voz me dizia muito para tão poucas palavras. A forma como ela parecia quebrada, como as palavras soaram tristes e sem qualquer controle, eu sabia que havia muitas emoções ali, tantas que nem mesmo Oliver parecia ciente de todas elas. — Porque você achou que não era importante que eu soubesse de um detalhe tão importante da sua vida? — Em outra voz a pergunta teria soado como uma acusação, mas era a voz de Oliver, eram os olhos de Oliver me encarando, parecendo magoados com o fato de que eu não havia dito nada.

— Eu ia te contar, Oliver. — senti necessidade de garanti-lo disso, eu confiava nele, eu precisava que ele compreendesse isso. — Eu te disse hoje pela manhã que eu precisava conversar com você, eu confio em você Oliver e eu iria te contar tudo... — Comecei de forma urgente querendo remover a mágoa de seus olhos.

— Está tudo bem, amor. — Seu toque suave deixou meus cabelos e agora estavam em meu rosto, sua fala era mansa, seu pequeno sorriso dizia-me que ele queria me acalmar. Ele nem precisava disso, bastou a palavra “amor” sair de seus lábios para que aquilo roubasse completamente a minha atenção.

— Como você descobriu? — Questionei, me questionando se aquilo tinha alguma relação com tio Gordon, mas eu sabia que ele não diria a Oliver sem falar comigo antes. Oliver suspirou, finalmente me soltando do seu abraço, mas segurando minha mãe na dele, como se a mera ideia de não me tocar fosse inconcebível. Ele se abaixou pegando uma pasta parda que estava jogada no chão, e me puxou até o sofá junto com ele.

Sentamos lado a lado com nossos rostos e corpos virado de frente um para o outro, mas como se não estivesse satisfeito com isso, e precisasse de uma proximidade maior Oliver puxou minhas pernas as colocando sobre as suas.

— Um cara da polícia de Gotham, trouxe isso para mim. — Olhei para a capa da pasta parda em uma de suas mãos, meu nome estava ali.

— Então você sabe de tudo o que ele fez, o que... — Era difícil falar daquilo, as palavras certas nunca apareciam.

— Eu sei que ele te machucou, e eu sei que ele ainda procura por você. Mas eu não sei exatamente o que aconteceu, ou como. — Explicou, suas mãos distraidamente brincando com as minhas.

— Eu pensei que você tivesse simplesmente lido o meu arquivo.

— Eu olhei apenas a primeira folha, li o que estava escrito e então eu percebi que precisava saber a verdade, mas eu quero ouvi-la de você. Eu quero que você seja aquela a me contar, Felicity. — prendi a respiração ao escutar aquilo — Eu não quero saber do seu passado lendo as palavras profissionais de quem escreveu isso — jogou o a pasta no chão — Eu quero as suas palavras, eu quero que você me diga o quão ruim foi, para que eu possa abraçar e dar o conforto que você precisa, Felicity.

Eu respirei fundo, me preparando para contar a minha história a Oliver. Eu sempre fui relutante ao falar sobre o inferno que passei no tempo em que ele havia me sequestrado. Eu não gostava de dizer, porque que sentia que cada vez que eu contava aquela história, mais real ela se tornava, mais eu revivia aquilo e mais partes de mim eram quebradas e perdidas naquele processo doloroso. Mas eu sentia que com Oliver seria diferente, como se com ele eu pudesse simplesmente compartilhar isso sem ter que perder uma parte de mim. Ele estava aqui, ele segurava a minha mão, seus olhos estavam nos meus prometendo-me naquele olhar que ele não deixaria que mais nenhuma parte de mim se quebrasse ou perdesse.

— Eu era apenas uma estudante naquela época, feliz e despreocupada como qualquer outra — Comecei, encontrando no olhar de Oliver a força que eu precisava para continuar — E havia esse professor, o nome dele é...

Notas finais
Não me matem!!! Eu não daria o nome do perseguidor da Felicity assim tão fácil... Acho que terão que esperar pelo próximo capítulo.... Hahaha (risada maléfica) Para quem ficou curioso com a pequena lista do Tommy "Nove passos para reconquistar Helena Bertinelli" pode lê-la na integra aqui nesse meu twitte: https://twitter.com/IngretDaiane/status/795410702370541569 Espero que tenham gostado e que deixem a opinião de vocês nos comentários! Bye ❤