Running Away

16 Capítulo 15 - I'll be watching you


Notas iniciais
Hoje tem Arrow e como sempre a atualização de alguma fic minha! A escolhida da vez foi Running Away! E devo dizer, estou apaixonada pela reação de vocês ao último capítulo, ele é um dos meus favoritos e me deixa mega feliz que vocês tenham apreciado. Eu queria ter respondido a todos, mas infelizmente a minha internet tirou a semana para brincar de morto-vivo. Mas eu realmente amei, e prometo responder cada um dos lindos e gigantes comentários de vocês com igual entusiasmo, assim que possível. Espero que curtam esse capítulo! Um obrigada especial a quem tem favoritado ;)

Every breath you take

Every move you make

Every bond you break

Every step you take

I'll be watching you

Every single day

Every word you say

Every game you play

Every night you stay

I'll be watching you

Oh can't you see

You belong to me

How my poor heart aches

With every step you take

Every move you make

Every vow you break

Every smile you fake

Every claim you stake

I'll be watching you

(Every breath you take — Denmark Winter)

Floyd Lawton

(Sim, você leu corretamente)

Eu a observava enquanto ela deixava o prédio em que morava e caminhava despreocupadamente em direção ao bar que ficava a algumas quadras dali, ela cantarolava alguma música que eu não reconhecia. Eu vinha fazendo isso com frequência maior no último par de meses. Segui-la e observá-la sempre tinha sido uma espécie de obsessão para mim desde o começo. Havia algo na adorável garota que se sentava na primeira fileira da minha classe e que sempre sabia a resposta correta para todas as perguntas que eu fazia, independente do quão complexa ela fosse, e isso me impelia a querer me aproximar mais. Eu a emboscava depois da aula, eu oferecia trabalhos extras, mas meu tempo com ela nunca parecia o suficiente e sempre estávamos cercados por outras pessoas, logo seria o fim do semestre e eu não a teria mais sua presença constante. E eu queria muito mais dela, eu precisava de muito mais.

E ela parecia tão jovial e viva.

Tão bela e até mesmo inocentemente feliz.

Ela me fascinara. Eu me vi ansioso por vê-la em minha classe, em prestar atenção em seus trejeitos e manias. Eu gostava da forma como ela ajeitava os óculos sempre após responder um de meus questionamentos, ou mordia a tampa da caneta quando algo não parecia certo. Eu constantemente a seguia ansioso por aprender mais sobre ela. Felicity era sempre educada e sorridente com todos até mesmo com o namorado idiota que constantemente brigava com ela por qualquer motivo tolo. Aquilo me irritava. Ele não a merecia.

Eu não achava certo que alguém tão preciosa quanto ela tivesse que ficar nesse mundo com tantas outras pessoas incapazes de apreciar aquela beleza tão única. Eu queria roubá-la, escondê-la e tê-la apenas para mim. Ela seria meu pequeno bibelô.

Então eu a tomei para mim.

E qual não foi a minha surpresa ao perceber que ao meu lado seus lábios não mais sorriam? Seus olhos brilhantes perderam toda a vivacidade e expressavam não mais do que puro medo? Ela se afastava do meu toque o achando repulsivo, ela me rejeitava e implorava para que eu a libertasse.

Ela tinha uma verdadeira aversão a mim.

Eu surpreendentemente gostei disso ainda mais do que eu gostava daquela doce candura, da aparente inocência e da felicidade dela. Eu gostei de sentir o poder que eu tinha sobre ela, eu gostava de ser aquele que corrompia a sua essência feliz para algo mais perto daquele vazio miserável que eu mesmo sentia por dentro. Tinha sido eu quem apagara aquela luz dela e a apresentara a uma parte do mundo mais sombria.

Mesmo depois de ela ter fugido de mim tantas e tantas vezes. Eu ainda via aquilo nela, o medo nunca deixava seus olhos, a escuridão estava sempre presente, mantendo enclausurada em si mesma. Eu a havia marcado para sempre.

Ela poderia fugir o quanto quisesse, mas ela nunca conseguiria se livrar da minha imagem em sua mente. Eu seria uma presença constante em seus pensamentos, em seus sonhos, em cada parte do dia a dia dela. Ela nunca seria livre completamente, ela sempre se questionaria quando eu apareceria, quando eu a levaria novamente para a escuridão. Ela nunca teria a ninguém, porque o medo a impediria de seguir em frente. O medo a deixaria ligada a mim eternamente.

O medo era o que a fazia minha.

É por isso que eu nunca tinha pressa em levá-la uma outra vez. Parte de mim se divertia com aquele jogo. Ela fugia e se escondia, e eu a deixava viver em paz por um tempo, mas eu sempre reaparecia em sua vida, para lembrá-la de que não importa para o quão longe ela ia, o quanto ela corria de mim, ela sempre seria minha.

Mas ela estava diferente agora.

E não era apenas porque havia se desfeito do longo e comprido cabelo castanho e agora ostentava cabelos loiros a altura dos ombros, além de ter abandonado os óculos. Ela permanecia tão linda quanto antes. Mas agora ela parecia mais feliz, inclusive sorria com mais constância. Seu sorriso ganhando a cada dia mais força e confiança, seus olhos voltando a mostrar aquela alegria genuína que me cativara num primeiro momento.

Ela se atrevia a tentar apagar a escuridão que eu havia forçado para ela. Ela se atrevia a acreditar que poderia me esquecer e ter uma vida sem mim.

E hoje ela estava particularmente feliz.

Eu não gostava disso.

Eu preferia quando ela estava acuada e com medo. Eu gostava de ver as lágrimas vertendo por sua face e morrendo em sua boca, do semblante aterrorizado em seu rosto sempre que ela me via chegar mais perto e do tom quebrado em sua voz me implorando para soltá-la. Aquele tipo de beleza trágica, que eu sabia ser o único capaz de provocar nela.

Eu poderia tê-la pego a qualquer momento, teria sido relativamente simples fazê-lo. Ela tem sido tão relapsa com a própria segurança andando desacompanhada pelas ruas. Teria sido fácil. Eu poderia tê-lo feito uma dúzia de vezes quando ela voltava do trabalho, ou até mesmo ido ao apartamento em que ela morava.

Mas havia aquela parte de mim gostava da emoção da caça. De atormentá-la apenas com a possibilidade de estar por perto. Eu gostava de dá-la um pouco de liberdade, dessa falsa concepção de segurança. Era sempre mais emocionante tomá-la da vida que ela se atrevia a tentar ter longe de mim. Felicity nunca tinha indo tão longe em tão pouco tempo longe de mim, ela costumava tentar passar despercebido entre as pessoas, não se misturar, não se aproximar de ninguém. Em Gotham ela tinha levado quase um ano inteiro para começar a conversar com uma garota do trabalho, e no instante em que ela ousou tentar se divertir um pouco com ela, eu reapareci. Eu a fiz deixar aquela cidade e o pouco que havia conquistado lá.

Starling City foi uma surpresa amarga. Em pouco tempo aqui ela tinha feito amigos, encontrado um emprego, e ela tinha alguém.

Talvez fosse hora de tomá-la de vez para mim, de mostrar o meu pior e me assegurar que nunca mais ela se atrevesse a pensar que poderia deixar alguém se aproximar, que poderia dar partes de si mesma a outros. Ela me pertencia, e eu me asseguraria de ter todas as partes dela unicamente para mim.

Mas agora eu contava com uma irritante pedra no meu sapato, um problema que antes que eu nunca tive.

Oliver Queen.

O policial que estava sempre agindo como uma maldita sombra ao redor dela, sempre ao lado dela tocando-a de alguma forma, segurando a mão dela. Fazendo-a sorrir para ele. Fazendo-a acreditar que ela poderia ter alguém, ser de alguém.

Eu sabia que ele estava fodendo com ela.

O pensamento dos dois dormindo juntos causava-me a mais profunda raiva. Saber que ela lhe dava de bom grado o que sempre negava para mim, que ela possivelmente até mesmo o amasse, deixava-me insano.

Oliver Queen era um problema adicional. Mas eu cuidaria dele, assim como eu havia cuidado do prepotente namoradinho dela da primeira vez. Eu eliminaria o problema dessa vez de uma forma mais eficaz e ao mesmo tempo mostraria a Felicity as consequências de seus atos. Isso seria o suficiente para fazê-la perceber que não era uma boa ideia deixar outros fazerem parte da vida dela, que todos aqueles com quem ela se importava estariam melhores sem ela na vida deles.

Tirei o celular da amiga dela do meu bolso e olhei para a tela sorrindo. Eu não estava planejando matar ninguém ao menos que fosse estritamente necessário, mas matar Selina Kyle tinha sido algo providencial, embora despejar o corpo dela no restaurante em que eu sabia que Felicity teria um encontro com Oliver tenha sido uma atitude um pouco dramática, eu admito. Eu estava particularmente orgulhoso da engenhosidade daquele meu novo plano, eu tinha ido aquela boate apenas para observar o objeto da minha obsessão, eu não estava certo se eu iria pegá-la naquela noite. Uma parte irracional de mim estava ansiosa para isso, para carregá-la para longe deste mundo e tê-la apenas no meu. Eu quase o fiz. Mas novamente o maldito Oliver Queen chegou colocando suas mãos nela e reivindicando-a como sua.

Quando os vi no beco aquela noite, eu tive que controlar todo o meu ódio e me forcei a ser mais calculista. Eu me vi obrigado a tomar novas atitudes e ser mais proativo. Atraí a atenção da amiga dela, me livrando rapidamente da garota e tomando seu celular. Durante a última semana eu estive dentro da mente de Felicity. Eu lhe questionei sobre cada mínimo aspecto da sua vida, e ela de muito bom grado me contou absolutamente tudo, eu soube de cada passo dela, cada plano que ela fazia, do quanto ela se sentia feliz com aquele usurpador.

Ela havia me confidenciado tanto.

E Oliver Queen estava sempre presente em suas confidências. Felicity dizia o quanto era bom estar com ele, o quão viva ela se sentia, ela inúmeras vezes falava sobre como era bom fazer sexo com ele. E isso me deixava possesso de fúria, inúmeras vezes eu me via destruindo os móveis do lugar em que estava quando eu lia uma de suas mensagens. Ele havia roubado o lugar que eu havia trabalhado duro para conquistar em seus pensamentos e ele tinha ido ainda mais além. Ele a possuíra.

Eu não podia esperar mais, não podia permitir que ele continuasse a usar algo que me pertencia.

Por mais que eu gostasse daquele jogo, de persegui-la e apreciá-la de longe, de brincar com o medo dela, de estar em sua cabeça e ser o dono de seus pensamentos, desde que o Queen havia aparecido as coisas haviam mudado. Felicity se atrevera a acreditar que poderia ter uma vida sem mim, me deixando em um passado distante, tornando-me apenas uma lembrança ruim. Entregando seu corpo, sua mente e seu coração a ele.

Já era a hora de acabar com esse joguinho e começar um novo, um muito mais interessante e perigoso.

Mandei uma mensagem para o celular dela.

Que o jogo comece.

***

Felicity Smoak

Eu estava feliz.

Já fazia tanto tempo desde que eu sentira esse sentimento correr por minhas veias. Tanto tempo desde que um sorriso tomara conta do meu rosto tão completamente. Tinham sido dias escuros, momentos depressivos em que eu pensei que jamais encontraria a felicidade outra vez. Mas aqui estava eu caminhando pelas ruas de Starling City sorrindo e apreciando o quanto a vida podia ser bela.

Eu dou grande parte do crédito por toda essa felicidade a Oliver. Ele insistiu, ele lutou e finalmente fez minhas barreiras cederem, me mostrou tantos sentimentos que eu estava perdendo por me trancar atrás de muros tendo apenas o medo e a solidão como fiéis companheiras. Dividir aquela parte tenebrosa do meu passado com ele foi como finalmente derrubar o último tijolo daquele muro que por tanto tempo parecera intransponível.

Não havia mais barreiras.

E agora eu finalmente me sentia livre para ser feliz. Livre para permitir meu coração de sentir coisas boas, de dar boas vindas aos novos sentimentos. E eu queria simplesmente sentir tudo, cada um daqueles sentimentos que por tanto tempo eu reprimi.

Eu seria feliz outra vez.

Não deixaria o medo tirar isso de mim nunca mais.

— Você fez uma bela bagunça aqui. — comentei assim que entrei empurrando a porta do bar e notei como as coisas estavam um pouco diferentes. Tommy havia mudado a disposição das mesas para dar lugar a um pequeno palco ao fundo do bar, onde agora havia um suporte para microfone, um televisor preso a parede e pequenas luzes de palco ao redor. Na parede do fundo pintada em azul escuro havia uma arte com as letras de algumas músicas famosas, uma delas, que eu reconheci como sendo do maroon five se destacava ao centro “Beauty queen of only eighteen she had some trouble with herself...

Eu sorri, me aproximando querendo tocar as palavras tão bem desenhadas que reluziam num tom prateado quase metálico.

— Não toque! — Tommy alertou. — A tinta ainda está fresca.

Recolhi minhas mãos e me limitei a apenas observar. Tommy havia realmente se empenhado e criado algo belo. Combinava com o estilo do bar, era despretensioso e divertido, ao mesmo tempo em que dava para perceber certa boêmia, uma característica tão única de Tommy.

— O que acha? — Ele deixou o martelo ao chão e veio até mim parecendo ansioso pela minha opinião.

— Você me ligou pedindo para eu vir mais cedo apenas para aprovar o seu trabalho? — Questionei cruzando os meus braços e me encostando ao balcão enquanto o enrolava deliberadamente, sua aparente ansiedade com algo tão trivial me divertia.

— Eu pagarei pela hora extra, é claro. — Eu ri.

— Já que é assim eu posso dizer que é um belo palco. — analisei mais de perto. Aquilo era um trabalho muito bem feito, praticamente profissional. O palanque era de uma madeira escura, da mesma cor do balcão e das mesas e estava perfeitamente alinhado, os pequenos degraus de acesso também. A fiação parecia em ordem, e toda a decoração era de muito bom gosto. — Parece que alguém se dedicou mesmo a ideia da noite do Karaokê.

— Helena Bertinelli precisa ser surpreendida com alguma coisa que eu faça. — Deu de ombros tentando minimizar, embora era óbvio o quanto a aprovação dela era ainda mais importante do que a minha para ele.

— Você fez tudo isso sozinho? — Questionei surpresa, minhas mãos tocando as pequenas luzes amareladas embutidas a parede ao redor do palco.

— Com as minhas próprias mãos. — Falou sorrindo abertamente, pegando o martelo desajeitadamente do chão e colocando-o em seguida de volta como se tivesse surpreso com o peso. Semicerrei meus olhos para Tommy, pelo o que eu sabia dele, ele vinha de uma família rica e era conhecido por ser um playboy festeiro, não havia a menor chance de ele ter feito tudo aquilo.

— Não há uma remota chance de você ter feito todo o trabalho pesado com as suas mãos. — apontei, o trabalho estava bem feito demais para ser obra de um amador.

— Ouch. Essa doeu. — Forçou uma falsa mágoa.

— Você não é esse tipo de cara. Você é rico, gente rica não realiza trabalho braçal. — expliquei e ele me lançou um sorriso amarelo.

— Como eu disse, tudo isso é obra das minhas próprias mãos. — erguendo ambas as suas mãos. — Elas assinaram o cheque, se não fosse por essas mãos suaves e bem cuidadas, feitas para acariciar o corpo de uma bela mulher, nada disso seria possível. — Falou divertido, mas algo parecia não se encaixar em sua expressão normalmente convencida.

Me aproximei um pouco dele notando brilho de tinta fresca na palma de suas mãos. Por essa eu não esperava.

— Essas mãos fizeram muito mais do que apenas assinar um cheque. — constatei ainda surpresa — Você pintou todas as letras de músicas?

— Eram as nossas músicas. — Ele disse com uma simplicidade que me comoveu.

— Tommy Merlyn, você é um romântico incorrigível. — Primeiro a lista e agora isso. Eu me perguntava por quanto tempo Helena conseguiria fugir de toda essa atenção.

— Não faça disso uma grande coisa. — tentou novamente minimizar o seu gesto, como todo homem apaixonado que ainda quer manter seu ar machão — Eu preciso acertar com Helena dessa vez, mostrar o meu melhor lado. O bar é importante para ela, eu preciso mostrar que o que importa para ela é importante para mim também. Eu falhei neste ponto no passado... — meneou a cabeça com remorso — E se eu puder usar isso para provar alguns pontos da minha lista, que seja. — soltou permitindo transparecer um pouco da vulnerabilidade que seus sentimentos por Helena sempre traziam.

— Falando na lista... Como se saiu ontem a noite com a número três — Perguntei, sentando-me sobre o bancada, e tentando desviar um pouco do assunto para deixá-lo mais confortável.

— Fazê-la sorrir? Se rosnar mostrando os dentes for considerado um sorriso, eu consegui vários desses. — Suspirou pesadamente enquanto se encostava ao meu lado.

— Uma hora ela vai amolecer. — assegurei apoiando a mão em seu ombro e apertando sutilmente, ganhando um olhar carinhoso de Tommy — Ela gosta de você Tommy, ela provavelmente está em uma luta interna entre deixar o passado para trás e tentar novamente. Helena está com medo, é por isso que ela o evita, é por isso que ela luta tanto contra isso. Porque ela sabe que o sentimento é real. — Expliquei, eu entendia Helena tão bem.

— Considerando o quão teimosa e cabeça dura Helena pode ser eu não tenho tanta certeza se ela vai considerar me dar uma segunda chance antes dos noventa anos. E eu não tenho certeza se certa parte da minha anatomia vai estar funcionar até lá. — tentou brincar, mas era perceptível que uma parte dele parecia falar sério. — Por isso eu acordei decidido a pegar um pouco mais pesado. Mais especificamente estamos pulando para a número cinco.

— Hum... Pretensioso. — comentei.

— Por favor, você olhou a lista por não mais que dez segundos, não há como você se lembrar de todos os itens. — duvidou de mim.

— Eu praticamente tenho memória fotográfica. — ele continuou a me olhar incrédulo — Número cinco: lembrá-la porque ficamos juntos na primeira vez. — Recitei, orgulhosa por me lembrar das exatas palavras.

— Você teve sorte. — falou forçando um mau humor.

— Diga outro número, então. — Desafiei.

— Número oito.

— Hum... Essa é a proibida para menores. — Compartilhamos um sorriso cúmplice.

— Vai ter que dizer. — provocou com seu usual sorriso de canto convencido, me fazendo revirar os olhos.

— Lembrá-la o quão bom na cama você pode ser. — falei, apenas para tirar seu sorriso dali.

— Essa é a minha carta na manga, eu sou muito, muito bom na cama. — Piscou para mim me fazendo gargalhar alto.

— O que esta acontecendo aqui? — O tom de Helena subiu alguns oitavos, seu rosto parecia um pouco mal humorado, em seus olhos normalmente amigáveis havia uma leve faísca de ciúmes enquanto ela olhava para mim e Tommy, o que me dizia que havia uma probabilidade muito grande dela ter pego o final da frase de Tommy. Helena poderia negar o quanto quisesse, mas ela não era indiferente a ele.

— Você gostou? — Tommy perguntou sorridente se aproximando de Helena que permaneceu impassível, seus olhos ainda olhando para mim. Definitivamente, ela havia o escutado dizer para mim que era bom de cama. — Eu estava pensando que precisávamos ter um espaço bacana para o karaokê. O que achou? — questionou animado. Ela piscou os olhos, finalmente eles se fixaram no pequeno palco ao fundo, ela caminhou até ele, e Helena deixou escapar um pequeno sorriso ao ver as letras de músicas pintadas ali. Assim como eu suas mãos se ergueram desejando tocá-las.

— A tinta ainda não está seca. — Tommy disse a ela a voz parecendo expressar uma emoção diferente, enquanto a mão dele ia até a dela e abaixava ambas juntas, impedindo-a de tocar nas palavras — Helena, eu...

— Eu acho que isto irá servir. — ela falou num tom desdenhoso, soltou as mãos e deu as costas para Tommy. — Eu tenho que checar algo lá dentro. — Se afastou com pressa se enfiando dentro da sala do estoque.

Eu esperava ver Tommy, novamente frustrado já que mais uma vez Helena se esquivava dele. Eu não esperava o sorriso gigante e esperançoso que eu vi ali enquanto ele olhava para ela.

— Você parece feliz. — falei confusa.

— Você reparou na forma como os olhos dela brilharam ao verem as letras das músicas? E no pequeno sorriso dela? Ela se lembra. Eu deveria tentar o karaokê e cantar a nossa música? — Me questionou.

— Isso depende, você ao menos canta bem?

— Loirinha, eu não faço nada que não seja excelente — piscou para mim, se animando com a ideia. Eu que não seria aquela a dizer que eu achava isso um pouco, ou melhor, muito brega. Mas Tommy estava feliz, então que seja! — Número cinco da lista está em progresso! — Ele comemorou animado, erguendo a mão que dessa vez eu bati com a minha.

— De que lista vocês dois estão falando? — Helena apareceu tão rápido quanto havia desaparecido, seus olhos novamente inspecionaram a nós dois desconfiados.

— Daquela lista... — Me enrolei, lançando um olhar desesperado para Tommy requisitando sua ajuda.

— A lista... Como você pode não saber da lista? — Tommy optou por uma tática furtiva.

— Hum... É aquela lista Helena. — Tentei, consciente de que eu não era uma das melhores mentirosas.

— Aquela lista que tem vários itens, começa pelo número um e depois vem o dois... — Helena cruzou os braços e o olhou torto para ele exibindo o seu melhor olhar fulminante, claramente impaciente com aquela brincadeira dele.

— Estou esperando Tommy, de que lista vocês dois estão falando? — Ouvi-la dizer seu apelido ao invés do sobrenome, pareceu ter um impacto sobre ele, fazendo-o quase se derreter. Verdade seja dita Thommas Merlyn é um frouxo quando o assunto é Helena Bertinelli.

— É uma lista muito importante que eu fiz sobre... — Começou a dizer, seus olhos buscando os meus, e eu vi nada menos do que sinceridade nos dele. Inferno, ele ia contar!

— De bebidas. — o interrompi pulando da bancada em que estava sentada, antes que ele dissesse a verdade e jogasse todos os planos de reconquistar Helena de volta no lixo. Confesso que parte de mim estava animada para ver aonde aquela lista ia dar.

— A lista de bebidas, é claro... Eu fiz uma lista de bebidas que precisamos ter aqui no bar!

— É mesmo? — Helena ergueu uma sobrancelha, não parecendo convencida.

— Claro que sim! — Falou mais convicto desta vez.

— Então faça-me o favor de checar se há algum item dessa sua lista tão importante que está em falta no estoque. — deliberou a ordem. Era óbvio que Helena não acreditava em Tommy, quase como se ela tivesse desenvolvido um detector de mentiras para ele, e, além disso, era meio óbvio também que ela queria conversar comigo a sós.

Helena esperou que Tommy se retirasse, e então se aproximou de mim, com aqueles seus olhos de gato grandes e suspeitos.

— Felicity, sente-se — Helena disse, puxando uma cadeira para mim e naquele momento eu tive certeza que eu seria interrogada. — Eu sei que não é da minha conta, mas essa sua relação com Thommas Merlyn é...

— É apenas uma amizade, Helena. — garanti, escondendo o sorriso. Alguém sentia mais ciúmes do que gostaria de admitir — Eu gosto de Tommy. — admiti e reparei que os lábios de Helena se contorceram em uma careta e seus dentes trincaram. Posso acrescentar que ela era territorialista também? — Ele é engraçado, divertido, e eu também acredito completamente apaixonado por uma certa morena de olhos azuis, que está sempre o afastando...

— Thommas Merlyn é encrenca. — Ressaltou num suspiro que me fez abrir um amplo sorriso e rir — Qual é a graça?

— Eu disse a mesma coisa sobre Oliver, e você muito sabiamente me disse que ele era uma encrenca muito gostosa, e me aconselhou a me aproveitar disso. — Me senti esperta em devolver suas próprias palavras — E devo dizer que você estava certa sobre Oliver, talvez isso se aplique ao Tommy também. — não fui nem um pouco sutil.

— Inferno! Eu criei um monstro e ele está se voltando contra mim! — Helena riu, me deixando muito mais leve e tranquila.

— Eu apenas sei o que é querer estar com alguém e tentar a todo custo lutar contra isso. Não vale a pena reprimir sentimentos, isso não faz com que eles desapareçam, só nos torna pessoas mais hostis. — Expliquei o que foram meus próprios sentimentos por um tempo, na esperança de que eles se assimilassem aos de Helena. — Você deveria ser mais condescendente com Tommy, você sabe que ele está tentando muito compensar por tudo o que aconteceu entre vocês no passado. Eu sei que isso não muda o que aconteceu, mas seria tão difícil assim lhe dar uma segunda chance?

— Talvez eu... Espere, Tommy te contou o que aconteceu entre nós no passado? — ela olhou para trás e seu olhar assassino foi na direção da porta do estoque — Eu vou matar aquele idiota! Ele não tinha o direito de... — Merda, Helena estava possessa com aquilo.

— Apenas respire fundo e tente conter os pensamentos violentos. — pedi — Ele só me contou porque eu insisti muito, eu estava curiosa e você não quis me contar. Além disso, Tommy não entrou em muitos detalhes porque ele disse que era algo pessoal, e que eu deveria conversar sobre isso com você depois. — Suavizei. — Ele apenas deixou claro que cometeu um erro muito, muito grande e que gostaria muito de tentar acertar as coisas com você. — Expliquei, olhando por cima do ombro de Helena e percebendo que Tommy estava ali, com a porta do estoque entreaberta e erguendo os dois polegares para cima, como quem diz que eu estava fazendo um excelente trabalho.

— Uau, ao que parece temos alguém Team Merlyn aqui. — Tamborilou os dedos por sobre a mesa parecendo impaciente e irritada.

— Eu apenas gosto de vocês dois, e acho que os dois merecem uma chance de ao menos conversarem, afinal são sócios e toda essa hostilidade pode prejudicar o bar. — Falei diplomaticamente tocando num ponto que eu sabia que era importante para Helena. — Apenas pare de tentar matá-lo a todo o momento.

Meu celular apitou naquele momento, pensei que seria mais uma mensagem de Oliver. Ele estava mantendo contato comigo o dia todo, apenas checando se eu estava bem. Depois da noite anterior, em que tudo tinha sido exposto, as coisas entre nós haviam mudado um pouco, ele simplesmente não conseguia não demonstrar sua preocupação a cada par de horas.

Me surpreendi, ao perceber que não era dele a mensagem.

— É Selina. — comentei enquanto lia rapidamente a mensagem da minha amiga — Ela quer me encontrar para um café, eu volto um pouco antes do bar abrir. — informei Helena que parecia um pouco pensativa — E eu acho que Tommy pode estar precisando de alguma ajuda no estoque, guarde as garras e tente conversar amigavelmente com ele. Ou não, ele parece gostar da versão Helena meio violenta. — Pisquei sugestivamente.

— Onde foi que você aprendeu a ser tão sutil, Felicity Smoak? — Estreitou seus olhos e sorriu.

— Eu tive uma ótima professora.

Eu sorri para Helena enquanto deixava o bar e caminhava tranquilamente pelas ruas. Seria bom deixá-la um tempo a sós com Tommy. Eu não estava convencida de onde aquilo iria dar, mas ao menos Helena não estava tentando mais matá-lo, isso já era algum avanço.

Pensei em meu café com Selina, que poderíamos conversar um pouco sobre ela dessa vez. Ela sempre se esquivava quando eu questionava sobre Bruce Wayne, talvez eu bancasse o cupido para cima dela também.

Depois eu voltaria para o bar, onde eu veria Tommy Merlyn cantar em um Karokê para Helena.

E por fim terminaria meu dia nos braços de Oliver.

Meus planos eram simples, porém em cada pequeno detalhe da minha nova vida eu via um pouquinho de esperança, eu via felicidade.

E era malditamente bom ser feliz.

Busquei em meu bolso pelo celular para verificar uma segunda vez o endereço que Selina me mandara, e xingando mentalmente quando notei que o havia deixado no bar. De qualquer modo a cafeteria que ela sugeria ficava a apenas algumas quadras dali. Eu poderia sobreviver alguns minutos sem o meu celular?

***

Oliver Queen

— Eu tenho que ir até Felicity. — Falei, ignorando todo mundo na sala e seguindo pisando forte para fora da delegacia tendo um único pensamento fixo na minha mente: Felicity. Eu precisava tirar ela da cidade, talvez até mesmo do país, eu precisava ir até ela agora e garantir que este monstro não chegasse ainda mais perto.

— Pare, Oliver. — Senti mãos fortes sobre o meu braço me restringindo.

— Tire suas mãos de mim! — Gritei exaltado tentando tirar as mãos de Diggle de mim, ele não se alterou com a minha reação. Porém todos os olhos da delegacia se voltaram para nós, inclusive os de Lance que deixava a sua sala e caminhava na nossa direção ao ver aquela cena. Merda! Eu não teria tempo para receber um sermão, Felicity estava em perigo, ela era a prioridade. — Você não entende o que isso significa? O tempo todo esse monstro esteve a espreita, Felicity está correndo um perigo real nesse momento! Ela vem conversando com ele durante dias sem fazer a menor ideia, ela fez planos de se encontrar com a amiga que está no nosso necrotério morta, e nem sabe que o que a espera é o homem que mais lhe causou mal, o homem de quem ela tem passado a vida fugindo. — Joguei as palavras com toda a frustração que eu sentia.

— Eu entendo, mas eu preciso que você seja um policial agora e não um homem apaixonado que não consegue raciocinar com frieza. — Apenas bufei, naquele momento tanto o homem quanto o policial estavam igualmente desesperados — Temos que usar essa conexão, Oliver. — Falou com calma. Diggle colocou ambas as mãos em meus ombros forçando-me a encarar seus olhos escuros e que pareciam tão sábios, mas meu cérebro estava agitado demais para compreender o que ele queria dizer com aquilo.

— Nós temos algum problema aqui? — Excelente! Capitão Lance se aproximou com seus olhos avaliativos sobre mim, ansiosos para me dar um sermão de horas sobre controlar meu gênio no ambiente de trabalho.

— Não. — neguei com certa hostilidade.

— Sim. — Diggle confirmou, e Lance olhou para mim como se dissesse que a culpa era minha — Nossa investigação sobre o desaparecimento do Comissário da polícia de Gotham esbarrou na sua investigação de assassinato. O nome da vítima já foi revelado à impressa?

— Não. — Lance negou parecendo confuso.

— Ótimo, vamos precisar manter isso em sigilo por um tempo, avise seus agentes que este caso agora está sob sigilo absoluto. — comandou. — Eu vou acertar as coisas com Oliver, e volto para explicar o caso ao senhor. — Diggle informou a Lance, e logo em seguida puxou meu braço para fora da delegacia.

— O que você está fazendo? — Questionei Diggle.

— Garantindo um modo de pegar o filho da puta e manter a sua garota segura. Nós precisamos ser mais espertos do que ele, Oliver, e não apenas agir sem pensar. — Finalmente compreendi seu plano, se a policia fingisse que desconhece a identidade de Selina o perseguidor de Felicity poderia continuar a usar o telefone dela, e assim teríamos uma vantagem sobre ele. Talvez até mesmo emboscá-lo. — Eu cuido das coisas aqui, vá atrás de Felicity e fique perto dela, não dê indicativos de que sabemos que o perseguidor está próximo ou de que Selina está morta, faça-a manter a rotina dela de sempre. — mesmo discordando daquele plano em parte, eu assenti, porque estava ansioso para sair dali e ter Felicity segura em meus braços.

Peguei o telefone e liguei para ela. É claro que Felicity parecia ter um tipo de sensor que lhe dizia para não atender as minhas ligações quando eu estava muito desesperado para ouvir a sua voz, e saber que ela estava bem. Era a única explicação lógica para isso. Tentei não me alarmar com sua falta de resposta, mas não consegui. Eu já xingava todos os tipos de palavrões quando liguei mais uma vez, sentindo um instante de alívio ao ver que o celular foi atendido ao segundo toque. Mas meu alívio não durou muito.

Não era a voz dela.

— Onde está Felicity? — perguntei sem paciência para ser educado.

— Ela saiu e esqueceu o celular no bar. — Puta merda! Isso não podia estar acontecendo. Como eu a encontraria agora?

— Para que merda de lugar ela foi? — questionei sem sequer tentar me acalmar. Eu era puro desespero naquele momento.

— Deus! Precisa ser grosso assim é? Não custa usar um por favor, Oliver. — Helena devolveu, testando a maldita paciência que eu já tinha mandado para o quinto dos infernos fazia tempos.

— Helena... — tentei soar um pouco mais controlado, mas era difícil quando cada palavra que saía da minha boca acompanhava o fluxo rápido da minha respiração alterada — Isto é sério, eu preciso que me diga onde ela está! Ela pode estar em perigo, ou... — Não terminei de falar, verbalizar aquilo apenas piora as coisas. Helena pareceu perceber a seriedade em minha voz e imediatamente me interrompeu.

— Ok. Me dê alguns segundos, Felicity disse que Selina mandou uma mensagem de texto, me deixe checar se ela mandou o endereço.

Meu coração parou ao escutar que ela havia ido se encontrar com a “Selina”.

Ele havia agido.

Esperei por segundos que pareceram intermináveis. Cada novo segundo, era um passo mais perto que Felicity dava em direção ao monstro. Cada novo segundo era um tempo a menos que eu teria para salvá-la dele.

— Oliver, Felicity está encrencada? — Helena perguntou parecendo verdadeiramente preocupada assim que me passou o endereço, mas eu desliguei o celular antes de respondê-la. Subi na moto e acelerei o máximo que consegui seguindo para o local em que ele estaria esperando por ela.

E se ela não estivesse mais lá? E se eu chegasse tarde demais? Como eu iria recuperá-la uma vez que ele a tivesse? Como eu iria ajudá-la a se reerguer se mais uma vez ele a destruísse?

Não. Forcei a palavra em minha cabeça, eu não podia me permitir ser consumido por aqueles pensamentos atormentadores. Eu me recusava a perdê-la. Eu me recusava a permitir que ela se perdesse e sofresse tudo aquilo outra vez.

Eu chegaria a tempo.

Eu tinha que chegar a tempo.

***

Ela não estava na cafeteria.

Ele a teria pego no caminho? Ou Felicity ainda não havia chegado? Malditos pensamentos que infiltravam na minha mente e me desesperava cada vez um pouco mais.

Eu normalmente não sentia medo. Eu era um policial treinado para correr em direção a situações perigosas, a confrontar até mesmo a morte como uma possibilidade. Eu raramente me via refém desse sentimento. Mas Felicity mudara algo em mim e agora eu sentia esse sentimento correndo por minhas veias, preenchendo a minha mente com todas as possibilidades assustadoras. Eu estava apavorado, por ela. Com medo do que aquele verme que era chamado de homem poderia fazer a ela.

Meu celular vibrava no meu bolso, mas eu o ignorei. Eu não podia lidar com quem quer que fosse. Eu não queria lidar com Diggle me dizendo o que fazer ou Sara me questionando sobre o que estava acontecendo. Isso só deixava a agonia no meu peito muito pior. Eu não queria falar com ninguém que não fosse ela, eu não precisava falar com ninguém que não fosse ela.

Que tipo de sentimento era esse que me fazia tão desesperado?

Me limitei a rodar o quarteirão e fazer o caminho que ela teria feito do bar até lá, duas vezes, na esperança tola de que a encontraria andando distraidamente pelas ruas.

Mas não deu em nada.

Ela não estava em lugar algum.

Parei a moto em frente ao bar e desci. Respirei fundo tentando controlar todos aqueles sentimentos e emoções que lutavam dentro de mim, passei as costas das mãos em meus olhos e percebi surpreso que eles estavam úmidos. Fazia tempo que esse sentimento de ter falhado não caia sobre mim, muito tempo desde que houvera uma lágrima em meus olhos. Desde a morte da minha mãe eu não me sentia assim. Aquela sensação de fracasso e vazio, que era perder algo importante demais e que talvez eu nunca mais pudesse recuperar.

Eu havia perdido Felicity.

E a sensação era devastadora demais, provando-me que o quanto o que eu sentia por ela era intenso e raro.

E doía. Inferno como a dor de perdê-la dilacerava-me por dentro, tornando até mesmo um ato tão simples quanto respirar doloroso. Meu coração parecia que havia se esquecido de como bater, ou talvez estivesse ferido demais para fazê-lo.

Mas Diggle estava certo, eu precisava ser um policial agora e não um homem apaixonado. Eu precisava pegar o celular de Felicity, interrogar Helena e rezar por uma mísera pista que fosse. Eu não poderia me permitir sucumbir, por maior que a dor fosse eu precisava lutar contra ela. Onde quer que Felicity estivesse ela estava contando comigo.

Caminhei para o bar determinado a fazer o meu trabalho.

E meu coração que parecia morto há minutos atrás começou a bater freneticamente dentro do peito. Ela estava ali, saindo pela porta do bar. A razão do meu desespero, a responsável por todas as piores emoções que eu senti nos últimos minutos. Ela sorriu abertamente para mim assim que me viu, e com um único sorriso ela mandou todos os pensamentos ruins embora, me livrando daquela dor aguda e me fazendo sorrir para ela, como se a pouco não houvesse lágrimas em meus olhos.

Meus passos foram precisos e ansiosos, levando-me diretamente até ela.

Eu a abracei. Tão forte quanto era possível, eu me recusava a deixá-la sair da segurança dos meus braços novamente, me recusava a tê-la longe de mim. Afundei meu rosto em seu pescoço apenas inalando. Eu não poderia permitir uma vida em que eu não sentisse o cheiro floral de seu pescoço, a maciez do cabelo dela deslizando entre meus dedos, ou calor do corpo dela junto ao meu. Deixei que a certeza de tê-la aqui comigo, parecendo exatamente a mesma Felicity que eu deixara na cama aquela manhã, acalmasse a agitação em mim. Meu coração finalmente pareceu encontrar o ritmo perfeito das batidas, sincronizando-as com as de Felicity.

Eu tinha ido ao inferno ao pensar que a havia perdido, e agora estava no paraíso ao tê-la novamente em meus braços, no lugar ao qual ela pertencia.

Deslizei minha boca por seu pescoço, bochecha e finalmente provei de seus lábios doces e viciantes, apenas para garantir-me de que ela era real. Para sentir todas as emoções boas explodindo dentro de mim enquanto eu a beijava. Eu a beijei com calma, querendo apreciar seu gosto, assegurando que cada parte de mim estivesse consciente de que eu tinha Felicity em meus braços e estava a beijando.

E depois que tudo em mim era consciente dela, eu exigi muito mais. Eu puxei seu corpo ainda mais para o meu, e deslizei minha língua de forma desesperada dentro da sua boca. Eu precisava de mais. Sentir mais. Tomar mais. Eu precisava de cada parte dela. Eu era ciente de que estávamos na porta do bar, e que daqui a pouco alguns clientes começariam a chegar. Mas eu não me importava. Eu apenas não conseguia controlar aquele desespero dentro de mim, o medo que precisava ser aplacado e a única coisa capaz de fazê-lo era ter Felicity o mais próximo possível de mim.

Eu só parei de beijá-la porque Felicity espalmou suas mãos em meu peito e me afastou delicadamente, enquanto ela tentava respirar com dificuldade. Inclinei meu rosto juntando minha testa com a dela, e me limitei a beber da sua respiração alterada que saia em rápidas lufadas. Eu também tinha dificuldades para respirar, mas a de Felicity eu deduzia que era pela intensidade do beijo que eu exigira dela. A minha nem tanto.

Eu ainda não estava perfeitamente bem. Eu tinha experimentado por não mais do que alguns minutos a dor de perdê-la, eu a imaginei sofrendo o pior tipo de coisa na mão daquele monstro e me vi impossibilitado de mudar aquela situação. E isso trouxera a porra do inferno para mim.

Também trouxera uma clareza inesperada dos meus sentimentos.

Eu amava essa mulher.

Porra! Como eu amava desesperadamente essa mulher!

— O que há de errado com você, Oliver? — Felicity me perguntou delicadamente, suas mãos tocando de leve o meu rosto enquanto seus olhos azuis tão claros quanto o céu inspecionavam os meus em busca de uma resposta. Como ela podia sequer me fazer uma pergunta tão tola? Era óbvio. Era ela que fazia tudo ficar errado dentro de mim. Era a merda da possibilidade de perdê-la a qualquer momento que me deixava insano.

— Você. — Respondi mesmo sabendo que ela não compreendia toda a extensão daquela resposta. Ela franziu o cenho, não entendendo a minha resposta. — Eu pensei que havia perdido você. — Deixei a verdade sair, a emoção transparecendo em cada uma daquelas poucas palavras. Será que Felicity via no meu desespero o quanto eu estava apaixonado por ela?

Ela piscou algumas vezes, e sua boca entreabriu formando um pequeno “oh”, como se finalmente entendesse o que estava acontecendo. Felicity deu um passo para trás, seu corpo deixando o calor do meu, suas mãos não mais me tocando.

Não! Não se afaste! Minha mente gritava, eu ainda não estava completamente bem. Como se fosse capaz de ler minha mente Felicity pegou a minha mão, segurando-a na sua. O calor do seu toque me lembrando de que eu ainda a tinha.

— Eu sei que tudo o que eu te contei ontem a noite pode ter te deixado preocupado. Eu sei que é muito para digerir e compreender. — Ela começou a dizer suavemente, seus olhos nunca deixando os meus — Mas eu estou bem, não significa que eu desapareci ou estou com problemas só porque eu não atendi um telefonema seu. Eu apenas o esqueci aqui e voltei, no instante que me lembrei o quão neurótico você é. Mas você não precisa se preocupar. — Inferno! É claro que eu precisava me preocupar. — Você não precisa ser tão dramático. — Ela não compreendia. Aliás, como poderia? Felicity acreditava que estava tudo bem, que ela estava segura em Starling City. Que o monstro estava bem longe daqui e não a espreita observando cada passo dela.

Esse pensamento me fez ficar imediatamente tenso. Inspecionei o lugar em que estávamos minuciosamente com meus olhos, em busca de qualquer presença estranha. Já escurecia, havia certa movimentação na rua a maioria de pessoas que deixavam os seus trabalhos naquela hora, os primeiros clientes de Helena já passavam por nós e entravam em busca de um happy hour divertido. E eu me vi pensando será que ele estava por aqui? Ele estava vigiando, Felicity neste momento?

— Venha para casa comigo. — Pedi apertando sua mão ainda mais na minha querendo que ela sentisse o quanto, eu queria tê-la em algum lugar fechado em que eu tivesse pleno controle da sua segurança.

— Eu gostaria, mas eu não posso. — Ela disse não, com um sorriso complacente em seus lábios — Eu tenho que trabalhar daqui a pouco, eu voltei apenas para pegar meu celular e preciso ir. Eu prometi encontrar com Selina e já estou atrasada.

— Você não vai. — Neguei, segurando firme em sua mão, e imediatamente seu queixo se ergueu e ela assumiu um ar contestatório que eu conhecia bem — Isso não está em discussão, amor. — Ela bufou em resposta.

— Voltou a agir como o Oliver que acha que pode mandar em mim? — Felicity me enfrentou. Sua voz assumindo aquele tom de “você não manda em mim” enquanto seus olhos faiscavam furiosos para mim. Eu sabia o quanto a irritava quando eu agia como um homem das cavernas possessivo, mas não havia maneira de eu deixá-la sair de perto de mim enquanto toda essa situação não estivesse resolvida. Se para garantir a segurança dela eu tivesse que agir como um namorado babaca, que seja! Eu seria a porra do namorado mais babaca que existe. Eu aguentaria a raiva dela, se isso a mantivesse segura.

— Felicity? — Helena saiu pela porta do bar chamando por ela, e me lançou um olhar confuso ao ver o quanto o clima entre nós parecia tenso. — Eu preciso da sua ajuda aqui, se importa de começar seu turno mais cedo? — Questionou, e Felicity apenas assentiu para ela que saiu rapidamente ao perceber que ainda precisaríamos de um pouco mais de privacidade.

— Vou precisar da sua permissão para trabalhar também? Ou posso fazer minhas próprias escolhas? — suspirei ao ouvir a sentença carregada de sarcasmo e fechei meus olhos tentando ignorar o quão adorável Felicity ficava até mesmo quando estava irritada comigo. Eu teria um grande trabalho para convencê-la que minha atitude de agora tinha sido necessária.

Eu quase disse a ela que ela nunca mais pisaria no bar de Helena. Eu estava pronto para jogar Felicity sobre meus ombros e carregá-la até o apartamento e trancar a nós dois lá até que conseguisse uma solução mais permanente. Eu tinha plena consciência de que não estava sendo muito racional, coerente ou justo com ela, mas a lembrança de como foi pensar que eu havia a perdido ainda estava muito fresca na minha mente. Parte da dor ainda estava lá, lembrando-me constantemente porque eu precisava lutar tanto por Felicity.

— É claro que você pode trabalhar. — Concedi, me lembrando tardiamente de que Diggle havia dito que Felicity deveria seguir sua rotina normalmente, para não levantarmos suspeitas.

— Obrigada. — Sorriu ironicamente enquanto me dava as costas.

— Felicity! Espere. — corri até ela, que respirou profundamente enquanto me olhava. Ela esperava por um pedido de desculpas gigantesco. Eu certamente o faria, mas não agora. — Preciso do seu celular. — Falei tirando-o do bolso traseiro dela, sem sequer lhe dar uma escolha.

— O que aconteceu com o Oliver Queen compreensivo dos últimos dias? — Merda, ela não estava apenas irritada, ela estava magoada com minha atitude. Mas o que eu poderia fazer?

Não respondi e Felicity entrou no bar, me deixando sozinho do lado de fora. Corri meus olhos pelas mensagens trocadas entre ela e a suposta Selina. Aquilo sim era uma grande merda, Felicity tinha sido muito pessoal em algumas mensagens, a maioria delas era sobre nós dois, sobre como ela se sentia. E por algum motivo eu me senti mal por lê-las, como se eu estivesse invadindo a sua privacidade.

Liguei para Diggle e o informei de que estava com Felicity, mas que gostaria que ele enviasse mais alguém que pudesse manter os olhos abertos sobre a área, já que os meus focavam-se unicamente em Felicity. Pedi também para que tentasse rastrear o número das mensagens.

Durante o restante da noite, Felicity me evitou completamente. Aquilo me frustrava, mas eu era plenamente consciente de que merecia o seu comportamento mais frio comigo. De certa forma isso foi até mesmo bom, eu pude observar Felicity com mais calma, sem que meus olhos se perdessem nos dela a cada par de segundo, sem que trocássemos sorrisos cheios de promessas, como usualmente fazíamos sempre que eu estava no bar em seu horário de trabalho.

Eu sei que desde o início eu não fui muito complacente com o emprego dela aqui, eu não gostava dos olhares dos clientes masculinos, ou até mesmo de vê-la servindo mesas. Eu achava que ela merecia muito mais. Não era novidade que eu estava constantemente querendo que ela o deixasse. Mas agora, olhando apenas para Felicity e ignorando o resto, eu percebi o quanto esse emprego era importante para ela.

Era sobre se sentir normal e ter amigos.

Eu via a interação dela e Helena e isso me fez sorrir. A forma como Helena estava sempre a provocando, fazendo-a a corar ou rir, ou ainda havia vezes em que as duas pareciam apenas conversar, aconselhar uma a outra. Era um relacionamento saudável, quantos desses ela teve que abrir mão enquanto estava fugindo?

E havia Thommas Merlyn, se eu não tivesse visto a forma como ele estava sempre em cima de Helena, eu teria ficado enciumado com a proximidade dos dois. Inferno é claro que eu estava enciumado com a proximidade dos dois! Ele era um homem, e estava perto da minha namorada, não havia modo de aquilo não me incomodar. Mas Tommy se revelou como alguém incrivelmente honesto, ele se aproximou de mim após receber alguns olhares zangados meus, e me garantiu que gostava de Felicity como se ela fosse a sua irmã e nada além disso.

Felicity era feliz aqui, constatei surpreso ao vê-la gargalhar quando seu amigo começou a cantar no Karaokê. Como eu poderia querer que ela abrisse mão de algo que a fazia feliz? Ela já havia deixado tanto na vida dela, eu não seria aquele a fazê-la abdicar de mais.

Quando finalmente o expediente dela acabou, eu me aproximei, mesmo sabendo que Felicity poderia ainda estar chateada por causa da minha reação mais cedo.

— Já deixou de ser um idiota? — ela perguntou, e toda a minha esperança de que ela estivesse simplesmente esquecido aquilo foi embora.

— Me desculpe. — Ela ergueu uma das sobrancelhas e cruzou os braços, como quem diz “é melhor você fazer melhor do que isso”. — Eu sei que fui um babaca, eu não estou negando isso. Eu só preciso levar você para casa e explicar porque eu agi assim.

— Hum, estou ansiosa por tais explicações. — ela disse ainda parecendo zangada, mas me fazendo respirar aliviado ao aceitar minha mão entrelaçada na dela enquanto saíamos. Era perceptível que ela ainda estava chateada comigo, mas Felicity estava sendo muito mais condescendente do que eu merecia. — Onde está meu celular, Oliver?

Merda. Merda. Merda.

Lá se vai toda a condescendência.

Sara havia passado no bar para pegá-lo e agora o aparelho estava na delegacia com Diggle que tentava reunir o máximo de informação possível sobre o perseguidor de Felicity.

— Posso responder essa pergunta quando estivermos em casa? — Pedi, não queria dar motivos para que Felicity ficasse novamente irritada comigo, tampouco eu poderia revelar toda a verdade aqui e agora.

— Eu espero que você não esteja colocando algum tipo de rastreador nele. — tentou brincar, embora o tom dela parecesse suspeito.

— Essa é na verdade uma ótima ideia. — Felicity olhou alarmada para mim — Eu estou brincando. — Falei rapidamente ao encarar seus olhos.

Não, eu definitivamente não estava brincando.

***

Felicity Smoak

Oliver estava estranho.

Eu ainda estava muito puta com o comportamento autoritário dele, e por causa disso eu me mantive distante durante todo o meu expediente no bar. Mas como era difícil ignorá-lo quando eu sentia seus olhos em mim, me seguindo a todo momento, eu sentia como se o Oliver policial estivesse no comando hoje, parecendo tão atento e um pouco intimidador. Eu fiquei surpresa por não tê-lo agindo como um macho alfa, dado ao seu comportamento de mais cedo eu estava esperando por certa confusão. Mas ele pareceu não ouvir algumas das cantadas que recebi, ou perceber alguns olhares dissimulados na minha direção. Mesmo mantendo seus olhos o tempo todo em mim.

Seus olhos seguiam-me e analisavam-me.

Havia algo mais na forma como ele me olhava. Preocupada e cuidadosa, até mesmo um pouco nervosa. Não era o seu olhar de puro desejo com o qual eu estava sempre acostumada. Algo estava muito errado com Oliver, e quando eu finalmente o confrontei eu vi isso. Eu apenas lhe dei o benefício da dúvida porque eu vi em seus olhos que algo não parecia certo. Havia certa dor em seu semblante.

Oliver se negou a me dizer algo até que estivéssemos em casa. E quando finalmente chegamos ele pareceu muito menos tenso, embora ainda houvesse aquela pequena nuvem de dor em seus olhos dizendo que algo não estava bem. Ele se sentou no sofá e me puxou para o seu lado puxando minhas pernas por sobre o seu colo. Seus olhos azuis me fitavam parecendo nervosos.

— Eu não sei por onde começar. — Declarou, suspirando passando as mãos por seus cabelos enquanto seus olhos se perdiam indo para algum lugar longe de mim.

— Que tal me explicando o porquê de você ter sido um babaca comigo mais cedo? — Sugeri. Eu sabia que aquela tinha sido a reação dele a um problema maior. Oliver assentiu, voltando os seus olhos para os meus e quebrando algo dentro de mim ao ver a dor que ele escondia dentro deles. O que tinha acontecido?

— Porque por um instante eu realmente pensei que eu a tinha perdido. — Eu nunca tinha visto tanta tristeza na voz dele, a mão de Oliver se colocou suavemente ao redor do meu rosto acariciando a pele ao mesmo tempo em que garantia que meus olhos não se desviassem dos seus. — Eu pensei que o seu perseguidor a havia encontrado. Você não respondia ao seu celular e isso me enlouqueceu! Eu agi como um babaca porque eu precisava manter você sob meus olhos, garantir que ninguém a iria tirar de mim. — Explicou.

Por mais que aquela declaração fizesse meu estômago se agitar em alegria pela intensidade dos sentimentos que Oliver revelava ter por mim. Eu me senti mal, por ser a responsável por aquela tristeza em seu olhar.

— Eu não deveria ter te contado nada, eu nunca deveria ter te envolvido nisso, te arrastado para os meus problemas — lamentei. Oliver não estava lidando bem com o meu passado, talvez ele nunca conseguisse.

— De modo algum. Você fez a coisa certa ao se abrir comigo. — Oliver garantiu resoluto, parecendo até mesmo incomodado com o meu comentário.

— Mas agora toda a vez que eu sair por aquela porta ou não atender o celular ao primeiro toque, você vai enlouquecer, e eu detesto ser a responsável por causar isso em você. — Oliver ficou impassível, como se não soubesse como responder aquilo. — Hoje você simplesmente me impediu de ir encontrar Selina, por causa de toda essa preocupação. O que vai ser da próxima vez, Oliver? — Perguntei, tentando fazê-lo ver o meu ponto.

— Porque não era Selina. — Oliver informou de repente, ele engoliu em seco e seus olhos se prenderam aos meus querendo me dizer algo.

— Como? — Questionei, a frase dele não fazia sentido nenhum na minha cabeça.

— Não era Selina, amor. — Ele repetiu, sua voz soou macia e suave, aquele tipo de tom que guardamos para quando queremos dar alguém uma notícia ruim. Ele suspirou, seus olhos ainda estavam nos meus, sua mão agora em meus cabelos acalentando-me.

Eu não conseguia respirar.

Eu buscava pelo ar, mas ele parecia não encontrar o caminho até meus pulmões. Eu sentia o meu primeiro instinto voltar, eu queria correr para longe. Mas parecia tão difícil fazê-lo quando eu estava nos braços do Oliver.

— Você pegou meu celular. — falei apenas, tentando juntar as coisas na minha cabeça.

— Ele está na delegacia, estão tentando rastrear a origem das mensagens. — Oliver falava, e eu apenas assentia mecanicamente, sem ouvi-lo realmente — Eu sinto muito, muito mesmo, amor. — suas palavras eram sinceras, seu toque era a única coisa boa naquele momento — Mas sua amiga Selina está morta, não é com ela que você tem conversado nos últimos dias. — A verdade me atingiu como uma espada no meu coração.

— Ele a matou? — Perguntei num fio de voz, mesmo já sabendo a resposta.

— Sim. — Foi tudo o que Oliver se limitou a dizer, puxando-me um pouco mais para o seu colo e mantendo-me dentro do calor de seus braços fortes. Suspirei pesadamente contra seu peito desejando que a fragrância de Oliver, a sensação boa de ser abraçada por ele fosse capaz de agir como um escudo e impedir os sentimentos ruins de entrarem em mim, mais uma vez.

Ele estava aqui.

Ele esteve aqui o tempo todo. Brincando comigo sem que eu notasse. E ele sabia de cada detalhe da minha vida, dos meus pensamentos, eu até mesmo havia lhe fornecido pequenos segredos do meu coração.

Ergui meu rosto e encarei Oliver, que olhava igualmente triste para mim. Sua mão moveu-se gentilmente em minha face enquanto ele se livrava das lágrimas que caíam pelo meu rosto e eu nem me dava conta. Seus lábios pousaram-se sobre os meus tão suavemente que era difícil definir se era um beijo ou um simples roçar de lábios. Eles se moveram novamente exigindo um pouco mais como se Oliver quisesse sugar a minha tristeza para si enquanto ele me beijava.

Estranhamente seu beijo tinha esse efeito.

Algo estalou na minha mente, enquanto sentia seus lábios macios junto aos meus.

Ele sabia sobre Oliver.

Ele sabia como eu me sentia em relação a Oliver.

Eu estremeci, me lembrando da imagem de Cooper morto no assoalho de um porão. Seus olhos sem vida encarando-me e dizendo-me que aquilo era tudo minha culpa. E eu nem sentia por Cooper um décimo do que eu sentia por Oliver. Pensei em Selina, a amiga que eu mal tive tempo de aprofundar a amizade antes que ele a matasse também, por um motivo fútil.

E ele estava apenas começando.

O que mais ele tiraria de mim?

Afastei-me de Oliver, quebrando o beijo e olhando naqueles olhos de um tom de azul tão único. Eu sabia o que ele tiraria.

E meu coração gritava um alto e desesperado não.

Notas finais
Eita, dramatizei demais? Desculpem, mas vocês entram nas minhas fics já cientes disso... Confesso a vocês que acho super divertido ver vocês tensos todas as vezes que acreditam que o perseguidor pegou a Felicity! Enfim, que tal me dizerem o que acharam desse capítulo? Teve um ponto de vista diferente... Beijinhos e obrigada pelo apoio!