Running Away

2 Capítulo 1 - Run Away


Notas iniciais
Hey leitores! Quero agradecer pelos comentários e favoritos no prólogo! Mas principalmente pelo apoio nessa nova história, é algo diferente do que estou acostumada e espero muito acertar com ela! Então todo apoio é muuuuito bem vindo! Muitos palpites sobre quem é o perseguidor da Fel, não estou surpresa por um certo personagem estar sendo cotado... Mas por favor não se prendam demais a série, a história é em universo alternativo por isso, para que eu possa ter certas liberdades na hora de criar nuances diferentes na personalidade de um personagem. Bem, é isso. Espero que gostem do capítulo 1. Música: Run Away - Cary Brothers


It's another day

And I suffocate
With no peace of mind
And the forecast tells of a summer storm

So I call you
Sound in circles
Will you come tonight?

You're gonna run away
You're gonna run away

Listen up
And I'll tell you why
'Cause the feeling won't quit
The memories sit
They're nothin' now
(Run Away — Cary Brothers)

Oliver Queen

Ele era rápido. Constatei assim que vi o vulto pulando pela janela do apartamento antigo no Glades. Mas eu também era. Pulei a mesma janela e desci pela escada de incêndio seguindo aquele vulto através dos becos escuros de Starling City com velocidade, desviando de qualquer obstáculo que aparecesse a minha frente, o coração estava acelerado, o fôlego quase no limite, mas a adrenalina me fazia continuar a correr. Eu estava determinado a pegar esse cara, ele havia arruinado muitas vidas, destruído famílias inteiras. Eu tinha um desprezo imensurável por pessoas assim, traficantes que se aproveitavam da miséria e sofrimento alheio para vender uma breve e falsa concepção de felicidade, para iludir os que já não tinham muito, eram como sanguessugas, sugando toda a vida, esperança e sanidade de alguém. E quando não havia mais nada para sugar, quando eles se transformavam em uma casca vazia, um esboço do que já foram um dia, eles simplesmente os descartavam sem se importar, como se fossem apenas lixo. Se dependesse de mim esse cara passaria o resto de seus dias num lugar muito pior do que Iron Heights, mas infelizmente não era eu quem determinava isso.

O homem que eu perseguia virou à direita em uma rua escura, fiz um rápido cálculo mental e deduzi que se seguisse em linha reta o encontraria na próxima intercessão. Corri ainda mais rápido virando abruptamente na primeira curva fazendo meu corpo colidir com o dele com toda a força. O choque da colisão fez com que seu corpo fosse jogado ao chão me dando alguns segundos de vantagem, eu deveria seguir o protocolo agora apontar minha arma em sua direção e exigir que se rendesse. Mas é claro que não o fiz. Protocolos eram estúpidos e quase nunca funcionavam. Eu disse quase nunca. Porque no momento seguinte o homem avançou sobre mim, empurrando o meu corpo contra a parede mais próxima e pressionando a lâmina fria do que parecia ser um canivete contra minha garganta.

— Agora você vai me deixar ir? — sibilou as palavras num tom rouco, seu olhar era penetrante, quase louco e em seus lábios pendia o mais presunçoso sorriso de vitória.

— Não. — neguei e observei as mudanças em semblante, primeiro ele ficou confuso ao perceber que sua ameaça não tinha surtido o efeito desejado e em seguida incrédulo quando acertei um golpe em suas pernas e ouvi o seu urro de dor, em seguida o empurrei com força afastando suas mãos de mim e jogando-o ao chão. Novamente eu poderia ter usado minha arma aqui e apenas o rendido, esse era o protocolo a ser seguido, mas eu me senti muito melhor ao cair sobre seu corpo e socar seu rosto presunçoso com os meus punhos.

— Wenner Vertigo. Ou você prefere o título estúpido que gosta de ostentar? — perguntei — Conde Vertigo — pronunciei o nome com deboche e logo em seguida o virei de costas puxando suas mãos para trás. Enquanto o fazia, percebi a luz de um farol iluminar a rua, não dei muita atenção e me concentrei no único protocolo que gostava de seguir. — você está preso. Você tem o direito de permanecer calado e tudo o que você disser pode e será usado contra você no tribunal. Você tem o direito a ter um advogado presente durante qualquer interrogatório. Se você não puder pagar um advogado, um defensor público lhe será indicado. — finalizei a frase padrão prendendo as algemas ao redor de seus pulsos, muito mais forte do que deveria. Mas eu não me importava com o bem estar dele.

— Você ama dizer isso, não ama? — olhei para alguns metros do outro lado da rua onde estava a minha parceira, Sara Lance, encostada na viatura apenas observando com um sorriso contido a minha performance.

— É essa frase que faz ser um policial valer a pena. — expliquei recebendo seu olhar divertido — Tudo bem, semana que vem você pode dizê-las. — concedi enquanto arrastava o meliante no caminho até o veículo.

— Obrigada! — ela disse satisfeita, abrindo a porta traseira da viatura para que eu acomodasse nosso passageiro. Dei a volta no veículo me dirigindo para a parte da frente, mas antes que minhas mãos pudessem chegar à porta do motorista Sara se antecipou.

— Nem sonhando, Queen! — falou sacudindo as chaves do carro à minha frente. — Você teve toda a diversão prendendo o cara mau, me deixe pelo menos dirigir a viatura! — sorri, dando a volta e me sentando no banco do passageiro. — E falando em cara mau, teremos problemas com o reconhecimento, você fez um belo estrago com a cara feia dele. — apontou ao olhar a cara ensanguentada do criminoso pelo retrovisor.

— Foi legítima defesa. — argumentei erguendo minhas mãos.

— Claro que foi. — debochou — Pelo menos o Capitão Lance vai ficar satisfeito com o seu desempenho hoje a noite. — disse dando partida no carro logo em seguida.

— Não há nada no mundo que faça o seu pai ficar satisfeito comigo. — ressaltei.

— E de quem é a culpa? — arqueou uma das sobrancelhas — A cada dia você desfila com uma policial diferente! Ele está cansado de perder todas as melhores policiais que sempre pedem transferência depois que você dá um fora nelas! — Ah, se Sara soubesse que não era apenas isso!

— Eu não sei como ele permite que você seja minha parceira.

— Porque ele sabe que sou inteligente demais para cair em seus encantos! — explicou, e eu não pude evitar sorrir. Sara e eu tínhamos sido bons amigos desde o momento em que nos conhecemos e eu gostava dessa amizade, não tinha intenção de destruí-la por alguns bons momentos na cama. Além disso, ela estava correta, Sara não era do tipo que se derretia por um simples flexionar de músculos.

— Ou porque ele sabe que somos iguais! — provoquei.

— Que difamação! Eu posso te processar por isso e lembre-se minha irmã é promotora.

— Eu sei bem disso! — exclamei com um ligeiro sorriso.

— O quê?! Argh! Que nojo Oliver! Sério? Laurel também entrou nessa lista? — Foi inevitável não rir da expressão de desgosto em Sara. — Mas sério Oliver, você devia parar de fazer isso. — o semblante de Sara ficou mais sério — Ontem eu vi a comida da vez, mais conhecida como Mackenna Hall procurando por vestidos de casamento na internet. Ela também comentou que a mãe vem passar uns dias com ela no próximo fim de semana. Não seria adorável conhecer a futura sogra? — engoli em seco com aquela perspectiva.

— Você está brincando. — falei analisando as linhas de seu rosto, mas Sara permanecia impassível — Ela sabe que é só sexo. Todas elas sabem. — justifiquei, mais para mim do que para ela.

— Sim, mas isso não as impede de terem a ilusão de que podem fazer um homem como você se apaixonar e que ele irá largar toda a vida de promiscuidade e sexo sem compromisso por elas. Não sabia? Esse é o sonho de toda mulher! — esclareceu.

— Toda? — questionei com um sorriso sugestivo.

— Correção: de todas as mulheres estúpidas. — ressaltou, parando o carro em frente a delegacia. Antes que pudéssemos conduzir o nosso mais novo convidado à sua cela fomos interceptados pelo grito do capitão Lance a entrada da delegacia.

— Queen. — Cuspiu o meu nome com desgosto — Na minha sala agora! — ordenou.

— Inferno. — falei o impropério em voz baixa para que Lance não o escutasse e entrei imediatamente na delegacia seguindo o meu chefe.

— Senhor. — usei meu tom de voz mais respeitoso, assim que cheguei a sua sala.

— O comissário da polícia de Gotham City está ligando para cá desesperado e exige falar com você. — fiquei surpreso com suas palavras, há certo tempo que não tinha contato com Gordon, e ele jamais ligava no meu trabalho — Você aprontou algo? Dormiu com a filha de alguém? — Lance me questionou e neguei com um gesto firme — Dessa vez eu vou te dar o benefício da dúvida. — estreitou os olhos na minha direção — Retorne para ele, o homem parecia muito preocupado. — estendeu-me o telefone saindo da sala e fechando a porta atrás de si. Disquei o número que estava anotado em um bloco amarelo sobre a mesa, o telefone atendeu ao primeiro toque.

— Gordon? Está tudo bem? Precisa de mim?

Oliver... — a voz dele estava instável, o estresse era evidente e ele parecia muito nervoso, preocupado na verdade. — Você ainda se lembra daquele favor que me deve? — Como eu poderia me esquecer de tudo o que aquele homem tinha feito por mim? Eu devia muito mais do que minha vida, se eu era alguém hoje era graças a ele que estendeu a sua mão quando eu não tinha mais ninguém. Eu faria qualquer coisa que Gordon pedisse e ainda assim seria mínimo considerando o que ele havia feito por mim. — Porque eu realmente preciso cobrá-lo agora.

***

Felicity Smoak

Eu não sabia dizer com precisão como eu havia chegado até aqui. Eu apenas corri em meio a chuva, até que meus pulmões imploraram por ar, até que meus pés sangraram por causa das pequenas pedras que havia pela estrada. Mas eu não me importava com meu estado físico, eu estava segura aqui. Momentaneamente, mas ainda assim segura. Estava sentada em um dos bancos da delegacia de Gotham City, um cobertor seco e quente sobre o meu corpo, mas que não servia para me aquecer do frio. Eu respirava pausadamente sentido a cada expiração o alívio de estar viva. Eu havia escapado dele mais uma vez, com essa seria o quê? A terceira? Eu me perguntava quando isso teria fim, quando eu poderia viver em paz sem ter que me preocupar com esse ser me caçando aonde quer que eu fosse.

Tracei a linha fina da cicatriz que seguia verticalmente da base do meu pulso até a metade do antebraço. Respirei fundo tentando me acalmar, aquilo era um lembrete de que eu sabia ser forte quando necessário e eu precisava muito ser forte agora.

— Querida. — escutei a voz de Tio Gordon interrompendo os meus pensamentos, assim que ergui os olhos e o vi vindo em minha direção, logo eu estava sendo esmagada por seu abraço de urso. — Você está bem? Machucada em algum lugar? — perguntou ansioso ao mesmo tempo em que me soltava de seu abraço e seus olhos varreram meu corpo em busca de qualquer ferimento evidente.

Eu queria ter dito que eu estava bem, mas não conseguia falar, eu tinha aquele bolor preso dentro de mim que me impedia de pronunciar qualquer frase que fosse. Além disso, eu não era capaz de dizer um simples “estou bem” se não era verdade, honestamente eu duvidava se algum dia eu estive bem depois que ele apareceu em minha vida.

— Não se preocupe você está segura agora. — garantiu, olhando-me nos olhos tentando me passar segurança enquanto sua mão apertava fortemente a minha. — Vou resolver isso, mas você sabe que eu preciso que me conte tudo. — pediu tristemente. Gordon compreendia o quanto seria difícil contar o ocorrido, principalmente quando tudo o que eu mais queria era me livrar daquelas lembranças e contar significava reviver tudo mais uma vez.

Mas ainda assim eu contei. Porque no fim eu preferia reviver aqueles momentos várias vezes por mais dolorosos que fossem, se isso significasse uma chance de pegá-lo, uma chance de me ver livre desse inferno de uma vez por todas. Durante todo o relato eu segurei firme a vontade de chorar, eu me negava a derramar uma lágrima sequer por causa daquele mostro. Por isso eu tomei a dor em meu peito, eu a prendi em uma jaula no fundo do meu ser e a deixei ali escondida. Eu sabia que isso era errado, mas eu não podia lidar com tantas coisas de uma única vez, eu só temia pelo momento em que não conseguisse mais segurá-la naquele canto escuro, eu seria capaz de conter o estrago quando ela se libertasse?

Observei tio Gordon trabalhar, ele estava nervoso como eu nunca tinha visto antes, sua careca gotejava de suor, ele andava de um lado para o outro dando ordens a todos e não desgrudava do telefone por nem um minuto. Meu sapato foi levado à perícia que logo confirmou a quem pertencia o sangue, não que eu tivesse alguma dúvida. Policiais foram até o local do ataque e não encontraram nada, nenhuma pista sequer. Ele era limpo, metódico, esperar por um deslize dele seria como esperar por chuva no deserto do Saara. Poderia até acontecer, mas quando acontecesse certamente causaria muito mais estragos do que benefícios.

Minha cabeça latejava, meu corpo inteiro doía e eu senti de uma única vez o cansaço daquele dia recair sobre mim. Encostei a cabeça à parede tentando me concentrar no contato com o gesso frio, fechei os olhos por poucos segundos na tentativa de relaxar, mas foi impossível conseguir paz até mesmo em meus pensamentos, assim que a escuridão chegava as imagens começavam a aparecer, imagens dele e seu sorriso doentio, imagens de um olhar pétreo e sem vida que pertencia a um corpo que jazia ao meu lado. Senti meu corpo se arrepiar e eu logo despertei assombrada com aquela lembrança de quão cruel ele podia ser, meus olhos estavam úmidos e as mãos geladas, teria que ficar acordada para não dormir e ter um dos meus já conhecidos pesadelos.

Uma policial gentil que foi designada a ficar comigo enquanto todas as providências eram tomadas me ofereceu alguns calmantes, mas eu recusei prontamente. Por mais que estivesse desgastada e minha mente uma completa bagunça, eu gostava de estar no controle de mim mesma, eu conhecia bem a sensação de ser dopada e eu me recusava a me sentir assim outra vez, sem domínio de meus atos e pensamentos.

Já era bem tarde da noite quando tio Gordon voltou a sala dele trazendo um par de malas e uma sacola que depois descobri conter uma caixa de tinta para cabelos. Ele disse que tinha ajeitado tudo e que eu iria embora naquela madrugada. Assustei-me com a rapidez, mas antes de tudo me assustei com a urgência com a qual ele me queria longe de Gotham.

— Tio, o senhor está me escondendo algo? — questionei e me preocupei assim que vi seus olhos culpados, ele definitivamente estava me escondendo algo. Gordon parecia ainda mais nervoso do que quando eu cheguei, algo havia acontecido, algo ruim que fizera da minha partida imediata necessária.

— Vá pintar os cabelos. — mudou de assunto — Seja rápida, não temos muito tempo.

— Tio... — tentei, na esperança de que ele me revelasse o que tinha acontecido para deixá-lo assim tão transtornado.

— Por favor, Felicity, não discuta apenas faça o que eu pedi.

Acabei por fazer o que ele pediu alarmada com a urgência de seu pedido e em questão de minutos eu dava adeus aos meus cabelos castanhos escuros. Não sei se foi a raiva ou a vontade súbita de mudar que me fez pegar uma tesoura e cortar os mesmo a altura dos ombros. Não ficou um corte muito bom, dava para ver que algumas pontas estavam de tamanhos diferentes em algumas partes, mas eu não me importei porque olhando no espelho, para aquela loira de cabelos curtos despontados eu me sentia diferente, talvez diferente o suficiente para que ele não me reconhecesse, para que ele não me quisesse.

Se tio Gordon ficou surpreso ao me ver, ele soube disfarçar. Ele apenas me entregou um envelope com a minha passagem de avião, o endereço de um lugar seguro, e um telefone não rastreável. Disse que não poderia ir comigo para não atrair atenção, mas que alguns policiais disfarçados iriam estar próximos garantindo a minha segurança. Se despediu de mim com um beijo na testa e um abraço forte. Desculpou-se por não conseguir me proteger e me desejou sorte.

Sorte.

Como se tudo o que eu passei tivesse sido porque eu era uma pessoa muito azarada. Talvez eu devesse comprar um pé de coelho.

No aeroporto foi tudo muito rápido fiz meu check in e minutos depois embarcava em meu voo para uma cidade desconhecida. Eu estava indo embora outra vez. Deixando tudo para trás, sem me despedir dos poucos amigos que fiz, Selina provavelmente estaria me esperando no outro dia para o nosso usual café da manhã antes de mais um dia de trabalho na Wayne Interprise, o que ela pensaria quando eu não aparecesse e não atendesse suas ligações? Ficaria preocupada? Eu simplesmente desapareceria da vida de todos, em pouco tempo eles me esqueceriam, o laço tão frágil de amizade seria desfeito, eles fariam novos amigos e eu desapareceria da memória deles também. Seria como se eu nunca tivesse existido.

Seria pedir muito por um laço que fosse permanente?

***

Oliver Queen

Escutei o bip do despertador me informando que eram sete horas da manhã. Eu deveria ir tomar um banho e me arrumar para o trabalho, essa era a minha rotina. Mas hoje não, hoje eu iria para a delegacia mais tarde. Tudo porque Gordon me fez um pedido o qual eu não poderia negar, por mais que eu quisesse.

Ele sempre foi como um pai para mim, me guiou pelo caminho certo quando não havia ninguém que o fizesse, ninguém que quisesse. Eu devia muito ao Gordon, se hoje eu era membro da polícia de Starling City era graças a ele que se empenhou, que sempre me apoiou e não me deixou desistir, nem mesmo quando os tempos foram sombrios. Então quando eu conversei com ele na noite anterior eu não tive escolha a não ser atender a seu pedido incomum: Cuidar de uma garota.

Inicialmente eu estranhei. Se a garota corria perigo por que não colocá-la em um desses programas de proteção à testemunha? Eles eram bons e eficientes. Mas Gordon disse que ela era família e que eu era a única pessoa no mundo em que ele confiaria alguém tão importante.

A negativa dele me fizera pensar que esse podia ser aquele caso clássico: Jovem mimada se envolve com as pessoas erradas e a família preocupada resolve mandá-la para uma temporada longe de tudo, na esperança de que adquira algum juízo. Felicity Megan Smoak. Esse era o nome da garota que arruinaria meus próximos... Oh merda! Gordon não me disse por quanto tempo ela ficaria!

Eu não estava ansioso para lidar com uma jovem. Ser tutor de alguém não estava em meus planos, e definitivamente ter a sobrinha de Gordon morando aqui mexeria com a minha rotina. Ele foi vago quanto ao motivo da mudança abrupta, mas foi resoluto quanto a necessidade de eu ir buscar a tal garota no aeroporto hoje cedo, e mais, deveria ser discreto. Ninguém poderia saber quem ela era.

Isso me cheirava a problema.

Observei a morena enrolada em meus lençóis, aquilo também era um problema. Sara estava certa já era hora de eu me livrar de Mackenna, pensei que trazendo-a para o meu apartamento ontem a noite eu poderia aproveitar meu último momento de liberdade antes que minha nova inquilina chegasse. O sexo foi bom, mas nem um pouco espetacular. O falatório de Mackenna sobre a família e a insistência em me levar para jantar com sua mãe era o suficiente para acabar com o tesão de qualquer um. Sentei-me sobre a cama e a sacudi levemente para que acordasse.

— Vista-se. — solicitei.

— Me diga novamente por que eu devo ir embora tão cedo? É meu dia de folga e você já avisou que iria chegar tarde. Podemos passar o dia inteiro na cama. — falou manhosa rolando até mim na cama. Por que ela fazia uma voz infantil para falar comigo?

— Porque eu tenho um compromisso e não posso me atrasar. — expliquei pela enésima vez enquanto me levantava e vestia minhas calças.

— Eu posso ir com você. — novamente a voz infantil, aquilo me fez revirar os olhos.

— Não, você não pode Mackenna. — respondi impaciente — Apenas vista-se e dê o fora do meu apartamento. — optei por ser grosso, já que ser educado não funcionava com ela.

A vi se levantar contrariada e pegar as suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto, lançava-me um pequeno sorriso lascivo sempre que começava a vestir uma peça de roupa, esperando que eu a correspondesse e mudasse de ideia. Inferno, Sara estava certa eu precisava me livrar dela urgentemente.

Agradeci o acaso providencial que foi a campainha tocando de modo que pude me afastar dela e de suas tentativas irritantes de me seduzir. Paralisei tão logo abri a porta e me deparei com aquela visão. Eu já tive incontáveis mulheres em minha cama, de todos os tipos, altas e magras, baixinhas com corpo escultural, loiras, morenas, ruivas, negras e a lista continuava... mas eu nunca tinha visto uma mulher como aquela. Ela parecia exercer um magnetismo incomum sobre mim, todo o meu corpo se acordou assim que a vi e minha mente foi dominada pelos pensamentos mais despudorados.

— Ela é o seu compromisso? — Mackenna perguntou logo atrás de mim me fazendo ciente de sua presença, com muito esforço olhei para ela e me deparei com seus olhos castanhos crispando de fúria. — É por causa dela que está me expulsando da sua cama? — exigiu saber.

Como eu não respondi Mackenna bufou e saiu do meu apartamento batendo seus saltos altos, mas eu não me importei. Tudo o que eu via era aquela loira curvilínea a minha frente, cintura fina, seios firmes do tamanho perfeito para tê-los em minhas mãos e lábios cheios e aveludados! Minha mente já estava listando as inúmeras utilidades para lábios assim, imaginando o quão delicioso seria prová-los ou tê-los deslizando sobre o meu corpo me provando. Meus olhos subiram um pouco mais e finalmente encontraram os dela, azuis claros cristalinos e de repente todos os meus pensamentos de luxúria desapareceram, logo quando mirei aquele olhar que parecia firme e sério a primeira vista, mas que quando analisado mais profundamente via-se a verdade. Aquele era um olhar que me contava uma história, eu via através dos nuances de azul toda a tristeza que aquela garota carregava e tentava desesperadamente esconder.

— Você é Oliver Queen? — questionou-me e quando ouvi sua voz quebrar foi que notei o quão nervosa ela estava, embora o tom contrastasse com a postura firme dela.

Eu estava pronto para soltar a cantada padrão: Eu posso ser quem você quiser, querida. Mas ela havia me chamado pelo nome e isso só poderia significar uma coisa: Ela era a garota do Gordon.

Notas finais
E aí o que acharam? Oliver como policial *---* confesso que adoro isso! E vocês aprovaram? Deixem a opinião, uma crítica ou um oi =D Beijos e até o próximo!