Running Away

26 Bônus: Oliver e Felicity


Notas iniciais
Ahhh eu posso imaginar a carinha de surpresa de alguns de vocês, provavelmente estão se perguntando o que a doida da Luna tá fazendo aqui numa fanfic finalizada... Bem, quando a inspiração aparece ela não escolhe muito a fanfic... Na verdade eu tinha prometido um bônus, e como eu sou o Slade Wilson das promessas aqui estou eu, anos-luz depois para cumpri-la. É algo bem simples mesmo, ok?! Só mesmo para não deixar passar em branco. Espero que curtam a leitura, e desculpem por não ter revisado direito, já tô um pouquinho cansada e a vista vai embaralhando!

Felicity Smoak

Eu odiava despertadores.

Nunca me dei bem com eles, eu me lembrava desde criança que minha mãe precisava me chamar várias vezes pela manhã ou eu perderia o ônibus para escola. E isso aconteceu algumas vezes quando ela perdia a paciência comigo e simplesmente desistia de insistir. Com a vida adulta eu tive que me adaptar a ideia de ter um celular me acordando ao invés do grito estridente (e muito mais efetivo) de Donna Smoak.

A ironia era que nos tempos mais escuro da minha vida eu não precisava sequer de um despertador. Meu sono costumava ser leve e perturbado e qualquer mínimo barulho me acordava, mas aos poucos isso foi mudando em mim. Aos poucos eu me acostumei a dormir confortavelmente dentro de um abraço quente e confortador, aos poucos meus pesadelos deram lugar aos sonhos gostosos, dos quais quando acordamos nós fechamos nossos olhos e tentamos alcançá-los novamente de tão bom que são. A vida voltou ao seu normal, e eu tive que novamente me adaptar a um celular me acordando pela manhã.

Não me adaptar exatamente, porque eu perdia a conta de quantas vezes eu apertava o botão de soneca. De quantos toques irritantes que meu celular dava antes que eu realmente me levantasse da cama, da última vez eu o joguei contra a parede do outro lado do quarto e ele nunca mais foi o mesmo.

Depois do episódio, Oliver decidiu que eu precisava de um despertador o qual eu não tentasse destruir e que combinasse com o meu jeito preguiçoso e lento pela manhã.

Agora eu tinha um despertador novo.

Eu amava esse despertador.

Ele não tinha um toque estridente, ele não me forçava a sair de meus sonhos bons. Esse despertador era quase a continuação de um.

Havia todo um ritual matinal para me acordar, demorava um pouco, mas eu não me incomodava. Oh, não, agora eu amava cada pequeno detalhe do ato de ser acordada pelo despertador.

Porque meu despertador era meu marido Oliver Queen.

Eu suspirei ao sentir seus dedos afastando suavemente o cabelo da nunca os jogando para o lado, e praticamente ronronei ao sentir lábios macios e umedecidos tocarem a pele sensível do pescoço com deliberado erotismo. Começou como lábios apenas roçando de um jeito suave e provocando pequenos arrepios em minha espinha, e então veio a língua, quente e molhada, percorrendo a pele acrescentando um toque ainda mais sensual à carícia, senti seus dentes se arrastando também, prendendo a pele entre eles e mordiscando, e sua barba por fazer arranhando e por mais que eu tenha advertido Oliver a não me deixar marcada, eu sempre acordava com as marcas vermelhas por onde seus dentes passavam.

Mas isso não era tudo.

Com Oliver nunca era. Sua boca não agia sozinha ao me provocar, seu corpo inteiro estava todo envolvido no processo de me despertar. Eram mãos que subiam por dentro da camisola acariciando vagarosamente a pele da barriga, subindo e encontrando meus seios, fechando suas mãos em concha ao redor deles e os apertando, ou então apenas acariciando o bico túrgido entre os dedos, de todo modo suas mãos se esbaldavam em mim, contentes pela falta da barreira de um sutiã.

Eu tinha também seu corpo quente e excitado pressionado deliciosamente no meu. E se sentir Oliver completamente desperto roçando em minha bunda já não fosse o suficiente, há um pequeno detalhe que tornava tudo ainda melhor. Oliver dormia completamente nu.

Como resistir a tentação se ela estava sempre ao alcance da mão?

E se nem mesmo com suas carícias eu acordasse, então Oliver recomeçava tudo outra vez deixando os toques cada vez mais ousados. Às vezes eu fingia que ainda estava adormecida só para ter o dobro de prazer. A quem eu estava tentando enganar? Eu sempre fingia que ainda estava adormecida apenas para ter mais. Mas era quase impossível enganar Oliver, bastava um toque dele, um simples beijo sobre a minha pele e eu já me via em chamas, me via girando em seus braços e buscando afoita por sua boca.

Naquela manhã não foi diferente.

Talvez eu estivesse um pouco mais faminta que o normal. Mas no momento em que senti seus lábios fazendo o estrago usual em meu pescoço eu não contive a reação do meu corpo. Apenas me girei em seus braços e busquei por sua boca pegando Oliver de surpresa, mas de modo algum despreparado. Ele nunca estava despreparado nesse quesito.

Seu beijo veio languido e desejoso em resposta ao meu. Oliver e eu já estávamos juntos há quase quatro anos, e nada nunca mudou a reação praticamente explosiva que tínhamos na cama. Ao contrário, com mais tempo para nos conhecermos e sem uma ameaça mortal sobre nós, ela se tornou ainda melhor. É como dizem, pratica leva a perfeição. E essa perfeição se traduzia agora em sua boca macia se movendo entreaberta na minha e nossos lábios se amassando um no outro, na sua língua que deslizava primeiro pela carne dos lábios antes de entrar em minha boca buscando pela minha. Elas se tocavam e provaram o gosto uma da outra, e mesmo que eu já tenha beijado Oliver milhares de vezes cada uma delas era diferente e ao mesmo tempo igual. Igual porque beijá-lo continuava a me desfazer, continuava a ser tão malditamente bom que eu desejava jamais parar de beijá-lo, e diferente porque sempre parecia haver ainda mais sentimento, como se este crescesse gradativamente a cada beijo.

Suas mãos se apertaram ao redor da minha cintura num primeiro momento, depois desceram sem pudor para minha bunda empurrando meu corpo em direção ao dele.

Gemi dentro da sua boca ao sentir o quão excitado Oliver estava.

E de repente percebi que meu corpo já se movia para o dele, minhas mãos tateavam seu torso musculoso descendo cada vez mais para baixo até tocar sua ereção com as pontas dos dedos.

Eu escutei uma risada rouca misturada a um gemido.

— Dessa vez foi rápido. – Oliver soprou as palavras em minha boca — Você não fingiu que dormia por muito tempo.

— Sua culpa. – respondi, acariciando-o de leve — Como eu posso resistir a tudo isso? – A pergunta veio seguida de um suspiro frustrado. A resposta óbvia era que eu nunca conseguia resistir, mas eu quase sempre precisava resistir. Responsabilidades da vida adulta quase nunca cooperavam com o quanto eu queria Oliver. E considerando que eu o queria a cada minuto do meu dia, era para ser mesmo difícil.

— Não resista. – veio o pedido numa conotação sensual sussurrado em meu ouvido e acompanhado do toque quente de sua boca ali — É tudo seu, amor. Pode pegar sempre que quiser.

— É um convite? – pisquei meus olhos inocentemente para Oliver, o que contrastava diretamente com a carícia nenhum pouco inocente que meus dedos seguiam lhe fazendo.

— Não. É uma ordem. – Eu ri ao ser pega de surpresa por seu corpo se inclinando sobre o meu até estar completamente sobre mim, o riso se transformando em um ofego e eu apenas engoli em seco tentando me controlar ao sentir cada parte da extensão do corpo de Oliver comprimida ao meu, por mais que ele segurasse a maior parte do peso sobre seus cotovelos eu ainda sentia sua pele queimando junto a minha, o gosto da sua respiração soprando em minha boca, atiçando ainda mais a minha libido, que já ficava louca apenas de estar com Oliver. Ondulei meu corpo debaixo do dele para o sentir melhor, eu precisava apenas me mover mais um pouco e Oliver estaria perfeitamente encaixado... – Vai obedecê-la?

— Hum? – Sua pergunta me fez parar por um momento, colocando em pause as más intenções que meu corpo pretendia seguir. Fitei o conhecido brilho provocativo e cheio de promessas pecaminosas que sempre estavam presentes em seus olhos azuis quando estávamos juntos, a boca convidativa e entreaberta tão próxima a minha. Eu gostava de nossas provocações, de como tudo era leve, fácil e até mesmo divertido conosco. Eu estava tão desacostumada com isso, que quando finalmente me vi tendo toda essa vida livre de preocupações ou medos com Oliver eu não acreditei no princípio. Era bom demais para ser verdade.

Parecia um sonho.

Algumas manhãs quando eu acordava de algum pesadelo, que agora nada mais eram mais como os de antigamente, eles não passavam de impressões indistintas que aos poucos desapareciam da mente juntamente com a sensação de medo, ainda assim eu me levantava silenciosamente da cama e ficava na varanda do nosso apartamento contemplando o nada, apenas pensando em como eu consegui, como me livrei de tudo aquilo? Como a minha vida se transformou de passar todos os meus dias com medo, sem deixar ninguém se aproximar, fugindo de cidade para cidade sem nunca me fixar em um lugar, para finalmente ter um lar para chamar de meu. E então eu sentia braços me abraçando por trás, uma voz rouca e preguiçosa perguntando em meu ouvido porque eu o havia deixado cama sozinho. Eu me girava entre seus braços e então encontrava a única resposta para todas as minhas perguntas.

Era Oliver.

Ele mudou toda a minha história, a partir do primeiro dia quando eu bati a sua porta. Quando eu senti meu corpo responder ao dele com tanta ansiedade mesmo que eu mal o conhecesse, quando notei o sorriso cretino que não combinava com seus olhos azuis que pareciam enxergar através de mim. E aos poucos eu o deixei entrar, eu mascarei meus sentimento na atração, tentando enganá-lo, mas a única enganada fui eu. Ele já havia tocado meu coração, conhecido minha alma e reivindicado, mesmo sem perceber, cada parte de mim como sua. Era amor, antes mesmo de reconhecê-lo ele estava lá presente, mesmo quando nós o negarmos, ele não foi embora. E no fim ele tinha sido a resposta, o sentimento do qual fugi, acreditando que era perigoso tinha se mostrado ser a salvação. Porque o que Oliver me fazia sentir foi o que me deu forças para lutar. E valeu a pena porque o que nós tínhamos agora era mais do que um dia eu poderia sonhar em ter. E eu não desejava que nada nunca mudasse isso.

Nunca.

— Felicity, vai obedecer a minha ordem? – Oliver repetiu novamente a pergunta, talvez notando que por alguns segundos meus pensamentos não estiveram totalmente focados no momento que compartilhávamos. Eu sabia que ele tentaria esconder a preocupação, mas que isso não significaria que ela não estava lá, e por isso achei melhor apenas voltar minha mente para o presente onde era um lugar muito melhor e prazeroso de se viver.

— Acho melhor eu obedecê-la, senhor Policial, eu não quero ser presa nem nada assim. – o provoquei ondulando meu corpo embaixo do seu e ajeitando minhas pernas nos deixando numa posição ainda melhor para acomodá-lo.

— Hum... – Oliver moveu-se para frente, seu membro pressionando o meu sexo de uma forma injusta enquanto sua boca voltou a minha num beijo demorado que tirou todo o meu fôlego. Eu não me importava, quem precisa respirar quando se pode beijar? – Eu gosto da ideia de prendê-la nessa cama, mas...

—...Mas se continuar desse jeito eu vou me atrasar para a aula. – reclamei completando o “mas” de Oliver, só então me lembrando do porque ele me acordava cedo todos os dias e porque eu não poderia ficar presa nessa cama com ele, por mais que eu quisesse – Ou então nem ir. – Inclinei minha boca para a de Oliver num beijo pequeno que eu desejava jamais encontrasse seu fim.

— Se queria ir a aula, você deveria me fazer desistir e não me incentivar a continuar. – Eu ri, mesmo depois de tudo o que passamos. Mesmo depois de termos nos casado e seguido com nossas vidas juntos. Mesmo que eu dissesse a Oliver todos os dias o quanto eu o amava, ele nunca deixou de ser um macho alfa ciumento.

Ele ficou um pouco mais controlado com o tempo, acho que o casamento fez isso com ele. Eu sempre percebia um orgulho na voz de Oliver quando ele me apresentava a alguém como sua esposa e me chamava de Felicity Queen, mesmo que eu tenha optado por usar os dois sobrenomes.

E por mais que eu contasse com seu apoio incondicional em todas as decisões da minha vida, como voltar a estudar e até mesmo dar uma mãozinha para Helena no bar de vez em quando, ele nunca deixou de lançar seu melhor olhar de policial intimidador para qualquer homem que ousasse me olhar de um jeito mais avaliativo.

Eu ignorava esse lado dele, porque se teve algo que eu aprendi é que amar alguém não era sobre moldar essa pessoa a um padrão irreal de perfeição, ou sobre esperar que ela mudasse quem era para te agradar. Era sobre aceitar as qualidades e defeitos dela, por mais que às vezes isso te enlouqueça. É se agarrar nas coisas boas que a pessoa te faz sentir e no quanto o simples sentimento de amar alguém já te torna a melhor versão de si mesmo.

E, além disso, eu nunca iria confessar ao Oliver, mas eu achava incrivelmente sexy quando ele aparecia na faculdade e fazia questão de se apresentar a todos como meu marido policial.

Era ridiculamente fofo.

Como resistir? Procurei seus lábios novamente, dessa vez deixando minhas mãos fazerem um caminho perigoso por suas costas e descendo até sua bunda firme, o que seria faltar a apenas um dia de aula?

— Eu odeio ter que ser o responsável aqui – Oliver disse, não apenas parando o beijo, mas também usando uma grande força de vontade, rolando o corpo pela cama e se afastando de mim, mas não o suficiente para aplacar a tentação. — Mas é melhor eu me afastar e deixar você se aprontar para a faculdade, seria uma lástima se por minha culpa você acabasse reprovando em alguma matéria. – fiz um biquinho frustrado ao olhar para ele que apenas me lançou o meu melhor sorriso cafajeste – Eu não adiantei minhas férias no trabalho para que elas coincidissem com as suas, e no final eu acabar tendo que dividir minha mulher com aquela faculdade cheia de abutres tentando roubar o que é meu. – reclamou, mal humorado apenas com a perspectiva.

Deslizei meu dedo indicador por seu peitoral, eu não conseguia não tocá-lo, era mais forte do que eu. E parecia que Oliver se sentia da mesma forma, porque mesmo tendo sido ele quem impôs a distância, sua mão capturou a minha a levando para seus lábios.

— São só mais duas semanas de aulas antes de finalmente entrar de férias e então todo o meu tempo será seu. – o lembrei percebendo que Oliver franziu o cenho — Não vou precisar de um convite, eu vou pegar suas algemas e prendê-lo nessa cama e você só sairá daqui quando estiver completamente saciado. – Oliver soltou uma risada gostosa com meu atrevimento.

— Eu iriei cobrar isso. – um delicioso beijo foi deixado na parte interior do meu pulso, fazendo instantaneamente minha pulsação acelerar — Mas Felicity, hoje é seu último dia de aula.

— Não é. – teimei.

— É sim. – discordou, parecendo convicto — Você me disse isso há algumas noites atrás, é por isso que agendei minhas férias para começarem hoje. – eu pisquei, eu me lembrava de ter coordenado nossas férias, mas não era possível que o tempo tivesse passado tão rápido – Você me disse que só teria que entregar um último e gigantesco trabalho que te consumiu pelos últimos dias e noites. – ressaltou, ligeiramente emburrado por aquele empecilho. – Não estou reclamando, você disse que iria me recompensar por isso também. – piscou para mim. – mas você também disse que entregaria o trabalho na data de hoje e que então estaria livre para mim. – um novo beijo foi deixado em minha mão, dessa vez sobre o aro dourado que nunca saíra do meu dedo anelar — Livre para me saciar.

— A semana não voou assim. – falei tentando me recordar de tudo o que eu havia feito, e eu me lembrava perfeitamente de passar todas as noites estudando para as provas da semana anterior e fazendo o maldito trabalho que valeria metade da minha nota do semestre. Quase não tive tempo para Oliver.

— Por onde anda essa sua cabecinha linda? – Oliver perguntou sua boca se concentrando em dar pequenas mordidinhas em minha pele e depois acariciando o local com a língua.

Era muita distração.

— Eu não sei onde minha cabeça está, mas eu sei exatamente aonde a sua deveria. – vi puro fogo queimando por trás de suas íris e um sorriso safado que eu conhecia muito bem se espalhar por seu rosto.

— Woou, não me provoque se não pode sustentar a provocação, amor. – suspirei, sabendo que por mais disposto para sexo que Oliver estivesse, ele estava tentando me lembrar de que eu não teria tempo para isso agora – E honestamente, eu posso aguentar mais essa manhã sem você desde que você me recompense durante nossas férias, que começarão assim que você voltar da sua aula na faculdade.

— Tem certeza que é hoje? – eu ainda estava surpresa por ter perdido completamente a noção do tempo. Oliver suspirou, rolando pela cama, seu corpo vindo para cima do meu novamente, eu estava pronta para jogar um foda-se para a faculdade e aproveitar a tentação deliciosa que tinha ali, disponível e pronto para mim.

Mas com a mesma rapidez que seu corpo veio para o meu, ele se afastou.

Notei que ele apenas tinha se inclinado para pegar o próprio celular que estava na mesinha do meu lado da cama, e me senti traída. Oliver era um bastardo provocador que nem tem ciência do reboliço que um único movimento dele causava em mim.

— Olhe aqui. – ele se virou para mim mostrando a tela do celular — Eu marquei no meu calendário o dia que começaria a nossa liberdade e que eu teria você todinha para mim, e só para mim. – Oliver podia ser mais fofo? — E esse dia é hoje.

Eu sorri ao ver a marcação na agenda dele com os dizeres “Dia da Felicity ser só minha”, como ele ainda conseguia me surpreender nos pequenos detalhes? E o mais engraçado era que ele sequer notava.

Respirei fundo encarando o calendário, franzindo o cenho ao notar que dia do mês era. Oliver estava certo, já estávamos no final do mês enquanto minha mente ainda estava no meio dele.

— Você tem razão. – deixei sair ainda olhando para os dias sem sequer piscar, algo não estava certo ali.

— Eu amo ter a razão. – Oliver sorriu satisfeito, jogando o celular de lado, meu olhar ainda seguiu o aparelho tentando se recordar do que não estava certo naquela data — É sempre raro, mas a sua cara é impagável.

Puta merda.

Caralho.

Como eu não notei?

Prendi a respiração e me ergui da cama de uma só vez gastando mentalmente todo o meu vocabulário em palavrões, quando constatei o que não estava certo naquele calendário.

— Felicity? – Oliver chamou meu nome sentando-se a cama e me observando preocupado — Essa expressão aí é só porque você estava errada e eu certo, amor? Eu posso dizer que você está certa se isso te fizer sentir melhor.

— O quê? Não! – minha voz saiu estridente, deixando claro para Oliver que alguma coisa estava errada. Mas eu não ia falar com ele sobre isso agora. Eu precisava de um tempo antes de lançar toda a bomba no colo dele e começar a surtar, até porque eu poderia estar errada, eu não ia jogar um surto desnecessário para cima de Oliver – Nada está errado. – forcei um sorriso que Oliver não comprou então achei melhor complementar com uma verdade — Eu tenho que ir. – falei andando pelo quarto buscando pelas minhas coisas da faculdade e tentando trocar de roupa ao mesmo tempo. – Não posso me atrasar. Eu tenho aula. Como eu tenho aulas todas as manhãs. – me embolei ao tentar me explicar – É por isso que preciso ir. Para a faculdade.

Os olhos de Oliver me seguiam atentamente, eu era uma mentirosa terrível, mas para minha sorte, Oliver não era de pressionar, ele tinha o hábito de me deixar tomar o meu tempo até que eu falasse para ele o que me incomodava. E eu o amava por ser assim, por isso assim que terminei de me arrumar na velocidade do flash, eu fui até ele deixando um belo beijo em seus lábios como presente de despedida.

— Vai me deixar assim na cama? – me questionou quando eu novamente me afastava. Seu maldito sorriso provocante fez minhas pernas fraquejarem e quase perdi o chão. Eu precisava de sexo. Sexo seria muito bom para aliviar toda a tensão que eu estava sentindo, mas então me lembrei de que sexo era o que me colocara nessa confusão — Amor, eu estou brincando. Vá para a faculdade eu estarei aqui esperando por você, do mesmo jeito que estou agora.

Assenti, pegando minha bolsa e indo para a porta. Observei uma última vez a imagem que me esperaria quando eu voltasse para casa.

Oliver Queen, deitado em nossa cama.

Nu.

***

— Eu não preciso, eu já passei. – disse, observando a mesma expressão de surpresa no rosto de Helena que vi no meu professor, quando passei na sala de aula e entreguei meu último trabalho e disse essas mesmas palavras quando ele me perguntou o porquê eu não ficaria para a aula daquela manhã.

— Algo muito grave aconteceu para você cabular aula para vir aqui no bar ao invés da cama onde seu marido certamente está esperando por você – Helena não desgrudou o olhar de mim – Tem certeza que se sente bem? Você parece meio pálida.

— Eu estou bem. – falei automaticamente puxando o banquinho e me sentando, um pouco incomodada com o olhar astuto de Helena em mim. – E você o que faz no bar numa manhã de quinta-feira ao invés de estar em casa com seus filhos e seu hum... marido. – devolvi, mudando o foco da conversa para ela.

— Tommy foi levar as crianças para ficarem com o avô e eu vim cuidar da papelada, ele deve aparecer mais tarde para me ajudar com o estoque. Se é que você me entende. – ela piscou para mim. – E só para registro Tommy não é meu marido, e sim meu namorado. – me corrigiu.

— Eu nunca deveria ter trancado vocês dois lá, depois que eu o fiz parecem que tomaram gosto por transarem ali. – no fundo eu não me arrependia, eu até gostava de ter sido a cupido que deu um empurrãozinho para aqueles dois — Ainda não superei o dia que cheguei mais cedo no bar e peguei Tommy Merlyn quase nu, se escondendo atrás de uma das prateleiras. – Helena riu com gosto naquele dia, até hoje essa era uma das histórias que ela mais contava quando queria me constranger — Ahh, e para registro vocês dois moram juntos, administram o bar juntos, tem um casal de filhos fofos juntos, dormem na mesma cama e fazem programas de casal incluindo muito sexo na sala de estoque, eu aposto que até mesmo já tem uma conta conjunta. Aceite Helena, vocês são um casal mais casado do que muita gente por aí.

— Mas não temos um papel dizendo que somos marido e mulher. – ela deu de ombros com um sorriso irritante como se isso finalizasse conversa.

— Apenas porque você fica insistindo em dizer não, todas as vezes que ele te pede em casamento! – revidei — Já foram quantas? Umas vinte? O coitado já fez até mesmo uma lista “Como fazer Helena Bertinelli me dizer sim”. Você não tem dó?

— Foram trinta e seis até agora. – abri a boca ao perceber que pelo semblante pensativo, ela falava sério — Trinta e sete se contar a última vez que ele me pediu no meio de um orgasmo, eu não levei esse em consideração porque sabe como nossas mentes ficam nesses momentos...

— Helena! – a repreendi.

— O quê? Pedidos de casamentos nunca devem ser feitos durante um orgasmo, não pensamos direito quando estamos curtindo e eu quase disse sim. – me confessou como se aquilo fosse um sacrilégio — Aliás, como é que eu virei o centro da conversa? Você que matou aula pela primeira vez na vida e veio atrás de mim em um bar, ao invés de ir dar para o seu homem.

— Sabe do que eu mais sinto falta em trabalhar aqui?

— Das gorjetas e das noites de quinta-feira no Karaokê? Ou de escapar para o beco lá fora e dar uma rapidinha com Oliver?

— Definitivamente da sua sutileza. – ironizei.

— Minha melhor qualidade. – ela sorriu amplamente — Quer um pouco de coragem líquida para confessar à sua amiga o que está te incomodando tanto? – Helena perguntou apenas por cortesia, uma vez que já havia pego a garrafa e despejado o líquido transparente em dois copos de dose deslizando um para mim – Não vou nem te cobrar, vai ser pelo velhos tempos.

— Eu passo. – falei sentido o estômago revirar ao olhar para a bebida.

— Recusando bebida grátis, deve ser grave – Helena adotou uma postura mais ereta e me fitou com seus olhos de lince — Ok, desembuche e ande logo porque quando o meu não-marido voltar sem as crianças para nos atrapalhar, eu quero aproveitar cada segundo com ele naquele sala de estoque! – indicou a porta com o dedo.

— Ok. Você tem razão, eu matei aula e vim até você porque precisava te perguntar algo. – comecei ainda incerta.

— E não podia fazer isso pelo telefone e depois da sua aula? – balancei a cabeça negando, e seus olhos se estreitaram para mim. Tomei um pouco de ar antes de começar a falar, seria bom treinar com Helena antes de falar com Oliver.

— Você... Você se sentiu diferente quando... – aquela coragem líquida teria sido bem vinda nesse momento, mas eu não podia arriscar – Eu quero dizer como você e Tommy... Ou melhor como você ficou quando soube que...

— Desembucha, Felicity. – a essa altura Helena já dedilhava impaciente seus dedos pela madeira do balcão.

— Eu não sei como começar. – suspirei, isso havia feito de mim uma bagunça completa.

— Que tal o começo? – sugeriu.

— Certo. O começo. – respirei novamente — Eu estava na cama com Oliver essa manhã, ele me acordou daquele jeito que ele sempre...

— Ok, vamos parar por aqui. – Helena me interrompeu — Por mais que eu goste de ler um livro erótico eu acho melhor a gente avançar um pouquinho nessa história, Felicity.

— Eu estou atrasada! – falei de uma só vez.

— Pra onde? – me questionou confusa.

— Atrasada, Helena! – soltei exasperada — Não para ir à um lugar, mas atrasada, tipo mensalmente atrasada...

— OH MEU DEUS! Você quer dizer...? – Helena deu um pulo e gritou, ao mesmo tempo que ria, ela deu a volta no balcão vindo até mim e me dando um abraço apertado e contente enquanto me parabenizava. Eu não esperava por essa reação dela, mas alguma coisa nisso me fez relaxar e sorrir também, realmente sorrir pela primeira vez desde que tinha contemplado a possibilidade de estar grávida. – Por que você não está radiante de felicidade? – me questionou assim que nos separamos do abraço.

— Primeiro, eu disse que estou atrasada e não grávida. – a lembrei. – até onde eu sei pode não haver um bebê aqui. – coloquei a mão sobre o meu ventre, sentindo-me estranha, não de um modo ruim, de um modo muito bom, eu apenas ainda não reconhecia aquela sensação que aos poucos crescia em mim.

— Ok, então eu retiro meus parabéns e pego meu abraço de volta. Eu os devolvo quando você tiver uma comprovação do laboratório de que há um pequeno Smoak-Queen crescendo aí dentro. – não segurei o sorriso nervoso enquanto tentava não demonstrar o quanto ansiosa eu estava ficando com aquela possibilidade – Agora vamos ser racionais, como anda seu controle de natalidade? Tomando regularmente o anticoncepcional?

— Eu parei com a pílula há dois meses, depois de uma pequena reação alérgica, meu medico me sugeriu...

— E a camisinha? – Helena me interrompeu, já me atropelando com outra pergunta.

— Nós usamos. – respondi rapidamente e notei que suas sobrancelhas se uniram — Pelo menos quando nos lembramos a tempo. – completei recebendo um olhar de esguelha de Helena.

— Quantas vezes esqueceram? – ela cruzou os braços adotando um ar de mãe.

— Uma vez... – Helena assentiu — Ou talvez tenham sido oito. Oh, eu não sei como isso aconteceu!

— Oh sabe sim! O que você anda estudando? Nada de classes de educação sexual para você na sua escola? Sua mãe não teve a conversa com você? Preciso te dar uma palestra de como um homem e uma mulher fazem um bebê, Felicity? E adivinhe só não é através da cegonha.

— Ok, não brigue comigo! – reclamei.

— Tem razão, pode fazer mal para o bebê. – Helena falou mais calma dessa vez, e sem perceber me deixando por tabela mais nervosa ao novamente pensar no bebê.

— Algum conselho? – Perguntei por fim, afinal tinha sido por isso que eu tinha vindo até Helena.

— Não faça testes de farmácia. – ela disse — o meu deu negativo e olha só, tive um casal de gêmeos gordinhos oito meses depois. – forcei uma risada — Seja honesta, qual a sua preocupação? – Helena puxou um banco e se sentou de frente para mim.

— Oliver e eu não conversamos sobre bebês. – soltei, e percebi que depois de dizer isso em voz alta ficou muito mais fácil desabafar — Eu quero dizer, sempre vez ou outra quando alguém nos pergunta dizemos que iremos ter filhos um dia, mas nunca falamos sobre quando seria esse dia, o quantos filhos iremos ter, ou se realmente queremos ter. Desde que finalmente nós deixamos todo aquele horror para trás, nós apenas vivemos um dia de cada vez, aproveitando cada momento sem fazer muito planejamento. Eu não sei o que um bebê muda para gente, eu nem sei se Oliver... – me calei.

— Se Oliver quer ter um bebê agora. – Helena completou compreendendo – e é por isso que você me procurou, porque Tommy não queria nosso primeiro filho.

— Sinto muito. – me desculpei, odiando ser quem trazia aquela memória a tona.

— Tudo bem. – ela inesperadamente sorriu — Tommy e eu já conversamos sobre esse assunto. Eu passei pelo mesmo que você está passando quando me descobri grávida pela segunda vez. É por isso que eu sei que você está aqui porque está com medo de Oliver não ficar contente com o bebê, já que não o planejaram.

— Sim. – admiti.

— Primeiro: você e Oliver não são Tommy e eu. Quando eu fiquei grávida daquela vez nós éramos jovens e estávamos confusos demais. Não soubemos lidar com a situação, eram muitas mudanças de uma só vez e no fim foi traumático demais para os dois. – assenti – Mas você e Oliver... Deus Felicity, percebe o que vocês dois tem? Vocês se amam tanto que qualquer um pode ver, e não é do tipo de amor banal que qualquer mera tempestade pode derrubar, é do tipo de amor raro e que apenas faz de vocês dois ainda mais fortes. Oliver literalmente deu a vida para salvar a sua e você se sacrificaria do mesmo modo por ele. – eu não precisei dizer nada, eu sabia que faria sem sequer pensar. – Vocês lutaram pelo amor de vocês e construíram a própria felicidade, um bebê irá apenas completar isso. E se está com qualquer dúvida, apenas responda para si mesma uma pergunta: Oliver seria um bom pai?

Pensei em todo amor, cuidado e proteção que recebi dele.

Oliver não seria apenas um bom pai.

Ele seria o melhor pai que uma criança poderia ter.

— Obrigada, Helena. – respirei novamente, bem mais aliviada.

— Pode usar meus conselhos sábios sempre que precisar! – jogou os cabelos por cima dos ombros daquele jeito seguro que apenas Helena tinha.

— Eles não são muito sábios, mas eu vou usar todos os que forem sobre como ser uma boa mãe, porque eu sei que você é. – falei e sorri. Oh Deus, eu já estava começando a me imaginar carregando um pequeno bebê por aí, imaginando o ouvir me chamar de mamãe pela primeira vez, o rostinho que ela ou ele teria, certamente os olhos azuis escuros e o sorriso do pai, nosso filho ou filha seria o bebê mais lindo do mundo!

— Você está assustada, mas feliz. – Helena constatou – a ficha está começando a cair, não é? Sua mente provavelmente já esta imaginando o futuro, como vai ser o rostinho do bebê, se será uma menina ou um menino, os nomes... – assenti, rindo junto com Helena notando que havia algo realmente especial em ser mãe – E está se perguntando como vocês farão para cuidar de um bebê, se serão bons pais... – meu riso se perdeu, e eu voltei a pensar na seriedade do que a gravidez mudaria para nós dois.

— Oh, Deus! Como Oliver e eu vamos cuidar de um bebê, Helena? – perguntei me erguendo da cadeira e andando de um lado para o outro – Eles precisam de todo o apoio quando estão crescendo, como vamos fazer isso?

— Vai ser um desafio no começo – o tom de voz de Helena mudou completamente, era quase sonhador e amoroso, eu raramente a via assim. — Vocês não conseguirão dormir à noite, sempre ficarão preocupados se eles estão bem. Às vezes vocês irão apenas encostar no bercinho e observá-los dormir porque não há nada no mundo mais relaxante do que assistir seu filho dormir, mesmo que ele não faça nada além de respirar e ocasionalmente agarrar seu cobertor. Irão enlouquecer de preocupação com o primeiro resfriado, e com o segundo e o quinquagésimo também. Esqueça os filmes que gosta de ver porque a única coisa que vai passar na sua televisão são desenhos animados. A casa nunca mais ficará arrumada. E sexo? Esqueça! Terão que se aproveitar de cada momento livre para isso, ou então despachar seus filhos para a casa dos avós para que vocês possam aproveitar algum tempo no estoque... – nós duas rimos — Mas eles realmente mudam as nossas vidas de um modo bom, Felicity. Filhos preenchem com um tipo de amor que nem sonhamos que existe – E assim que Helena terminou de falar, duas crianças entraram correndo pela porta do bar em direção a ela, a abraçando e competindo pela atenção da mãe.

— Mamãe, o vovô não pode ficar com a gente hoje. – Frank informou a mãe.

— Ele pode sim seu bobo.

— Eu não sou bobo! – o garoto emburrou com a implicância da irmã.

— É sim, vovô pode ficar com a gente, mas ele não vai porque vovô quebrou a perna e assim ele não pode correr atrás da gente e impedir a gente de quebrar as coisas. — Maria que em seus quase quatro era anos uma cópia fiel da mãe, tanto na aparência quanto no atrevimento, começou a falar.

— Inferno! Por que eu não tive filhos comportados e bem educados? As babás não fugiriam e todo mundo iria querer cuidar deles.

— Porque eles são nossos filhos, querida. – Tommy respondeu entrando no bar. Era engraçado e ao mesmo tempo bonito de ver como os dois estavam bem juntos. Helena podia não ter aceitado um dos trinta e sete pedidos de casamento do Tommy, mas eles agiam como um casal casado em todos os sentidos.

— Faz todo o sentido. – Helena suspirou consternada, e Tommy lhe deixou um pequeno beijo sobre a testa. Eu ainda não havia me acostumado a versão Tommy Merlyn fofo, mas acho que todo homem tem uma que normalmente se esconde e deixa reservada para a mulher que se ama.

— Hey, loirinha! – Me cumprimentou com uma piscada. – O Queen finalmente te concedeu liberdade provisória? – implicou.

— Melhor estar presa do que ser atacada pelas meninas super poderosas. – segurei o pequeno riso, Tommy desde o começo havia adotado a melhor postura de paizão, eu nunca iria me acostumar ao vê-lo assim, havia adesivos de flores e corações colados em sua blusa e ele parecia nem se importar, ele carregava uma boneca no colo e na mão um trenzinho vermelho.

— Papai, com quem vamos ficar já que o vovô não pode? – Frank puxou a camisa do pai chamando-lhe a atenção.

— Eu ainda não sei, mas não se preocupem com isso. – Tommy se abaixou no chão e afagou os cabelos do garoto, destruindo o penteado alinhado que eu deduzia Helena havia feito — Por que não vão brincar por aí enquanto sua mãe e eu decidimos?

— Mas não tem nada pra brincar aqui, pai. – Maria reclamou.

— Como não? Sua boneca, e seu trenzinho. – Mais que depressa Tommy lhes entregou os brinquedos.

— Eles são chatos. – as duas crianças falaram ao mesmo tempo, talvez fosse algo de gêmeos.

— Então brinquem do que quiserem. – liberou, fazendo as duas crianças sorrirem de um modo suspeito.

— Ok, vamos brincar de pega-pega! – Maria decidiu virando-se para o irmão e com sua postura mandona apontou o dedo em riste para o peito do menino – Tá comigo, agora corre! – ela mandou e logo em seguida Frank saiu em disparada correndo entre as mesas enquanto a irmã o seguia, ambos derrubando tudo pelo caminho.

— Se eles se machucarem a culpa é toda sua. — Helena o advertiu, com um olhar preocupado seguindo os filhos.

— Querida, a culpa é sempre minha não importa o que aconteça! – Tommy deu de ombros e se encostou no balcão com um sorriso preguiço pendendo nos lábios.

— Tão casados... – comentei rindo e revirando os meus olhos e acabei recebendo uma cotovelada de Helena.

— Vamos tentar Roy e Thea? – Helena disse depois de pensar um minuto.

— Sem chance, os dois viajaram e vão ficar fora o restante da semana. – Tommy respondeu.

— Diabos! O que vamos fazer?

— Querida, é melhor cancelarmos os nossos planos... – Tommy olhou para mim antes de voltar para Helena – ...Nossos planos de trabalhar no estoque, hoje. Talvez nós possamos...

— De jeito nenhum, nós precisamos trabalhar no estoque! O estoque precisa de nossa atenção imediata, não podemos nos esquecer do estoque só porque nossos filhos ocupam muito de nosso tempo. O estoque é importante também. – Helena foi incisiva, fazendo Tommy concordar em resposta.

— Oh, eu sei muito bem o quanto o estoque é importante. — Tommy estava meio desesperado, sua mão passava por seus cabelos enquanto ele parecia pensar na solução para o problema “estoque”.

— Vocês dois sabem que eu sei que estoque é a palavra que está substituindo sexo aqui, certo? – me intrometi, os dois olhando para a minha direção. Tommy parecendo um pouco envergonhado por ter sido pego planejando transar com Helena no estoque, mas a minha amiga... Oh, merda! Helena me olhava com um sorriso crescente nos lábios e um olhar de gato que me dizia que eu não iria gostar nenhum pouco do que estava por vir.

— Felicity! – ela sorriu ainda mais, se aproximando mais, sua mão prendendo em meu pulso antes que eu sequer pensasse em fugir – Sabe quando vamos comprar um carro novo e não temos certeza se vamos conseguir dirigi-lo direito? Fazemos um test drive antes de nos comprometermos, certo?

— Eu não estou gostando do caminho que esta conversa está seguindo.

— Eu acho que você precisa fazer um test drive! – disse, olhando com um sorriso para seus filhos que havia conseguido realizar a proeza de quebrar uma cadeira – Eu juro a você, se sobreviver aos meus filhos você e Oliver estarão aprovados como pais de um time de futebol inteiro.

***

Estava quente.

O sol da metade do dia aquecia a minha pele e me obrigara a prender meus cabelos no alto num rabo de cavalo meio bagunçado. Eu estava de pé no meio da pequena pracinha que fazia parte de um zoológico esperando ansiosamente por Oliver enquanto mantinha meus olhos sobre os filhos de Helena e Tommy. Oh, sim, eu havia aceitado fazer o test drive, não que eu tivesse muita escolha.

Pelo menos, graças a Deus eu os tinha feito desacelerar um pouco. Apenas porque os dois descobriram que não dava para tomar o sorvete e correr por ai ao mesmo tempo sem derrubá-lo, ou como Maria “acidentalmente” descobriu também não sobrava muito do sorvete depois de jogá-lo na cabeça do irmão quando este te chama de boba. Pelo menos eu consegui um jeito de domar as duas ferinhas que agora estavam sentadas comportadamente no banco tomando um sundae gigantesco embora ainda implicassem um com o outro, ao menos não estavam correndo por aí.

Seria assim com nossos filhos?

Não consegui não sorrir e tampouco ignorar a sensação de calor que parecia emanar de dentro de mim aquecendo o meu coração e trazendo um sentido novo para a vida que eu nunca tinha pensado antes. Nossos filhos. Eu contemplava apenas a possibilidade de estar grávida de um bebê de Oliver, e mesmo assim já pensava neles no plural.

Contrariando Helena, eu havia feito um teste de gravidez de farmácia antes de deixar o bar, apenas porque seria mais rápido, mas mesmo assim algumas coisas me impediram de olhar o resultado. Eu entreguei o teste à Helena pedido que me mandasse uma mensagem para o meu celular confirmando a gravidez ou não. Eu fiz toda essa confusão porque percebi que esse era um momento que eu precisaria dividir com Oliver e mais ninguém, independente se eu estivesse grávida ou não, essa era uma conversa que Oliver e eu precisávamos ter.

Era estranho que nunca realmente tenhamos sentado para conversar sobre isso. Mas bebês nunca pareceram essenciais em nossas vidas, nos primeiros anos do nosso casamento nos concentramos em curar as feridas que ainda marcavam nossos corações, abolir o medo e nos livrarmos dos pesadelos que ainda nos assombravam a noite. O começo do nosso casamento foi sobre curar, se apoiar e encontrar amor e proteção um no outro. Foi sobre nos convencermos de que nada nem ninguém conseguiria nos separar, que o amor nos tornava mais fortes e nos curava.

Depois disso foi sobre apenas sentir e viver esse sentimento.

Sentir como era bom pertencer um ao outro, sem medos, sem barreiras. O nosso casamento agora era sobre apenas amar e deixar que o amor mostrasse o caminho a se seguir. Nosso único plano para o futuro era permanecer juntos e nos amar.

Mas agora eu percebia que havia mais em um casamento.

Ainda mais um como o nosso. Nós tínhamos tanto amor em nossas vidas que esse amor transbordava por cada parte dela, e por que não dividir esse amor com mais um pequeno ser que seria parte do amor de nós dois? Já era hora de realmente seguirmos em frente e realmente pensar no que havia de bom esperando por nós futuro.

O passado foi tenebroso demais, feito unicamente de noites escuras e sem fim. E sim mesmo depois de ter a luz de volta aos meus dias, de ter o amor de Oliver me curando, eu ainda guardava marcas de pequenas cicatrizes que jamais desaparecessem, mas tudo estava bem.

Mais do que bem.

Agora eu não precisava mais lutar para sobreviver, eu só precisava lutar para construir algo melhor. Para mim. Para Oliver. E talvez, para esse bebê.

Coloquei ambas as mãos sobre o ventre pensando no quanto eu já amava um bebê que eu sequer sabia se estava ali, mas que eu queria muito que estivesse. Será que seria assim para Oliver também? Eu não poderia culpá-lo se ele surtasse no começo, eu mesmo o havia feito, eu apenas esperava que ele logo percebesse que um bebê mudaria muito as coisas entre nós, e que isso poderia ser bom.

— Ei, amor! — eu ri ao sentir braços fortes e conhecidos me envolvendo por trás e meu corpo sendo girado no ar e depois pousado no chão com suavidade. – Conseguiu sair mais cedo da aula? – Oliver me perguntou, ainda de costas para mim e deixando um beijo gostoso na curva do meu pescoço.

— Mais ou menos. – respondi me girando entre seus braços o encarando um pouco indecisa sobre como começar tudo o que eu precisava falar com ele.

— Eu fiquei te esperando na cama do jeito que disse que faria... – Oliver. Nu. Cama. A imagem imediatamente se materializou na minha mente me fazendo sentir ainda mais calor — Ainda não entendi porque pediu para eu te encontrar aqui. – seus olhos faziam perguntas mais profundas do que suas palavras, mordi meus lábios, e novamente me vi sem saber por onde começar – Fe-li-ci-ty? – ele falou meu nome por sílabas, deixando claro que sabia que havia algo – O que está acontecendo? Há algo errado?

— Hum... Eu não diria exatamente errado, talvez inesperado... – comecei incerta, deixando Oliver ainda mais confuso. Talvez fosse melhor jogar tudo de uma vez e ver como ele reagiria a partir daí, respirei fundo e busquei por sua mão a apertando na minha.

— Oliver, eu acho que...

— Tia Felicity, nós acabamos! – fomos interrompidos pelo pequeno Frank que apareceu com seu rostinho redondo todo sujo de sorvete de chocolate — Podemos andar pelo zoológico agora? Eu quero ver as girafas! – Oliver ergueu uma das sobrancelhas para mim, era seu jeito de me perguntar o que estava acontecendo.

— Oi tio, Oliver! – Maria abraçou a perna de Oliver me fazendo sorrir, a pequena Merlyn tinha um apego inexplicável pelo Oliver o que deixava Tommy muito enciumado – Mamãe e papai precisam trabalhar no estoque e eles obrigaram a tia Felicity a ficar com a gente. – ela resumiu.

— Tudo bem, pequena! – Para a minha surpresa Oliver se abaixou no chão e deixou um pequeno cafuné no cabelo de Maria que riu – Vai ser divertido ir ao zoológico com vocês essa tarde. Por que não fazemos assim, você dá a mão ao Frank enquanto eu e sua Tia Felicity seguimos vocês dois, podem escolher quais animais preferem ver primeiro.

— Eu não quero segurar na mão do Frank. – Maria reclamou fazendo beicinho.

— Nem eu! – Frank protestou também, cruzando os braços na melhor postura de Tommy Merlyn “quero ver alguém me obrigar”.

— Felicity e eu damos as nossas mãos o tempo todo. – sua mão veio para a minha, se entrelaçando perfeitamente. As crianças olharam, mas não pareceram muito convencidas.

— Mas a Tia Felicity é sua esposa, você tem que segurar a mão dela. — Maria alegou, muito contente com sua esperteza — Papai faz isso com a mamãe, ele diz que é pra ninguém roubar ela dele.

— Seu papai tem razão. – Oliver passou sua outra mão pelo cabelo — Eu faço pelo mesmo motivo.

— É mesmo? – perguntei, achando engraçado vê-lo tentar convencer uma criança.

— Há outras razões também... – ele não completou, mas o olhar apaixonado lançado para mim e a forma como meu coração respondeu efusivo, já serviu de resposta.

— Não interessa, eu não vou segurar a mão dele! – Maria determinou com o mesmo ar teimoso e desafiador de Helena. – Meninos são bobos.

— Eu prometo que os dois vão ganhar um presente surpresa se derem as mãos. – Os dois irmãos trocaram olhares como se mentalmente avaliassem se o suborno valeria a pena. – E um presente muito melhor se se comportarem hoje.

Sorri ao assisti a cena, do seu próprio jeito Oliver era bom com crianças.

— Tudo bem, mas nós vamos ver os pandas primeiros! – a menina decidiu, pegando a mão do irmão e liderando o caminho.

— Mas eu queria ver as girafas... – Frank tentou.

— Os pandas! – Bateu o pé teimando com o irmão, que apenas vez um muxoxo talvez já em sua tenra idade ciente de que não se deveria discutir com a irmã.

— Eu nunca vi filhos mais parecidos com os pais do que esses dois. – comentei rindo, enquanto seguíamos de perto as duas crianças pelo zoológico.

— Então você preferiu passar a nossa primeira tarde de folga em um zoológico, cuidando das miniaturas de Helena e Tommy. – Oliver começou, tentando entender o que estava acontecendo – Ao invés de ir para casa e me encontrar te esperando na cama?

— Você foi bem direto. – fugi de seus olhos, fingindo que observava as crianças.

— Você está me escondendo algo e eu não entendo o porquê. – explicou – E principalmente não entendo como trocar nossa tarde numa cama por uma tarde no zoológico. Não me entenda mal, eu amo cada momento que estou com você, mesmo que tenha que dividir com duas crianças, apenas não estou entendendo, nós tínhamos outros planos e você parecia bem animada com eles mais cedo... Era alguma coisa que envolvia algemas e me deixar completamente saciado? – Comentou num tom leve e divertido, deixando claro que por mais preocupado que estivesse era assim que queria conduzir essa conversa.

— Não é sobre o que eu quero, mas o que precisamos. – Oliver franziu o cenho ainda mais confuso — E muito sobre o que Helena me obrigou a fazer.

— Isso faz sentindo. – ele sorriu — Então enquanto nós estamos com os pestinhas os dois estão brincando de fazer mais alguns.

— Basicamente.

— Eu queria brincar disso também. – oh, maldito sorriso cheio de promessas pecaminosas que me fazia hiperventilar.

— Nós iremos, mais tarde. – prometi, ganhando um olhar que era puro fogo e me fez sentir ainda mais calor — Falando sobre você querendo brincar de fazer... – eu tentei aproveitar o gancho.

— O tio Oliver quer brincar de fazer o quê? – Frank se intrometeu, me fazendo perder a coragem — Maria e eu estamos brincando de ver quem consegue jogar as pedrinhas mais longe. Querem brincar? Eu te deixo pegar uma das minhas pedrinhas. – ele ofereceu gentilmente tirando a mão do bolso e mostrando a mão cheia de pedrinhas.

— Frank, vocês não podem brincar de jogar pedrinhas por aí – o sorriso do menino murchou e seus olhinhos lacrimejaram, quando Oliver começou a falar com ele num tom suave, porém firme — Podem sem querer machucar alguém ou algum bichinho. Vocês não querem isso, não é? – o garoto concordou. – Que tal vocês apenas pegarem as pedrinhas mais bonitas e no final eu escolho quem achou a melhor pedra? Eu posso até dar um prêmio – o menino sorriu de novo, andando com a irmã em seu encalço enquanto procuravam por pedrinhas pelo caminho que os levava até os pandas.

— Por que está me olhando desse jeito? – Oliver me questionou, eu sabia que tinha um olhar estranho no rosto, mas apenas não consegui evitar ao ver a interação.

— Você tem jeito com crianças. – sorri e Oliver apenas deu de ombros minimizando o fato.

— Elas são mais simples de lidar do que adultos e mais sinceras também, embora os filhos de Tommy e Helena sejam um teste para qualquer um.

— Um testedrive.— falei tão baixinho que Oliver não me ouviu.

— Mas eles sabem ser doces quando querem. – Falou, e observamos as duas crianças rindo apoiadas na grade enquanto apontavam para os pandas. Parecendo apenas duas crianças inocentes e felizes se divertindo no zoológico. – Pronta para falar sobre o verdadeiro motivo de estarmos aqui? – Oliver se virou para mim, seus olhos pedindo por respostas, sua mão apertando a minha me lembrando de que nós nos casamos, nós estávamos juntos e nada jamais mudaria isso.

— Você não perde nada. – comentei.

— Não quando é sobre você. – sorri, Oliver sempre me fazia sorrir com suas palavras, com seu olhar, com suas ações... Eu apenas esperava que eu o fizesse sorrir também, mesmo quando as notícias fossem inesperadas.

— Você notou que eu fiquei um pouco agitada de manhã, depois da minha pequena confusão com as datas. – Oliver apenas assentiu, me estimulando a continuar. – Minha agitação não tinha muito a ver com a faculdade.

— Tinha a ver com...? – tentou, mas não parecia certo apenas falar “acho que você me engravidou”.

— Oliver, quando você pensa em nós dois daqui uns dez anos como você nos imagina? – Resolvi mudar de tática.

— Eu nos imagino juntos e felizes. – respondeu de pronto sem hesitar, como se eu tivesse lhe feito a pergunta mais simples do mundo, para a qual ele já tivesse a resposta – Me imagino te acordando todas as manhãs bem vagarosamente, não porque você precisa acordar cedo e sair, apenas porque eu gosto de percorrer minhas mãos por seu corpo e beijar cada pedacinho da sua pele, nós teríamos trancas nas portas do quarto é claro, não queremos as crianças nos interrompendo logo de manhã...

Crianças.

Meu coração deu um pulo apenas de ouvir a palavra.

E ainda mais no plural.

— Pode ler a mensagem que Helena me enviou? – interrompi Oliver lhe entregando o meu celular, eu sabia que ele tinha mais para falar, que se eu lhe permitisse ele iriam me dizer exatamente como seriam os nossos próximos cinquenta anos. Mas eu não precisava que ele descrevesse mais o nosso futuro, eu já sabia como ele seria.

Feliz.

— Amor, tem certeza que está bem? Você não está fazendo muito sentido... – eu estava o preocupando, mas em minha defesa eu era nova nessa história de contar ao marido que se está possivelmente grávida e agora que eu descobri que Oliver queria filhos também, eu estava ansiosa demais para descobrir se teríamos um vindo logo por aí. Talvez eu fizesse direito na segunda vez...

— Apenas leia. – contive o sorriso ao notar seu olhar confuso, porque no fundo eu não precisava realmente saber qual era o resultado do meu teste de gravidez. Eu já o sentia.

Espero que o test drive tenha valido a pena, vocês vão precisar! – ele leu e eu apenas sorri – Não entendi nada dessa mensagem, você entendeu? – Oliver me encarou, seus olhos parecendo assustados — Amor, por que você está chorando?

— Porque esta mensagem diz que eu estou grávida, Oliver. — seus olhos voltaram para o celular incrédulos.

— O que disse? – Oliver abriu a boca surpreso depois de um longo silêncio, sua expressão não me dizia muito sobre como ele se sentia apenas que ele realmente não esperava por isso. — Nós vamos? Você quer dizer que você...? Você está?

— Sim. – assenti e sequei uma das lágrimas, e controlei meu sorriso. Como era possível rir e chorar ao mesmo tempo? — Eu sei que não foi planejado, sei que é uma surpresa e também um desafio, e que nós não estamos preparados, mas eu espero que... – Oliver não me deixou terminar de falar, num movimento impetuoso suas mãos se colocaram em minha cintura puxando meu corpo para o seu. O beijo veio lento e doce e no meio de um sorriso. Mas era tão cheio de amor que pensei que meu coração fosse explodir.

— A melhores coisas da vida nunca são planejadas, amor – Oliver disse com simplicidade logo após o beijo, sua mão veio até meu rosto o acariciando e secando as lágrimas — Você não foi planejada, apenas apareceu batendo a minha porta e me chamando idiota, o que eu realmente fui. – eu ri — Eu nunca planejei me apaixonar, nunca pensei em me casar e acordar todos os dias tendo a mulher mais linda do mundo na minha cama, nunca pensei que amar pudesse ser assim. – ele uniu nossas mãos me passando aquela gostosa sensação de pertencer à alguém, que eu sempre sentia quando nossas mãos estavam assim — Eu nunca imaginei que encontraria o amor, Felicity, e para ser honesto eu sempre o evitei, assim como você o evitou. Mas mesmo assim ele nos achou, ele tocou nossos corações. Não foi planejado, mas foi a melhor coisa que já me aconteceu.

— A mim também. – concordei — Me desculpe por não contar sobre a possibilidade da gravidez antes. Eu surtei um pouco porque não tinha certeza de como você iria lidar com isso, nós nunca falamos muito sobre filhos ou quando o teríamos, e talvez não seja o momento certo...

— Eu quero ter filhos com você há tempos, amor, desde o primeiro ano do nosso casamento. – Oliver confessou me surpreendendo.

— Você quer?

— Sim, eu apenas não queria pressionar você com isso. — pisquei ainda sem acreditar que Oliver Queen, policial queria ser pai — Você ainda está terminando os estudos, eu quero dizer, você perdeu muito da sua vida por causa daquele... – Oliver fechou os olhos e rangeu os dentes, enquanto me apertava ainda mais minha mão na sua se certificando de que eu estava ali com ele. Ele nunca falava o nome do meu perseguidor, e nem eu, era um pacto silencioso de manter as coisas ruins devidamente enterradas há sete palmos da terra, ou como eu gostava de pensar queimando no inferno, onde não podiam mais nos tocar — ... Eu pensei que você merecia um tempo para recuperar a vida que foi roubada de você antes de começarmos essa nova fase. Com bebês e tudo o mais.

— Você falou no plural? – sorri.

— Sim. – o sorriso de Oliver veio ainda maior do que o meu, nós dois parecíamos numa competição de quem tinha o sorriso mais feliz.

— Então teremos mais bebês além desse? – coloquei uma das mãos sobre a barriga ainda lisa, e a de Oliver se acomodou junto dela. Eu podia sentir um tipo de amor diferente crescendo entre nós, criando mais um laço permanente.

— Quantos você quiser, amor. – amei a forma como ele deixou em aberto, amei seu sorriso e principalmente as promessas que ele continha.

— O que acha de...

— Vocês dois são os pais dessas crianças? – um guarda mal humorado veio até nós tendo de mãos dadas com duas crianças com rostinhos que exibiam covinhas fofas, e um sorriso nenhum pouco inocente. – Fiquem mais atentos, eles estavam tentando entrar na jaula dos pandas, e quase conseguiram! – nos advertiu, soltando as crianças que correram para a nossa direção.

— Eu só queria levar um deles pra minha casa, Tia Felicity. – Maria explicou fazendo beicinho – Eles são tão fofinhos.

— A gente ia cuidar dele direitinho. – Frank acrescentou, seus olhinhos piscando para mim como se pedisse para que o entendesse e o ajudasse com aquela ideia – eu ia alimentar ele todos os dias. – Troquei um olhar com Oliver que assim como eu também sorria para a carinha triste e de partir o coração que as duas crianças faziam apenas porque não podiam levar um panda para casa.

— Está pronto para isso? – o perguntei, me sentindo ansiosa para viver momentos assim com o pequeno bebê que crescia dentro de mim.

— Com você estou pronto para tudo. – ele apertou minha mão na dele, me lembrando que estávamos juntos e prontos para seguir com mais esse novo capítulo da vida. – Ah, e nós iremos lhe dar um panda se ele ou ela quiser.

Sorri, concordando.

Eu estava certa.

Oliver seria o melhor pai do mundo.

Notas finais
Hey, espero que tenham gostado e que deixem um último comentário :) Obrigada por lerem ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!