Running Away
25 Bônus: Helena e Tommy
Notas iniciais
Tommy Merlyn
Deslizei meus dedos cuidadosamente pelos cabelos de cor de ébano dela, as mechas macias se entrelaçavam entre meus dedos, o escuro dos fios contrastando com o tom claro da minha pele. Era difícil não me sentir fascinado por aquela sensação boa que era poder fazer isso novamente, completamente fascinado por tudo o que ela me fazia sentir. Mas afinal, o que em Helena Bertinelli não me fascinava? Soltei a mecha de uma única vez e deixei que ela caísse sobre o colo de helena se juntando as outras que cobriam seus seios.
Fitei os olhos dela. Grandes e azuis, adornados com longos cílios pretos. Eles poderiam parecer inocentes num primeiro momento, mas bastava que ela batesse seus cílios, que os estreitasse minimamente na minha direção e eu estava completamente perdido.
Ela me tinha com um único olhar.
Por isso fugi deles, observando seus outros detalhes que eu tanto sentira falta. A curva elegante do nariz empinado, a pequena falha na sobrancelha esquerda que ela tanto odiava, mas que eu amava. A boca avermelhada e cheia, não por que ela usava um batom, mas porque eu tinha beijado demais os seus lábios.
Eu amava tudo o que Helena fazia com aquela boca, quando me mordia, me beijava, me chupava ou até mesmo quando ela era mordaz e ferina, sempre pronta para o ataque. Mesmo quando aquela boca me chamava de idiota e coisas piores, ou exclamava palavrões e me mandava embora da vida dela, ou ainda, dizia coisas que me feriam.
Ainda assim eu amava aquela boca maldita, só porque era a boca dela.
Sempre tinha sido assim com Helena, desde a primeira vez que a vi, no meu primeiro dia de aula no colégio novo, eu estava perdido olhando meu horário tentando descobrir para que lado ficava o ginásio e ela simplesmente caiu em cima de mim enquanto tentava pular o muro da escola. Eu me senti o próprio herói resgatando a princesa. Exceto que Helena não era nenhuma princesa doce, sorridente e graciosa esperando ser salva. Ela não me agradeceu com um beijo. Oh, longe disso! Ela me empurrou, me chamou de babaca e mandou que eu tirasse minhas mãos bobas de cima dela ou me daria um chute nas bolas. E foi nesse dia que eu assinei minha sentença, eu ainda não sabia que ela havia me fisgado, mas daquele dia em diante eu apenas a acompanhei, fascinado demais por aquela menina rebelde, que sempre matava aula e me colocava em uma encrenca atrás da outra.
Eu não sabia que era amor, eu não sabia que amor podia ser assim, tão conturbado, tão cheio de emoções e altos e baixos como o meu relacionamento com Helena era.
Até que aquela tragédia aconteceu.
Eu a vi, completamente devastada pelo aborto do nosso bebê, pela perda dos próprios pais, por mim agindo como o babaca que ela sempre me acusara de ser, tudo isso a atingindo de uma única vez. A vida dela havia mudado drasticamente da noite para o dia, e eu vi a minha Helena mudar e deixar de ser aquela garota impossível. Eu vi o momento exato em que a perdi, e eu queria apenar abraçá-la forte e mantê-la perto de mim, eu desejava que nada do que tínhamos tivesse sido destruído, desejava dizer a ela que eu ficaria ao seu lado nas horas boas e ruins.
Mas eu apenas desejei.
Porque quando eu a vi na cama de hospital, quando os médicos me disseram tudo o que aconteceu à ela naquela noite, eu me acovardei e parti, não por que não estava pronto para enfrentar o que quer que viesse, mas porque eu sabia que não tinha o direito de exigir nada dela, de impor minha presença, não quando eu era uma das razões para ela estar assim.
E então eu a deixei ir.
E eu vi minha vida sem ela, tão vazia e sem graça, tão monótona e triste. Eu tentei fingir que estava bem sem ela, tentei ser o tal babaca que ela me acusava de ser, mas não consegui, havia um buraco grande dentro de mim no lugar que deveria estar meu coração. Ela o levou com ela e o mantinha cativo, mesmo sem saber. Só então eu percebi que jamais amaria outra pessoa que não fosse ela. Jamais eu me sentiria vivo e inteiro outra vez se não fosse com Helena.
Amar não é sobre encontrar alguém que tem os mesmos gostos e opiniões, alguém que compartilha sua maneira de ver o mundo. Amar é sobre achar aquela pessoa que faz seu sangue ferver, seu coração acelerar, que testa seus limites e te desafia, que te mostra e te ensina coisas novas, ou apenas um meio diferente de fazer as mesmas coisas. Amar é estar com alguém que te inspira a ser sempre melhor, é estar com alguém com quem você pode discutir, brigar, explodir e surtar, mas que no final da noite, não importa o quão feia tenha sido a briga, você sabe que pode envolver essa mesma pessoa num abraço quente e ter a certeza de que ela não irá embora, que sempre estará ao seu lado.
Porque ela conhece seu verdadeiro eu.
Porque ela te aceita e ama, independente do quão idiota ou teimoso você possa ser. Porque no fim, o amor é maior do que qualquer desentendimento, maior do que qualquer divergência de opinião.
Amar é confuso.
É estressante.
Mas é motivador.
É o que te faz levantar todos os dias da cama, a perspectiva de andar nessa montanha russa cheia de altos e baixos que é amar. Afinal, o que seria da vida sem um pouco de emoção? Sem brigas que se resolvem entre os lençóis? Ou dentro da sala de estoque de um bar?
Era por isso que eu sabia que Helena era a minha escolhida.
Por que mesmo as coisas que eu não gostava em Helena, como sua teimosia, sua cabeça quente, aquele maldito cinismo que irritava a qualquer um, ou até mesmo como ela tendia a ficar violenta quando brigava comigo. Até mesmo as coisas que me faziam querer virar as costas para ela, desistir, chutar o pau da barraca e mandar tudo para o inferno. Até mesmo esses momentos com ela eu amava.
Simplesmente porque eram momentos com ela.
Eu não me importava, eu aceitava um tapa ou outro, ela não era tão forte como gostava de pensar. Eu aceitava seus xingamentos, até porque nada era mais emocionante do que calar aquela maldita boca perfeita dela com um beijo.
Eu tinha tantas coisas a dizer a ela. Tantos sentimentos, tantos planos que eu queria começar a fazer com ela nesse exato momento. Mas eu temia abrir a boca e arruinar tudo, como eu sempre fazia. Eu fiz uma promessa a mim mesmo, eu faria isso dar certo, eu daria o meu melhor para fazer Helena feliz, porque vê-la feliz era o segredo para a minha própria felicidade.
Mas dessa vez eu precisava ser cauteloso e fazer tudo direito, eu não iria perdê-la, eu não iria permitir que ela se afastasse ou que sequer pensasse que eu não amava o suficiente para ficar. Mas como convencer Helena Bertinelli?
Outra lista talvez?
Nove passos para convencer Helena Bertinelli que eu a amo?
Soava promissor.
Perdi a linha dos meus pensamentos ao sentir seus dedos longos penteando meus cabelos, ajeitando uma mecha curta que teimava em cair sobre a testa e a jogando para trás. Seu olhar parecia um pouco perdido como se tivesse voltado alguns anos no tempo, mas vi um pequeno e singelo sorriso aparecer no rosto dela, meu coração se aqueceu e eu tive certeza que nossos pensamentos se coincidiram nesse momento. Helena costumava fazer muito isso, o tempo todo, na verdade. Ela costumava dizer que meu cabelo era tão teimoso quanto eu. Ah, como eu poderia ter sentido falta de um simples gesto? Eu encarava Helena e ainda não acreditava que a tinha. Sim, eu fiz todo um plano, e embora eu estivesse empenhado em reconquistá-la, eu realmente nunca pensei que a minha lista fosse dar certo. Eu apenas confiei, que no íntimo dela, Helena ainda se sentisse como eu. Sentisse como se um forte terremoto tivesse acontecido fazendo toda a nossa história, o nosso romance desabar, mas que talvez ainda tivéssemos amor suficiente para reconstruí-lo tijolo por tijolo.
Nós havíamos colocado uma manta sobre o chão e nos coberto com outra. A segunda vez que fizemos sexo no estoque, em quase nada se assemelhava à de semanas atrás. Sim, tinha sido igualmente excelente. Mas aquela vez tinha sido sobre desejo reprimido, sexo puro e carnal, urgente e até mesmo um pouco desleixado sobre uma mesa, tinha sido uma confusão só de sentimentos e desejos, mas havia tido amor o suficiente e acho que no fim, isso possa ter assustado Helena. Nessa segunda vez nós tomamos nosso tempo apreciando cada pequeno momento, nos recordando do que cada toque despertava um no outro, nos amando da forma que deveríamos nos amar porque essa era a nossa chance de fazer tudo dar certo.
— Porque você está a tanto tempo olhando para mim? — ela perguntou se ajeitando para olhar melhor para mim, apoiando o cotovelo no chão e colocando sua cabeça sobre a mão. Ela mordia de leve o lábio inferior, não de um jeito provocativo, embora fosse absurdamente sexy, era quase jovial e de um jeito leve que me lembrava muito a Helena de antes disso tudo acontecer. — Tommy? — Ela me chamou, me atentando para o fato de que eu não havia a respondido, mas novamente eu tinha me visto distraído por ela.
Ela parecia com uma deusa grega, bela e completamente nua.
Qual era mesmo a pergunta?
Ah, sim. Porque eu a olhava?
Porque ela era linda.
Porque ela me fascinava.
Porque eu temia que tudo isso fosse um sonho.
Como dizer à ela que eu ainda estava incrédulo de que nós dois havíamos finalmente nos entendido? Ah, já sei!
Deslizei minha mão por seu braço macio, eu sorria com o pensamento no que eu faria a seguir enquanto Helena estreitava seus olhos para mim, parecendo confusa e suspeita com a razão do meu sorriso, até que apertei a pele dela entre meus dedos.
— Aí. Que merda foi essa, Tommy? — ela gritou, sua mão dando um tapa forte no meu ombro me fazendo tombar sobre as costas e sorrir tanto que meu rosto doeu.
— Eu só estava me certificando de que isso aconteceu de novo, e que eu não estou sonhando.
— Idiota, você deveria se beliscar e não me beliscar. — ela reclamou, revirando os olhos daquele jeito tão atrevido.
— Eu sei, mas é mais gostoso ter um motivo para colocar minhas mãos em você. Sem contar que meu beliscão fez você me bater e como doeu, eu sei que não é um sonho... — Eu ri enquanto explicava minha lógica distorcida, mas Helena estava emburrada, embora seu olhar contivesse um fogo que me dizia para tomar cuidado — Aí. — senti o aperto das unhas delas no meu braço, muito mais forte do que o meu, e certamente deixaria uma marca vermelha ali por dias. — Está provando que eu sou real também? Ou só queria colocar as mãos em mim? — Um sorriso bobo escorregou do meu rosto.
— Eu sei que não estou sonhando porque nem em meus sonhos você consegue ser tão idiota.
— Você sonha muito comigo? — perguntei, meus dedos deslizando suavemente do seu ombro até a curva do braço e então fazem o caminho contrário. Eu não consigo não tocá-la, faz tanto tempo desde que estivemos assim, juntos, nos provocando enquanto conversamos amenidades depois de fazermos sexo.
Eu não quero que isso acabe.
Eu quero congelar o tempo nesse exato momento e ficar assim para sempre, mas então me lembro de que há tantas coisas que nós dois ainda podemos fazer, e me vendo para essa possibilidade ainda que incerta de um futuro com ela.
Helena mordeu o lábio inferior, e lançou seus olhos azuis para mim daquele jeito que me enfeitiça. Oh, merda eu sei que há algo ali, algum segredo por trás daquelas pestanas escuras que piscam para mim com uma falsa inocência.
— Eu não sei se posso definir como sonho... — ela disse com certo mistério na voz, suas unhas cumpridas arranham meu peitoral, o efeito do toque em mim é imediato, mas eu me controlei porque era como se ela tentasse me distrair de propósito. Me coloquei de lado para observá-la melhor e me aproximei ainda mais dela. Eu era ciente que o cheiro dela poderia me distrair, mas eu sou como um viciado, eu fiquei muito tempo sem ela e quero ir tomando doses pequenas antes de sofrer uma overdose.
— Conte-me seu sonho. — Eu exigi, porque eu não quero mais barreiras entre nós. Eu quero saber tudo dela, e em contrapartida dar tudo de mim. Eu peguei a mão dela que ainda está em meu peito, arranhando-me de um jeito que me tira completamente do foco, e a levei aos meus lábios beijando o interior da palma primeiro, e depois um a um seus dedos enquanto repito “conte-me”.
Helena suspirou dentro de um sorriso e eu sei que venci.
— Eu tenho essa lembrança de nós dois, e eu sempre sonho com isso nas noites chuvosas. — Encarei seus olhos a incentivando a continuar — É noite, nós dois estamos na casa de seus pais, ambos saíram e Thea dormia na casa de uma amiga. Você sugeriu que nadássemos um pouco, e quando eu disse que não tinha trazido um biquíni, você, como o cavalheiro que era, sugeriu que nadássemos nus. — eu ri tentando esconder o quanto eu me excitei com a lembrança daquele dia, e aproveito para fazer uma nota mental para voltar lá num futuro não muito distante — Naturalmente eu recusei a sua ideia de um jeito educado.
— Naturalmente. — repeti, segurando o riso dessa vez, ela não tinha sido nenhum pouco educada.
— Mas eu concordei em nadar com as roupas de baixo. — nós erámos tão jovens naquela época, ainda começando algo, ainda inconscientes de como lidar com nossos sentimentos e com aquela atração arrebatadora que sentíamos um pelo outro.
— Para ser honesto, meu plano era apenas fazê-la entrar na água comigo, tê-la usando apenas calcinha e sutiã foi um bônus inesperado. — Ela revirou os olhos para mim e continuou a contar:
— Começa a chover, mas nem assim nós deixamos a piscina e você se aproximou de mim, e me abraçou, nós nos beijamos, as mãos deslizando por lugares até então inexplorados, você disse que precisávamos nos aquecer... — A voz de Helena estava intencionalmente mais sensual.
— Eu estava pensando no nosso bem!
—... E desde então, toda noite chuvosa, quando eu escuto o barulho da chuva batendo na minha janela, eu sempre tenho esse mesmo sonho, e eu acordo desnorteada e tão molhada... — Ela disse, num tom baixo e sedutor. Eu era completamente consciente do que ela estava fazendo, com seu olhar falsamente inocente, com seus dedos vagando pelo corpo de um jeito quase indecente, que me faz engolir em seco, em expectativa e excitamento pelo que ela vai me dizer. Ela se aproximou mais, senti seu hálito quente tocar minha boca, e me deixo levar completamente. — Eu acordo molhada porque... — ela lambe os próprios lábios, despertando em mim a vontade de fazer o mesmo — Porque há uma maldita goteira no teto bem acima da minha cama!
Pisquei diante do que ela diz, enquanto gargalha.
Eu demoro meio segundo para entender o que ela fez comigo, me excitando até o limite.
— Sua diabinha! — eu a empurrei com meu corpo, ficando por cima dela usando isso quase como uma punição pelo estado em que ela me deixou. Mas estremeci quando escutei um leve gemido de dor após perceber que ela batera com a cabeça no chão por causa do meu ato impulsivo. — Você está bem? Eu a machuquei? — perguntei me sentindo preocupado e culpado ao mesmo tempo.
— Não se preocupe, eu estou mais do que bem. — ela disse, movendo o seu corpo debaixo do meu, roçando seu sexo no meu com o propósito de me distrair.
— Nós deveríamos considerar colocar uma cama no estoque ou pelo menos ter um colchão... — eu comentei, ainda me sentindo aborrecido por não ser mais cuidadoso com ela.
— Já pensando nas próximas vezes, Merlyn? Não acha que está sendo muito confiante? — a provocação dela coloca um sorriso largo em meu rosto.
— Eu tenho razões para isso, não acha? — devolvi, e estico o meu braço, alcançando um papel que não estava muito longe de nós. -... número oito... Ter muito sexo quente e viciante. — Eu leio com certo orgulho as palavras que Helena escreveu enquanto pensava em mim.
— Oh, me dê isso! — ela tenta tomar o papel de mim, mas eu sou mais forte e a tenho embaixo do meu corpo, ela sequer tem uma chance. Mas uma das coisas que amo em Helena, é que quando ela não consegue algo, ela decide jogar sujo. E ela é ótima jogando sujo.
Sinto ambas as mãos dela em meu peitoral, arranhando suavemente, fazendo uma trilha até meu pescoço, até que ela me puxa para si. Seus lábios roçam os meus devagar. É como um jogo de sedução, ela ondula seu corpo embaixo do meu e se inclina para mim, ela passa a língua quente em meus lábios, sopra sua respiração em minha boca, mas ela não me dá um beijo completo até que eu peça ou tome isso. E como eu não sou capaz de resistir muito tempo, eu a tomo para mim. Eu a beijo, não apenas com meus lábios. Meu corpo todo está envolvido no ato de beijar Helena, minhas mãos em sua pele, meu tronco que se movimenta por cima dela, se encaixando de um modo perfeito. Suas unhas arranham minhas costas e não há suavidade no movimento, é quase urgente. A manta que nos cobria, está embolada aos nossos pés e nós dois estamos nus.
— Eu quero ficar por cima. — Ela sussurra entre o beijo e eu simplesmente rolo com ela pelo chão atendendo ao seu pedido. E é nesse momento em que ela pega a lista e ergue em suas mãos.
— Ganhei. — ela diz afobada e feliz.
— Não, eu ganhei. — eu disse olhando para a visão fenomenal que era ter Helena nua em cima de mim. Cabelos bagunçados caindo por sobre um dos ombros, deixando um dos seios firmes e com bicos rígidos expostos. Seus olhos estão mais brilhantes, a boca avermelhada solta o ar com dificuldade e suas bochechas coradas me mostram o quanto a temperatura corporal dela está quente.
Helena sorri, e isso apenas completa a imagem da perfeição.
— Você está totalmente certo! Hora do item oito! — ela diz com certa urgência e se inclina para mim, em busca de um novo beijo.
Eu sei onde isso vai dar.
Eu quero.
Eu sempre a quero.
Mas me recordei de algo importante que havia me esquecido, e é esse algo que me faz pará-la.
— Helena... — segurei-a pelo ombro e impeço-a de me beijar, ela me deu um olhar confuso, e eu posso entender o porquê. Desde quando eu nego sexo? Soltei um longo suspiro antes de dar a resposta. — Nós não usamos proteção dessa última vez. — eu explico baixinho, temendo a reação dela. Ela tornou a se sentar, mordendo o lábio e olhando para mim de um jeito que não me revela nada do que se passa dentro daquela cabeça. — Eu sinto muito. — eu me desculpei porque não sei o que mais eu poderia dar a ela — Eu sinto muito, Helena, eu fui negligente, mas se algo acontecer, se o que fizemos essa noite, se isto gerar uma vida, eu espero que saiba que eu não vou à lugar algum, eu te prometo que estarei sempre ao seu lado, e do nosso bebê. — ela se retrai um pouco, eu sei que há lembranças ruins na mente dela agora, mas ainda assim eu insisto, isso deve ser algo claro entre nós dois — Eu quero isso, Helena, eu quero muito isso com você, mas apenas quando ou se um dia você estiver pronta. — me apresso a dizer. — E como eu estou sem camisinhas aqui, eu acho melhor não irmos para uma segunda rodada.
Porra! Como eu queria uma segunda rodada! Uma terceira. Uma décima quinta. Mas eu sei que preciso jogar limpo com Helena para isso dar certo, e eu só irei até onde ela quiser, por mais que eu queira mais.
Helena não me respondeu de imediato, após alguns segundos que pareceram horas para mim, ela apenas me deu um sorriso tímido e eu soube que era melhor guardarmos aquela conversa para um outro dia.
— Thomas Merlyn, você esconde um cara muito doce por trás desse maldito sorriso de canalha. — Me senti mais aliviado ao escutar seu tom de voz, não havia sinal de medo ou tristeza ali, ela não estava surtando, e o mais importante, ela não estava fugindo.
— E você gosta de doces? — usei o sorriso mais canalha que tinha.
— Eu amo doces... — flertou.
— Eu tenho algo incrivelmente doce guardado especialmente para você... — eu disse, colocando as minhas mãos em suas costas e fazendo o corpo dela cair sobre o meu, moldando-se com naturalidade enquanto a beijo da maneira mais fodidamente doce que consigo.
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